Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

terça-feira, 31 de julho de 2012


COMO MÚSICOS E MINISTROS DE LOUVOR ROUBAM A GLÓRIA DO DEUS VIVO

Por Giuliano Miotto
O livro de Isaías sempre me deixa assombrado por causa de algumas das mais incisivas passagens da Bíblia acerca da natureza de Deus e sobre a situação do povo. Já no começo, Isaías que era um profeta e um homem justo, estremece quando tem a visão do trono de Deus e dos Serafins com seis asas. Ele apenas exclama: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos.” (Is 6:5)
Isso tudo é bastante significativo e é totalmente contrário ao clima de irreverência, ganância financeira e falsa intimidade que alguns músicos, “profetas”, líderes e, especialmente, os autodenominados ‘ministros’ de louvor têm demonstrado a respeito das supostas visões celestiais que alegam ter visto e em face das revelações tremendas de músicas, melodias, ministrações e palavras que têm aparentemente recebido de Deus.
Não posso julgar cada músico e dizer quem é de Deus e quem não é, muito menos posso dizer, sem conhecer todo o contexto da vida desses homens, quem tem recebido inspiração divina para compor, pregar, ministrar e cantar e quem está apenas utilizando o poder latente da alma para criar canções, palavras e ministrações para massagear a alma dos ouvintes, entretê-los e tirar uns bons trocados deles.
Mas posso, OUSADAMENTE, afirmar, com base Bíblica, que qualquer músico, profeta, ministro, pastor, líder, apóstolo, arcanjo ou seja lá qual o seu título ou ministério, QUE COBRE AO MENOS R$ 0,01 (HUM CENTAVO) POR SEU TRABALHO COMO “MINISTRO” ESTÁ TOTALMENTE EQUIVOCADO E, PIOR DO QUE ISSO, ESTÁ EM PECADO E ROUBANDO A GLÓRIA DE DEUS.
Parecem fortes as minhas palavras? Pois vamos então para a própria Palavra de Deus revelada aos homens e que vocês dizem seguir. Vejamos o seguinte texto do livro de Isaías:
“Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.
Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios. Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.
EU SOU O SENHOR; ESTE É O MEU NOME; A MINHA GLÓRIA, POIS, A OUTREM NÃO DAREI, nem o meu louvor às imagens de escultura.”(Cap. 42:5-8)
Veja que o texto é bastante claro a respeito do assunto, pois declara que tudo o que existe, até mesmo a nossa respiração vem como uma graça de Deus e que este JAMAIS DIVIDE A SUA GLÓRIA COM NINGUÉM!!!
Ora, com certeza muita gente que ler este artigo vai pensar naquela passagem onde se diz que o trabalhador é digno de seu salário para tentar justificar essas práticas abomináveis de cantores ‘góspeis’ que cobram cachês, valores para ir nas ‘igrejas’ ou vendem o CD para quem quer ouvir suas músicas. Sendo que a pior situação é daqueles que estão contratados por gravadoras sejam elas de cunho religioso ou secular, pois estas empresas existem apenas para explorar o “mercado gospel” e fazer comércio com a fé das pessoas.
Quero dizer, como advogado e conhecedor das leis, que direitos autorais são garantidos por lei e visam dar proteção aos criadores de obras artísticas, dentre outros. Mas direitos autorais são feitos para um mundo caído, que não glorifica a Deus como deve e para proteger (glorificar) aqueles que se julgam autores de suas obras.
Não sou contra os direitos autorais e nem acho que um cristão deva escutar músicas piratas, nem ler livros sem pagar por isso, já até escrevi sobre isso. Mas o que estou dizendo é que os artistas e autores do mundo “gospel” deveriam repensar suas práticas e pararem de roubar a glória de Deus para si. Deixem os direitos autorais para quem acha que fez alguma coisa de si mesmo.
Saiam dos palcos, púlpitos, das televisões, das rádios, das gravadores e comecem a praticar aquilo que Jesus ensinou: “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.” (Mateus 10:7-10)
Vejam que o trabalhador é digno apenas do salário (alimento) não de carros de luxo, ouro, prata, hotéis caros, jantares suntuosos e todas estas coisas, sobre as quais vem a devida condenação. Isso que você está fazendo muito provavelmente é o que está descrito em 2 Pedro 2, verso 3: “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” Talvez você esteja já com raiva de mim e pensando: quem é este doido para me julgar? Saiba que eu não posso te julgar, mas a Palavra pode e sua alma pode estar irremediavelmente condenada e você achando que está fazendo a “obra”.
Esse assunto continua… E, por favor, não se ofenda se o texto disser respeito às suas práticas, apenas se arrependa e dobre-se diante da Palavra de Deus. Quanto a mim, pode dizer o que quiser. Tudo o que disse de músicos e ministros de louvor se aplica a pastores, apóstolos, líderes e toda corja de comerciantes da fé.
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Giuliano Miotto é “apenas um conspirador. O menor de todos os santos”. Amigo, parceiro e blog e editor do Voz que clama na Net. Divulgação: Púlpito Cristão.


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No Púlpito Cristão
Pregamos com veemência:Voltemos ao Evangelho 

É uma questão de urgência

Apenas queremos isso
E por isso lutaremos.O Tempora! O Mores! 

Mas como Bereianos ouviremos

Chega de apóstolos loucos
Pregando doutrinas vãs.

Se esses apostatas são crentes
E neles você acredita, saiba:
Eu Sou mais Crente que Você
Porque acredito na Bíblia

Queremos a sã doutrina
Com boa mensagem, o evangelho,
Teologia et cetera

Chega de maldições,
Prosperidades, G12s,
Falsos moveres e outras quimeras…

Cinco Solas pregava a reforma
Verdadeira Arte de Chocar
Que na época revolucionou
Quem o sacerdócio queria centralizar.

Portanto, é Pela Volta ao Evangelho
Que erguemos a nossa voz.
Buscando sempre o Auxílio do Alto
Sabendo que não estamos sós.

Por isso não desistiremos
Seremos a Voz do que Clama na Net
Em todo tempo, denunciando
E anunciando a palavra que subverte.

Sempre em Cristo… que sempre tem os que não se dobram.

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Joacy Júnior é irmão em Cristo, blogueiro, com este talento extraordinário de poetisar verdades! Edita seu blog Pela Volta ao Evangelho e é nosso parceiro de caminhada.



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Por Gilson Santos

Em muitos círculos evangélicos atuais, quando se fala em "avivamento", pensa-se em uma grande campanha evangelística, com várias reuniões especiais, com um convidado especial e com uma música especial. Este é o sentido que se associou a este vocábulo no século XIX. As grandes campanhas evangelísticas de Charles G. Finney (1792-1875), Dwight L. Moody (1837-1899) e Reuben A. Torrey (1856-1928), bem como as de outros evangelistas do gênero, exerceram papel decisivo na sedimentação deste modo de pensar. Para outros, "avivamento" seria um "borbulhar de entusiasmo na igreja", um excitamento, um cantar empolgante, um louvor diferente e, até mesmo, um tipo de histeria emocional seguida de sinais incomuns. No século XX, a idéia de "sinais e maravilhas" passou a integrar substancialmente o cerne do conceito de avivamento.

A palavra "avivamento" (ou reavivamento, do inglês revival) surge desde o século XVII e afirma-se no século XVIII, quando se começava a falar sobre o reavivamento da religião. Embora o vocábulo fosse novo, aqueles que o endossavam entendiam claramente que a doutrina era amplamente encontrada nas Escrituras e na história da Igreja. Por "avivamento" pensava-se num "derramar incomum do Espírito Santo".

Jonathan Edwards e a soberania de Deus no avivamento

Jonathan Edwards (1703-1758) foi um dos grandes líderes do avivamento do século XVIII, que tem sido chamado pelos norte-americanos de "Grande Despertamento". Um estudo sério acerca deste assunto terá de levar em conta o que ele fez e escreveu.

D. Martyn Lloyd-Jones (1899-1981) e J. I. Packer, ao escreverem sobre Edwards, entendem que é na questão do avivamento que ele é preeminentemente o mestre. Avivamento é um derramamento do Espírito, e "se vocês quiserem saber algo sobre o avivamento verdadeiro, Edwards é o homem que se deve consultar", arremata Lloyd-Jones.1

Em sua clássica obra A Treatise Concerning Religious Affections (Tratado sobre Afeições Religiosas), Edwards nos fala sobre a atuação do Espírito Santo, dando grande atenção à experiência pessoal.2 O anseio de Edwards em diferenciar a experiência religiosa verdadeira da falsa resultou de sua preocupação pastoral no contexto do avivamento. Ele pregou uma série de sermões sobre 1 Pedro 1.8 tratando do assunto, em 1742-1743. O Tratado resultou da revisão do texto desses sermões para publicação em 1746. Nesta obra, Edwards argumentou que o cristianismo verdadeiro não se evidencia pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas por um coração transformado que ama a Deus e busca o seu prazer. Ele faz uma análise rigorosa das diferenças entre a religiosidade carnal e a verdadeira espiritualidade, que toca o coração com a visão da excelência de Deus e liberta o homem do egocentrismo. Edwards lutou em duas frentes: contra os adversários do avivamento e contra os extremistas; contra o perigo de extinguir o Espírito e contra o perigo de deixar-se levar pela carne e ser iludido por Satanás.

Por um lado, tinha que argumentar contra aqueles que descartavam todo o avivamento como histeria irracional; por outro, tinha que argumentar contra aqueles que pareciam pensar que tudo o que aconteceu no avivamento era "de Deus", não importa quão estranho, extremista ou desequilibrado isso fosse (...).

Em sua tentativa de traçar um caminho intermediário entre esses extremos, a um tempo similares e opostos, Edwards confrontou-se com uma série de questões fundamentais.3

Nos seus escritos, Edwards avaliou a experiência religiosa à luz das Escrituras e das suas convicções reformadas. O ponto de partida da sua pregação e da sua teologia foi o Deus soberano, em sua majestade, graça e glória. Edwards incluía uma ênfase na obra soberana e graciosa de Deus, ao tratar do avivamento. Segundo ele, o avivamento é uma visitação divina. É Deus vindo e agindo de maneira poderosamente incomum entre o seu povo. Utilizando a analogia do mar, o avivamento seria como as ondas do mar, que vêm e quebram sobre a praia, e nós podemos visualizar a história constatando essas ondas vindo e quebrando. De fato, a história dos avivamentos seria a história do povo de Deus.

Num avivamento, ou experiência religiosa genuína, o critério principal é este: se quem está no centro das atenções é Deus ou o ser humano. Para que Deus esteja no centro é necessário, em primeiro lugar, que haja nos corações um profundo senso de incapacidade, de dependência de Deus, e de convicção da nossa pecaminosidade. Além disso, é preciso que haja a consciência de que toda genuína experiência religiosa é fruto da atuação do Espírito de Deus, que transforma e santifica os pecadores, capacitando-os a amar e honrar a Deus em suas vidas.

Portanto, todas as teorias de salvação que dão ênfase às obras humanas ou à capacidade humana só desmerecem a grandeza do amor de Deus revelado a nós em Cristo Jesus e tornado real em nossos corações somente pela iluminação do Espírito Santo.4

The Distinguishing Marks of a Work of the Spirit of God (As Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus) é um pequeno mas importante livro de Edwards baseado em um sermão que pregara em Boston, durante o Grande Despertamento.5 Depois do sermão, ele fez alguns acréscimos e publicou o livro em 1741. Trata-se de uma exposição do capítulo 4 da Primeira Epístola de João, texto que nos exorta a provarmos "os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora". De fato, no argumento de Edwards, a palavra "evidência" seria preferível à palavra "marca". Edwards extrai dos escritos do apóstolo João um total de quatorze sinais ou evidências que indicam a presença ou ausência do Espírito de Deus numa pessoa, movimento ou igreja. A seguir, ele oferece cinco conclusões práticas para a igreja, encerrando com sua ênfase característica na humildade em todas as coisas do Espírito. Esta questão lhe era crucial, pois sua igreja fora atingida pelo Grande Despertamento nas décadas de 30 e 40 do século XVIII, e aquele período foi de grande agitação e confusão, à medida que se faziam todos os tipos de reivindicação espiritual.

Em seu livro Jonathan Edwards e o Avivamento Brasileiro, o qual recomendo ao leitor, Luiz Roberto França de Matos (1956-2004), ao analisar os escritos de Edwards, conclui sobre os "princípios úteis para julgar se uma obra espiritual ou movimento religioso efetivamente vem do Espírito". Que princípios são esses? O autor resume-os como segue:

1. Quaisquer manifestações exteriores resultantes de experiências extraordinárias não são um sinal fidedigno de espiritualidade e não asseguram uma obra genuína do Espírito.

2. Uma obra verdadeira do Espírito de Deus produzirá uma mudança radical na natureza de uma alma individual, que irá expressar-se em um comportamento e prática completamente novos, revelando-se progressivamente a imagem de Jesus Cristo implantada no crente.6

Quanto ao avivamento, é ele um período marcante, quando Deus, de forma rápida e impressionante, expande o seu Reino através de um revitalizar da sua igreja; é obra poderosa do Espírito Santo no meio de muita gente ao mesmo tempo. O avivamento é uma intensificação do Cristianismo. Não é um outro tipo de Cristianismo, mas uma intensificação do mesmo quando em tempos normais. Não é diferente em essência; a diferença é de grau e não de tipo. O Catecismo Maior de Westminster, na resposta à pergunta de número 182, diz que o Espírito Santo nos ajuda "operando em nossos corações, e despertando (embora não em todas as pessoas, nem em todos os tempos, na mesma medida) aquelas apreensões, afetos e graças que são necessários...".7 Alguém recorreu à analogia entre uma "chuva normal" e uma "chuva forte". Num contexto de avivamento, os crentes são mais zelosos, pecadores são atraídos, e mesmo os incrédulos que não se convertem, se vêem convencidos da verdade. J. I. Packer diz que a "Escritura aponta para um processo repetido muitas vezes, mediante o qual, seguindo-se à frieza, descuido e infidelidade existentes dentre o povo de Deus, o próprio Deus age soberanamente para restaurar o que estava prestes a perecer". E acrescenta: "E através do transbordamento evangelístico consequente, [Deus] torna a estender ainda mais o reino de Cristo".8

Uma observação importante, que deve novamente ser enfatizada, é que o avivamento vem exclusivamente de Deus. "Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85.6). O desejo do salmista está voltado para Deus, pois o homem não pode operar esta façanha. É Deus quem pode vivificar. O avivamento é uma obra soberana de Deus, pois "o vento sopra onde quer" (Jo 3.8). Nós não podemos dar uma ordem para que haja um avivamento, e ele não segue um modelo previamente fixado por qualquer homem. Nós estamos amarrados à misericórdia de Deus. "Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer" (Jo 5.21). Isto não deveria causar-nos desespero, mas fome, um apetite pela visitação de Deus. Deveria nos levar à humilhação. Na compreensão de Edwards, avivamento é algo que acontece, não é algo que se promove. O homem não é o agente; ele é objeto dessa obra do Espírito. Deus é absolutamente soberano em cada dádiva que concede. Isto é tão verdadeiro acerca do avivamento como é de qualquer grande obra redentora. J. I. Packer colocou isto nas seguintes palavras:

O avivamento é Deus demonstrando a soberania de sua graça. Avivamento é inteiramente obra da graça, pois sobrevém a igrejas e cristãos que merecem apenas julgamento; e Deus o faz acontecer de maneira a mostrar que sua graça foi decisiva nele. Os homens podem organizar convenções e campanhas e buscar a bênção de Deus sobre elas, mas o único organizador dos avivamentos é Deus, o Espírito Santo. Repetidas vezes, o avivamento tem vindo de maneira súbita, irrompendo frequentemente em lugares obscuros, através do ministério de homens também obscuros. Na verdade, ele vem em resposta à oração, e onde ninguém orou é provável que também ninguém seja avivado; entretanto, a maneira pela qual a oração é respondida será de forma a enfatizar a soberania de Deus como a única fonte de avivamento, mostrando que todo o louvor e toda a glória precisam ser dados somente a ele.9

Iain Murray, em seu excelente livro Pentecost Today, chama a atenção para o fato de que a soberania de Deus no avivamento é revelada em que Ele é soberano nos instrumentos que se propõe utilizar neste sentido, em seus propósitos no avivamento, e com relação ao tempo quando o avivamento começa.10 Roberts & Gruffydd, em seu livreto Avivamento e seus Frutos, quando se referiram ao avivamento de 1762, no País de Gales, escreveram:

Avivamento, por definição, é o próprio princípio de vida da igreja. O poder que produz a vida é o próprio princípio de sua vida. O poder que traz à vida é o poder que sustém a vida. A igreja como um corpo de crentes permanece numa contínua necessidade do vivificante Espírito de Deus.11

Evans observa que "um dos fatos mais coagentes e convincentes que serve para demonstrar a soberania do Espírito Santo em instaurar reavivamentos é a maneira simultânea de manifestar Sua operação em vários lugares e pessoas".12 E o mesmo autor salienta o papel da oração. Não obstante ser obra graciosa e soberana, o avivamento sempre vem através da oração. Oração intensa e persistente. A correta compreensão da doutrina da soberania de Deus não implica em passividade da parte do povo de Deus. Edwards colocara isto da seguinte maneira:

Quando Deus tem algo muito grande para realizar em favor da sua igreja, a vontade dele é que isso seja precedido pelas orações extraordinárias do seu povo, segundo manifestado por Ezequiel 36.37... E é revelado que, quando Deus está para realizar grandes coisas para a sua igreja, ele começará derramando de maneira notável o espírito de graça e de súplicas (Zc 12.10).13

"Aviva a tua obra, ó SENHOR, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia" (Hc 3.2). Isaías 64 é uma oração muito própria em favor de um avivamento. Também o salmista ora: "Vivifica-me, SENHOR, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira da tribulação a minha alma" (Sl 143.11). Além disto, a pregação da Palavra de Deus é instrumento de Deus para reavivar seu povo. O SENHOR utiliza sua própria Palavra (Sl 119.25; Ez 37.9). O Salmo 119 descreve a Palavra de Deus como o meio para o reavivamento do povo de Deus: "Estou aflitíssimo; vivifica-me, SENHOR, segundo a tua palavra" (Sl 119.107). O impulso do avivamento há de partir do Senhor, como também o poder que acompanha a Palavra deve ser atribuído a Ele. Enfim, se pudermos falar de uma metodologia em Edwards, esta era, basicamente, orar por avivamento e expor a palavra da Escritura.

Charles Finney e a "ciência do avivamento"

A definição que Edwards ofereceu para avivamento sofreu grande revisão no século XIX. Um dos mais influentes líderes do chamado "Segundo Grande Despertamento" foi Charles Finney. Ele escreveu um livro em 1838 chamado Reavivamento da Religião.14 De forma contrária a Jonathan Edwards, Finney fez o avivamento repousar decisivamente sobre o homem. No livro Charles Finney e a Secularização da Igreja, Jadiel Martins Sousa (1964-2002) observa com muito acerto que "em algum sentido, pode-se dizer que Finney foi uma reação a Edwards, uma vez que o calvinismo representado por este foi repudiado e relegado à condição de fantasma por aquele".15 Finney argumentou que podemos alcançar o avivamento simplesmente utilizando adequadamente os meios corretos. No raciocínio de Finney, "orar pelo reavivamento religioso e deixar de empregar qualquer outro meio, é tentar a Deus".16 E na sua argumentação subsequente, estes meios recebem grande ênfase. A analogia que ele utilizou foi a de um fazendeiro à espera de uma colheita. Ele ara, irriga e prepara o seu campo... E à medida que ele faz essa obra, a colheita inevitavelmente acontece. Assim, o avivamento é como uma ciência. Em sua biografia de Finney, V. Raymond Edman falou sobre "a ciência do avivamento" - de fato, o título da obra em português é Despertamento: A Ciência de um Milagre.17

Avivamento é tido comumente como um ato da soberania divina, outorgado pelo Deus todo-poderoso segundo sua vontade, sob sua direção. O homem, no caso, é considerado inteiramente incapaz de promover ou impedir semelhante manifestação do poder soberano. A evidência da experiência cristã não confirma a exatidão de tal conceito, e a verdade é que parece concludente haver muito que os crentes devem fazer na preparação e promoção do verdadeiro avivamento (...).

Finney é explícito e exigente na sua explicação de que um avivamento espiritual, como ele o chamava, "não é milagre", mas antes "o resultado do emprego acertado dos meios apropriados".18

E o autor cita o próprio Finney:

Avivamento não é milagre, nem depende de milagre, em nenhum sentido. É resultado puramente filosófico do emprego acertado dos meios comuns, tal como qualquer resultado que se obtenha empregando métodos apropriados. Pode haver um milagre entre suas causas antecedentes, ou pode não haver. Os apóstolos empregavam milagres simplesmente como meios de chamar a atenção para sua mensagem e de estabelecer a autoridade divina dessa mensagem. Mas o milagre não era o avivamento...

Afirmei que o avivamento é o resultado do emprego acertado dos meios adequados. Os meios que Deus determinou para a operação de um avivamento, sem dúvida, possuem tendência natural para produzir um avivamento, senão Deus não os teria determinado. Mas, conforme todos sabemos, os meios não produzirão um avivamento sem a bênção de Deus. É-nos impossível dizer que não há a mesma influência ou ação direta da parte de Deus para produzir uma colheita de cereais ou para promover um avivamento...

Suponhamos que um homem fosse pregar essa doutrina entre agricultores, com referência à plantação de cereais. Diga-lhes ele que Deus é soberano e lhes concederá uma colheita somente quando lhe aprouver; que arar a terra, semear e cultivar como quem espera uma colheita, está muito errado; é tirar a obra das mãos de Deus, é interferir na sua soberania, é labutar com suas próprias forças; que não existe, entre os meios e os resultados, nenhuma ligação de que possam depender. E suponhamos que os agricultores aceitassem tal doutrina. Ora, poriam o mundo a morrer de fome. Pois os mesmos resultados advirão se a Igreja se deixar convencer de que a expansão do evangelho é matéria misteriosamente sujeita à soberania divina, que não existe conexão entre os meios e o fim....

Creio firmemente que, caso pudéssemos saber todos os fatos, verificaríamos que, quando os meios determinados são usados acertadamente, as bênçãos espirituais são alcançadas com maior uniformidade que as temporais.19

Em resumo, este é o pensamento de Finney acerca do avivamento. E parece que não se alterou substancialmente, embora alguns autores identifiquem alguma mudança em suas últimas correspondências. Pelo final da vida de Finney, os sinais do avivamento vinham declinando. Ele concluía que, se para trazer o avivamento bastava utilizar os meios corretos, a mesma lógica deveria aplicar-se para manter o avivamento. Entretanto, por alguma razão, essa lógica não se verificava na realidade ao seu redor. Ele sentiu a impossibilidade de manter o avivamento pelo esforço humano, e em suas cartas teria concluído que atribuiu muito da obra ao homem. À luz disto, podemos compreender porque Iain Murray conclui que a inevitável tendência da visão de Finney é que, embora espere encorajar a diligência e os sinceros esforços práticos, "ela irá, contudo, cedo ou tarde, produzir desencorajamento". No final das contas, nesta visão, não há avivamento se a desobediência continua a prevalecer, pois é a obediência humana que assegura o avivamento.20

Efetivamente, Finney estava reagindo a uma situação que considerava grave. Além disso, ele era alguém muito interessado em resultados. Para ele, a única forma de afirmar a veracidade de um método era sua eficácia em atingir alvos propostos. O fato de ter experimentado avivamento e ter se concentrado em seus efeitos visíveis deu a Finney a oportunidade de desenvolver sua tese da produção do avivamento. Nela há uma enorme confiança no caráter natural dos poderes da própria mente que são despertados e excitados pela palavra dirigida de forma clara à consciência. Embora houvesse dito que "os meios não produzirão um avivamento sem a bênção de Deus", de alguma maneira, em sua lógica matemática e forense, e promovendo alguma confusão entre causa e efeito, o avivamento ficou reduzido a uma ciência. Numa observação dos escritos de Finney a este respeito, uma leitura superficial dos títulos já é suficiente para perceber sua tese: os títulos sugerem ação exclusiva do homem e apontam para resultados seguros. O avivamento é, pois, o resultado do despertamento dos poderes da consciência por meio das várias técnicas, que passaram a ser exaustivamente empregadas. Assim nasceu o "avivalismo". A definição de Finney prevaleceu entre a maioria dos cristãos evangélicos desde então, e "avivamento" e "metodologia" passaram a caminhar juntos, e com grande detrimento da teologia. Fato, porém, é que a metodologia de Finney era, clara e inescapavelmente, uma expressão de sua teologia.

Jadiel Martins Sousa resume bem tudo isto:

Até os dias de Finney, a Igreja Cristã estava relativamente familiarizada com o fenômeno do avivamento. Vários períodos marcados por grande despertamento espiritual, desde a Reforma do século dezesseis, já haviam ocorrido. Mas a partir do ano 1800, no período do chamado Segundo Grande Despertamento, algo novo começava a ser notado. As manifestações emocionais e as expressões corporais, que já eram conhecidas dos outros períodos de avivamento, ganharam uma nova dimensão. Passavam a ser não apenas sinais secundários ou adereços presentes, mas se tornavam praticamente a essência do avivamento. Se antes essas manifestações eram algo a ser administrado, filtrado e julgado à luz da Palavra de Deus e de seus próprios frutos, agora elas eram buscadas, estimuladas e promovidas. Além disso, havia o pensamento de que todas as coisas relacionadas ao avivamento eram possíveis de serem promovidas pelo homem. Nesse contexto, o avivalista era tão importante quanto o avivamento, o evangelista tão importante quanto o evangelho.

Uma série de adornos foram acrescentados ao fenômeno do avivamento, como, por exemplo, os acampamentos, de tal forma que se acreditava ser impossível que o avivamento ocorresse fora desse ambiente meticulosamente preparado pelo homem. Esse era o novo perfil do avivamento do início do século XIX. O avivamento não era mais um fenômeno surpreendente, determinado pela soberania de Deus e executado livremente por ele. Já não era mais uma visitação especial na qual Deus restabelecia o vigor de seu povo trazendo nova disposição àqueles que estavam moribundos. O avivamento passava a ser um movimento terreno, um programa da igreja, algo planejado e executado pelos homens. Era um movimento ao qual as pessoas aderiam ou se opunham. Surgia o reavivalismo, do qual Finney se tornou o principal representante.21

Alguns líderes cristãos piedosos e operosos, contemporâneos de Finney, e que também estavam sob o impacto de uma grande visitação de Deus, se opuseram ao seu novo conceito e às suas "novas medidas". Tais homens não eram negligentes quanto aos deveres cristãos, mas entendiam que o avivamento dependia da soberania de Deus. Era ele quem determinava quando e onde ocorreria um derramamento especial do seu Espírito. Havia um elemento de surpresa no avivamento. Não era possível nem mesmo estabelecer um modelo fixo de avivamento; Deus se reserva o direito de agir de formas variadas, embora algumas marcas estejam geralmente presentes.

William Sprague (1795-1876) foi durante quarenta anos pastor da Igreja Presbiteriana em Albany, New York. Ele testemunhou um período em que milhares de homens e mulheres foram convertidos. Sendo contemporâneo de Charles G. Finney, Sprague escreveu em 1832 um livro chamado Lectures on Revivals of Religion (Conferências em Avivamento). De onde procedem tais avivamentos da religião? De onde eles vêm? Sprague põe isto da seguinte maneira:

Em todo avivamento nós somos distintamente conduzidos a reconhecer a soberania de Deus. Assim como isto é verdade e pode ser percebido na influência pela qual uma única alma é convertida, certamente não é menos manifesto nessas copiosas chuvas de influência pela qual são convertidas centenas de pessoas. É Ele quem causa isto. É Ele quem faz chover em uma cidade e não em outra. É Ele quem dirige o movimento dessas nuvens no mundo espiritual, das quais descem as bênçãos de reavivar e acelerar a graça. "O vento sopra aonde quer; e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim é todo que é nascido do Espírito». Assim, igualmente, é todo avivamento da religião.22

Uma grande necessidade

A idéia completa de avivamento parece que se tornou estranha a muitos bons cristãos. Isto se deve a um sério equívoco na compreensão das Escrituras, e a uma lamentável ignorância da história da Igreja. Visto que em nosso tempo este termo é utilizado para uma cruzada evangelística ou para alguns eventos planejados, o significado original tornou-se quase inacessível para a maioria dos cristãos.

Precisamos ser conduzidos a um grande senso de nossa própria indignidade e insuficiência, e que seja criado dentro de nós um correspondente desejo pela manifestação da glória e do poder do SENHOR. O "seu braço não está encolhido".

As épocas de avivamento trazem um profundo sentimento de que sempre se está diante dos olhos de Deus; as coisas espirituais tornam-se sobejamente reais, e a verdade de Deus se torna irresistivelmente poderosa, tanto para ferir quanto para curar; a convicção de pecado torna-se intolerável; o arrependimento é profundo; a fé desabrocha forte e firme; a compreensão espiritual cresce depressa e aguda; e os novos convertidos amadurecem em período de tempo bem curto. Os cristãos tornam-se destemidos no testemunho e incansáveis no serviço do seu Salvador. Eles reconhecem a sua nova experiência como um verdadeiro antegozo da vida do céu, onde Cristo se lhes revelará tão plenamente que jamais serão capazes de deixar, dia e noite, de cantar seus louvores e fazer sua vontade. A alegria transborda (Salmo 85.6; 2 Crônicas 30.26; Neemias 8.12, 17; Atos 2.46,47; 8.8), abundando uma generosidade cheia de amor (Atos 4.32).23

Em 1992, ao apresentar a tradução em português do livro Avivamento, de D. M. Lloyd-Jones, o editor expressou-se da seguinte maneira:

Ao considerarmos a condição espiritual do mundo - e especialmente a do Brasil - nesta última década do século vinte, não hesitamos em afirmar que a profunda convicção dos responsáveis desta editora é que não há assunto de maior importância e urgência do que o deste livro.

Não vemos nenhuma possibilidade de uma mudança radical, benéfica e duradoura neste grande país à parte de uma visitação poderosa do Espírito Santo.24

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Notas:
1 - J. I. Packer., Entre os Gigantes de Deus; Uma Visão Puritana da Vida Cristã. São José dos Campos: Editora Fiel, 1996, 389pp. e D. M. Lloyd-Jones, Os Puritanos; suas origens e seus sucessores. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1993, 432pp.
2 - Cf. Jonathan Edwards. A Genuína Experiência Espiritual. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1993, 116pp.
3 - N. R. Needahm. Introdução ao livro A Genuína Experiência Espiritual, op. cit, p. 9.
4 - Alderi de Souza Matos. Avivamento nos Dias de Jonathan Edwards; relevância atual. Veja aqui!
5 - Cf. Jonathan Edwards. A Verdadeira Obra do Espírito; sinais de autenticidade. São Paulo: Vida Nova, 1992, 94pp.
6 - Luiz Roberto França de Mattos. Jonathan Edwards e o Avivamento Brasileiro. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 110.
7 - Catecismo Maior de Westminster. Pergunta 182. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1987, p. 134. Itálicos meus.
8 - J. I. Packer. Na Dinâmica do Espírito; Uma avaliação das Práticas e Doutrinas. São Paulo: Vida Nova, 1991, pp. 238 e 240.
9 - Idem, p. 250.
10 - Iain H. Murray. Pentecost Today?; The Biblical Basis for Understanding Revival. Carlisle, Pensilvânia: Banner of Truth, 1998, pp. 70-74.
11 - Emyr Roberts & R. Geraint Guffydd, apud John Armstrong. Avivamento. O quê e por quê? São Paulo: Editora Fiel, s.d., p. 3. Itálicos meus.
12 - E. Evans. Reavivamentos; sua origem, progresso e realizações. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, s.d, p.8.
13 - Jonathan Edwards. Works. Ed. W. Goold. London: Banner of Truth, 1967, 4:518.
14 - Para uma leitura da obra de Finney acesse online aqui! Cf. Garth M. Rossel & Richard A. G. Dupuis. Memórias Originais de Charles Finney. São Paulo: Editora Vida, 1986, 512pp.
15 - Jadiel Martins Sousa. Charles Finney e a Secularização da Igreja. São Paulo: Edições Parácletos, 2002, p. 68. Esta obra atualmente é publicada e distribuída por Editora Fiel.
16 - Charles Finney. Uma vida Cheia do Espírito. Venda Nova (MG): Editora Betânia, 1980, p. 39.
17 - V. Raymond Edman. Despertamento: A Ciência de um Milagre. Venda Nova (SP): Editora Betânia, 1976, 161pp. O título da obra em inglês é Finney Lives On (Finney Ainda Vive).
18 - Idem, pp. 61-62.
19 - Ibid,. pp. 63-64
20 - Murray, op. cit., p. 29.
21 - Sousa, op. cit., pp. 45-46.
22 - William B. Sprague. Lectures on Revivals of Religion. London: The Banner of Truth Trust, 1959, 287pp, e Appendix 165 pp. Acesse online aqui!
23 - Packer, op. cit., p.250.
24 - William Barkley. "Nota dos Editores", in: D. Martyn Lloyd-Jones. Avivamento. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 7.

Fonte:  Editora Fiel

segunda-feira, 30 de julho de 2012



Assistir a um vídeo onde o vocalista do U2 aparece engatinhando, imitando algum mamífero felino, talvez um leão… Se o leitor comparar este vídeo com aquele da pastora de BH, vai perceber que os movimentos da Ana e do Bono são extremamente semelhantes. As coincidências são tantas que, penso que das duas, uma: Ou Bono Vox estava cheio da unção realizando um ato profético, ou a Ana plagiou o U2 e pôs a culpa em Deus. Será que Ana e Bono estão cheios do mesmo espírito? Antes que alguém venha em minha defesa, querendo poupar-me de tão grande pecado, permita-me dizer que não estou blasfemando: estou apenas duvidando, questionando, uma vez que a bíblia diz que nem todo espírito é o Espírito, e nem todo mover é de Deus (1Jo 4.1).

Fico aqui pensando no que que os arrebatados fãs do Diante do Trono diriam do vídeo do Bono, caso eles o tivessem assistido antes da engatinhada (na fé) da pastora da Lagoinha. Com certeza, muita gente ia dizer que ele estava endemoninhado! Ora, uma pessoa em seu estado normal de consciência não faz estas coisas, a menos – é claro – que tenha intenção de aparecer a todo custo, o que demonstraria carência afetiva, além de um profundo complexo de inferioridade. Coagido por este complexo, o cantor do U2 tenta chamar a atenção para si, atraindo os holofotes numa busca implacável pelo reconhecimento dos homens. É… Freud explica (risos!). Porém, quando se trata da Ana, o negócio muda de figura: De coisa de maluco e possessão demoníaca, a engatinhada felina se transforma em manifestação do Todo-Poderoso, coisa de gente profeta e espiritual.

O mesmo acontece com os fenômenos religiosos pseudo-pentecostais. Se alguém começa a girar igual uma piorra numa roda de umbanda, dizemos que está possuído por demônios, mas quando o mesmo fenômeno ocorre em uma igreja pentecostal, dizemos que é o poder de Deus! Se aparecer um macumbeiro assumido dizendo que vai fazer um despacho, todo mundo vai dizer que é coisa do demônio, mas quando o reverendo João Batista diz que vai fazer o maior despacho da história, a gente tem que engolir, afinal, ele é um pastor… deve ser um despacho gospel! Será que ao receber a Cristo, abrimos mão do nosso cérebro? Será que já não sabemos pensar logicamente? Causa e efeito, princípio da uniformidade, fenomenologia da religião, essas coisas não são contrárias a fé. Aliás, podem até fortalecê-la. Nós fomos feitos para pensar!

Vejo tudo isso e pergunto a mim mesmo: “O que será que impede os cristãos de serem mais críticos em seus posicionamentos, mais bereanos em relação à bíblia, menos cabalísticos e mais espirituais?” Faz mais de um mês que o amigo Eli Sanches me enviou o vídeo de uma vigília supostamente pentecostal. Meu irmão, eu fiquei absolutamente chocado! Uma penca de gente que, dizendo-se crentes, se vestiam todos de branco no maior estilo “pai-de-santo”, e iam para a igreja na sexta-feira pra ficar rodando ao som do pandeiro. Tal era a balbúrdia que não dava para discernir mais se aquilo era igreja ou terreiro de macumba. O pior é que, segundo eles, o “Vigilhão de Quintino” tinha o propósito de combater a macumbaria. É isso mesmo: macumba contra macumba-gospel, pra ver quem pode mais!

Penso que já é tempo que se levante uma geração que seja capaz de repensar esse cristianismo pagão, e que, através do discernimento, possa resgatar a essência perdida da nossa fé. Eu oro para que essa geração se levante. Serão jovens que se atreverão a pensar fora do caixote, que levarão o cristianismo para além da arena denominacional, pois o campo é o mundo. Uma geração de crentes sem-crentices, sem aquela mensagem evangelicista distorcida e estereotipada, onde Deus ora é um vassalo que atende todos os caprichos dos homens, ora é um algoz, com chicote na mão, pronto para castigar com o fogo eterno todos aqueles que não se adequam às imposições meramente humanas de tal denominação. Serão jovens que pregarão um evangelho sem barganhas, sem sensacionalismo, sem farisaísmo, mas também sem libertinagem. Cristianismo puro e simples. O evangelho, nada mais.

Eu sei que a tendência é piorar. A presente apostasia é profética, mas é justamente essa apostasia que vai evidenciar quem são os verdadeiros servos de Deus (1Jo 2.9). E eu, meu camarada, quero fazer parte dessa geração. Me recuso a bailar conforme a música, e não quero bater palma pra maluco dançar. Entre as excentricidades das estrelas, e a bíblia sagrada, prefiro a bíblia. Sei que estou longe de ser perfeito, mas nem por isso vou me acomodar, nem vou virar marionete nas mãos dessa gente com aparência de piedade, mas que pisa na graça e negocia os pressupostos inegociáveis do cristianismo, vendendo a fé, a grosso e a retalho, e esculhambando com a noiva do Cordeiro. Não vou mais disfarçar minha covardia com alegações de pacifismo e tolerância. Paz sem voz não é paz, é medo! Não podemos aceitar o inaceitável, e nem tolerar o intolerável. Este é um preço muito alto. Quero a paz com todos, se possível, mas desejo a verdade a qualquer preço.












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Pr. Daniel Carneiro

I. A Fé e os Eleitos

A Confissão de Fé aqui chama nossa atenção para dois pontos. Ela diz:

1. “Os eleitos são habilitados a crer para a salvação das suas almas”.

De acordo com este parágrafo, a fé salvadora é uma dádiva ou dom de Deus que só os eleitos possuem. Os não-eleitos podem até desenvolver algum tipo de fé, como:

1 - Fé Histórica que é uma simples compreensão da verdade, mas vazia de qualquer propósito moral ou espiritual.
2 - Fé Miraculosa que é a convicção que uma pessoa tem em sua mente que um milagre será realizado por ela ou em favor dela.
3 - Fé Temporal que é a convicção das verdades religiosas que uma pessoa possui, mas que não tem suas raízes num coração regenerado.

Além destes tipos de fé, há a fé salvadora que tem sua sede no coração e suas raízes na vida regenerada. Esta fé salvadora é apenas dos eleitos de Deus (Ef 2.8; 2 Ts 3.2; Tt 1.1).

Esta fé salvadora

2. “É a obra que o Espírito de Cristo faz nos corações deles (eleitos)”.

O Espírito Santo é quem capacita os eleitos a crerem, derramando a fé salvadora nos corações deles. Para produzir a fé salvadora nos corações dos eleitos, O Espírito Santo se utiliza da instrumentalidade da Palavra de Deus que Ele mesmo inspirou. A Confissão de Fé diz que a fé salvadora “é ordinariamente operada pelo ministério da Palavra” (Rm 10.14,17).

II. A Fé e a Palavra de Deus

A Confissão de Fé aqui chama nossa atenção para três pontos. Ela diz:

1. “Por essa fé o cristão... crê ser verdade tudo quanto nela é revelado”.

É um contra-senso um crente  que não crê na Palavra de Deus. Infelizmente, há muitos que se chamam “crentes”, mas que não acreditam em certas passagens da Escritura que falam, por exemplo, de milagres, da encarnação do Filho de Deus, da Sua ressurreição etc., afirmando que tais passagens são mitológicas ou ficção religiosa e não fatos verdadeiros ou históricos. Dizem ainda que passagens que falam do céu  e do inferno, da salvação e da condenação, da segunda vinda de Cristo, do juízo final, da ressurreição dos mortos, são simbólicas e não literais.

Esta postura é de incrédulos, não de crentes. O crente, necessariamente crê na Palavra de Deus, pois, Ela é a verdade de Deus (Jo. 17.17; 20.27; At 24.14; 1 Ts 2.13).

2. “Por essa fé o cristão... age de conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às ameaças a abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura”.

Nos sempre agimos de acordo com o que cremos. Por exemplo, se alguém diz que há uma cobra em nossa cama e cremos nesta notícia, providenciamos uma maneira de matar o bicho. Ou se alguém diz que nossa casa está em chamas e cremos nisso, procuraremos fugir do local e providenciaremos chamar os bombeiros para apagar o fogo.

Assim se dá com a Palavra de Deus. Se realmente cremos Nela, nos Seus mandamentos, nas Suas ameaças, nas Suas promessas, devemos agir de acordo com tudo isso (Mt 7.24-27).

3. “Os principais atos da fé salvadora são aceitar e receber a Cristo e firmar-se só nele para a justificação e vida eterna”.

Isto é, somente em Cristo há salvação e vida eterna. Fora de Cristo o que espera os homens são as trevas do inferno (Jo. 1.12; At 15.11; 16.31).
III. A Fé e Seus Graus

“Esta fé é de diferentes graus, é fraca ou forte... mas sempre alcança a vitória”.

Quando a fé é forte, o crente tem perfeita segurança em Cristo; porém, quando a fé é fraca o crente não tem perfeita segurança em Cristo e chega a afirmar que não tem certeza da sua salvação. A Confissão de Fé diz que a fé “sempre alcança a vitória”, ou seja, a fé sempre avança para a maturidade. Ela se fortalece. Mas, como o crente pode alcançar o crescimento da sua fé? A Confissão diz que para que a fé seja aumentada nos crentes, O Senhor providenciou a “administração dos sacramentos e a oração”, para serem usados legitimamente pelos crentes.

O problema com muitos crentes é que eles não têm uma vida de oração e negligenciam os sacramentos, especialmente a ceia, participando dela apenas de vez em quando. O resultado disso é uma fé fraca.

Que Deus nos livre desta negligência para que tenhamos sempre uma fé forte.

_________________________ 
Sobre o autor:
 O Pr. Daniel Carneiro da Silva é ministro da IPB e está à procura de campo. É professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Religião e Sociedade Pós-Moderna e Símbolos de Fé no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), em Recife.

Extraído do site: Eleitos de Deus

Via: Cristão Reformado
Para consultar a Confissão de Fé de Westminster, clique aqui!

Posted: 30 Jul 2012 01:17 AM PDT
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Por Vincent Cheung

- Argumentar para Ganhar - 

O professor de Oxford, Alister McGrath, fez uma declaração muito equivocada em seu livro desastradamente intitulado Intellectuals Don't Need God and Other Modern Myths [Intelectuais não Precisam de Deus e de Outros Mitos Modernos]. Ele diz: “Apologética não é sobre ganhar argumentos – é sobre ganhar pessoas”. 1 Em conexão com isso, o livro tem como uma das suas teses centrais que muitos, ou até mesmo a maioria dos indivíduos rejeitam o Cristianismo, não principalmente por causa de quaisquer objeções intelectuais insuperáveis, mas por causa de outros fatores tais como aplicabilidade existencial. Assim, ele escreve: “O Cristianismo deve se recomendar em termos de sua relevância para vida, não simplesmente por sua racionalidade inerente”.

O resto do seu livro, também latente com problemas, tenta justificar e desenvolver essa suposição e suas ramificações na prática da apologética. Eu sustento que sua afirmação é equivocada, falsa e perigosa para os cristãos que desejam conduzir uma apologética fiel e bíblica; todavia, sua afirmação representa não somente uma visão minoritária, mas antes uma noção popular do que a apologética deveria esforçar-se para realizar.

Para repetir, McGrath escreve: “Apologética não é sobre ganhar argumentos – é sobre ganhar pessoas”. Quando ganhar argumentos é contrastado com ganhar pessoas, a maioria das pessoas não deseja discordar imediatamente, mesmo que elas sintam que há algo de errado com a declaração, visto que discordar poderia implicar que elas se preocupam mais com ganhar argumentos do que com ganhar pessoas. Isto é, se definimos apologética como preocupada principalmente com ganhar argumentos contra incrédulos, então pode parecer para algumas pessoas que temos nos desviado do que supostamente seria o nosso objetivo principal, que é ganhar pessoas para Cristo.

A declaração de McGrath é enganosa porque implica que você pode perder um argumento contra o não-cristão, e em conexão com a perda do argumento, ainda ganhá-lo para Cristo; isso implica que não há nenhuma conexão positiva entre ganhar argumentos e ganhar pessoas. Mas se não há nenhuma conexão positiva entre os dois, então isso significa que num debate um incrédulo pode mostrar que o Cristianismo é falso, e então se arrepender e crer no evangelho de qualquer forma.

Certamente, o Espírito Santo pode e frequentemente convence a mente dos eleitos a despeito de suas falhas na argumentação, mas isso é diferente de negar uma relação positiva definida entre ganhar argumentos e ganhar pessoas. Eu posso dizer: “Apologética não é sobre bater na cara das pessoas, mas sobre ganhar pessoas para Cristo”; seria então verdade que eu posso bater na cara das pessoas, e em conexão com o bater na cara delas ainda conduzi-las a Cristo? Por outro lado, refrear-se de bater na cara das pessoas é um das coisas que conduz ao ganhar pessoas para Cristo, fazendo-a preferível e quase necessária.

Um dos erros de McGrath é confundir apologética com evangelismo. O Merriam-Webster's Collegiate Dictionary define a palavra apologética como um “discurso sistemático argumentativo em defesa (como de uma doutrina); um ramo da teologia devotado à defesa da origem e autoridade divina do Cristianismo”.  Por  outro lado, evangelismo é “o ganho ou restauração do compromisso pessoal a Cristo”.

Essas definições refletem o uso comum, e o Evangelical Dictionary of Theology concorda com elas. Ele define apologética como “um discurso sistemático, argumentativo, em defesa da origem e autoridade divina da fé cristã”,  e evangelismo como “a proclamação das boas novas de salvação em Jesus Cristo, com o objetivo de produzir a reconciliação do pecador com Deus o Pai através do poder regenerativo do Espírito Santo”.

Dada essas definições, é evidente que apologética não é o mesmo que evangelismo, contudo, elas podem estar relacionadas, mas McGrath confundiu as duas. Seria mais preciso dizer: “Evangelismo não é apenas ganhar argumentos, mas também ganhar pessoas para Cristo; todavia, derrotar incrédulos na argumentação pode ser o meio pelo qual Deus os converte”. Visto que apologética é por definição sobre argumentação, a declaração de McGrath é equivalente a dizer: “Nossos argumentos com os incrédulos não é sobre ganhar argumentos, mas ganhar pessoas”, ou “Apologética não é sobre apologética, mas sobre evangelismo”. Mas isso é auto-contraditório e falso por definição. Ao substituir o significado de apologética com aquele de evangelismo, não há mais uma palavra para expressar o significado do que é apropriadamente chamado de apologética.

Outra declaração no livro levanta outra concepção errada sobre apologética. Referindo-se à mentalidade do incrédulo quando ouvindo a mensagem do evangelho, ele escreve: “O evangelho está sendo avaliado, não sobre a base das suas idéias, mas sobre a base dos seus efeitos sobre pessoas e instituições”.  Para McGrath, isto supostamente conta como algo contrário à idéia de que apologética é “demonstrar a racionalidade da fé cristã”.  Uma objeção similar contra a definição apropriada da apologética é que muitas pessoas rejeitam a fé cristã não porque pensam que ela é falsa, mas porque têm certas necessidades pessoais que pensam o evangelho não poder satisfazer, quer essas necessidades sejam psicológicas, sociais, financeiras, etc.

Portanto – a objeção continua – a apologética (ou mesmo evangelismo) deveria se focar sobre como o evangelho se dirige às necessidades das pessoas, e não sobre o mandamento de Deus para o incrédulo renunciar seus pecados e afirmar a verdade do evangelho.

É frequentemente verdade que, como McGrath diz, “o evangelho está sendo avaliado, não  sobre a base das suas idéias, mas sobre a base dos seus efeitos sobre pessoas e instituições”. Contudo, isto é precisamente o que está errado com muitos incrédulos, e  é precisamente sobre isto que o apologista cristão deve confrontá-los. Que a fé cristã não deve ser avaliada de acordo com sua verdade ou falsidade, mas quão bem ela “funciona” ou faz com que alguém se sinta bem, é um lapso na racionalidade ou até mesmo uma negação da racionalidade. Ao invés de adaptar nossa abordagem para se acomodar aos incrédulos, é o nosso dever confrontá-los e corrigi-los sobre isto.

E se as pessoas rejeitam o evangelho, não porque pensam que ele seja falso, mas porque ele as tornará impopulares com muitas pessoas? Deveríamos então modificar nossa abordagem para mostrá-las que o Cristianismo de fato as tornará populares, ou deveríamos ao invés disso argumentar que esta é a maneira errada de julgar uma cosmovisão? Se o pragmatismo é a filosofia predominante numa determinada sociedade, devemos então mostrar que o Cristianismo é a mais prática de todas as religiões e cosmovisões? Ao invés disso, por que não mostrar que o pragmatismo é errado? Em vez de tentar mostrar que o Cristianismo é verdadeiro de acordo com o falso padrão de julgamento do incrédulo, deveríamos mostrar que o próprio padrão de julgamento deles é falso, e que o Cristianismo é verdadeiro de acordo com um padrão verdadeiro de julgamento, e que este padrão verdadeiro de julgamento é a revelação de Deus para nós. Isto é apologética bíblica.

Há muitíssimos falsos conversos nas igrejas hoje precisamente porque não temos realizado evangelismo pregando e defendendo a verdade, mas sim satisfazendo as necessidades e desejos pessoais da audiência, quando o evangelho bíblico ordena-os a negar precisamente estas necessidades e desejos pessoais. Este mesmo erro explica o porquê parece como se os “efeitos do evangelho sobre pessoas e instituições” não têm sido totalmente positivos. Devemos insistir que, se as pessoas recusam vir a Cristo pela mensagem correta e pelas razões certas, então não deveriam vir a Cristo de forma alguma, e já há muitos falsos cristãos em nossas igrejas para acomodar ainda mais deles. Nem apologética nem evangelismo é “ganhar pessoas” a todo custo – certamente não à custa da verdade.

Fonte: O Calvinismo