Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

sexta-feira, 28 de setembro de 2012



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Por Pr. Silas Figueira


“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” 1Tm 6.7-11.

O apóstolo Paulo alerta seu filho na fé Timóteo que há um perigo que nos rodeia e que devemos tomar redobrado cuidado, esse perigo é a ganância. Que é o desejo de ficar rico sem qualquer escrúpulo.

Paulo na verdade está repetindo, em outras palavras, o que o Senhor Jesus disse no Sermão do Monte, quando alertou aos seus discípulos que não podemos servir a dois senhores:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

O termo riqueza ou mamom é usado para descrever a cobiça que domina o coração de uma pessoa. A palavra mamom é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Nas palavras tanto de Jesus como nas de Paulo o desejo de ficar rico leva a ganância ou avareza, e dessa forma quem é dominado por esse desejo acaba se afastando de Deus que é o provedor de todas as coisas e passa a confiar em Mamom como o único provedor em sua vida. Esse demônio é descrito como devorador de almas, e um dos sete príncipes do Inferno. Sua aparência é normalmente relacionada a um nobre de aparência deformada, que carrega um grande saco de moedas de ouro, e "suborna" os humanos para obter suas almas. Em outros casos é visto com uma espécie de pássaro negro (semelhante ao Abutre), porém com dentes capazes de estraçalhar as almas humanas que comprara [1].

Independentemente de sua aparência esse demônio tem seduzido muitas pessoas e a Bíblia nos alerta do perigo que é se deixar seduzir por ele. O primeiro perigo que a Bíblia nos alerta é que podermos nos tornar uma pessoa ambígua, ou seja, ficamos divididos entre dois senhores. No caso em questão a pessoa deixa de adorar a Deus pelo que Ele é e passa a servir a Mamom pelo o que ele pode vir a dar. Com isso, a pessoa que está dividida, na verdade está longe de Deus e está totalmente servindo a Satanás, pois o próprio Jesus deixou bem claro que não podemos servir a dois senhores e o Senhor não se deixa escarnecer. Veja o que ele disse aquele homem que queria servi-lo, mas que para isso ele deveria vender tudo que tinha e distribuir com os pobres, depois segui-Lo. Jesus não tinha nada contra o que ele possuía, mas da forma idolátrica que ele possuía os seus bens. A sua confiança e a sua religião estavam firmadas no que ele possuía e não em Deus que ele dizia servir (Mt 19.16-22). É bom lembrar que predominava entre os judeus daqueles dias a ideia de que as riquezas eram um sinal do favor de Deus, e que a pobreza era um sinal de falta de fé. Jesus então está mostrando para os discípulos que quem confia nas riquezas e não em Deus não entrará no Reino de Deus. Para isso Jesus ilustra a Sua palavra falando que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha (agulha de costura), do que entrar um rico no Reino de Deus:

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19.23,24).

A Bíblia nos mostra que essa busca insaciável e avarenta pelas riquezas é idolatria, a qual é demoníaca (cf. 1Co 10.19,20; Cl 3.5), e há muitos cristãos caindo nessa ilusão.

Segundo perigo que a Bíblia nos alerta é que quem é dominado por esse desejo é levado a ruína e a perdição (1Tm 6. 9).

Observe como essa ruína e perdição ocorrem. Em primeiro lugar Paulo diz que essa cobiça é uma tentação, ou seja, procede de Satanás, pois Deus não tenta ninguém e nem pode ser tentado: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Deus prova os seus servos e provação é diferente de tentação (cf. Gn 22).  

Em segundo lugar, Paulo nos diz que isso é uma cilada, uma armadilha para derrubar os incautos. Essa tentação leva a uma cilada que leva a muitas concupiscências insensatas e perniciosas, ou seja, o senso moral fica totalmente ofuscado como resultado da paixão que o domina [2]. A pessoa passa a agir de forma impensada, pois é dominada por um desejo incontrolável, tal pessoa perde o senso, ou seja, é dominado por uma concupiscência insensata(sem senso, que perdeu a razão). Outro detalhe que Paulo nos chama a atenção é que essa concupiscência é perniciosa. Esse termo quer dizer que é algo prejudicial, nocivo, ruinoso; perigoso. É como se a pessoa estivesse com uma febre muito grave, acompanhada de delírios, e amiúde mortal.

Em terceiro lugar, Paulo fala que tal desejo leva a pessoa à morte; morte essa que pode ser tanto espiritual quanto física, pois a pessoa é afogada na ruína e perdição. Paulo está dizendo que tal pessoa está em total decadência e desgraça. Esse é o preço pago pela ganância.  Um exemplo disso é o Mister Colibri, onde milhares de pessoas pensam que irão ficar ricas ou até mesmo milionárias da noite para o dia ganhando cerca de 240% de lucro ao mês. Isso não existe, mas tem pessoas cegas pela ganância que não conseguem ver isso.      


Moeda virtual não tem lastro

A dona de casa Ivonete Mendes, de Itatiba, interior de São Paulo, é associada do Mister Colibri há quatro meses. Além dela, a irmã, a mãe e dois sobrinhos também aderiram ao site. Ivonete investiu R$ 5.000 e recebe cerca de R$ 1.300 por mês. Sua irmã já investiu R$ 15 mil e ganha mais de R$ 2.000 por mês. "É uma empresa maravilhosa, só preciso assistir a um minuto e meio de propaganda", comemora.
Para conseguir esse lucro, ela precisa vender seu dinheiro virtual, os LPs, a outros associados, geralmente os que são mais novos no esquema. "Quando preciso de dinheiro rápido, vendo cada LP por R$ 1,70, mas já cheguei a vender por R$ 2".

O problema é que quando houver mais vendedores que compradores, o LP vai se desvalorizar, até que os associados percebam que ele não tem valor nenhum. "É uma temeridade pessoas darem dinheiro para algo que não tem nenhuma regulamentação e nem garantia legal", diz o professor de gestão empresarial da faculdade IBS/FGV, Pedro Leão Bispo.

"Captar dinheiro sem oferecer nenhum produto ou serviço é crime contra a economia popular", esclarece o advogado especialista em direito criminal Fernando Khaddour. "Não conheço a Mister Colibri e não posso falar sobre a empresa, mas cabem investigações do Ministério Público ou da Polícia Federal para que sejam esclarecidas as formas de operação da empresa". (PG) [3]. 

Esse amor às riquezas levam as pessoas a aprofundar raízes em todo tipo de males:

"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores".

Primeiramente, se desviam da fé, ou seja, a pessoa se apostata da fé deixando de servir a Deus para servir os seus próprios interesses, pois passa a amar o dinheiro mais que a Deus. E segunda coisa que ocorre por se apostar da fé é que a própria pessoa se fere ou se transpassa com muitas dores. As consequências são as piores possíveis na vida do ganancioso. A ganância cega e leva a pessoa a amar a si mesmo (egoísmo) e passar por cima de tudo e de todos.

A MAIOR RIQUEZA É O SENHOR EM NOSSAS VIDAS

“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”

Depois de Paulo alertar dos perigos da riqueza, ou melhor, do amor ao dinheiro, ele mostra a Timóteo o que é prioridade na vida.

Em primeiro lugar, que na vida nada trazemos e nada levaremos dela.Em outras palavras Paulo está nos dizendo que tudo que alcançarmos nessa terra é lucro, mas ao mesmo tempo é fugas e passageiro. Observe o que ele disse: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”. O termo contente que dizer que temos satisfação em tudo, que estamos satisfeito com que o Senhor tem nos dado. É isso que Paulo nos fala em Filipenses 4. 10-13:

“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade.

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”.

Segunda coisa que Paulo nos mostra é devemos fugir dessa tentação, pois ela pode ser maior que nossa resistência e não conseguiremos resisti-la: “Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Com o pecado não se brinca, pelo contrário se foge-se dele.

Terceira coisa que Paulo lembra a Timóteo é que existem riquezas maiores a serem perseguidas. “Antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”. Essas sim são riquezas que devemos buscar constantemente para sermos ricos aos olhos de Deus e também diante dos homens. Pois essas riquezas espirituais moldam e revelam o nosso caráter e nos faz testemunhas fiéis diante dos homens e diante de Deus.

Quero concluir dizendo que a ganância é o maior mal que entrou em nossas igrejas com o nome de Evangelho da Prosperidade. Esse espírito que na verdade é o espírito de mamom tem estado em muitas igrejas, algumas vezes disfarçadamente e outras descaradamente.

Que o Senhor nos de sabedoria e discernimento espiritual para não cairmos nessa tentação.

Que o Senhor nos ajude!

Fonte:
2 – Kelly, J.N.D. I e II Timóteo e Tito, Introdução e Comentário. Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP. Reimpressão 1986: p. 130
3- Grossi, Pedro,  Jornal O Tempo - Belo Horizonte (08/06/2012)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012


PORNOGRAFIA – O QUE É E COMO SE LIVRAR DELA

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte. (Tiago 1:13-15 NVI)
Walter McAlister
Li recentemente um artigo na revista cristã“First Things” que me mostrou a essência da pornografia: não é social nem uma expressão de carência afetiva ou física, mas a expressão de um problema espiritual da maior gravidade.
A raiz da questão se acha num dos “oito pecados mortais”. Muitos conhecem os, ditos, sete pecados capitais. Mas, historicamente, sempre houve oito. O que caiu em “desuso”, por assim dizer, é o conhecido como “Acédia” (uma palavra do latim que ainda não tem uma correspondência na língua portuguesa moderna). Esse pecado pode ser definido como “o vício de duvidar do amor de Deus e o abandono da busca de achar o seu prazer nele”.
Segundo Gregório, o Grande (monge que virou papa dos católicos e tornou-se conhecido como o pai do estilo de música sacra chamado Canto Gregoriano), esse vício tem seis filhas: malícia, ressentimento, fraqueza de vontade, desespero, lerdeza no obedecer os mandamentos e a errante inquietação da alma.
A Errante Inquietação da Alma
Essa filha da Acédia é a causadora de voyeurismo (o desejo de ver o que não deve, também conhecido como “a cobiça dos olhos”). Em 1 Jo 2.15-17 achamos a seguinte anatomia do pecado: “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.
Tomás de Aquino, na obra literária “Summa Teológica”, disse que o passeio do olhar (inspectio spetaculorum) se torna pecaminoso quando nos torna propensos aos vícios de lascívia ou crueldade por conta das coisas vistas. De fato, a Igreja sempre soube que o desejo dos olhos e o da carne se retroalimentam e reforçam um ao outro. Seja pela barbárie de um programa como o do Ratinho, pela indiscrição de um BBB ou por um website pornográfico, esses pecados brutalizam e criam uma compulsão avassaladora e escravizante.
A pornografia acaba se alojando na alma da pessoa presa por esse tipo de pecado e a torna escrava, sem, no entanto, fazer com que ela alcance a verdadeira satisfação. Sempre deixa um vazio ainda maior.
Pior, o escravo deste pecado despreza o valor transcendente do ser humano e acaba apagando do seu imaginário o sagrado – literalmente a imagem de Deus no seu próximo. Em outras palavras, a pessoa se torna um objeto somente. Essa frieza adentra a alma e apaga a luz de Deus que nela está. Por isso Jesus disse em Mateus 5.27: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá- la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno”. E, em Mateus 6. 22: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”
Castidade – a única alternativa
Castidade não é um medo ou ojeriza da sexualidade, mas a valorização da natureza sagrada do ser humano, inclusive no que diz respeito a sua privacidade e o exercício sacro da sua sexualidade.
Mas a castidade sexual é uma consequência direta da castidade espiritual. Castidade espiritual é a união das suas afeições a Deus somente. Ele, afinal, é o único merecedor de todo o nosso amor. Por isso é que diz em Deuteronômio 6.4: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.”
A única defesa contra a pornografia
Se a nossa alma não estiver cheia de Deus, viveremos necessariamente a “errante inquietação da alma”. A alma tem sede. A alma tem fome. Se houver um vazio, faremos por onde para enchê-lo. Se não estivermos cheios de Deus, nossa alma vagará buscando o que poderá enchê-la. Mas não existe alternativa. Não existe o que possa encher a alma sedenta. Como disse Agostinho, no seu livro “Confissões”: “A minha alma vivia irrequieta até que achou pouso em Ti”.
Pela devoção a Deus, pela leitura das Sagradas Letras e pela oração descobrimos uma paz e um silêncio íntimo que, quando cultivados, fazem com que as coisas vãs, sujas e efêmeras deste mundo nos pareçam o que são – uma mesa de imundície repulsiva para quem já se alimentou de finos manjares celestiais. Em resumo: quanto mais cheio de Deus, menos espaço sobra para qualquer outra coisa.
Na paz,
+W.
Fonte: Blog do Autor | Compartilhado no PCamaral
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“Conta Peter Kreeft que, um dia, ao dar uma das suas aulas de ética, um aluno lhe disse que a Moral era uma coisa relativa e que ele, como professor, não tinha o direito de “impor-lhe os seus valores”.

“Bem – respondeu Kreeft, para iniciar um debate sobre a questão, vou aplicar à classe os seus valores e não os meus. Você diz que não há valores absolutos, e que os valores morais são subjetivos e relativos. Como acontece que as minhas idéias pessoais são um tanto singulares sob alguns aspectos, a partir deste momento vou aplicar esta: toda as alunas estão reprovadas”.

O rapaz mostrou-se surpreendido e protestou dizendo que aquilo não era justo. Kreeft argumentou-lhe: “Que significa para você ser justo? Porque, se a justiça é apenas o “meu” valor ou o “seu” valor, então não há nenhuma autoridade comum a nós dois. Eu não tenho o direito de impor-lhe o meu sentido de justiça, mas você também não pode impor-me o seu…

Portanto, só se existe um valor universal chamado justiça, que prevaleça sobre nós, você pode invocá-lo para considerar injusto que eu reprove todas as alunas. Mas, se não há valores absolutos e objetivos fora de nós, você só pode dizer que os seus valores subjetivos são diferentes dos meus, e nada mais. No entanto, você não diz que não gosta do que eu faço, mas que é injusto.

Ou seja, quando desce à prática, acredita sem a menor dúvida nos valores absolutos”. Os relativistas e os céticos consideram que aceitar qualquer crença é servilismo, uma torpe escravidão que inibe a liberdade de pensamento e impede uma forma de pensar elevada e independente.

No entanto – como dizia C. S. Lewis - "ainda que um homem afirme não acreditar que haja bem e mal, vê-lo-emos contradizer-se imediatamente na vida prática. Por exemplo, uma pessoa pode não cumprir a palavra ou não respeitar o combinado, argumentando que isso não tem importância e que cada qual deve organizar a sua vida sem pensarem teorias. Mas o mais provável é que não tarde muito em dizer, referindo-se a outra pessoa, que é indigno que essa pessoa lhe tenha faltado à palavra…".

Por não ter um ponto de referência claro a respeito da verdade, o relativismo leva à confusão global entre o bem e o mal. Se se analisam com um pouco de detalhe as suas argumentações, é fácil observar – como explica Peter Kreeft – que quase todas costumam refutar-se a si próprias:

“A verdade não é universal” (exceto esta verdade que você acaba de afirmar?).

“Ninguém pode conhecer a verdade” (a não ser você, segundo parece).

“A verdade é incerta” (então também é incerto o que você diz!).

“Todas as generalizações são falsas” (esta também?).


“Você não pode ser dogmático” (com essa mesma afirmação, você mostra que é bastante dogmático).

"Não me imponha a sua verdade” (o que significa que neste momento você me está impondo as suas verdades).

“Não existem absolutos” (absolutamente…?).

“A verdade é apenas uma opinião” (a sua opinião, pelo que vejo). 

E assim por diante. 

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- Sobre o autor: Peter Kreeft é professor de filosofia no Boston College e autor de muitos livros, dentre eles, Sócrates e Jesus (O Debate), e, Manual de apologética cristã, em parceria com Ronald Tacelli.

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos. D. Estevão Bettencourt Nº 535 - Ano : 2007 - Pág. 11 |Via: Orthodoxia 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012


Mais nobres que os de Tessalônica

Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo (Atos 17.11, NVI)

Mais nobres que os de Tessalônica 
Os bereanos tomaram uma postura honrosa em comparação com os homens de Tessalônica. Os tessalonicenses, em sua maioria, eram movidos pela inveja e eram envolvidos com homens maus, dentre a malandragem. Podemos notar que onde encontramos inveja, preguiça e outras obras malignas, não conseguimos achar o que os bereanos possuíam: forte desejo de examinar as Escrituras. O que nos diz o Salmo 1? Ele nos diz que aquele que evita o modo de ser e agir dos ímpios tem prazer em meditar na Lei do Senhor. Poderíamos citar ainda vários versículos que nos falam que a Palavra de Deus nos afasta do pecado (Sl 119.9,11; Jo 17.17).

Examinar as Escrituras 
A fonte de autoridade, a regra perfeita de vida, de fé e de prática deles não consistia de convicções próprias, ou de tradições, ou o que mais agradava a eles, mas, sim, a Palavra de Deus. E o maravilhoso é que até os mais simples adquirem entendimento ao serem alimentados por essa Palavra (cf. Sl 119.130).

Todos os dias 
As Escrituras são tão ricas e poderosas que podemos lê-las e relê-las e estaremos aprendendo mais alguma coisa. Podemos ler o mesmo trecho 10 mil vezes e ele soará tão poderoso quanto a 1º vez que o lemos ou o ouvimos. Não é de admirar que o salmista tenha declarado: “Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” (Sl 119.97).

Para ver se as coisas eram, de fato, assim 
Encontramos nesse povo a disposição de analisar a Palavra de Deus com o coração e a mente abertos. Eles não eram movidos por preconceito; nem tampouco analisavam a Bíblia procurando provar o contrário, mas eles estavam fazendo uma verdadeira investigação: “Bem você me falou isso, mas preciso saber se está de acordo com a Lei de Deus”. Imaginem esses crentes falando isso para o apóstolo Paulo!

O apóstolo João nos alertou: “Muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 Jo 4.1) e estes tem pervertido as Escrituras. E a Bíblia Sagrada nos manda estar preparados. O apóstolo Pedro escreve: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). Existem muitas seitas que nos apresentam questões contrárias às Escrituras; e nós temos que estar prontos para respondê-las. Por exemplo: Por que você crê na ressurreição em vez de reencarnação? (Hb 9.27) Por que você não acredita no evangelho que o anjo Moroni nos entregou? (Gl 1.8). Esta preparação só pode ser adquirida através da leitura bíblica.

A prática dos bereanos deve ser também a nossa 
Por quê? Porque deixar a Bíblia de lado é estar desperdiçando a oportunidade de ouvir a voz de Deus! (2 Tm 3.16). Spurgeon disse certa vez: “A Bíblia fala no tom de voz do próprio Deus”. E Deus quer que ouçamos Sua voz: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.29) — precisamos conhecer a voz do nosso Bom Pastor, se somos realmente suas ovelhas (Jo 10.27).

Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho (Sl 119.105)

Sem a luz da Palavra de Deus não vemos os obstáculos, nem os buracos do caminho. Portanto, sem a Bíblia nós iremos tombar, sem as Escrituras nós vamos cair. Portanto, que esta Palavra nos guie, que possamos amar as Escrituras, estar preparados, e que possamos ouvir a voz do Bom Pastor.

Marco Antonio da Silva Filho

Como uma onda no mar... O declínio dos moveres

Hermes C. Fernandes

De alguns anos para cá, fala-se muito de “moveres” supostamente protagonizados pelo Espírito Santo com o objetivo de despertar a fé dos crentes. Já vivenciei alguns deles, ainda que não tenha me envolvido diretamente.

Antigamente, falava-se de avivamento, e isso mantinha nos crentes certa expectativa sobre a intervenção soberana de Deus na história. Países como o de Gales foram cenários desses despertamentos espirituais, que resultaram em conversões em massa e transformações sociais profundas. Diz-se que graças ao avivamento metodista, a Inglaterra não teria mergulhado numa revolução sangrenta semelhante à vivida pela França na mesma época.

Agora a moda é falar de “moveres”. Segundo seus defensores, seriam “ondas” geradas pelo Espírito, visando o crescimento da igreja.

Tal expectativa nos remete à crença nutrida pelos judeus contemporâneos de Jesus de que um anjo vinha de tempo em tempo agitar as águas de um tanque chamado Betesda. Multidões se reuniam ao redor dele em busca de curas milagrosas. Bastava que as águas fossem agitadas.

Tenho a impressão de que alguns pregadores postulam o lugar de tal anjo. Querem reproduzir artificialmente um “mover” que resulte nos mesmos frutos daquilo que originalmente fora provocado pelo próprio Deus.

Pelo menos já não se atrevem a apelidar tais movimentos de “avivamento”. Embora a nomenclatura seja outra, a expectativa é a mesma. Mas agora, em vez de esperarem por um anjo, esperam por uma campanha, por um encontro face a face com Deus, por uma nova estratégia evangelística, por um modelo eclesiástico adotado por alguma megaigreja, ou mesmo uma revelação inédita.

Lembro-me de ter lido no livro “Igreja com Propósitos” de Rick Warren que os pregadores deveriam ser como surfistas à espera de ondas. Segundo ele, não nos compete produzir as ondas, mas simplesmente surfar sobre elas. Embora seu posicionamento pareça mais razoável do que aqueles que defendem os “moveres” produzidos artificialmente, atrevo-me a discordar dele.

Toda “onda” tem um começo discreto, um ápice fugaz, e um desfecho fatídico. Quem decide estar onde elas começam, aproveita melhor o momento, participando do seu surgimento, desfrutando do seu apogeu, e acabando na sua quebrada na areia. Porém, a maioria entra na onda quando esta está no auge, sem darem-se conta de que quanto mais alta ela estiver, mais próxima estará de quebrar.

Assisti in loco à emergência e ocaso de muitos movimentos. Poderia citar alguns deles aqui, mas não quero ferir os escrúpulos de ninguém. É sempre a mesma estória... Um vai-e-vem que se repete exaustivamente. Para os pregadores surfistas, o importante é aderir à moda, isto é, àquilo que dá certo, que atrai multidões, e, por conseguinte, os recursos para a manutenção da máquina eclesiástica.

O problema é que, semelhante aos moribundos do tanque de Betesda, ficamos com nossas atenções tão voltadas para o tal “mover das águas”, que não percebemos a presença de Cristo entre nós.

Que tal se avançarmos um pouco mais na direção do oceano, para além de onde as ondas começam? Não foi lá que Jesus ordenou que Pedro lançasse suas redes?

Saiamos das águas rasas e da espiritualidade superficial proporcionada por tais moveres, e avancemos na direção do que é permanente, constante, eterno.

No dizer de Paulo, deixemos as coisas de meninos, dentre as quais a inconstância típica da adolescência, e sigamos a verdade em amor, a fim de que alcancemos um crescimento não apenas numérico, mas, sobretudo, qualitativo.


Hermes Fernandes colabora com o Genizah


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UMA PROFECIA PARA MIM?!

Por Aramis Trintin
Todo homem que busca a Deus anseia ouvir sua voz, anseia por uma resposta d’Ele. Em todos os momentos de nossa vida esperamos a resposta de Deus para alguma particularidade pessoal, seja na área espiritual, financeira, sentimental, ministerial, profissional, familiar…
Infelizmente isso tem gerado uma busca incansável por uma resposta, buscando por todos os meios uma resposta para o momento sem levar em consideração a instrução contida na palavra de Deus a respeito daquilo que ouvimos ou esperávamos ouvir, ou até mesmo sobre os meios utilizados para que esta resposta chegasse até nós.
Toda sorte de profecia tem sido aceita no meio cristão sem ao menos ser provada através das Escrituras Sagradas, profecias essas que tem levado à desilusão muitos fiéis de Cristo.
Creio sim no ministério profético. Mas creio de forma extremamente diferenciada daquilo que se tem visto hoje nos púlpitos e afins.
Para início desse estudo devemos concluir oque significa a palavra “profeta”. A palavra “profeta” vem da palavra hebraica “nãbi”, que significa “porta voz”. Devemos saber que a palavra profeta, é utilizada para um verdadeiro ou falso profeta, e o termo aparece no AT cerca de 309 vezes.
A primeira vez que a palavra “profeta” aparece na Bíblia é acerca de uma referência a Abraão, em Gn 20.7.
“Agora, pois, restitui a mulher ao seu marido, porque profeta é…”
Alguma vez já lhe passou pela cabeça que Abraão era profeta? Em que circunstâncias vemos Abraão tendo revelações ou predizendo eventos futuros?
Devemos ter em mente que Abraão foi um dos homens mais fiéis ao termo “nãbi”, e serviu seriamente a esse ministério sendo o porta voz de Deus a um povo desobediente.
Temos outra ocorrência da palavra profeta em Ex 4.16 e 7.1:
“E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe será por Deus.”
“Então disse o Senhor a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta.”
Moisés tinha problema para falar claramente, e estava se recusando a ir como porta voz de Deus perante Faraó. Então Deus lhe dá Arão como seu profeta.
Moisés tinha a mensagem, mas Arão era a voz.
Então chegamos uma definição mais detalhada do que seja um profeta:
“Profeta é alguém que fala por outro, ou alguém que empresta sua voz para outro.”
Então podemos notar que a visão de que profeta é alguém que prevê eventos futuros e que o centro da profecia são revelações é totalmente incorreta!
A igreja hoje faz parte de uma Nova Aliança e portanto de novas diretrizes, o que era pertinente do AT as vezes não é no NT. Porém, vejamos que o ministério profético também estava presente desde o início do NT.
“Aquele que desceu do céu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. Ele mesmo deu uns para profetas [...] até que todos cheguemos a unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” Ef 4.11-13
Vemos através desse versículo que Cristo é aquele que ordena os homens a cada ministério conforme a sua vontade, sendo que esses ministérios deveriam estar presentes até que o Corpo de Cristo chegue à unidade da fé. Creio então que o ministério profético ainda se torna real em nossos dias.
Vamos analisar os versículos abaixo:
“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que venha, e fira a terra com maldição.” Ml 4.5-6
Esse Elias não é o homem descrito em I e II Reis, não se refere ao homem histórico, a pessoa em si, mas descreve o verdadeiro ministério de Elias.
Antes da primeira vinda de Jesus, o anjo Gabriel apareceu a Zacarias, o pai de João Batista, e descreveu a chamada na vida de seu filho:
“E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.” Lc 1.16-17
Vemos nesse versículo acima que haveria uma conversão, haveria uma reconciliação entre Deus e seus filhos. E vemos as seguintes palavras de João no início de seu ministério:
“E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.’ Mt 3.2
Em João Batista se cumpre essa profecia acerca do retorno do ministério de Elias, o qual promoveria tal conversão.
A tradição relata que Deus não mais se manisfestou por cerca de 400 anos, não enviou profetas nesse período nem apareceu a ninguém (Teofania). Vemos então que o evangelho de Marcos inicia-se com a frase:
“Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus (v.1) [...] Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento” (v.4) [...]
Alguns teólogos afirmam que João era um profeta da Antiga Aliança, mas verifica-se pelo versículo acima que isso não é verdade, pois o início do evangelho se caracteriza com João pregando no deserto.
Agora verifiquemos um pouco mais sobre as palavras de João Batista e seus procedimentos.
“Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.” Lc 3.8
Essas são palavras proféticas e confortantes? Como nós nos portaríamos se assim nos fosse dirigido? São assim as ditas profecias atuais? São esse padrão que os profetas atuais seguem? As profecias desses profetas atuais convertem o coração dos filhos aos pais e vice versa?
Agora vejamos a avaliação de Deus sobre João:
“E assim, admoestando-os, muitas outras coisas também anunciava ao povo.” Lc 3.18
Este versículo mostra João como um admoestador! Ou seja, alguém que incentiva e estimula a um propósito. Mas imagine irmãos se ao altar se achega um pregador “estilo João” corrigindo o povo e levando ele ao propósito máximo que é Deus. Com certeza em muitos templos faria somente uma pregação e nunca mais seria bem vindo no lugar.
Muitos cristãos possuem comichões em seus ouvidos, e procuram profetas conforme a sua vaidade para ouvirem aquilo que lhes apraz. Quando um desses templos é admoestado na verdade ele se rebela, insuflando seu orgulho vil, desprezando todo tipo de correção, entendimento e conhecimento na verdade.
Mas infelizmente aos “mágicos de auditório” com finais “mirabolantes” determinados cristãos tem ouvido, pois sua busca nunca foi ver manifestada a Glória de Deus, mas sim satisfazer seu egocentrismo com profecias vaidosas e diabólicas que somente falam do bem estar do homem.
Caríssimos irmãos tenho por profeta o homem que prega o arrependimento dos pecados, prega a salvação através do sacrifício de Cristo, que corrige duramente e condena todo pecado, levando o coração errôneo à límpida e pura verdade do Evangelho da graça soberana de Deus.
Desprezo literalmente todo tipo de pregação, admoestação, exortação, ensinamento egocêntrico, pois a glória somente ao Senhor pertence.
Que a verdade que vem da Palavra de Deus possa incendiar vossos corações para que a ameis cada dia mais, buscando cada dia estar mais próximo dessa verdade. Estude, medite e pratique seriamente a maior revelação e resposta que Deus deu a nós… A Bíblia!
“Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento.” Pv 23.23
SOLI DEO GLORIA!
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Aramis é cristão e servo do Senhor Jesus. Colabora com o Púlpito Cristão e edita o  Mananciais de Elim.

PORNOGRAFIA – O QUE É E COMO SE LIVRAR DELA

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte. (Tiago 1:13-15 NVI)
Walter McAlister
Li recentemente um artigo na revista cristã“First Things” que me mostrou a essência da pornografia: não é social nem uma expressão de carência afetiva ou física, mas a expressão de um problema espiritual da maior gravidade.
A raiz da questão se acha num dos “oito pecados mortais”. Muitos conhecem os, ditos, sete pecados capitais. Mas, historicamente, sempre houve oito. O que caiu em “desuso”, por assim dizer, é o conhecido como “Acédia” (uma palavra do latim que ainda não tem uma correspondência na língua portuguesa moderna). Esse pecado pode ser definido como “o vício de duvidar do amor de Deus e o abandono da busca de achar o seu prazer nele”.
Segundo Gregório, o Grande (monge que virou papa dos católicos e tornou-se conhecido como o pai do estilo de música sacra chamado Canto Gregoriano), esse vício tem seis filhas: malícia, ressentimento, fraqueza de vontade, desespero, lerdeza no obedecer os mandamentos e a errante inquietação da alma.
A Errante Inquietação da Alma
Essa filha da Acédia é a causadora de voyeurismo (o desejo de ver o que não deve, também conhecido como “a cobiça dos olhos”). Em 1 Jo 2.15-17 achamos a seguinte anatomia do pecado: “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.
Tomás de Aquino, na obra literária “Summa Teológica”, disse que o passeio do olhar (inspectio spetaculorum) se torna pecaminoso quando nos torna propensos aos vícios de lascívia ou crueldade por conta das coisas vistas. De fato, a Igreja sempre soube que o desejo dos olhos e o da carne se retroalimentam e reforçam um ao outro. Seja pela barbárie de um programa como o do Ratinho, pela indiscrição de um BBB ou por um website pornográfico, esses pecados brutalizam e criam uma compulsão avassaladora e escravizante.
A pornografia acaba se alojando na alma da pessoa presa por esse tipo de pecado e a torna escrava, sem, no entanto, fazer com que ela alcance a verdadeira satisfação. Sempre deixa um vazio ainda maior.
Pior, o escravo deste pecado despreza o valor transcendente do ser humano e acaba apagando do seu imaginário o sagrado – literalmente a imagem de Deus no seu próximo. Em outras palavras, a pessoa se torna um objeto somente. Essa frieza adentra a alma e apaga a luz de Deus que nela está. Por isso Jesus disse em Mateus 5.27: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá- la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno”. E, em Mateus 6. 22: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”
Castidade – a única alternativa
Castidade não é um medo ou ojeriza da sexualidade, mas a valorização da natureza sagrada do ser humano, inclusive no que diz respeito a sua privacidade e o exercício sacro da sua sexualidade.
Mas a castidade sexual é uma consequência direta da castidade espiritual. Castidade espiritual é a união das suas afeições a Deus somente. Ele, afinal, é o único merecedor de todo o nosso amor. Por isso é que diz em Deuteronômio 6.4: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.”
A única defesa contra a pornografia
Se a nossa alma não estiver cheia de Deus, viveremos necessariamente a “errante inquietação da alma”. A alma tem sede. A alma tem fome. Se houver um vazio, faremos por onde para enchê-lo. Se não estivermos cheios de Deus, nossa alma vagará buscando o que poderá enchê-la. Mas não existe alternativa. Não existe o que possa encher a alma sedenta. Como disse Agostinho, no seu livro “Confissões”: “A minha alma vivia irrequieta até que achou pouso em Ti”.
Pela devoção a Deus, pela leitura das Sagradas Letras e pela oração descobrimos uma paz e um silêncio íntimo que, quando cultivados, fazem com que as coisas vãs, sujas e efêmeras deste mundo nos pareçam o que são – uma mesa de imundície repulsiva para quem já se alimentou de finos manjares celestiais. Em resumo: quanto mais cheio de Deus, menos espaço sobra para qualquer outra coisa.
Na paz,
+W.
Fonte: Blog do Autor | Compartilhado no PCamaral
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