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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Thalles: seu narcisismo passou dos limites!

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Por Thiago Oliveira


Que o Thalles Roberto é um narcisista crônico, isso eu já sabia. Mas eu não tinha a noção do que ele seria capaz de fazer para satisfazer/promover a sua auto-imagem de "homem espiritual influente". Não contente em ser um cantor gospel vendável e que faz sucesso, Thalles ostenta um título de "Pastor" já faz um tempo e vive falando que a sua fama é algo que Deus usa para alcançar milhões de pessoas.

Se não bastasse as caras e bocas, as roupas com sua marca estampada e até um bonequinho horroroso chamado "Thalleco", o cantor lançou uma Bíblia que tem seu nome na capa e um prefácio cheio de fotos (propagandistas) suas, letras de suas músicas e parte de sua biografia. Segundo o próprio Thalles, o lançamento é uma "estratégia de Deus" e ele colocou o seu nome e sua cara na "Bíblia Apostólica IDE"para que com a sua influência (humilde, hein?) as pessoas que não leem a Bíblia despertem e nutram o interesse pela leitura.

Engraçado é que eu sempre pensei que a vontade de ler a Palavra de Deus, assim como de orar, congregar, evangelizar e etc. fosse algo inerente a atuação do Espírito Santo. Muito me surpreende saber que nem o Evangelho, nem Jesus e nem personagens como Moisés, José, Davi, Sansão, Paulo, Pedro, são atrativos suficientes para que os jovens leiam a Bíblia. Fico embasbacado com o fato do Thalles ser o chamariz que fará com que as pessoas comecem a ler a Bíblia. Como não pensei nisso antes? Afinal, o perfil do Facebook do Thalles é um dos maiores do país. Logicamente, Deus sabendo do tamanho do seu Facebook, utilizou-se da popularidade virtual do cantor e mandou um recado: "Edite uma bíblia com seu nome (slogan) estampado nela".

Caro leitor, desculpe o meu tom irônico, mas é inacreditável que este homem não enxergue o quanto que ele tem feito mau a causa do Evangelho, com suas estratégias carnais que apenas fazem a Igreja crescer numericamente, todavia oca, pois lhe falta alimento consubstancial. isto é, a sã doutrina. Francis Schaeffer já havia alertado a Igreja acerca disto quando falou em seu sermão:

"(...) Embora reconheçamos que o poder do Espírito Santo pode ser nosso, nós ainda copiamos a sabedoria do mundo, confiamos em sua forma de publicidade, seu barulho, e imitamos seus modos de manipular pessoas! Se tentarmos influenciar o mundo usando os métodos dele, estaremos fazendo o trabalho do Senhor na carne. Se colocarmos atividade no centro, até mesmo boa atividade, em vez de confiar em Deus, então poderá haver o poder do mundo, mas nos faltará o poder do Espírito Santo".

Carnalidade é algo que o Thalles demonstra ter de sobra, pois tem um ego inflado. Nenhum homem comprometido como Reino de Deus busca aparecer tanto assim. Um dos princípios da adoração é a humildade. Importa que o SENHOR cresça e nós diminuamos (Jo 3.30). Como é que uma pessoa diz que está emprestando a sua imagem para que os jovens venham a querer ler a Bíblia? Sua visão de si mesmo é extremamente ensimesmada, e essa ótica gera uma distorção dos fatos. As igrejas de Sardes e Laodicéia se achavam muita coisa, então Jesus tratou de informá-las o que elas realmente eram aos olhos de Deus (Leia Apocalipse 3). 

Ademais, o descaramento do Thalles é tão grande que ele diz que seu propósito não é vender Bíblias. Porém o seu mais novo produto custa mais de R$ 100 reais. Que incentivo aos jovens hein? A questão é muito simples: Se o propósito não é vender, então não vende! Agora vir com discurso hipócrita é que não dá. Keith Green, um ministro de louvor e evangelista norte-americano de renome (morto em um trágico acidente aéreo na década de 1980) abriu mão de receber pelo seu álbum So You Gona Go Back To Egypt. Ele mandava gratuitamente pelos correios, e em suas apresentações o público comprava pelo valor que quisesse, e se quisesse, pagar. Isso é coerência, coisa que o Thalles não tem.

Por fim, gostaria de lembrar que o que está ruim pode piorar. A Tal "bíblia do Thalleco" é comentada pelo Estevam Hernandes, um homem que se intitula apóstolo e que foi um dos grandes responsáveis pela expansão do movimento apostólico no Brasil, tal como o modelo G12 de crescimento, a infame teologia da prosperidade e o neopentecostalismo em si. Os verbetes escritos por ele são todos ligados a esta visão herética, dita "apostólica". Indo para a Bíblia vemos que para exercer o ofício apostólico existiam duas condições: 1. O apóstolo tinha que ser testemunha ocular da ressurreição de Cristo (Atos 1:2-3, 1:21-22, 4:33 e 9:1-6; 1Co 9:1 e 15:7-9). 2. O apóstolo tinha que ter sido comissionado diretamente por Jesus (Mt 10:1-7, Mc. 3:14, Lc 6:13-16, At 1:21-26, Gl 1:1 e  1:11-12 ). Não existe nenhuma condição bíblica para crer que o ofício apostólico é válido em nossos dias.  Por isso, tal bíblia de estudo é um instrumento disseminador de heresias.

Triste saber que apesar de muitos alertas, milhares de pessoas comprarão este produto que é uma ofensa a Palavra de Deus. Mas porque tanta gente segue falsos mestres? Essa pergunta foi respondida recentemente pelo Dr. Augustus Nicodemus: "A humanidade sem Deus reconhece na mensagem dos falsos profetas um tom familiar e identifica-se com ela. Pensamentos satanicamente inspirados são atraentes para as mentes mundanas". É uma declaração forte, mas que tem respaldo bíblico: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (2Tm 4.3).

Muito triste também é saber que a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) está em parceria com esse tipo de gente, promovendo esta aberração. Será que o lucro fala mais alto que o compromisso de honrar o texto sagrado? Pelo visto sim... Deus livre os seus eleitos de serem seduzidos por estes que adoram a Mamon e a si mesmos. 

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Divulgação: Bereianos

Agora gays podem casar na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA)

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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


No dia 19 deste mês (Junho de 2014) a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) aprovou com maioria folgada uma alteração na sua Constituição. Em vez de dizer “o casamento é entre um homem e uma mulher,” a Constituição da PCUSA agora diz “o casamento é entre duas pessoas”. Obviamente, a alteração foi feita para poder acomodar dentro da PCUSA os gays que querem casar na igreja e ter cerimônia religiosa realizada por pastores/pastoras presbiterianos.

Esse é mais um passo na direção da apostasia, desde que a PCUSA entrou pelo caminho do liberalismo teológico. Veja a notícia aqui. 

Antes de mais nada, preciso esclarecer que essa denominação norte-americana nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil. Na verdade, a IPB tem consistentemente rechaçado nas últimas décadas todas as tentativas oficiais de aproximação com PCUSA, feitas tanto das bandas de lá como das bandas de cá. É injusto colocar todos os presbiterianos no mesmo saco em que esta denominação apóstata se meteu. Ela traiu sua herança presbiteriana e o que é mais importante, traiu o Cristianismo bíblico.

Não vou dizer que fiquei estarrecido, surpreso ou chocado com a decisão tomada finalmente pela assembléia geral da PCUSA. Não estou surpreso porque já era de se esperar que tal coisa acontecesse, cedo ou tarde. Afinal, as decisões que vinham sendo tomadas por esta denominação presbiteriana em décadas recentes, não poderiam levar a outra coisa senão a decisões como tais. A decisão de aceitar casamento gay como sendo cristão é o resultado da fermentação de vários conceitos e pressupostos que ao longo do tempo foram lentamente sendo introduzidos na alma da denominação, formando irreversivelmente a sua maneira de pensar e de agir.

Tudo começou quando a PCUSA passou a tolerar que o liberalismo teológico fosse ensinado nas suas instituições teológicas, as quais são responsáveis pela formação teológica, eclesiástica e ministerial dos seus pastores. O liberalismo teológico retira toda a autoridade das Escrituras como palavra de Deus, introduz o conceito de que ela é fruto do pensamento ultrapassado de gerações antigas e que traz valores e conceitos que não podem mais ser aceitos pelo homem moderno. Assim, coloca a Bíblia debaixo da crítica cultural. O passo seguinte foi a aprovação da ordenação de mulheres cristãs ao ministério, em meados da década de 60, com base exatamente no argumento de que os textos bíblicos que impõem restrições ao exercício da autoridade eclesiástica por parte da mulher cristã eram culturalmente condicionados, e portanto impróprios para a nossa época, em que a mulher já galgou todas as posições de autoridade.

O argumento que vem sendo usado há décadas pelos defensores do homossexualismo dentro da PCUSA segue na mesma linha. Os textos bíblicos contrários ao homossexualismo são vistos como resultantes da cosmovisão cultural ultrapassada dos escritores bíblicos, refletindo os valores daquela época. Em especial, os textos de Paulo contra o homossexualismo (Romanos 1 em particular) são entendidos como condicionados pelos preconceitos da cultura antiga e pela falta de conhecimento científico, que segundo os defensores do homossexualismo hoje já demonstra que ser gay é genético, não podendo, portanto, ser mais considerado como desvio moral ou pecado. Já que a cultura moderna mais e mais aceita o homossexualismo como normal, chegando mesmo a reconhecer o casamento entre eles em alguns casos, por que a Igreja, que deveria sempre dar o primeiro exemplo em tolerância, aceitação e amor, não pode receber os homossexuais como membros comungantes e pastores da Igreja? Essa foi a argumentação que finalmente prevaleceu, pois a decisão permite que homossexuais praticantes considerem a sua escolha sexual como uma questão secundária e não como matéria de fé, sujeita à disciplina eclesiástica da denominação.

Não estou dizendo que todos os que defendem a ordenação de mulheres necessariamente são defensores da ordenação gay e do casamento de homossexuais. Tenho bons amigos que defendem um e abominam o outro. Estou apenas dizendo que, em ambos os casos, o argumento usado para sua aprovação dentro da PCUSA foi o mesmo: o que os escritores bíblicos dizem sobre estes assuntos não tem validade para os dias de hoje, e portanto, a Igreja deve se guiar por aquilo que é culturalmente aceitável, politicamente correto e que faz parte do bom senso comum.

Existe uma brava minoria dentro da PCUSA que, de longa data, tem lutado contra a introdução desses conceitos. Agora, assiste com tristeza a derrota bater à sua porta. Desde que a PCUSA aceitou o homossexualismo, mais de 10.000 igrejas já saíram dela. Esta que já foi a maior denominação presbiteriana do mundo hoje está reduzida a 1,8 milhões de membros. E este número cai mais a cada ano. 

Não devemos pensar que esse é um problema que se restringe àquela denominação americana. Os mesmos pressupostos que a levaram a tomar essa decisão já estão em operação em nosso país, a começar pelos seminários e instituições de ensino teológico que já caíram vítimas do método histórico-crítico de interpretação, do liberalismo teológico, do pragmatismo e do relativismo. O campo está sendo preparado no Brasil para que em breve evangélicos passem a considerar a homossexualidade como sendo uma questão pessoal e secundária, abrindo assim a porta para ordenação de gays e lésbicas praticantes ao ministério da Palavra e para a realização de casamento gay nas igrejas evangélicas.

Acredito que a única medida preventiva é não abrirmos mão da legitimidade e aplicabilidade dos valores e dos ensinamentos bíblicos para todas as épocas e culturas. Isto nos permitirá sempre fazer uma crítica da cultura a partir do referencial da Palavra inspirada e infalível de Deus. Foi quando a PCUSA subjugou a Bíblia à cultura que a lata de minhocas foi aberta. A Bíblia passou a ser julgada pela cultura. Vai ser difícil para liberais, neo-ortodoxos, libertinos e outros grupos no Brasil, que de maneiras diferentes colocam a cultura à frente da Bíblia, resistir à pressão. Quem viver, verá.

Mais artigos sobre o assunto aqui no blog Tempora-Mores:

• PCUSA prestes a se dividir
• Decepcionados com ordenação de homossexuais, presbiterianos deixam a denominação (PCUSA) em massa
• Denominação Americana Finalmente Aprova Pastores Homossexuais Praticantes
• Por Quê Igrejas Presbiterianas pelo Mundo estão Aceitando Pastores Homossexuais?

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Fonte: O Tempora! O Mores!

terça-feira, 24 de março de 2015

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Por Felipe Wieira


Com o Mar Mediterrâneo ao fundo, 21 cristãos coptas caminham algemados, no vídeo mais chocante que já assisti em toda minha vida: Todos uniformizados, postos de joelhos na areia, são brutalmente degolados, com uma “mensagem assinada com sangue ao Povo da Cruz”. Uma ameaça feita pelo grupo autodenominado “Estado Islâmico” (ISIS) contra toda a cristandade, que traz à nossa mente uma realidade com a qual não tendemos a nos preocupar muito: o martírio.

Talvez a preocupação da igreja ocidental com relação ao martírio se restrinja à vida de nossos missionários em países nos quais a morte em nome da Fé é um inimigo constante, sempre à espreita. Comumente, essa preocupação é tratada com orações para que o Senhor livre nossos missionários dos ataques, que os proteja e os guarde. Essa é uma abordagem justa e, sem dúvida, uma oração que devemos fazer constantemente, mas ainda assim, fica aquém do padrão que a Escritura nos fornece, não nos preparando para aquilo de que o Senhor Jesus nos deixou avisados: “…de fato, virá o tempo quando quem os matar pensará que está prestando culto a Deus.” (Jo 16.2)

No livro de Atos, vemos que, diante da perseguição, os primeiros cristãos oravam pedindo mais coragem para permanecer firmes e anunciar o Evangelho (At 4.29). Especialmente na carta aos Hebreus, o autor se dirige a um povo perseguido com algo que vai na contramão do senso comum: apologética. À vista de uma realidade de opressão, em que os leitores eram tratados pelos judeus como traidores e pelos romanos como rebeldes, o autor de Hebreus não faz discursos motivacionais ou orações pelo fim da perseguição, mas defende a supremacia de Cristo sobre todas as coisas e a natureza da verdadeira fé. Ou seja, ele faz apologética em seu mais alto grau!

Nesse momento de dor, nossos irmãos coptas precisam de apologética. Eles precisam de alguém que defenda a superioridade de Cristo sobre a dor, a morte, o sofrimento e sobre o Estado Islâmico. Precisam ouvir que todas as coisas, incluindo o martírio, “cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28), sendo encorajados a, se preciso for, derramar o próprio sangue em sua luta contra o pecado (Hb 12.4).

A apologética corretamente aplicada traz esperança e coragem para enfrentar as mais tenebrosas adversidades. Isso porque ela defende a natureza da verdadeira fé. Uma fé que olha para as coisas não vistas (Hb 11.1), que se apoia na fidelidade da promessa de um Deus absolutamente soberano (Hb 11.10) e que caminha pela terra em peregrinação, desejando a cidade que ainda há de vir. Se essa fé for devidamente defendida e impregnada nos corações dos cristãos, a perseguição será uma realidade superável.

Nossos irmãos coptas precisam de apologética. Eu e você precisamos de apologética. Precisamos ter em nossa mente a certeza de que Cristo é superior a todas as coisas e que, nessa posição, ele é totalmente digno de que “saiamos até ele fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou, pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir.” (Hb 13.13-14). Ore por nossos irmãos perseguidos, ore para que o Senhor lhes dê intrepidez diante do martírio, mas, acima de tudo, dedique-se a defender a verdadeira Fé e a supremacia daquele que a concedeu. Diante da morte, faça apologética!

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Fonte: Tuporém

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

UMA CRÍTICA AO FILME BÍBLICO EXODUS: GODS AND KINGS


Por Gutierres Fernandes Siqueira

O filme Exodus: Gods and Kings (EUA, Reino Unido, Espanha; 2014) do aclamado diretor Ridley Scott é um pouco decepcionante. Atenção: eu não esperava um filme bíblico, logo porque Scott não nos prometeu isso. E, não é de hoje, eu não espero exegese e hermenêutica de Hollywood e acho uma bobagem essa gritaria de muitos cristãos-evangélicos- ponto final. O diretor há dias já vinha falando que a produção seria um filme de ação. E como ação é um bom filme de efeitos especiais. Então você pode perguntar: por que a decepção? Ora, o roteiro e adaptação são fracos. É claro que a licença poética para complementar e até adaptar a história bíblica poderia ser bem melhor. É nesse ponto que Scott estraga a história.

A narrativa sobre a vida de Moisés é uma das mais completas e ricas do Antigo Testamento. Sendo assim a produção tinha o desafio de montar um roteiro que fosse mais interessante do que a já complexa história do profeta. E isso não aconteceu. Ridley Scott é um grande diretor e, na minha visão,Gladiador (EUA, Reino Unido; 2000) é um glorioso exemplo. Agora, alguns de seus filmes como Exodus e Robin Hood (EUA, Reino Unido; 2010) deixam - ou deixaram- essa sensação de “poderia ter sido bem melhor”.

Ridley Scott é ateu. O filme é uma homenagem ao irmão e também diretor Tony Scott (1944- 2012) que cometeu suicídio ao pular da Ponte Vincent Thomas em Los Angeles, Estados Unidos. Tony era religioso e Ridley queria prestar uma homenagem. Bom, se eu fosse o irmão religioso dele não ficaria tão feliz com a descrição de Deus, que mais parece o demiurgo, feita pelo diretor não-religioso. E é bom lembrar: o mesmo já tinha sido feito no filmeKingdom of Heaven (EUA , Reino Unido , Espanha , Alemanha; 2005) do Ridley Scott.  
Há dois filmes de ação inteligentes do falecido Tony Scott que gosto muito:Enemy of the State (EUA, 1998) e Spy Game (EUA, Reino Unido; 2001), mas aí é outro assunto... 

Voltando ao Exodus vejamos os pontos positivos e negativos desse longa. E se você ainda não assistiu ao filme, cuidado, o meu comentário está cheio despoilers.

Pontos fracos

a) O retrato de Deus. Marcião ficaria feliz com esse filme,  pois seria a prova cabal de sua tese: o deus do Antigo Testamento é mau e nada tem com Cristo Jesus. No longa Deus parece mais um ídolo pagão: sempre intempestivo, inconsequente e caprichoso. Usar uma criança para retratar tamanha falta de graça e misericórdia parece ser um recurso proposital para chocar. Aliás, essa criança lembra um dos nomes do Demiurgo: Yaldabaoth,que é "a criança do caos". Não esqueço o comentário da minha irmã ao final do filme: aquele deus-garoto parecia mais com os demônios que atormentavam a Judas Iscariotes no filme The Passion of The Christ (EUA, 2004). No ateísmo de Scott Deus sempre é um sujeito amargo e isso já estava claro no filme Kingdom of Heaven, como dito acima.

b) O duelo de egos.  Resumir a libertação do Egito a um duelo de egos entre o irmão adotivo competente e o irmão legítimo fraco?! Bom, é um Shakespeare com Freud meio água com açúcar. Esse ponto talvez seja o pior do filme.

c) A gritaria contra esse “Deus, o matador de crianças”. Essa cena é simplesmente ridícula. Na hora pensei que os egípcios de 4 mil anos atrás já tinham passado pela modernidade. Seriam leitores de Jean-Jacques Rousseau? Ora, ora, nenhum povo naquele período xingaria uma divindade como “matadora de crianças”, logo porque esse tipo de sensibilidade não fazia parte do discurso religioso e político da época. Aliás, esses povos nem conheciam o conceito de criança como nós conhecemos hoje. Só na Idade Moderna é que a criança ganhou o status de um ser social. Antes era apenas um adulto em miniatura.

Pontos fortes

a) A lei é dada como uma instituição para base do povo israelita. A frase de Deus dizendo que “daria a lei porque líderes vacilam enquanto as pedras permanecem” é simplesmente fantástica. Scott captou muito bem a essência do Decálogo nessa simples cena.

b) A cena do luto noturno no Egito com a morte dos primogênitos. É uma cena forte e ao mesmo tempo que retrata bem o que o texto bíblico quis dizer: “E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não houvesse um morto” [Êxodo 12.30].

c) A cena onde Faraó exalta sua grandeza entre cadáveres do seu exército. É uma cena bonita, forte e com a velha e boa advertência contra a vacuidade.

É isso. No geral é um filme que merece nota 6. É medíocre não porque não seja bíblico, mas porque substituiu uma história forte por um roteiro mais fraco e até clichê.

Fonte: Blog Teologia Pentecostal

quinta-feira, 18 de setembro de 2014


Crescimento econômico é maior quando estado regula atividade religiosa sem favorecer uma crença em detrimento da outra, diz estudo que será apresentado este mês.
A liberdade de praticar uma (ou nenhuma) religião é um dos pilares da democracia, mas ela também pode levar a consequências econômicas negativas e crescimento menor se não tiver seus excessos contidos.
Esta é a conclusão de um estudo que será apresentado este mês na Georgetown University por Shaomin Li, da Old Dominion University, Ilan Alon, da Rollins College, e Jun Wu, da Savannah State University.
Primeiro, os autores definem liberdade religiosa com uma perspectiva de custo: se fica mais difícil acreditar, praticar e disseminar alguma crença, isso significa que a liberdade está sendo restringida.
Estes obstáculos podem ser de duas naturezas: social (a hostilidade das pessoas) ou governamental (leis e políticas do estado).
Para medir estas duas variáveis, eles utilizaram uma pesquisa de diversidade religiosa do Pew Research Center realizada em 200 países e cruzaram com dados de crescimento do PIB e do PIB per capita.

Resultados
Em relação à dimensão social, o que eles descobriram não surpreende: a falta de tolerância religiosa entre a população semeia a violência e a disputa entre grupos, o que atrapalha a capacidade que um país tem de fazer sua economia crescer.
Em relação à atuação do estado, a conclusão é outra: países com restrições mais fortes à religião tendem a ter crescimento econômico mais acelerado.
Para entender como isso acontece, os autores foram além e separaram estas "restrições religiosas" em dois lados: o quanto o governo restringe a religião como um todo e o quanto o governo favorece uma (ou mais) religiões em detrimento de outra(s).
No primeiro lado, estão fatores como o controle do proselitismo, da reza e do uso de símbolos religiosos no espaço público. No segundo, itens como ensino religioso nas escolas e a submissão do governo a interesses religiosos em questões legais.
O resultado? Os dois tipos de restrições tem efeitos opostos. Quanto maior a restrição geral e horizontal e menor a discriminação do governo entre as diferentes religiões, maior é o crescimento econômico.

Mecanismos
No estudo, os autores fazem uma analogia com o funcionamento do livre mercado em uma economia capitalista: "Em um mercado onde diferentes religiões competem por seguidores e recursos econômicos e sociais, uma liberdade sem regulação ou freio pode eventualmente levar a uma 'guerra de todos contra todos' (...) em certas circunstâncias as restrições governamentais à religião podem exercer uma influência positiva na performance econômica, análoga a uma economia livre que é regulada de forma justa e eficiente pelo governo".
Em resposta a EXAME.com sobre se isso se aplica ao caso brasileiro, Shaomin Li diz que "se a religião dominante ganha tratamento preferencial do governo e algumas religiões minoritárias são discriminadas, isso seria considerado 'liberdade de religião desenfreada'. Baseado no nosso estudo, hostilidades sociais envolvendo religião ou políticas e leis do governo que discriminam ou favorecem certas religiões são ruins para o crescimento."
A discussão entre religião e crescimento econômico vem dos tempos de Max Weber e seu clássico "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", mas está voltando para o meio acadêmico.
No início do ano, um estudo da Universidade de Harvard com base na prática islâmica do Ramadã concluiu que ela tem um efeito claro de diminuição do crescimento do PIB nos países analisados.

Exame

quarta-feira, 17 de setembro de 2014


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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


Examinemos agora o caso daqueles a quem o apóstolo Paulo chama de “superapóstolos” e “falsos apóstolos”, na sua segunda carta aos coríntios (2Co 11.5; 11.13 e 12.11). Trata-se de obreiros que apareceram na igreja de Corinto, ostentando o título de apóstolos, apresentando credenciais que supostamente provavam esta reivindicação, querendo diminuir Paulo como apóstolo e assumir a liderança da igreja.

Paulo os chama de “super apóstolos,”  (2Co 11.5; 12.11), provavelmente como uma ironia.[1] Os tais se apresentavam com reivindicações extravagantes e se colocando acima de Paulo e talvez dos doze. Paulo os considera “falsos apóstolos” (2Co 11.13), não somente porque a mensagem deles representava um desvio do ensino apostólico original, mas também porque eram imitadores, tentando se passar por apóstolos de Cristo. [2]

Robertson e Plummer afirmam que “não poderia ter havido falsos apóstolos (2Co 11.13), a menos que o número de Apóstolos [sic] fosse indefinido”. [3] O que eles querem dizer é que se reconhecia a existência de apóstolos além de Paulo e dos doze, e que não havia limite para o número de apóstolos naquela época. De acordo com esta interpretação, os “falsos apóstolos” eram falsos não porque estavam usurpando um título que era somente dos doze ou de Paulo, pois havia muitos outros apóstolos além deles. Eles eram falsos somente porque pregavam um falso evangelho. Assim, de acordo com esta linha de interpretação, a existência de falsos apóstolos no período apostólico é uma prova de que havia muitos apóstolos em atividade naquela época e que consequentemente não existe nenhuma razão pela qual se deva negar a existência deles em nossos dias.

Todavia, uma análise mais atenta aos textos de 2 Coríntios que se referem aos falsos apóstolos, parece sugerir que Paulo os considera “falsos” não somente por serem falsos mestres, mas também por serem usurpadores do título. Eles se apresentavam como apóstolos similares aos doze e a Paulo, e não como enviados de alguma igreja para cumprir uma missão. Eles queriam poder, autoridade, reconhecimento e, especialmente, ganhar dinheiro. Suas credenciais envolviam sonhos, visões, revelações, milagres, ascendência judaica e outras coisas destinadas a impressionar os crédulos coríntios. É verdade que haviam outros apóstolos além de Paulo e dos doze, conforme já mostramos anteriormente, mas estes que apareceram em Corinto não eram do nível de Silas, Timóteo, Barnabé ou Epafrodito – não, eles eram “superapóstolos”, como os doze e acima de Paulo. Eles eram falsos porque o grupo de “apóstolos de Jesus Cristo” ao qual eles queriam pertencer – os doze e Paulo – era limitado. [4]

Examinemos mais de perto as evidências. Quase que certamente esses obreiros eram judeus, supostamente convertidos ao Cristianismo, pregadores itinerantes, que se vangloriavam de sua ascendência judaica e de serem ministros de Jesus Cristo. [5] Eles haviam entrado na igreja de Corinto e estavam fazendo graves acusações contra Paulo, o que levou o apóstolo a ter de escrever esta carta depois de haver visitado a cidade para tratar do assunto.

Paulo diz que eles “mercadejavam a Palavra de Deus”, uma alusão às exigências financeiras que estavam fazendo (2Co 2.17). Eles se apresentavam com “cartas de recomendação,” provavelmente da igreja de Jerusalém, com o intuito de imporem a sua autoridade sobre a igreja (2Co 3.1-3). [6] Ao apresentar-se como “ministro de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito” (2Co 3.6) e ao fazer o contraste entre o Evangelho e o Judaísmo (2Co 3.6-18), Paulo deixa transparecer que eles pregavam as glórias da antiga aliança baseada na lei de Moisés como superior ao Evangelho de Paulo. [7] Ao fazer isto, eles astutamente “adulteravam” a Palavra de Deus (2Co 4.2) e pregavam a si mesmos e não a Cristo (2Co 4.5). Paulo os critica por se “gloriarem na aparência”, o que pode ser uma referência ao fato de que se gloriavam de ser judeus legítimos, talvez de Jerusalém, ao contrário de Paulo que era da Dispersão (2Co 5.12). Eles haviam sugerido que Paulo havia enlouquecido (2Co 5.13). Criticavam-no por proceder como o mundo (2Co 10.2) e de ser covarde, pois escrevia cartas fortes e graves quando estava distante, mas quando estava presente, sua apresentação pessoal era “fraca” e sua palavra “desprezível” (2Co 10.9-10; cf. 11.6). Eles insinuavam que Paulo queria aproveitar-se financeiramente deles, ao inventar uma coleta para os pobres de Jerusalém (2Co 8.14-18). [8] Eles apresentavam-se como verdadeiros israelitas (2Co 11.22) e “ministros de Cristo” (2Co 11.23), talvez operadores de milagres (2Co 12.12), que tinham visões e revelações do Senhor (2Co 12.1). Apresentavam-se como no mesmo nível de Paulo, ou mesmo como superiores a ele, por terem maiores e melhores credenciais (2Co 11.12). A igreja de Corinto, ou um grupo dentro dela, estava aceitando a presença e o discurso deles, com suas críticas a Paulo, que certamente tinham o objetivo de minar a sua liderança e autoridade e, finalmente, assenhorear-se da comunidade (2Co 11.1-4).

A resposta de Paulo a tudo isto vem de várias maneiras. Primeira, ele responde às reivindicações destes “apóstolos” apresentando, constrangido, as suas próprias credenciais apostólicas, aceitando, num primeiro momento, que estas credenciais definem um apóstolo de Cristo: ele também é judeu (2Co 11.22), faz sinais e prodígios (2Co 12.12), tem visões e revelações do Senhor (2Co 12.1-4).

Mas, paralelamente, Paulo apresenta as credenciais de um verdadeiro apóstolo que estes “apóstolos” não tinham, e que o faziam um verdadeiro “ministro de Cristo,” em contraste com eles, que eram ministros de Satanás: eles traziam cartas de recomendação, mas a recomendação de Paulo eram os próprios coríntios, convertidos pela sua pregação (2Co 3.1-4). Eles se vangloriavam de seus predicados e credenciais, mas Paulo se gloriava de seus sofrimentos (2Co 6.4-10), de um espinho na carne (2Co 12.7-10) e de ter tido de fugir uma vez de uma cidade descido num cesto, pelo muro, para não ser morto pelos judeus (2Co 11.32-33).

Terceiro, Paulo os denuncia como “falsos apóstolos,” “obreiros fraudulentos,” que na verdade eram ministro de Satanás travestidos de ministros de Cristo, seguindo a estratégia do diabo de se passar por Deus (2Co 11.13-15). Ele apela aos coríntios para não se porem em “jugo desigual com os incrédulos,” no que parece ser uma referência a estes falsos apóstolos (2Co 6.14-18).

Fica evidente, então, de nossa análise, que estes obreiros fraudulentos haviam arrogado a si mesmos o título de apóstolos de Jesus Cristo, numa tentativa de se imporem autoritativamente sobre as igrejas, numa espécie de imitação dos doze, com o fim de dominarem sobre elas. Eles eram apóstolos falsos, não somente porque o grupo de apóstolos ao qual eles reivindicavam pertencer estava já fechado, mas também porque não possuíam as credenciais essenciais de um verdadeiro apóstolo. Além disso, estavam adulterando a Palavra de Deus no intento de auferir ganhos financeiros das igrejas.

Nossa conclusão está de acordo com o fato de que apareceram muitos, quando os doze e Paulo ainda viviam, reivindicando um status similar. Encontramos um exemplo disto no livro de Apocalipse, na carta à igreja de Éfeso: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos” (Ap 2.2). À semelhança do que havia acontecido em Corinto, homens maus apareceram na igreja de Éfeso dizendo-se apóstolos. Ao contrário do que havia acontecido na igreja de Corinto, os crentes de Éfeso puseram estes apóstolos à prova – certamente examinando as suas reivindicações, suas credenciais e sua mensagem – e concluíram que eles eram impostores, no que foram aprovados pelo Senhor. Aqui cabem as palavras de Spence-Jones: “Chamar um homem de sucessor dos apóstolos, o qual não tem o caráter apostólico – nobreza, lealdade a Cristo e total auto-abnegação – é uma farsa malévola”. [9]

O status de apóstolo era cobiçado desde cedo na história da igreja cristã, não como um indicativo de alguém que estava envolvido na obra missionária, mas pelo poder, autoridade e respeito que este status comandava. E é exatamente neste sentido que ele vem sendo apropriado e usado por muitos hoje que se apresentam como apóstolos de Jesus Cristo.

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Notas:
1. Cf. “tais apóstolos”, ARA; “superapóstolos”, NVI; “superapóstolos” NTLH. A ARC, todavia, traduziu como sendo uma referência não irônica,“aos mais excelentes apóstolos”, o que altera substancialmente a interpretação da passagem, sugerindo que estes apóstolos “mais excelentes” eram os doze com quem Paulo estava se comparando.
2. Alguns estudiosos sugerem que Paulo estava se referindo ironicamente aos doze apóstolos de Jesus Cristo, sediados em Jerusalém. Contudo, diante dos relatos do livro de Atos e de Gálatas capítulo dois, da concordância e harmonia entre Paulo e os doze, esta sugestão não se sustenta. Veja os argumentos contra a ideia de que os “superapóstolos” eram os doze em Kirk, “Apostleship since Rengstorf,” 253.
3.  Robertson, Corinthians, 279.
4.  “Apóstolos de Jesus Cristo” é uma designação quase que exclusiva dos doze e Paulo no Novo Testamento, cf. a argumentação na seção “Apóstolos de Jesus Cristo”.
5.  Cf. Carson, New Bible Commentary, na Introdução.
6.  Isto não quer dizer que os apóstolos de Jerusalém estariam de acordo com a atividade sectária e mercenária deles, em Corinto.
7. Para uma posição contrária, veja Clark, “Apostleship,” 359-360 e Carson, New Bible Commentary, Introdução. Mesmo admitindo que os oponentes de Paulo eram judeus cristãos, Carson não acredita que eram judaizantes, como aqueles que infestaram as igrejas da Galácia. Contudo, o contraste entre as duas alianças no capítulo 3 só faria sentido no contexto de uma mensagem judaizante dos oponentes de Paulo.
8. Esta é, provavelmente, a razão pela qual Paulo toma várias precauções para evitar acusações de apropriação indébita das ofertas que ele haveria de levar a Jerusalém, cf. 2Co 8—9.
9. Spence-Jones, Galatians, 140.

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Fonte: Ministério Fiel

quinta-feira, 11 de setembro de 2014


Semanário mostra que perfil do eleitor brasileiro é conservador sem ser religioso
Com o crescimento de Marina Silva nas pesquisas, os analistas tem avaliado continuamente o que chamam de “voto evangélico”. Muitos estudiosos acreditem que não existe esse tipo de classificação, preferindo classifica-lo de “voto conservador”, pois muitas dessas questões são defendidas igualmente por católicos praticantes.

Basicamente, esse tipo de opção política lida com questões morais e de cunho religioso. Ao mesmo tempo, uma pesquisa do Instituto Ibope divulgada esta semana indica que a maioria dos eleitores brasileiros tem esse perfil conservador. Por exemplo, 79% são contra a descriminalização das drogas. O mesmo percentual é contrário à legalização do aborto e 53% rejeita o casamento gay. Ao pensar sobre pena de morte, 49% a rejeitam. A redução da maioridade penal é defendida por 80% dos brasileiros. Todas essas propostas são comumente citadas pelos políticos ligados à bancada evangélica.

Mesmo assim, quando os dois candidatos presidenciais evangélicos manifestam suas convicções, a mídia se apressa a relacioná-las com questões de fé. A revista Época, uma das mais influentes do país, dedicou a matéria de capa desta semana ao assinto. Basicamente, analisou as propostas de Marina Silva e do pastor Everaldo e a aceitação de suas propostas.

Em entrevista recente, Marina deixou claro que não gosta desse tipo de cobrança. Questionada pela enésima vez sobre como a religião afetas suas decisões, desabafou: “Essa pergunta é feita a mim porque sou evangélica, nunca vi ninguém fazendo essa pergunta a um líder católico ou a uma pessoa que não tenha crença. A fé de qualquer pessoa faz parte de sua vida e acho que deve ser respeitada tanto quanto quem não tem crença nenhuma”. A candidata ressaltou ainda ser “comprometida com o Estado laico”.

O fato é que Marina de um lado é cobrada publicamente por ter “mudado de ideia” sobre à união civil homossexual. Embora tenha se declarando anteriormente favorável, não quis que no seu programa de governo, fosse usado o termo “casamento”, que tem conotação religiosa.

Muitos líderes religiosos exigiram maior clareza dela sobre as leis envolvendo homofobia, bandeira histórica de seu partido. Até recentemente ela fugia do assunto, pois durante seu governo havia recuado na decisão de distribuir o material didático escolar apelidado que defende a causa homossexual, apelidado de “kit gay”.

Embora o Brasil ainda seja o país com o maior número de católicos do mundo, o percentual de evangélicos não para de crescer. Estatisticamente são 22% da população, ou seja, perto de 27 milhões de votos. Para o IBGE, se o crescimento detectado na última década persisitir, até 2022 o Brasil se tornará 50% evangélico.

Historicamente, Marina não tem ligação com a chamada bancada evangélica. O mais próximo desse movimento é o candidato Pastor Everaldo (PSC), da Assembleia de Deus. Ele já manifestou abertamente suas posturas sobre esses “temas polêmicos” e tem sido mais identificado agora pela sua defesa da privatização da Petrobras, posição que segundo o Ibope é rejeitada por 59% dos eleitores.

A reportagem da Época destacou também como se dá a influência de líderes religiosos, citando uma pesquisa feita em 2002 pelo pastor e escritor Ariovaldo Ramos. Segundo ela, cerca de 25% eleitores escolhe o candidato seguindo a indicação de um pastor, padre, pai-de-santo ou equivalente.

A revista faz ainda a comparação de como, em 2002, o político evangélico Anthony Garotinho (PR-RJ) chegou a 18% dos votos para presidente. Em 2010, Marina Silva, concorrendo pelo PV, chegou a um patamar semelhante (19%). Agora em 2014, concorrendo pelo PSB, a candidata vence essa barreira dos 20% e aparece com chances reais de vencer Dilma no segundo turno. Neste caso, mesmo fugindo do rótulo de “candidata evangélica”, Marina consolidaria a ascensão política dos evangélicos brasileiros, num ano em bateu o recorde do número de candidatos que se identificam com esse segmento.

Segundo levantamento do Broadcast Político, do jornal Estado de São Paulo, nas eleições de 2014, existem 270 “pastores”, 33 “missionários” e 25 “bispos” evangélicos concorrendo a vagas no Congresso Nacional, nos Governos estaduais (em 26 estados) e nas assembleias legislativas. Os candidatos evangélicos são filiados a 16 partidos diferentes, sendo que pelo menos quatro foram criados por eles (PRB, PSC, PR e PEM). Os registros no Supremo Tribunal Eleitoral indicam que este ano, o número de candidatos declaradamente evangélicos cresceu 45%.

GospelPrime


Talvez os teólogos não se ocupem mesmo de discutir o “sexo dos anjos”. Afinal, há outras preocupações. Entre elas, a aparência definitiva do messias supremo do cristianismo. Mas não apenas os peritos, é verdade. Muito se discute sobre a cor da pele, as feições, a estatura e a beleza física de Jesus Cristo.
Ok, considerando-se as dúvidas levantadas em relação à originalidade do Sudário de Turim (o Santo Sudário), é provável que críticos, fiéis e estudiosos jamais cheguem a um consenso sobre a aparência do Salvador. Entretanto, isso não nos impede de atravessar a História, recolhendo representações variadas, desde os primeiros séculos.


Há de um tudo, é verdade. Vai-se do Cristo pastor, envolto em santidade e também por um clima bucólico. Outras representações mostram o Messias ainda jovem, sem barba e com cabelos curtos. Por fim, parte-se daí para a beleza personificada durante a Idade Média, para o cristo “extraterreno” das representações globais e, por fim, para o fruto de uma investigação científica — a qual tentou se aproximar o máximo possível da fisionomia real de Jesus.
Enfim, seja você um cético, um religioso ou um amante de artes, a sequência abaixo traz consigo um belo retrato da evolução das próprias religiões cristãs — desde o século III até os dias de hoje.


Primeiras representações 
A imagem do afresco acima é uma das primeiras representações de Jesus Cristo encontradas. O retrato foi originalmente pintado nos muros de uma sinagoga na cidade síria de Dura Europos. No registro, “A Cura do Paralítico”, o Messias aparece jovem, ainda sem barba e com cabelos curtos e encaracolados.


Surgem a barba e o cabelo comprido 
As primeiras imagens do Cristo barbado e com cabelos longos datam do século IV. Acima, uma representação encontrada na Catacumba de Marcelino e Pedro. A inspiração vem das representações de deuses do panteão grego e romano, trazendo consigo uma das imagens do Cristo mais tradicionais até hoje.

O “Bom Pastor” 
O mosaico da imagem acima foi encontrado no Mausoléu de Galla Placidia e mostra o Cristo jovem e, novamente, sem barba — embora tenha sido acrescentado um halo. O Messias pode ser visto segundo a identidade do “Bom Pastor”, conforme é apresentada no evangelho de João. A representação inclui as cores púrpura e dourado, consideradas nobres, e traz a semelhança de um cidadão da Roma Antiga.

Primeira aparição dos apóstolos 
A imagem acima foi encontrada nas catacumbas de Santa Tecla, próximas à Basílica de São Pedro, em Roma. O afresco é a obra mais antiga a reunir Jesus Cristo e seus 12 apóstolos — além de Paulo. De fato, as representações dos seguidores de Cristo serviram como base para diversas outras obras ao longo dos séculos.



O bebê Jesus
Os retratos de Jesus ainda bebê começaram a surgir a partir do século IV. O mosaico acima encontra-se na Basílica de Santa Sofia, em Istambul (Turquia), e mostra a Virgem Maria embalando o Cristo, enquanto os imperadores bizantinos o presenteiam com a cidade.


No Calvário 
As imagens de Jesus Cristo no Calvário começaram a emergir a partir do Século V. O retrato acima é encontrado nos Evangelhos de Rabbula, um livro do século VI que trazia ilustrações sagradas. Trata-se, portanto, de uma das primeiras iconografias do salvador cristão crucificado — ao lado de dois ladrões convictos, conforme aparece nas Escrituras Sagradas.


A legitimidade do Sudário de Turim (ou Santo Sudário) é debatida até hoje. Há quem afirme ser o próprio manto que cobriu o rosto de Jesus Cristo, quando sepultado, mantendo assim suas feições. Entretanto, um reste baseado em radiocarbono realizado em 1988 revelou que a peça foi tecida em algum momento durante a Idade Média. Os fiéis rebatem, afirmando que apenas a restauração é recente.


Belo ou apenas comum? 
A Bíblia fornece apenas algumas poucas informações bastante vagas sobre a aparência do Messias. Dessa forma, há quem acredite em uma fisionomia pouco destacada, bastante comum para a época. Outros, como Agostinho de Hipona, acreditam que o Cristo foi também a personificação da beleza mundana. De qualquer forma, a representação de Jesus como um homem belo constituiu o padrão durante a Renascença.


O Cristo globalizado 
Há atualmente cerca de 7 bilhões de praticantes da fé cristã no mundo. Nisso se incluem diversas etnias, culturas e tradições artísticas. Dessa forma, o Cristo representado nos dias de hoje tende a ser um tanto mais “extraterreno” do que já foi um dia. Um bom exemplo é o nosso Cristo Redentor, postado no topo do Corcovado, no Rio de Janeiro (RJ). Trata-se do fruto de nove anos de trabalho, predominantemente em concreto e pedra-sabão.


Jesus forense 
A imagem acima foi idealizada por uma série da BBC exibida em 2001. Intitulado “Son of God”, o programa teve por objetivo investigar desde os traços étnicos até as formas artísticas praticadas na época de Cristo, a fim de chegar a uma “conclusão” sobre a aparência do Cristo.
As diversas vias forenses chegaram, ao final, a um homem com tonalidade de pele escura e cabelos curtos (também escuros). Algo distante do Salvador de olhos azuis e pele alva dos filmes bíblicos, portanto.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SOBRE APOLOGÉTICA: O PONTO MAIS POSITIVO (TALVEZ O ÚNICO) DO FILME DEUS NÃO ESTÁ MORTO.



Por Pedro Pamplona

Você com certeza já deve ter escutado alguém falar "Deus não precisa ser defendido". É bem comum ouvir isso quando se fala de apologética nas igrejas. Muitos olham para a apologética como uma prática teológica prepotente que tenta defender a Deus e a fé através de raciocínios humanos. Argumentam que Deus é maior e não precisa ser defendido por homens pequenos. Nesse sentido, Deus Não Está Morto fez um grande serviço ao que pensam dessa maneira ao despertar um interesse pelo assunto. Na verdade, ao fazer apologética estamos apenas cumprindo o chamado de 1 Pedro 3:15:

"Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês."

Creio que esse é um chamado para todos e quero, rapidamente, desmitificar alguns conceito e dar alguns conselhos sobre nossa defesa da fé. Vamos começar pelos mitos:

Mito 1: Apologética é somente para pastores, teólogos e cientistas cristãos. Não, o chamado de Pedro é para todos. Como você tem respondido aos que pedem a razão da sua esperança?

Mito 2: Eu preciso estudar filosofia, biologia, física quântica e evolucionismos para ser um apologeta. Não, o conhecimento bíblico é suficiente. Não devemos desprezar o conhecimento, mas é somente na Escritura que encontramos a razão da nossa esperança.

Mito 3: Apologética é feita apenas nos seminários teológicos, nas universidades e debates científicos. Não, a defesa da fé deve ser feita em todo lugar que existir um cristão. Nossa esperança deve ser explicada em cada casa, rua, empresa e colégio desse mundo.

Mito 4: Apologética atrapalha o evangelismo. De maneira nenhuma, uma boa defesa da fé trabalha junto com o evangelismo para ganhar almas. Ao defender estamos apresentando o evangelho.

Entendo que apologética também é tarefa nossa e que deve ser feita em todos os lugares, vamos aos conselhos simples e práticos:

1. Estude a palavra. Esse é o único conhecimento que, no final das contas, importa. Uma apologética vencedora é aquela que apresenta o evangelho fielmente.

2. Não vise ganhar debates. O mundo é hostil ao evangelho e a tendência é que mesmo ganhando nós saiamos deles derrotados. Uma apologética vencedora não ganha debates, ganha corações.

3. Não deixe de orar. Só se ganha corações através da obra do Espírito que chama pessoas através da proclamação do evangelho. Defenda a fé na dependência do Espírito e em oração.

4. Não caia no discurso da neutralidade. Não existe ambiente religiosamente neutro, nem mesmo o científico ou acadêmico. Quando alguém te convida para um debate neutro geralmente está te convidando para um debate segundo pressupostos do ateísmo. Fique com os seus pressupostos, use a palavra, não tente fazer apologética apenas com argumentos humanos (neutros). É aqui que começo nossa derrota.

5. Identifique os elementos da sua cultura que apontam para uma necessidade de Deus e vazio existencial. Use sua cultura para apresentar a Deus de uma forma mais ilustrativa com Paulo vez em Atenas em Atos 17.

6. Não faça isso apenas pela internet. Apologética pessoal é muito mais eficaz, pois podemos demonstrar nossas emoções, sentimentos e cuidado para com o outro.

E pra finalizar, antes que saiamos por ai defendo fielmente nossa fé, lembremo-nos do versículo seguinte de 1 Pedro 3:15:

"Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias." (1 Pedro 3:16)

Que nossa fé seja defendida e proclamada em todos os lugares por todos os cristãos! #SolaScriptura