Isvonaldo sou Protestante

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

UMA CRÍTICA AO FILME BÍBLICO EXODUS: GODS AND KINGS


Por Gutierres Fernandes Siqueira

O filme Exodus: Gods and Kings (EUA, Reino Unido, Espanha; 2014) do aclamado diretor Ridley Scott é um pouco decepcionante. Atenção: eu não esperava um filme bíblico, logo porque Scott não nos prometeu isso. E, não é de hoje, eu não espero exegese e hermenêutica de Hollywood e acho uma bobagem essa gritaria de muitos cristãos-evangélicos- ponto final. O diretor há dias já vinha falando que a produção seria um filme de ação. E como ação é um bom filme de efeitos especiais. Então você pode perguntar: por que a decepção? Ora, o roteiro e adaptação são fracos. É claro que a licença poética para complementar e até adaptar a história bíblica poderia ser bem melhor. É nesse ponto que Scott estraga a história.

A narrativa sobre a vida de Moisés é uma das mais completas e ricas do Antigo Testamento. Sendo assim a produção tinha o desafio de montar um roteiro que fosse mais interessante do que a já complexa história do profeta. E isso não aconteceu. Ridley Scott é um grande diretor e, na minha visão,Gladiador (EUA, Reino Unido; 2000) é um glorioso exemplo. Agora, alguns de seus filmes como Exodus e Robin Hood (EUA, Reino Unido; 2010) deixam - ou deixaram- essa sensação de “poderia ter sido bem melhor”.

Ridley Scott é ateu. O filme é uma homenagem ao irmão e também diretor Tony Scott (1944- 2012) que cometeu suicídio ao pular da Ponte Vincent Thomas em Los Angeles, Estados Unidos. Tony era religioso e Ridley queria prestar uma homenagem. Bom, se eu fosse o irmão religioso dele não ficaria tão feliz com a descrição de Deus, que mais parece o demiurgo, feita pelo diretor não-religioso. E é bom lembrar: o mesmo já tinha sido feito no filmeKingdom of Heaven (EUA , Reino Unido , Espanha , Alemanha; 2005) do Ridley Scott.  
Há dois filmes de ação inteligentes do falecido Tony Scott que gosto muito:Enemy of the State (EUA, 1998) e Spy Game (EUA, Reino Unido; 2001), mas aí é outro assunto... 

Voltando ao Exodus vejamos os pontos positivos e negativos desse longa. E se você ainda não assistiu ao filme, cuidado, o meu comentário está cheio despoilers.

Pontos fracos

a) O retrato de Deus. Marcião ficaria feliz com esse filme,  pois seria a prova cabal de sua tese: o deus do Antigo Testamento é mau e nada tem com Cristo Jesus. No longa Deus parece mais um ídolo pagão: sempre intempestivo, inconsequente e caprichoso. Usar uma criança para retratar tamanha falta de graça e misericórdia parece ser um recurso proposital para chocar. Aliás, essa criança lembra um dos nomes do Demiurgo: Yaldabaoth,que é "a criança do caos". Não esqueço o comentário da minha irmã ao final do filme: aquele deus-garoto parecia mais com os demônios que atormentavam a Judas Iscariotes no filme The Passion of The Christ (EUA, 2004). No ateísmo de Scott Deus sempre é um sujeito amargo e isso já estava claro no filme Kingdom of Heaven, como dito acima.

b) O duelo de egos.  Resumir a libertação do Egito a um duelo de egos entre o irmão adotivo competente e o irmão legítimo fraco?! Bom, é um Shakespeare com Freud meio água com açúcar. Esse ponto talvez seja o pior do filme.

c) A gritaria contra esse “Deus, o matador de crianças”. Essa cena é simplesmente ridícula. Na hora pensei que os egípcios de 4 mil anos atrás já tinham passado pela modernidade. Seriam leitores de Jean-Jacques Rousseau? Ora, ora, nenhum povo naquele período xingaria uma divindade como “matadora de crianças”, logo porque esse tipo de sensibilidade não fazia parte do discurso religioso e político da época. Aliás, esses povos nem conheciam o conceito de criança como nós conhecemos hoje. Só na Idade Moderna é que a criança ganhou o status de um ser social. Antes era apenas um adulto em miniatura.

Pontos fortes

a) A lei é dada como uma instituição para base do povo israelita. A frase de Deus dizendo que “daria a lei porque líderes vacilam enquanto as pedras permanecem” é simplesmente fantástica. Scott captou muito bem a essência do Decálogo nessa simples cena.

b) A cena do luto noturno no Egito com a morte dos primogênitos. É uma cena forte e ao mesmo tempo que retrata bem o que o texto bíblico quis dizer: “E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não houvesse um morto” [Êxodo 12.30].

c) A cena onde Faraó exalta sua grandeza entre cadáveres do seu exército. É uma cena bonita, forte e com a velha e boa advertência contra a vacuidade.

É isso. No geral é um filme que merece nota 6. É medíocre não porque não seja bíblico, mas porque substituiu uma história forte por um roteiro mais fraco e até clichê.

Fonte: Blog Teologia Pentecostal

quinta-feira, 11 de setembro de 2014


Semanário mostra que perfil do eleitor brasileiro é conservador sem ser religioso
Com o crescimento de Marina Silva nas pesquisas, os analistas tem avaliado continuamente o que chamam de “voto evangélico”. Muitos estudiosos acreditem que não existe esse tipo de classificação, preferindo classifica-lo de “voto conservador”, pois muitas dessas questões são defendidas igualmente por católicos praticantes.

Basicamente, esse tipo de opção política lida com questões morais e de cunho religioso. Ao mesmo tempo, uma pesquisa do Instituto Ibope divulgada esta semana indica que a maioria dos eleitores brasileiros tem esse perfil conservador. Por exemplo, 79% são contra a descriminalização das drogas. O mesmo percentual é contrário à legalização do aborto e 53% rejeita o casamento gay. Ao pensar sobre pena de morte, 49% a rejeitam. A redução da maioridade penal é defendida por 80% dos brasileiros. Todas essas propostas são comumente citadas pelos políticos ligados à bancada evangélica.

Mesmo assim, quando os dois candidatos presidenciais evangélicos manifestam suas convicções, a mídia se apressa a relacioná-las com questões de fé. A revista Época, uma das mais influentes do país, dedicou a matéria de capa desta semana ao assinto. Basicamente, analisou as propostas de Marina Silva e do pastor Everaldo e a aceitação de suas propostas.

Em entrevista recente, Marina deixou claro que não gosta desse tipo de cobrança. Questionada pela enésima vez sobre como a religião afetas suas decisões, desabafou: “Essa pergunta é feita a mim porque sou evangélica, nunca vi ninguém fazendo essa pergunta a um líder católico ou a uma pessoa que não tenha crença. A fé de qualquer pessoa faz parte de sua vida e acho que deve ser respeitada tanto quanto quem não tem crença nenhuma”. A candidata ressaltou ainda ser “comprometida com o Estado laico”.

O fato é que Marina de um lado é cobrada publicamente por ter “mudado de ideia” sobre à união civil homossexual. Embora tenha se declarando anteriormente favorável, não quis que no seu programa de governo, fosse usado o termo “casamento”, que tem conotação religiosa.

Muitos líderes religiosos exigiram maior clareza dela sobre as leis envolvendo homofobia, bandeira histórica de seu partido. Até recentemente ela fugia do assunto, pois durante seu governo havia recuado na decisão de distribuir o material didático escolar apelidado que defende a causa homossexual, apelidado de “kit gay”.

Embora o Brasil ainda seja o país com o maior número de católicos do mundo, o percentual de evangélicos não para de crescer. Estatisticamente são 22% da população, ou seja, perto de 27 milhões de votos. Para o IBGE, se o crescimento detectado na última década persisitir, até 2022 o Brasil se tornará 50% evangélico.

Historicamente, Marina não tem ligação com a chamada bancada evangélica. O mais próximo desse movimento é o candidato Pastor Everaldo (PSC), da Assembleia de Deus. Ele já manifestou abertamente suas posturas sobre esses “temas polêmicos” e tem sido mais identificado agora pela sua defesa da privatização da Petrobras, posição que segundo o Ibope é rejeitada por 59% dos eleitores.

reportagem da Época destacou também como se dá a influência de líderes religiosos, citando uma pesquisa feita em 2002 pelo pastor e escritor Ariovaldo Ramos. Segundo ela, cerca de 25% eleitores escolhe o candidato seguindo a indicação de um pastor, padre, pai-de-santo ou equivalente.

A revista faz ainda a comparação de como, em 2002, o político evangélico Anthony Garotinho (PR-RJ) chegou a 18% dos votos para presidente. Em 2010, Marina Silva, concorrendo pelo PV, chegou a um patamar semelhante (19%). Agora em 2014, concorrendo pelo PSB, a candidata vence essa barreira dos 20% e aparece com chances reais de vencer Dilma no segundo turno. Neste caso, mesmo fugindo do rótulo de “candidata evangélica”, Marina consolidaria a ascensão política dos evangélicos brasileiros, num ano em bateu o recorde do número de candidatos que se identificam com esse segmento.

Segundo levantamento do Broadcast Político, do jornal Estado de São Paulo, nas eleições de 2014, existem 270 “pastores”, 33 “missionários” e 25 “bispos” evangélicos concorrendo a vagas no Congresso Nacional, nos Governos estaduais (em 26 estados) e nas assembleias legislativas. Os candidatos evangélicos são filiados a 16 partidos diferentes, sendo que pelo menos quatro foram criados por eles (PRB, PSC, PR e PEM). Os registros no Supremo Tribunal Eleitoral indicam que este ano, o número de candidatos declaradamente evangélicos cresceu 45%.

GospelPrime

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

OS 8 AIS DOS POLÍTICOS CORRUPTOS



Por Samuel Torralbo

A política como oficio da organização social deveria ser antes de qualquer coisa no mínimo uma vocação de serviço, solidariedade, e justiça por parte daqueles que se engajam nesta atividade. Porém, infelizmente são raros aqueles que possuem uma consciência sadia e minimamente humana, quando o assunto é responsabilidade política diante das necessidades sociais. Para a grande maioria dos políticos brasileiros infelizmente o cargo político é apenas um guichê de negócios ilícitos, que movimenta a maquina da corrupção, injustiça e desigualdade social. Muitos deles assinam contratos superfaturados com canetas que poderiam custear a cesta básica de inúmeras famílias brasileiras, outros fecham acordos ilícitos almoçando em restaurantes que a maioria dos brasileiros jamais cogitariam nem ao menos passar por perto, o cenário da corrupção política quase sempre é de luxo e ostentação, porém o seu espírito é miserável, diabólico e sórdido.

Se pudéssemos visualizar a alma de um político corrupto (caso ainda tenha restado algum resíduo de alma), certamente veríamos um leproso vampirizado, ou um zumbi vestido de terno de grife que domina a arte da verborragia e do engano.

Falta aos políticos corruptos a consciência, de que, enquanto assinam contratos ilícitos regado por vinhos e comida sofisticada, estão na verdade condenando milhares de brasileiros a morte em hospitais subumanos, estradas intrafegáveis, e extrema insegurança publica, etc.

Todo político corrupto é o estereótipo do anticristo, porque procuram desconstruir exatamente o único e essencial mandamento de Cristo Jesus: o amor a Deus e ao próximo!

Deste modo, a mesma alienação (com relação à consciência dos estragados causados pela corrupção) existe também com relação a colheita que todo político corrupto terá que fazer em algum momento da sua existência.

Porque será que muitos políticos corruptos fazem de suas próprias bandeiras políticas o seu “deus”? Certamente, porque a consciência do único e verdadeiro Deus Justo, defensor dos pobres, amigo dos aflitos, causa-lhes espanto e terror.

Estou ciente que, este artigo não chegará às mãos de muitos daqueles que de fato gostaria que chegasse, porque seria no mínimo proveitoso para eles (os políticos corruptos) se lembrarem de algumas coisas importantes relacionada à vida, ao próximo e a Deus, que poderiam salvar-lhes a alma e recuperar-lhes a decência.

No evangelho de Mateus (capitulo 22.13-33), estão registrado 8 ais de Jesus sobre a hipocrisia dos fariseus e escribas. Lembrando que são palavras de denúncia e repudio ao estilo de vida da classe que “representa” a religião da época.

Nos ais de Jesus contra a classe religiosa encontramos denuncias contra a hipocrisia, a injustiça, o orgulho, a desigualdade e a falsidade. De modo que, as acusações de Jesus contra os religiosos (fariseus e escribas) certamente pode respingar sobre os políticos corruptos que sempre estiveram presentes na história da humanidade, uma vez que, a semelhança dos ofícios (religioso e político) pode ser percebida no que diz respeito àquilo que seriam suas funções na prática: serviço e respeito ao próximo.

Deste modo, é válido listar e refletir sobre alguns ais que certamente acompanham toda a classe política corrupta, que insiste em afirmar através de suas atitudes que Deus não existe e que não pode ver aquilo que os homens praticam na terra, ledo engano! Mal sabem eles que no tempo oportuno tudo será revelado, inclusive as sentenças inexoráveis dos ais que lhes cercam sem que os percebam:

Primeiro ai: “Ai de vós políticos corruptos, vampiros! porque vivem de uma falsa aparência (sepulcros caiados), prometendo o bem e praticando o mal, discursando sobre a justiça e promovendo a injustiça, aplaudindo o tema da igualdade social enquanto que de fato viabilizam toda espécie de desigualdade humana através de uma agenda corrompida e profanada.”

Segundo ai: “Ai de vós políticos “cristãos”corruptos, hipócritas! porque se utilizam do nome de Deus para benefício próprio e mercadejam o rebanho de Cristo Jesus como reduto político através do engano e da mentira.”

Terceiro ai: “Ai de vós políticos corruptos, assassinos! porque promovem a morte através de uma péssima gestão do dinheiro publico, inviabilizando a saúde, o bem estar e a qualidade de vida social.”

Quarto ai“Ai de vós políticos corruptos, promotores da ignorância! porque retém do povo a educação com qualidade, que poderia libertados da ignorância, rompendo assim através do conhecimento a luz sobre a escuridão.”

Quinto ai: “Ai de vós políticos corruptos, mentirosos! porque enganam o povo com seus discursos elaborados por marqueteiros milionários, enquanto que, de fato quando eleitos pleiteiam suas próprias causas egoístas e narcisistas, se esquecendo do pobre e necessitado.”

Sexto ai: “Ai de vós políticos corruptos, obreiros do mal! porque elaboram leis débeis e frágeis para a proliferação do mal, para o estabelecimento da iniquidade como estilo de vida social e para a própria proteção pessoal, uma vez que são os maiores meliantes da sociedade.”

Sétimo ai: “Ai de vós políticos corruptos, insensíveis ao sofrimento! porque não escutam o clamor social, do pai que chora a morte do filho, da criança que é violentada, da mãe que enterra sua família, tudo por causa da insegurança social resultado da corrupção que praticam.”

Oitavo ai: “Ai de vós políticos corruptos, inimigos de Deus! porque sendo Deus amor e amigo do pobre, fazem de si mesmos inimigos do próprio Deus, acumulando através de seus próprios atos de injustiça a terrível expectativa do juízo eterno que lhes espera caso não se arrependam rápido!”

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Samuel Torralbo é colaborador do Púlpito Cristão, colunista do Gospel Prime, além de teólogo e pastor.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

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Por Rev. Leandro Lima


Algumas considerações me vêm a mente sobre a inauguração do “templo de Salomão” por Edir Macedo e a Igreja Universal. Antes de tudo é preciso “admirar” a capacidade administrativa e empreendedora deste homem. Ele, provavelmente, enriqueceria vendendo qualquer produto. Pena que escolheu vender a fé…

A grande habilidade do Macedo é saber aproveitar os “filões” do “mercado” religioso. Ele fez a Universal avançar nadando nas águas do sincretismo religioso brasileiro, especialmente na relação com as religiões afro-brasileiras e com o catolicismo popular. Se aproveitou dos símbolos, superstições e temores próprios dessas religiões para construir seu império baseado no slogan “pare de sofrer”, e na suposta vitória sobre os espíritos que produzem sofrimento. Ao invés de “sacrifícios físicos”, passou a exigir “sacrifícios financeiros”, no que se deu muito bem. Agora, mais uma vez, imitando o catolicismo e outras religiões sacramentais, ele estabelece um “santuário” com o objetivo de atrair multidões, e especialmente, contribuições.


Foto: Templo de Salomão? - IURD/SP
Em poucas palavras, entretanto, posso dizer que essa construção é uma aberração. Antes de tudo é uma aberração arquitetônica, pois tenta recriar algo de uma época que já passou e que não faz mais sentido no mundo atual. Além de ser um equívoco histórico, pois trata-se de uma cópia mal feita do templo de Herodes, aquele que foi reconstruído um pouco antes do tempo de Cristo. Por isso, em vez de Templo de Salomão, deveria ser chamado de “réplica do Templo de Herodes”. Mas nesse caso, não daria muito “marketing”…

Acima de tudo é uma aberração teológica. Imagino que ele não tenha ido tão longe ao ponto de fazer as divisões internas do templo (santo lugar, santo dos santos), até porque isso limitaria o número de pessoas lá dentro e, consequentemente, de ofertas. A menos que ele quisesse se entronizar lá dentro do Santo dos Santos… (a vantagem é que só um homem o veria uma vez por ano).

De qualquer maneira, é uma aberração teológica, pois tenta recriar, mesmo que em termos ilustrativos e comerciais, algo que o próprio Deus autorizou a destruição. Foi o Senhor Jesus quem disse, sobre aquele templo de Israel, que seria destruído e não sobraria pedra sobre pedra (Mt 24.1ss). De certo modo, ao reconstruir o simbolismo, ele está erguendo novamente algo que Deus quis que terminasse. E a razão é simples: Jesus é tudo aquilo que o Templo de Israel prefigurava. Jesus cumpre em sua pessoa todas as promessas e realizações do antigo Templo. Reconstrui-lo, mesmo que apenas como uma homenagem ou dedicação, é uma forma de praticar tudo aquilo que o livro de Hebreus condena, é um modo de rejeitar a Cristo e a tudo o que ele fez.

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Fonte: Perfil do autor no Facebook
Via: Reformers
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Por Rev. Herman Hoeksema


A reprovação está imediatamente conectada com a eleição, mas não pode ser colocada a par com a eleição. A reprovação segue a eleição, e a reprovação serve à eleição. A reprovação tem o seu motivo na vontade divina de realizar o pacto na forma antitética de pecado e graça. A plenitude da deidade habita no Cristo ressurreto. Da profundeza de miséria e morte, Cristo entra na glória da plena vida pactual de Deus. Esse caminho do sofrimento à glória, do pecado à justiça do reino dos céus, da morte para a vida, a igreja deve seguir. À medida que a igreja segue esse caminho, a casca réproba do organismo humano serve à igreja em Cristo. Na casca da reprovação o núcleo eleito se torna maduro. Por essa razão, a reprovação não pode ser colocada na mesma linha da eleição. 

A eleição é a pré-ordenação divina da igreja, com seus milhões de eleitos, para a salvação da vida do pacto de Deus em Cristo. A igreja serve a Cristo. A igreja eleita é dada a Cristo como o seu corpo. Ela deve servir para manifestar e radiar numa forma multiforme a glória que está em Cristo Jesus, que é a glória de Deus. Por essa razão, os eleitos são aqueles que são dados pelo Pai a Cristo. Aqueles que são dados formam uma unidade. Todo aquele (no singular) que o Pai me dá, esse virá a mim; e aqueles (no plural) que vêm a mim, de modo nenhum os lançarei fora (João 6:37, versão do autor). 

Esse é o ensino da Escritura. Novamente, essa apresentação tem sido objetada que a palavra eleição é uma tradução do grego ἐκλογή, que na verdade significa “escolher dentre”. Disso é argumentado que se é possível falar de eleição ou escolha dentre, então a multidão da qual a escolha é feita deve ser pressuposta existir. Aplicado à eleição eterna, isso significaria que no decreto de Deus a multidão de homens dentre a qual Deus elege seu povo deve preceder a própria eleição. Conclui-se então que no conselho de Deus o decreto de criação e a permissão da queda certamente devem preceder o decreto de predestinação. Por conseguinte, Deus escolheu dentre uma multidão de homens caídos. 

Por detrás dessa apresentação reside indubitavelmente a boa intenção de não fazer de Deus o autor do pecado. Podemos observar, primeiro, que de fato deve estar longe de nós o fazer de Deus o autor do pecado. Contudo, é uma questão inteiramente diferente se Deus deve ou não ser apresentado como a causa decretadora do fato da queda e do fato do pecado. Se não queremos destronar Deus e apresentar Deus e o pecado como um dualismo, certamente devemos manter que Deus é a causa decretadora do fato do pecado. 

Segundo, o infralapsariano, a despeito de todas as suas boas intenções, não resolve no final das contas o problema do pecado em relação a Deus mais que o supralapsariano o faz. O infralapsariano também terá que dar ao pecado um lugar no decreto de Deus. 

Com respeito à argumentação a partir da palavra ἐκλογή (eleger), podemos dizer que ela reside num mau entendimento. Esse equívoco é que a pessoa aplica a Deus o que é aplicável somente aos homens. Quando os homens elegem, nada vem à existência por causa disso. Os homens podem apenas fazer distinção e separação. Por conseguinte, quando os homens escolhem, aquilo dentre o qual a escolha é feita deve existir primeiro. Mas com Deus é exatamente o oposto. Com ele a eleição é causal, criativa e divina. 

Essa distinção é a mesma daquela entre a palavra divina e a palavra humana. A palavra de Deus é criativa. Essa palavra vem primeiro. A coisa que vem à existência por meio da palavra vem em seguida. A palavra do homem pode ser apenas uma imitação da palavra de Deus. Antes que o homem possa falar, a coisa criada deve primeiro ter vindo à existência pela palavra de Deus. O mesmo é verdade da eleição. Quando Deus em seu decreto escolhe dentre, então por meio desse decreto a diferenciação ou a multidão diferenciada vem à existência. Em outras palavras, a eleição de Deus é primeiro de tudo pré-ordenado para a salvação e para a glória da vida pactual em Cristo. 

Assim é na Escritura. Em outra conexão já apontamos o fato que a Escritura fala de uma eleição antes da fundação do mundo: “Nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef. 1:4). Isso não significa que esse “antes da fundação do mundo” é simplesmente antes do mundo ou da fundação do mundo no tempo. A eternidade, na qual reside o decreto de Deus, não precede o tempo, mas está muito acima do tempo; ela não é tempo. 

Além disso, a Escritura frequentemente fala do fato que Deus conhece o seu povo: 

Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm. 8:29, 30). 

Em 1 Pedro 1:2 lemos: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. 

Esse pré-conhecimento de Deus não pode e não deve ser explicado de uma forma humana, como o arminiano deseja explicá-lo. Então pegamos a ideia de uma presciência de Deus, de um ver desde a eternidade quem irá e que não irá crer em Cristo e perseverar até o fim, e de uma eleição baseada sobre esse pré-conhecimento. De acordo com tal apresentação, o que é aplicável somente ao conhecimento humano é aplicado a Deus. Antes, esse pré-conhecimento de Deus é um conhecer criativo de amor, pelo qual o objeto vem a estar diante de Deus, e a corrente de amor soberano jorra dele. Somente nessa luz podemos entender uma passagem como Isaías 43:4 (ARA): “Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida”. Devemos ver na mesma luz Isaías 49:16: “Eis que, na palma das minhas mãos, te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim”. 

Essa, então, é a conclusão do assunto concernente ao pacto de Deus: Deus quer revelar sua vida pactual gloriosa a nós; como o Deus triúno ele ordena seu Filho para ser Cristo e Senhor, o primogênito de toda a criação, o primogênito dentre os mortos, o glorificado, em quem habita toda a plenitude da divindade; para esse fim ele ordena a igreja e lhe dá a Cristo, e ele elege por seu nome todos aqueles que na igreja terão um lugar para sempre, para que a plenitude (πλήρωμα) de Cristo possa cintilar numa variação multiforme na igreja para o louvor de sua glória. Ao redor desse Cristo e sua igreja e desse propósito da revelação da glória da vida pactual de Deus, todas as coisas no tempo e na eternidade duradoura se concentram. O fim disso tudo é que nos prostremos em adoração perante esse glorioso Deus soberano e exclamemos, 

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém! (Rm. 11:33-36). 

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Fonte: Reformed Dogmatics – Volume 1, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, pg. 477-80.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O SANTUÁRIO DO MACEDO




Por Euder Faber Guedes Ferreira

Está marcada para o dia 31 deste mês a inauguração do "Templo de Salomão", réplica super dimensionada pela assim chamada Igreja Universal do Reino de Deus, presidida pelo autodenominado bispo Edir Macedo. Alguém talvez questione: por que o local construído foi posto com aspas? Por que a ressalva em relação ao nome da igreja? Por que, ao se referir ao presidente dessa igreja, foi informado que é um bispo autodenominado? Vamos lá: primeiro porque essa réplica, na verdade, não é réplica, mas uma representação que não tem nada a ver com as dimensões e características do Templo construído por Salomão há cerca de 3 mil anos. Segundo, porque essa igreja não condiz com o seu nome, pois não propaga o Reino Deus, mas as percepções do seu líder, e talvez ficasse melhor se fosse denominada: Igreja Universal do Reino de Macedo. E por último, a verdade é que o guia maior dessa igreja, se assim podemos chamá-la, se autodenominou bispo, que na verdade é uma terminologia bíblica, mas que tomou outras feições com o advento do catolicismo que Edir Macedo tanto critica.

Estamos assistindo a mais uma aberração idealizada por esse senhor. Construir um prédio com a pretensão absurda que Deus ali habitará, como afirmou um dos seus líderes: “o lugar que Deus escolheu para habitar”. O próprio Jesus afirmou que não existe um lugar específico para adorar a Deus (Jo 4), mas que as pessoas que O adoram verdadeiramente, o fazem "em espírito e em verdade", ou seja, em qualquer lugar, com a sua vida, no seu corpo que é o Templo do Espírito Santo, como escreveu o apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios.

Na verdade, isso é mais uma jogada de marketing dessa igreja, que na última década não cresceu e perdeu mais de 10% de sua membresia, principalmente para seus concorrentes tão heréticos como o próprio Macedo, a exemplo do assim intitulado e autodenominado "Apóstolo" Veldemiro Santiago.

Eu não me surpreendo com essas coisas, muito embora fique indignado, pois as Escrituras já nos alertam para essas coisas, e esse tipo de gente, que em nome da fé em Deus exploram os incautos. Contudo, essas pessoas não tardarão em responder por seu engodo diante do Todo Poderoso. Encero esse breve texto com a exortação de um verdadeiro Apóstolo de Cristo, o Apóstolo Paulo, que deu sua vida na propagação do evangelho e na edificação da Igreja de Cristo:

"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; e de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos."(Atos 17:24-31)

Maranata!


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Euder Faber é presidente da VINACC, entidade que tem por objetivo promover a cosmovisão cristã e a defesa do Evangelho de Cristo.

BISPO MACEDO, UM FALSO PROFETA QUE PREGA UM FALSO EVANGELHO


A inauguração Templo de Salomão pela bispo Edir Macedo, seus falsos ensinamentos e a banalização da graça, bem como a pregação de um falso evangelho fazem do líder da IURD um falso profeta.

A foto ao lado não me deixa mentir. Vestido como um "sacerdote", com as "tábuas da lei" ao lado, recheado de misticismo Macedo afronta o Evangelho.

Eu já havia escrito um texto onde afirmei que a Igreja Universal do Reino de Deus definitivamente não é uma igreja evangélica. Hoje eu escrevo outro afirmando que o seu fundador, Edir Macedo é um falso profeta.

Edir Macedo Bezerra é carioca, tendo nascido em 1945. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa, ambos católicos praticantes. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”.

Em 1975, Edir Macedo foi consagrado pastor na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Dois anos depois juntamente com Carlos Rodrigues fundou a Igreja Universal do Reino de Deus onde tem ensinado e pregado um evangelho diferente do evangelho de Cristo.

O principal foco de Edir Macedo é a “luta” contra os demônios da pobreza além obviamente da espúria teologia da prosperidade. Em todos seus templos enfatiza-se a libertação dos espíritos, e a prosperidade financeira, usando para isso métodos onde o sincretismo e a mistura de crenças e fé se fazem presentes.

As doutrinas ensinadas por Macedo são repugnantes. Para curar ou operar milagres em uma pessoa, os "macedianos" fazem qualquer negócio. Em outras palavras isso significa vender "pedras da tumba de Jesus", comercializar " a água benta do rio Jordão", distribuir "a rosa milagrosa", empurrar goela abaixo "sal abençoado pelo Espírito Santo", além de reconstruir aquilo que Jesus destruiu". Se não bastasse isso, Edir Macedo defende o aborto, relativiza a ética, e sincretiza o evangelho expulsando dos fiéis “encostos” em “sessões de descarrego.”Caro leitor, como já afirmei a Igreja Universal do Reino de Deus não é uma Igreja protestante ou evangélica, assim também como seu fundador não pode ser considerado crente em Jesus.

Minha oração é que Deus tenha misericórdia do bispo Macedo e que ele venha a se arrepender de seus ensinos, pecados e heresias.

Renato vargens

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Fonte: Blog do Renato.
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Por Daniel Doriani


Um estudioso da Bíblia entra na cozinha de um amigo e vê um imã fixando um plano de dieta na porta da geladeira. O plano diz: “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” (Jr 29.11 NVI). Esse amigo em dieta está interpretando a Bíblia corretamente? O primeiro princípio da interpretação é “leia contextualmente”. O estudioso da Bíblia pensa consigo mesmo: “Ele sabe que Jeremias falava aos líderes de Israel que estavam no exílio na Babilônia? Que uma palavra falada à nação de Israel não é necessariamente uma promessa pessoal a cristãos individuais?” O estudioso se preocupa: “Meu amigo pensa que Deus prometeu prosperá-lo através desse plano de dieta?” Ou o treinamento do estudioso o deixou louco? “Talvez meu amigo simplesmente queira lembrar que Deus é por seu povo”, o estudioso pensa, “inclusive por ele mesmo”.

Nós confessamos que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas a menos que a leiamos e a interpretemos apropriadamente, nossa confissão é uma mera formalidade. Uma exegese bíblica correta é essencial se esperamos conhecer e agir a partir da verdade bíblica. Uma interpretação correta possui dois elementos: o técnico e o pessoal. Do lado técnico, devemos ler a Bíblia de acordo com a gramática e o léxico da época. Não é suficiente saber o que palavras como carne, aliança, juiz, talento, escravo ou justificação significam hoje; nós devemos saber o que elas significavam naquela época. Em segundo lugar, devemos ler o texto em seus contextos literário e cultural.

A frequente ordenança “saudai uns aos outros com ósculo santo” (Rm 16.16; 1Co 16.20; 2Co 13.12; 1Ts 5.26; 1Pe 5.14) ilustra ambos os princípios. No ocidente, nós ingenuamente assumimos que esse beijo é algo para pessoas do primeiro século fazerem, mas não para nós. Mas não podemos simplesmente desconsiderar uma ordenança; nós devemos investigar. Quando fazemos isso, descobrimos que o “beijo” se tratava de um toque ritual de bochechas, não de lábios, e que era sempre de homem para homem ou de mulher para mulher, não de homem para mulher. Culturalmente, o beijo demonstrava amizade, afinidade e afeição. Portanto, para obedecer a ordenança em nossa cultura, nós avaliamos como nós demonstramos lealdade e afeição, e praticamos isso. A exegese correta descobre que o beijo em si não é a preocupação de Paulo. Ao invés disso, ele deseja que os crentes demonstrem lealdade e afeição de formas que possam adequar-se a cada cultura.

Leitores sérios possuem uma pergunta tríplice a respeito da interpretação bíblica: o que significava, o que significa e como isso se aplica? A pergunta é ainda mais urgente quando discípulos perguntam: quando eu interpreto uma afirmação literalmente e quando eu a interpreto de forma figurada? Quando devemos obedecer uma ordenança literalmente e quando não devemos? Nós respondemos essas questões estudando uma passagem em seu contexto cultural.

Tome, por exemplo, a questão de cobrir a cabeça e dos cabelos longos das mulheres (1Co 11.2-16). O véu é uma questão em si mesmo ou é um sinal de alguma coisa? Tradicionalmente, muitos cristãos tomaram a prescrição do véu como permanentemente obrigatória. Mesmo hoje, muitos insistem que o princípio permanente da autoridade masculina no lar significa que as mulheres devem cobrir as suas cabeças na igreja. Outros, contudo, argumentam que cortes de cabelo variam imensamente entre e dentro de culturas, e carregam pesos simbólicos variáveis. Os primeiros presidentes dos Estados Unidos usavam perucas e, até 1915, a maioria possuía pêlos faciais proeminentes. Retratos greco-romanos mostram que mulheres respeitáveis cobriam seus cabelos e os deixavam presos, não soltos. Hoje, mulheres casadas piedosas perguntam como sua aparência pode demonstrar respeito por seus maridos.

Uma segunda maneira de compreender o significado e a aplicação da Bíblia é seguindo a progressão de pensamento em uma passagem. Por exemplo, uma mulher certa vez disse a Jesus: “Bem-aventurada aquela que te concebeu, e os seios que te amamentaram!” (Lc 11.27). Esse louvor à mãe de Jesus parece estranho, mas naquela cultura as pessoas acreditavam que mulheres podiam encontrar grandeza ao dar à luz um grande filho. Ela pretendia bendizer Jesus ao bendizer Maria. A resposta de Jesus é intrigante: “Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!” (v. 28). O termo antes sugere que Jesus pretende gentilmente corrigi-la. Antes significa “sim, mas há mais”. O elogio dela é louvável, mas ela sutilmente diminui o sexo feminino ao assumir que uma mulher encontra grandeza através da ligação com um grande homem. Embora isso não seja inteiramente falso, uma mulher encontra verdadeira grandeza ao se tornar um fiel discípulo. Nesse caso, a exegese correta exige recursos. Qualquer comentário cuidadoso vai abordar os fatores culturais em Lucas 11. Dicionários bíblicos e enciclopédias bíblicas também são grandes auxílios.

Uma exegese adequada neste caso também requer que observemos a sutil mudança marcada pela palavra antes. Leitores cuidadosos prestam atenção em termos que significam uma mudança no pensamento. Quando uma passagem contrasta ideias, tira conclusões ou faz concessões, nós frequentemente vemos termos como mas, ou, ademais, ainda, visto que, pois, porque, então, portanto, a fim de que, e muito mais.

O discurso bíblico frequentemente deixa o ponto principal claro ao colocá-lo primeiro ou por último em uma passagem, ou repetindo-o (Sl 103.1-2; Tg 2.17, 20, 26). Mas devemos ler cuidadosamente para ver como a passagem alcança ou desenvolve o ponto principal. Por exemplo, o tema de Romanos 3.21-4.25 é a justificação pela fé somente, mas a função de 4.1-8 não é imediatamente óbvia. A frase é assim também que Davi declara (4.6) mostra que há alguma conexão. Uma reflexão demonstra que a conexão é: sabendo que aquela única declaração a respeito da justificação pela fé não será suficiente, Paulo ilustra seu ponto através dos heróis da fé, Abraão e Davi. A lição: nem mesmo Abraão, com suas incríveis ações, foi salvo pelas obras. E mesmo Davi, com seus terríveis pecados, foi perdoado e justificado pela fé. Se esses dois são justificados pela fé somente, todos os crentes são.

Nós temos muitos livros excelentes sobre métodos de estudo bíblico. Juntos eles respondem nossas perguntas comuns. Por exemplo, quando lemos história, deveríamos preferir a interpretação literal da Escritura, em que um monte é um monte. Ainda assim, o ensino de Jesus e dos profetas irrompe em metáforas, hipérboles e ironias. Jesus fez perguntas profundas esperando respostas, enquanto se recusava a dar uma resposta direta para metade das perguntas que lhe faziam. Jesus interpretou algumas parábolas (Mt 13.3-43), mas nos deixa tentar decifrar outras (v. 37). Semelhantemente, o Apocalipse ocasionalmente oferece dicas a respeito da interpretação apropriada de seus símbolos (por exemplo, Ap 12.7-12).

Moisés e Paulo possuíam um estilo linear e proposicional, mas Jesus e a maioria dos profetas amam poemas, parábolas e analogias que nos prendem com sua vivacidade, ou sua estranheza, e nos convidam a pensar. Quando nós os lemos, um monte pode ser um lugar de rebelião. Nesse sentido, Jeremias 51.25 chama a Babilônia, uma cidade localizada em uma vasta planície, de um “monte que destrói”. Semelhantemente, enquanto a maior parte das narrativas enunciam imediatamente a mensagem, outras se esticam por páginas sem fazê-lo. Se mantivermos a atenção no estilo ou no gênero de cada livro, essas coisas se tornam claras. Em sua sabedoria, Deus escolhe nos entregar verdades básicas como “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15). Mas ele nos deixa lutar para entender outros princípios.

Ocasionalmente, Jesus escolheu ser enigmático como repreensão àqueles que se recusavam a ouvir a sua palavra ou a prestar atenção aos seus sinais (Mt 13.11-17; veja Am 8.11; Jo 8.45). Ainda assim, a Bíblia não é poesia elitista que pretende causar perplexidade. Deus nos deu a sua Palavra para que crêssemos nele, para que o amássemos pactualmente e para que o seguíssemos. João disse que recontou os sinais de Jesus “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30-31).

Conforme consideramos repreensões e fé, nós entramos no ângulo pessoal da interpretação. Os profetas e Apóstolos sabiam que suas palavras encontrariam rejeição e distorção deliberada (Jr 36.23; 2Pe 3.16), não apenas interpretação errônea comum. Portanto, Deus nos diz que se nós lermos a Bíblia corretamente em um nível pessoal, nós o conheceremos e seremos conformados a Ele. Visto que ele “faz misericórdia, juízo e justiça”, nós também deveríamos fazê-lo (Jr 9.24; 22.3). Nós deveríamos nos tornar mais como Deus em nosso caráter e nossas práticas (Rm 8.29; Ef 4.32-5.2).

O ângulo pessoal explica por que a Bíblia, diferentemente de outros livros, nos conta como lê-la. Jesus diz que devemos ler integralmente, procurando por seu sofrimento e glória (Lc 24.25-27; Hb 2.9; 1Pe 1.11). Paulo diz que a Escritura pode “tornar-te sábio para a salvação” (2Tm 3.15). Os Salmos ordenam que o povo de Deus medite na Palavra para encontrar vida (Sl 1; 19; 119). Provérbios encoraja os leitores a valorizar a sabedoria e encontrar bênção (Pv 2.1; 7.1). Tiago 1.22 diz: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. Paulo diz que devemos ler através do Espírito ao invés da letra da lei (2Co 3.6).

A Escritura também nos fala sobre como não ler. Jesus frequentemente censurou os líderes judeus por lerem a Escritura erroneamente, perguntando: “Não lestes?” (por exemplo, Mt 12.3-5; 19.4; 21.16, 42; 23.31). Jesus não questionou a escolaridade ou os hábitos de leitura deles. Eles liam a Escritura, mas falhavam em compreender o seu significado. Em quatro ocasiões, eles perderam de vista o testemunho de Jesus. Uma vez, eles seguiram a letra da lei e perderam a sua intenção.

Em Mateus 19, os fariseus perguntaram: “É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?” (Mt 19.3). Jesus respondeu, perguntando-lhes se haviam lido que Deus criou a humanidade macho e fêmea para tornarem-se uma só carne (vv. 4-6). Ainda assim, muitos fariseus a liam erroneamente, transformando regulamentos que intentavam restringir o divórcio em bases para facilitar o divórcio. Eles perderam de vista o plano de Deus — que marido e mulher devem permanecer juntos.

Em Mateus 12, os fariseus novamente leram erroneamente quando acusaram Jesus de violar o sábado permitindo que seus discípulos colhessem grãos dos campos enquanto viajavam. Eles não tinham lido como Davi e seus companheiros comeram pão consagrado, o que era ilícito, porque tinham fome (v. 3; veja 1Sm 22)? Se eles tivessem lido a Escritura corretamente, eles saberiam que Deus diz: “Misericórdia quero, não sacrifício” (v. 7; veja Os 6.6). Isso significa que a verdadeira necessidade humana pesa mais do que regulamentos do templo e do sábado. Além disso, “aqui está quem é maior que o templo” (Mt 12.6). Isto é, se sacerdotes têm permissão de servir em um espaço que representa a presença de Deus, então os discípulos podem fazer qualquer coisa que seja necessária para auxiliar Jesus, pois ele é a presença de Deus.

Esses casos de leitura errônea demonstram que a correta exegese exige mais do que métodos apropriados. Não podemos fazer justiça à Escritura a menos que percebamos, como Agostinho disse, que o propósito final da Escritura é aumentar o “duplo amor a Deus e ao próximo”. Cristãos leem bem a Escritura quando buscam isso por si mesmos e pelos outros, e então fazem discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20). Que leiamos a Bíblia de tal maneira que nos tornemos “homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2Tm 2.2).

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Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Alan Cristie

sábado, 7 de junho de 2014

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Por Rev. Antônio dos Passos Pereira


Em recente pesquisa sobre o movimento apostólico no Brasil, o Rev. Augustus Nicodemus Lopes[1] afirmou que já existem mais de 12 mil apóstolos no país, reconhecidos nas últimas duas décadas. A grande questão é se os tais, de fato, são apóstolos nos termos apresentados pela Palavra de Deus. As Escrituras Sagradas, como nossa única fonte de autoridade dada à Igreja pelo próprio Deus, deve ser o instrumento por meio do qual podemos discernir o que é falso e verdadeiro. Somos, portanto, impelidos pelo Espírito Santo a mantermos nossas interpretações sempre submissas à Verdade de Deus, deixando que a própria Bíblia verse sobre o assunto, nos atendo apenas à exposição fiel daquilo que o Senhor revelou pelos seus santos profetas e apóstolos.

Quanto ao tema proposto, antes de discorrermos propriamente sobre os falsos apóstolos, devemos conhecer o que a Bíblia ensina sobre os verdadeiros; e ela nos aponta claramente, tanto as credenciais de um apóstolo de Cristo como a abrangência de sua atuação na história da redenção. Vejamos, então, quais são as credenciais de um apóstolo.

Em primeiro lugar, um apóstolo de Cristo deve ter sido chamado e constituído APÓSTOLO pelo próprio Senhor Jesus. É o que se deve concluir dos dois trechos abaixo:

E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu DOZE DENTRE ELES, aos quais deu também o nome de APÓSTOLOS: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Felipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor” (Lucas 6.13 e 16).

Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o Evangelho, para o qual FUI DESIGNADO pregador, APÓSTOLO e mestre. (2 Timóteo 1.8-11).

Em segundo lugar, um apóstolo de Cristo deve ter sido instruído pessoalmente pelo Senhor Jesus. Os doze, bem como Matias e Paulo foram orientados pelo próprio Mestre. Os primeiros, andando com Ele e testemunhando todas as coisas com seus próprios olhos; e Paulo, como um fora de tempo, segundo ele mesmo o descreve, recebendo revelações diretas do Senhor. Sobre a escolha de Matias, recomendo a leitura de um trecho do livro de Abraham Kuyper: A obra do Espírito Santo[2]. Vejamos o que diz os versos abaixo:

O que era desde o princípio, o que TEMOS OUVIDO, o que TEMOS VISTO com nossos próprios olhos, o que CONTEMPLAMOS, e as NOSSAS MÃOS APALPARAM, com respeito ao verbo da vida [...] o que TEMOS VISTO E OUVIDO ANUNCIAMOS também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo” (1 João 1.1 e 3).

Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o RECEBI, nem o APRENDI de homem algum, mas MEDIANTE REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO” (Gálatas 1.11-12).

Em terceiro lugar, um apóstolo de Cristo deve ter recebido autoridade para realizar sinais, milagres e prodígios em Seu nome. Os Evangelhos e o livro de Atos mostram claramente que o poder de operar milagres, sinais e prodígios em grandes proporções era prerrogativa apenas de Cristo e dos seus apóstolos, como nos indicam os versos a seguir:

Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos POR INTERMÉDIO DOS APÓSTOLOS. (Atos 2.43).

Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo PELAS MÃOS DOS APÓSTOLOS. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no pórtico de Salomão. (Atos 5.12).

Pois as CREDENCIAIS DO APOSTOLADO foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, POR SINAIS, PRODÍGIOS E PODERES MIRACULOSOS. (2 Coríntios 12.12).

E por fim, um apóstolo de Cristo deve ter visto o Senhor Jesus vivo, morto e ressuscitado, bem como dado testemunho disto diante dos homens. E esta parece ser uma das mais relevantes dentre todas as credenciais de um apóstolo.

É necessário, pois, que, dos HOMENS QUE NOS ACOMPANHARAM TODO O TEMPO QUE O SENHOR JESUS ANDOU ENTRE NÓS, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne TESTEMUNHA CONOSCO DA SUA RESSURREIÇÃO. (Atos 1.21-22). (Leia sobre a escolha de Matias[3]).

Com grande poder, os APÓSTOLOS DAVAM TESTEMUNHO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR JESUS, e em todos eles havia abundante graça. (Atos 4.33).

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E APARECEU A CEFAS E, DEPOIS, AOS DOZE. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Depois, foi VISTO TAMBÉM POR TIAGO, mais tarde, POR TODOS OS APÓSTOLOS e, afinal, depois de todos, FOI VISTO TAMBÉM POR MIM, como por um nascido fora de tempo. Porque eu SOU O MENOR DOS APÓSTOLOS, que mesmo não sou digno de ser chamado APÓSTOLO, pois persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. (1 Coríntios 15.3-10).

Além das credenciais acima expostas, uma verdade crucial e fundamental a respeito dos verdadeiros apóstolos de Cristo foi registrada pelo Apóstolo João no livro de Apocalipse:

E me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus [...] A muralha da cidade tinha DOZE FUNDAMENTOS, e estavam sobre estes os DOZE NOMES DOS DOZE APÓSTOLOS DO CORDEIRO” (Apocalipse 21.10 e 14). – Sobre o nome de Matias e Paulo leia o texto recomendado anteriormente[4].

Trata-se de uma revelação sobre à consumação dos tempos. Nela o Senhor mostrou os NOMES APENAS DOS DOZE APÓSTOLOS DO CORDEIRO escritos nos fundamentos da cidade santa. Isto implica que nenhum outro nome foi escrito, senão os nomes dos doze verdadeiros apóstolos de Cristo. O que dizer dos que hoje ainda se intitulam apóstolos? Em que parte das Escrituras eles se encaixam para serem recebidos pela igreja como tais?

É possível que haja crentes verdadeiros que estejam em posição de falsos apóstolos? Certamente que sim. Por certo, por terem recebido falsos ensinos a este respeito e porque foram ou induzidos ou tentados a pensarem que tenham recebido de Deus tal vocação. No entanto, se verdadeiros crentes ou não, não deixam de ser falsos apóstolos. Infelizmente a maioria deles são ímpios, instrumentos de Satanás, movidos pelo e para o engano.

Passemos então, às doze verdades a respeito desses falsos apóstolos. Considerando que o chamado “ministério apostólico” no Brasil, chegou trazendo novos ensinos e novas revelações – incluindo aquele referente à “restauração do ministério apostólico”, aqueles que assim procedem devem ser vistos também como falsos mestres e falsos profetas. Em nenhum lugar das Escrituras encontramos base para tal ensino. Vejamos o que a Bíblia diz sobre eles:

1. Falsos apóstolos não são estranhos de fora, mas se levantam entre o povo de Deus. Não se enganem, eles surgem entre os salvos, de onde menos se espera. Estão na igreja visível e, em geral, em cargos de liderança, gozam de relativa autoridade sobre a igreja e até conseguem enganar a muitos, fazendo-se reconhecidos como líderes de grande credibilidade, mas não passando de falsos profetas e falsos mestres. A este respeito o Apóstolo Pedro nos advertiu:

Assim como, NO MEIO DO POVO, surgiram falsos profetas, assim também surgirão ENTRE VÓS falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2 Pedro 2:1).

2. Falsos apóstolos são autodeclarados. Eles se levantam diante do povo de Deus asseverando terem recebido de Deus tal vocação ou usando a autoridade de outros apóstolos, também autodeclarados, para que sejam recebidos pela igreja de Deus como tais. Apocalipse registra casos semelhantes na igreja de Éfeso; homens maus que se dizem apóstolos sem de fato o serem. Vejam as palavras do Senhor Jesus à Igreja:

Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova OS QUE A SI MESMOS SE DECLARAM APÓSTOLOS, E O NÃO SÃO, e tu os achaste mentirosos .” (Apocalipse 2:2).

O grande problema dos cristãos que fazem parte dos ministérios desses líderes é que foram ensinados, sob ameaça de maldição, a não colocarem esses homens à prova, sob o argumento de que não se pode tocar “no ungido do Senhor”.

3. Falsos apóstolos são bons imitadores dos verdadeiros apóstolos. Estes tais têm a capacidade de, por suas obras fraudulentas, convencerem pessoas de que são apóstolos como os verdadeiros apóstolos de Cristo. São imitadores baratos, instrumentos de engano, que muitas vezes enganam até a si mesmos. O Apóstolo Paulo denuncia estes falsos apóstolos em uma de suas cartas aos coríntios:

Porque os tais são FALSOS APÓSTOLOS, OBREIROS FRAUDULENTOS, TRANSFORMANDO-SE EM APÓSTOLOS DE CRISTO. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. (2 Coríntios 11.13-14).

Aqueles que os seguem não tem a coragem de submetê-los ao crivo bíblico das credenciais apostólicas.

4. Falsos apóstolos reivindicam para si sinais do apostolado verdadeiro. De alguma forma falsos apóstolos conseguem demonstrar por meio de enganos alguns sinais das credenciais dos verdadeiros apóstolos e se apresentam diante da Igreja, e até mesmo do próprio Deus, esperando que seus sinais sejam aceitos e cridos como verdadeiros. A esse respeito o Senhor Jesus alertou:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! PORVENTURA, NÃO TEMOS NÓS PROFETIZADO EM TEU NOME, E EM TEU NOME NÃO EXPELIMOS DEMÔNIOS, E EM TEU NOME NÃO FIZEMOS MUITOS MILAGRES? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. (Mateus 7:21-23).

Se estes tais não são recebidos por Cristo, ainda que tenham sinais, também não devem ser recebidos pela igreja.

5. Falsos apóstolos gloriam-se de serem “iguais” aos verdadeiros. Movidos pelo auto-engano e pelo desejo de terem o maior número de pessoas os seguindo, acreditando e afirmando terem o poder e a vocação dados aos apóstolos, os falsos se gloriam de serem como os verdadeiros, apresentando-se deste modo e exigindo que sejam tratados como tais. Veja o que nos disse o Apóstolo Paulo sobre eles:

A verdade de Cristo está em mim; por isso, não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia. Por que razão? É porque não vos amo? Deus o sabe. Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que A BUSCAM COM O INTUITO DE SEREM CONSIDERADOS IGUAIS A NÓS; NAQUILO EM QUE SE GLORIAM. (2 Coríntios 11.12-14).

6. Falsos apóstolos tem aparência de manifestações de poder. Uma das características dos falsos apóstolos é a capacidade de atrair pessoas pelo anúncio e pela realização de “sinais” de poder, em geral sem chances de comprovação. O fato é que eles impressionam, cativam e escravizam seus seguidores pregando uma necessidade de experimentar o “poder” de Deus. O próprio Senhor Jesus avisou aos seus discípulos que estes tais apareceriam e enganariam a muitos com seus “sinais de poder”:

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas OPERANDO GRANDES SINAIS E PRODÍGIOS PARA ENGANAR, se possível, os próprios eleitos. (Mateus 24:24).

7. Falsos apóstolos são eficazes na arte de disfarçar suas mentiras e enganos. Eles são dissimulados, apresentam-se cheios de promessas vazias, portando-se de tal modo que suas mentiras não podem ser facilmente descobertas. Seus seguidores ficam tão extasiados com suas promessas que perdem a capacidade de julgar tudo antes de reter qualquer coisa. Como não são preparados para identificar falsidades, dão crédito às mentiras como se fossem verdades. Foi também o Senhor Jesus quem nos alertou sobre isso:

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que VÊM ATÉ VÓS VESTIDOS COMO OVELHAS, MAS, INTERIORMENTE, SÃO LOBOS DEVORADORES. (Mateus 7:15).

8. Falsos apóstolos tem aparência de piedade. As pessoas gostam de líderes com aparência de espiritualidade. Aparência de piedade é um meio eficaz de promover o engano e cativar pessoas, especialmente àqueles que aprendem sem reter a verdade. Os falsos apóstolos tem aparência de piedade, mas seu caráter é contraditório:

TENDO APARÊNCIA DE PIEDADE, mas negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e CONSEGUEM CATIVAR mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. (2 Timóteo 3:5-7).

9. Falsos apóstolos são eficazes no uso das palavras. Palavras são o principal instrumento dos falsos apóstolos. Palavras bonitas e lisonjeiras, porém enganosas, são eficazmente usadas para atrair as multidões. Em geral as igrejas desses pretensos apóstolos são cheias. Cheias de pessoas esperando ouvir seus sermões centrados no homem e carregados de palavras cuidadosamente colocadas como iscas aos corações ingênuos. Um linguajar espiritualizado, um evangeliquês místico e “palavras de ordem” que os fazem parecer conectados ao céu. É o Apóstolo Paulo que de novo adverte a igreja sobre esse perigo:

Rogo-vos, irmãos, que noteis os que PROMOVEM DISSENSÕES E ESCÂNDALOS CONTRA A DOUTRINA QUE APRENDESTES; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a Cristo nosso Senhor, mas ao seu ventre; e COM PALAVRAS SUAVES E LISONJAS ENGANAM OS CORAÇÕES DOS INOCENTES. (Romanos 16:17-18).

10. Falsos apóstolos são convincentes. Além de palavras serem bonitas, eles possuem estratégias e métodos convincentes. Associados às suas performances e promessas de manifestação de poder, conseguem enganar facilmente pessoas crédulas. Foi o próprio Senhor Jesus quem disse que, se isso fosse possível, até os eleitos seriam enganados por eles.

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas OPERANDO GRANDES SINAIS E PRODÍGIOS PARA ENGANAR, se possível, os próprios eleitos. (Mateus 24:24).

11. Falsos apóstolos são sutis na introdução de falsos ensinos. Não podemos nos enganar, acreditando que falsos apóstolos chegam com ensinos descaradamente absurdos. Em geral eles aparecem com ensinos atrativos, sutilmente conquistando a confiança do povo e lançando suas heresias nocivas no meio da igreja. Chega sim um momento que eles começam a ensinar descaradamente doutrinas absurdas, mas o povo já está tão cativo, que as recebe sem questionar, especialmente sendo ensinadas que “discípulos não questionam, discípulos obedecem”.

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também surgirão entre vós falsos mestres, OS QUAIS INTRODUZIRÃO, DISSIMULADAMENTE, HERESIAS DESTRUIDORAS, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2 Pedro 2:1).

Tendo aparência de piedade, mas negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que PENETRAM SORRATEIRAMENTE NAS CASAS E CONSEGUEM CATIVAR mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. (2 Timóteo 3:5-7).

12. Falsos apóstolos dizem o que o povo quer ouvir. Como o povo está ávido por ouvir o que desejam, torna-se fácil aos falsos profetas enganá-lo trabalhando em cima de seus anseios. Os ministérios desses homens e mulheres são voltados aos anseios humanos, não para a glória de Deus. O profeta Jeremias já alertava o povo de Deus a esse respeito no Antigo Testamento, quando falsos profetas diziam ao povo o que o povo queria ouvir. Diziam: "Deus disse" quando Deus na verdade não disse nada:

Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais; Porque ELES VOS PROFETIZAM FALSAMENTE EM MEU NOME; não os enviei, diz o Senhor. (Jeremias 29:8-9).

Diante do exposto, todos nós temos uma postura a tomar como forma de proteger a igreja de Cristo contra os danos dos falsos apóstolos:

Aos verdadeiros pastores e mestres, cabe o dever de ensinar fielmente a verdade, alertar os crentes do erro, preveni-los dos perigos, e conduzi-los de forma que venham a crescer na graça e no conhecimento do Senhor; orando sempre para que sejam cheios do espírito de sabedoria e entendimento, tendo iluminados os olhos do coração, para que permaneçam firmem na graça e na fé em Cristo Jesus.

A todos os crentes, cabe o dever de conhecer as Escrituras, vivendo em obediência na verdade e sondando sempre os corações e consciências para que não se deixem enganar por sutilezas; orando sempre para que si lhes abram os olhos e tenham discernimento para afastarem dos ensinos dos falsos apóstolos.

Aos verdadeiros crentes que se constituíram falsos apóstolos, cabe o urgente dever de se arrependerem de seus falsos caminhos, voltando-se para Deus, buscando graça e misericórdia em tempo oportuno; orando com humildade e temor para que o Senhor os livre do auto-engano e os previna de fazer tropeçar um daqueles a quem o Senhor ama.

Quanto aos falsos apóstolos, cujos corações são movidos pela impiedade, sejam os tais guardados para o dia do juízo. Deus não terá misericórdia deles. 

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Notas:
[1] LOPES, Nicodemus Augustos. Apostolado no Brasil. Voltemos ao Evangelho, disponível em . Acesso em 02 de Maio de 2014.
[2] KUYPER, Abraham. A Obra do Espírito Santo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. pp. 185-189.
[3] Idem.
[4] Idem.

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Sobre o autor: Rev. Antônio dos Passos Pereira é casado com Mirtes Áurea, pai de Vinícius de 8 anos e Nicole 1,5 ano. Pastor na Igreja Presbiteriana de Lagoa Santa/MG. Mestrando em Teologia Histórica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (Mackenzie). Bacharel em Teologia pela EST-Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo/SP, 2013. Bacharel em Teologia e Missões pelo MTC Latino (Escola Superior de Teologia e Estudos Transculturais), Montes Claros/MG. 2003. 

Fonte: Blog do autor