Isvonaldo sou Protestante

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

DIA DAS BRUXAS NAS IGREJAS E A REFORMA PROTESTANTE


Muita gente não sabe, mas o Dia das Bruxas, o Samhain ou Halloween, Ano Novo céltico (31 de outubro), tem uma conexão com o Dia de Todos os Santos da Igreja Católica Romana. Este era originalmente celebrado em maio, e não no primeiro dia de novembro.

No ano 608, o imperador romano Focas apaziguou o populacho dos territórios pagãos recentemente conquistados, permitindo-lhe combinar o antigo ritual de Samhain com o Dia de Todos os Santos. E, assim, o panteão de Roma, templo edificado para a adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja.


Foram os imigrantes europeus, especialmente os irlandeses, que introduziram o Halloween nos Estados Unidos. Hoje, o Dia das Bruxas
 é muito importante para os lojistas, inclusive no Brasil. Salém, em Massachusetts (Estados Unidos), é a sede da bruxaria norte-americana. Ali celebra-se, na época do Halloween, o Festival da Assombração, para expandir a temporada turística de verão. Tudo parece uma grande brincadeira, mas — conscientemente ou não — os participantes dessa festa estão se envolvendo com o ocultismo e o satanismo.

Por outro lado, algumas denominações evangélicas, além de realizarem festas similares às juninas (o que já é um absurdo), estão promovendo também, no fim de outubro, uma espécie de Halloween, decorando o ambiente com abóboras, etc. Elas alteram o nome da brincadeira satânica para Jesusween ou Elohin! Aos pastores destas igrejas quero apresentar um motivo melhor para festejar.


Em vez de comemorarem o Dia das Bruxas, os pastores que se prezam deveriam se lembrar da Reforma Protestante. Na manhã de 31 de outubro de 1517, véspera do Dia de Todos os Santos, Martinho Lutero — sacerdote romanista, professor de teologia e filho de um minerador bem-sucedido — começou a questionar de modo mais contundente a Igreja Católica e a atacar a autoridade do papa.

Lutero, então, afixou na porta da Catedral de Wittenberg (pronuncia-se vitemberk) um pergaminho que continha 95 declarações. Estas, conhecidas como teses, eram quase todas relacionadas com a venda de indulgências (pacotes caros pagos pelo perdão, inclusive das pessoas que já haviam partido para a eternidade).


Em junho de 1520, Lutero foi excomungado por uma bula — decreto do papa que continha o seu selo oficial. Em dezembro do mesmo ano, com ousadia, ele queimou esse documento em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembleia de professores, estudantes e o povo. No ano seguinte, foi intimado a comparecer ante as autoridades romanistas, em Worms. E declarou: “Irei, ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados”.


No dia 17 de abril de 1521, Lutero apresentou-se à Dieta do Concílio Supremo, presidida pelo imperador Carlos V. Para escapar da morte, teria de se retratar. Mas ele não faria isso, a menos que fosse desaprovado pelas próprias Escrituras. E asseverou perante todos: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém”.

Considerado herege, ao regressar à sua cidade Lutero foi cercado e levado por soldados ao castelo de Wartzburg, na Turíngia, onde ficaria “guardado”. Ali, ele traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que, por si só, o teria imortalizado. Ao regressar a Wittenberg, reassumiu a direção do movimento a favor da Igreja Reformada, e a partir daí os princípios da Reforma Protestante se espalharam por toda a Europa, com ajuda de homens de valor, como Ulrico Zuínglio, João Calvino, Jacques Lefevre, João Tyndale, Tomás Cranmer, João Knox, etc.


Assim como muitos teólogos estão fazendo hoje, os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Eles ensinavam que a igreja era infalível e que a autoridade da Bíblia procedia da tradição. Os reformadores afirmavam que as Escrituras eram a sua regra de fé, de prática e de viver, e que não se devia aceitar nenhuma doutrina que não fosse ensinada por elas. A Reforma devolveu ao povo a Bíblia que se havia perdido, passando a considerá-la a fonte primária de autoridade.


Nesses tempos difíceis, em que muitos estão brincando com o pecado e até com festas satânicas, quantos cristãos sérios estão dispostos a protestar contra as heresias verificados entre nós (2 Pe 2.1; At 20.28), à semelhança de Lutero?



Fonte: http://pastorguedes.blogspot.com/2011/10/dia-das-bruxas-nas-igrejas-e-reforma.html

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Se Jesus fosse neopentecostal…


se-Jesus-fosse-neopentecostal Se Jesus fosse neopentecostal, não venceria Satanás pela Palavra, mas teria repreendido-o, amarrado, mandado ajoelhar, dito que é derrotado, feito uma sessão de descarrego durante 7 terças-feiras, e aí sim ele sairia (Mt 4:1-11).



Se Jesus fosse neopentecostal, não teria simplesmente feito o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 dracmas divididas em 4 vezes sem juros (Mt 5:1-11).
Se Jesus fosse neopentecostal, jamais teria dito, no caso de alguém bater em uma de nossa face, para darmos a outra; Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre quem tivesse batido pois “ai daquele que tocar no ungido do Senhor” (Mt 5 :38-42).
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado o servo do centurião de Cafarnaum à distância, mas o mandaria levar o tal servo em uma de suas reuniões de milagres e lhe daria uma toalhinha ungida para colocar sobre o seu servo durante 7 semanas, e aí sim ele seria curado (Mt 8: 5-13).
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum!! Na verdade, o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de, no mínimo, 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagroso seria curado de suas enfermidades (Jo 6:1-15).
Se Jesus fosse neopentecostal, Ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comércio, desta vez sob sua gerência (Mt 21:12-13).
Se Jesus fosse neopentecostal, quando os fariseus lhe pedissem um sinal, certamente Ele imediatamente levantaria as mãos e de suas mãos sairiam vários arco-íris, um esplendor de fogo e glória se formaria em volta dEle que flutuaria enquanto anjos cantarolavam: “divisa de fogo, varão de guerra, Ele desceu à terra, Ele chegou pra guerrear”. E repetiria tal performance sempre que solicitado (Mt 16:1-12).
Se Jesus fosse neopentecostal, nunca teria dito para carregarmos nossa cruz, perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos  predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lc 9:23).
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado a mulher encurvada imediatamente, mas teria a convidado para a Escola de Cura para o aprender os 7... veja bem, os 7 passos para receber a cura divina (Lc 13:10-17).
Se Jesus fosse neopentecostal, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas teria entrado numa carruagem real toda trabalhada em pedras preciosas, com Pôncio Pilatos, Herodes e a cantora Maria Madalena cantando hinos de vitória “liberando” a benção sobre Jerusalém. E o povo não o receberia declarando “Hosana!”, mas marcharia atrás da carruagem enquanto os  apóstolos contariam quantos milhões de pessoas estavam na primeira marcha pra Jesus (Mt 21:1-15).
Se Jesus fosse neopentecostal, ao curar o leproso (Mc 1:40-45), este não ficaria curado imediatamente, mas durante a semana enquanto ele continuasse crendo. Pois se parasse de crer.. aiaiaiaia.
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria expulsado o demônio do geraseno com tanta facilidade. Ele teria realizado um seminário de batalha espiritual para, a partir daí, iniciar o processo de libertação daquele jovem (Mc 5:1-20).
Se Jesus fosse neopentecostal, o texto seria assim: “Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um pobre entrar no reio dos céus” (Mt 19:22-24).
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria transformado água em vinho, mas em Guaraná Dolly (Jo 2:1-12).
Se Jesus fosse neopentecostal, Ele teria sim onde recostar Sua cabeça, e moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito (Mt 8:20).
Se Jesus fosse neopentecostal, Zaqueu não teria devolvido o que roubou, mas teria doado ao Seu ministério (Lc 19:1-10).
Se Jesus fosse neopentecostal, não pregaria nas sinagogas, mas na recém fundada Igreja de Cristo, e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a Igreja de Cristo Renovada.
Se Jesus fosse neopentecostal, não diria que no mundo teríamos aflições, mas diria que teríamos sucesso, honra, vitória, riquezas, prosperidade... (Jo 16:33).
Se Jesus fosse neopentecostal, Ele seria amigo de Pôncio Pilatos, apoiaria Herodes e só falaria o que os fariseus quisessem ouvir.
Certamente, se Jesus fosse neopentecostal, não sofreria tanto nem morreria por mim nem por você... Ele estaria preocupado com outras coisas.
Ainda bem que não era.
Autor: Felipe Almada

John Wesley, uma vida longa em poucas palavras



Por Christian History & Biography
John Wesley nasceu em 1703 e sua infância foi fortemente influenciada por sua mãe, uma mulher rígida e piedosa. Seu pai era um homem difícil de se agradar. Sua mãe acreditava que os desejos das crianças deviam ser subjugados e que eles deveriam ser disciplinados quando não se comportassem. John era o décimo quarto filho. Ele teria morrido em um incêndio em Epworth Rectory se não tivesse sido arrancado das chamas por um vizinho. Na época tinha sete anos e depois disso sua mãe o lembrou várias vezes que ele era “um tição colhido do fogo”. Mais tarde ele teve a certeza de que tinha sido poupado por um propósito, servir a Deus.
Samuel, o pai de John, era um erudito, que por muitos anos trabalhou em uma obra monumental sobre o livro de Jó. Um pregador severo, para não dizer implacável, uma vez exigiu que uma adúltera andasse nas ruas em sua vergonha. Ele também forçou o casamento de uma de suas filhas depois que ela tentou fugir com um homem que não era o escolhido de seu pai. Com seu pai e sua mãe, John Wesley desenvolveu excelentes hábitos de estudo e também se acostumou com o sofrimento físico.
John Wesley foi para Charterhouse School em 1714, para Christ Church College, em 1720, e em 1726 foi eleito membro na Lincoln College em Oxford. Depois de ser pastor auxiliar em Wroote, Lincolnshire, de 1727 a 1729, ele voltou à Oxford não apenas para continuar seus estudos, mas também para começar a viver uma vida mais devota e santa. Muitos outros jovens brilhantes tinham um curriculum como o de Wesley, mas poucos tinham a sua dedicação. Ele dominava pelo menos sete idiomas e desenvolveu uma visão verdadeiramente abrangente em todas as áreas da investigação. Quando ele voltou de Wroote para Oxford, ele assumiu a liderança de um grupo chamado Holy Club (Clube Santo), iniciado por seu irmão Charles. Lá era onde eles reforçavam a fé através do estudo das Escrituras e buscavam a santidade na vida de cada membro.
O Clube Santo fazia muito mais do que refletir e orar. Eles iam às prisões levar a palavra de salvação aos prisioneiros. Embora eles fossem ridicularizados por seus companheiros de Oxford, de seu grupo de uma classe social mais baixa saíram homens que se tornaram importantes para aquele tempo, particularmente os irmãos Wesley, além de George Whitefield. O modo de vida de John Wesley exigia jejuns periódicos, encontros regulares para estudo e auto-avaliação pessoal. Somente muito tempo depois foi que ele percebeu que seu grupo seguia mais a letra do que o espírito do cristianismo.
Em 1735 grandes mudanças atingiram John e Charles Wesley. O seu pai morreu e ambos foram para a colônia da Georgia, nos Estados Unidos, com a bênção e encorajamento de sua mãe. Lá foi uma prova para John, que entendeu que realmente não gostava muito dos índios e sua rigidez não era muito apreciada pelas pessoas da Georgia. Mas importante que isto, foi o contato de John na sua viagem com um pequeno grupo de morávios. Estes homens e mulheres destemidamente cantavam hinos durante terríveis tempestades no mar, ao mesmo tempo em que o próprio Charles se desesperava. Isso o fez querer conhecer mais sobre a fé que eles demonstravam ter. Em 1737 ele retornou à Inglaterra.
Devemos apreciar a humildade de John Wesley, pois ele podia ser crítico o bastante consigo mesmo para parar suas atividades religiosas naquele momento e pensar que era um ministro experiente demais para examinar sua falta de fé. Peter Boehler, um morávio, deu-lhe a chave – pregar a fé até que ele a tivesse, e então ele pregava a fé. John Wesley lutou com sua falta de fé até 24 de maio, uma quarta-feira, em 1738, no famoso encontro de Aldersgate, foi quando ele teve uma conversão, uma profunda e inconfundível experiência de fé. Seu “coração foi estranhamente aquecido”. Então seu verdadeiro trabalho começou.
Como tinha uma mente brilhante e aberta, John Wesley ainda conseguia retirar os melhores recursos das melhores mentes do seu tempo. William Law, por exemplo, foi seu professor, amigo e mentor por vários anos; mas Wesley achou que um ingrediente importante estava faltando no programa de Law para uma vida devota. Os discípulos de Platão conseguiram comunicar a Wesley uma estrutura intelectual que era mais espiritual do que material, mas os hábitos mentais de Wesley estavam moldados mais pelo modelo de análise de Newton do que pelo platonismo. Os morávios eram o mais perto de uma síntese de todos os elementos que ele desejava e pôde encontrar. Ele até mesmo visitou Herrnhut para saber como sua comunidade trabalhava. Mas algo estava faltando lá, como em todo lugar, e em 1740, ele e seus seguidores romperam com os morávios, mas não antes que ele tivesse aprendido a pregar sermões ao ar livre, o que veio a ser mais tarde uma parte essencial de seu ministério.
John Wesley tinha 37 anos de idade quando começou a viajar e pregar. Ele freqüentemente exagerava o número daqueles que vinham ouvi-lo. Muitas vezes, as mesmas pessoas que precisaram de sua ajuda eram as mesmas que mais o perseguiam. Ele pregava em púlpitos até que eles fossem fechados para ele, e ele então pregava nos campos abertos. Ele pregava três vezes por dia, começando às 5 da manhã, uma vez que os trabalhadores poderiam parar para ouvi-lo enquanto andavam para o trabalho.
Algumas vezes ele andava 60 milhas (mais de 90 quilômetros) por dia a cavalo. As condições do tempo não importavam; ele fazia seu programa e o cumpria, não importavam as dificuldades. Ele fugia de uma multidão zangada pulando num lago gelado, nadava para fora dele e continuava a pregar novamente. E tinha uma certa habilidade de trazer as pessoas hostis para o seu lado.
Em 1741 foi para Gales do Sul, para o norte da Inglaterra em 1742, Irlanda em 1747, e Escócia em 1751. No total, foi à Irlanda quarenta e duas vezes e à Escócia vinte e duas vezes. Ele retornou à algumas cidades várias vezes. Houve ocasiões em que ele retornava anos depois de sua última visita e registrava que a pequena sociedade que ele ajudara ainda estava intacta e fiel. Ele examinava cada membro de cada sociedade pessoalmente para buscar crescimento espiritual e de fé. As sociedades então formadas proviam a organização local para seu movimento.
O que Wesley pregava? Santidade, honestidade, salvação, boas relações familiares, vários outros temas, mas acima de tudo a fé em Cristo. Ele não pedia aos seus ouvintes para deixarem suas igrejas, mas para continuarem indo nelas. Ele lhes deu o refrigério espiritual que eles não achavam. Quando suas décadas de provação produziram décadas de triunfo, as multidões aumentaram. Ricos e pobres vinham para ouvi-lo falar. Ele desenvolveu redes de assistentes leigos. Suas exortações para viver perfeitamente em amor hoje parecem duras, mas considere os efeitos em suas congregações. Os xingamentos nas fábricas pararam, os homens e as mulheres começaram a se preocupar com vestimentas limpas e simples, extravagâncias como chá caro e vícios como o gim foram deixados por seus seguidores, vizinhos deram um ao outro ajuda mútua através das sociedades.
Wesley ensinou tanto pelo exemplo como pelos seus sermões. Ele publicou muitos de seus textos para serem usados em devocionais e direcionou o lucro para projetos, como um local de ajuda para os pobres. Sua vida pessoal estava além de reprovação. Ele traduziu hinos, interpretou as Escrituras, escreveu centenas de cartas, discipulou centenas de homens e mulheres e manteve em seus diários um registro da energia investida, que dificilmente tem um rival na história ocidental. Sua maneira de falar na linguagem do homem comum teve um impacto imensurável no surgimento do inglês moderno, assim como os hinos de Charles Wesley tiveram um grande impacto na música com suas muitas canções sem mencionar a poesia da subseqüente era Romântica.
Mas o impacto dos Wesleys nas classes mais baixas foi além de afetar seus hábitos de vida e modo de falar. John Wesley proveu uma estrutura religiosa que era local e pessoal, bem como fortemente moral. Sua teologia não tirava a liberdade e o direito de ninguém, pois qualquer um podia achar a graça de Deus para resistir ao diabo e ser salvo, se tão somente buscasse e recebesse. As sociedades que ele formou preservaram em seus estudos o foco na fé – uma fé que também levou a uma maneira de lidar com a realidade da vida das classes mais pobres. A religião não era só para os ricos, mas Wesley também não estava pregando uma revolta contra o anglicanismo.
O anglicanismo de John Wesley era muito forte, embora os púlpitos anglicanos tornassem-se totalmente fechados para ele. Só quando tinha oitenta e um anos ele permitiu uma pequena divisão entre seus seguidores e a igreja nacional. Tendo já enviado muitos homens à América, em 1784 ele ordenou mais pessoas para este esforço missionário e, porque “ordenação é separação”, efetivamente começou uma nova igreja. O conservadorismo dele era tanto político como religioso. Ele publicou uma carta aberta às colônias americanas, aconselhando-as a permanecerem leais à Grã-Bretanha, logo antes da Revolução Americana. Ele não tolerava nenhuma conversa sobre agitação civil na Inglaterra.
Muito se tem discutido acerca de que outras forças estavam trabalhando na Inglaterra além de Wesley e uns outros poucos pregadores. Por exemplo, a Revolução Industrial que estava vindo progrediu mais rápido na Inglaterra do que em qualquer outro lugar, dando aos homens novos tipos de trabalho; a justiça do Sistema de Paz e o sistema de governo com um Primeiro-Ministro eram únicos na sua forma e deram muito mais poder do que era possível em qualquer outro lugar à classe média local e os grandes problemas que poderiam de outra forma causar revolução, simplesmente não estavam presentes na Inglaterra depois de 1750. Ainda assim sem Wesley e seus seguidores como poderia o ateísmo, tal como existia entre os camponeses franceses, ser evitado e como poderia uma classe inferior oprimida e dominada pelos vícios, ter esperança?
John Wesley morreu em 2 de março de 1791, cerca de três anos depois que seu irmão Charles morreu. Até seus últimos anos, ele colocou a mesma frase de abertura em seu diário, como fazia a cada ano no seu aniversário, agradecendo a Deus por sua longa vida e sua contínua boa saúde, afirmando que sermões pregados de manhã logo cedo e muita atividade ao ar livre o mantiveram em forma para a obra de Deus. Desde o momento em que ele tornou-se livre de influências, exceto a de Deus, ele teve cinqüenta anos de serviço constante e fez um bem imensurável à Inglaterra através da perseverança, resistência e fé. Seu legado não se limitou ao seu século ou país, mas sobrevive até hoje na fé de milhões em várias igrejas ao redor do mundo.
A seguinte frase foi escrita em seu diário em 28 de junho de 1774:
Sendo hoje meu aniversário, o primeiro dia do septuagésimo segundo ano, eu estava pensando como posso ter a mesma força que tinha trinta anos atrás? Que a minha visão esteja consideravelmente melhor agora e meus nervos mais firmes do que eram antes? Que eu não tenha nenhuma enfermidade da velhice, e não tenha mais aquelas que tive na juventude? A grande causa é, o bom prazer de Deus, que faz o que lhe agrada. Os meios principais são: meu constante levantar às quatro da madrugada, por cerca de cinqüenta anos; o fato de geralmente pregar às cinco da manhã, um dos exercícios mais saudáveis do mundo; o fato de que nunca viajo menos, por mar ou terra, do que 4500 milhas (mais de 6.750 km) por ano.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tem muito pão com ovo se achando Big Mac


Por Maurício Zágari
Algumas reflexões aqui no APENAS nascem de episódios da minha vida. Outras são mero fruto de pensamentos que cismam em pulular dentro da minha mente. Muitas são resultado da observação do mundo ao meu redor. Mas a de hoje tirei de um lugar inusitado: uma frase que minha maninha @JuliaHelena_ postou no twitter. Confesso que quando li “Tem muito pão com ovo se achando Big Mac” achei criativo e bem-humorado. Mas não tem jeito: quando você respira a fé 24 horas por dia (e, que fique claro, isso não falo como uma qualidade que pode soar soberba, mas sim como uma mera constatação), até pequenas coisas como essas me levam a refletir sobre a Igreja, Cristo e o nosso universo cristão. A verdade é que Julia está certa, talvez não mediante a intenção que a fez postar essa frase, mas em um âmbito muito mais profundo dentro desse mesmo universo.
Esta é uma reflexão sobre celebridades, fama e sua relação com a fé.
O ser humano sempre foi atraído por celebridades. Veja o star system americano, uma estratégia criada décadas atrás pelos estúdios de cinema que procura criar celebridades em Hollywood apenas para que filmes deem mais lucro. Em resumo, o star system busca tornar atores e atrizes famosos para levar você, do público, a se apaixonar por eles e querer sempre ver seus filmes. Afinal, confesse, você vai ao cinema em 99% das vezes pelo título do filme ou porque seus astros prediletos atuam nele?
E funciona! Você não vai ver Diamantes de sangue, você vai é assistir ao “último filme do Leonardo DiCaprio”. É assim que age a dinâmica das celebridades: a máquina de marketing de Hollywood, da TV Globo ou o que seja leva você a se afeiçoar pelos atores A, B ou C para que a cada novo filme, novela ou seriado você esteja ali, sentadinho, pagando seu ingresso, aumentando o ibope e, claro, enriquecendo estúdios de cinema ou redes de TV. É simplesmente por isso que existem celebridades nos nossos dias: pois elas geram poder e dinheiro. Muuuuuito dinheiro!
E entre os cristãos?
Isso tudo apenas comprova que o ser humano sempre foi atraído por celebridades. E você acha que entre os cristãos é diferente? Também somos seres humanos. Então não, não é. Basta olhar em volta. Nós, cristãos, criamos e amamos celebridades pelas exatas mesmas razões que o mundo. Repare que desde a época de Cristo era assim. Jesus mesmo virou uma celebridade – não por vontade própria, claro. Mas perceba: quando ele multiplica pães e peixes e alimenta milhares de pessoas, muitos passam a segui-lo não por suas palavras de vida eterna, mas pelos benefícios materiais que perceberam que ele poderia lhes proporcionar. Cara, um homem que pega cinco pães e dois peixes e alimenta de graça milhares de pessoas! Quem não quer seguir uma celebridade dessas?! Mas aí o tempo passa e quando Jesus é pregado numa Cruz restam apenas 120 no cenáculo. Pois naquele momento o ibope de Jesus estava em baixa e ele não tinha, aos olhos humanos, mais nada a oferecer, já que morto não gera poder, prestígio, dinheiro ou outros bens materiais. Só permanece quem realmente busca o Reino de Deus e não pessoas que lhes proporcionem benefícios materiais ou arrepios de emoção.
Passaram os séculos e chegamos aos nossos dias. Então o meio cristão começa a inventar celebridades, pelos mesmos motivos mundanos de sempre: atrair gente. E com isso gerar dinheiro – usando as boas e velhas estratégias: encher igrejas, vender CDs e DVDs, eleger políticos e outras práticas similares. O problema é que uma enormidade dessas celebridades é puro pão com ovo: entopem mas não têm substância. O resultado é que temos pastores-celebridades ensinando absurdos bíblicos nos púlpitos e multidões que devoram aquele pão com ovo achando que é Big Mac quando na verdade as palavras proferidas não carregam em si nada além de algo que engorda e aumenta o colesterol espiritual. E, óbvio, podem causar uma tremenda infecção e até uma septicemia espiritual – que pode levar à morte.
É assim com pregadores-celebridades que ensinam prosperidade. É assim com pregadores-celebridades que atraem os jovens com discursos e estéticas bonitinhas mas começam a pregar que o cristão não precisa ter uma mudanca radical de vida para seguir Cristo (a mais nova heresia do mercado gospel, ensinada por pastores que dizem que você não precisa ter uma mudança de vida radical após receber o chamado de Cristo. Aliás, cabe aqui um parêntese: se você ouvir falar de ética transacional ascendente, FUJA!). É assim com pregadores-celebridades que falam sobre graça mas vivem atacando os outros e chamando pastores sérios de “bundões”. É assim com pregadores-celebridades que usam sua pregação eloquente para se eleger ou eleger seus irmãos e parentes para cargos políticos no governo. É assim com pregadores-celebridades que usam a linguagem, a estética e ate a música dos jovens para atrai-los e torná-los seus dizimistas.
É muito pão com ovo se achando Big Mac. Mas no Reino de Deus? Comida espiritual irrelevante.
Pão com ovo na música
No mundo da música cristã, então, é pão com ovo pra tudo que é lado. Em nome de um “ministério de louvor”, muitos cantores tentam emplacar suas carreiras com músicas francamente horripilantes, com letras muitas vezes antibíblicas e propostas teológicas de vitória que fariam a galinha ter vergonha de ter posto aquele ovo. Harmonias paupérrimas, melodias assustadoras, letras clichês e, o que é pior, músicas que só têm por objetivo movimentar o mercado fonográfico gospel, mas cuja finalidade enquanto real louvor a Deus é só… pão com ovo.
Querido irmão, querida irmã, cuidado com o que você ingere em se tratando de teologia, doutrina ou artes gospel. Eu já passei três dias no CTI de um hospital por ter tragado comida estragada. E acredite: é bem doloroso. Não deixe sua alma ser infeccionada por pães com ovo que parecem comidas suculentas mas não passam de pão mofado e ovo galado. Se você ouvir um pregador da moda ensinando coisas que até soam interessantes, poéticas, modernosas e simpatiquinhas mas que você nunca ouviu antes, procure conversar com seus pastores ou irmãos mais experientes em quem você confie antes de abraçar esses pensamentos apócrifos. Afirmações como “Deus não está no controle das tragédias”, “doe dinheiro para o meu ministério e a unção financeira será derramada sobre sua vida”, “se você é um empresário pode se converter mas não precisa parar de dar propina a fiscal do dia para a noite, isso ocorre progressivamente”, “basta você tomar posse da vitória pela fé e será teu” simplesmente não são bíblicas E, logo, são demoníacas. Não coma o manjar oferecido aos demônios achando que é maná dos céus só porque um pastor ou um cantor famoso te oferece aquilo.
Se você me permite ser muito objetivo, serei: há muitas celebridades evangélicas vendendo comida oferecida aos ídolos por aí. E como são famosos, há multidões engolindo. E, é triste admitir, vão sofrer muito por isso. Não seja uma dos tais. Atenha-se ao cristianismo ortodoxo, corra com todas suas forças de novidadezinhas.
Se você ouvir novidades que você nunca ouviu antes sendo pregadas em púlpitos, no twitter, no facebook, em blogs, no Youtube ou seja lá onde for…querido, querida: não dê ouvidos. Não importa se foram ditas por pastores famosos, por pregadores que estão na TV ou têm blogs e videos bonitinhos e comentados no Youtube. FUJA! Pelo amor que você tem a sua alma, entenda que o simples fato de um pastor ter milhares de seguidores no twitter não faz dele um homem de Deus. Pode parecer Big Mac, mas muitas vezes é pão com ovo da pior espécie. Ou o fato de um pastor pregar de jeans e levar bandas de rock para tocar em suas igrejas não o faz mais cristão do que um que prega de terno e gravata e canta hinos antigos. E vice-versa. Importa se aquilo que ele prega é bíblico ou não. Estética é só estética. Fama é só fama.
Do mesmo modo, é absolutamente irrelevante se um cantor, uma cantora ou um grupo gospel da moda sejam famosos. Fama nunca levou nem vai levar ninguém pro Céu. Fama não faz de um músico que canta canções cristãs mais ou menos ungido ou usado por Deus. Ele é apenas famoso. Apenas. Nada mais. Fama não lhe atribui absolutamente nenhuma qualidade espiritual que o não famoso não tenha. Examine a letra das músicas que cantam. Veja se a filosofia que transmitem entre uma música e outra é canônica ou não. Muitas vezes o artista pão com ovo deixa transparecer como é seu compromisso com Deus quando, ao “ministrar” entre as canções, diz barabaridades hediondas como, por exemplo, “Senhor, quero ter um romance contigo”. FUJA desses – mesmo que suas músicas sejam lindas de morrer. Lembre-se que Dalila e Bate-Seba eram lindas e Sansão e Davi pagaram um preço muito alto por terem se deixado levar mais pela beleza do que pela Palavra de Deus.
Indo aos finalmentes
Geralmente o simples fato de um pão com ovo já querer ser Big Mac, ou seja, o fato de alguém querer muito ser famoso, já denuncia sua condição espiritual. Jesus falou sobre João Batista: “Eu lhes digo que entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João” (Lc 7.28a). E no entanto João era tão espiritual que disse “É necessário que ele [Jesus] cresça e que eu diminua.” (Jo 3.30). Esse é o espírito que deve estar em nossos corações. A busca da fama não é bíblica nem cristã. O cristão de verdade aponta para Cristo em tudo o que faz. O desejo pela fama é carnal e, francamente, diabólico.
Quem dá ao povo o que o povo deseja só para ser seguido vilipendia a essência da nossa fé. Tem pastores distribuindo pães e peixes à vontade, para que no dia seguinte suas igrejas estejam cheias ou para que sejam convidados para a conferência X, Y ou Z. Ou músicos cujos corações estão no espelho e não na cruz – só para que seus shows lotem, seus CDs se esgotem, sua conta bancária engorde e seus egos sejam inflados ao máximo só mercem uma coisa: que você FUJA deles.
Querido, querida, busque os anônimos. Busque aqueles que não querem aparecer. Se você olhar em volta vai perceber que os pregadores mais bíblicos e de coração mais puro fogem da fama a todo custo. Dê unfollow nos pregadores da moda do twitter ou do facebook só porque estão na moda ou falam frasezinhas bonitinhas e busque aqueles que de fato transmitem a essência do Evangelho. Esqueça os videos de pastores charmosinhos do Youtube e leia os clássicos, procure livros em vez de programas de TV gospel. Ignore os músicos que lotam igrejas – procure os que, sem mega estruturas, louvam ao Senhor em lágrimas com um banquinho e um violão. Pare. Pense. Mude os padrões que te levam a eleger esse ou aquele como o Big Mac da hora.
E quer saber de uma coisa? Você não vai encontrar as palavras de vida eterna em pães com ovo. Muito menos em Big Macs. Vai encontrar é num bom prato de feijão com arroz, bife e salada. Então FUJA do que é só celebridade e fama e procure o que realmente alimenta. E, repare: propaganda de Big Mac você vê em todo lugar. Mas de feijão com arroz, bife e salada… ninguém faz. Só que é ali que está o alimento de verdade pra tua alma.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
Fonte e Créditos
Do blog Apenas, via Ministério Beréia. Divulgação: Púlpito Cristão

A insensatez da obediência parcial



Por John MacArthur
Se o pecado é um inimigo derrotado, como pode nos causar tantos problemas? Se o domínio do pecado foi quebrado, por que, com frequência, parece nos dominar? Por que as forças do humanismo secular, o novo hedonismo, a Nova Era, o ensino da auto-estima e a má teologia têm causado tanto impacto entre os crentes? Por que a consciência parece estar desaparecendo até mesmo no meio evangélico?
Todo cristão honesto confirmará que a tendência para o pecado não é apagada quando nos tornamos cristãos. Ainda temos prazer no pecado. Ainda lutamos contra hábitos pecaminosos. Alguns desses hábitos estão tão profundamente arraigados que ainda batalhamos contra eles após anos de luta espiritual. Ainda caímos em pecados horríveis e vergonhosos. A verdade é que pecamos diariamente. Nossos pensamentos não são aqueles que deveriam ser. Desperdiçamos nosso tempo em buscas frívolas e mundanas. De tempos em tempos nosso coração fica frio quanto às coisas de Deus. Por que tudo isso acontece se o domínio do pecado está quebrado?
Aqui veremos que a Escritura nos insta a evitar qualquer tipo de apatia em relação ao tratamento do pecado. Devemos mortificar o pecado e sua influência em toda a nossa vida.
A ira de Deus contra Amaleque
Uma ilustração no Antigo Testamento pode ajudar a esclarecer nossa relação com o pecado. Em 1 Samuel 15, lemos que Samuel ungiu a Saul e solenemente deu-lhe estas instruções do Senhor: “Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos” (v. 3).
O mandamento de Deus era claro. Saul tinha que proceder cruelmente em relação aos amalequitas, matando até mesmo as criancinhas de peito e animais. Toda a tribo tinha que ser total e impiedosamente arrasada — nenhum refém poderia ser tomado.
O que faria um Deus de amor infinito impor um julgamento tão severo? Os amalequitas eram uma antiga raça nómade, descendentes de Esaú (Gn 36.12). Habitavam aparte sul de Canaã e eram eternos inimigos dos Israelitas. Pertenciam à mesma tribo que cruelmente atacou Israel em Refidim, logo após o Êxodo, na famosa batalha em que Arão e Hur tiveram que sustentar os braços de Moisés (Êx 17.8-13). Eles emboscaram Israel pela retaguarda e massacraram os soldados dominados, que estavam extenuados (Dt 25.18). A mais poderosa e selvagem tribo de toda a região atacou Israel covardemente. Naquele dia Deus livrou Israel sobrenaturalmente, e os amalequitas fugiram procurando refúgio. No final dessa batalha Deus jurou a Moisés: “Escreve isso para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu” (v. 14). Realmente ele considerava importante que Israel destruísse Amaleque:
Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando saías do Egito, como te veio ao encontro no caminho e te atacou na retaguarda todos os desfalecidos que iam após ti, quando estavas abatido e fatigado; e não temeu a Deus. Quando pois, o Senhor, teu Deus, te houver dado sossego de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança, para a possuíres, apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esqueças (Dt 25.17-19; ênfase acrescentada).
Os amalequitas eram guerreiros temíveis. Sua presença intimidadora foi uma das razões pelas quais os israelitas desobedeceram a Deus e um impecilho para que entrassem na terra prometida em Cades Barnéia (Nm 13.29). A ira de Deus ardia contra os amalequitas por causa da perversidade deles. Ele constrangeu até o corrupto profeta Balaão a profetizar sua sentença: “Amaleque é o primeiro das nações; porém o seu fim será a destruição” (Nm 24.20). Os amalequitas costumavam atormentar Israel indo às suas terras depois de a plantação ter sido semeada, e movimentando-se na terra cultivada com suas barracas e animais, destruíam tudo pelo seu caminho (Jz 6.3-5). Eles odiavam a Deus, detestavam Israel e pareciam ter prazer em atos perversos e destrutivos.
As instruções de Deus para Saul, portanto, cumpriram o voto que ele havia jurado a Moisés. Saul tinha que eliminar a tribo para sempre. Ele e seus exércitos eram os instrumentos pelos quais a justiça de Deus seria levada a cabo. Seu santo julgamento para um povo mau.
Mas a obediência de Saul foi somente parcial. Ele ganhou a batalha ferindo de forma esmagadora os amalequitas que fugiram deles “desde Havilá, até chegar a Sur, que está defronte do Egito” (ISm 15.7). Como ordenado, ele matou todas as pessoas, mas “tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas” (v. 8). “E Saul e o povo pouparam Agague, e o melhor das ovelhas e dos bois, e os animais gordos, e os cordeiros, e o melhor que havia e não os quiseram destruir totalmente; porém toda coisa vil e desprezível destruíram” (v. 9). Em outras palavras, motivados pela cobiça eles pegaram as melhores coisas dos amalequitas, coletando os despojos da vitória, e desobedecendo propositadamente às instruções do Senhor.
Por que Saul poupou Agague? Talvez porque ele quisesse usar o rei humilhado dos amalequitas como um troféu para mostrar seu próprio poder. Aparentemente, naquele momento Saul estava somente motivado pelo orgulho; ele até construiu um monumento para si no monte Carmelo (v. 12). Quaisquer que fossem seus motivos, ele desobedeceu a um claro mandamento de Deus e permitiu que Agague vivesse.
Esse pecado era tão sério que Deus imediatamente depôs do trono Saul e seus descendentes para sempre. Samuel lhe disse: “Visto que rejei-taste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (v. 23).
Então Samuel disse: “Traze-me aqui a Agague, rei dos amalequitas” (v. 32).
Evidentemente Agague, pensando que sua vida havia sido poupada e se sentindo muito seguro, “veio a ele confiante”. “Certamente já se foi a amargura da morte”, disse ele.
Mas Samuel não estava para brincadeira. Disse a Agague: “Assim como a tua espada desfilhou mulheres, assim desfílhada ficará a tua mãe entre as mulheres. E Samuel despedaçou Agague perante o Senhor em Gilgal” (v. 33).
Nossa mente, instintivamente, recua diante do que parece ser um ato impiedoso. Mas foi Deus quem mandou que isso fosse feito. Era um ato de julgamento divino para mostrar a ira santa de um Deus indignado contra o pecado devasso. Ao contrário de seu compatriota e rei, Samuel estava determinado a cumprir inteiramente a ordem do Senhor. A batalha que tinha por objetivo exterminar os amalequitas para sempre terminou sem que esse objetivo fosse alcançado. A Bíblia registra que depois de alguns anos, a tribo revigorada atacou repentinamente o território sul e levou cativas as mulheres e crianças — incluindo a família de Davi (1 Sm 30.1 -5).
Quando Davi encontrou os amalequitas saqueadores, “Eis que estavam espalhados sobre toda região, comendo, bebendo e fazendo festa por todo aquele grande despojo que tomaram da terra dos filisteus e da terra de Judá” (v. 16). Ele os feriu desde o crepúsculo vespertino até a tarde do dia seguinte, matando a todos, exceto quatrocentos moços que fugiram montados em camelos (v. 17).
Os amalequitas são uma ilustração adequada do pecado que permanece na vida do crente. Aquele pecado — já totalmente derrotado — deve ser tratado com crueldade e despedaçado, ou então ele irá reviver e continuar a saquear e espoliar nosso coração, e tirar o vigor da nossa força espiritual. Não podemos ser misericordiosos com Agague, ou então ele retornará para tentar nos devorar. De fato, o pecado que permanece em nós frequentemente se torna mais ferozmente resoluto depois de ter sido destronado pelo Evangelho.
A Bíblia nos ordena mortificar o pecado. “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena; prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é a idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]” (Cl 3.5,6). Não podemos obedecer parcialmente ou ser indiferentes quando procuramos eliminar o pecado da nossa vida.
Não é possível parar enquanto a tarefa estiver incompleta. Os pecados, do mesmo modo que os amalequitas, encontram sempre um jeito de escapar da matança, gerando, revivendo, reagrupando-se e lançando novos e inesperados ataques em nossas áreas mais vulneráveis.
Todos os créditos para o Blog Púlpito Cristão  
Dica do blog Ministério Beréia cujo escritor, Pr Silas, é um grande amigo. Divulgação: Púlpito Cristão

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A semente da própria iniqüidade



Por – João Calvino (1509-1564)



Eis que nasci na iniquidade, e em pecado

me concebeu minha mãe (Salmo 51.5).



Davi avança para além do mero reconhecimento de um ou de muitos pecados, confessando que nada trouxera consigo em sua entrada no mundo senão pecado, e que sua natureza era inteiramente depravada. Ele é assim levado pela consideração de uma só ofensa de peculiar atrocidade à conclusão de que nascera na iniquidade, e que era absolutamente destituído de todo bem espiritual.



Aliás, todo pecado deve convencer-nos da verdade geral da corrupção de nossa natureza. A palavra hebraica, yechemathni, significa literalmente aqueceu-se de mim, de, yacham, ou chamam, aquecer; os intérpretes, porém, a têm mui apropriadamente traduzido me concebeu.



A expressão notifica que somos criados em pecado desde o primeiro momento em que nos achamos no ventre [materno]. Davi, pois, é aqui forçado, ao refletir sobre uma transgressão específica, a fazer um relance retrospectivo sobre toda a sua vida pregressa e a nada descobrir nela senão pecado. E não imaginemos nós que ele fala da corrupção de sua natureza, meramente como o fazem os hipócritas ocasionalmente, a fim de justificar suas faltas, dizendo: "É possível que eu tenha pecado, mas que poderia fazer? Sou homem e inerentemente inclinado a tudo quanto é mal."



Davi não recorre a tais artifícios para evadir-se da sentença divina, e faz referência ao pecado original com vistas a agravar sua culpa, reconhecendo não que havia contraído este ou aquele pecado pela primeira vez recentemente, mas que havia nascido no mundo com a semente da própria iniquidade.



A passagem oferece um notável testemunho em prol do pecado original transmitido por Adão a toda a família humana. Não só ensina a doutrina, mas pode assistir-nos na formulação de uma correta idéia dela. Os pelagianos, com o fim de evitarem o que consideravam um absurdo, ou seja, afirmar que todos foram arruinados através de uma única transgressão do homem, sustentavam o que vem de tempos imemoriais, a saber, que o pecado só se originou de Adão através do hábito de imitação.



A Bíblia, porém, tanto neste como em outros passos, claramente assevera que nascemos em pecado, e que existe dentro de nós uma enfermidade inerente à nossa natureza. Davi não culpa a seus pais, nem traça seu crime até chegar a eles, mas senta-se diante do tribunal divino, confessa que fora formado em pecado, e que era um transgressor nato, assim que viu a luz deste mundo. Portanto, constitui um erro grosseiro em Pelágio, negar este que o pecado era hereditário, inerindo na família humana por contágio.



Os papistas, em nossos dias, concordam que a natureza humana se tornou depravada, mas atenuam o pecado original o quanto podem e o representam como que consistindo meramente numa inclinação para o que é mau. Restringem sua sede à parte inferior da alma e aos apetites grosseiros; e embora nada seja mais evidente à experiência que o fato de a corrupção aderir aos homens ao longo da vida, negam que o mesmo permanece neles subsequentemente ao batismo. Não teremos uma idéia adequada do domínio do pecado, a menos que nos convençamos dele como algo que se estende a cada parte da alma, e reconheçamos que tanto a mente quanto o coração humanos se têm tornado completamente corrompidos.



A linguagem de Davi soa mui diferentemente daquela dos papistas: Fui formado na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Ele nada diz de seus mais grosseiros apetites, mas simplesmente assevera que o pecado, por natureza, penetrara cada parte dele, sem exceção alguma.



Aqui se formula a seguinte pergunta: Como o pecado se transmite de pais para filhos? E esta pergunta tem guiado a outra relativa à transmissão da alma, negando muitos que a corrupção possa derivar-se dos pais para o filho, exceto na suposição de uma alma ser gerada da substância da outra. Sem pretender entrar em tão misteriosas discussões, basta que sustentemos que Adão, em sua queda, foi despojado de sua justiça original, sua razão foi obscurecida, sua vontade, pervertida, e que, sendo reduzido a este estado de corrupção, trouxe filhos ao mundo semelhantes a ele em caráter.



Se porventura alguém objetar, dizendo que essa geração se confina aos corpos, e que as almas jamais poderão derivar uns dos outros algo em comum, eu responderia que Adão, quando em sua criação foi dotado com os dons do Espírito, não mantinha um caráter privativo ou isolado, mas que era o representante de toda a humanidade, que pode ser considerado como tendo sido dotado com esses dons em sua pessoa; e deste conceito necessariamente se segue que, quando ele caiu, todos nós, juntamente com ele, perdemos nossa integridade original.



Fonte: [ Josemar Bessa ]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A importância da Metamorfose




Braulia Ribeiro 


“Eu prefiro ser…

 

Esta metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…”

Raul Seixas

Parece que tem sabedoria nas palavras do Raul, apesar de tudo. Provavelmente quando cantava  ele pensava estar criticando o status quo,  a  estrutura vigente. E nada mais representativo desta estrutura do que o cristianismo. Ele com certeza achava que estava batendo de frente com o pensamento cristão…

Mas será que estava? Somos criticados, nós os cristãos, por mantermos padrões, seguirmos doutrinas e dogmas. Mas o cristianismo vivo e dinâmico nos leva para muito além dos dogmas, aliás chega a chamar os dogmas de idolatria.  Este cristianismo nos incentiva a “conhecer e prosseguir conhecendo”(Oséias 6:3), numa busca incessante e sincera: “buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo coração” (Jeremias 29:13) Este conhecimento também além de dinâmico deve gerar em nós algum tipo de transformação pessoal. Não é meramente intelectual, mas é vital, humano, entra fundo em nós gerando mudanças constantes.

Só é capaz de buscar aquele que não tem. Para que possamos ser a motivados a continuar conhecendo, temos que reconhecer que não sabemos. Este é o estado de alma da metamorfose ambulante. Estou sempre disposto a mudar através do conhecimento que adquiro. Me metamorfoseio constantemente numa nova pessoa,  através de mais revelação da pessoa de Deus. Quanto mais me aproximo d’Ele mais preciso conhecê-lo e ser transformado. A isto se referiu Carlos Finney, grande avivalista do século XIX, quando dizia que devemos nos converter todos os dias. O que conheço de Deus hoje não é o suficiente, preciso mais, ainda que este conhecimento novo venha questionar idéias anteriores, desafiar meus conceitos, ou gerar novos paradigmas de comportamento na minha vida.

O cristão não dogmático (soa como uma contradição de termos para você? Pois não é…) não é um cristão sem convicções profundas. Mas ao invés de valorizar em primeiro lugar a doutrina à respeito de seu Deus ele valoriza seu relacionamento com o próprio Deus. O Deus vivo, dinâmico, que muda, não em caráter e valores morais, mas que muda na sua estratégia de confronto com o ser humano, na dispensação da sua presença, na quantidade de revelação que derrama, Deus que encobre coisas (Deuteronômio 29:29) mas que as  revela aos justos (Daniel 2:47). O Deus que vai “brilhando mais e mais.” na nossa vida, “até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18).

O preço desta vida de metamorfose é muitas vezes uma certa insegurança. Para onde estou indo? Será que isto é certo? É tão fácil se segurar  em convenções, que todos o fazem, principalmente os não cristãos… O próprio Raul tinha dogmas. Eram com certeza, os não-não. – Não há Deus, não há caráter humano que preste – não há nada bom no velho, no “establishment”, e com certeza não há nada de bom que se possa esperar no novo também…

A diferença de um cristão e de um pseudo livre-pensador é que o cristão sabe que é limitado, que conhece apenas em parte á e de que necessita de uma âncora além de si mesmo para se segurar. Esta âncora não é um dogma doutrinário, mas o relacionamento com uma Pessoa, amorosa, sensível e divina. O cristão deve a esta Pessoa submissão e humildade. Ele tem que trazer sua mente escravizada a esta pessoa: “trazendo cativo todo pensamento à pessoa de Cristo.”(II Coríntios 10:5). Mas o intelectual-liberal no entanto não “deve” nada a ninguém. Ele é seu próprio Deus. Sua âncora é sua razão e nela está seu orgulho. “firmado com os pés no estribo de sua própria razão” (Provérbios 3:6-7) ele nunca vai além de si mesmo, anda em círculos ao redor de seus dogmas pessoais, e vive cego pela idolatria da razão. Este não é capaz de se metamorfosear nunca, porque não há mudança possível para alguém cuja única referência são suas próprias idéias…

Ah Raul, quão  enganado você estava…

Fonte e Créditos para:
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