Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os pais chuparam uvas verdes e os filhos embotaram os dentes

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Um estudo introdutório a
respeito das maldições hereditárias

Introdução:

Vivemos num período caracterizado por uma tremenda confusão doutrinária. Na verdade, de um lado existem aqueles que desprezam os estudos teológicos por acharem que teologia “esfria” a Igreja. Por outro lado existem aqueles, que são herdeiros de uma tradição rica em conceitos sadios e que concordam com a sã doutrina da Palavra de Deus, mas que mesmo assim, se apóiam em doutrinas completamente contrárias aos ensinamentos da Palavra de Deus.

Isso acontece porque tais pessoas desconhecem um princípio hermenêutico (princípio de interpretação) bíblico sadio e correto. A maior verdade de interpretação existente é de que A BÍBLIA INTERPRETA A PRÓPRIA BÍBLIA. Em outras palavras, isso quer dizer que as passagens que são complicadas devem ser interpretadas por outras passagens mais claras. Outro princípio diz que as passagens bíblicas devem ser interpretadas dentro do seu contexto. É bem conhecido aquele ditado que diz que “texto sem contexto é pretexto pra heresia”. Um exemplo de pessoas que viviam dessa forma eram os cristãos da cidade de Beréia que conferiam nas Escrituras se Paulo estava pregando corretamente.

Tais noções nos ajudam contra doutrinas erradas que muitas vezes são passadas dos púlpitos das nossas igrejas. Uma destas doutrinas é a conhecida doutrina das maldições hereditárias. Esta doutrina tão perniciosa é definida por um de seus principais defensores no Brasil da seguinte forma:

A maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado... A maldição é a prova mais contundente do poder que têm as palavras. Prognósticos negativos são responsáveis por desvios sensíveis no curso da vida de muitas pessoas, levando-as a viver completamente fora dos propósitos de Deus... As pragas se cumprem. [1]

Algumas perguntas surgem nas nossas mentes: será que Deus castiga os filhos por causa dos pecados dos pais? Será Deus um agente arbitrário que castiga os filhos que não cometeram pecado no lugar dos pais, que são os verdadeiros culpados? Ou há algo que deve ser entendido devidamente nas passagens onde Deus fala sobre maldição hereditária? São exatamente estas perguntas que nos propomos a responder dentro da única regra de fé e prática da Igreja: A BÍBLIA SAGRADA.

EXAME DAS PASSAGENS QUE FALAM SOBRE MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Dentro da revelação bíblica, a primeira passagem onde ocorre um pronunciamento divino a respeito de castigar nos filhos os pecados dos pais é em Êxodo 20: 4-6, que diz exatamente assim: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Há algumas coisas que devem ser percebidas na passagem acima, as quais são muito elucidativas para o problema em questão.

Primeiramente, devemos notar que essa ameaça divina está dentro do contexto da entrega dos Dez Mandamentos. Deus estava entregando ao seu servo Moisés uma regra de vida para o seu povo escolhido. Percebamos que a advertência divina está logo após a declaração do segundo mandamento “não farás para ti imagem de escultura...”. logo em seguida o Senhor Deus Todo-poderoso dá a razão porque o povo de Israel não poderia fazer imagens: “porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Deve ser notado o uso da palavra “porque”, que indica a razão do segundo mandamento.De forma simples, a advertência divina de castigar nos filhos os pecados dos pais sempre está conectada com a possibilidade do pecado de idolatria.

Em segundo lugar, Deus diz que é Deus zeloso. A palavra “zeloso” quando usada a respeito de Deus descreve o amor que Deus tem pelo seu nome santo, um zelo que exige a devoção exclusiva de seu povo. Ela é usada quando essa reivindicação é ameaçada por falsos deuses (conferir Dt 6.15; Js 24.19). É por causa do zelo que tem pelo próprio nome que Deus adverte o povo de Israel contra o pecado da idolatria e faz a ameaça de castigar as gerações subseqüentes. João Calvino comenta essa passagem de forma interessante. Ele diz o seguinte: “Ora é completamente estranho à equidade da justiça divina o castigar no inculpado o castigo do pecado alheio”.[2] Ele continua dando a razão pela qual essa advertência seria efetivada: “onde esta maldição pesou, que se pode esperar, senão que o pai de família, destituído do Espírito Santo de Deus, viva de forma abominável e o filho, de forma semelhante, abandonado pelo Senhor por causa da iniquidade do pai, siga o mesmo caminho de perdição? Finalmente, o neto e o bisneto, a mesma semente de homens idólatras também se precipitem nos mesmos pecados”.[3] No catecismo que escreveu para a Igreja de Genebra, Calvino afirma que essa imprecação se concretizaria em todos os descendentes que perpetuassem a iniqüidade de seus antepassados. Ele diz o seguinte:

É como se Deus dissesse que ele é o único a quem devemos nos apegar. Ele não pode tolerar a companhia de outro deus e irá demonstrar sua majestade e glória se alguém transferi-las a imagens ou qualquer outra coisa; e não somente uma única vez, mas nos pais, nos filhos e descendentes, ou seja, em todos enquanto sigam a iniqüidade de seus pais; assim também ele manifestará perpetuamente a sua misericórdia e bondade para com aqueles que o ama e guardam a sua lei. Ele declara a grandiosidade de sua misericórdia nisto, em que ele a estende até mil gerações enquanto designa apenas quatro gerações para sua vingança. [4]

Também é interessante a síntese do pensamento calviniano na obra de J. P. Willes:

Acrescenta-se que o Senhor é um Deus zeloso, para demonstrar que ele não tolerará rival algum, e sim vingará o insulto cometido contra a sua glória, se esta for transferida a criaturas ou imagens de escultura; e que essa vingança será visitada nos netos e bisnetos, visto que estes seguirão nos maus passos dos seus pais. [5]

De forma prática, a fim de que entendamos esta passagem de Êxodo, lembremos que desde os tempos mais antigos, os pais de família são os sacerdotes dos seus lares. Lembremos do caso de Jó, que oferecia sacrifícios continuamente pelos possíveis pecados de seus filhos (Jó 1. 5). Os pais sempre foram os responsáveis primários pela educação religiosa de seus filhos. No livro de Deuteronômio 6. 6, 7 encontramos esta verdade: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”. A família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade cristã. As crianças devem ser ensinadas pelos seus pais a amarem ao Senhor de todo coração (Gn 18.18, 19; Dt 4.9; 11.18-21; Pv 22.6; Ef 6.4). Logicamente, os pais que falhassem nessa tarefa estariam contribuindo para que seus filhos permanecessem ignorantes a respeito da lei de Deus e, conseqüentemente, dariam abertura para que seus filhos se tornassem idólatras, pecassem contra o Senhor e fossem assim, severamente castigados pelo Deus santo e justo. Somente nesse sentido é que Deus castigaria nos filhos os pecados de seus pais. Reflitamos: nesse caso, qual o pecado dos pais? A resposta é a idolatria e o falso ensinamento para seus filhos. Qual o pecado dos filhos? A resposta é a idolatria aprendida dos pais e a passagem dos maus costumes para os netos de seus pais. Essa é a interpretação correta. Todas as outras passagens onde esta ameaça ocorre, ela está vinculada à possibilidade de pecado e rebeldia contra o Senhor Deus (conferir Isaías 44.15; Deuteronômio 4.24; Números 14.18, 33).

Mais especificamente, há uma outra passagem no Antigo Testamento que mostra que a responsabilidade pelo pecado é pessoal e individual. A passagem é Ezequiel 18.20: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este”. Esta passagem é muito esclarecedora, onde o próprio Deus afirma que cada um dará contas dos seus próprios pecados. Os filhos não têm culpa dos pecados de seus pais, nem os pais têm culpa dos pecados dos filhos. Mas isso desde que um deles tenha vivido de acordo com a vontade de Deus revelada na sua Palavra. No início do capítulo está escrito: “Que tendes vós, vós que acerca da erra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá (Ez 18.2-4). Ezequiel está explicando que Deus responde de acordo com os atos de cada indivíduo e geração. Cada um é punido por seus próprios pecados. Recomendo que a Igreja leia para um melhor entendimento todo o capítulo 18 de Ezequiel, de forma mais específica, os versículos que se estendem de 10 a 18. Em suma, o pai não leva a culpa pelo pecado do filho, nem o filho leva a culpa pelo pecado de seu pai, desde que um deles tenha vivido uma vida santa, reta, dedicada ao serviço e adoração ao Deus verdadeiro.

RESPOSTA A UMA MÁ UTILIZAÇÃO DE UMA PASSAGEM DO NOVO TESTAMENTO PARA DAR SUPORTE AO ERRO AQUI COMBATIDO

Muitas pessoas enfatuadas, arrogantes e na verdade ignorantes a respeito da Palavra de Deus utilizam, de forma indevida uma passagem neotestamentária para apoiar sua falsa doutrina de maldição hereditária. A passagem é João 9.1, 2, que diz o seguinte: “Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” A resposta de Jesus foi extraordinária: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestassem nele as obras de Deus” (v. 3). Agora eu pergunto aos que afirmam que aqui há uma base para a maldição hereditária: onde esse texto dá apoio à essa doutrina satânica e perniciosa? A resposta é óbvia: EM NENHUM LUGAR! Quereis vós, que distorcem o cristalino ensino da Palavra inerrante de Deus basear os seus falsos ensinamentos apenas na pergunta dos discípulos? Pois bem, não percebem que esta pergunta foi taxada como errada pelo próprio Jesus? A resposta de Jesus Cristo mostra quão errada é esta noção, quão deturpada é a doutrina que ensina que os filhos são castigados pelos pecados dos seus pais. Na verdade, o propósito pelo qual aquele homem havia nascido cego era para que na vida dele as obras poderosas de Deus fossem manifestadas. Ele havia nascido cego para que a glória de Deus fosse manifestada através da cura realizada por Jesus Cristo, a fim de que a sua pregação a respeito do Reino de Deus fosse credenciada diante das pessoas que o ouviam. Esta passagem não ensina nada sobre maldição hereditária a não ser uma única coisa: que esta doutrina é errada!

CONCLUSÃO

Alguns de nossos sofrimentos, como os de Jó, são para a glória de Deus, pois ou resultam em nosso próprio aperfeiçoamento ou em cura espetacular, como no caso do cego de nascença. O propósito de Deus nem sempre é conhecido por nós, mas devemos como cristãos ter a firme convicção de que o seu propósito é bom (Romanos 8.28).

Diante da reflexão aqui empreendida, deve restar a certeza de que Deus trata cada um segundo as suas próprias obras. Digo isso não com relação à salvação, pois se assim fosse, ninguém seria beneficiário da salvação, em virtude da mesma ser única e exclusivamente pela graça soberana do Deus do Pacto; mas esta afirmação tem a ver com a imposição de castigos temporais. Deus disciplinas aos filhos que tanto ama.

Devemos rejeitar toda e qualquer doutrina que vá contra a Palavra de Deus. No caso, uma doutrina que afirme que Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos é uma falsa doutrina e deve ser rejeitada e condenada como herética. Sempre existiram pessoas dispostas a afirmar isso, mas ultimamente tal afirmação ganhou força com a Igreja Universal do Reino de Deus, a qual, nós bem sabemos que é uma instituição que ensina outro evangelho, não o de Cristo. A orientação bíblica é para que rejeitemos também os falsos mestres, que na linguagem do apóstolo João são nada mais nada menos do que “enganadores” (2 João 7).

Em suma, a autoridade para resolver qualquer dúvida a respeito de crença e prática da Igreja é a Escritura Sagrada. Ela é a Palavra inerrante do Deus Todo-poderoso. Ouçamo-la.

SOLI DEO GLORIA!


[1] Jorge Linhares, Bênção e Maldição. Belo Horizonte: Getsêmani, s/d. p. 16.
[2] João Calvino, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, Livro I, cap. VIII, 19. p. 146.
[3]
Ibid. p. 147.
[4]
João Calvino, Instrução na Fé: Princípios Para A Vida Cristã. Goiânia: Logos, 2003. p. 23.[2] João Calvino, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, Livro I, cap. VIII, 19. p. 146.
[5] J. P. Willes,
Ensino Sobre O Cristianismo. São Paulo: PES, 2002. p. 177.

Fonte: [ Cristão Reformado ].
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O genuíno culto pentecostal – 2

Comentário

(I. Introdução)

Hoje, veremos sobre a liturgia do culto a Deus. Este termo não é muito usual no meio pentecostal, significando o conjunto dos elementos que compões o culto cristão conforme relatam os textos de At 2.42-47; 1Co 14.26-40, e Cl 3.16. Embora possamos encontrar liturgia sem culto, não é possível haver culto sem liturgia (Is 1.11-17; 29.13; Mt 15. 7-9, e 1Co 11.17-22). Como sugere o título da lição, veremos qual é o verdadeiro alvo do culto genuinamente pentecostal – a Trindade Divina – Pai, Filho e Espírito Santo. O culto a Deus deve se constituir num estado de espírito permanente na vida daqueles que reconhecem a sua soberania, desde o despertar até o adormecer, buscando a comunhão com ele. O nosso culto pode ter caráter individual ou coletivo, sendo este último caracterizado quando nos reunimos como igreja de Cristo para, em tempo e local pré-determinados, cultuarmos a Deus em conjunto. O pastor Isaltino Gomes Coelho, em seu artigo “A Principal Missão da Igreja“, publicado em O Jornal Batista, edição de 27/7/97 e 2/11/97, no suplemento Notas em Pauta, da AMBB (Associação dos Músicos Batistas do Brasil), declara que o culto à Trindade Divina é a principal finalidade da existência da Igreja Cristã. Desse artigo extraí a seguinte declaração do autor: “A principal missão da Igreja, para mim, não é a evangelização, mas a adoração. Se a evangelização fosse a razão de ser da Igreja, fosse sua missão primeira, no céu não haveria Igreja, pois que lá não há perdidos para evangelizar. Mas no céu há e haverá Igreja porque lá há e haverá Deus. Ela existe em função dele e não dos perdidos. (…) Verdade é que Jesus nos deixou um “Ide”, mas antes deste houve um “vinde”. Os discípulos foram chamados a ele.” (Mt 10.1). Boa aula!

(II. Desenvolvimento)

I. ADORAÇÃO E CULTO

1. O verdadeiro significado do culto. Leitourgia é encontrado em 2Co 9.12 (administração); Fp 2.17; 2.30 (serviço). Latreuõ, ´é o serviço a Deus, significa: ‘adorar’; ‘servir’ [1]. O termo culto tanto no AT (abad) quanto no NT (latreuo), encerra o sentido de ‘servir’, ‘serviço’, referindo-se ao ‘serviço sagrado oferecido a uma divindade’ (Êx 20.5; Mt 3.10). No sentido etimológico, a palavra “liturgia” significa “uma ação do povo”, pois é a junção dos vocábulos leitos e ergon, formando leitourgia. O sentido natural de liturgia é ministério ou serviço do povo. Do ponto de vista do apóstolo Paulo, a tradução correta de leitourgia seria “serviço de adoração” (Gl 5.19-22). Outros termos derivados ajudam a elucidar o vocábulo liturgia: Leitourgós, que significa “servo, servidores”; Leitourgikós, que significa “ministradores” (Hb 1.14). O culto de adoração a Deus é a mais sacra reunião da Igreja, em gratidão ao Senhor por todas as bênçãos salvíficas (Sl 116.12,13). A pessoa principal do culto não é o pregador, o cantor, os conjuntos, os obreiros, mas o Senhor Jesus Cristo. O culto bíblico é a devida resposta das criaturas racionais à auto-revelação do seu Criador. O culto honra e glorifica a Deus, ofertando a Ele agradecidamente todas as suas boas dádivas e todo o seu conhecimento de sua grandeza e graça que Ele tem concedido. Devemos louvá-Lo por aquilo que Ele é, agradece por aquilo que Ele tem feito, desejar que Ele aumente a sua glória por meio de contínuos atos de misericórdia, juízo e poder. Muitos estão participando do culto sem entender o seu significado, esperam ser ‘abençoados’ ou ‘ouvir Deus falar consigo’, esquecendo que o culto é um serviço de adoração à Deus, é para servir e não para ser servido. Søren Asbye Kierkegaard (1813-1855), filósofo e teólogo luterano dinamarquês, em seu livro Purity of Heart is to Will One Thing, traça um paralelo entre o culto cristão e a dramatização teatral. Sua visão é de que, comparativamente, o culto se assemelha a uma dramatização. No culto, o corpo de atores é constituído pela congregação (a igreja), sendo os ministros, o coro, os solistas, os instrumentistas, os declamadores e outros, os “pontos” (de apoio) fora do palco para dar “deixas” para o exercício da adoração coletiva; Deus é o auditório, a platéia, aquele que recebe a performance da adoração [2]. Em seu livro, anteriormente citado, Kierkegaard faz a seguinte declaração: “No sentido mais enfático, Deus é o crítico freqüentador de teatro, que observa para ver como o texto é declamado, e como ele é ouvido… O orador, portanto, é o ponto, e o ouvinte encontra-se abertamente diante de Deus. O ouvinte, se posso assim dize-lo, é o ator, que verdadeiramente atua diante de Deus. [3].

2. A essência do culto a Deus é a adoração. A palavra hebraica que mas se usa para “adoração” no velho testamento significa “inclinar-se”, por exemplo, em Gn 18.2. A palavra grega que geralmente se utiliza no Novo Testamento é “proskuneo”, e significa “prestar honra”, tanto a Deus como aos homens. É dever de toda criatura adorar a Deus (Ne 9.6). Os homens são chamados a dar glória a Deus e a adorá-Lo (Ap 14.7), e em breve, toda a terra O adorará (Sf 2.11; Zc 14.16; Sl 86.9). A verdadeira adoração é prestada a Deus somente por aqueles que nasceram do Espírito de Deus. “Aquele que é nascido da carne, é carne”, disse Jesus, e, portanto, toda assim chamada adoração feita por pecadores não regenerados é carnal. Somente um coração regenerado pode cantar a nova canção (Sl 40.3). Encontramos nas Sagradas Escrituras a revelação do Deus a Quem devemos adorar e como devemos adorá-Lo: “com reverência e santo temor”. A Bíblia produz a atmosfera e fornece os temas, as orações, os louvores e a pregação. Dessa forma, possuímos um padrão para conhecer o que é certo e o que é errado em tudo o que é falado e cantado. Desfrutamos, também, uma maravilhosa liberdade de todas as tradições e artefatos que são introduzidos pelos modismos na tentativa de ‘avivar’ a adoração. A verdadeira adoração é essencialmente simples.

3. Adoração completa e incondicional. A verdadeira adoração surge a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seus dias, não está apto a adorá-lo corretamente. Quando um crente não produz uma vida contínua de adoração, ela não será completa nem incondicional. “Nós não vamos à igreja para adorar, porque a adoração deveria ser a atividade e atitude constantes do cristão dedicado. Nós vamos à igreja para adorar pública e corporativamente”. (John Armstrong). “Adoração é a submissão de todo nosso ser a Deus. É tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é a abertura do coração a seu amor; é a rendição da vontade a seus propósitos” (William Temple). A adoração deve ser a atividade principal, tanto particular como comunitária, na vida de cada crente (E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. Cl 3.17).

Sinópse do Tópico

O culto, assim como todas as nossas ações, deve ser um ato de adoração a Deus onde reconhecemos a sua grandeza e magnitude.

II. COMPOSIÇÃO DO CULTO PENTECOSTAL

1. Liturgia do culto pentecostal. O culto dos crentes primitivos que, nos primeiros dias da Igreja em Jerusalém não diferia muito da liturgia judaica (At 3.1), passou a ser dinâmico, espontaneo e com manifestações periódicas dos dons concedidos pelo Espírito Santo (Rm 12.6-8; 1Co 12.4-11, 28-31). O termo grego leitourgia é também utilizado para designar a forma de oração recitada em sinagogas judaicas. Para os protestantes, o termo descreve uma forma de culto, em contraste com a espontaneidade que ocorria, por exemplo, na Igreja de Corinto. Como povo de Deus, devemos adorá-lo. Isso implicaleitourgia – “Obra pública ou dever público”. Em outras palavras, ao tratar de liturgia cristã, devemos fazê-lo sob a perspectiva da doutrina da adoração cristã. Paulo declarou que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo Espírito, não confiando na carne, mas gloriando-se em Jesus (Fp 3.3). O culto pentecostal caracteriza-se por manifestações emocionais, sonoras, visíveis, os quais representam a atitude do adorador, sem dogmatizar formas externas de cultuar por entender que elas podem engessar a liberdade de espírito de manifestação; isto implica numa responsabilidade maior ao Ministro: um culto genuinamente pentecostal, o ministro da Igreja deve ter o cuidado de ensinar acerca do equilíbrio entre emoção e espiritualidade, sem bloquear a ação do Espírito Santo. No dizer do Pr Elienai Cabral, “Como vamos averiguar se determinada prática é correta ou incorreta? Pela Palavra de Deus. O que deve prevalecer? É o que diz e ensina a Bíblia, nossa regra de fé e conduta. “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”, 2Pd 1.20-21[4].

2. Elemento do genuíno culto pentecostal. Elementos que compões a liturgia pentecostal:

a). Leitura da Palavra:- A leitura, a meditação, o estudo e a pregação da Palavra de Deus devem ser considerados e jamais negligenciados na liturgia. É fundamental que todo culto, todo estudo bíblico e toda pregação tenha apoio escriturístico. A mensagem na igreja tem que ser Cristocêntrica. Se Jesus Cristo não for o centro, alguma coisa está fora de lugar e acaba por não produzir os resultados esperados. Cremos que a Palavra de Deus é a que traz equilíbrio ao homem e o previne para não desequilibrar-se; ela produz pureza segundo a declaração do salmista: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.” (Sl 119.11). Igualmente, ela ilumina o caminho do crente: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho”( Sl 119.105). Praticamente todo o Salmo 119 é uma apologia do poder, do valor e da excelência da Palavra de Deus. Precisamos reaprender a dar à Palavra o espaço que lhe é por direito na liturgia. O estudo da mesma é fundamental para o crescimento do novo convertido e dos crentes em geral. Jesus disse aos judeus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Os grandes discursos apologéticos de Pedro, de Estêvão e de Paulo continham em si mesmo uma grande dose de Palavra. A argumentação destes homens não foi de meras interpretações pessoais ou de ideias preconcebidas, mas, sim, foi com base na Palavra do Antigo Testamento. A pregação da Palavra é fundamental. Por ela vem a revelação de Deus à vida do homem, e por ela a fé é aumentada [5].

b). Cânticos na adoração:- Adoração: Dicionário Brasileiro Globo - Culto a Deus; (fig.) amor profundo; veneração; Minidicionário Luft - Ato de render culto a (divindade). 2. Amar ao extremo. A adoração só é devida a Deus, uma vez que adorar é venerar, render culto, o que implica em uma relação direta entre o adorador e a divindade. Estamos acostumados a ouvir o termo ‘louvor’ ao referir-se sobre música na igreja, em detrimento do termo ‘adoração’. Louvor:- Dicionário Brasileiro Luft – Ato de louvar; elogio; glorificação; apologia; Minidicionário Luft – 1. Elogio; encômio; aplauso. 2. Exaltação; glorificação. Disso concluímos: O que é louvor? Exaltar, glorificar, bendizer a nosso Deus. 1 Cr. 29.20 e Cl.3.16; O que é adoração? veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania sobre o universo, o governo moral e a força dos seus decretos é a manifestação da gratidão por suas bênçãos e proteção. O louvor e a adoração é uma das partes constitutivas do culto coletivo. Sem verdadeira adoração e louvor a Deus, não há verdadeiro culto. (Sl 98.1; 104.4; 150).Todo culto verdadeiro oferece louvor a Deus. O homem é peça fundamental na realização do culto, no entanto, é Deus o centro das atenções, o alvo do culto, e a maior parte dos louvores entoados em nossos cultos não são cristocêntricos. Onde estão os hinos cristocêntricos? Procure nos hinários antigos! Devemos rejeitar todos os hinos da atualidade? É claro que não. Mas devemos estudar as letras antes de entoá-los para evitar erros teológicos e heresias. Pregadores, cantores famosos, devem procurar algum programa de televisão para se apresentarem, porque o único digno de toda honra, glória e poder é Cristo Jesus nosso Senhor. (Ap 15.12-14).

c). As orações e as ofertas:- O ofertório e a coleta de dízimos também é um devocional (Lc 21.1-4; 2Co 9.1-15; 1Co 16.1-4; Rm 15.26 e Hb 7). Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses. Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). Adoramos ao Senhor ofertando voluntária e generosamente, pois assim é ensinado tanto no Antigo Testamento (Ex 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no Novo Testamento (ver 2Co 8.1-5,11,12). Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4).

Sinópse do Tópico

O culto ao Senhor deve ter ordem e decência. A leitura da Palavra, cânticos de adoração ao Senhor, orações e as ofertas voluntárias são elementos indispensáveis para a realização do culto racional a Deus.

III. MODISMOS LITURGICOS

1. Adoção de movimentos estranhos ao cristianismo do Novo Testamento. Estamos numa época de muitas inovações na liturgia e inserções de práticas estranhas ao pentecostalismo tradicional – as mais diversas unções (do riso, do leão, da lagartixa, etc), cair no poder, danças espirituais, entre outros. Estes modismos muitas vezes, são trazidos por pessoas que dizem ter uma nova unção do Espírito. Como bem escreve o Pr Ciro Sanches Zibordi em seu artigo ‘Modismos no Culto Pentecostal’: “Esta, porém, não existe, visto que a unção do Espírito de Deus é uma só, como ensina o apóstolo João: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo”, 1Jo 2.20. Nesse caso, interessar-se por manifestações estranhas, diferentes das apresentadas no NT, é se opor à legítima operação do Espírito Santo[6]. Em 1Co 14, Paulo ensina, no versículo 40: “Mas, faça-se tudo decentemente e com ordem”. Sejamos pentecostais, mas não nos esqueçamos da ordem, da decência e do equilíbrio. E jamais deixemos os verdadeiros elementos de um culto pentecostal: “Cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação”, (1Co 14.26).

2. Cultos exóticos.Muitos de nossos erros nas áreas onde estão envolvidos os dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no freqüente e no habitual. Que todos que desenvolvem desejo excessivo pelas “mensagens” transmitidas por meio dos dons possam aprender com os enormes desastres das gerações passadas com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são lâmpada que ilumina nossos passos e a luz que clareia nosso caminho.” Donald Gee, pastor assembleiano em 1963 [7]. Transcrevo a seguir, uma entrevista com o Dr Paulo Romeroà Revista Fiel:

RF – Quais foram os principais modismos teológicos dos últimos tempos que causaram maiores estragos ao povo de Deus no Brasil?

PR – A Teologia da Prosperidade é um, depois outras doutrinas que foram aparecendo como a Quebra de Maldição Hereditária, o G-12 e as distorções na área de batalha espiritual, porque a ênfase passa a ser nos demônios, em espíritos territoriais. São várias as distorções na área de batalha espiritual. Vimos também os abusos na área dos milagres. E como combater isso? Só existe um meio: com a Bíblia. É preciso voltar aos fundamentos, ao básico, à Palavra de Deus.

RF – Recentemente entrevistamos o professor James Packer, que nos disse que a Teologia da Prosperidade já não tem força nos EUA como antes. O senhor acredita que a Teologia da Prosperidade ainda terá muito fôlego no Brasil e na América Latina?

PR – Ela terá por causa da tirania do mercado. Ela precisa de dinheiro para sobreviver e as igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade conseguem arregimentar a multidão. Essa doutrina prega o que as pessoas querem ouvir. Ela oferece uma ajuda imediata para problemas imediatos. “Você, que não consegue casar, vem aqui e vou lhe arranjar um parceiro”. Ou “Você, que não consegue prosperar, faz a corrente aqui e vai prosperar”.

RF – Quem é o culpado pela ênfase nas soluções imediatas para os problemas?

PR – Esse é o grande problema. Muitas igrejas não pregam mais a Salvação. Elas pregam a solução de problemas. Mudaram o foco. Elas não têm, por exemplo, um trabalho a médio e longo prazo com os seus membros, porque aí precisam falar de vida eterna. Você já viu, por exemplo, essas igrejas falarem sobre Céu, Santificação e Volta de Cristo? Tem pregador que nem quer que Jesus volte, porque ele está tão bem na vida hoje que a Volta de Cristo irá estragar os planos dele.

RF – O senhor tem falado ultimamente que tem aumentado no Brasil o número de crentes desiludidos e frustrados com a fé cristã por terem acreditado na Teologia da Prosperidade. Como tratar os crentes nessa situação?

PR – Os pesquisadores e sociólogos chamam isso de “trânsito religioso”. Há uma igreja em trânsito hoje. São milhares e milhares de crentes, talvez milhões, que não conseguem mais parar em igreja nenhuma. Eles transitam. Qual a igreja que oferece a melhor proposta ou o melhor entretenimento? Qual a igreja que vai oferecer o melhor show daquele fim de semana?

Converti-me ao Evangelho em 1971 e, naquela época, nunca esperava que um dia algumas denominações chamassem um culto evangélico de show. Agora tudo é show. Há igrejas que só funcionam como shows. É a forma de prender a multidão. “Olha, hoje à noite tem fulano de tal, amanhã tem beltrano e depois aquele outro”, e não pára. Porque, se parar, o povo vai embora.

RF – E como tratar um crente assim?

PR – É preciso ensino da Palavra, porque as pessoas que saem dessas igrejas chegam cheias de ensinos distorcidos. Elas chegam falando, por exemplo: “Fulano foi ungido pastor”. Mas na Bíblia não existe unção para pastor. Na Bíblia as pessoas eram ordenadas ao ministério por imposição de mãos, e não ungidas, e a unção não é privilégio de um grupo. Eles vêm cheios desses cacoetes “Eu declaro”, “Eu reivindico”, “Eu não aceito”, “Eu determino”, “Eu decreto”, chegam com distorções doutrinárias.

Aí você tem que ensinar à pessoa que o fato de ela estar em crise não quer dizer que é amaldiçoada. Nunca vi isso. Essa coisa de determinar tudo é falta de ensino. Terão também que repensar a questão do sofrimento, que faz parte da Teologia. Muitos pensam que não existe sofrimento para o crente. O crente não pode adoecer, sofrer, ter dívidas etc. Às vezes fico pensando: até que ponto a pessoa pode acreditar na aguinha em cima do rádio, na cruz pregada na parede, nos sabonetes ungidos…batismo no Espírito Santo com pó de ouro! Há ainda o tapete ungido, a campanha para os adeptos ganharem na loteria etc. O ser humano tem a habilidade de crer em qualquer coisa.

O discipulado é também muito importante. Esses crentes passam a viver uma crise de conversão. As igrejas por onde passaram são fortes na sua ação evangelizadora, atraem o povo, mas são fracas na sua ação discipuladora. Elas não conseguem mais discipular. Porque, para discipular, gasta-se tempo, envolvimento, e isso não existe mais.

Além disso, muitos pregadores de hoje vivem no avião, falam com as pessoas da tevê, não têm mais relacionamentos, a não ser com empresários. Precisamos ajudar as pessoas a crescerem para que possam ajudar outras depois. Uma coisa muito importante ainda é o acolhimento. É preciso acolher essas pessoas, não olhá-las com suspeitas, porque, na verdade, elas já se decepcionaram onde estiveram.

RF – O Movimento Pentecostal foi, sem dúvida, um dos últimos avivamentos que a igreja experimentou nos últimos séculos, afetando o crescimento e a História da Igreja no mundo. No final do século 20, uma versão diferente desse movimento surgiu, com modismos sem base bíblica. Deixando de lado esses desvios, quais os benefícios do Movimento Pentecostal para a Igreja, especialmente no Brasil?

PR – A grande contribuição do Movimento Pentecostal foi a evangelização. Ele é o maior movimento evangélico do mundo. Não tem maior. Mas não foi só a AD, outras igrejas também enfatizavam a evangelização. Hoje, porém, infelizmente, muitas igrejas estão substituindo a evangelização pela competição, pelo proselitismo. Tem muito mais crente mudando de igreja do que pecador aceitando a Cristo. Há igrejas que crescem hoje por competição e não pela evangelização, e com isso aí o Reino de Deus não cresce. Só se muda o peixe do aquário.

RF – O que é preciso para se fazer apologética cristã saudável?

PR – Principalmente equilíbrio. Há pessoas que são apologistas, mas exageradas, sensacionalistas. É preciso amor. Vejo muitos apologistas hostis, atacando as pessoas. Não gosto nem mais de usar o termo seita ou heresia. Acho muito pejorativo. Hoje falo de fenômeno religioso ou movimentos religiosos.

A apologética precisa aprender a construir pontes e não levantar muros. Se ela já chega atirando, o pessoal corre. Os apologistas precisam aprender a dialogar. Não precisa ser hostil. A Bíblia diz: “Falai a verdade com amor”. Além disso, a informação a ser transmitida deve ser apurada [8].

Sinópse do Tópico

Os modismos e cultos exóticos não podem produzir nada mais que movimentação, pois o avivamento só acontece quando a Igreja se volta à Palavra de Deus.

(III. Conclusão)

A Bíblia recomenda que todos, pelo Espírito Santo, falem em línguas e profetizem (1Co 14.5), mas que também exerçam os dons espirituais com sabedoria, ordem e decencia (1Co 14.26-33, 37-40), a fim de que o nome do Senhor seja glorificado (1 Co 14.25), o incrédulo seja convertido (1Co 14.22-25) e a Igreja edificada (1Co 14.26).

Aplicação Pessoal

Temos consciencia de que o culto genuinamente pentecostal deve ser orientado pelo Espírito Santo, e que Ele usa aqueles que se colocam à sua disposição. É maravilhoso notar que somos instrumentos do Espírito Santo e é do agrado do Senhor que seus servos estejam devidamente informados sobre qualquer procedimento nas atividades que a cada crente têm sido conferidas. A direção do Culto cabe ao Espírito mas a participação do crente é indispensável. A disposição correta, o sentimento de ação de graças e o desejo de ofertar um culto racional (Rm 12.1). O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar. Até na salvação haverá ordem (1Co 15.23).

N’Ele, que me garante: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

Fonte: http://www.ensinodominical.com.br/o-genuino-culto-pentecostal-2/


O genuíno culto pentecostal – 1

Pb. José Roberto A. Barbosa
INTRODUÇÃO
O culto é um dos principais elementos litúrgicos da fé evangélica. Mas ao longo do tempo, em virtude da pecaminosidade humana, e da busca pela satisfação própria, esse tem sofrido uma série de deturpações. Na lição de hoje, estudaremos a respeito do genuíno culto pentecostal. Inicialmente, definiremos bíblico-teologicamente o que significa cultuar, em seguida, a fim de evitar o antropocentrismo no culto, destacaremos que seu caráter teocêntrico, e ao final, apontaremos os aspectos do genuíno culto pentecostal.
1. DEFINIÇÃO DE CULTO
O termo culto, tanto no hebraico quanto no grego, dá a idéia de serviço, por isso, na língua inglesa, quando alguém vai ao culto, usa o termo “service”. Na língua portuguesa, a idéia de culto, infelizmente, costuma ser associada ao simples fato de freqüentar e assistir a uma celebração religiosa, costumeiramente evangélica. Os dicionários definem “culto” como um “conjunto das práticas religiosas usadas para prestar homenagem ao divino; liturgia” No hebraico, as palavras para culto são as seguintes: 1) Sharath que significa, a princípio, “freqüentar” algum lugar enquanto servo ou adorador e ocorre três vezes em Ex. 35.19; 39.1; 39.41; 2) Tsabha pode ser encontrada sete vezes, e é usada em conexão com os serviços executados no tabernáculo, seu sentido primário aponta para o ajuntamento para guerrear, dentre as referências bíblicas, destacamos: Nm. 4.30, 35, 39, 43, 8.24; 3) Yadh que significa literalmente “abrir a mão, indicar direção, ministrar com poder”, se encontra em I Cr. 6.31 e 29.5; 5) abhidhah que significa negócio e trabalho: Ed. 6.18; e 6) polchan, da raiz de adorar, ministrar: Ed: 7.19. No Novo Testamento, os termos gregos para cultuar são os seguintes: 1) douleuo, que significa, literalmente, ser escravo, estar atado a um serviço: Gl. 4.8; Ef. 6.7; I Tm. 6.2); 2) latreia, cujo sentido é o de render uma homenagem religiosa, manejar o serviço para Deus, e adorar: Jo. 16.2; Rm. 9.4; 12.1 e serviço espiritual: Hb. 9.1,6; e 3) leitourgia que significa desempenhar funções religiosas na adoração, ministração, dessa palavra vem o termo português liturgia, pode ser encontrada em Fp. 2.17,30. A palavra “culto”, comumente utilizada em português, veio do latim, cujo sentido também é o de “adoração ou homenagem que se presta a uma divindade”. Na acepção cristã, o culto é uma disposição humana integral para adorar o Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, que se revelou em Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne.
2. O CULTO AO SENHOR
O culto cristão deva ser dirigido ao Senhor, somente Ele é digno de toda honra, glória e louvor (Sl. 29.2; 96.9). Em virtude da natureza pecaminosa do ser humano, este tem uma tendência à egolatria, isto é, à adoração de si mesmo. A sociedade moderna escolheu os seus deuses, e a eles presta o seu culto, dentre os quais destacamos: o dinheiro, o corpo e as celebridades. Mamom tem sido amplamente adorado, o próprio Jesus destacou o perigo do culto ao dinheiro, comumente conhecido entre nós por Mercado (Lc. 16.13). A cultura do corpo, como conseqüência do materialismo científico, tem enfatizado unicamente o bem-estar físico, em detrimento do espiritual. Evidentemente, o corpo é templo e morada do Espírito Santo (I Co. 6.19), mas não pode ser objeto de culto, mesmo o conceito de saúde precisa estender-se à dimensão espiritual, pois o exercício físico tem algum proveito, mas a piedade serve muito mais (I Tm. 4.8). Ao invés de adorar a Deus, muitos atualmente elegeram seus ícones para se debruçarem diante deles. O culto às celebridades também é praticado no contexto evangélico, há quem adore mais aos adoradores do que a Deus, aos pregadores da Palavra que o Deus da Palavra. Influenciadas pela modernidade, muitas igrejas valorizam demasiadamente a aparência do culto, ao invés de centrar-se no principal, a adoração a Deus (Sl. 95.6). Em Jo. 4.23 e 24, ao responder à indagação da mulher samaritana sobre o lugar certo de cultuar, Jesus afirma que é Deus quem busca os adoradores, e que somente estão aptos à adoração os que o fazem em espírito e em verdade, isso porque Deus é Espírito, por isso, deva ser adorado como tal, em conformidade com a revelação de Cristo, que é a Verdade (Jo. 14.6). Portanto, mais importante do que o lugar, é a disposição espiritual, a reverência, redenção e amor a Deus, Sujeito e Objeto da adoração. Muitos cultos supostamente evangélicos atualmente servem apenas para cumprir um mero ritual, as pessoas se reúnem pelos motivos mais diversos, exceto pelo principal a adoração ao Pai em espírito e verdade, conforme Jesus ensinou.
3. GENUINAMENTE PENTECOSTAL
A respeito da estrutura do culto, a partir de I Co. 12.40, sabemos que tudo deva acontecer com decência e ordem, para a edificação do Corpo de Cristo (I Co. 14.26), e que esse deve ser racional (Rm. 12.1). Na igreja primitiva, por não disporem de templos, os primeiros crentes se reuniam nas casas (At. 3.1; 4.23,24), onde oravam e adoravam ao Senhor, oferecendo contribuições voluntárias para a obra de Deus (I Co. 16.2; II Co. 9.7; Fp. 4.18). Nesses encontros, havia espaço para a leitura de textos bíblicos (At. 2.42; 17.11) e cânticos de adoração (Ef. 5.18-21). A liturgia assembleiana se baseia nesses elementos do culto neotestamentário, com algumas adaptações regionais. Os cultos costumam ter oração inicial, hinos da Harpa Cristã, hinos cantados pelos conjuntos e corais da igreja, leitura bíblica oficial do culto, oração que segue logo após a leitura, apresentação dos visitantes, hinos avulsos cantados por irmãos e irmãs da igreja local, durante um dos hinos os dízimos e ofertas são arrecadados, depois vem à pregação evangelísticas e/ou exposição bíblica (doutrina ou instrução). Ao final, caso se trata de um culto evangelístico, faz-se o apelo aos visitantes, e conclui-se com uma oração final. Embora essa ordem seja comumente observada, o contexto pentecostal sempre foi marcado pelas operações sobrenaturais do Espírito Santo. Ao longo do culto pessoas podem profetizar, falar línguas (contanto que haja quem interprete), orar pela cura das doenças e enfermidades. A condução do culto deva ser submetida à direção do Espírito Santo, que, através da exposição bíblica e da manifestação dos dons, edifica a igreja de Cristo.
CONCLUSÃO
A tradição é importante, portanto, a ordem litúrgica do culto assembleiano deva ser observada, afinal, conforme orienta Paulo, tudo deva se acontecer com decência e ordem. Não podemos esquecer que o culto genuinamente pentecostal é obra do Espírito Santo, que, por meio da exposição das Escrituras e manifestações sobrenaturais, opera maravilhosamente na igreja para o que for útil. Devemos também destacar que o culto na igreja é apenas uma extensão do culto que tributamos a Deus, a todo instante, em todos os lugares, experimentando a boa, perfeita e agradável vontade de Deus, em cada momento da vida cristã (Rm. 12.1,2).
BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
SOUZA, E. A. de. Nos domínios do Esp

domingo, 15 de maio de 2011

As Nossas Melhores Piores Desculpas…

As Nossas Melhores Piores Desculpas

Por Rev. Jáder Borges

…eu nunca ouvi falar de alguém que tenha
machucado o cérebro enquanto pensava.

À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado. E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir. (Lucas 14.17-20)

Eu sempre li esta parábola do Senhor Jesus impressionado com as desculpas ou motivos arranjados para a não participação no banquete. Pareceu que todos os convidados aceitaram e não vimos ninguém que tivesse declinado. O anfitrião enviou a informação que eles poderiam vir, porque estava tudo preparado. Aí foi quando começaram as desculpas. De tantas lições que o texto proporciona, pensei sobre as desculpas que arrumamos para não realizarmos como deveríamos o evangelismo, sendo este pessoal ou nas diversas possibilidades públicas. Creio que no início da caminhada cristã a maioria dos crentes comprometeu-se com o Senhor em evangelizar; em falar do seu amor, do seu poder e da Sua maravilhosa pessoa. E penso que muitos fizeram isso. Mas depois… o evangelismo foi parando, tanto na prática como na ênfase, que nem é mais dada em muitos púlpitos sobre esta importante ação da Igreja e de cada crente. Assim, já percebo de Norte a Sul membros que não evangelizam, ou pior: nem sabem o que venha a ser isto, na prática, como fizeram os crentes de não muito tempo atrás. Será que a liderança e seus pastores não deveriam rever algumas prioridades? Quais seriam algumas das nossas desculpas para não participarmos deste banquete, principalmente quando temos o privilégio de levar comida que alimenta e sustenta a alma dos famintos?

Recife, início dos anos 1980

Augustus Nicodemus, que eu conheci quando ainda não tinha barba, foi um líder de jovens impressionante e que incentivou muita gente. Fez parte da equipe de acampamentos no Palavra da vida Nordeste e ali sempre nos exortava a trabalhar por Cristo. Aí, Augustus iniciou um evangelismo em um bairro de Olinda chamado Ouro Preto, que contava com uma população imensa de jovens e entre estes, muitos drogados ou envolvidos em vícios. Eu ainda era novo convertido e acabara de ler o livro “A Cruz e o Punhal”, do recém-falecido pastor David Wilkerson, de modo que ocorreram quatro coisas que me deixavam “sem saída”: o evangelho de Cristo estava pulsando em meu coração e se espalhando pelas veias; a Organização Palavra da Vida sempre nos incentivava a evangelizar, a leitura do livro de Wilkerson muito me impactara e Augustus nos incentivava, indo conosco, tocando violão e pregado a muitos daqueles jovens de Olinda. Só tinha um “problema”: a evangelização que fazíamos naquelas tardes (e que entrava tantas vezes pela noite) coincidia com o horário do nosso bate-bola, que eu amava tanto. E agora, ir a qual campo?

Fiz a escolha certa e fui ao campo missionário de Ouro Preto, começando a falar de Cristo na minha Jerusalém (Recife) e indo até Samaria (Olinda… e olhe que eu ainda não cheguei até os confins da terra), vendo milagres de salvação e conversão acontecendo entre rapazes e moças, alguns dos mais malucos do pedaço.

Como fez bem à minha iniciante vida cristã sair para evangelizar! Eu nunca orei tanto; dependi tanto do Espírito Santo e estudei tanto a Palavra, pois, eram tantas as perguntas e tantos os conflitos que surgiam, que eu sempre respondia aos que me indagavam com um: “espera aí que eu vou estudar sobre este assunto e na semana que vem em volto”. E voltava, e respondia… e sempre aprendia! Aprendi a confiar em Deus enquanto evangelizava.

Até hoje, passados 30 anos daqueles dias das ruas de paralelepípedos desnivelados de Ouro preto eu procuro evangelizar: no ônibus, em uma fila para pagar uma conta; no avião… sempre que tenho alguém ao meu lado, faço daquela pessoa o meu alvo missionário e daquela poltrona ao meu lado, um campo missionário. Mas, confesso: ando entristecido, pois não estou vendo mais gente evangelizando. Nem pessoalmente, nem de púlpito e nem mais em praça pública. Nós que temos o evangelho da Graça de Deus, andamos nos esquivando… Não estamos falando de Cristo como deveríamos e poderíamos, através dos tantos recursos que temos. E aí, temos que arrumar mesmo desculpas para não evangelizar. Quais são as nossas “melhores”? Eu não sei quais são as suas, mas sejam elas quais forem para não evangelizar, elas serão sempre as piores.

…“Não tenho tempo” – Tempo nós temos. O que estamos fazendo com ele é outra coisa! A verdade é que temos perdido muito tempo e, com isso, muitas vidas. Vejo hoje, por exemplo, muitos pastores jovens querendo “conquistar” diplomas, procurando títulos, como mestrado, doutorado, etc e tal. Meu querido pastor jovem, o seu melhor diploma são vidas salvas. Seu melhor mestrado? No campo e na prática. É praticando que a gente vai afiando a espada e fiando a fé em Cristo, sempre. Vejam bem, vocês, que eu não sou contra o estudo. Sou contra o fazer do estudo, do título, do diploma uma obsessão; um ídolo, pois, no final, é isso que ele é ou termina sendo. Infelizmente conheço jovens pastores – e pastores velhos, também – que têm mais diplomas na parede do que filhos na fé. Não ter tempo para evangelizar é um mau início de ministério. “Ah Jáder, mas espere aí? Eu sou pastor-mestre e não, evangelista!” E eu lhe diria: antes de ser pastor eu sou crente, salvo, perdoado e comissionado. Eu não preciso ser pastor para falar de Cristo. Mas, como pastor eu também devo falar de Cristo aos perdidos. Como pastor, eu devo sair com as minhas ovelhas ao campo, para que elas falem de Cristo. Um dia desses eu tive o privilégio de sair com as crianças da nossa UCP (União de Crianças Presbiterianas) pelo bairro, distribuindo folhetos. Fomos com uma turma de 30 pessoas (um adulto para cada 4 crianças) e distribuímos porções da Palavra de Deus. Foi tão bom! Fizemos contato com tanta gente! E muitos vizinhos agradeceram. Portas foram abertas. Querido irmão, seja você pastor ou não, todos deveríamos evangelizar mais. E melhor! David Livingstone dizia que ‘Deus tinha um único Filho e fez dEle um missionário’. E Jesus mesmo dizia: “vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim” (Mc 1.38). E o texto segue dizendo que o Senhor Jesus foi por toda a Galiléia…(Mc 1.39). Enfim: crente – seja ele quem for – que não tiver tempo para evangelizar, deve urgentemente rever a sua agenda e as suas prioridades, pois está é perdendo tempo.

…“Não tenho recursos” – Tem. Todos os que precisa para evangelizar. Vivemos em um país livre! Saturado de ‘mercadores da Palavra’, é verdade, mas totalmente carente do evangelho de Cristo. Você sempre encontrará alguém carecendo do evangelho de Cristo, muito mais do que um sedento carece de um copo d’água. E não demorará muito. É só começar. Não espere ter meios, julgando com isso, equipamentos, recursos financeiros, equipe de música, etc. O melhor meio você já tem: a Palavra de Deus. Abra, pregue, ouça as pessoas, fale… e você verá como a espada do Espírito é apta para chegar ao coração e trazer discernimento para todos que a ouvem e a quem o Senhor quer salvar! (Hb 4.12).

…“Vou dar oportunidade para outras pessoas”… – Tinha um membro de uma igreja que eu pastoreei que sempre vinha com esta desculpa: “pastor, agora eu vou dar oportunidade para outra pessoa”, quando queria largar a sua função na Igreja. Só que não tinha esta “outra pessoa”. Aí, ele entrava com a sua segunda e bem surrada desculpa: “...é que eu ando muito cansado”. E eu dizia: “irmão, e quem foi que disse que aqui é lugar de descanso?” Todos os verbos que eu vejo para aqui e para agora são: “arar”, “semear”, “combater”, “ir”, “defender”… “Descansar é um verbo nesta nossa causa aqui na terra”, dizia eu àquele irmão, “só para o Céu, meu querido. Aqui, é guerra. E em uma guerra eu vou com dupla missão: resgatar os feridos e arrebentados pela vida e fazer retroceder o inimigo. E isso não para nunca”!

Paremos nós com essa desculpa. A oportunidade foi Deus quem deu a mim e a você. E tome cuidado, pois o diabo “ama” crente que não evangeliza; “ama” crente que se acomoda e “aplaude” crente que se acovarda. Estes são os seus “crentes preferidos”… e se você não aproveita oportunidades, elas poderão ser desperdiçadas, e o sangue de muitos cairá sobre a terra e você destes terá que prestar contas ao Senhor (ver, Ez 3.18). “Ah, mas evangelizar dá muito trabalho”. Dá. Dá um trabalho enorme! Mas, quem foi que disse que no Reino de Deus não haveria trabalho certo? E mais: crente que não trabalha, acaba é dando trabalho.

…“Preciso me especializar mais em evangelização”. – Que bom que seja isso mesmo! Então, a melhor especialização em evangelização pessoal que eu conheço, é na prática. E não conheço outro e melhor meio e método. É ali que eu acerto ou erro; que eu vou me aprimorando, e orando, e estudando e decorando as Escrituras. Claro: leia o que puder, faça cursos… mas faça entre intervalos de evangelização. Eu mesmo conheço “um monte” de doutores em missiologia – para citar outro exemplo – que nunca foram ao campo missionário. Então, evangelizar é uma santa e doce prática, muito mais na prática! E quando a gente começa e pega gosto… que gosto bom tem na boca o falar de Cristo! E que alegria toma o coração da gente quando um pecador ora com a gente, entregando a sua vida a Cristo.

Evangelizar não é questão de diploma. É questão de diplomacia! De ir em nome do Senhor, como embaixador do Rei (ver, 2 Co 5.18-21;6.1,2).

…“Não estou evangelizando porque preciso ensinar doutrina” – Precisamos de doutrina, é verdade, principalmente nesses dias confusos. Como obreiros zelosos, muitos de nós denunciamos que quase ninguém mais prega sobre temas como “santidade”; “santificação”, “pecado”, “Céu e Inferno” e é verdade. Muitos sermões por aí são, no máximo, de ‘auto-ajuda’ ou pragmatistas em nome de uma religiosidade confusa e tantas vezes, oca. Mas eu não vejo como dissociar doutrina de evangelização. Os dois são aspectos muito importantes na vida, saúde e prática da Igreja. E pergunto: quando foi que as ovelhas na sua igreja ouviram uma pregação sobre a necessidade da evangelização? Ou, quando foi que com igual fervor, denunciamos a falta de sermões evangelísticos e que também orientassem os nossos irmãos a tal prática? A propósito, quando foi o seu último sermão evangelístico? Ah, precisamos de mais homens como George Whitefield em nossos púlpitos.

“…Vou orar”. – Que lindo! Mas que grande desculpa pode ser esta, quando fica só nisso: “vou orar” e nunca agir. Uma das formas que eu acho bonita na oração é que esta palavra em Português é bem significativa. Ore mesmo e ore muito, e nunca saia para evangelizar sem orar. Oração é primordial. Agora, é assim no evangelismo em nosso idioma: Ora… ação!

Ore e dependa. Ore e fale, Ore por aqueles com quem você compartilhou a sua fé em Cristo recentemente. Fale de Cristo em tempo e fora de tempo. Será sempre o melhor tempo este para o pecador, pois perdido, poderá ser achado. Culpado, poderá ser perdoado. Inimigo, poderá ser filho! E quem não gostaria de ouvir sobre isso?! Vá e pregue; vá e fale. Tem muita gente nesta cidade que Deus lhe colocou para falar de Cristo. Em tempo… qual foi o seu último filho/filha na fé? Quanto tempo faz que você ganhou alguém para Cristo? Quem você evangelizou esta semana?

Não se entristeça com as minhas palavras. Antes, tome fôlego e faça três coisas: a) ajoelhe-se e ore; b) volte à pratica deste amor por evangelização e missões e saiba: c) o Senhor Deus colocará alguém bem perto de você, quando você menos esperar, e este será o seu campo missionário.

Fale com sabedoria da Soberania de Cristo. E deixe os resultados com o Espírito Santo. É Ele quem convence e converte. Mas é você quem Ele quer e pode usar para testemunhar de Cristo. Você sabia que evangelizar é um mendigo contando a outro onde foi que ele encontrou pão? E o que não falta ao nosso redor são mendigos famintos.

A grande verdade é que não temos desculpas para não evangelizar. Falar de Cristo, este é o nosso maior privilégio. Para nós que somos salvos, e para os perdidos que poderão ser salvos por Deus.

Falemos de Cristo, Ele é o Salvador,
Senhor tão singular, do mundo o Criador.
Ele foi nos preparar, mansões celestiais.
Falemos de Cristo, mais e mais.

Fonte: [ Blog Fiel ]

Os dons de poder – 1

Pb. José Roberto A. Barbosa
http://www.subsidioebd.blogspot.com/
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, estudaremos a respeito dos dons de poder, são eles: fé, curas e maravilhas. Esses dons são fundamentais à ação evangelizadora da igreja, pois, através deles, é possível testemunhar com manifestações milagrosas sobre a morte e ressurreição de Jesus. A princípio, discorreremos sobre o dom da fé, em seguida, os de curar, e por último, o de operação de maravilhas.

1. DOM DA FÉ
O termo “pistis”, em grego, que geralmente é traduzido por fé, tem inúmeros significados, por esse motivo, faz-se necessário ter cautela na interpretação dessa palavra, e principalmente, o contexto no qual se encontra. Isso porque a fé, nas Escrituras, pode ser salvífica, enquanto condição para a salvação (Ef. 2.8,9), aspecto do fruto do Espírito, que tem a ver com fidelidade e confiança (Gl. 5.22) e enquanto dom do Espírito Santo (I Co. 12.9). A fé salvífica é manifestada no ato da conversão, quando o pecador reconhece que não há outro modo de ser salvo senão mediante Cristo. A fé fruto do Espírito é a fidelidade do cristão que, mesmo em meio às perseguições e adversidades, não desiste da caminhada, agradando a Deus em sua confiança irrestrita nEle, e que tem os heróis da fé como modelo (Hb. 11). Essa fidelidade a Deus não decorre do dom, mas da disposição para crer, depois de ouvir continuamente a Palavra de Deus (Rm. 10.17). A fé enquanto dom trata-se de uma manifestação sobrenatural, pelo Espírito Santo, que capacita o crente para a realização de milagres (I Co. 13.2). Esse dom está interligado à cura e à operação de milagres, pois, a partir da fé dada instantaneamente pelo Espírito, diante de determinadas circunstâncias, o cristão pode fazer proezas em Deus, assim como fizeram os apóstolos, em diversas ocasiões registradas em Atos, em cumprimento às palavras de Jesus (Mc. 16.15-18).

2. DONS DE CURAR
No grego, a expressão “dons de curar” se encontra no plural, “iamaton”, ressaltando, assim, a pluralidade dentro desse dom diante das diversas doenças e enfermidades. Isso quer dizer que existem crentes a quem são dados dons específicos para que sejam instrumentalizadas por Deus para curar determinadas doenças e enfermidades. Mas nem todos os membros da igreja recebem os dons de curar (I Co. 12.11,30), mesmo assim, como somente o Espírito Santo sabe a quem o dom foi concedido, compete aos crentes, indistintamente, orarem pelos enfermos, cientes que a cura é proveniente de Deus, que decide, soberanamente, se quer ou não realizá-la. Esse é um dom do Espírito Santo, não do crente, que cumpre a determinação de Jesus, que dotou os discípulos com a mesma autoridade “para curar toda sorte de doenças e enfermidades”. Os que crerem no Seu nome, disse Jesus aos discípulos, “imporão as mãos sobre os enfermos e eles serão curados (Mc. 16.18). Os dons para curar os diversos tipos de doenças e enfermidades é uma capacitação divina sobrenatural para que a igreja atue na restauração física e mental das pessoais (At. 3.6-8; 4.30). A operação dos dons de cura aponta para o futuro, a dimensão escatológica, cuja plenitude se dará na glorificação do corpo, quando, uma vez transformado, não mais passará por corrupção (I Co. 15.53,54). Os dons de curar, por sua vez, devam apontar para a dimensão integral do ser humano, não deva ser um fim em si mesmo, não pode substituir a pregação plena do evangelho de Cristo, que visa a cura da alma, do corpo e do espírito (Is. 53.4,5).

3. DOM DE OPERAÇÃO DE MARAVILHAS
Filipe, conforme escreveu Lucas em At. 8.6, pelo dom da fé, exerceu um ministério poderoso em Samaria. Nesse versículo está registrado que “as multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava”. Os sinais, semeion em grego, acompanhavam a pregação, pois as pessoas ouviam a mensagem. O dom de operação de maravilhas, “energemata dynameon” em grego, possibilita a realização de atos sobrenaturais no poder do Espírito Santo. Os milagres advindos da manifestação desse dom vão além das leis físicas conhecidas naturalmente pelos seres humanos. Basta citar, como exemplo, a atuação de Jesus sobre a natureza, que chamou a atenção dos discípulos, após acalmar a tempestade: “E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc. 4.41). A mente finita do ser humano, pautada nas leis que reconhece como naturais, é incapaz de compreender a sobrenaturalidade dos eventos divinos (I Co. 2.14). O Espírito Santo agiu, “pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas e os espíritos malignos se retiravam” (At. 19.11,12). A manifestação das maravilhas tem consonância com a pregação, “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?” (Gl. 3.5; Ef. 2.9). Sob nenhuma hipótese, as maravilhas podem substituir a mensagem de salvação do evangelho de Cristo, e esse crucificado (Mc. 16.15; I Co. 2.2).

CONCLUSÃO
A igreja de Jesus Cristo é poderosa, não pela influência política e/ou econômica que tem, mas pela atuação do Espírito Santo. Quando os discípulos quiseram saber quando Jesus estabeleceria Seu reino sobre Israel, o Senhor imediatamente respondeu: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At. 1.7). Em seguida, determinou um “mas” sobre a Sua igreja, a fim de que essa buscasse o dynamis (poder) do Espírito, a fim de testemunhar com ousadia a Seu respeito. Valorizemos, pois, também neste Centenário, os dons de poder: fé, curas e maravilhas, para que, com autoridade, continuemos prevalecendo contra os portais do inferno (Mt. 16.18).

BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
SOUZA, E. A. de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987