Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

quinta-feira, 26 de março de 2015

A História da canonização do Novo Testamento
Trabalho de doutorado em Exegese do Novo Testamento

Introdução. O que virá adiante faz parte do meu doutorado, onde exclui o evangelho de Lucas, em especifico como ponto de partida o capítulo 16 e em especial o versículo 19 em diante.

I. Considerações Preliminares.
 
O cânon é a coleção de 27 livros que a igreja (geralmente) recebe como parte construtiva do Novo Testamento. A história do cânon é a história do processo pelo qual estes livros foram reunidos e o valor deles oficialmente gerou o Novo Testamento oficialmente reconhecido. O processo de canonização foi gradual, sendo avançado por necessidades definidas, e, entretanto inquestionavelmente contínuo. Há duas considerações de sua construção. Estes são:

1. Os cristãos primitivos tiveram o Antigo Testamento: 

Os cristãos primitivos tiveram em mãos o que para eles era a Bíblia, isto é, os livros do Antigo Testamento. Estes foram usados a uma extensão surpreendente na instrução Cristã. Durante um século inteiro depois da morte de Jesus.
 

2. Nenhuma intenção de escrever um Novo Testamento: 
Quando iniciaram o trabalho de escrever uma carta, ninguém teve o propósito definido de contribuir para a formação do que nós chamamos hoje de “Bíblia.” Todos os escritores do Novo Testamento olharam para “o fim” como algo próximo. As suas palavras eram apenas para satisfazer as necessidades definidas em suas nas vidas e com pessoas a eles relacionadas. Não houve nenhum pensamento de criar uma literatura sagrada nova. As circunstâncias e influências que provocaram este resultado serão brevemente fixado adiante.

II. O processo em três fases. 

Para conveniência de definição de impressão o processo inteiro pode ser separado em três fases:
 

a) O tempo dos apóstolos até 170 d.C;
 

b) Os anos finais do 2º século e o inicio do 3º (170-220 d.C);
 

c) Do 3º ao 4º século.
No primeiro se busca as evidências do crescimento em avaliação ao valor estranho das escritas do Novo Testamento; no segundo se descobri o reconhecimento claro, uma grande parte destas escritas como sagrado e autorizado; no terceiro a aceitação do cânon completo tanto no Leste como no Oeste.


1. Dos Apóstolos a 170 d.C: 


1.1. Clemente de Roma; Inácio; Policarpo: 
O primeiro período estende-se a 170 d.C. Ao final do 1º século todos os livros do Novo Testamento eram existentes. Eles eram, como tesouros de determinadas igrejas, extensamente separados e honrados como contendo a palavra de Jesus ou o ensino dos apóstolos. Os primeiros livros a serem reconhecidos eram aqueles que gozavam a autoridade de Jesus.

O crescimento da igreja e a partida dos apóstolos para terras distantes enfatizaram o valor dos escritos do Novo Testamento. No inicio de período primitivo houve o desejo de que cada igreja obtivesse instrução de cada carta para que houvesse um meio de conduta ideal.

Policarpo (110 d.C?) escrevendo aos Filipenses: “eu recebi as vossas cartas como também as de Inácio. Vocês recomendam que eu envie para a Síria; Eu tão farei pessoalmente ou por outros meios. Em retorno, eu lhes envio a carta de Inácio como também outras que eu tenho em minhas mãos as quais vocês pediram. Elas servirão para edificar a fé e a perseverança" (Carta aos Filipenses, XIII).

Esta é uma ilustração do que deve ter acontecido para avançar o conhecimento das escritas dos apóstolos. Até que ponto os livros do Novo Testamento começaram a serem difundidos é impossível dizer, mas é justo deduzir que uma coleção das epístolas de Paulo já existia no período de Policarpo quando escreveu aos filipenses e quando Inácio escreveu as suas sete cartas para as igrejas da Ásia Menor, i.e. aproximadamente 115 d.C.

Clemente de Roma, em 95 d.C, escreveu uma carta em nome dos cristãos de Roma para os de Corinto. Na carta ele faz menção de registros encontrados em Mt, Lc, dando isto uma retribuição grátis (veja capítulos 46 e 13); ele foi influenciado muito pela Epístola aos hebreus (veja capítulos 9, 10, 17, 19, 36). Ele reconhece romanos, coríntios, e também há menção de 1 Tm, Tt, 1 Pe e Ef.

As Epístolas de Inácio (115 d.C) tem muita semelhança ao conteúdo dos evangelhos em vários lugares (Ef 5; Rm 6; 7) e incorpora muitas relações em sua cartas semelhantes a das epístolas Paulinas. A Epístola de Policarpo faz uso de filipenses, e além disto cita nove das outras epístolas de Paulo. Inácio cita Mateus, aparentemente de memória; também 1 Pedro e 1 João.

Com respeito ao que Clemente, Policarpo e Inácio escreveram não é o bastante para dizer que eles nos trazem reminiscências ou cotações disto ou daqueles livros. O ensino dos doze apóstolos (aproximadamente 120 d.C em sua forma presente); a Epístola de Barnabé (aproximadamente 130 d.C) e o Pastor de Hermas (aproximadamente 130 d.C). Estes exibem os mesmos fenômenos assim como está atestado nas escritas de Clemente, Inácio e Policarpo.



2. O valor dos escritos: 


2.1. Os gnósticos, Marcion: 
Basilides considerado o grande mestre que ensinou na Alexandria durante o reinado de Adriano (d.C 117-38), teve por tradição a autoridade dos apóstolos Matias e Glaucias, intérprete alegado de Pedro, ele testemunhou Mateus, Lucas, João, Romanos, 1 Coríntios, Efésio, e Colossenses no esforço para recomendar as suas doutrinas.

O mais notável dos Gnósticos era Marcion, um nativo de Pontus. Ele foi para Roma (aproximadamente 140 d.C). Em defesa das suas visões, ele formou o seu próprio cânon que consistia no Evangelho de Lucas e dez das epístolas de Paulo. Ele rejeitou as Epístolas Pastorais, Hebreus, Mateus, Marcos, João, Atos, as epístolas católicas e o Apocalipse, e fez uma recensão do evangelho de Lucas e as epístolas de Paulo que ele aceitava. A importância do seu trabalho está no fato de que é ele quem dá a primeira evidência clara da canonização das epístolas de Paulo.

2.2. De 170 d.C a 220 d.C: 
O período de 170 d.C a 220 d.C. Inicia a idade de uma literatura teológica volumosa, ocupando os grandes assuntos do cânon da igreja e do credo. É o período dos grandes nomes como: Irineu, Clemente de Alexandria, e Tertuliano, representando a Ásia Menor, Egito e a África.

2.2.1. Irineu. 
Nasceu na Ásia Menor, viveu e ensinou em Roma e se tornou o bispo de Lions posteriormente. Fora discípulo de Policarpo, o qual, também fora discípulo do apóstolo João. Defensor sério da verdade, ele fez do Novo Testamento em grande parte a sua autoridade. Os quatro Evangelhos, Atos, as epístolas de Paulo, e a maioria das epístolas católicas e o Apocalipse é para ele a Bíblia em o sentido mais pleno da verdade o qual ele considerou genuínos e autorizados, assim como em seu tempo o Antigo Testamento já era. Tertuliano segue a mesma posição, enquanto Clemente de Alexandria aceita apenas os quatro evangelhos como a “Bíblia.” No final do 2º século foi resolvido o cânon dos evangelhos. O mesmo aconteceu com as epístolas de Paulo.

Irineu fez mais de duzentas citações de Paulo, ele foi considerado o maior defensor das epístolas de Paulo. Pode se dizer que o cânon do Novo Testamento era para ele os evangelhos e os apóstolos. O título Novo Testamento parece ter sido usado pela primeira vez por um escritor desconhecido contra o Montanhismo (aproximadamente 193 d.C). Após Orígenes e escritos posteriores é que esse termo é utilizado.


2.3. O Fragmento Muratoriano. 
O fragmento muratoriano é assim denominado porque sua descoberta em 1740 se deu pelo bibliotecário de Milão, Muratori. Sua datação está perto do fim do 2º século, é de interesse vital no estudo da história do cânon, pois registra uma lista dos livros do Novo Testamento. Contêm os Evangelhos (inicia com Marcos, mas Mateus é claramente incluído), Atos, as epístolas de Paulo, Apocalipse, 1 e 2 João e Judas.

Não menciona 1 e 2 Pedro, Hebreus, Tiago. Nesta lista se tem a posição do cânon do final do 2º século. Sete livros não tiveram contudo um lugar seguro ao lado dos evangelhos, e as cartas de Paulo como também as igrejas da palestina e síria rejeitaram o Apocalipse por muito tempo, enquanto algumas das epístolas católicas estavam no Egito considerado duvidoso. A história da aceitação final do Cânon e seus livros só se deram perto do inicio do terceiro século.

3. 3º e 4º Séculos: 


3.1. Orígenes: 
Nasceu na Alexandria aproximadamente em 185 d.C. Em 203 foi designado bispo, e morreu em 254. A sua fama se deu na habilidade com os manuscritos, ele foi considerado como o maior exegeta, entretanto ele trabalhou laboriosamente e prosperamente em outros campos.

O seu testemunho é de valor alto, não simplesmente por causa dos seus próprios estudos, mas também por causa do seu conhecimento o qual estar em debates em centros do cristianismo no mundo em seu tempo. Apenas os Evangelhos, as epístolas de Paulo e Atos, que ele aceitou como canônico.

3.1. Dionísio: 
Outro nome notável deste século é Dionísio de Alexandria, um discípulo de Orígenes (morreu 265). A discussão mais interessante dele está em considerar o livro do Apocalipse a um João desconhecido, mas ele não ignora sua inspiração.

É um fato singular que a igreja ocidental o aceitou logo de inicio, enquanto sua posição no oriente foi variável. Com respeito às epístolas católicas Dionísio apóia Tiago, 2 e 3 João, mas não 2 Pedro e Judas.

3.2. Cipriano: 
No Oeste o nome de Cipriano, bispo de Cartago (248-58 d.C), era muito influente. Ele estava muito comprometido em controvérsia, mas um homem de grande força pessoal. O livro do Apocalipse que honrou altamente, mas concernente ao livro de hebreus ele não considerava como canônico. Ele também recorre a só dois das epístolas católicas, 1 Pedro e 1 João.

3.3. Eusébio: 
Inicio do 4º século (270-340 d.C), bispo de Cesárea antes de 315. Os critérios para cada um deles eram: autenticidade e apostolicidade, e na lista houve os Evangelhos, Atos, e as epístolas de Paulo. Entretanto os livros disputados, i.e. Os que foram reconhecimento parcialmente foram: Tiago, Judas, 2 Pedro e 2 João. Já o livro do Apocalipse ele não estava seguro. Vê-se que não houve muito avanço no 3º século. Tudo isso demonstra que nenhuma decisão oficial e nem uniformidade ao canon foi uso da igreja. Na metade do 4º século repetiu-se e foram feitos esforços para acabar com a incerteza.

3.4. Atanásio: 
Atanásio em uma de suas cartas pastorais com relação à publicação do calendário eclesiástico dá uma lista dos livros que ele teve como Bíblia, e na porção do Novo Testamento são incluídos todos os 27 livros que nós reconhecemos agora. “Estes são a fonte da salvação", ele escreve.
 

Gregório de Nazianzo (morreu 390 d.C) também publicou uma lista que omite Apocalipse, como fez Cirilo de Jerusalém (morreu 386), e totalmente ao término do século (4º) Isidoro fala do “cânon de verdade, como Escritura Divina”. Durante um tempo considerável o livro do Apocalipse não foi aceito nas igrejas palestinas ou sírias.
 
Atanásio ajudou para a sua aceitação na igreja de Alexandria. Porém, algumas diferenças de opinião continuaram. A igreja da síria não aceitou todas as epístolas católicas.

4. Concilio de Cartago, Jerônimo; Agostinho: 

O Concilio de Cartago em 397, decretou que os livros que não estavam inseridos na Bíblia não deveriam ser lidos nas igrejas e nem considerados como Escrituras Divinas.
 

Depois que houve um empenho para atestar a unanimidade, mesmo assim houve divergência de julgamento. Os livros que tinham variado por estes séculos eram o Apocalipse e as cinco epístolas católicas. O avanço do Cristianismo por Constantino teve muito significado para a recepção do grupo inteiro dos livros em sua época.
 
A tarefa que o imperador deu a Eusébio para preparar “cinqüenta cópias da Escritura Divina” estabeleceu um padrão que ao seu tempo deu reconhecimento aos livros que até então eram duvidosos. No Oeste, Jerônimo e Agostinho eram os protagonistas na determinação do cânon. A publicação da Vulgata fez determinar o assunto.

A conclusão que se chega é que o elemento humano fora o envolvimento no processo inteiro de formar o Novo Testamento. Ninguém disputou um dominio providencial de tudo. É bom ter em mente que todos os livros não têm o mesmo título no cânon até a sua história de atestação. Porém, claro e cheio e unânime foi desde o princípio o julgamento nos Evangelhos, Atos, as epístolas de Paulo, 1 Pedro e 1 João.

Fonte: 
http://exegesebiblica.blogspot.com.br/p/historia-da-canonizacao-do-novo.html

terça-feira, 24 de março de 2015

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Por Josemar Bessa


Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica” - Rm 8:33

Justificar é muito mais que absolver. Na justificação há uma resposta adequada para cada acusação, um indenização completa por cada demanda que pesa sobre os filhos (eleitos) de Deus, um recibo para cada dívida mostrando: Quitado! Quão gloriosa é a justificação que temos em Cristo. Mas isto que falamos não compreende tudo o que a justificação significa.

Justificar é muito mais do que perdoar e absolver. Ela dá uma justiça que a absolvição simples não poderia prover. Alguns são absolvidos por falta de provas, outros são honrosamente absolvidos... mas ninguém sai de um tribunal com as honras que Deus concede aos seus eleitos ao justificá-los: “Assim disse Hamã ao rei: Para o homem, de cuja honra o rei se agrada, Tragam a veste real que o rei costuma vestir, como também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ponha-se-lhe a coroa real na sua cabeça” ( Ester 6.8).

Viu o que Assuero fez a Mordecai? Quando Deus justifica um homem Ele não apenas o absolve, mas coloca-lhe um manto de justiça, um manto real, no qual ele pode estar diante de Deus como um santo, impecável em obediência – na obediência gloriosa do Seu Filho Amado. Recebem uma coroa de justiça: “E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro.” – “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.” (Ap 4.4; 5.9,10).

Que glória há nesta verdade, você e eu, se fomos eleitos, se estamos no Reino, se fomos chamados eficazmente, se fomos regenerados, se cremos no Filho de Deus, se fomos justificados, embora em nós mesmos sejamos criminosos vis e culpados – agora aos olhos de Deus não somos mais apenas “não culpados” – somos vistos debaixo da justiça de Cristo – com uma justiça gloriosa, imaculada, sem ruga...

Como nossas mentes poderiam não se encher com este mistério infinito e gerar eterna e santa admiração parecendo ser nossa justificação algo grande demais para ser verdade? Como não viver cheio de um inesgotável regozijo? Como precisar de qualquer outro estímulo que nos leve a completa adoração?

Um criminoso culpado que mesmo assim recebe perdão, sai do tribunal com a cabeça baixa diante da multidão – com desejo de não encontrar ninguém que esteve naquele tribunal nunca mais – com grande senso de vergonha... Mas ser coberto por um manto de justiça diante dos olhos de um Deus infinitamente Santo é algo inacreditável demais! Se levantar como um filho amado, sem mancha, ruga... isso excede a todo pensamento humano agora e na eternidade. Nem homens, nem anjos podem compreender isso completamente.

Houvesse uma ruga, uma mácula e não poderíamos estar naquele dia diante de Deus – Seus olhos santos não podem descansar sobre qualquer imperfeição. Qualquer imperfeição ou mancha faz acender sua Ira.

Quem os condenará?

A Lei nos condena justamente e nossas próprias consciências nos condenam. Apesar disso o apóstolo Paulo levanta sua voz de maneira inabalável e inamovível e declara: “Quem os condenará?” – Olhe ao seu redor e não será difícil encontrar um mundo de condenação sobre os eleitos de Deus – podem ser condenados por se apegarem a uma doutrina que por não ser antropocêntrica, será taxada como “sem amor” – doutrinas perigosas – intolerantes – preconceituosos – apegados a uma falsa verdade absoluta (acusação feita por um mundo de mentiras e ‘verdades’ pessoais’), por não serem maleáveis, por serem orgulhosos por causa das doutrinas da graça ( quando na verdade elas são ofensivas por humilhar o homem)... Condenados! O Filho de Deus neste mundo foi condenado a morte.

Onde está a mente dos eleitos? A pergunta final é: Será que Deus os condenará? Será que Ele condenaria as Doutrinas que Ele revelou? Condenaria as experiências (regeneração, santificação...) que Ele mesmo operou por meio de Seu Espírito? Condenaria a vida que agora vivem na fé no Seu Filho amado? Por entrarem pela porta estreita que Ele providenciou e o caminho estreito que ele abriu?

Mesmo a condenação de uma Lei Santa e uma consciência sensível não prevalecerá. E por que não? Porque Cristo morreu! Esta é a resposta toda suficiente sobre a vida dos eleitos de Deus. Do começo ao fim o apóstolo fala sobre a cooperação das obras. Ele tem apenas duas respostas – “É Deus quem os Justifica” – Para os que ousam condená-los sua resposta é: “É Cristo que morreu” – Todos os acusadores na corte de Deus, na corte do Universo criado, ficam mudos.

Os eleitos receberam um novo coração para amar e obedecer alegremente a Deus aqui. Se sujeitar como Cristo em tudo se sujeitou ao Pai em obediência até a morte. Serão inevitavelmente santificados, vencerão o mundo, perseverarão até o fim no poder do Espírito, e por fim, serão glorificados. Nenhum desses passos faltará na vida de todos os eleitos de Deus. Todos os filhos de Deus se purificarão assim como ele é puro e buscarão dia e noite a santificação sem a qual ninguém verá a Deus, pois é o Espírito que opera isso neles; tanto o desejar como o efetuar.

Porque Deus justifica seus eleitos só eles podem dizer: “Se Deus é por nós quem será contra nós?” – É estranho como muitos gostam de ao mesmo tempo negar as doutrinas da graça – predestinação, eleição... e ainda assim citar esse verso. Mas não podem – O texto é claro sobre quem diz isto: “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” – Por que podem dizer isto? Porque “quem os condenará se é Deus quem os justifica?

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Fonte: Josemar Bessa
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Por Francisco Alison Silva Aquino


Agostinho é considerado um dos maiores teólogos da história da igreja, desde os tempos pós-apostólicos até os dias de hoje. Historiadores como Adolf Von Harnack, por exemplo, diriam que Agostinho é o maior vulto da igreja entre o apóstolo Paulo e o reformador Martinho Lutero. Sua contribuição para o pensamento cristão é sem dúvida muito rica, uma vez que ele tratou de vários temas bíblicos, assim como de debates a respeito dos mais controversos assuntos teológicos. Nesse sentido, vejamos algumas contribuições deste grande mestre do período patrístico.

No que diz respeito às obras de Agostinho de Hipona, algumas merecem destaque tais como: Confissões (397), Da graça e do livre arbítrio (426-427), Da trindade (c. 399- c. 419) e a Cidade de Deus. Seus escritos tiveram grande impacto na construção do pensamento cristão em toda a história da igreja. É praticamente impossível estudar o pensamento de determinado teólogo sem ver ali traços do pensamento de Agostinho.

Agostinho se preocupou em defender alguns pontos teológicos muito importantes para a teologia cristã, tais como a trindade e a doutrina da predestinação.

Ele esteve meditando no problema da trindade durante toda a sua vida cristã. É importante destacar que ele aceitava a verdade de que só existe um Deus e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são ao mesmo tempo distintos e coessenciais, e numericamente um em substância. Embora ele não tentasse provar essas verdades, ainda assim ele cria que a escritura as ensinava quase a cada página. 

Kelly nos mostra algo muito interessante a respeito da ideia de processão do Espírito e a geração do filho. Ele diz:

“Agostinho sempre encontrou dificuldade para explicar o que era a processão do Espírito ou em que ela difere da geração do filho. Ele estava certo, no entanto, de que o Espírito é o amor mútuo do pai e do filho (communem que invicem se diligunt pater et filius caritatem), o vínculo consubstancial que Os une. Seu ensino constante foi, portanto, de que ele é o Espírito tanto de um como de outro; em sua maneira de se expressar, o Espírito Santo não é o Espírito de um deles, mas de ambos.” (KELLY, 1994, p. 208).

Nesse sentido, Agostinho cria que o Pai e o Filho formam um princípio único em relação ao Espírito Santo. Por isto Agostinho ensinou a doutrina da dupla processão do Espírito a partir do Pai e do Filho (filioque) mais inequivocamente do que qualquer um dos pais ocidentais que vieram antes deles.

Muitas outras considerações a respeito da doutrina da trindade desenvolvida por Agostinho poderiam ser exploradas aqui, porém o que já foi dito é o bastante para comprovar que este grande teólogo defendeu esta verdade maravilhosa com tanto afinco. No entanto, Agostinho é mais lembrado por suas controvérsias com Pelágio acerca da doutrina da depravação humana.

A controvérsia inicia com uma afirmação na obra “Confissões” de Agostinho que provocara Pelágio. Agostinho dissera: “Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes”. Esta oração reconhecia a necessidade que o homem tem da graça soberana. Agostinho entendia que Deus faria no homem o que requer dele. Pelágio simplesmente não podia aceitar isso. Para ele, uma ordem divina implica na capacidade humana de obedecê-la.

Sobre esta controvérsia, Lawson afirma:

“Este foi o cerne da disputa entre Agostinho e Pelágio. Agostinho ensinava que o homem, na queda de Adão, perdeu toda a capacidade de obedecer a Deus. Por causa do pecado original, os seres humanos não podem realizar o que Deus requer. Pelágio, confiando na razão humana, mais que na revelação divina, concluiu que a responsabilidade necessita de capacidade. A despeito do ensino da escritura, ele insistia sobre a capacidade natural do homem caído em guardar a lei de Deus. As principais facetas do ensino de Pelágio consistiam num exaltado conceito da responsabilidade humana e o conceito deficitário da soberania divina.” (LAWSON, 2013, p. 289)

Assim sendo, Agostinho trouxe uma compreensão mais aprofundada a respeito da doutrina da depravação do homem. Enquanto muitos negavam o estado de miserabilidade do homem no pecado, Agostinho defendia que cada ser humano nasce em pecado (Sl 51.5) e que a menos que Deus intervenha com sua graça soberana ninguém pode ser salvo.

Por fim, este mestre do pensamento cristão é referência para todos os teólogos posteriores a ele, de modo que é impossível ler o pensamento de outros grandes vultos do pensamento cristão sem enxergar as tonalidades agostinianas nos escritos destes mestres.

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Referências:
KELLY, J.N.D. Patrística: Origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 1994.
LAWSON, Steve. Pilares da graça: Longa linha de vultos piedosos. São José dos Campos: Fiel, 2013.

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Divulgação: Bereianos 
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Por Rev. Felipe Camargo


A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança. (Lc 8.15)

Para ser perseverante e frutificar com perseverança é necessário reter a palavra no coração. A parábola que Jesus conta em Lucas 8 é para mostrar quem são aqueles que pertencem de fato ao reino de Deus; e mostrar porque há tantos que se desviam do evangelho. Jesus mostra que são poucos os que tem o coração preparado para receber a Palavra de Deus. Um dos versículos mais conhecidos, Salmo 119.11, diz que é guardando a Palavra de Deus no coração que nós não pecamos contra o Senhor. Isso só é possível se nós meditarmos nas Sagradas Escrituras. Infelizmente a meditação na Palavra do Senhor tem sido desprezada. Já reparou, por exemplo, que não temos o costume de decorar versículos bíblicos? Ou, que muitas vezes nem sequer lembramos do texto lido em nossa devocional? Ouvir e ler a Bíblia não é o mesmo que reter e guardar. É necessário tomar cuidado com as leituras superficiais da Bíblia, porque ela vai gerar em nós uma vida espiritual também superficial.

Quando a leitura bíblica não é superficial, mas existe uma meditação sincera, o resultado são os frutos. Outro texto bem conhecido é o salmo 1. No versículo 3 diz que aquele que medita na Palavra de Deus de dia e de noite é comparado à arvore que dá seu fruto no devido tempo. O primeiro fruto que surge é no momento da leitura. Muitas vezes somos confortados pelo texto que lemos, outras vezes somos exortados e não conseguimos ficar em paz enquanto não confessarmos nossos pecados. Mas, outros frutos surgem com o passar do tempo. Muitas vezes as mudanças em nossas vidas são notadas quando menos esperamos. 

No entanto, temos que ficar alertas também para as mudanças superficiais. Estas são aquelas mudanças que não duram muito tempo. A verdadeira transformação é aquela que é constante. O crente verdadeiro não se acomoda nem tem animo dobre (inconstante), mas ele sempre está frutificando com perseverança. 

O apóstolo João diz que, o que nos foi dado escrito (Bíblia), é suficiente para crermos em Cristo e crendo teremos vida em seu nome. A Palavra de Deus frutifica em nós dando a vida eterna. Foi por causa disso que Philip Paul Bliss escreveu o hino 351. Em princípio a intenção era apenas criar um cântico que fosse entoado na Escola Dominical de sua igreja. Mas, com o passar dos anos essa música começou a ser usada como tema para a Escola Bíblica Dominical em diversas partes do mundo. Philip entendia que só por meio das Escrituras uma igreja pode entender a graça divina e crescer no Senhor. “Que alegres são estas palavras de vida!

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Fonte: Bereianos
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Por Denis Monteiro


2Reis 21.1-9,16; 2Cronicas 3.10-20.

Na cultura popular brasileira existe um ditado que diz “pau que nasce torto nunca se endireita, vira lenha”. Ou seja, não há nenhuma esperança para este “pau”, pois não serve para nada. Na mesma voz é o que diz a música brasileira, “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, é assim que eu sou”. O escritor de Eclesiastes diz que “aquilo que é torto não se pode endireitar” (Ec 1.15), claro que tal visão é tida por um viés daquilo que ocorre “debaixo do céu”. 

Mas, será que não há nenhuma esperança para esta pessoa? É bem claro que o escritor de Eclesiastes diz que “não SE pode endireitar”, ou seja, eu, por minhas próprias forças, não consigo endireitar, mas somente alguém mais poderoso do que eu para fazer isso. Porém, algumas dessas formas de “endireitamento” não são tão boas quanto pensamos, pois Deus, às vezes, usa a sua graça mediante coisas que não entendemos para atingir o seu propósito. E uma dessas formas pode ser vista na vida do Rei Manassés, o pior rei que já sentou no trono de Davi, o qual rejeitou toda a obra de seu pai Ezequias e fez o que seu avô, Acaz, fizera – idolatria (2Cr 28.22-25). 

Os pecados de Manassés – 2Rs 21.1-9,16

O escritor de Reis nos dá uma lista mais detalhada dos pecados de Manassés do que o escritor de Crônicas, não que isso seja uma contradição, mas porque o propósito de cada autor é diferente. Sendo assim, os pecados deste rei são: 

O culto é profanado – (3-9)

Tudo quanto Manassés fez foi transgredir a Lei de Deus, mais precisamente os quatros primeiros mandamentos, os quais tratam do nosso culto a Deus (Êx. 20.1-11).

A família é mal instruída – (v.6)

Como consequência de seus atos diante de Deus, a família, como parte do mandato Divino dado a Adão, sofre as consequências da desobediência a Deus. Não que Deus puna uma família, onde há um crente, por causa da idolatria do descrente, mas se tal família continua com as mesmas práticas pagãs de seus antepassados, Deus manifestará a sua ira (Êx 20.11).

O relacionamento social é afetado – (v.16)

Se o culto a Deus é profanado, logo, a base familiar é arruinada. Mas, se uma sociedade é formada por uma base religiosa e familiar e essas duas são totalmente pervertidas, o que pode acontecer com o relacionamento social? Morte de inocentes! Aquilo que Deus ordenou a Adão – dominar, guardar e cultivar sobre todas as coisas (Gn 1.28; 2.15,16) – é profanado e já não há mais justiça. 

Todo ato praticado contra Deus é expresso não só em nosso culto, mas nos locais onde vivemos quer seja na família, entre amigos e/ou no trabalho. Não existe esse dualismo, onde aquilo que eu faço na igreja não incentiva ou influencia onde eu vivo. A nossa vida é um culto diário. Se o nosso culto diário for ruim, o nosso culto litúrgico também será. Ou seja, não adianta viver uma vida desregrada fora da igreja e no culto demonstrar-se o maior crente piedoso que já existiu, pois para nós pode parecer piedade, mas para Deus é um culto nojento que estaremos ou estamos apresentando. 

E como a graça de Deus agiu na vida deste rei ímpio? 

O juízo de Deus sobre Manassés – (2Cr 33.10-20) 

Da mesma forma que o autor de Crônicas não detalha os pecados de Manassés, o autor de Reis não fala do cativeiro que Manassés teve que passar. Portanto, o fato de Reis não mostrar a seu arrependimento é porque Reis quer mostrar as causas da profundidade do pecado e por que veio o exílio sobre Judá. Crônicas quer mostrar a graça de Deus em um povo que, por meio do arrependimento, se voltaram para Deus. Mas, a questão é que Deus não usa meios tão lógicos à nossa mente para que produza arrependimento em nós. 

A Assíria é o instrumento de Deus – (v. 10,11)

Assim como profetizado por Isaias (Is 10.5), a Assíria foi o instrumento de Deus para mostrar a Sua ira, Manassés passou por algumas torturas as quais os humilharam, não somente diante de um povo ímpio, mas por ter sido levado a uma nação que já tinha sido vencida também – A Babilônia (v.11). Para os leitores da época, isso servia para que eles relacionassem a experiência que eles tiveram como a deste rei. 

Diante disso, vemos a graça de Deus produzindo bons resultados em meio a este mal.

Manassés buscou a Deus – (vs.12,13)

Em meio a um mal físico produzido pelo próprio Deus, Ele faz com que este rei o busque e se humilhe diante do verdadeiro Deus. Manassés se mostra arrependido buscando a Deus em súplicas e humilhações e o Senhor restaura o seu reinado, pois ele tinha reconhecido quem era realmente Deus. Portanto, o fato de Deus se “tornar favorável”, não quer dizer que a oração de Manassés foi mágica, mas porque houve arrependimento, cumprindo-se aquilo que é descrito em 2Cr 7.14.

O verdadeiro arrependimento não é só levantar as mãos ou escrever o seu nome no final da Bíblia, na verdade é uma mudança de vida não somente externamente, mas internamente. E é isso que Manassés fez, pela graça de Deus: 

Reconhece a Deus (v.13)

Reconhecer a Deus não é ter certeza de que Ele existe, mas entender quem O é de fato e aceitar todas as suas prerrogativas. Pois, outrora Manassés tinha adorado diversos deuses (33.3), mas agora Deus abriu a sua mente para entender que não há outro Deus além do Deus Todo Poderoso. 

Reformas militares (v. 14)

Provavelmente os muros foram derrubados pelos assírios, e assim, Manassés os restaura como na primeira Reforma com Neemias. Entendo que ter os muros altos simboliza as bênçãos de Deus a Manassés, bem como reorganizar o exercito era comum dos reis fieis descrito em Crônicas (cf. 2Cr 11.5-12; 14.6;; 17.12-19). 

Reforma o culto (vs 15-17)

Toda a nossa vida é centrada em Deus, e o culto não é diferente. Mas, como mostrei acima, aquilo que fazemos fora da igreja refletirá dentro dela de alguma forma. E assim era Manassés, onde que, adorava vários deuses com suas práticas de feitiçaria chegando ao ponto de sacrificar seu próprio filho a um deus pagão. Mas, quando há verdadeiro arrependimento, a nossa concepção de Deus muda, o modo que agíamos na sociedade muda e o nosso culto muda, pois, agora, estamos servindo ao Deus Vivo e Verdadeiro e não a ídolos. 

Mas, a idolatria não é somente se curvar diante de uma imagem ou ascender uma vela, ela é tudo aquilo que colocamos para substituir Deus, até mesmo às coisas que fazemos na igreja, se não for para a glória de Deus, é idolatria. 

O escritor encerra essa parte mostrando que o povo de Deus não conseguiu completamente livrar-se das práticas do passado, pois “o povo ainda sacrificava nos altos, mas somente ao Senhor seu Deus” (v.17), isso era apenas uma demonstração daquilo que viria futuramente o qual o próprio cronista relata. 

A história de Manassés chega ao fim (18-20) mostrando a mesma coisa que o escritor de Reis o fizera, com uma sutil diferença; mostrando que uma das características centrais do seu reinado foi a sua oração e humilhação diante do Deus Todo Poderoso, pois se não for pela graça de Deus tal rei teria sido o pior rei de todos os tempos, mas Deus o converte. 

O que aprendemos com isso? 

1º O escritor de Crônicas mostra como foi os esforços de Manassés para restaurar a sociedade e a religião, diferente do escritor de Reis o qual o mostra como o pior vilão da história de Judá. E é isso o mais interessante, pois se o pior vilão da história de Israel conseguiu fazer tal restauração, quanto mais Deus, por sua graça, não pode fazer na vida de um pecador, assim com o fez com Paulo, o “pior dos pecadores”? 

2º Entender que a graça de Deus atua de várias formas e em quem Deus quer. Jeremias 24 mostra Deus dando ao profeta uma visão de dois cestos de figos, uns bons e outros ruins que não se podem comer. Estes figos bons e ruins simbolizavam a nação de Israel quando foi levada cativa à Babilônia, onde que, Deus puniu os pecadores e pôs “favoravelmente” (v.6) os seus olhos sobre os figos bons para que esses voltassem a suas casas, teriam um novo coração para conhecer a Deus e eles seriam o povo d'Ele. Ou seja, Deus usou o cativeiro da Babilônia para converter os seus eleitos. 

3º Que um verdadeiro arrependimento é fruto da graça de Deus, e que este arrependimento é acompanhado de algumas características. É claro, elas não veem do dia para noite, mas é algo gradativo. 

Amém.

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Fonte: Bereianos
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Por Felipe Wieira


Com o Mar Mediterrâneo ao fundo, 21 cristãos coptas caminham algemados, no vídeo mais chocante que já assisti em toda minha vida: Todos uniformizados, postos de joelhos na areia, são brutalmente degolados, com uma “mensagem assinada com sangue ao Povo da Cruz”. Uma ameaça feita pelo grupo autodenominado “Estado Islâmico” (ISIS) contra toda a cristandade, que traz à nossa mente uma realidade com a qual não tendemos a nos preocupar muito: o martírio.

Talvez a preocupação da igreja ocidental com relação ao martírio se restrinja à vida de nossos missionários em países nos quais a morte em nome da Fé é um inimigo constante, sempre à espreita. Comumente, essa preocupação é tratada com orações para que o Senhor livre nossos missionários dos ataques, que os proteja e os guarde. Essa é uma abordagem justa e, sem dúvida, uma oração que devemos fazer constantemente, mas ainda assim, fica aquém do padrão que a Escritura nos fornece, não nos preparando para aquilo de que o Senhor Jesus nos deixou avisados: “…de fato, virá o tempo quando quem os matar pensará que está prestando culto a Deus.” (Jo 16.2)

No livro de Atos, vemos que, diante da perseguição, os primeiros cristãos oravam pedindo mais coragem para permanecer firmes e anunciar o Evangelho (At 4.29). Especialmente na carta aos Hebreus, o autor se dirige a um povo perseguido com algo que vai na contramão do senso comum: apologética. À vista de uma realidade de opressão, em que os leitores eram tratados pelos judeus como traidores e pelos romanos como rebeldes, o autor de Hebreus não faz discursos motivacionais ou orações pelo fim da perseguição, mas defende a supremacia de Cristo sobre todas as coisas e a natureza da verdadeira fé. Ou seja, ele faz apologética em seu mais alto grau!

Nesse momento de dor, nossos irmãos coptas precisam de apologética. Eles precisam de alguém que defenda a superioridade de Cristo sobre a dor, a morte, o sofrimento e sobre o Estado Islâmico. Precisam ouvir que todas as coisas, incluindo o martírio, “cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28), sendo encorajados a, se preciso for, derramar o próprio sangue em sua luta contra o pecado (Hb 12.4).

A apologética corretamente aplicada traz esperança e coragem para enfrentar as mais tenebrosas adversidades. Isso porque ela defende a natureza da verdadeira fé. Uma fé que olha para as coisas não vistas (Hb 11.1), que se apoia na fidelidade da promessa de um Deus absolutamente soberano (Hb 11.10) e que caminha pela terra em peregrinação, desejando a cidade que ainda há de vir. Se essa fé for devidamente defendida e impregnada nos corações dos cristãos, a perseguição será uma realidade superável.

Nossos irmãos coptas precisam de apologética. Eu e você precisamos de apologética. Precisamos ter em nossa mente a certeza de que Cristo é superior a todas as coisas e que, nessa posição, ele é totalmente digno de que “saiamos até ele fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou, pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir.” (Hb 13.13-14). Ore por nossos irmãos perseguidos, ore para que o Senhor lhes dê intrepidez diante do martírio, mas, acima de tudo, dedique-se a defender a verdadeira Fé e a supremacia daquele que a concedeu. Diante da morte, faça apologética!

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Fonte: Tuporém