Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

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Por Rev. Jôer Corrêa Batista


Primeiro, vá à igreja apenas uma vez por semana. Se você for ao culto matutino, não vá ao noturno, se for ao culto noturno ignore o matutino. Escolha um dia da semana, os domingos são os preferíveis, mas pode-se optar por outro trabalho durante a semana, o importante é não ir mais que uma vez. Ao longo de sua carreira cristã nominal você conseguirá passar semanas ou talvez meses sem frequentar os cultos, perceberá que eles se tornarão cada vez menos necessários à sua fé nominal.

Em segundo lugar, abandone o hábito de orar sempre. Ore nos cultos, nas reuniões da igreja, ore quando alguém estiver perto de você, ore nos momentos de aflições e principalmente nas reuniões de oração, quando ocasionalmente você participar de uma delas. Mas abandone o hábito de orar em secreto e orar diariamente. A oração gera em nós um senso de dependência, nos leva a considerar a presença invisível e real de Deus, e esta concepção de uma realidade espiritual prejudica a carreira de um cristão nominal.

Em terceiro lugar, não leia a Bíblia. Esqueça esse hábito de preservar horas tranquilas compostas de oração e leitura bíblica. Leia a Bíblia nos cultos, a quantidade de leitura que temos nos cultos deve ser suficiente para manter o sentimento de que somos cristãos. Deixe sua Bíblia no carro, assim você não terá o trabalho de levá-la para casa durante a semana. Lembre-se que seu alvo é chegar ao ideal do nominalismo cristão, que é a capacidade de cultuar a Deus sem Bíblia. Com o passar do tempo e persistência você conseguirá e muitos admirarão a sua memória.

Em quarto lugar, não evangelize. Assuma uma postura neutra, assim você não sofrerá oposição dos ímpios, pelo contrário, eles aprovarão seu comportamento e acharão você uma pessoa legal por ser igual a eles e fazer as coisas que eles fazem. Isso é bom, principalmente porque você não terá a necessidade de dar testemunho através de seu comportamento estando, assim, livre para viver a vida cristã do seu jeito.

Em quinto lugar, não frequente a Escola Dominical. Matricule-se para manter seu nome no rol dos cristãos, mas não freqüente. Aproveite o domingo com outras programações mais importantes que a fé cristã. Passeios, viagens, baladas de sábado à noite e até estudos como o vestibular são boas justificativas para você não se sentir culpado. Não se preocupe com a necessidade indicada pelos seus líderes de se ter conhecimento bíblico e doutrinário. Você pode até aprender algumas doutrinas, o que você não deve fazer é praticá-las. Encha seu intelecto de verdades da Escritura, mas lembre-se são apenas idéias, convença-se que são teorias, e que na prática não funcionam.

Em sexto lugar, não desenvolva relacionamento com outros membros da igreja. Saia logo do culto assim que ele terminar. Não se demore conversando com os irmãos ou algum visitante. Eles chamam isso de comunhão, e você pode achar esses momentos muito agradáveis. Se for obrigado a ficar, não aprofunde seu relacionamento e mantenha distância dos grupos de serviços da igreja.

Em sétimo lugar, batize-se e participe da ceia regularmente. Nada melhor que os sacramentos para nos fazer sentir cristãos. Professe sua fé, mas lembre-se que os compromissos assumidos naquele dia, são meros atos religiosos. Não tome a ceia com fé, nem envolva a fé nessas cerimônias, caso contrário elas poderão se tornar mais que cerimônias, podendo até mesmo ser meio de graça em sua vida, e isto é nocivo para a carreira de um cristão que quer se tornar nominal.

Acima de tudo, se você realmente pretende se tornar um cristão nominal, considere que a grande diferença entre os nominais e os cristãos verdadeiros é a fé. Não a fé qualquer, mas aquela que, segundo uma definição de um autor cristão... é o que se recebe de Deus; não uma mera aceitação do que é revelado em Sua Palavra, mas um princípio sobrenatural de graça que existe no Deus das Escrituras. Devo dizer ainda que a fé é indispensável ''somente'' para ler a Palavra de Deus (Jo 20.31), para ouvir a pregação (Gl 3.2), para a oração (Tg 1.6), para a vida diária (2Co 5.7, Gl 2.20) e para a nossa partida deste mundo (Hb 11.13).

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Fonte: Igreja Cristã Reformada do Campo Belo
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Por Rev. Ericson Martins


Durante uma viagem missionária no interior do Pará, fomos abordados por um dos membros da equipe que perguntou qual o significado do legalismo? Em resposta, dissemos ser um sistema de crenças falaciosas que convence e induz o homem a cumprir, com esforço excessivo, a lei de Deus ou as leis civis. Depois disso, passamos a pensar por alguns dias sobre outra pergunta: Não é legitimamente bíblico lutar contra a natureza pecaminosa, esforçando-se para viver em fidelidade aos conselhos de Deus?

Embora essa última pergunta pareça defender o legalismo, tal como fora descrito, o propósito deste texto é apresentar a perspectiva bíblica sobre o tema, visando dirimir a confusão que muitas vezes fazemos quanto ao legalismo e a confiança na graça de Deus, afetando negativamente certos aspectos da vida cristã. A salvação não pode ser obtida por obras, mas as obras é uma exigência da fé verdadeira (Tg 2:18).

1. Introdução.

A palavra “legalismo” tem origem no Latim (legalis, relativo à “lei” + ismo como sufixo que dá forma ao substantivo e denota “sistema”). No Antigo Testamento a palavra “lei” é traduzida de towrah (hb.), carregando o sentido de “instrução” e “direção” (cf. Êx 12:48-51). Já no Novo Testamento é traduzida de nomos (gr.) e significa “norma” ou “regra de ação” (BW9, cf. Mt 5:17). Tanto para Grécia quanto para Roma, nomos era o deus Daemon/Gênius, guardião da justiça entre os homens que exigia fidelidade às normas de Zeus/Júpiter (SMITH, p. 174-175). Os leitores neotestamentários estavam familiarizados com o aspecto religiosamente pagão de nomos, mas muito mais com o seu significado legal na cultura teocrática de Israel. A lei de Deus, superior a todas as demais, fora estabelecida para ser cumprida rigorosamente em todas as dimensões da vida (Lv 26:12-18; Dt 11:26-8). 

A lei de Deus reflete a retidão do seu perfeito ser, que é soberanamente santo e justo (Dt 32:4). Ao violar a aliança de Deus, deixando de obedecer a sua lei, o homem se meteu no pecado (Ec 7:29 cf. Gn 3:17-19) e por ele foi corrompido quanto ao seu estado original, passando a viver os efeitos mortificantes da sua relação com o Criador. Desde então, ele tem sido chamado por Deus à santidade, através da obediência fiel aos seus preceitos (Lv 20:7).

A “fidelidade” é, por definição (“fé”), a “firme” ou “estável” confiança em Deus (Js 24:14; Tt 2:10) e, certamente, o seu propósito final encontra-se além do cumprimento externo de determinadas normas. A “justiça”, do mesmo modo, é o direito de cumprir a lei e ser aprovado (At 10:34-35; 1 Jo 3:7). Noé entendeu isso (Gn 6:9 e 7:1; Hb 11:7), bem como Abraão (Gn 26:4-5; Hb 11:8). Moisés reivindicou isso do povo (Dt 4:1-8). E Jesus veio para cumprir justamente toda a lei de Deus, a fim de salvar o homem (Mt 5:17) da condenação por causa do seu pecado.

Jesus disse que provamos amar a Deus quando conhecemos a sua palavra e a obedecemos (Jo 14:21). Ele quer que sejamos fiéis nesse compromisso de aplicar os seus ensinos para a nossa santificação! Entretanto, isso é impossível sem a operação do Espírito Santo, pois é ele quem nos ensina, aplicando eficazmente verdades que nos restauram e nos consolam (Jo 14:26) frente às pressões mundanas do nosso tempo, até que Cristo volte. Sem a obra do Espírito Santo que inicialmente nos revivifica e nos santifica, qualquer que seja o nosso esforço de santificação será improdutivo para a glória de Deus.

2. O legalismo, a salvação e a santificação.

O legalismo é distinto da fidelidade, pois o legalismo tem o seu foco nas normas, enquanto a fidelidade na pessoa que as estabeleceu. O legalismo, nesse sentido, despreza a graça divina e tenta conquistar o mérito de ser aceito por Deus mediante o seu pretenso esforço religioso. Isso pode inicialmente parecer nobre, contudo a Bíblia ensina que boas ações não podem fazer uma pessoa justa, visto que a condição humana está totalmente incapacitada para produzir qualquer justiça que altere a sua condição diante de Deus (Gl 2:16; Ef 2:1; Cl 2:13). A salvação é obra exclusiva da graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Submeter confiantemente a nossa vida à Deus, arrependidos dos nossos pecados, é o que a Bíblia exorta a fazer (At 17:30). Só fazemos isso quando recebemos a graça de Deus pelo mérito de Jesus, e o Espírito Santo nos concede a vida eterna, que é a garantia da salvação. Este é o princípio de uma vida de obediência.

O contrário dessa verdade bíblica ou a sua má compreensão, produz no homem um falso senso de auto-importância por sua suposta fidelidade a Deus (Pv 25:27; Lc 18:11-12; Rm 12:3), convencendo-o de que a salvação, bem como a santificação, é resultado do seu esforço e merecimento (Lc 17:10; Rm 3:9-12). Deus sempre condenou o orgulhoso, o que confia em sua própria bondade e o que espera receber a graça de Deus na base dos seus atos admirados pelos homens (Lc 18:9; Rm 9:30-33). 

Ademais, o legalismo sempre coloca a ênfase no externo em detrimento do interno (1 Sm 15:22). Ele despreza a graça de Deus e concentra os seus esforços para transformar primeiramente o homem exterior, ou seja, os seus comportamentos, os seus vícios, as suas palavras, os seus maus hábitos, as suas amizades, etc (Cl 2:20-23), mas negligencia o fato de que antes o Senhor vê o coração. Jesus confrontou os fariseus com o fato de que, embora eles tenham feito um grande esforço para limpar os seus copos e pratos, se esqueceram de limpar os seus corações, que eram cheios de rapina e perversidade (Lc 11:37-41). Por isso, o legalista tende a julgar os outros (Mt 7:1-5), pois pensa que a sua justiça, que é baseada em méritos pessoais (larga experiência, títulos acadêmicos, poder econômico, cargos elevados na hierarquia do poder) excede a dos demais.

É importante ressaltar que obedecer a Deus jamais tem denotação negativa e deve ser buscada constantemente. E ela, nem sempre, é interpretada como legalismo, pois a genuína evidência da fé verdadeiramente em Jesus se dá através das obras (Tg 2:18). Ao abalar esse alicerce estaríamos estimulando o relaxamento generalizado das responsabilidades pessoais que a própria santificação envolve.

Aquele que reconhece a sua dependência da graça de Deus a todo instante, é humilde em seus relacionamentos e tudo o que faz, faz acima de tudo para a glória do seu Senhor, não para se promover entre os homens.

3. O legalismo e a conduta moral.

Como já exposto, a graça não nos autoriza a pecar, libertando-nos da responsabilidade moral de observar e atender os conselhos de Deus (Rm 6:1-4). 

O conceito de liberdade do mundo gradualmente obscurece a percepção de que a liberdade é cercada de limites. O homem é livre para andar, mas não é livre para voar, porque a sua liberdade não lhe garante fazer tudo o que gostaria. Porque não existe liberdade sem lei. Não é de se estranhar o fato daqueles que exploram a liberdade pessoal, mas respeitando os limites estabelecidos pela família, pela sociedade e, especialmente pela Palavra de Deus, sejam rotulados de “legalistas” ou “fundamentalistas” por aqueles que defendem uma conduta moral sem regras ou preceitos que a oriente. Mas também, mesmo nos círculos cristãos, percebemos que existem legalistas. São pessoas mal resolvidas, guiadas pela obstinação da vaidade e desajustadas entre aquilo que ensinam e o que demonstram em suas próprias vidas. São religiosos pessimistas e incompassivos quando julgam os outros.

Jesus foi a única pessoa que usou a palavra “hipócrita” (hupokrites) no Novo Testamento (20x e apenas nos Sinóticos). Esta palavra tem origem na arte grega, especificamente no teatro, significando “autor”, “dissimulador” ou “jogador” (BW9). No contexto em que Jesus reagiu a uma tensão provocada pelos fariseus, ele respondeu: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mt 23:27). A ideia transmitida é de uma pessoa que “faz o jogo” da religiosidade pura por motivações impuras e repugnantes. Por isso, a característica que mais denunciava um hipócrita nos dias de Jesus era o excesso de autoconfiança, de orgulho e da pretensa tentativa de promover a aparência de santarrão. Esses, agiam como se fossem um padrão de fidelidade à Deus aos outros, mas estavam bem distantes dessa realidade!

Por que os fariseus podem ser classificados como legalistas?

Primeiro. Eles eram hipócritas. Eles fingiam ser dedicados, consagrados, observadores rigorosos da lei de Deus, altamente disciplinados, e assim demonstravam que eram justos e cheios de piedade; mas as suas motivações eram reprovadas e não viviam, no espírito da lei, o verdadeiro amor a Deus (Mt 23:4-7, 25-28). Eles não foram condenados porque eram demasiadamente zelosos, mas porque eram fingidos, falando e exigindo aquilo que não praticavam (Mc 23:3).

Segundo. Eles davam maior atenção para meios negociáveis de se expor a fé, que aos de caráter inegociáveis na lei (Mt 23:23; Lc 11:42). Jesus referiu-se a essa tendência como coar um mosquito e engolir um camelo em Mateus 23:24. Um legalista é como um fariseu nos dias de Jesus, ele se preocupa mais com picuinhas, com superficialidades e assuntos sem importância... como meios de chamar atenção para si e provar a sua exaltada razão entre os outros. Assim, demonstra-se estar perdido daquilo que é o mais importante no cumprimento da lei, que é a atitude voluntária e consciente da obediência (fé), e não meramente da obrigação em si (obras).

Terceiro. Eles interpretavam mal a lei de Deus (Mt 5:17-48), e foi por isso mesmo que fizeram interpretações falaciosas dela, elevando tradições e preferências humanas para o mesmo nível de autoridade das Escrituras (Mt 15:1-9; Mc 7:1-13). Jesus repreendeu repetidamente os fariseus por esse malícia, a qual sobrecarregava as pessoas com culpas injustificáveis, dívidas impagáveis e sacrifícios intermináveis. E ainda, seus falsos ensinos alimentavam o perverso sistema de arrecadações de recursos pelos serviços prestados no Templo e no Sinédrio. 

Conclusão.

O legalismo, portanto, negligencia a graça de Deus com base em legalidades e tradições despidas da fé e da misericórdia. E, portanto, não pode ser confundido com a obediência requerida por Deus, visto que ela é o princípio preeminente da salvação.

Embora a graça de Deus é, por muitas vezes, mal compreendida biblicamente, dando força para aqueles que estão decididos a pecar, ela produz a firme consciência da obra de Deus a nosso favor, conduzindo-nos a uma vida de obediência à sua Palavra. E quando pecamos, deixando de cumprir o que ela prescreve, podemos contar com o perdão divino e a renovação das forças para a devida perseverança da fé, sabendo que em nenhuma condição poderemos pagar a dívida dos nossos pecados, mas demonstrar o sincero desejo de se ver livre dele observando e obedecendo atentamente os conselhos de Deus, por submissão a ele.

O legalista não aceita isso por estar apegado a formas rigorosas de disciplina religiosa e vaidades. Ele pode ensinar corretamente verdades da Escritura, estando distante como referencial bíblico de vida cristã, por ausência de piedade e humildade.

Acreditamos na necessidade de cuidar, de zelar da nossa caminhada cristã, buscando a santificação das nossas vidas, obedecendo os ensinos da palavra de Deus. Contudo, reconhecemos o perigo de nos cegarmos pelo excesso de autoconfiança, tentando monitorar o nosso próprio pecado a ponto de criar um padrão de moralidade falacioso, e ainda usá-lo como base para julgar os outros por comparações insensíveis e impiedosas. 

Deus não nos julgará com base nas regras que podemos criar para estabelecer a nossa vida cristã, mas com base nas suas e elas são inalcançáveis em sua plenitude e perfeição. O único caminho de sermos justificados diante da lei de Deus é pela graciosa obra de redenção que ele efetivou por seu único Filho, Jesus Cristo. E uma vez redimidos por sua graça, mediante a fé, devemos viver obedientes a ele, mas sempre cientes que ainda sofremos os efeitos do pecado. Por isso, carecemos da constante misericórdia de Deus, assim como as pessoas a nossa volta esperam que também sejamos misericordiosos.

Com amor,

Rev. Ericson Martins
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Referências:
- BibleWorks - Focus on the text (software), v. 9.0: 2011
- Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (software). Editora Objetiva Ltda., v. 1.0: 200
- SMITH, William. A Smaller Classical Dictionary of Biography, Mythology and Geography [New York: Harper & Brother Publishers,1896], p. 174-175

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Fonte: Reflexões do Cotidiano
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Por Abraham Booth (1734-1806)


O fato de Deus graciosamente escolher um povo para Si, dentre toda a raça humana pecadora, não é inicialmente conhecido pelos que são escolhidos. Eles nada sabem a respeito do assunto antes de se converterem. O Espírito Santo, portanto, precisa realmente chamá-los um por um, ou eles jamais saberão que são filhos de Deus! Esta experiência é conhecida nas Escrituras como "chamados por Deus" (I Cor. 1:9); "chamados pela graça" (Gal. 1:15); "chamados pelo evangelho" (II Tess. 2:14). O Espírito Santo serve-Se do evangelho para efetuar esse chamamento.

Os pecadores estão espiritualmente mortos. Eles aceitam a verdade do evangelho só quando o Espírito Santo os vivifica. "Os mortos ouvirão. . . e os que ouvirem viverão" (Jo. 5:25). O pecador recém-despertado talvez se sinta longe de Deus, porém, o evangelho diz: "... o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (Jo. 6:37). Assim, o pecador espiritualmente vivificado vem a Jesus, confiando na verdade do evangelho. Esta é, em suma, a experiência de quem é chamado pela graça. O fato de qualquer pecador ser chamado deve-se inteiramente à graça divina. "Deus chamou-me por Sua graça", disse Paulo. E nenhum santo jamais alegará outra causa.

Os pecadores, em geral, consideram suas ofensas contra Deus mais como falhas do que como crimes. Eles dormem em seus pecados, sonhando com uma misericórdia geral que, (esperam), lhes seja outorgada. Eles jazem inconscientes de seu perigo, até que o Espírito de Deus os toca e os convence de sua pecaminosidade. Mas quando eles são levantados da morte espiritual pelo Espírito de Deus, aprendem repentinamente que cada um de seus pecados os coloca sob a maldição de Deus. Os deveres negligenciados, as boas dádivas de Deus ingratamente usadas, os atos de rebelião cometidos contra Deus assediam a mente do pecador recém-despertado e perturbam sua alma. A consciência aguça o seu ferrão e a culpa se torna um peso. Ele vê que a santa lei de Deus é justa. A ruína passa a ser vista como inevitável para os pecadores não perdoados.

Daí, pelo Espírito e pela palavra da verdade, os pecadores despertados aprendem que são incapazes de escapar da lei de Deus por qualquer esforço próprio. Esta convicção os torna alarmados por não terem percebido antes sua ignorância e indiferença. Agora eles sabem que as Escrituras são verdadeiras quando atribuem ao homem natural a condição de um "cão que retorna ao seu vômito", a uma "porca lavada que retorna ao espojadouro de lama" (II Ped. 2:22) e a "um sepulcro aberto" (Sal. 5:9). Ao invés de viverem cada momento no ininterrupto e vibrante amor de Deus, como a lei divina exige, eles viveram — oh vergonha! — inteiramente voltados para o amor de si mesmos e para o pecado. Certamente a lei de Deus é justa! "Maldito é todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gal. 3:10). Uma vez que não permaneceram, eles são de fato malditos.

Ora, deve ser claro que tais pessoas admitirão prontamente que qualquer esperança para elas só será possível se Deus for misericordioso. 
A graça, como meio de salvação, está inteiramente à disposição de qualquer um que reconhece seu demérito aos olhos de Deus.

Diante disso, poderíamos pensar que um pecador despertado para sua necessidade correria para receber uma salvação tão graciosa. Verdade maravilhosa! Espantoso favor! Que mais se poderia esperar? No entanto, a observação mostra que os pecadores despertados são, às vezes, muito lentos para receber este conforto. Isso acontece não porque a graça de Deus é deficiente, nem porque a salvação é de algum modo incompleta, e sim porque freqüentemente o pecador acha que ainda não teve bastante consciência do seu pecado, ou porque sente que ainda não deseja Cristo suficientemente. Isso evidencia que ele ainda compreende mal a glória da salvação pela graça.

Nossa convicção de pecado ou o desejo de termos Cristo como nosso Salvador não persuade a Deus a ser gracioso para conosco. São experiências necessárias para nos tornar desejosos de receber a graça, mas não são necessárias para levar Deus a ser gracioso conosco. É a graça que controla o ato de Deus quando Ele nos chama, e não o nosso montante de tristeza por causa dos pecados, nem o quanto desejamos ser salvos. Precisamos cuidar que não desejemos as misérias da incredulidade, a fim de obtermos permissão para crer.

O chamado do evangelho é para pecadores infelizes que, de si mesmos, nada têm em que possam confiar. Aquele que verdadeiramente crê em Cristo precisa confiar nEle como Justificador do ímpio (Rom. 4:5). O pecador que se sente, de algum modo, melhor do que o ímpio, não é encorajado a buscar a Cristo, e sim o pecador que sabe que é tão culpado quanto todos os outros! "Não vim chamar os justos", disse Jesus, "mas os pecadores ao arrependimento" (Mat. 9:13).

A base da esperança do crente e a fonte de sua alegria espiritual não decorrem do pensamento que ele fez alguma coisa para merecer sua própria salvação (chame isso de "crença" ou o que você quiser), mas das verdades de que a salvação é de graça e de que o Salvador "veio salvar o que se tinha perdido" (Mat. 18:11). Um crente depende da graça que não exige mérito, e de um Salvador que supre toda a justiça necessária.

Consciente, então, de que está na mesma situação de culpa de todos os outros ímpios do mundo, o pecador despertado está convencido de que seu chamado se deve exclusivamente ao fato de Deus lhe ter sido gracioso. Ele não conhece outra razão para isso. Ele está plenamente persuadido de que Deus deu o primeiro passo. Quando ele pensa na experiência de ter sido despertado para reconhecer sua necessidade espiritual, ele diz: "Eu fui achado por Aquele a Quem nem amei nem procurei".

Ser chamado por Deus é puramente um ato de Sua graça. Ter consciência de que a graça discriminativa de Deus te particularizou e te chamou, embora você não fosse diferente de todos os outros pecadores, deve encher o teu coração de gratidão cristã. Este fato encherá o teu coração de grande incentivo para piedosa obediência e serviço cristão fervoroso.

Que direi a você que ainda não foi chamado? Se você deixar este mundo no estado em que está, estará perdido para sempre. Só os que são chamados aqui, são glorificados lá. Não suponha que o conhecimento dos fatos do evangelho poderá te salvar, se o teu coração está frio e sem qualquer sentimento de amor a Deus. Que vantagem haverá para você se deixar entre teus amigos a lembrança de um respeitável caráter, e você mesmo for perdido? Queira Deus que este não seja o caso com os meus leitores!


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Fonte: The Reign of Grace
Tradução: Josemar Bessa
Fonte: Josemar Bessa

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O poder sedutor da mentira, o cai-cai, os pentecostais e os tubarões da fé.


 Danilo Fernandes



Há coisas difíceis de aceitar. A força da sedução dos falsos profetas é uma delas. Só mesmo a mensagem em 2Ts.2:10-12 para nos dar paz diante de tamanho poder. 

Falsos profetas são como tubarões. Perigosos e amedrontadores, mas cheios de carisma. Somos atraídos como moscas ao mel àqueles documentários do NatGeo, Globo Repórter, Discovery, etc. revelando o poder mortal destas feras dos mares. A mesma coisa acontece com os documentários sobre a máfia, os reis do tráfico de drogas, os ditadores sanguinários, os carrascos dos grandes genocídios, etc. Somos engodados pelo poder da maldade. Seja de que tipo for, mesmo quando se trata da hollywoodização de um comportamento normal e esperado de um predador do reino animal.

Certas heresias, uma vez propagadas se tornam tão fortes que mesmo diante das advertências encontradas nas Sagradas Escrituras a cegueira de muitos persiste. A impressão que fica é que estas pessoas estão cegas, surdas... Presas ao engano e incapazes de sair da armadilha. Não há esperança para estas almas perdidas? 


Vamos deixar claro: Não estou aqui tocando a cantinela dos cessacionistas. Vejo, creio, sinto manifestações do Espirito Santo em minha vida e na vida de tantas pessoas. Não estou aqui querendo colocar bitola, medida, cabrestão no poder do Espírito Santo. Longe de mim. Vocês não fazem idéia do que vejo e ouço! O Senhor sabe.

Contudo, entre o milagre, a atenção de Deus à nossa oração revestida de fé, nosso encontro com o insondável e a proclamação de uma doutrina que encoraja o domínio do império das sensações, banalizando o propósito bíblico, transformador, do Espírito Santo em nossas vidas, vai uma grande é perigosa diferença. 

Apostasia.

Estão a querer transformar a promessa bíblica do Consolador. O Espírito de Deus que nos leva ao novo nascimento e ao arrependimento para receber a Boa Nova, o Transformador que muda o DNA dos nossos corações duros está sendo reduzido a um derrubador, um puppet à serviço de domadores de um circo religioso. Um ente,que ao comando de chicotadas de paletó, derruba crentes ávidos por bênçãos e unções especiais.

Puritanos
- Deus tenha misericórdia destes zombadores enganados por esta escória!

Avivamento não é decisão humana e, tão pouco, a "festa da uva espiritual":

-Venham aqui na próxima quinta-feira para o festival de maravilhas. Pessoas serão derrubadas pelo poder do espitu santiu. Tumores irão desaparecer mediante a ação de nosso apóstolo. Teremos um avivamento amplo geral e irrestrito! Venha como está, mas não esqueça de trazer a oferta e a radiografia de sua avozinha já falecida.

- Ah, vão para a IURD que os pariu e a Mundial que os carregou!




Inglaterra sec. XVIII
O toque do Espírito Santo de Deus jamais será banal. Os milhões dederrubados no cai-cai (tirante a exceção confirmando a regra) seguem suas vidas na mesma vereda original. Nada mudou, exceto o ”galardão de crente” obtido nestas experiências e o triste deboche à Grande Comissão:  

- Vão e montem espetáculos em meu nome. Cobrem ingressos para a nossa glória e derrubem o povo com a capa ungida que agora lhes dou... E se der tempo, proclamem a Cartilha do Agricultor das Sementes de 1000 dólares, batizem no azeite de Israel, distribuam kipás e façam células. 

 - Cuma?  

-Quem são estes doidos varridos que chamam um "festival de promessas" de avivamento GLOBAL?

Sim! Eu oro pelo avivamento. Multidões sendo tocadas pelo Espirito Santo, a misericórdia do Senhor resgatando almas perdidas, transformando homens e mulheres em soldados do exército do Reino, como ocorreu algumas vezes na história desde o Pentecoste. E, desde então, nestas ocasiões, vimos o que estes irmãos revestidos deste poder fizeram pelo Reino e soubemos de suas obras, o quanto transformaram vidas, comunidades e nações para a glória de Deus.

Bem assim, considerando que o que vemos no cenário atual em nada nos remete à ação gloriosa de Deus nos avivamentos no passado, o que se passa com estes irmãos enganados? Estariam condenados? Seria esta a sedução maligna permitida pelo próprio Eterno?  


Avivamento da Rua Azuza.
Mesmo quando os próprios líderes responsáveis pela apostasia revelam-se NEGANDO as falsas manifestações e admitindo a mentira dos falsos ensinos, milhões de enganados seguem preferindo acreditar nos “shows” e na histeria, forjada por métodos de hipnose, do que na evidente direção dada pelas Sagradas Escrituras. São como mulas empacadas. O brilho sedutor dos gurus espirituaismesmeriza e não deixa o perdido desviar o olhar.

Já em alguns casos, seria o orgulho ferido do enganado que não lhe permite o arrependimento? O receio de cair no ridículo por ter se deixado seduzir? Ou seria uma espécie de Sindrome de Estolmo, que mantém o oprimido em um ciclo masoquista, um amor doentio vivido entre afagos e humilhação do líder opressor? 

Desde 2006 o pastor canadense Paul Gowdy, um dos antigos líderes da Toronto Airport Christian Fellowship segue denunciando a FARSA do "mover" que fez milhares caírem como patos, derrubados por paletós, urrarem e granirem como bichos em demoníacas apresentações. Não é coisa recente. Desde 2006. São seis anos gritando: MENTIRA. 

E há milhares de pentecostais que se sentiram ofendidos pela denuncia da TV Record. 

Pois saibam, crentes pentecostais de meia-tigela (Os que seguem no erro, naturalmente), que não há líder pentecostal sério neste país que dê crédito a estes modismos. Se vocês fossem membros de uma igreja pentecostal verdadeira, habituados a ler as Escrituras, frequentadores de escola bíblica dominical, leitores de bons livros sobre teologia cristã e dos noticiosos oficiais das A.D., não seriam enganados por estes lobos.

Ao contrário, seguem iludidos e desviados do caminho do Senhor porque assim o desejam. Preferem conhecer a "palavra" a partir das paradas de sucesso gospel e dançam a valsa do falso evangelho nos congressos das sensações baratas do MIR 12 e nos programas de teologia da prosperidade na TV. Vão quebrar antes que a semente apostada no cassino da fé dê frutos e, desesperados, vão apelar para o banho de óleo de soja em algum altar de Baal por ai. E sabe do pior: Não será a Fernanda Brum que vai te ungir com azeite do bom não! Vais mesmo pela mão de"um pastor coxinha da vida" tomar ducha de óleo já usado em barraca de pastel.Acorda!

 

O jornal Mensageiro da Paz, órgão de imprensa oficial da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, fundado em 1930 pelo próprio Gunnar Vingren,estampou em seu número 1.468, do ano de 2007, matéria denunciando a farsa. E NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ QUE O RESPEITÁVEL VEÍCULO DA IMPRENSA PENTECOSTAL denuncia esta mentira que vem levando o povo de Deus a zombar das manifestações do Espirito Santo. 

Número 1.468 de 2007

Portanto, meu caro “evangélico seduzido” que ainda acredita nesta porcariada do demônio. Há duas opções: (1) Seguir no erro, dando ouvido a líderes desviados do pentecostalismo, sem comprometimento com a sã doutrina, mas tão somente com o seu bolso, tais como Silas Malafaia e Benny Himm; ou (2) Acordar e se arrepender pois a Palavra condena estas práticas. 


Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar. Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça. [2Ts.2:10-12]


domingo, 24 de agosto de 2014

Os perigos de uma igreja que não te disciplina (I)

Disciplina eclesiástica (Mateus 18.15-20) é muitas vezes confusa, custosa e danosa. Quando um crente tem de ser publicamente afastado da igreja local, a dor sentida costuma ser inigualável.
Ainda assim, quando praticada biblicamente, ela é biblicamente consistente com o amor, o cuidado, e a obediência bíblica a Cristo. Mark Dever acertadamente afirmou que a disciplina eclesiástica é “um amoroso, provocativo, atrativo, distinto, respeitoso e gracioso ato de obediência e misericórdia, e ajuda a construir uma igreja que traz a glória de Deus”. Nessa mesma linha, um amigo meu foi biblicamente disciplinado para fora de uma grande igreja, e, até os dias de hoje, admite que isso foi uma das melhores coisas que já aconteceu com ele. Mas, mais importante, isso é uma questão não negociável no tipo de Igreja que Deus deseja.
Agora, a existência da disciplina eclesiástica na igreja não significa que a igreja seja bíblica. É um processo que é abusado por vezes. Entretanto, a recusa de usá-lo certamente é um alerta vermelho. Uma coisa é a liderança de uma igreja que não a pratica e pretende implementá-la. Outra é uma igreja que se recusa a praticá-la. Essa recusa é sintomática de outros problemas, o que a torna uma igreja insegura.
Aqui vão 10 perigos comuns entre as igrejas que não irão te disciplinar:

1. Um tratamento perigoso para com Deus e com sua Palavra

Deus ordena a prática sagrada da disciplina eclesiástica. Em adição ao claro ensinamento de Mateus 18.15-20, ela aparece, também, nas passagens como Romanos 16.17-18, 1 Coríntios 5.1-13, 2 Coríntios 2.5-11, Gálatas 6.1-3, 2 Tessalonicenses 3.6, 14-15 e Tito 3.9-11.
Não há distinção entre como nos aproximamos de Deus e como nos aproximamos de sua Palavra. A atitude em relação a última é um termômetro da atitude em relação à primeira (Salmo 119.48, 138.2). Consequentemente, o problema de a igreja se recusar a praticar a disciplina é muito maior do que o problema de a igreja se recusar a praticar a disciplina. Há problemas mais profundos, como suficiência da Escritura, autoridade de Deus vs. a do homem, a sabedoria de Deus vs. a do homem. E esse problema não ficará isolado na igreja, assim como uma árvore envenenada em sua raiz não irá produzir apenas uma maçã ruim.

2. Uma visão errônea da regeneração

A igreja que desdenha da disciplina eclesiástica pode ter um entendimento diluído do milagre da regeneração. Como? A disciplina, em parte, tem por propósito demonstrar que o convertido e o não convertido são duas criaturas completamente diferentes, espiritualmente falando ( 2 Coríntios 5.17). Quando ela é praticada, tanto arrependimento como a tragédia da disciplina demonstram o que significa “estar em Cristo”.
Por exemplo, quando nos arrependemos, atendendo ao passo um (Mateus 18.15), nossa condição de regenerados fica exposta, pois não haveria outra maneira de termos tal resposta se não fosse por Cristo, no poder do seu Santo Espírito. Quando alguém é disciplinado, essa verdadeira distinção entre regenerados e não regenerados também fica exposta. A pessoa disciplinada até pode ser regenerada, mas ela será tratada como alguém que não o é, já que vem agindo como se não o fosse. Logo, praticar a disciplina eclesiástica é a maneira prescrita para se demonstrar o milagre radical da regeneração pela fé em Cristo, o que significa que a recusa de se disciplinar propaga um entendimento errôneo do que significa ser convertido.
Isso é perigoso pois corremos o risco de darmos falso testemunho de nossa salvação. E manter a distinção bíblica entre convertido e não convertido não é deixar as pessoas de fora do céu, mas trazê-las para ele. Negar a disciplina pode deixar as águas turvas.

3. Uma visão superficial da santificação

Similarmente, a recusa de se praticar a disciplina eclesiástica demonstra a falta de ênfase em santificação. Se o pecado não será confrontado, então o pecado não é algo importante, o que significa que ser como Cristo não é algo importante, logo santificação não é algo importante, sendo assim, a alma e a eternidade não são importantes. Mais uma vez, o problema não é isolado. Se a disciplina é menos importante, apesar do que a igreja professa, também o é andar no Espírito, santidade pessoal e gerar frutos. E assim como no ponto 2, o perigo aqui também é o falso testemunho da conversão.

4. A falta de amor pela igreja e pelo não convertido

Em seu excelente livro A Igreja e a surpreendente ofensa do amor de Deus, Jonathan Leeman escreveu:
Disciplina eclesiástica… é uma clara implicação do amor do evangelho centrado em Deus. É uma amorosa ferramenta que é inevitável em um mundo onde o Reino de Cristo foi inaugurado, mas não consumado. Se o amor de Deus fosse centrado no homem, então a disciplina seria cruel – e para aqueles que se mantêm convencidos na mentira de Satanás sobre Deus, ela sempre soará assim. Entretanto, por buscar uma igreja santa, a disciplina eclesiástica é uma recusa de chamar o profano de “santo”. É a forma de se retirar uma afirmação para que o autoengano não reine. Em um radical desafio à sabedoria deste mundo, a disciplina clarifica exatamente o que o amor é.
Isso significa que a acusação de que a disciplina é algo não amoroso precisa ser repensada. Ela pode ser feita dessa maneira, mas a disciplina eclesiástica, em si, não é sem amor. Disciplina é a expressão do seguro, paternal e imutável amor de Deus para com seu povo, para que se pareçam cada vez mais com Cristo (Hebreu 12.7-11). Além disso, Paulo chama a igreja de Corinto de “arrogante” (1 Coríntios 5.2) por se recusarem usar da disciplina eclesiástica. Eu me pergunto: com que frequência nós usamos o termo “arrogante” dessa maneira? Logo, isso significa que a recusa de se confrontar amorosamente o pecado, até mesmo ao ponto da disciplina eclesiástica, é arrogante e sem amor.
Ademais, a disciplina eclesiástica é um meio de graça que ajuda ao não convertido, mas professo, a ver o seu estado de perigo. Nesse caso, recusar a disciplina seria odioso.
Confira a parte 2 aqui
Fonte:http://reforma21.org/artigos/os-perigos-de-uma-igreja-que-nao-te-disciplina-i.html 
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Por T. David Gordon


A - Argumento a partir dos Limites do Poder da Igreja (Bannerman defende bem este argumento)

Breve descrição do argumento: A igreja é uma instituição; instituída pelo mandamento positivo do Cristo ressuscitado, e autorizada por Ele a exigir obediência a Seus mandamentos e participação em Suas ordenanças. A Igreja não recebeu autoridade de exigir obediência a seus próprios mandamentos, e não recebeu qualquer autoridade para exigir participação em ordenanças fabricadas por ela. O Princípio Regulador do Governo Eclesiástico está por trás do Princípio Regulador do Culto.

Exemplos de textos relevantes – Mt 28.18-20; 2 Co 1.24; Rm 14.7-9

B. Argumento a partir da Liberdade de Consciência (Ed Clowney o defende bem)

Breve descrição do argumento: É pecado induzir o povo a agir de modo contrário ao que eles creem que é correto. Além disso, Deus exige de nós que O adoremos somente como Ele revelou. Portanto, exigir que uma pessoa, no culto corporativo, faça algo que Deus não exigiu força a pessoa a pecar contra sua consciência, ao fazê-la realizar o que ela não crê que Deus a chamou a praticar.

Exemplos de textos relevantes – Rm 14; 1 Co 8.4-13

C. Argumento a partir da Fé (John Owen apresenta convincentemente este argumento)

Breve descrição do argumento: Onde Deus não se revelou, nenhuma resposta de fé é possível, por definição. E, sem fé, é impossível agradar a Deus. Portanto, Deus não pode se agradar do culto que é infiel, isto é, o culto que não é uma resposta obediente à sua revelação.

Exemplos de textos relevantes – Rm 14.23; Hb 11.6 e todo o capítulo.

D. Argumento a partir da distância do Criador e da criatura (Calvino e Van Til caminham nesta direção em todos os seus escritos; e, curiosamente, Barth também)

Breve descrição do argumento: Os caminhos e pensamentos de Deus estão acima dos nossos como os céus estão acima da terra. O que nos faz pensar que podemos penetrar o que agradaria a Deus?

Exemplo de textos relevantes – Is 40.12-14; Dt 29.29; Is 55.9; Pv 25.2.

E. Argumento a partir do caráter de Deus como zeloso

Breve descrição do argumento: O caráter de Deus como Deus zeloso é apresentado em textos que proíbem certas coisas (criar imagens) no culto a Deus. Portanto, a proibição de criar imagens de escultura ou qualquer outra semelhança de algo no céu ou na terra fundamenta-se no caráter de Deus como Deus zeloso e, portanto, não fundamenta-se em alguma peculiaridade da aliança do Sinai.

Exemplos de textos relevantes – Ex 20.4-5; 34.14

F. Argumento a partir daquelas passagens onde a piedade é descrita como fazer exclusivamente o que Deus deseja

Breve descrição do argumento: Em muitas passagens, os ímpios são descritos não cumprindo o que é contraditório à vontade de Deus, mas o que está além de Sua vontade. Da mesma forma, os piedosos são descritos por seu temor diante da presença de Deus, ao fazer exclusivamente o que Deus deseja.

Exemplos de textos relevantes – Is 66.104; Dt 12.29-32; Lv 10.1-2; 1 Sm 13.8-15; 15.3-22

G. Argumento a partir da severidade dos castigos temporais infligidos sobre aqueles que oferecem a Deus culto diferente daquele que Ele prescreveu

Breve descrição do argumento: Há passagens em que as pessoas oferecem culto a Deus, em um desejo aparentemente bem-intencionado de agradá-lO, mas o fazem de alguma forma não prescrita por Deus, e Seu castigo sobre eles é severo.

Exemplo de textos relevantes – Lv 10.1-2; 1 Sm 13.8-15

H. Argumento a partir da tendência pecaminosa para a idolatria (Rm 1)

O argumento de Paulo em Romanos 1.19ss é que a raça humana, em sua revolta contra Deus, está “adorando e servindo a criatura em lugar do Criador”. Ademais, isso não se deve à ignorância, mas à corrupção moral: “Tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”. cf. Thomas E. Peck, Miscellanies, vol. I, p. 96-97: “O homem, portanto, é incompetente para imaginar modos de adoração porque ele não sabe que modos são mais bem adaptados para expressar a verdade ou as emoções que à verdade convém produzir”.

I. Argumento a partir da História da Igreja

Breve descrição do argumento: A história da igreja amplamente demonstra que criaturas caídas, deixadas a suas próprias maquinações, inevitavelmente produzem adoração que é ímpia. A Reforma em especial, como um movimento histórico, presta testemunho da corrupção que lentamente se infiltra no culto quando o culto não é regulado pela vontade revelada de Deus.

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Fonte: First Reformed Presbyterian Church of Cambridge
Tradução: Josaías Jr.
Via: Reforma 21