Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

domingo, 21 de agosto de 2011

Jesus, Filho de Deus (geração x criação)



Graça e Paz!

Em João 10.30-33 lemos: "Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo."

A chave deste texto é a palavra blasfêmia, que significa, ofender a divindade.
Mas, por que os judeus diziam que Jesus blasfemava ao se dizer Filho de Deus?

Em nossa cultura contemporânea e ocidental, estas palavras de Jesus, com efeito, não causariam o estardalhaço que criaram na mente daqueles homens, naquela época.
Para os judeus, havia uma grande diferença entre o ser criado e o ser gerado.

Por exemplo, um artista mistura tintas, forma cores, escolhe a tela, e executa suas pinceladas de acordo com a imagem que existe em sua mente. Este é o processo de criação. De modo que, o artista criou a pintura, mas a pintura não é o artista e nem dele compartilha a mesma matéria.

De modo semelhante, eu, que sou um analista de sistemas, reúno informações, necessidades e processos e crio um sistema tendo como base a solução que planejei. O sistema não tem a minha natureza, mas apenas o criei.

No entanto, tanto eu quanto o artista de que falamos, somos seres humanos e em nossa forma de reprodução GERAMOS novos seres humanos. Só conseguimos gerar o que é igual a nós mesmos, ou com outras palavras, só podemos gerar algo igual à nossa própria natureza, um ser que divide conosco a nossa natureza.
Veja que, um cachorro não pode gerar um gatinho, ou, uma rosa não pode gerar uma macieira.

Exatamente por este motivo, os judeus acusavam Jesus de "se fazer Deus", pois quando ele afirmava que Deus era seu próprio Pai, dizia, implicitamente, que havia sido gerado de Deus.
Ou seja, dizia que compartilhava da mesma matéria, essência e natureza de Deus.
Note que, mesmo a palavra Trindade não aparecendo na Bíblia, é com base neste raciocínio que entendemos a existência de Deus em três pessoas de mesma essência e atributos.

Para os judeus essa era uma grande afronta, pois em sua religião, Deus é único. E eles estavam certos! Mal sabiam eles que era o próprio Deus quem lhes falava.
Mas pudera, eles de fato eram "odres velhos". Não eram capazes de entender e aceitar um nó teológico que, ainda hoje, ferve a mente de muitos estudiosos do tema:

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;" (FP 2.5-7)

Que o Deus trino e abundante em amor, revelado como homem em Cristo Jesus, lhe abençoe!
Fonte: http://refletindoagraca.blogspot.com/

Fuja do Pentecostalismo

fuja-do-pentecostalismo-33

Alguns irmãos pentecostais sempre nos dizem que as algaravias (aquelas palavras que se falam nas igrejas pentecostais, e que são chamadas por eles de línguas estranhas) são de grande edificação para a igreja. Por isso, resolvemos abrir um espaço aqui e postar argumentos de alguns líderes carismáticos e pentecostais famosos. Vejamos se os argumentos deles fazem sentido:

Pastor MARCO FELICIANO disse:

Baxuribican trolobalabashara macambara mashiribicai!

Monsenhor JONAS ABIB disse:

Kândala batiriushíba necânda gotiushuba labarí.
A Kândala batiriushiba manicátari kândali.
Uiu baritala bacarishamani kândari kori kândari.
Yuri balaia bandari Nicoticade.
Kandalá karuncunda Labaturishumanoricata.
You baturi bataleibata Shuman necateriKundalebat shavi!

Missionário R.R. SOARES disse:

Oh declamala balaxuria andalabaraxuria andalabararrá…
Doribaranxári berecito andamaliquite amaxuriá!

Bispo PAULO MOURA disse:

Demanarábassuria... itatatátátá itataradiassú!

Pastor GILVAN RODRIGUES disse:

Etchecandalábaraxuri candalá ebarabarabará e balábalábalá baxuriarram!

Alguns OUTROS disseram:

Xaracanta labassurionderrá surianda suricanta suridanssa!


O que acha? Você foi edificado por essas palavras? Os argumentos deles convenceram?


Este artigo foi produzido com base em Palavras Que Edificam Sua Vida do blog do Maicon Custódio.

Veja os demais artigos da série Fuja do Pentecostalismo.


O Neopentecostalismo, Renê Terranova e a parábola das pulgas.

Lamentavelmente parte dos pastores brasileiros tem fundamentado suas igrejas em pseudo-revelações ou modismos escalafobéticos. Nesta perspectiva, nos últimos 30 anos um número significativo de líderes cristãos abandonaram as Escrituras em detrimento a novos e audaciosos métodos de crescimento.

Um exemplo claro disso é o patriarca apostólico Rene Terranova, que volta e meia apresenta ao povo cristão revelações estranhas e esquisitas que em muito se opõem as Escrituras Sagradas.

Decretos espirituais, descobrimento do DNA da honra, autoritarismo no discipulado cristão, movimento dos 12, cristianismo judaizante, ênfase no maniqueísmo, dentre outras coisas mais, apontam claramente para um tipo de igreja que abandonou na lata do lixo verdades até então inquestionáveis a fé cristã.

Pois é, as doutrinas de Terranova me fizeram lembrar da história que ouvi sobre a conversa de duas pulgas!

Conta-se que numa manhã de domingo duas conversavam animadamente quando uma comentou com a outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência, quando somos percebidas pelo cachorro, é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

E elas contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.

E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga explicou por quê:

- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.

E um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica?

- Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer:

- Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?

- Quem disse que não? Pensei, sim! E fui conversar com a minha avó, que tinha a resposta na ponta da língua.

- E o quê ela disse?

- Não mude nada. Apenas sente no cocuruto do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança.

Pois é cara pálida, para bom entendedor meia palavra basta, não é verdade?

Soli Deo gloria!!

Autor: Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]
http://bereianos.blogspot.com/

sábado, 13 de agosto de 2011

Trocando a Graça por qualquer coisa!


"Porque também a nós foram pregadas as Boas Novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram." (Hebreus 4 : 2)


Faz alguns meses, e lembro-me de conversar com um irmão que fizera parte de nossa ‘igreja local’, e de ouvir suas colocações sobre ‘santidade e consagração’.

Ele fazia questão de enfatizar, que sua vida ‘santíssima’, era assim vivida para ‘fazer a obra’.
No afã dessas colocações, chegou a dizer que sua ‘consagração’ se dava ‘por causa dos demônios’!
Quase fiz como o Sumo-sacerdote Eli e caí da cadeira (sem quebrar o pescoço, claro!), perguntei-lhe de novo o motivo, para ter certeza que não se tratava de nenhuma colocação deslocada em suas frases e ouvi, mais uma vez espantado, a pérola do pensamento cristão/evangélico sobre ser ‘santo’, pelo menos na visão particular desse rapaz.

Argumentei com ele, que cada gesto nosso deve ser em louvor a Deus, atitude do verdadeiro discípulo, que se importa em agradar a Deus e não aos homens (muito menos aos demônios, imagine...), mas segundo a sua visão particular, devemos estar atentos ao nosso ‘chamado’, que na opinião desse irmão, se dava quando de madrugada, batem à nossa porta para expulsarmos espíritos malignos de vizinhos, parentes, amigos, etc...

Claro que entendi sua visão, mas é obvio que não poderia concordar com seus motivos.
Quando a Palavra narra, principalmente nos versículos vários encontrados nos livros da ‘Velha Aliança’ conselhos sobre ‘abster-se do mal’, ou mesmo consagrar-se, mantendo-se puro diante das contaminações pagãs do outros povos, também sugerem os mesmos textos, que esse gesto deveria ser observado por causa do povo em primeira instância e depois, por causa do Deus que guiava esse mesmo povo!

Sim, Deus estava sempre preocupado que seus seguidores não caíssem em contaminações pagãs, como a igreja têm caído hoje em dia, misturando elementos da Graça, com variações dela mesma, oriundas das mais diversas ‘visões’ dos ditos movimentos evangélicos/cristãos!
E ainda devo dizer, oriundas também das mais diversas religiões pagãs ocidentais/orientais.

A própria colocação desse jovem irmão é uma grande contradição à Graça, que nada mais é que o Caminho para religar-se com Deus, por intermédio de Cristo, sem o uso da religião, mas pelo AMOR PURO E DESMEDIDO, sem o qual ninguém consegue entender o Verdadeiro Deus e o sacrifício de Seu Verdadeiro Filho!

Vivemos a Graça como se fora continuação da Lei, com os mesmos mandamentos. Quanto erro!
Jesus mesmo sempre advertiu em suas palavras que nos trazia ‘Boas Novas’ ou ‘Novos Mandamentos’, fazendo clara alusão de que a Graça, por si só, é independente da Lei, não carecendo de nenhum recurso desta para sobreviver!
Veja:
"Um Novo Mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis." (João 13: 34)
Ou vemos os apóstolos assim ratificar:
"Outra vez vos escrevo um Mandamento Novo, que é verdadeiro Nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a Verdadeira Luz ilumina." (I João 2: 8)

Não podemos mais ‘misturar’ a Graça Plena em si mesma, pois contém o sangue de Jesus por Seu amor e baseá-la na Lei, fazendo dela uma loucura inválida!

Creio que quaisquer coisas que fizermos, seja na ‘obra’ ou na vida em si (que não deve ser vivida à parte, mas inserida completamente no Reino), deve manifestar louvor primeiramente a Jesus, louvando assim o Deus que O enviou e projetou pelo Espírito, essa mesma Graça!

Viver uma vida seja de ‘abstinência’, ‘santidade’, ‘retiro’ e ‘observância das doutrinas evangélicas’ sem entender a Graça é a maior perda de tempo que o homem pode viver nesses dias com tempo remido, escasso.
Mas viver a Graça simples, pura e completa, do modo que Jesus ensinou e viveu é a maior e melhor alternativa para quem quer tocá-Lo e fazer tocar vidas ao seu redor.

Pelo menos creio assim,
Wendel Bernardes.


Publicado originalmente em 17/03/2011 em www.wendelbernardes.blogspot.com

A Autópsia de uma Fé

.
Por Eduardo Rosa Pedreira

Desde a década de 60 a Igreja Evangélica Brasileira viu nascer dentro de si um movimento que tem sido chamado de novo pentecostalismo. Como qualquer outro fenômeno humano, este também é um feixe complexo no qual se entrecruzam, além da dimensão religiosa, as sociais, políticas, psíquicas e econômicas. Apesar desta complexidade é necessário que tentemos descrevê-lo, ainda que parcialmente.
O “apóstolo” Estevão Hernandes e sua esposa, a “bispa” Sônia, líderes da Igreja Renascer, são em muitos aspectos uma síntese deste movimento. Ressalte-se enfaticamente que nem todas as igrejas e pastores neo-pentecostais podem ser medidos pela maneira como este casal tem vivido e pregado sua fé. Todavia, não se pode negar que o “apóstolo” e a “bispa” trazem em sua trajetória a marca que tem caracterizado boa parte do mundo neo-pentecostal: líderes com um enorme carisma, dissociado de caráter e alimentado por uma teologia do consumo e da prosperidade.
O carisma de atrair multidões e saber lidar com elas, faz do líder de qualquer organização uma pessoa muito poderosa e na igreja não é diferente! Isto porque, um líder com forte carisma é capaz de seduzir seguidores a ultrapassar até mesmo os limites do razoável, pois o senso crítico de um grupo de pessoas diminui na proporção exata da incidência do carisma do líder sobre ele. O caráter por sua vez, é a fronteira do carisma. É através dele que se resiste às armadilhas do carisma. Então, quando um se desliga do outro, o líder perde o seu crítico interior, destrói seu super-ego ficando ao sabor do ego inflado pelos resultados advindos de sua liderança carismática.
Esta equação daninha de carisma sem caráter somente se sustenta no contexto da fé porque ganha contornos divinos. É a chamada teologia da prosperidade, que justifica diante dos fiéis os abusos financeiros de um estilo de vida socialmente nababesco vivido por muitos deles. Prega-se dentro desta visão teológica, que Deus deseja que os seus filhos prosperem, por isso, eles devem ofertar ao máximo, pois fazendo assim, serão recompensados. Ou no limite de suas angústias ou puramente interessadas numa barganha sobrenatural na qual a benção de Deus é comprada mediante o dízimo, pessoas vão embarcando nesta que é a curto, médio e longo prazo, uma canoa teologicamente furada. Obviamente que não para os líderes carismáticos pregadores de tal teologia que, diga-se de passagem, são os únicos realmente a prosperarem numa medida de milhões de reais.
A rigor, o quadro até aqui descrito não é novo, sendo já conhecido e tratado pela grande mídia. A novidade do presente momento, fica por conta das denúncias do Ministério Público Paulista que qualificam uma igreja como organização criminosa e responsabilizam seus líderes por ações ilícitas. Estas denúncias em si mesmas, independente do seu desfecho, devem constituir-se em uma séria advertência a todos, de que falta de caráter no âmbito da fé poderá trazer sérias implicações judiciais para aqueles que ultrapassem os limites legais. Sendo assim, a cadeia não pode ser encarada nem como punição divina e nem uma armação do diabo (como têm insinuado os líderes da Igreja Renascer), mas sim uma conseqüência natural que deve se abater sobre todos os infratores da lei.
Em tudo isso, é curioso notar que um outro Apóstolo (Tiago, este sim sem aspas!), escreve na Bíblia que a fé sem obras é morta. O que ele não disse, mas implícito está, é que uma fé morre não apenas pela ausência de obras, mas pela qualidade delas e dos meios usados para produzí-las. Portanto, uma fé sem ética está morta apesar dos muitos resultados. E uma vez morta, só nos resta fazer sua autopsia e torcer pelo seu breve sepultamento, para então renascer líderes que com integridade cumpram sua missão amando a Deus e a este povo tão sofrido!

sábado, 6 de agosto de 2011

Que Jesus você serve?

por Leonardo Gonçalves

Por Leonardo Gonçalves

Cada vez fica mais evidente a diferença entre aquilo que Cristo pregou e viveu, e aquilo que os seus discípulos pregam e vivem. Muitos “seguidores” de Cristo parecem ignorar diversos fatos da vida do Mestre, dando a clara impressão de servirem a outro Jesus, que não é o da Bíblia.

Os crentes da atualidade ensinam uma religião hedonista, onde Cristo não é o salvador da alma, e sim o salvador “da pele”. O objetivo principal dessa religião não é ser salvo ou agradar a Deus, mas desfrutar de todas as benesses de uma vida religiosa. Promete-se uma vida de abundante felicidade e isenta de enfermidade ou dor, um verdadeiro oceano cor-de-rosa! Não há nele qualquer menção ao sofrimento, afinal, os filhos de Deus não sofrem nunca, e jamais serão pobres: “Nosso Deus é o dono do ouro e da prata” [1], dizem, ignorando completamente que esse ouro é dele, e não nosso. A dissonancia desse Cristo triunfalista é obvia: Jesus nos chamou para serví-lo, e não para servir-nos dele. Ele disse: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz, e siga-me”[2]. E no tocante ao Reino, ele foi bastante sincero ao dizer que o seu “Reino não é deste mundo”[3].

Aqueles que pregam este cristianismo hedonista dizem que ninguém jamais saiu triste da presença de Jesus, pois ele sempre correspondeu às expectativas dos seus seguidores. Eles ignoram o caso daquele jovem rico, que ao ter seu coração descoberto e sua avareza desvelada, afastou-se de Jesus, triste de verdade [4].

Ora, o Evangelho não são benesses temporais, mas uma vida atemporal, no céu. Não é satisfação para os nossos prazeres, e sim a mortificação da nossa carne. Aqueles que pensam que Jesus é um grande solucionador de problemas, um Silvio Santos gospel a jogar aviãozinhos de dinheiro para o auditório, estão muito equivocados. Os que assim procedem, definitivamente, não conhecem a Jesus.

Agora, se por um lado há aqueles que pensam que Jesus é um Silvio Santos celestial, por outro há também quem pense que ele é um fariseu enfurecido cheio de raios nas mãos, pronto para dispará-los sobre as cabeças daqueles que tiverem qualquer comportamento não-religioso. O pior é que nesse exacerbado zelo, eles acabam optando por um ascetismo hipócrita, isolando-se das pessoas e vendo o mundo como um inimigo, e não como objeto do amor de Deus e como nosso campo missionário [5]. Tais crentes comportam-se como separatistas radicais, fazem violência a individualidade humana ao impor uma série de proibições absurdas, como “não toques, não proves, não manuseies” [6], e se esquecem que Jesus não foi um abitolado que se escondia das pessoas por medo de se contaminar: ele comia com os publicanos pecadores, participava de festas [7], e abriu seu ministério com um milagre sem igual: transformou 600 litros de água em vinho da melhor qualidade! Os neo-fariseus, no entanto, passam de largo por estes textos, preferindo uma fé míope e legalista, do que viver a plena liberdade que Cristo nos oferece. Para os tais, um Cristo que bebe vinho, come com pecadores e é amigo de prostitutas, definitivamente é carta fora do baralho. Aliás, a própria menção da palavra “baralho” é suficiente para provocar-lhes escândalo.

Olho para ambos grupos com uma profunda tristeza em meu coração, pois percebo que nenhum deles compreendeu ainda a essência do evangelho. Como é difícil a moderação! Qualquer que seja a época, a tendência da igreja (instituição) é sempre polarizar: ou legalista, fariseu e xiita, ou liberal, hedonista e leviano. O bom senso, velho árbitro da moralidade, está em falta na prateleira do mercado religioso.

Contudo, o mais deprimente é ver que ambos grupos não conhecem a Jesus. Eles dizem conhecê-lo e até serví-lo, mas na verdade eles adoram um ídolo. Sim, um ídolo forjado por eles mesmos, uma divindade de Edom, feita sob medida para satisfazer suas concupiscências e prazeres mundanos. Ou um outro totalmente diferente, mas igualmente destrutivo, um divinade xiito-farisaica, produto de uma consciência culpada que deseja comprar o favor de Deus mediante a autojustificação e uma “santificação” alienígena, que está muito mais relacionada ao corte de cabelo e com as vestimentas, do que com o caráter, pensamentos e atitudes de Cristo. Ambos pisam a graça divina, pois se o hedonista não pensa nas coisas espirituais e anela um céu na Terra, o legalista deseja até morar no céu, mas não está disposto a confiar na graça barata, na graça de graça: ele quer pagar o direito de piso. Simonista, ele espera comprar o Dom de Deus mediante a observância de certas práticas que, “apesar de parecerem sábias, uma verdadeira demonstração de humildade e disciplina, não tem nenhum valor para controlar as paixões que levam à imoralidade” [8].

Contrastando com o Jesus fariseu e com o Jesus libertino, está o Jesus bíblico. Olvidado e desprezado, já quase não figura nos púlpitos do nosso país. Cada vez mais me convenço de que o Brasil ainda é um campo missionário, pois apesar do assombroso crescimento dos cristãos evangélicos, apenas uma pequena parcela demonstra conhecer o Cristo da bíblia, o qual é “uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo”[9]. Muitos tropeçam, se escandalizam e caem, mas a Providência de Deus afirma: “Quem crer nele não será confundido”[10], e é por isso que, por mais que me apresentem um outro Cristo, e ainda que esse Cristo genérico faça chover milagres do céu, não abro mão das minhas convicções. Eu sei em quem tenho crido. Eu cri no Cristo. Jamais poderão me confundir!

***
Notas: 1. Ag 2.8 / 2. Mc 8.34 / 3. Jo 18.36 / 4. Mt 19.22 / 5. Jo 3.16 / 6. Cl 2.21 / 7. Jo 2.1 / 8. Cl 2.23 / 9. Rm 9.33; 1Pe 2.8 / 10. Rm 9.33

Fonte: Púlpito Cristão

Esaú, nova referência dos líderes evangélicos


Hermes Fernandes


Recentemente, assisti a um vídeo na internet em que jovens cristãos, que suponho serem evangélicos, apresentam uma oração de Francisco de Assis. Confesso que fiquei muito emocionado. Que bom que eles descobriram o frade que desafiou o papado com sua mensagem revolucionária e radical. Mas no final do filme, tive uma surpresa. A imagem de Che Guevara com uma coroa de espinhos. Eles conseguiram a proeza de enxergar na famosa caricatura do revolucionário a imagem de Jesus.

O que isso me diz? Que não há referências disponíveis para os nossos jovens. Eles carecem de heróis. Foram buscar inspiração num santo canonizado pela igreja católica e num líder político revolucionário da América Latina canonizado pelas massas.

Enquanto isso, a igreja evangélica forja novos tipos de heróis. Se para a igreja primitiva, herói era quem morria pela causa do Reino, para a igreja contemporânea, herói é quem alcança sucesso em seu ministério.

Quem são nossos novos heróis? Não são mais os mártires, e sim os que cruzam nossos céus em suas próprias aeronaves. Os que constróem suntuosas catedrais. Os que se tornam políticos de grande influência. Os que ostentam jóias, penduricalhos revestidos de ouro, ternos Armani, sapatos de cromo alemão, etc.

Quem se inspiraria num frade maltrapilho? Ou num pastor abnegado com seu terno surrado?

A igreja de hoje está dividida entre várias influências marcantes:

Há os gedozistas (G12), cuja referência maior é o apóstolo Renê Terra Nova. A cada dia, novas igrejas adotam o esquema do G12. Enquanto isso, pastores sonham com o dia em que terão seu próprio avião, a exemplo do seu paipóstolo. Já há pastores exigindo que sejam chamados de paistor, pra ficarem mais parecidos com seu ídolo. Sem contar os inúmeros atos proféticos, encontros tremendos, e outras bizarrices do gênero. O Terra Nova, bem como outros expoentes deste 'mover' são a prova inconteste de que a coisa realmente funciona. E é isso que interessa pra eles. Não há compromisso com a consciência, com o que é certo, mas com o que dá certo.

Há os Iurdistas. Não me refiro aos pastores da Igreja Universal, e sim às igrejas que se dobraram ao esquema iurdiano. É o que dá certo! Amuletos, correntes, pedidos levados para o monte (já que levá-los pra Israel fica muito caro), e sacrifícios, muitos sacrifícios para alimentar a máquina. No mesmo balaio, cabe a Igreja da Graça, a Mundial do Poder de Deus, e outras franquias do gênero. Até alguns dos seus ferrenhos críticos acabaram cedendo. Um exemplo disso é o apóstolo Miguel Ângelo. Doutrinas diferentes, mas práticas semelhantes. Macedo se tornou o modelo desta turma que sonha um dia também ter seu próprio canal de TV.

Há os gospistas, cuja referência maior é o casal Hernandes. Eu disse gospistas, não golpistas (o trocadilho é proposital). Daí, tudo é gospel. Noite gospel, academia de ginástica gospel, boate gospel, e já tem até cerveja e motel gospel. É ano apostólico disso, ano apostólico daquilo, e lá vai fumaça!
Quem não se ajusta a um desses esquemas corre o risco de ficar pra trás.

Esperto é quem consegue reunir o que há de ‘melhor’ (ou seria ‘pior’) dos três esquemas. Imagine a reunião dessa ‘santíssima trindade’: Terra Nova + Macedo + Hernandes. Qual seria o resultado desta equação? Quem seria o subproduto, o Frankstein que surgiria da fusão entre eles?

Imagine reunir a turma do Monte Sinai, com a do Peniel, e a dos Gideões! Misericredo! Imagine uma igreja que além de adotar os produtos gospel, ainda integrasse a visão celular no modelo dos 12, com direito a shofar e tudo mais, com as campanhas e amuletos iurdianos.

É triste ver igrejas sérias se rendendo a esses 'moveres'.

Há ainda os Malafistas, com seus congressos, cruzadas e pra completar, suas bíblias comentadas ao peso de ouro.

Só há uma maneira de fazer uma limpeza no arraial evangélico: boicote. Temos que mobilizar a igreja para boicotar os produtos desta turma. Enquanto estiverem se dando bem, eles não mudarão. Só um prejuízo no bolso para fazê-los reconsiderar seus posicionamentos, e quem sabe, voltarem-se para Deus.

Recuse-se a dar audiência a seus programas. É um bem que você faz a eles e à igreja de Cristo como um todo.

Não pague pra participar de um encontro, cuja finalidade não é outra senão fazer-lhe uma lavagem cerebral.

Recuse-se a participar de marchas que não tem outro propósito que não seja demonstrar cacife político, pra depois negociá-lo em nome do povo evangélico.

Pare de gastar seu suado dinheiro com cd's cujos temas são sempre os mesmos. Não desperdice seu precioso tempo lendo livros de auto-ajuda disfarçados de livros cristãos.

Em vez de Jacó, a nova referência bíblica dos pastores é Esaú.

A propósito, compus um breve poema sobre isso, e chama-se “Esaú”. Quero dedicá-lo a todos os que caminhavam bem, mas acabaram se rendendo ao apelo mercadológico que se instalou no arraial evangélico.

Esaú, Esaú, fizeste pouco caso de tua primogenitura
Deixaste corromper uma mensagem tão pura
Te vendeste por tão pouco, Esaú!
Esaú, Esaú, trocaste a graça por um prato de lentilha
Deixaste o rebanho a mercê da matilha
Te vendeste por tão pouco, Esaú!
Esaú, Esaú, trocaste a verdade por outra cartilha
Deixaste o caminho pra cair numa armadilha
Te vendeste por tão pouco, Esaú!
Esaú, Esaú, por que há tanta amargura em teu coração?
Por que não reconhece e pede perdão?
Ainda resta algum tempo, Esaú!
Lembras de quando conheceste a graça
Tesouro maior que nem ferrugem ou traça
seria capaz de devorar?
Lembras de quando aprendeste do reino?
Teu discipulado foi apenas um treino
Pra que aprendesses a amar
Já te esqueceste, Esaú,
das lágrimas derramadas
Das longas jornadas,
Simplesmente por amar?
Te ofendeste, Esaú
Por minha sinceridade,
Por te dizer a verdade,
Simplesmente por te amar?





Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2009/09/esau-nova-referencia-dos-lideres.html#ixzz1UH3vJ71F
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike