Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Para Estarmos Certos, Temos de Pensar Certo


Por A. W. Tozer

O que pensamos quando estamos com liberdade para pensar sobre o que queremos ser — é isso que somos ou logo seremos.

A Bíblia tem muita coisa para dizer acerca dos nossos pensamentos; o evangelismo atual não tem praticamente nada para dizer sobre eles. A razão por que a Bíblia fala tanto deles é que os nossos pensamentos são vitalmente importantes para nós; a razão por que o evangelismo fala tão pouco é que estamos reagindo exageradamente contra as seitas do "pensamento", como as do Novo Testamento, da Unidade, da Ciência Cristã, e outras semelhantes. Estas seitas fazem os nossos pensamentos ficarem muito perto de tudo, e nos opomos fazendo-os ficar muito perto de nada. Ambas as posições são erradas.

Os nossos pensamentos voluntários não só revelam o que somos; predizem o que seremos. A não ser aquela conduta que brota dos nossos instintos naturais básicos, todo o nosso comportamento é precedido pelos nossos pensamentos e deles se origina. A vontade pode vir a ser serva dos pensamentos, e, em elevado grau, mesmo as nossas emoções seguem o nosso pensar. "Quanto mais penso nisso. mais louco fico", é como o homem comum o coloca, e ao fazê-lo, não somente relata com precisão os seus processos mentais, mas também paga inconsciente tributo ao poder do pensamento, O pensa¬mento instiga o sentimento, e o sentimento dispara a ação. Assim fomos feitos, e bem que podemos aceitá-lo.

Os Salmos e os Profetas contêm numerosas referências ao poder que o reto pensamento tem de inspirar sentimento religioso e de incitar a conduta certa. "Considero os meus caminhos, e volto os meus passos para os teus testemunhos". "Enquanto eu meditava ateou-se o fogo: então disse eu com a própria língua. . ." Vezes sem conta os escritores do Velho Testamento nos exortam ã aquietar-nos e a pensar em coisas elevadas e santas como fator preliminar para a correção da vida ou uma boa ação ou um feito corajoso.

O Velho Testamento não está sozinho em seu respeito pelo poder do pensamento humano, poder outorgado por Deus. Cristo ensinou que os homens se corrompem por seus maus pensamentos, e chegou ao ponto de igualar o pensamento ao ato: "Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela". Paulo recitou uma lista de fulgentes virtudes, e ordenou: "Seja isso o que ocupe o vosso pensamento".

Estas citações são apenas quatro das centenas que poderiam fazer-se das Escrituras. Pensar em Deus e em coisas santas cria uma atmosfera moral favorável ao crescimento da fé, bem como do amor, da humildade e da reverência. Pelo pensamento não podemos regenerar os nossos corações, nem eliminar os nossos pecados, nem mudar as manchas do leopardo. Tampouco podemos com o pensamento acrescentar um côvado à nossa estatura, ou tornar o mal bem, ou as trevas luz. Ensinar isso é representar falsamente uma verdade bíblica e usá-la para a nossa própria ruína. Mas, pelo pensamento inspirado pelo Espírito, podemos ajudar a fazer de nossas mentes santuários purificados em que Deus terá prazer em habitar.

Referi-me num parágrafo anterior aos "nossos pensamentos vo¬luntários", e usei as palavras de propósito. Em nosso jornadear através deste mundo mau e hostil, ser-nos-ão impostos muitos pensamentos de que não gostamos e pelos quais não temos simpatia moral. As necessidades da vida podem compelir-nos por dias e anos a abrigar pensamentos em nenhum sentido edificantes. O conhecimento comum do que fazem os nossos semelhantes produz pensamentos repugnantes à nossa alma cristã. Estes necessariamente nos afetam, mas pouco. Não somos responsáveis por eles, e eles passam por nossas mentes como um pássaro cruzando os ares, sem deixar rastro. Não têm efeito duradouro em nós porque não são propriamente nossos. São intrusos mal recebidos pelos quais não temos amor e dos quais nos livramos tão depressa quanto possível.

Quem quiser verificar sua verdadeira condição espiritual pode fazê-lo notando quais foram os seus pensamentos nas últimas horas ou dias. Em que pensou quando estava livre para pensar no que lhe agradasse? Para o quê se voltou o íntimo do seu coração quando estava livre para voltar-se para onde quisesse? Quando o pássaro do pensamento foi posto em liberdade, voou para longe como o corvo, para pousar sobre as carcaças flutuantes ou, como a pomba, circulou e voltou para a arca de Deus? Ê fácil realizar esse teste, e, se formos sinceros conosco mesmos, poderemos descobrir não só o que somos, mas também o que vamos ser. Logo seremos a suma dos nossos pensamentos voluntários.

Conquanto os nossos pensamentos instiguem os nossos senti¬mentos, e assim influenciem fortemente as nossas vontades, é contudo certo que a vontade pode e deve ser senhora dos nossos pensamentos. Toda pessoa normal pode determinar aquilo em que vai pensar. Natu¬ralmente, a pessoa aflita ou tentada pode achar um tanto difícil con¬trolar os seus pensamentos, e mesmo enquanto se concentra num objeto digno, pensamentos insensatos e fugidios podem fazer travessuras sobre a sua mente, como vivos relâmpagos numa noite de verão. Tendem estes a ser mais molestos do que perniciosos e, no final das contas, não fazem muita diferença, sejam isto ou aquilo.

O melhor meio de controlar os nossos pensamentos é oferecer a mente a Deus em completa submissão. O Espírito Santo a aceitará e assumirá o controle dela imediatamente. Depois será relativamente fácil pensar em coisas espirituais, especialmente se treinarmos o nosso pensamento mediante longos períodos de oração diária. Praticar lon¬gamente a arte da oração mental (isto é, falar com Deus interiormente, enquanto trabalhamos ou viajamos) ajudará a formar o hábito do pensamento santo.

domingo, 10 de abril de 2011

O Papel da Igreja

Posted: 06 Apr 2011 04:29 AM PDT

Graça e paz!

O título desse texto parece um pouco óbvio, mas creio que o papel da igreja no mundo, tem se perdido.
São tantas igrejas, com tantas promessas e objetivos diferentes, que às vezes é difícil saber qual é a verdadeira vontade de Deus para sua noiva.

E aonde podemos descobrir a vontade de Deus? Se você pensou na bíblia, acertou! (rs)
Vamos então, analisar o que a Palavra do Senhor diz a respeito da igreja.

As primeiras pregações de Jesus tinham um foco bem específico.
"Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus." (Mateus 4 : 17)

Ora, sendo Jesus o cabeça, devemos seguir os seus passos. Portanto, a mensagem primordial da Igreja é o arrependimento e o Reino de Deus.
Em outras palavras, a Igreja deve sinalizar o Reino de Deus através das portas do arrependimento.
E o que é um Reino?
Reino é um "lugar" onde a vontade do Rei é executada, onde seus desígnios são cumpridos.
Na oração do Pai Nosso, Jesus deixa isso claro ao dizer: "Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade assim na terra, como no céu". Ou seja: Deus que o teu Reinado se estabeleça na terra, assim como é eterno no céu.
Esse é o papel da igreja, fazer valer o senhorio e reinado de Jesus nesta terra.

Mas e se o mundo for muito forte?
Jesus disse: "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;" (Mateus 16 : 18)
Normalmente quando lemos ou ouvimos este versículo, pensamos em uma cena de filme, onde o inferno está tentando penetrar na Igreja, mas não consegue. No entanto, o que Jesus diz é justamente o contrário. As portas do INFERNO não resistirão à Igreja. Não estamos em posição de defesa, mas de ataque. Quando atacamos, o inferno não resiste. Esta nossa postura atual, defensiva, deve mudar. É garantido por Jesus!

E como faremos isso?
Jesus, já ressurreto, deixa as instruções finais para que seus discípulos continuem a obra iniciada por Ele: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;" (Mateus 28 : 19)

Portanto, o papel da igreja é pregar o Reino, ou Reinado de Deus, a todas as nações, a todos os povos.

Mas como se prega o senhorio de Cristo? Exercendo-o. Se a Igreja chega a um lugar onde os maridos batem nas mulheres, isso deve acabar. A Igreja deve dizer: "Maridos, existe um Rei nesta terra, seu nome é Jesus, e Ele não gosta nada do que vocês estão fazendo às suas mulheres, isto tem que parar". É claro que é apenas uma metáfora para dizer que a Igreja deve interferir nesta situação.
Se a Igreja chega em um lugar onde há tráfico de drogas, ela deve dizer: "Estes jovens pertecem ao Rei desta terra, vocês não podem fazer isso com eles". Se a Igreja chegar em um lugar onde o direito do trabalhador é obstruído, a Igreja deve dizer: "Ei, patrão, o suor destes homens está clamando contra vocês, pois o Rei desta terra exige justiça".

Você pode estar pensando que este é um discurso muito político para a Noiva de Cristo, que, talvez, a igreja não deva se envolver nestes assuntos.
A própria palavra "Reino" já nos induz à política. Todo Reino tem um Rei, e todo Rei precisa fazer valer sua vontade. Isso, em essência, é política.
Todavia, vamos ver o que a Bíblia diz sobre isso.

"Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas." (Isaías 1 : 17)

Ah, mas isso tá no Antigo Testamento, não vale mais para os dias de hoje. Será?

Então vejamos o que o Novo Testamento diz à respeito do mesmo assunto?
"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." (Tiago 1 : 27)

Gosto muito da definição da missão da Igreja dada pela "Missão Integral". O evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens.
O evangelho de Cristo não trata apenas da alma das pessoas, mas exerce Seu senhorio no mundo. Deste modo, seu arauto, a Igreja, deve lutar para que a justiça de Deus seja implantada neste mundo, e totalmente consumada na eternidade.

Creio que este seja o papel da Igreja.
Não deixe de comentar e deixar sua opinião.

sábado, 9 de abril de 2011

Cuidado com a intolerância! Um apelo a unidade da igreja.


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Por Renato Vargens

Eu sou um defensor das Sagradas Escrituras e em virtude disto ao ver as heresias pregadas pelos falsos profetas que nos últimos anos tem desconstruido as doutrinas fundamentais da Palavra de Deus, não exito em repudiar com veemência seus pressupostos teológicos. Nesta perspectiva, concordo plenamente com o teólogo americano John MacArthur que afirma que a heresia vem montada no lombo da tolerância, e que o fato de nos calarmos diante os ensinamentos espúrios dos falsos mestres, contribuimos significativamente para o adoecimento da igreja. Todavia, acredito também que não vale a pena discutirmos por questões irrelevantes.

Há pouco conversando com um querido amigo chegamos a conclusão de que nem todas as batalhas que travamos em nossa cotidianidade, são batalhas as quais deveríamos lutar. Na verdade, acredito que algumas das nossas discussões não deveriam ter nossa imediata atenção, mesmo porque, o inimigo das nossas almas, muitas vezes tenta desviar nosso foco da unidade cristã , levando-nos a valorizar em demasia questões menores e irrelevantes.

Ora, a experiência pastoral me mostra que não são poucas as vezes que na vida polemizamos desnecessariamente com aqueles que amamos. Quantas vezes não fazemos um “cavalo de batalha” em questões banais e insignificantes? Por acaso já percebeu de que quando você trava algumas “brigas ou discussões” com seus filhos, amigos ou cônjuges, na maioria das vezes você não chega a lugar nenhum? Ou quando discute com seu irmão em Cristo qual a forma de batismo correta, ou sistema de governo ideal, ou até mesmo sobre os valores teologicos do arminianismo ou calvinismo, mais nos aborrecemos do que nos edificamos?

Caro leitor, o diabo nosso adversário é astuto e perspicaz em ações e atitudes. Cuidado com suas arguciosas ciladas. Ele sabe que desviando os seus olhares do foco, conseguirá tornar sua vida amarga e sem sabor, além obviamente de lhe proporcionar fisuras em suas relações interpessoais levando-o a um tipo de isolomento.

Isto posto, gostaria de convidá-lo a assistir o video abaixo e refletir sobre a beligerância desnesnecessária , bem como a intolerância que assola a vida de muitos de nós.




Fonte: [ Blog do autor ]

Carta do atirador de Realengo negaria hipótese islâmica

Publicada ontem, a carta de Wellington Menezes de Oliveira, o assassino que abriu fogo dentro da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, desfaz a hipótese de um atentado terrorista islâmico. Na carta, o atirador que deixou 13 crianças mortas e otras feridas no crime barbaro que chocou o país, faz alusao a Jesus e a Deus.

Confira na integra a carta:





Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna.”

"Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado a uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se alimentarem, por isso, os que se apropriarem de minha casa, eu peço por favor que tenham bom senso e cumpram o meu pedido, por cumprindo o meu pedido, automaticamente estarão cumprindo a vontade dos pais que desejavam passar esse imóvel para meu nome e todos sabem disso, senão cumprirem meu pedido, automaticamente estarão desrespeitando a vontade dos pais, o que prova que vocês não tem nenhuma consideração pelos nossos pais que já dormem, eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi."

Segundo O DIA, a carta deixada por Wellington mostra algumas semelhanças com outra carta, escrita há dez anos por um outro assassino. Em 11 de setembro de 2001, o terrorista Mohammed Atta, que sequestrou e atirou um avião contra o World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos, também deixou um documento no qual, assim como Wellington, dá instruções, cita pedidos para o funeral, religião ("bons mulçumanos" e "fiel seguidor de Deus"), "pessoas impuras" e mulheres:

“Em nome de Deus todo-poderoso, isso é que eu quero que aconteça depois da minha morte. Meu nome é Mohammed, filho de Mohammed al Amir Awad al Sajjid, creio em Maomé como o mensageiro de Alá e sei que com o tempo não restarão dúvidas a respeito e Alá ressuscitará aqueles que estão em suas covas. Quero que a minha família, e quem mais leia este testamento, tema a Alá todo-poderoso, não seja enganado pela vida e siga a Alá e a seus profetas, se tiver fé. Em minha memória, quero que façam o que o profeta Ibrahim pediu a seu filho, morrendo como um bom muçulmano. Quando eu morrer, desejo que quem herde minhas posses siga estas instruções:

1 – Quem for me sepultar deverá ser um bom muçulmano, já que vai me preparar para Alá e a Sua Misericórdia

2 – Quem for me sepultar deve fechar meus olhos e rezar para que eu suba aos céus. Deve me vestir com roupas novas e não me deixar enterrar com as roupas com que morri.

3 – Ninguém deve chorar por mim, gritar ou rasgar suas roupas ou bater no próprio rosto – esses são gestos tolos.

4 - Ninguém que no passado não tenha se dado bem comigo deve me beijar, visitar ou se despedir de mim depois que eu estiver morto.

5 – Nem mulheres grávidas nem pessoas impuras devem se despedir de mim - eu não quero isso.

6 - Mulheres não devem rezar pelo meu perdão. Não serei responsável pelos sacrifícios de animais após o meu enterro - isso iria contra o Islã.

7- Quem me velar deverá pensar em Alá e rezar para que eu esteja com os anjos.

8- Aqueles que lavarem meu corpo devem ser bons muçulmanos. E não deve haver pessoas demais, a não ser que seja absolutamente necessário.

9 – Aquele que lavar meus genitais deverá usar luvas, para que eu não seja tocado naquela região.

10 - Minhas roupas devem ser de três peças de material branco, contato que não seja seda ou qualquer outro material muito caro.

11- Mulheres não deverão presenciar meu enterro ou visitar meu túmulo em qualquer outra data mais tarde.

12 - Meu enterro deve transcorrer em um clima de calma. Alá avalia e concede o descanso se baseando em três aspectos: a leitura do Corão, o funeral e se o morto foi enterrado com devoção. Meu enterro deve ser conduzido com rapidez, em uma reunião em que muitas pessoas possam rezar por mim.

13- Quero ser enterrado ao lado de outros bons muçulmanos, com meu rosto voltado para Meca.

14- Quero ser deitado sobre meu lado direito. Deverão jogar a terra sobre meu corpo por três vezes, recitando as palavras: “Você vem do pó, você é o pó e ao pó retornará. E do pó renascerá um novo homem.” Após isso todos devem adorar o nome de Alá e testemunhar que morri como um muçulmano acreditando na religião de Deus. Todos que participarem de meu enterro deverão rezar pelo meu perdão.

15- Quem estiver presente em meu enterro deve passar uma hora perto de minha cova, para que eu possa aproveitar sua companhia; um animal deve ser sacrificado, e a sua carne distribuída entre os necessitados.

16- Existe um costume de se pensar nos mortos a cada quarenta dias ou anualmente se pensar nos mortos. Não gostaria disso, já que não corresponde aos ritos islâmicos.

17- Em meu enterro ninguém deverá levar talismãs como provérbios. Isto é superstição. Prefiro que usem o tempo rezando para Alá.

18- Os bens que deixo deverão ser divididos como dizem as regras islâmicas - como Alá os distribuiu a nós: um terço para os necessitados e os pobres. Meus livros devem ir para uma mesquita. Meu testamento deverá ser executado por um líder sunita. Ele também deve ser meu conterrâneo. Deve ser alguém que siga as mesmas tradições que eu segui. Caso a cerimônia não respeite a fé islâmica, punam os culpados. Os que eu deixo para trás devem temer a Alá e não acreditar nas tentações da vida - devem pedir a Alá e ser bons fiéis. Os que não seguirem as instruções contidas em meu testamento ou contrariarem as regras da minha fé, responderão.


Mu
çulmano, cristão ou apenas um desequilibrado?

O presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas do Brasil, Jamel El Bacha, negou, nesta quinta-feira, que o atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que atacou estudantes e funcionários de uma escola municipal no Rio de Janeiro, tenha vínculos com a representação e a religião muçulmana. Em nota oficial, a entidade condenou o crime e chamou o ato de “insano e inexplicável”.

“[Em relação às informações sobre] uma possível vinculação desse cidadão com a religião islâmica, depois desmentidas [por pessoas próximas a Oliveifra], reafirmamos que ele não é muçulmano e não tem qualquer vínculo com as mesquitas e sociedades beneficentes mantidas pela comunidade em todo o Brasil”, diz a nota oficial.

Citando o livro sagrado do islamismo, o Alcorão, o presidente afirmou que a os “princípios do Islã” pregam a conduta pacífica de seus adeptos e exigem dos seguidores uma “postura absolutamente diversa à que algumas pessoas querem de forma precipitada atribuir à religião e a seus adeptos (...) Quem tirar a vida de uma pessoa inocente é como se tivesse assassinado toda a humanidade, diz o Alcorão Sagrado”, informa a nota. “Estamos direcionando todas as nossas orações para as vítimas desse brutal ato de violência contra inocentes crianças e para os seus familiares.”

A hipótese de que Wellington teria sido influenciado por principios da religião islâmica foi levantada por sua irmã adotiva. Em entrevista à rádio Band News, Roselane disse que ele era muito ligado ao islamismo, não saia de casa e ficava muito tempo no computador. Além disso, a carta deixada pelo assassino desenha tal paralelo que, embora não prove envolvimento com a religião do Alcorão, revela que ele teria sido influenciado pela postura dos terroristas muculmanos.


Comentando os fatos com lentes cristãs

Na verdade, a divulgação da carta prova que o atirador não guardava fielmente a fé muculmana. Mas é igualmente certo que a conduta de Wellington não condiz com os princípios cristãos. Toda forma de violência contra o próximo é incompatível com o caráter pacificador de Jesus e com os principios do seu Sermão da Montanha. A frieza com que o atirador disparou em suas vítimas faz cogitar a hipotese de um doente mental, mas isso dificilmente poderá ser confirmado.

No entanto, em toda essa história demonstra a nulidade da religião para corrigir o carater e purificar o coracão. Em toda história, religiosos foram culpados de crimes hediondos. Não é demais recordar que foram os religiosos, fariseus e saduceus, os maiores adversários de Jesus e de certo modo responsáveis por sua morte. Blaise Pascal já dizia que "Os homens jamais fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa". A religião é nula para transformar o coração e comumente forma pessoas sem misericordia. Só o evangelho, bem entendido e aplicado à vida pode amortecer a essência caída do ser humano, reformar seu caráter e converter ódio em amor.


***
Redação Púlpito Cristão

sexta-feira, 8 de abril de 2011

50 samurais na usina nuclear de Fukushima

Este artigo fala sobre os 50 japoneses que decidiram se arriscar a radiação nas usinas nucleares de Fukushima, para tentar resfrirar os reatores que estão comprometidos evitando assim uma grande tragédia, o texto foi escrito por Peter Moon reporter da revista Época, leia e confira o texto é comovente.

Umas 800 pessoas trabalhavam nas usinas nucleares de Fukushima, 250 quilômetros ao norte de Tóquio, antes do terrível terremoto de 8.9 graus na escala Richter seguido de um tsunami com ondas de 13 metros que arrasou a costa noroeste do Japão, na sexta-feira, 11 de março. Desde então, o mundo acompanha a luta desesperada dos 50 engenheiros e técnicos que se entrincheiraram na central de controle em Fukushima (750 pessoas foram retiradas do local), na tentativa heróica de resfriar os reatores das usinas 1, 2, 3 e 4, impedindo o seu derretimento e o vazamento de material radiativo. A hipótese ainda não está descartada. Apesar de ter conseguido recolocar em funcionamento os sistemas de refrigeração dos reatores 1, 3 e 4, a equipe registrou em 28 de março o vazamento de plutônio no solo abaixo do reator 2, o que seria um sinal do derretimento parcial do reator. Caso o vazamento de plutônio seja confirmado, o acidente de Fukushima será equiparado ao pior acidente nuclear da história, a explosão da usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. O que acontecerá depois disto? O único precedente é Chernobyl.
Entre os operários e os bombeiros que apagaram o incêndio que se seguiu à explosão do reator de Chernobyl, assim como entre os membros das equipes de resgate, 237 pessoas foram diagnosticadas com doença radiativa aguda. Destas, 31 morreram até três meses após o acidente. Um quarto de século após o maior acidente nuclear da história, uma área de 4.500 km² em torno de Chernobyl continua interditada e assim permanecerá até radiação que impregnou o solo voltar a níveis normais – o que pode levar milhares de anos. A culpa é do plutônio, um subproduto da fissão nuclear do urânio nos reatores e o elemento químico radiativo mais perigoso à vida. A meia-vida do plutônio é de 24 mil anos, ou seja, a quantidade de plutônio (e seus níveis de radiação) no solo de Chernobyl reduzirá À METADE só daqui 24 milênios. Fontes não-oficiais indicam que a região de Chernobyl só voltará a ser segura aos humanos daqui 40 mil anos, no século 421.

Três semanas após o maior terremoto da história do Japão, há 11 mil mortes confirmadas, 16 mil pessoas continuam desaparecidas e o governo japonês precisou remover 200 mil pessoas que viviam e trabalhavam num raio de 30 quilômetros em torno das usinas de Fukushima. Nas próximas semanas e meses começarão a ser contabilizados os mortos entre os 50 homens que decidiram permanecer na usina para resfriar os reatores. Duas dúzias de operários foram hospitalizadas desde o início da crise, a maioria com queimaduras devido às explosões dos prédios dos quatro reatores (há três desaparecidos). E, no dia 23, três operários foram hospitalizados com sinais de envenenamento radiativo. Eles tiveram contato direto com água vazada do reator 3.

“Estes homens são heróis”, me disse o físico brasileiro José Goldemberg, referindo-se aos 50 homens confinados em Fukushima. “São 50 kamikazes”, ouço falar o tempo todo, como se aqueles 50 heróis fossem 50 suicidas. Todos são voluntários. Eles escolheram permanecer na usina para tentar prevenir uma catástrofe ambiental apesar dos enormes riscos a que estão expostos. Eles sabem que muitos irão morrer, sabem que a morte por radiação não é uma coisa bonita de ver – e nem puderam se despedir pessoalmente de suas famílias. São 50 voluntários para enfrentar a morte. São 50 samurais.

São estes ensinamentos, transmitidos de geração em geração por mais de mil anos no seio das famílias samurais, que acredito estarem por trás da decisão dos 50 homens de permanecer na usina de Fukushima. Historicamente, a classe samurai somava 9% dos japoneses (a imensa maioria eram camponeses). Em 1868, com o final do shogunato, a família Tokugawa perde o poder, restituído ao imperador do Japão. Naquele ano o imperador Meiji abole oficialmente a classe samurai. Eles são proibidos de portar espadas e suas escolas de artes marciais são abolidas.

A maioria dos estilos de artes marciais dos samurais (havia mais de 700) se perdeu. Uns poucos foram preservados em segredo para florescer novamente em nossos dias. Quem preservou as técnicas antigas foram as famílias samurais. Os samurais foram extintos enquanto casta. Suas famílias, não. Elas preservaram seu legado. Seus membros sabem que seus antepassados foram guerreiros. Cerca de 10% dos 127 milhões de japoneses pertencem a famílias samurais. É quase certo que, entre os 50 homens na sala de controle da usina de Fukushima, há filhos de famílias samurais. Eles têm um passado a honrar. Tal qual seus antepassados guerreiros, os homens de Fukushima estavam preparados para abrir mão da própria vida em nome de um bem maior, a segurança de seu país. É isto o que, acredito, eles estão fazendo. Muitos morrerão. São heróis.

Autor: Peter Moon
O repórter especial de ÉPOCA.

Recebido por e-mail da

Site Teresina Gospel

terça-feira, 5 de abril de 2011

O que vem primeiro: fé ou arrependimento?


Por John Murray

O que vem primeiro: o arrependimento ou a fé? Essa é uma pergunta desnecessária; e fútil, a insistência de que um é anterior ao outro. Não há qualquer anterioridade. A fé para a salvação é uma fé de arrependimento; e o arrependimento para a salvação é um arrependimento de fé… A interdependência entre a fé e o arrependimento pode ser vista quando lembramos que a fé é a fé em Cristo para a salvação do pecado. Mas, se a fé é direcionada à salvação do pecado, tem de haver ódio do pecado e desejo de ser salvo do pecado. Esse ódio do pecado envolve arrependimento, que consiste essencialmente em converter-se do pecado para Deus. Ora, se lembramos que o arrependimento é o volver-se do pecado para Deus, esse volver-se para Deus implica fé na sua misericórdia revelada em Cristo. É impossível separar a fé do arrependimento. A fé salvadora é permeada de arrependimento, e este é permeada de fé. A regeneração se torna expressiva em nossa mente por meio do exercício da fé e do arrependimento.

O arrependimento consiste essencialmente em mudança de coração, mente e vontade. Essa mudança de coração, mente e vontade diz respeito, em especial, a quatro coisas: é uma mudança que diz respeito a Deus, a nós mesmos, ao pecado e à justiça. Sem a regeneração, os nossos pensamentos sobre Deus, nós mesmos, o pecado e a justiça são drasticamente pervertidos. A regeneração muda a mente e o coração. Ela os renova por completo. Há uma mudança radical em nossa maneira de pensar e sentir. As coisas velhas passaram, e todas as coisas se tornaram novas. É importante observar que a fé para a salvação é a fé acompanhada por mudança de pensamento e atitude. Com muita freqüência, nos círculos evangélicos e, em particular, no evangelismo popular, a relevância da mudança que a fé sinaliza não é entendida nem apreciada. Há dois erros. Um destes é excluir a fé do contexto que lhe dá significado. O outro é pensar na fé em termos de decisão e, com isso, baratear a decisão. Esses erros estão relacionados e condicionam um ao outro. Enfatizar o arrependimento e a mudança profunda de sentimento e de pensamento envolvida no arrependimento é o elemento necessário para corrigir esse conceito distorcido da fé, o qual destrói a alma. A natureza do arrependimento serve para acentuar a urgência dos assuntos que estão em jogo nas exigências do evangelho, enfatizar a separação do pecado incluída na aceitação do evangelho e ressaltar a perspectiva totalmente nova que a fé no evangelho transmite.

Não devemos pensar no arrependimento como que constituído meramente de uma mudança genérica da mente. O arrependimento é bem especifico e concreto. E, visto que é uma mudança da mente em referência ao pecado, é uma mudança da mente em referência a pecados específicos, pecados em toda a particularidade e individualidade peculiares dos nossos pecados. É muito fácil falarmos sobre o pecado, sermos denunciatórios em relação ao pecado e aos pecados específicos de outras pessoas e não nos mostrarmos arrependidos quanto aos nossos próprios pecados. A prova do arrependimento é a genuinidade e a resolução de nosso arrependimento em referência aos nossos próprios pecados, pecados caracterizados pelos agravamentos peculiares a nós mesmos. O arrependimento, no caso dos tessalonicenses, manifestou-se em que eles se converteram dos ídolos para servirem o Deus vivo. A idolatria dos tessalonicenses evidenciava, de modo específico, a sua alienação de Deus; e foi o arrependimento dessa idolatria que provou a genuinidade da fé e da esperança deles (1 Ts 1.9-10).

O evangelho é não somente a mensagem de que pela graça somos salvos, mas também a mensagem de arrependimento. Quando Jesus, após a ressurreição, abriu o entendimento dos discípulos, para que entendessem as Escrituras, Ele lhes disse: “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Quando Pedro pregou à multidão, no Dia de Pentecostes, os ouvintes foram constrangidos a perguntar: “Que faremos, irmãos?” Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (At 2.37-38). Posteriormente, Pedro interpretou a exaltação de Cristo como uma exaltação à função de “Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). Alguma outra coisa poderia assegurar mais claramente que o evangelho é o evangelho do arrependimento do que o fato de que o ministério celestial de Jesus como Salvador é um ministério de outorgar arrependimento para o perdão dos pecados?

Quando Paulo apresentou aos presbíteros de Éfeso um relato de seu próprio ministério, ele disse que testificara “tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]” (At 20.21). O autor da Epístola aos Hebreus indicou que “o arrependimento de obras mortas” é um dos princípios elementares da doutrina de Cristo (Hb 6.1). Não poderia ser diferente. A nova vida em Cristo Jesus implica que os laços que nos prendiam ao domínio do pecado foram destruídos. O crente está morto para o pecado por meio do sangue de Cristo. O velho homem foi crucificado para que o corpo do pecado seja desfeito e o crente não sirva mais o pecado (Rm 6.2, 6). Esse rompimento com o passado se registra na consciência por meio do converter-se do pecado para Deus, “com pleno propósito e empenho por uma nova obediência”…

O arrependimento é aquilo que descreve a resposta de converter-se do pecado para Deus. Este é o caráter específico do arrependimento, assim como o caráter específico da fé é receber a Cristo e confiar somente nEle para a salvação. O arrependimento nos recorda que, se a fé que professamos é uma fé que nos permite andar nos caminhos deste mundo mau, na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos, na soberba da vida e na comunhão das obras das trevas, a nossa fé é apenas zombaria e engano. A verdadeira fé é permeada de arrependimento. Assim como a fé é um ato momentâneo e uma atitude permanente de confiança e descanso direcionada ao Salvador, assim também o arrependimento resulta em contrição constante. O espírito contrito e o coração quebrantado são marcas permanentes da alma que crê… O sangue de Cristo é o instrumento da purificação inicial, mas é também a fonte à qual o crente pode recorrer continuamente. É na cruz de Cristo que o arrependimento começa; é ali que ele tem de continuar derramando seu coração, em lágrimas de confissão e contrição.


Tradução:
Pr. Wellington Ferreira © Editora FIEL 2009.
Extraído de Redemption:
Accomplished and Applied, publicado por Wm. B. Eerdmans Publishing Company.
Permissões da Fiel:
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Fonte: [ Voltemos ao Evangelho ]

Antídoto: A cura para a igreja evangélica brasileira


Por Leonardo Gonçalves

Que a igreja brasileira não está vivendo o seu melhor momento, não é nenhuma novidade. Basta pesquisar a palavra “igreja” no Google para se dar conta do quanto a instituição carece de integridade e doutrinamento. No entanto, creio que apenas criticar os novos rumos do cristianismo tupiniquim, com seus pastores-apóstolos, profetas mercenários e pregadores cheios de estrelismo, não ajuda a resolver o problema. Obviamente, sei reconhecer o valor de uma crítica bem articulada, mas desprezo a atitude de quem somente destrói sem edificar nada no lugar, apenas pelo prazer de ver os escombros. A agressividade de quem só ataca sem oferecer uma resposta satisfatória à problemática eclesiástica e a hostilidade de quem aponta o problema, mas é incapaz de (tal como Neemias) ser a resposta ao próprio clamor é tão reprovável quanto a conduta dos mercadores da fé. Em síntese, tal atitude redunda em hipocrisia e grande desejo de aparecer às expensas daqueles que são objeto da sua fúria voraz.

Nesse ínterim, mentes esclarecidas argumentam contra o atual estado das coisas, mas na maioria dos casos, esquece-se de dizer como as coisas deveriam ser. Preocupam-se em execrar os farsantes, mas não indicam uma outra via, uma possível eleição. Deste modo, acaba-se promovendo uma generalização banal. A “apologética denuncista”, tão popular nos últimos anos, acaba fortalecendo o estereótipo latente no imaginário popular de que todo pastor é ladrão e que igreja evangélica é sinônimo de bandalheira.

Não quero assumir nenhuma postura messiânica. Não tenho o brilhantismo de Lutero, nem o zelo teológico de Calvino. Falta-me a coragem de John Huss e Wyclyffe, e sobra-me o pedantismo e a inconstância de Pedro. Sendo assim, ninguém mais improvável do que eu, para querer dogmatizar a apologética ou indicar a única via possível para a restauração da igreja evangélica neste país. Apesar disso, a paixão que tenho pela igreja, somada a pouca experiência de 10 anos como plantador de igreja, me conferem um pouco de autoridade para abordar este tema tão polemico. E visto que tenho falado sobre indicar o caminho sobre o qual a igreja evangélica brasileira deve trilhar para desenvolver-se de modo saudável, passarei a discorrer sobre aqueles tópicos que, a meu ver, deveriam ser tratados com mais responsabilidade pelos líderes eclesiásticos do nosso Brasil.

Primeiramente, a igreja brasileira precisa de pastores com vivencia apologética. Observe que não estou falando de pregação apologética, mas de vivencia apologética. Não creio que pregar contra a rosa milagrosa, o sabonete ungido e a fogueira santa seja mais necessário que a integridade ministerial. Já dizia um antigo pastor: “uma grama de testemunho vale mais que um quilo de pregação”. A crise da igreja evangélica brasileira não é apenas teológica; ela é moral. A própria teologia neopentecostal com sua ênfase na prosperidade adquirida através de vultosas ofertas nada mais é do que o reflexo do caráter hediondo dos seus arautos, verdadeiros estelionatários que já estariam atrás das grades, se este fosse um país sério. A vida do ministro sempre falará mais alto que seu sermão, razão pela qual sua vida, e não apenas o seu sermão, deve ter ênfase apologética. Pietismo, santidade, pudor, vergonha na cara, devem ser buscados mais do que as unções, os poderes, as línguas e as profecias.

Em segundo lugar, nossa liderança precisa ser mais tolerante com respeito à liturgia, adequando-se ao mundo contemporâneo. Precisamos deixar de perder tempo discutindo se podemos ou não dançar, se o rock é de Deus ou do diabo, se devemos ou não aplaudir, e concentrar-nos mais no evangelho de Jesus. Peço desculpas pelo tom de desprezo, mas sinceramente acho ridículas as discussões presbiterianas sobre “salmodia exclusiva”, e risível o argumento pentecostal de que a verdadeira musica sacra foi escrita há cem anos. Se temos como objetivo comunicar as verdades espirituais aos homens e mulheres do nosso tempo, precisamos de uma liturgia que se adapte as necessidades do mundo contemporâneo.

Logo, em terceiro lugar, penso que a igreja evangélica precisa de contextualização missionária. Isso decorre do segundo ponto: O povo brasileiro é ímpar por causa da sua diversidade cultural, e isso vai refletir na igreja. No entanto, a maioria dos pastores brasileiros parecem insensíveis a essa diversidade cultural, e acabam impondo a linguagem e os costumes do “gueto gospel” aos incrédulos. Dessa forma, criam uma geração de crentes estereotipados, meros papagaios de chavões de mau gosto: “Fala vaso!”, “Oh, varão, tem fogo aí?”, e outras fraseologias que são acessíveis apenas aos iniciados e que excluem a todos os demais. Precisamos de uma igreja cuja pregação se adapte a linguagem, contexto e necessidades do povo brasileiro.

Precisamos resgatar a pregação cristocentrica, a mensagem da justificação pela fé, e enfatizar estas verdades em todo tempo, pois elas são o cerne da teologia protestante. Nossas igrejas não possuem ênfase cristocentrica em seus ensinos. Aliás, para ser sincero, Cristo é um personagem coadjuvante nas pregações hodiernas. Fala-se muito sobre Davi, Sansão, Elias e Eliseu, profetas e reis do Antigo Testamento, mas muito pouco se fala sobre os méritos da cruz e sua aplicação na vida do crente. A justificação pela fé permanece apenas na qualidade de dogma, pois na prática o que vale mesmo é a teologia da barganha, da permuta, do “fiz por merecer”. A doutrina da justificação pela fé é o contraponto para refutar as heresias da prosperidade e a manipulação do sagrado, tão propaladas no meio pentecostal e mais recentemente pelos neopentecostais, sendo esta mais uma razão pela qual ela deve ser enfatizada.

Em quinto lugar, se queremos ser realmente bíblicos em nossa forma e próposito, precisamos elaborar uma eclesiologia menos centralizadora, que faça jus a doutrina protestante do sacerdócio de todos os crentes e introduza os leigos no ministério cristão, servindo com seus dons. Uma das maneiras de conseguir isso é através de pequenos grupos, reuniões caseiras, criando uma estrutura que promova a comunhão ao mesmo tempo em que permite que os crentes descubram seus talentos e ministrem a outros. Ao fazê-lo, estaremos permitindo que “a justa operação de cada parte produza o crescimento” (ênfase acrescentada).

Finalmente, creio que devemos ser sensíveis o suficiente para perceber até que ponto vale à pena lutar contra o sistema, e em que ponto é necessário abandonar o barco. Como disse no início deste texto, opor-se ao mercantilismo evangélico, as barganhas e vida pecaminosa dos líderes eclesiásticos, sem dispor o próprio coração para ser você mesmo a cura que a igreja precisa, nada mais é do que palavrório vão. As “igrejas S/A” tem ferido a milhares de pessoas, e é preciso que se levantem servos de Deus para apascentar, restaurar e re-orientar estas pessoas. Há uma grande necessidade de igrejas sadias no nosso país e eu oro para que alguns dos críticos de hoje ultrapassem a barreira da crítica pela crítica e se proponham a ser a mudança que a igreja precisa. Oro para que muitos dos que hoje acusam a igreja de tantos pecados, se disponham a ser, eles mesmos, os líderes que anelam ver.

É claro que há muitos outros aspectos em que a igreja brasileira pode e deve melhorar, mas creio que se conseguirmos aplicar estes, já teremos feito um grande progresso.

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Leonardo Gonçalves ama a igreja e deseja amá-la cada vez mais. Sonha com uma igreja diferente e se dispôs a ser – ele mesmo – a resposta da sua oração. E você? Será que você está disposto a se transformar na igreja que você sonha ver? Está disposto a se transformar no líder ético e espiritual que você anela ter? #isso_é_reforma!

Fonte: http://comoviveremos.com/2011/02/26/antidoto-a-cura-para-a-igreja-evangelica-brasileira/