Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Cristão, o Fundamentalismo e o Espírito Combativo

Por: Heitor Alves

O verdadeiro cristão comprometido com as Escrituras deve ser caracterizado pelo espírito combativo. É ser fundamentalista. Ser fundamentalista é ter convicção de que os preceitos da Palavra de Deus revelado nas Escrituras são infalíveis e historicamente precisos, ainda que contrários ao entendimento das teologias modernas. O cristão fundamentalista se preocupa em voltar ao que é considerado princípios fundamentais das Escrituras. O termo fundamentalista, em oposição ao modernismo teológico e negativista, já indica que o seu portador é um combatente pela fé.

O termo fundamentalista que emprego neste artigo não faz referência aos movimentos religiosos que tem como característica as ameaças que grupos religiosos fanáticos fazem àqueles que não fazem parte da sua religião. Ser fundamentalista não significa fazer parte de grupos extremistas, com interesses em atos de violências físicas ou verbais contra os oponentes. As Escrituras nos advertem a amarmos até mesmo os nossos inimigos! O que está em jogo aqui não é o ataque à pessoa, e sim às idéias. Mesmo que seja impossível separar a pessoa da sua idéia, não nos é permitido fazer qualquer mal, física ou verbal, à pessoa.

Ser fundamentalista é ser guerreiro, é saber manejar bem as Escrituras, significando não somente a aceitação das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus, mas também a defesa intransigente, protegendo-o dos ataques das teologias liberais e modernistas. O cristão fundamentalista precisa saber atacar e defender. Estar na ofensiva e na defensiva.

O nosso espírito combativo deve existir em função de uma causa sublime e nunca em função de nosso personalismo. Ser combativo não é ser briguento, no sentido contencioso. Existem pessoas com um espírito combativo tão extremo que chegam ao ponto de descerem do pedestal da ética cristã até o terreno escorregadio da polêmica baixa, desonesta e contenciosa. Quando o espírito combativo perde a verdadeira noção de uma polêmica elevada, honesta, que tem como motivo as causas sublimes, e se limita a ataques pessoais, já não consideramos mais polêmicas. Este espírito contencioso é condenado na Palavra de Deus (Tg 3.13-18).

No entanto, os erros de alguns que pensam que são polemistas[1] e vivem brigando com todo o mundo não são motivos para nos tornarmos avessos às controvérsias. Um erro não justifica o outro. As atitudes extremadas de alguns que pensam que são polemistas criam inimizades, prejudica a causa e impede a conversão das almas, dificultando o evangelismo. Por outro lado, não concordamos com a inércia de alguns que não fazem questão de polemizar questões doutrinárias. Os que não se esforçam em defender a fé confundem polêmica com contenção. Negar a necessidade da controvérsia é negar o caráter essencial da vida cristã. A vida cristã é uma vida de lutas. Temos que ser combativos. Não há lutas sem combates! O cristão precisa ser combativo pelo próprio imperativo de ser cristão.

Os que são contra o espírito combativo e dizem que não tem tal espírito, não enxergam a tamanha ironia em que caíram. Eles fazem verdadeira apologia em torno de sua posição não combativa, atacando, ao mesmo tempo, os que combatem o mal e inovações! Não são combatentes, mas atacam os que combatem. Combatentes pacifistas! São contraditórios por excelência. Para defender a doutrina não tem espírito combativo, mas o tem para defender as suas próprias idéias e opiniões. Onde há contradição, há engano; onde há engano, há falsidade; onde há falsidade, não existe a verdade, porque esta não admite contradição.

Não podemos permitir pacifistas em nossas igrejas. No cristianismo não há lugar para tímidos e medrosos. Imaginem um exército cheio de timidez. Imaginem um pelotão de soldados com medo de enfrentar o inimigo em uma guerra. Temos que ser corajosos e desinibidos, pois somos soldados de Cristo.

Através da história, notamos que o evangelho tem triunfado por meio do combate ao mal. Se Lutero não fosse combativo, não teria se processado a Reforma Protestante do século XVI. Não somente Lutero, mas Zwiglio, Huss, Savonarola, Calvino, Knox, Beza e tantos outros que deram suas vidas pela causa de Cristo.

Jesus Cristo foi um combatente. O apóstolo Paulo também o foi, como se percebe através de suas epístolas, entre elas a carta aos Gálatas, que é uma verdadeira polêmica contra os legalistas fanáticos. Na carta aos Romanos o apóstolo faz uma verdadeira apologia em torno da justificação pela fé.

Onde encontramos na Bíblia a base para a acomodação doutrinária? Se o indivíduo não é capaz de defender as próprias doutrinas que aceita e atacar as doutrinas contrárias, onde estão então as suas convicções? O verdadeiro cristão fundamentalista e com um espírito guerreiro não fica calado quando vê que a doutrina de Cristo está sendo ultrajada, espezinhada e combatida pelo inimigo. Covardia e medo é o que caracteriza o “cristão” passivista. São como Pedro, quando foi interrogado pela criada (ver Mateus 26.69-75). Como pode um crente conformar-se com aqueles que negam a inspiração verbal e plenária da Bíblia, que negam a divindade de Cristo, seu nascimento virginal, sua ressurreição, e o castigo eterno? Não se pode ficar inerte diante das heresias, ou então será tido por traidor.

Não servem como exemplo aqueles que vivem procurando briga e gastam tempo escrevendo calúnias contra os outros, quando deveriam estar pregando o evangelho. Não são polemistas ou combativos, mas paroleiros[2]. São os que promovem facções e divisões na igreja de Cristo. A verdadeira fidelidade doutrinária é aquela que se revela num inconformismo santo contra o erro. Não podemos ficar em paz com a nossa consciência cristã, ao verificar tantos abusos contra a doutrina e a moral cristã, e permanecer sem dar o grito de alerta.

A consequência da oposição ao espírito combativo é o afrouxamento doutrinário, a indisciplina, a quebra do Dia do Senhor, a falta de comunhão, os aumentos do modernismo teológico, da teologia liberal, do mundanismo etc. Mas o principal motivo pelo qual as igrejas não estão interessadas no espírito combativo é o medo da possibilidade de ter igrejas vazias. É preferível ter igrejas cheias a ter igrejas compromissadas com a Verdade.

Que o Senhor não permita que nós deixemos a sua Igreja ser destruída pelo “espírito pacifista”, que não se esforça por proteger o Corpo de Cristo dos ataques dos seus inimigos.

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Notas:

[1]Os polemistas são aqueles que lutam pela defesa contra heresias de dentro da Igreja.
[2]Aquele que fala muito e pouco faz. Mentiroso, tagarela.

Fonte: [ Eleitos de Deus ]

Sonhos, sonhos e sonhos...

Tenho ouvido o que dizem esses profetas que profetizam mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. Jr 23:25

Martin Luther King tinha um sonho, na padaria da Mary tem dúzia deles (inclusive de goiabada, que me faz sonhar), mas ninguém tem tanto sonhos como os levitas modernos. É tanto sonho nos louvores que os próprios pregadores fizeram de sonhos a temática de suas pregações

São sonhos de todos os tipos e para todos os gostos. Raquel Malafaia sonha "sonhos de vitória", enquanto Nani Azevedo tem "sonhos de alegria", Diante do Trono tem "sonho de amor" e Genésio de Souza tem "sonhos de louvor e adoração". Há sonhos ameaçados de morte, pois "tentaram matar os seus sonhos" (Ludmila Ferber), alguns "sonhos já morreram" (Mara Lima), mas como a Lázaro "Deus faz ressuscitar" os sonhos (Mara Lima).

Nossos sonhos são bons, mas é melhor "os sonhos que Ele sonhou para mim" (Nani Azevedo), pois "os sonhos de Deus são maiores que os meus" (Nani Azevedo). E como "infinitos são os sonhos de Deus" e por maior que sejam os nossos, os de Deus "supera seus sonhos", é melhor ficar com "os sonhos que o meu Deus sonhou pra mim" (Alda Célia), afinal "Deus sonha os teus sonhos por você" (Melissa).

Apesar de que "o sonho de Deus é maior" (Robson Fonseca), pode ser que Deus não sonhe por você. Neste caso, você mesmo pode "gerar os sonhos de Deus" (Raquel Malafaia), afinal "você foi escolhido pra gerar os sonhos de Deus" (Jossana Glessa). Não fique sem sonho, declare com J. Neto: "escolhi sonhar os sonhos de Deus" (J. Neto). Mesmo que alguém diga que "os teus sonhos são pura imaginação" (Mara Lima) e que "jovens sonhadores são ingênuos e só quebrando a cara aprenderão, não desista de seus sonhos" (Henrique Cerqueira), pois "se você acredita nos seus sonhos Deus investe em você" (Michelle Nascimento).

"Há quem diga ainda que Deus não realiza sonhos" (Beatriz Andrade), mas isso é porque "o inimigo quis roubar, tua vontade de sonhar" (Rayssa e Ravel). "Nunca deixe de sonhar, Deus pega o pesadelo e faz virar canção" (Michelle Nascimento).

Todo lugar é um bom lugar para sonhar. Raquel Malafaia sonha "dentro de um poço", lugar onde são "gerados os sonhos de Deus". Ou pode entrar "no celeiro dos sonhos" com Ludmila Ferber. E se estiver difícil sonhar, sonhe "os sonhos de Deus com o toque do shofar" (Gilmar Brito), que ajuda.

E de sonho em sonho, vamos esquecendo a realidade do evangelho...

Soli Deo Gloria

Autor: Clovis
Fonte: [ Cinco Solas ]

sábado, 3 de julho de 2010

A loucura de um neopentecostal: "unção patriarcal"?



Por: Marcos David

Eu me cansei de tanta idiotice no meio evangélico. Não vou escrever aqui que esse pessoal tresloucado passou dos limites, pois esses loucos não têm limites para nada. Se eles podem “chutar o pau da barraca” com suas idiotices, eu também posso.

O senhor Renê Terra Nova (recuso-me a chamá-lo inclusive de irmão, quanto mais de algum outro título — Spurgeon faria o mesmo!!!) agora é um PATRIARCA. Exatamente o que você está lendo.

Na última conferência realizada e organizada por ele mesmo, várias pessoas o reconheceram como patriarca por causa do que ele tem desenvolvido no Brasil e fora daqui. Estranho e ridículo: a conferência é organizada por eles, tem um monte de gente amiga dele, que bate continência para o que ele fala e, “espontaneamente”, ele foi reconhecido como patriarca.

Isso nada mais é do que HERESIA, ABSURDO, MENTIRA, BLASFÊMIA, ORGULHO, ARROGÂNCIA, DEMONÍACO, FALSO, HERÉTICO e qualquer outra coisa que você queira qualificar. O cara agora está no mesmo nível que Abraão, Isaque e Jacó!!! É brincadeira!!!!

Não é possível que isso esteja acontecendo e ninguém fala nada, ninguém faz nada. E o evento foi cheio de rituais: estandartes representando as doze tribos, as bandeiras dos estados do Brasil, manto púrpura que representa a unção patriarcal. Isso é NOJENTO!!!!!

Onde isso está na Bíblia? Foi para isso que Deus nos chamou? Esses caras conseguiram até um representante de uma associação cristã israelense que disse que Israel reconhece o legado patriarcal que está sobre o Renê Terra Nova. Essa é uma loucura tão grande que eu garanto que nenhum rabino de nenhum sinagoga de São Paulo... nem os reformistas diriam isso que um homem, ainda mais se esse homem dissesse que acredita em Jesus.

Não dá mais!!! Eu não vou mais me calar diante da estupidez dessa gente. Posso perder algum tempo escrevendo meus artigos aqui, vez ou outra mandando um email para esses caras lerem. Mas quieto é que não vou ficar mais. Vou continuar ensinado o que é correto à luz da Bíblia e denunciando o engano e o erro.

E para provar que isso não é mentira, veja no próprio blog desse destemperado.

http://www.reneterranova.com.br/blog/?p=3063

Autor: Marcos David
Fonte: [ Música, Ciência e teologia ]

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sou subversivo, e daí?



Sempre questionei. Nasci com o instinto furioso da discordância. Nunca nutri qualquer simpatia para com as ditaduras, não interessa qual configuração. Toda ditadura, todo absolutismo me provoca. Detesto imposições. Amo a proposta, a dúvida, a crítica, o pensar. Sou um amante da liberdade!

Sempre detestei a injustiça, seja ela qual for. Não suporto sistemas e esquemas totalitários, gente metida a Deus, "riquinhos" e sua esnobe mania de ostentar empáfias e futilidades. Sempre fui pobre, filho da periferia, coberto pela poeira da vida, marcado pela falta de padrinhos, nunca tive "as costas quentes". Condenado à sobrevivência, fui fazendo das palavras minha arma de grosso calibre. Ainda são poucos os que me leem, mas ainda acredito...

Sempre amei a poesia, a filosofia, a teologia e a arte, ainda que todas estejam unidas na mesma subversão! Amo tudo que é, que não afirma sua existência no que tem, mas no que sabe ser. Amo gente que já viveu mais do que eu, que carrega nos cabelos a neve do tempo. Adoro seus conselhos e até aquela dose de desilusão que acompanha os que já se gastaram na luta.

Estudei em escola pública, andei de ônibus - muito - na guerra urbana entre sair de casa e não saber se volta. Cheguei ao ministério sem ter pai pastor, sem ser indicado pelos figurões da teologia de "tio Patinhas". Pregando mensagens perigosas desafiei alguns pequenos impérios. Ainda estou aqui. Tentando, acreditando, utopicamente sonhando...

Quero a companhia dos poetas e dos profetas. De gente que se contorce com as mesmas dores que atingem os oprimidos. Quero acreditar que um dia, da massa que não pensa, surgirão pequenos gritos. Quero escrever, ainda que no rodapé das páginas da história, frases que acordem o exército dos subversivos.

Que não me venham apregoar a morte das tentativas! Sou subversivo, morro acreditando!
Até mais...

Alan Brizotti
Fonte: [ Blog do autor ]

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma nova reforma

Uma nova reforma é o título de um livro de J. A . T. Robinson, edição da Moraes Editora, de Lisboa. Lançado em 1965 (inglês), o livro veio na esteira dos debates da teologia da morte de Deus. Bafejada pelo existencialismo, esta corrente propunha a secularização do cristianismo. A nova reforma de que falo não é esta, a dessacralização do evangelho. É uma volta às origens, principalmente hermenêuticas, da Reforma. Um dos nossos maiores problemas, hoje, está na área de hermenêutica: como interpretar a Bíblia, a fé e a denominação.

Segundo Mondin (Antropologia teológica, Paulinas, 1979), há dois princípios na formação de uma corrente teológica, o arquitetônico e o hermenêutico. O arquitetônico é o conteúdo da revelação. A teologia deriva da revelação bíblica. Se não fosse assim, não teríamos uma corrente teológica, mas filosófica. Mondin cita o sistema de pensamento de Hegel. Os mistérios do cristianismo estão presentes nele, mas como foram dessacralizados, despidos de seu conteúdo sobrenatural, é um sistema filosófico e não teológico.

O princípio hermenêutico é o instrumento pelo qual se interpreta a revelação. Geralmente é de conteúdo filosófico. É que a teologia é a interpretação da revelação pela razão. Os dois princípios são necessários e se entendem bem à luz da palavra de Bruner, segundo a qual, para se entender a Palavra de Deus é necessário um ponto de encontro entre ela e a mente humana. A Palavra é o princípio arquitetônico. A mente humana é o princípio hermenêutico.

O catolicismo faz teologia usando como princípio hermenêutico a autoridade da Igreja. O pressuposto filosófico é que ela detém a Verdade. Para Agostinho, por exemplo, a Igreja Católica era o ponto culminante da história. Há suporte filosófico para a interpretação da Igreja Católica: ela tem a verdade e seu magistério a expressa. A Reforma tirou a base hermenêutica da Igreja e a pôs na Bíblia, interpretada pelo crente, regenerado pelo Espírito. Roma deixou de ter a palavra final em matéria de interpretação. Esta postura foi mudada pelo pentecostalismo e carismatismo, pulverizando a interpretação. Colocando a base não mais na Bíblia, mas no crente, estes intimizaram a hermenêutica, com sonhos e interpretações na base de "o Senhor revelou". Toda a estrutura de uma denominação, seu conteúdo teológico e seu passado doutrinário são irrelevantes. O crente é a palavra final. A diversidade de interpretações, mesmo as mais absurdas, partem daqui. "O Espírito me falou" ou "Deus me revelou" são expressões comuns para legitimar teorias as mais esdrúxulas. O critério de interpretação não é mais Cristo. É o "Espírito", entendendo-se assim a subjetividade do intérprete. É significativo que a Universal do Reino de Deus tenha substituído a cruz pela pomba. É o Espírito (subjetivo) e não mais Jesus (objetivo) o critério de interpretação. Não há como argumentar com quem tem uma relação especial com o Espírito que nós, "tradicionais e carnais", não temos. A leitura de Benny Him, Hagin e os sermões de Valnice mostram isso. Estas pessoas alegam ter uma autoridade que elas não podem provar, mas que nós não podemos contestar.

Hagin recebe visitas de Jesus. Outros têm revelações especiais de Deus. Nós "só" temos a Bíblia. A Palavra se subordinou à palavra. A subjetividade de sonhos, experiências e intuições se sobrepõe à exegese centenária e até milenar do evangelho. Assim, se "reinventa" o evangelho constantemente.

Há, em nosso cenário, três grandes vertentes em termos de teologia e de práxis: a recatolização, a rejudaização e a influência baixo-espírita. Cada uma delas mostra que as pessoas assumiram princípios hermenêuticos estranhos, nunca antes sustentados, recebidos por "revelação", "iluminação" ou "capacitação especial". Assim desfiguram o evangelho, fazendo uma salada religiosa que nada têm a ver com o ensino bíblico.

1. A Recatolização Contemporânea do Evangelho

Vê-se a recatolização no entendimento cada vez mais acentuado, de que temos um clero e um laicato. Preocupa-me ver, cada vez mais, as igrejas terem ministros formados e assalariados para tudo. Acho correto termos ministros de música, de educação religiosa, de missões, etc., em nossas igrejas. Milito na educação ministerial, sou presidente da ABIBET e não poderia pensar doutra maneira.

Mas me preocupa a possibilidade de estarmos dizendo ao nosso povo que só pessoas formadas em seminários e remuneradas podem fazer a obra de Deus. Pode-se criar uma mentalidade daninha: os ministros fazem o trabalho e os crentes pagam a conta. A incidência do uso do termo "leigo" para os não consagrados aos ministérios é reveladora. Todos nós somos ministros, pois todos somos servos. E todos somos leigos, porque todos somos povo (é este o sentido da palavra "leigo", alguém do povo). Não temos clero nem laicato. Somos todos ministros e somos todos povo. Mas cada vez mais as bases ministeriais são buscadas no Antigo Testamento e não no Novo. Usamos os termos do Novo com a conotação do Antigo. O pastor do NT passa a ter a conotação do sacerdote do AT. É o "ungido", detentor de uma relação especial com Deus que os outros não têm. Só ele pode realizar certos atos litúrgicos, como o sacerdote do AT. Por exemplo, batismo e ceia só podem ser celebrados por ele. Assumimos isto como postura, mas não é uma exigência bíblica. No meio carismático isto é mais forte. Os pastores tornam a igreja dependente deles. Só eles têm a oração poderosa, a corrente de libertação só pode ser feita por eles e na igreja, só eles quebram as maldições, etc.

O sentido teológico do sacerdote hebreu parece permear fortemente o sentido teológico do pastor neotestamentário. Este conceito convém ao pastor carismático. Ele se torna um homem acima dos outros, incontestável, líder que deve ser acatado. Tem uma autoridade espiritual que os outros não tem. O Antigo Testamento elitiza a liderança. O Novo Testamento democratiza. Para o carismático, o Novo Testamento, a mensagem da graça e a eclesiologia despida de objetos, palavras e gestual sagrados não são interessantes. Assim, ele se refugia no AT. Por isso há igrejas evangélicas com castiçais de sete braços e estrelas de Davi no lugar da cruz, bandeira de Israel, guardando festas judaicas, e até incensários em seus salões de cultos. Há evangélicos que parecem frustrados por não serem judeus. A liturgia pomposa do judaísmo é mais atraente e permite mais manobra ao líder que se põe acima dos outros.

2. A Rejudaização, um Produto Tanto Teológico Quanto Comercial

A rejudaização do evangelho tem um lado comercial e outro teológico. O comercial se vê nas propagandas para visita à "Terra Santa". O judaísmo girava ao redor de três grandes verdades: um povo, uma terra e um Deus. No cristianismo há um povo, mas não mais como etnia. A Igreja é o novo povo de Deus, herdeira e sucessora[1] de Israel, composta de "toda a tribo, e língua, e povo, e nação" (Ap 5.9). Há também um Deus, que se revelou em Jesus Cristo, sua palavra final (Hb 1.1-2). Mas não há uma terra santa. No cristianismo não há lugares e objetos santos. O prédio onde a Igreja se reúne e que alguns chamam, na linguagem do Antigo Testamento, de "santuário", não é santuário nem morada de Deus. É salão de cultos. O Eterno não mora em prédios, mas em pessoas. Elas são o santuário (At 17.24, 1Co 3.16, 6.19 e Hb 3.6). Deus não está mais perto de alguém em Jerusalém que na floresta amazônica, nos condomínios, favelas e cortiços das grandes cidades. No cristianismo, santo não é o lugar. São as pessoas. Não é o chão. É o crente. E Deus pode ser encontrado em qualquer lugar. Não temos terra santa, e sim gente santa.

A propaganda gera uma teologia defeituosa. Pessoas vão a Israel para se batizar nas águas onde Jesus se batizou. Ora, o batismo é único, singular e irrepetível. Ele segue a conversão e mostra o engajamento da pessoa no propósito eterno de Deus. Uma pessoa que foi batizada, após conversão e profissão de fé, numa igreja bíblica, não se batiza no rio Jordão. Apenas toma um banho. E, sem o sentido filosófico do ser e do vir a ser de Heráclito, aquele não é o Jordão onde Jesus foi batizado porque as águas são outras. As moléculas de hidrogênio e oxigênio que compunham aquele Jordão podem estar hoje em alguma nuvem. Ou na bacia amazônica. Ou no mar. Até no Tietê. É mero sentimentalismo e não identificação com Jesus. É lamentável que pastores conservadores em teologia "batizem" crentes já batizados no Jordão. Isto é vulgarizar o batismo, tirando seu valor teológico.

Não sou contra o turismo. Faça-o quem puder e regozije-se com a oportunidade. Sou contra o entortamento da teologia como apelo turístico. Temos visto pastores com sal do mar Morto, azeite do monte das Oliveiras (há alguma usina de beneficiamento de azeitonas lá?) e até crucifixos feitos da cruz de Jesus (pastores evangélicos, sim!). Há um fetichismo com terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc. No cristianismo as pessoas são santas, mas as coisas não. A rejudaização caminha paralelamente com a superstição e feitiçaria. É parente da paganização.

Não estou tecendo uma colcha de retalhos. Tudo isto é produto de uma hermenêutica defeituosa, que não compreende as distinções entre os dois Testamentos, os critérios diferentes para interpretá-los, a pompa e liturgia do judaísmo em contraposição à desburocratização do cristianismo e que a palavra final de Deus foi dada em Jesus Cristo. É o NT que interpreta o AT e não o AT que interpreta o NT.

3. O Fetichismo como Produto do Neopentecostalismo

O neopentecostalismo (ou baixo-pentecostalismo) trouxe um problema sério. Derrubou o muro entre feitiçaria e evangelho. Já vi "tapete ungido" que chupa as enfermidades e pecados, água santa após a oração pastoral (como Alziro Zarur fazia nos anos sessentas), bênção de carteiras de dinheiro, envelope de pagamento e cartão de crédito, repreensão de maldição sobre carros e eletrodomésticos para que não tenham mais defeitos, etc. Um pastor apresentou na televisão o homossexualismo como maldição hereditária. É a mesma hermenêutica do psicólogo ou psiquiatra ateu que o justifica como hereditariedade genética. A responsabilidade pessoal do indivíduo se dilui na maldição ou nos genes. A ignorância do ensino global das Escrituras, incluindo a responsabilidade da pessoa, com a capacidade de tomar decisões, sendo responsável por elas, produz estas distorções. De novo um problema hermenêutico: não há hereditariedade espiritual no Novo Testamento. Ezequiel antecipava o evangelho ao escrever seu capítulo 18.

Em correntes de oração, leva-se uma foto da pessoa para ungi-la e ela deixar o pecado ou o vício. Se não pode levar a foto, leve uma muda de roupa. Vi isso na minha infância, no baixo espiritismo. Choca-me vê-las entre evangélicos. Surpreende-me o ibope dado ao diabo, que já teve até microfone de televisão na boca em programa evangélico. Só faltou dizer: "Agora, ao vivo, em cores, via satélite, o Diabo fala para todos".

Boa parte dos evangélicos busca sensacionalismo e vive à cata de eventos. Um pastor que seja sério, expositor bíblico, conselheiro, amigo, mas que não faça pirotecnia no púlpito corre o risco de ser considerado ultrapassado. Busca-se o showman, o espetáculo, o fantasioso. Declarações levianas são feitas com ar de seriedade. Tempos atrás, o dono de uma seita que eu desconhecia, declarou numa revista evangélica que havia denominações demais e sugeriu a fusão dos batistas e presbiterianos. O ridículo da história é que a pessoa era contra o excesso de denominações, queria que as grandes se fundissem, e produziu mais uma, nanica.

Esta confusão hermenêutica gerou denominações exóticas: Igreja Evangélica Pentecostal Independente Peregrinos na Fé do Senhor Conforme Hebreus Capítulo 11, Igreja Pedra Angular O Anjo da Colheita na América Latina, Igreja Pentecostal A Chegada de Jesus Com Poder e Glória, etc.. Conheci uma Igreja Pocalipi. O nome intrigou-me. Não conseguia ver nexo nele, até entender que era Apocalipse, nome que seu pastor não conseguia ler corretamente. Como uma pessoa que não consegue ler a palavra "apocalipse" pode fazer uma interpretação doutrinária correta? Não se trata de elitismo. É minha perplexidade para compreender a facilidade com que se interpreta a Bíblia hoje. Qualquer pessoa o faz, desprovida de bom senso elementar, sob a desculpa "o Senhor revelou". As bases hermenêuticas foram aniquiladas. O movimento evangélico está desfigurado, é palco de gente vaidosa que deseja fundar uma igreja, e nesta desfiguração, recebe todo tipo de heresias e tolices. Está calcado na subjetividade e não em verdades históricas.

Temos uma descaracterização doutrinária pelo neocatolicismo, neojudaísmo e pela entrada do baixo espiritismo que nos vem pelo baixo pentecostalismo. Que fazer? É aqui que entra a necessidade de uma nova Reforma, com algumas idéias que devem ser trabalhadas em nosso meio.

4. A Nova Reforma Propriamente Dita

1) Precisamos de uma volta às Escrituras com estudo bíblico sério. A hermenêutica e a exegese criteriosa devem ser preferidas à pregação tópica e às ilustrações de reis, rainhas, mães morrendo e crianças atropeladas. Isto requer trabalho, mas a preguiça deve ser banida do nosso meio. Todas as denominações declaram a Bíblia como regra de fé e prática e depois formulam seus credos encaixando-a neles e dizendo o que pode ser descoberto nela. Nunca vi uma denominação evangélica negar a Bíblia. Todas a afirmam, mas usam-na para validar suas posições. Deve haver um estudo sério para rever nossas práticas à luz da Bíblia e não usá-la para legitimar nossas práticas. Isto requer que a herança teológica do passado seja buscada. Tenho me edificado com a leitura de grandes vultos do passado. Negar que Lutero, Calvino e teólogos posteriores, de grande conteúdo, tenham o que ensinar, é insensatez. A Igreja Católica tem o peso da Tradição. Temos ojeriza a este nome, mas precisamos resgatar a teologia do passado, com sua erudição e profundidade. E a livre interpretação (não o livre exame) da Bíblia precisa ter contornos mais bem definidos.

2) O doutrinamento das igrejas deve ser privilegiado. É falsa a dicotomia vida espiritual ou doutrina. As doutrinas bíblicas não são estéreis e sem vida. São fonte de vida. Preguei numa reunião jovem e, a seguir, deselegantemente, o líder do grupo disse: "Não me interesso por doutrina, só por Jesus". Mas, que Jesus se tem, sem uma doutrina sólida sobre ele? O evangelho não é evento ou show, mas pressupõe conteúdo teológico. E este deve ser fio de prumo e não suporte para a repetição de modelos e esquemas denominacionais que sacralizamos e fora dos quais tudo está errado.

3) Precisamos de mais zelo ao encaminhar jovens aos seminários, ao criar seminários, ao formar currículos e conteúdo programáticos, e ao consagrar pastores ao ministério. Criticam-se os seminários, mas manda-se gente imatura para lá, na esperança de que ele a torne madura. O seminário não é casa de correção, mas lugar de estudo e de aprofundamento teológico e espiritual. Porque teologia e espiritualidade não são antitéticas. Entrar em um seminário deve ser visto com muita seriedade. E o seminário também não pode ser um curso técnico, tipo SENAC ou SENAI, ensinando operacionalidade. Deve ser um centro de reflexão.

4) Por último: precisamos de uma reforma eclesiológica. Muitas de nossas igrejas não estão crescendo como deveriam. Há pastores que querem ver seu ministério deslanchar e não conhecem muitos ministérios modelos. E não encontram alternativas litúrgicas, quando vêem que a nossa não atrai muito. Só conhecem a nossa e lhes dizem que desviar-se dela é ser pentecostal (em tempo: a liturgia da minha igreja é tradicional). No seminário me ensinaram Isaías 6 como modelo de liturgia. Não creio que o texto foi produzido com a finalidade de dar um modelo de ordem de culto para as igrejas ocidentais do século presente. Por que não uma liturgia baseada no Novo Testamento, mais precisamente em 1Coríntios 14.26, com a participação do povo e não apenas dos oficiais do culto? Por que não mais espontaneidade e menos formalismo? O culto não precisa ser monótono. O pastor jovem, idealista, querendo realização no ministério, não vai se mirar em ministérios estagnados. Vai olhar quem está fazendo algo marcante. Buscará referenciais positivos e se não os encontrar em nossa denominação, em nossa linha, mas em outros grupos, irá imitá-los. Nossos jovens pastores estão aprendendo mais sobre igrejas funcionais em congressos da SEPAL e da VINDE que em nossas ordens de pastores.

Isto não me agrada, mas caminhamos para uma época pós-denominacional. A maior parte dos crentes não está interessada em denominação. O termo se associou, na mente de muitos, à estrutura. O apelo ao denominacionalismo tem pouco resultado prático. As pessoas querem resultados. Ouço muito perguntas como estas: por que nossa editora se desmontou e a de outros grupos vai bem? Por que ainda não temos um programa de televisão batista enquanto outros grupos têm redes? Por que grupos que chegaram depois de nós nos ultrapassaram? Estas coisas fazem os crentes pensar se vale a pena enfatizar tanto a denominação, que tem sido mostrada mais como instituição do que como um aglomerado de igrejas locais. Não endosso o que está por trás das perguntas, mas elas são feitas!

Esta reforma deve examinar também nossas estruturas. São bíblicas? São funcionais e viabilizam a divulgação do evangelho ou atendem a segmentos que não querem perder patrimônio, influência e posições? As igrejas devem se adaptar ao que a estrutura lhes dá ou esta deve mudar e se ajustar a novos tempos e satisfazê-las? Infelizmente, as igrejas não socorreram a JUERP, como esperávamos. Presidente que era da Convenção do Amazonas, duas vezes enviei cartas às igrejas e falei ao Conselho. Não houve atendimento. Creio que não socorrerão nenhuma junta. Há uma exaustão de igrejas e pastores não ligados ao esquema estrutural com o que se chama denominação. Nossa reforma deve começar aqui: devemos ser mais bíblicos e menos programáticos e institucionais. A excessiva institucionalização do evangelho é responsável pela apatia de muitos com a denominação. E isto faz surgir os desvios doutrinários. E não adianta apertar em outros lados. Obreiros e igrejas querem funcionalidade e o progresso espiritual e não apenas institucional do reino. A Reforma desburocratizou a religião, na tentativa de acabar com a institucionalização da fé. Foi o que Jesus fez: ele desinstitucionalizou a religião. Hoje se vê a institucionalização da fé evangélica, descendente da Reforma. A Campanha Nacional de Evangelização de 65, na minha adolescência, mobilizou as igrejas. Institucionalizada, perdeu o vigor. Até para testemunhar já temos um dia no calendário.

Sou batista convicto. Um batista histórico (prefiro este termo a tradicional porque acho que diz mais, mas não rejeito ser tradicional) que ama sua denominação. Não a rejeito nem condeno. Minhas palavras não são desabridas, mas expressam o que vejo: desalento e desinteresse com a estrutura denominacional. Nosso povo quer espiritualidade e santidade de vida, mais que outra coisa. Necessitamos de uma teologia correta. Não apenas de doutrina correta sobre Espírito Santo e louvor, mas uma restauração de valores, conceitos e cosmovisão. Precisamos de ortodoxia, de ortopraxia, de ortolalia, de transparência de ações à luz da Bíblia.

Há heresias que nos ameaçam. Mas há outros perigos, entre eles o desinteresse de igrejas e pastores pela denominação. A causa disto parece-me ser a institucionalização como a que subjugou o cristianismo pré-Reforma, tornando-o mais uma empresa que agência espiritual. Por isso, necessitamos de uma nova Reforma. Que ponha o espiritual acima do material, do administrativo e do funcional. Que submeta tudo, e não apenas alguns aspectos doutrinários, ao crivo das Escrituras. O agir, o funcionar e o viver de nossa denominação, em todos os níveis, é bíblico ou foi secularizado? Buscamos mais Qualidade Total ou o poder do Espírito Santo? Prédios, coisas e regulamentos estão ocupando mais nossas mentes e nossa vida que a Palavra? Então, uma Reforma é necessária.

Autor: Isaltino Gomes Coelho Filho - é pastor batista, pastoreando a Igreja Batista do Cambuí – Campinas – SP, Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Bacharel em Filosofia pela Faculdade 9 de Julho e tem formação em Psicanálise Clínica pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Cristã. É Pós-Graduado em Educação com especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Brasília e Mestre em Teologia com especialização em Antigo Testamento pelo Seminário Teológico Batista Equatorial.

Nota:
1 - N.R. - Há que se advertir que a Igreja é sim co-herdeira com Israel, mas não sua sucessora, vide Romanos 11:25-27 ("25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. 26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. 27 E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados").

Fonte: [ Luz para o Caminho ]

A reforma deformada

No próximo dia 31 de outubro comemoraremos o dia da Reforma Protestante. Na mesma data outros comemoram o Dia de Todos os Santos e outros ainda festejam o Halloween ou Dia das Bruxas. Cuidado pra não confundir as celebrações.

Segundo Rubem Alves, a igreja católica pagou um alto preço por sua unidade, e os protestantes pagaram outro alto preço pelo livre exame das Escrituras. Trocando em miúdos: Pela unidade, muita gente permanece na igreja mesmo sem concordar com a interpretação de quem está ensinando. Enquanto outros decidem romper com uma comunidade por sentirem que a mesma encontra-se desfigurada, sem a forma original para a qual fora concebida.

O Dia de Todos os Santos vem da tradição católica. Todo dia do ano é o dia de algum dos “santos”. Como tem mais “santo” na Igreja Católica do que dias no ano, há um dia para todos eles, assim tudo se ajeita. Reforma não tem nada a ver com agradar a todos os santos ou crentes. A defesa do livre exame das escrituras, um dos pilares da Reforma, não significa dar direito ao irmão contrariado de sair e fundar outra igreja a seu bel prazer. Alguém já contou quantas denominações compõem esse circo denominacional que temos hoje?

Cremos que o compromisso do movimento protestante é com Deus. É retornar ao padrão bíblico em questões de fé e prática. Isso foi ensinado tanto por Jesus quanto pelos apóstolos que várias vezes corrigiram impropérios, mas sem que isso significasse a divisão da igreja. E a igreja primitiva já sofria com o partidarismo, sectarismo, imoralidade, mundanismo, bem como, com a contaminação da sã doutrina por ensinos de homens e demônios.

Por outro lado, também não confunda reformadores com bruxas. Não são a mesma coisa. No período da Reforma, a mentalidade deformada da Igreja Católica ocidental, defendia que quem criticava seus ensinos anti-bíblicos e suas práticas imorais tinha o mesmo destino das bruxas - a fogueira “santa”. Os apóstolos na igreja primitiva não tinham medo nem de bruxas nem de reformas. As críticas recebidas dos helenistas quanto a falhas na distribuição do pão, onde estavam sendo prejudicadas as viúvas destes foram resolvidas sábia, democrática e racionalmente . Se os próprios apóstolos reconheceram que com a nova realidade da igreja, realmente havia necessidade de reformas naquele sistema de trabalho disfuncional e instituíram o diaconato (At. 6:1–7), não podemos ignorar outro princípio da Reforma: Ecclesia reformata et semper reformanda est, a igreja reformada precisa continuar a ser reformada.

É preciso reconhecer as áreas que temos negligenciado em nossa missão como igreja e retornar à Palavra de Deus mesmo que haja um preço a ser pago por isso, pois não se pode agradar a todos os santos. Comece admitindo que muitas das críticas e reclamações de que somos alvo são razoáveis. Foi isso que os apóstolos disseram: “Irmãos, não é razoável” e resolveram a questão. Já a bruxa que a Igreja Católica tanto temia na era dos reformadores, nada mais era que a perda do poder. E semelhante ao jovem rico da parábola que Jesus contou, a Igreja Católica de então, não quis pagar o preço, pois era dona de muitas riquezas. Viva a reforma!

Sola Gratia, Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Amém


Fonte: Professora d EBD

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Paulo, os Gálatas e os fariseus de hoje.

Estando eu muito casando de ouvir besteiróis bíblicos imensamente escandalosos provindos de indignos fariseus modernos, pois de acordo com a sua comodidade alegam que Jesus pregou na cruz as Dez Leis de Deus para que o cristão pudesse viver na religião da graça, da liberdade, atestando que esses Mandamentos de Deus, a partir de Jesus, passaram a pertencer ao Ministério da morte, da escravidão e da maldição, fiz esse trabalho que NÃO deixa dúvida alguma do malicioso engano desses servos do astucioso Satanás que enganam os incautos.

Em primeiro lugar, devemos nos ater de que capítulos de Gálatas foram divididos pelo homem, e isso às vezes pode ser nocivo ao verdadeiro entendimento, pois estando um evangelista a refletir seu pensamento, com o término do capítulo pode parecer a alguns que o presente pensamento termina ali, mas nada disso corresponde com a Verdade. Isso se passa com a pregação de Paulo aos Gálatas. Essa pregação foi dividida pelo homem em seis livros, para facilitar a leitura, mas segundo as Cartas de Paulo trata-se de uma só pregação, e não de seis, e isso pode confundir os incautos, como veremos.

Vamos mostrar aqui que a maioria daqueles que ensinam, tanto católicos, ortodoxos ou evangélicos deturparam a Carta de Paulo aos Gálatas, como veremos.

Os Gálatas eram habitantes da província romana chamada Galácia onde hoje se situa o centro da Turquia. Antigamente esse povo se denominava gauleses, depois gálatas. No século III A.C os gauleses migraram para a Capadócia, depois chamada de Galácia. E Paulo, na sua evangelização a todos os povos que podia, levou o Nome de Jesus também aos Gálatas.

A Epístola de Paulo aos Gálatas, endereçada às Igrejas da Galácia, Ásia Menor foi escrita ente os anos 55 e 60.

Na Carta aos Gálatas, Paulo acusa um teimoso grupo de gálatas, “judaizante” que se infiltrou no cristianismo para corrompê-lo tentando fazer valer os regulamentos, leis, tradições ou ordenanças válidas no judaísmo, mas rechaçadas por Jesus.

Esse grupo pretendia que também os cristãos guardassem TODAS as leis de Moisés, sendo que Jesus legitimou, também no Evangelho, exclusivamente as Dez Leis da Arca da Aliança no Grande Sermão do Monte, em Mateus, 5.17 a 37.

Vamos então ao mérito da pregação de Paulo:

Gálatas, 1.6: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”.

Assim Paulo começa a sua reprimenda aos Gálatas. Ele acusa a um grupo desse povo que se infiltrou como espiões, como veremos, de tentar perverter o Evangelho de Jesus com leis antigas, ordenanças da carne, que logo veremos que se tratam da antiga circuncisão na carne, na segregação racial e outras que escravizavam, amaldiçoavam e até matavam a alma.

Gálatas, 2.4: “E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão”.

“Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia”. 5.12.

A que escravidão Paulo se referia? À escravidão das obras da carne, tal como a dolorosa circuncisão, os sacrifícios de animais no templo, a segregação racial e outras obras antigas da lei israelita que não mais tinham lugar no Evangelho. Imagine Jesus continuando no Evangelho as leis das pedradas mortais; a lei da morte aos que fossem flagrados trabalhando aos sábados, como também as leis das 40 chibatadas. Que religião da graça e da liberdade seria essa? Logo a seguir Paulo enumera uma dessas obras da carne que escravizavam:

Gálatas, 2.9: “e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão”.

No verso 14, Paulo aponta a separação racial como mais uma das obras da lei que não tinha lugar no Evangelho. Por esse verso Paulo admoesta a Simão Pedro por tentar agradar aos chamados “judaizantes” quanto à segregação racial.

Gálatas, 1.6: “sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”.

Aqui os fariseus modernos, os que pretendem a derrocada das Dez Leis por essas conterem a obrigação da santificação do sétimo dia, tentam assimilar as leis de que Paulo tanto citou como sendo as do Decálogo, leis essas que Jesus “pregou na cruz”. Mas as leis apontadas por Paulo são exatamente as leis das ordenanças da carne, citadas acima.

Outros fariseus modernos se vale desse preceito de Paulo, interpretando de forma conveniente, para isentarem-se da caridade do dividir, de necessidade tão clara em Marcos, 10.21; em Mateus, 25.31 a 44, na Parábola do Samaritano (Lucas, 10.30); em Tiago, 2.18 e em todas as Cartas do Apocalipse às Sete Igrejas que mostram a salvação não pela fé, mas principalmente pelas obras da caridade, segundo I Coríntios, 13.13 que revela o amor de caridade superior à fé.

“Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados”. Romanos, 2.13.

E agora, a que lei Paulo se referia? Às leis citadas em Gálatas as que escravizavam ou as Dez Leis de Deus, nos promulgadas através de Moisés, a base fundamental do Evangelho?

Gálatas, 2.19: “Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo”.

Novamente Paulo, que antes vivia essas leis judias que escravizavam, que ele mesmo conta isso no capítulo 1.14, revela que, segundo a boa Lei de Deus, morreu para as más leis, afim de viver uma Nova Religião com um Nova Mensagem, Evangelho esse que muito ajudou a escrever.

Gálatas, 3.10: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”.

Novamente Paulo se refere às ordenanças judias que um grupo de Gálatas tentava fazer valer no Evangelho. Só um fariseu de Satanás pode alegar que é maldito quem guarda as Dez Leis do Monte Sinai, promulgadas novamente no Evangelho por Jesus. Se um desses fariseus de Satanás tiver tal ousadia, gostaria que me apontasse um dó dos Mandamentos da Lei de Deus que traga a escravidão, a maldição ou a morte.

Gálatas, 4.9: “mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos?”.

Escravizar como? Guardando as Dez Leis da Arca da Aliança? Ou será que Paulo se refere ás leis judias que realmente escravizavam o homem e até com cargas pesadas? Novamente pergunto: qual das Dez Leis escraviza? Abra a sua Bíblia e leia em Êxodo 20 as Dez Leis.

Em Gálatas, 4.21 ao 31, Paulo atesta que nós cristãos somos herdeiros de Isaac, o filho da promessa, da liberdade, e não da escrava. No caso aqui o cristão está livre das obrigações das ordenanças judias, os rudimentos do mundo, como assim chama Paulo em Gálatas 4.3, e em Colossenses, 2.20.

Gálatas, 5.1: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”.

Cristo nos libertou de que? Jesus pregou na cruz o que? Que jugo da escravidão era esse? No versículo seguinte Paulo responde: Jesus pregou na cruz as obras da carne:

Gálatas, 5.2: “Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará”.

Gálatas, 5.3: “De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei”.

Que toda lei era essa? Ora, quem se submetesse à ordenança judia de permitir a sua circuncisão, uma dolorosa operação de fimose nos adultos para que pudesse ingressar na religião da graça de Jesus, teria de guardar também as outras leis: Apedrejar uma mulher adúltera ou outro desgraçado; praticar sacrifícios de animais no templo e aspergindo o sangue deles nos presentes; separar-se completamente de outras raças de modo a nem permanecer no mesmo ambiente com pessoas não judias; e andar poucos passos aos sábados e nem acender o fogo na cozinha, tampouco poder levar um doente a um clínico no sábado, regulamentos esses quebrantados por Jesus quando mostrou que a caridade tem de se sobrepor a todas as leis, até às Dez Leis de Deus, no qual o santo e solene sábado está bem descrito.

Gálatas, 5.4: “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes”.

Não nos esqueçamos aqui que Paulo pregava contra um grupo que pregava a continuação das obras da lei judias já citadas acima, também no Evangelho.

Pra que os leitores entendam bem o discurso de Paulo contra as ordenanças da carne, imagine Paulo em frente a um grupo de pagãos convertidos, dizendo a eles:

“Irmãos, pra que vocês possam pertencer à religião da graça e da liberdade de Jesus, é preciso que se submetam a uma dolorosa operação no pênis de cada um para que se arranque a pele que cobre o prepúcio”. Sem comentários!

Mostramos aqui o imenso erro dos fariseus modernos que afirmam, descaradamente, que Jesus pregou na cruz os Dez Mandamentos de Deus Pai, a base de tudo; a orientação do cristão, pois nada funciona sem leis. Ninguém poderia se preso no mundo se não houvesse um Código Civil.

Jesus resumiu as Dez Leis um duas, mas resumir não é excluir.

“Mestre, qual o maior dos mandamentos da Lei? Respondeu-lhes Jesus: Amarás ao teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Este é o grande e Primeiro Mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Destes dois Mandamentos dependem toda a Lei e os profetas”. Mateus, 22.36 a 40.

Paulo revela o mesmo em Romanos, 13.8:

“A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.

Então, qual fariseu poderá se rebelar contra a Palavra de Deus Escrita, que não deixa brechas para Satanás, mas seus servos as encontram? Esses fariseus tentam acabar com o Decálogo exclusivamente para não terem de obedecer ao único Mandamento de Deus, instituído desde a Criação e o único denominado santo, solene e abençoado pelo próprio Deus: o do sábado.

Atos dos Apóstolos nos mostram bem claramente o que era leis escravas,difíceis de suportar, segundo os próprios apóstolos:

“Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.

Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos.

Tendo eles chegado a Jerusalém, foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles. Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés.

Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem.

Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós?

Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram”.Atos dos apóstolos, capítulo 15.

A dolorosa circuncisão na carne era apenas uma das leis escravas, que amaldiçoavam, leis estas que o Evangelho tanto se colocou contra, principalmente o apóstolo Paulo.

Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado”. Jesus Cristo aos fariseus, em João 9.41.

Graça, paz, saúde e muita sabedoria, extensivos aos familiares.

Waldecy

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