Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

quarta-feira, 9 de maio de 2012


Idolatria aos cantores nas igrejas: trocando a admiração por fanatismo na hora do culto



Quando um cantor secular faz um show e apresentado ao público, as pessoas deliram, aplaudem, ficam de pé... Dependendo do tipo de estrela, alguns choram, gritam, desmaiam, fazem um escândalo de envergonhar os seus acompanhantes. Não importam se as músicas são dos Beatles, de Michael Jackson, de Victor e Leo, de Michel Teló ou de qualquer grupo ou cantor que cause histeria entre os fãs, a cena é sempre a mesma: muito frisson, muito alvoroço e muita idolatria. É o que se vê no mundo.

Acontece que essa moda tem invadido, e muito, o meio evangélico nas igrejas. As apresentações de cantores deixaram de ser apenas apresentações para se tornar espetáculos. Cultos deixaram de ter a centralidade em Jesus para ter as solenidades girando em torno de determinados grupos, duplos, trios, quartetos, quintetos e corais.

E a culpa está neles? Nem sempre. Ou melhor, quase nunca. Há aqueles que chegam a se incomodar com o constrangimento. Não é por menos. Os admiradores estão se tornando em verdadeiros idólatras. Apesar de não erigir culto, prestar adoração ou levantar altares aos que cantam, os fãs, em determinadas reuniões, demonstram um apego maior ao cantor do que a ministração da Palavra de Deus, por exemplo.

Quando os cantores são convidados para “ter oportunidade”, as pessoas ficam tão eufóricas que se empolgam: dão glórias e aleluias no lugar das palmas, fazem burburinho, se inquietam nos bancos, fotografam com celulares e câmeras... É como se só os cantores e grupos fizessem “cair fogo do céu”, só eles fossem dignos das muitas glórias, só eles fossem a estrela da noite, quando, na verdade, são prestadores de culto a Deus como todos os demais.

Há algum problema em gostar de cantores? Claro que não. Todos nós temos os nossos favoritos e fazemos questão de ouvir e decorar suas letras e “pegar” a música para tocar e/ou cantar no culto. E onde está o problema? Trocar admiração por fanatismo, deixar de render adoração a Deus para apreciar, tocar, gritar, tirar foto com determinado grupo ou cantor.

Vamos a um exemplo, mais especificamente em Pernambuco. A dupla Canção e Louvor (formada pelos irmãos Claudia e Claudio) é da cidade de Vitória de Santo Antão, a 53 km do Recife. Eles são conhecidos em todo o Estado. A dupla tem agenda cheia até o fim do ano e é presença marcada nos principais eventos voltados para jovens na capital e nas cidades do interior para as quais é convidada a se apresentar.

O prestígio que recebem de quem gosta dos dois é sempre retribuído nas muitas fotos após os cultos, nas interações nas redes sociais e no convívio com os irmãos (sobretudo os jovens) que apoiam o ministério de louvor da dupla. Só que o excesso está virando incômodo. Não são todos, mas muitos crentes estão valorizando mais a foto e a filmagem (que não é errado fazê-lo) do que as músicas de louvor a Deus que a dupla entoa.

"Em alguns lugares, (o exagero) está ficando sem controle", diz Claudia
Claudia (a “Claudia Canção” da dupla) lembra que quando as pessoas agem assim, sobra constrangimento. “Em alguns lugares, está ficando sem controle, infelizmente. Alguns vêm literalmente em cima do púlpito e tiram inúmeras fotos, além de filmarem todas as canções. O ruim de tudo isso é que, por estarem de mãos ocupadas com telefone ou câmera, muitos não glorificam, para a voz não sair no vídeo, e não adoram, para não tremer as fotos”, afirma Claudia, em conversa via Facebook.

Os cantores não reclamam, até porque preferem acreditar nas boas intenções dos admiradores. Mas a popularidade de um trabalho que rende frutos para a glória de Deus acaba sendo mal utilizada pelos entusiastas para misturar admiração com fanatismo e esquecer que o cantor é um canal de adoração, e não objeto.

A dupla já teve que sair mais cedo de cultos para evitar frisson
Claudia Canção afirma que ela e o irmão atendem todo mundo de forma igual, mas temem que o apreço das pessoas seja confundido com estrelismo voltado para a dupla Canção e Louvor. “No fim do culto é até normal (tirar fotos com as pessoas), e a gente tira sem achar ruim, já faz parte, até porque é o reconhecimento do nosso trabalho, e nos sentimos honrados. Mas já teve evento que tivemos que sair ‘escondidos’ mais cedo, pois no dia anterior o frisson foi grande e saiu do controle. Temos até medo de o pastor achar que temos alguma coisa a ver com tudo isso” diz.

A apresentação de um cantor ou grupo musical, seja ele popular ou desconhecido, é apenas mais um elemento de um culto em que o foco é o Senhor. Registrar o que cada um faz nunca foi e nunca será errado, muito menos pecado. O equívoco está quando as pessoas deixam de cultuar a Deus – que é o motivo pelo qual elas estão no templo – para desviar o centro da adoração para algo ou alguém.

Apesar desse tipo de excesso sofrido, os que rendem louvor ao Deus, como a dupla Canção e Louvor, não estão reprimindo os irmãos que fazem filmagem ou fotografam suas apresentações, mas querem que todos mantenham a sintonia de adoração enquanto as canções são entoadas. “Receber o reconhecimento e o carinho dos irmãos é bênção e é promessa de Deus em nossas vidas. Faremos isso sempre e de todo coração. Tirar uma foto e filmar na hora do culto é normal, mas que não deixem de adorar para fazer isso. Estarão perdendo muita coisa. Eu também tiro foto nos cultos, mas não deixo isso interferir na minha adoração”, conta Claudia.

O louvor a Deus, independentemente se é feito por um cantor, um pastor ou um porteiro, chega ao céu de qualquer forma, quando é feito de forma sincera e em adoração. Em vez de cometer excessos típicos de fanáticos idólatras mundanos diante dos seus ídolos, que as pessoas nas igrejas continuem a admirar os seus cantores e grupos preferidos, mas não deixem de render a Deus o que Ele e só Ele merece.

Tharsis Kedsonni
Fonte e credito 
A-BD

OS ERROS DOS CLICHÊS CRISTÃOS PÓS-MODERNOS

Por Maurício Zágari
Vivemos a era das frases curtas. De repente a nossa fé pulou no imaginário de uma enorme parcela da Igreja brasileira da Bíblia e dos livros para adesivos de automóvel, 140 caracteres do twitter, fotos com frasezinhas do Facebook, slideshows no YouTube, blogs com três ou quatro parágrafos. Preguiçosos que somos, passamos a ser governados por teologia fast food em vez de por leituras com introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo de algum tempo, fiz uma coletânea de clichês gospel que ouço pelos arraiais evangélicos (das igrejas organizadas aos desigrejados) para que possamos comentar cada um. Leia e veja se você já não ouviu essas frases serem repetidas montes de vezes – sem que aqueles que as falam tenham gasto cinco minutos refletindo sobre seu significado. Vamos analisá-los biblicamente e historicamente:
- “Eu declaro/decreto a bênção” – Bênçãos são benefícios vindos unilateralmente de Deus e por decisão soberana dEle. Ninguém pode declarar ou decretar uma bênção, pois está fazendo aquilo que só o Senhor pode fazer. Quem o faz toma o lugar de Deus e, portanto, pratica idolatria. Sem falar que essa afirmação, fruto da chamada “Confissão Positiva”, tem raízes em religiões demoníacas de Nova Era (saiba mais sobre isso no post Demonologia da Prosperidade).
- “Eu tomo posse da bênção” – “tomar posse” significa literalmente se apossar de algo que não é seu. Quem “toma posse” é um posseiro, ou seja, alguém que invadiu um local que não lhe pertence e impõe pela força e presença o domínio sobre o que é dos outros. Como vimos acima, bênção é um benefício outorgado por Deus, por sua soberania. Quem quer “tomar posse” de uma bênção está dizendo, em outras palavras, que vai arrancar do Senhor na marra aquilo que quer para si e que só receberia se fosse concedido pelo Todo-Poderoso. Logo, essa frase, (cunhada com base no Antigo Testamento, quando o povo de Israel entrou na Terra Prometida e teve de “tomar posse” dela na base da briga, visto que era habitada por outros povos) é uma afronta à vontade soberana de Deus, que concede bênçãos a cada um conforme lhe apraz e não porque as tomamos dele à força.
- “Tá amarrado” – parte do princípio de que podemos atar demônios com amarras espirituais. Não existe tal expressão na Bíblia e o que as Escrituras nos ensinam a fazer com os demônios é expulsá-los imediatamente quando se manifestam, e não amarrá-los. Não vemos nenhum exemplo bíblico de Jesus ou os apóstolos “amarrando” demônios. O padrão bíblico é: “Cala-te e sai”. Jesus não perdia tempo dialogando com demônios, apenas os mandava ficar quietos e então os expulsava. O único episódio de possessão em que Jesus vai além do “cala-te e sai” é o do gadareno. E, mesmo assim, a ordem de Cristo não é amarrar ninguém, mas sair na hora da pobre alma atormentada.
- “Temos que voltar ao modelo da Igreja primitiva” – se fizermos isso, estamos lascados. A Igreja primitiva, ao contrário do que existe no imaginário popular cristão, estava a anos-luz da perfeição. Em Atos lemos casos como os de Ananias e Safira, discordâncias com os judaizantes, brigas internas entre crentes como Paulo e Pedro, duplas missionárias sendo divididas por discordâncias. A esmagadora maioria das epístolas do NT foi escrita para consertar as montanhas de erros que os primeiros cristãos cometiam. Na Ceia do Senhor muitos iam só para matar a fome e os que levavam mais não dividiam com quem não tinha posses. Se lemos as sete cartas às igrejas de Apocalipse vemos como a maioria estava distante da vontade de Deus. Nos 313 anos em que houve perseguição do Império Romano aos cristãos, surgiu o fenômeno dos “lapsi”, aqueles que, ao contrário dos mártires, negavam Jesus perante as autoridades para salvar suas vidas – e não foram poucos os que fizeram isso. Nas catacumbas, que eram essencialmente cemitérios subterrâneos, os cristãos mais ricos tinham direito a sepulturas mais luxuosas que os pobres e, muitas vezes, ganhavam câmaras inteiras exclusvas para suas famílias. Havia muitos privilégios concedidos aos abastados na Igreja primitiva.
Além disso, a Igreja primitiva foi assolada por montes e montes de heresias que surgiram em seu seio, como gnosticismo, sabelianismo, modalismo, monofisismo, eutiquianismo, pelagianismo, marcionismo, ebionismo e outros “ismos” que denunciam como ela era dividida, como havia desacordos, divergências de visão e rachas. Tudo isso mostra que retomar o modelo da Igreja primitiva não é viver um Evangelho puro e simples, como muitos pensam, é voltar a uma época cheia de enormes poluições, divisões, pecados e problemas no seio do Corpo de Cristo. Igualzinho aos nossos dias.
- “Os primeiros cristãos se reuniam em lares e não em templos, por isso devemos voltar a esse modelo” – os primeiros cristãos, aqueles cheios de imperfeições que vimos acima, só se reuniam em lares por uma única razão: como por 313 anos o cristianismo foi considerada uma religião criminosa pelo Império Romano, qualquer um que se confessasse cristão tinha seus bens tomados, era preso, torturado e morto. Por isso, o culto a Jesus tinha de ser feito de modo escondido. O único lugar onde havia um mínimo de privacidade eram os lares dos cristãos, que podiam simular uma visita social e ali realizavam suas liturgias. Mas, com o Edito de Milão, no ano 313, decreto que liberou a religião cristã, imediatamente os que se ocultavam, ávidos por comungar com mais irmãos, começaram a erguer templos onde pudessem se ajuntar e reverenciar o Senhor coletivamente. Em pouco tempo, graças à liberdade religiosa, o culto em lares tinha sido extinto.
Para fazer um paralelo com nossos dias, é só ver o caso da China, por exemplo, onde não se pode cultuar Jesus publicamente e por isso lá existe a chamada “igreja subterrânea”, ou seja, os irmãos são obrigados a se reunir em pequenos grupos, nos porões de suas casas, para cultuar Jesus em oculto. Se você perguntar a um membro desses grupos em lares se eles preferem esse tipo de modelo ou se gostariam de ter templos onde se reunir em maior quantidade e celebrar a liturgia da adoração com muito mais irmãos (como eu já fiz, em entrevistas com membros da Igreja subterrânea chinesa para reportagens que escrevi), verá que TODOS eles dão preferência ao ajuntamento em santuários, onde poderiam comungar em maior número, num local dedicado e visível, que servisse de referência para os não cristãos em sofrimentos saberem que ali podem encontrar ajuda. Uma reunião num lar dificilmente será encontrada por quem está vivendo aflições que só Deus pode aliviar, o que não ocorre se você tem um templo bem visível.
- “Jesus não criou uma religião” – a palavra “religião” vem do latim “religare” e significa “ligar duas partes separadas”. Portanto, em sua essência, religião cristã é o contato entre Cristo e o homem, é o “religare” entre o Pai e o filho. Religião, assim, é relacionamento, é intimidade. Logo, quando ora você pratica religião. Quando lê a Bíblia você pratica religião. Etimologicamente, qualquer pessoa que se liga a Deus é um religioso sim senhor, pois pratica o “religare”. Portanto, ao ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus nos estava ensinando a ser religiosos, no sentido de sabermos nos comunicar bem com o Pai. Quando ouvimos “pedis e nada recebeis pois pedis mal”, o que está sendo dito é “você está praticando mal a sua religião”. É claro que, como muitas palavras da língua portuguesa (como “manga”, que pode ser a fruta ou uma parte de uma blusa), o termo “religião” pode ter o significado de “prática organizada de uma fé”, basta ver no dicionário. É a “famigerada” instituição. Em geral é nessa acepção que a frase em questão é dita. Nesse sentido, quando Jesus diz a Pedro que sobre Ele (a Pedra) seria erguida Sua Igreja, o Mestre está estabecendo-se como o alicerce, o fundamento da fé que se seguiria pelos milênios a seguir. Só que Ele em nenhuma passagem da Bíblia especifica como o homem deveria manter o Corpo sobre esse fundamento. Isso é uma decisão que Jesus deixou a cargo do homem. Fato é que se Jesus nunca instituiu uma organização religiosa que o tivesse como alicerce, também nunca proibiu. Repare que o que Jesus critica, por exemplo, nos maus fariseus em momento algum é sua organização ou o fato de cultuarem Deus de modo institucional, sua crítica a eles era uma questão do indivíduo, do coração, e não da instituição: a hipocrisia, a falsa aparência de piedade, a religiosidade aparente sem um “religare” autêntico, sempre questões de foro pessoal e nunca institucional.
- “Jesus nunca construiu templos, por isso devemos nos reunir em lares” – se Jesus nunca construiu templos, também nuca construiu casas. Por esse argumento, se não devemos adorá-lo em templos institucionais também não poderíamos adorá-lo em lares. Dá na mesma. A resposta e a solução para essa pendenga de se podemos ou não cultuar Jesus em templos está em duas passagens bíblicas. Em João 4.19ss, lemos o diálogo entre o Mestre e a samaritana: “Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Eis a primeira resposta: seja no templo, num lar, no monte ou em Jerusalém, importa adorar em espírito e em verdade. Se é o que a pessoa faz, não se pode condenar o local só porque Jesus nunca construiu um edifício.
Temos que lembrar que os discípulos adoraram muitas vezes o Senhor na cadeia. E Jesus também nunca construiu uma cadeia. Outra passagem reveladora que contradiz essa frase incoerente está nas palavras de Jesus relatadas em Mateus 18.20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo de uma igreja institucional Ele ali não estará? Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo do tipo que Jesus nunca ergueu Ele não se fará presente? A resposta é óbvia. Então o fato de Jesus nunca ter construído um templo, uma igreja ou uma catedral é absolutamente irrelevante, desde que haja ali dois ou três reunidos em Seu nome e o adorando em espírito e em verdade. Quem perde tempo combatendo isso e advogando furiosamente a reunião em lares só está perdendo tempo.
- “Não cai uma folha da árvore se Deus não deixar” – embora faça sentido biblicamente, visto que Deus é soberano e controla tudo o que ocorre no universo, sejam fatos bons ou tragédias, essa frase não está em nenhum lugar da Bíblia.
- “Sou cristão, não evangélico” – essa frase é fruto da vergonha de ser designado pela mesma nomenclatura de igrejas e pastores que têm enlameado o bom nome da Igreja evangélica. Então, para evitar ser associados por amigos e parentes a esses grupos, muitos têm optado por se dizer apenas “cristãos” e repudiam enfaticamente o nome “evangélico”. Mais do que deixar de ser evangélicos, se tornam antievangélicos. Isso é nonsense, pelo simples fato que não resolve nada. Os que enlameiam nosso nome também se dizem “cristãos”. Pela mesma lógica, deveríamos abandonar esse termo também? A resposta é óbvia. Etimologicamente, “evangélico” é o que segue o Evangelho de Jesus. Historicamente, “evangélico” é o que segue o Evangelho conforme resgatado pela Reforma Protestante. Logo, se você é cristão, professa o Evangelho de Cristo e coaduna com os cinco “solas” da Reforma… você é evangélico, queira ou não. É uma nomenclatura de 500 anos que define quem tem essas características. Renegar isso é dizer que você não é o que você é. Portanto, em vez de dizer “não sou o que sou, sou só cristão” por vergonha de ser associado a igrejas e pastores dos quais se envergonha, o ideal é deixar claro para os de fora que nós somos sim evangélicos, enquanto os que praticam atrocidades em nome da fé é que não são.
Se alguém faz piadinha pelo fato de você ser evangélico, em vez de mudar sua nomenclatura aproveite a oportunidade e explique para o piadista a razão de você portar esse honroso nome, fale que evangélico significa “aquele que segue o Evangelho de Cristo conforme resgatado pelos reformadores”, explique por que os falsos cristãos não são evangélicos e aproveite para explicar o que são as boas-novas da salvação do genuíno Evangelho de Cristo. Assim, ser humilhado por ser evangélico é uma excelente oportunidade não de mudar por vergonha o que te define, mas sim de explicar aos não cristãos o que é o Evangelho da salvação. De e-van-ge-li-zar. A escolha é sua.
- “Deus é amor e por isso não controla as tragédias nem desastres naturais, como os tsunamis” – essa heresia teológica vem sendo pregada por um pequeno grupo que segue a linha do Teísmo Aberto americano, uma linha de pensamento que no Brasil foi chamada por um pastor evangélico que não se diz evangélico de Teologia Relacional. Ele e mais um punhado de pastores e acadêmicos celebrados nas mídias sociais (além de um grupinho de pessoas que tentam pegar carona em suas celebridades para se promover) começaram a propagar essas ideias pelas redes sociais, dizendo que Deus abriu mão de sua soberania e não controla as tragédias que ocorrem no mundo. Segundo essa heresia, Deus só está preocupado em relacionamentos e o conceito de Jeová controlando as forças da natureza seria fruto da incorporação de valores da filosofia e da religião grega no Cristianismo. Esquecem que Deus abriu o Mar Vermelho e o Rio Jordão, que Jesus acalmou a tempestade, que o Sol “parou” e retrocedeu, que houve um terremoto no momento em que Jesus entregou o seu Espirito… para essa heresia tudo isso são metáforas, o que associa esse pensamento à diabólica Teologia Liberal de Bultmann e outros teólogos – segundo a qual a Bíblia não é literal e muitos de seus relatos são apenas fábulas. Ao propagar essa afirmação, os adeptos da Teologia Relacional destituem Deus daquilo que é indissociável de Sua essência: Seu poder absoluto sobre todas as coisas e Sua soberania sobre tudo o que ocorre no universo. É, portanto, uma afirmação antibíblica e anticristã.
- “Padussinhô” – cumprimento que originalmente tinha um significado muito bonito e bíblico: “A paz do Senhor”. O problema é que a expressão de popularizou de tal forma que as pessoas nem pensam mais no significado do termo. Passam umas pelas outras no corredor da igreja e soltam um “Padussinhô” sem nem se tocar do profundo significado da expressão. Da próxima vez que você for saudar alguém com essas palavras, concentre-se em seu belo significado: que você está desejando a aquele irmão a paz que excede todo o entendimento vinda do Príncipe da Paz, que saudava seus amigos desejando exatamente a mesma coisa. Lembra das palavras do Mestre ao chegar, ressurreto, entre os discípulos, por exemplo, em Lucas 24? “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!”. Não deixemos uma saudação tão significativa perder seu sentido: ao a falarmos, que de fato estejamos desejando paz a aquela pessoa. Só um porém: você já parou para pensar o que exatamente significa “paz”? Significa “Quietação de ânimo, sossego, tranquilidade, ausência de dissensões, boa harmonia, concórdia, reconciliação”. Vale a pena investir um tempo meditando sobre cada um desses valores que dedicamos aos irmãos.
- “Temos que contextualizar o Evangelho à cultura de cada época e sociedade” – a afirmação em si é correta, isso é exatamente o que temos de fazer. Não adianta pregarmos o Evangelho no século 21 de túnica e sandália de couro. O problema é que alguns setores da Igreja têm levado essa ideia correta além no limite de segurança. Têm conduzido esse conceito ad absurdum. Com isso, tentam com tanta força e ímpeto falar a linguagem de nossos tempos para atrair o mundo que acabam muitas vezes sendo mais mundo que Igreja. É o que ocorre, principalmente, entre a chamada Igreja emergente: os próprios pastores acabam cometendo excessos e absurdos como pregar falando palavrões de púlpito e recomendar a ida a seus membros a shows de artistas com letras anticristãs e estéticas agressivas, como Ozzy Osbourne e Titãs (grupo que tem canções altamente antibíblicas, como “Igreja”, “Homem Primata” e “Epitáfio”). É preciso muita cautela. Pois nunca podemos esquecer que o Evangelho é, sempre foi e sempre será escândalo para os que não creem e que é contracultura. Isso em qualquer época e em qualquer cultura.
- “Fala, Deus” – geralmente é dito quando um pregador diz algo que o irmão ou a irmã acham que deveria ser ouvido por alguém da igreja ou por toda a congregação. É uma espécie de “toma, desgraçado, que Deus tá dizendo aquilo que eu penso que você deveria ouvir”. Na maioria das vezes não é dito com amor no coração e, por isso, é algo reprovável. A não ser que a exortação seja para si mesmo. Aí… fala, Deus!
- “Eis que eu te digo…” – nos arraiais pentecostais significa que está começando uma profecia da parte de Deus. Nada contra. Sou pentecostal e creio na atualidade dos dons. O problema é que ser “profeta” dá status entre os irmãos, como se a pessoa que profetiza fosse merecedora de um amor especial da parte de Deus. Por isso, não são poucas as pessoas que simulam profecias e, com isso, cometem o gravíssimo pecado de pôr nos lábios do Senhor o que Ele não falou. Sem falar do estrago causado junto à pessoa a quem a falsa profecia foi dirigida, que vai acreditar que Deus lhe deu algum direcionamento que na verdade não deu. Assim, antes de dizer “eis que eu te digo”… trema!
- “Em nome de Jesus” – a expressão é bíblica e o Mestre nos autorizou a usá-la. A questão é que muitos a estão usando com significados que não deveriam ter, como se fosse um “abracadabra”. Como disse Walter McAlister no livro “O Fim de uma Era”, tem sido usada com o sentido de “tem que dar certo”. “Eu vou conseguir esse emprego em nome de Jesus”. “Você vai namorar fulano, em nome de Jesus”. “O liquidificador vai funcionar agora, em nome de Jesus”. Na verdade, qual é o significado bíblico dessa expressão? Quando alguém permite que outra pessoa faça algo em seu nome, está lhe concedendo a autoridade pessoal que detém. Por exemplo, se um soldado raso chega a um capitão e lhe diz para preparar um automóvel o capitão não lhe obedecerá, pois o soldado não tem autoridade de solicitar isso a um superior. Mas se um general diz a um soldado raso: “Vá até o capitão em meu nome e lhe diga para preparar um automóvel”, aquele soldado acabou de receber a autoridade que o general tem sobre o capitão para aquela tarefa especifica. Então ele pode chegar ao capitão e dizer: “Estou vindo em nome do general solicitar que prepare o carro” e o capitão obedecerá o soldado porque o pedido é segundo a autoridade do general. Em nome dele. Com Jesus é igual. Os homens não têm autoridade de expulsar demônios. Mas quando você expulsa “em nome de Jesus”, é a autoridade que nos foi concedida por Deus que está realizando aquele feito. Do mesmo modo, ser humano algum tem poder em si para curar uma doença sem ser por meios médicos. Mas se você ora “em nome de Jesus” pela cura, é a capacidade milagrosa de curar que Jesus tem e que nos foi concedida que está atuando. Ou seja, a forma correta de usarmos essa expressão é somente quando podemos substitui-la por “segundo a autoridade de Jesus concedida a mim para este fim”.
- “Jesus não criou hierarquias nem liturgias” – errado. Basta você ver que no céu existem anjos e arcanjos. O prefixo “arc” significa “o principal”, “o primeiro”, “o de maior autoridade”. Por isso, arcebispo é o principal dos bispos. Do mesmo modo, fica claro que no reino celestial o arcanjo tem um papel hierarquicamente superior a um anjo. Esse princípio do mundo espiritual também é aplicado na terra. A Bíblia manda respeitarmos as autoridades e diz que nenhuma autoridade há que não tenha sido constituída por Deus. Também manda servos obedecerem seus senhores. Afirma à mulher que deve ser submissa ao marido. Ou seja, em todas as instâncias da vida humana – seja política, profissional ou familiar – as Escrituras deixam claro que há uma hierarquia. Seria de se estranhar muito que justamente na vida espiritual isso não ocorresse. A Bíblia deixa claro que havia na Igreja do primeiro século pessoas com cargos de supervisão (o “bispo”, conforme mencionado nas epístolas a Tito e Timóteo. Os apóstolos tinham um papel de liderança, basta ver no episódio de Ananias e Safira e basta reparar como Paulo dá determinações às igrejas em suas epístolas. E aqui cabe uma observação: hierarquia não quer dizer que alguém é melhor do que outro ou mais especial. Simplesmente que desempenha uma função com maior poder de decisão. É como o capitão de um time de futebol: ele é igual aos demais, mas dentro de campo é quem dá as decisões. E, acima dele, está o técnico, que tem, inclusive, o poder de decidir substituir o capitão.
Já a liturgia fica clara quando Jesus institui a Ceia. É um cerimonial litúrgico por natureza: tem ordem, as etapas seguem uma ordem, há um modo de proceder, há a repetição da forma de fazer a cada vez que se celebra. A História conta que os encontros da Igreja no primeiro século seguiam uma liturgia não muito diferente dos cultos de hoje, com louvores cantados, a leitura das cartas ou textos considerados canônicos e uma exposição do Evangelho por quem liderava o encontro. Logo, hierarquia e liturgia não foram, como alguns equivocadamente afirmam, instituídos pelo imperador Constantino ao oficializar a fé cristã como religião oficial do Estado: são bem anteriores – no mínimo 200 anos anteriores.
- “Posso ser cristão em casa, sozinho, sem congregar” – esse é um erro vindo do desconhecimento sobre a essência de nossa fé. O Evangelho é, por essência, um estilo de vida coletivo. 1 Coríntios 12 deixa claro que somos um corpo. Um membro decepado de um corpo é uma anomalia grotesca. Jesus nunca propôs o isolamento como padrão e, mesmo quando se retirava para orar sozinho, levava consigo alguns de seus apóstolos. Portanto um cristão que não congrega está desobedecendo o padrão divino.
- “Não existe pecadinho ou pecadão” – existe sim. A partir do momento em que existe um pecado (a blasfêmia contra o Espirito Santo) que não tem perdão e que a Bíblia diz que há pecados que são para a morte e outros que não são (independente da interpretação que se dê a isso, há muitas: “Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte” – 1 Jo 5.16,17.), automaticamente fica claro que há gradações. Só haver um pecado imperdoável já é prova disso. No sentido de que qualquer pecado é desobediência a Deus… naturalmente todo pecado é equivalente, mas isso não desmerece que em suas consequências há sim níveis. A Bíblia é clara quanto a isso.
- “Manto!” – essa só pentecostal entende. Se bem que eu sou pentecostal e até hoje não entendi isso.
Por enquanto é isso. Se você se lembrar de mais algum clichê dos nossos dias usado nas igrejas, entre desigrejados, entre tradicionais ou pentecostais…não importa, entre cristãos em geral, basta acrescentar nos comentários. Só peço uma coisa: explique por que aquela palavra, expressão ou frase está biblicamente incorreta. Apenas mencioná-la não vai acrescentar. Se for o caso, faremos uma apreciação em cima do seu comentário.
Quem sabe assim, parando para pensar sobre o que falamos sem pensar… paremos um pouco para pensar sobre o que falamos! E, talvez, seja o caso de eliminarmos certas frases feitas do nosso meio que parecem corretas mas na verdade só servem para confundir. Ou não servem para nada mesmo. Tão ligados na fiação, varão e varoa dos mantos de fogo?
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
*** fonte: 
Maurício Zágari é jornalista, escritor e editor do blog Apenas. Divulgação: Púlpito Cristão.

COMO CULTIVAR JOIO, E COMO CULTIVAR TRIGO

Por Wesley Moreira
Os dois homens na imagem foram batizados no mesmo dia, frequentam a mesma igreja e foram evangelizados pela mesma pessoa. Um deles é joio e o outro é trigo.
Os dois em suas crises espirituais passavam por divórcio perderam a guarda dos filhos. Os dois não conheciam nada sobre Deus, Jesus e o evangelho. Os dois começaram a frequentar a mesma igreja em situações semelhantes.
O primeiro homem (da esquerda) mesmo que constante na igreja igreja mantém uma vida secreta no mundo e no pecado. Nunca produziu frutos de carater e arrependimento, ainda que seja frequentador de todos os cultos. Nunca deixou de odiar a ex-esposa, ainda que diga amar a Jesus e contribui financeiramente para igreja. Nunca deixou de mentir, ainda que carrega uma Bíblia debaixo do braço. Nunca abandonou a maconha, ainda que se voluntarie nos serviços da igreja. Nunca deixou de lutar contra a ex-esposa, ainda que no louvor ergue suas mãos a Deus e cante. Nunca deixou de fornicar, ainda que seja um ‘boa praça’, amigo de todos na igreja. Ele é Joio!
O segundo homem (da direita) abandou o mundo. É frequente na igreja, e muito melhor que isso, demonstrou muito cedo frutos de carater. Contribui financeiramente para a igreja, e muito melhor que isso, perdoou a sua esposa e o amante com quem foi traído por ela, e com a mesma e os filhos mantém excelênte relacionamento. Traz sempre consigo sua Bíblia, mas muito melhor que isso, abandonou completamente sua vida antiga, e até terminou com um relacionamento que mantinha com uma mulher com quem se “juntara” quando a mesma se recusou a se casar. Ele ergue as mãos no culto em louvor a Deus e canta, e muito melhor que isso, ele tem sêde e fome pelas coisas de Deus, se tornou humilde, contrito, amoroso, respeitador, paciênte, verdadeiro e sincero em suas palavras. Ele é Trigo.
Estes dois homens que não se conhecem íntimamente foram evangelizados por mim. Apesar de viverem situações semelhantes em suas vidas, terem a mesma idade, frequentarem a mesma igreja, evangelizados pela mesma pessoa e por outra mesma pessoa foram batizados no mesmo dia, pergunto: Por que um se tornou trigo e o outro joio?
O primeiro foi evangelizado durante várias horas e por dias com base em testemunhos de vitória, milagres e bênçãos. Ao apresentar Jesus a ele lhe falei do plano maravilhoso de Deus para sua vida. Disse-lhe o quanto Jesus o amava. Disse-lhe que culpado do mau que lhe sobreveio é o diabo que lhe queria roubar as bênçãos. Contei-lhe por horas e horas a fio cada testemunho de milagres divinos que eu havia presenciado. Prometi-lhe que Jesus o livraria de todas as armadilhas e de todos os laços. Disse-lhe que se ele permanecesse em fé os desejos de seu coração seriam alcançados. Usei o evangelismo moderno e cultivei um Joio.
O segundo homem foi evangelizado a moda antiga, por uma hora apenas. Antes de apresentar a graça eu lhe apresentei a lei. Quando ele estava cheio de justiça própria e vitimização eu usei a lei para que ele conhecesse seu estado espiritual caído. Eu lhe disse que a culpa por todo o mal que lhe sobreveio era de ninguém, mas somente dele. Ele era culpado por sua ruína. Disse-lhe que sua vida era uma constante afronta ao um Deus Santo e justo que lhe era inimigo. Que este mesmo Deus já lhe havia julgado e ele foi encontrado em falta e portanto estava condenado ao inferno. Depois de lhe promover esse encontro com sua realidade eu apresentei-lhe a graça. Dizendo-lhe: Se você se arrepender de seus maus caminhos, mudando de vida pelo abandono das más obras e clamar pelo nome de Jesus, em fé, receberá graça para viver uma nova vida. E Deus que é seu inimigo, o receberá como filho, por causa do preço pago por Jesus na cruz. Nesse momento ele se ajoelhou e com lágrimas orou, pedindo perdão a Deus e em oração perdoou a sua esposa e o amante dela. Usei o evangelismo original e cultivei um Trigo.
Aprenda com meu erro, lembre-se desse meu testemunho. Abandone o evangelho do oba-oba que só produz joio, crentes convencidos e desprovidos da convicção da verdade. Abandone o evangelho do triunfalismo que tem raiz rasa que seca sob o sol da perseguição do mundo.
Pregue a graça somente quando o coração estiver pronto para receber graça. Doutra sorte a graça será pisada. Aprenda com os evangelhos. Antes do cordeiro de Deus passar sempre há um João Batista pregando a Lei e o arrependimento. Destrua a justiça própria dos corações endurecidos pela justiça própria com os 10 mandamentos, somente então, depois do quebrantamento, ofereça a graça que salva.
A lei não salva, mas é ferramenta evangelistica.
Romanos 7:7 – Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheceria o meu pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.
Salmos 19:7 – A lei do Senhor é perfeita, e converte a alma;
Aprenda com Spurgeon, Finney, Billy Grahan,Moody e outros. Evangelize segundo a palavra.
*** Fonte: 
Wesley Moreira é pastor, teólogo, reside em Atlanta-EUA e é membro da World Harvest Church , participa do WH Bible Institute e da WotM School of Evangelism. Divulgação: Púlpito Cristão.


ALICE NO PAÍS DOS “EVANGÉLICOS”

Por Jofre Garcia
Sempre houve a busca por um mundo alem da realidade.
Filósofos, escritores, idealistas, poetas e principalmente sonhadores, em todos os tempos criaram mundos fantásticos como uma fuga de uma realidade dura e pouco agradável. E assim, somos convidados a lúdicas viagens nas aventuras de Gulliver, na solidão oceânica de Robinson Crusoé, no mundo teológico – mitológico das Crônicas de Nárnia, nas extraordinárias aventuras recheadas de ciência de Julio Verne ou mesmo no realismo fantástico de Gabriel Garcia Marques.
Alem destes, há um em especial que se fixou no imaginário de gerações por suas particularidades e fantasiosas narrativas: Alice no país das maravilhas, de Lewis Carol.
Sua trama bem construída e sua vertiginosa seqüencialidade deixam o leitor cativo ao desenrolar do texto e vivendo sua irrealidade.
Ao contrário dos sonhos utópicos e dos devaneios imaginativos dos homens, a Bíblia nos trás a realidade injetada na perspectiva de Deus, onde todas as eras e tempos e histórias convergem para aquEle que É.
A Palavra de Deus é a verdade real para o homem.
O que me chama a atenção em nossa geração é a fantasiosa realidade anunciada pelos ditos evangélicos. A megalomania tomou o lugar que antes era ocupado pela humildade, o antropocentrismo substituiu a cristocentricidade, o pão nosso de cada dia foi usurpado pelo meu milhão diário e a vida real e prática do Evangelho foi transformada em fantasia de auto – ajuda, com uma perigosa mensagem alienante que beira o fascismo.
Os ensinos, as mensagens, as expressões e até a musicalidade foram impregnadas pela mania de grandeza, sucesso e boa vida estampadas como marcas que testificam uma experiência com Deus que lhe garante status especial com o Criador.
Vejo pessoas humildes, carentes. Gente que em geral luta para sobreviver numa sociedade de consumo, perversa e degradante, embarcando nos sonhos criados por pregadores e cantores, que desfilas seus paletós de grife, seus carrões e relógios dourados. Elas (as pessoas) são estimuladas a contribuir visando um retorno garantido e rápido para que possam fazer parte do grupo dos ávidos consumidores do que perece e desvanece.
O ódio é estimulado, com base na vitória trazida por “deus” que o faria envergonhar seus inimigos e expô-los a vergonha e derrota. Por isso as canções do ódio fazem tanto sucesso, propondo o oposto ao amor exigido por Cristo, até mesmo com os seus inimigos.
Vejo e ouço: que o mar vai se abrir o sol vai parar, andar por sobre as águas, etc. E como Alice perseguindo o coelho num mundo que não existe, prosseguimos diante de um “evangelho” feito de delírios e amedrontador de um mundo de bênçãos inexistentes.
N’Ele, a realidade de Deus para o mundo.
*** Fonte: 
Jofre Garcia Luna é teólogo, radialista, blogueiro que edita o Auxílio do Alto, e faz coluna aqui no Púlpito Cristão.