Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

sábado, 4 de setembro de 2010

Não há aliança entre a luz e as trevas

Editorial Mensageiro da Paz – nº. 1504

O ecumenismo religioso é um dos principais movimentos modernos que se chocam frontalmente com a Palavra de Deus. Isso porque ele coloca em um mesmo pacote evangélicos, romanistas, esotéricos, budistas etc, como se todas as religiões chegassem a Deus. Esse pensamento cresce em muitos países e regiões onde o secularismo tem vencido o fervor da genuína fé cristã – caso, por exemplo, da Europa – e, infelizmente, de vez em quando encontra eco também por estas bandas do sul ocidental. O ecumenismo religioso contraria claramente as Sagradas Escrituras. Como já enfatizou o teólogo britânico James Packer certa vez, “essa heresia implica a negação da singularidade de Cristo como Salvador do mundo, o único e suficiente
caminho para o singular Deus Pai, que perdoa nossos singulares pecados pelo sangue singular de Cristo derramado no Calvário e recebe-nos singularmente como filhos adotivos em sua família, na qual o Senhor Jesus, nosso singular Mediador e Salvador, é também o singular irmão mais velho”. As Sagradas Escrituras afirmam que o homem deve nascer de novo (Jo 3.3), única condição para a Salvação. O ecumenismo, porém, reúne salvos e ímpios como se não houvesse diferença entre eles. A Palavra de Deus é clara: há , sim, diferença (Ml 3.18). Outro detalhe é que a Igreja deve cumprir o Ide de Jesus (Mc 16.15-16), não importando a religião a que as pessoas pertencem. Afinal, o Senhor Jesus Cristo veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10). O ser humano que não aceitou o Evangelho de Cristo é, à luz da Bíblia, perdido. Entretanto, o ecumenismo não vê os homens como pecadores perdidos, sujeitos ao Inferno. Portanto, as diferenças entre o verdadeiro cristianismo e o ecumenismo religioso são absolutamente abissais, isto é, enormes e profundas. A verdadeira unidade, de que falou Jesus em sua oração sacerdotal (Jo 17.19-23), tem o próprio Jesus como cabeça e centro de convergência: “E mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim”. Não há um corpo com dezenas de cabeças, tais como Maomé, Buda, Confúcio etc. Só o Senhor Jesus Cristo é a cabeça, como está escrito: “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo”, Ef 5.23. “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular”, 1Co 12.27. Há um só Senhor e uma só fé (Ef 4.5), e não há concubinato entre a luz e as trevas (1Co 6.14-18). A ordem divina para nós é: “Saí do meio eles, e apartai-vos, diz o Senhor (…) e Eu serei para vós Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso”.

Fonte: CPAD

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quais são as falsificações da santificação?

Por: Thomas Watson

Há coisas que parecem santificação, mas não são.

a. A primeira imitação da santificação é a virtude moral

Ser justo, temperante, de bom comportamento, não ter a fama manchada com um escândalo vergonhoso é bom, mas não é o suficiente, não é santificação. Um campo florido é diferente de um jardim. Pagãos se apegaram à moralidade, como Catão, Sócrates e Aristides.A boa educação é somente uma natureza refinada, não há nada de Cristo nela, o coração pode ser impuro e abominável. Debaixo dessas folhas de boa educação, o verme da descrença pode estar escondido. Uma pessoa virtuosa tem uma antipatia secreta contra a graça, odeia o vício e também a graça tanto quanto o vício. A serpente tem uma bela cor, mas pica. Uma pessoa enfeitada e alimentada com uma virtude moral pode ter um afeto secreto contra a santidade. Os estóicos, que eram os principais pagãos moralistas, foram os inimigos implacáveis de Paulo (At 17.18).

b. A segunda imitação da santificação é a devoção supersticiosa

Isso é abundante no papado. As adorações, as imagens, os altares, as vestimentas e a água benta, coisas que eu entendo como frenesi religioso, e que estão longe da santificação. Nada disso acrescenta nenhum bem intrínseco ao homem, não faz o homem melhor. Se as purificações e as lavagens da lei, que eram orientações do próprio Deus, não fizeram daqueles que as praticaram mais santos, e os sacerdotes que vestiram vestimentas santas e tiveram óleo derramado sobre si só eram santos com a unção do Espírito, então, certamente, as inovações supersticiosas na religião, que Deus nunca orientou, não podem contribuir para qualquer santidade dos homens. Uma santidade supersticiosa não custa muito, não há nada do coração nela. Se santidade fosse dizer orações com uso de um rosário, curvar-se diante de uma imagem, benzer-se com água benta, e tudo aquilo que é requerido daqueles que crêem nessas coisas para salvação, então o inferno estaria vazio, ninguém entraria lá.

c. A terceira imitação da santificação é a hipocrisia

Hipocrisia é fingir uma santidade que se não tem. Assim como um cometa pode brilhar e se parecer com uma estrela ou como um lustre pode brilhar em seu lugar a tal ponto de ofuscar os olhos dos que o contemplam. "Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder" (2Tm 3.5). São lâmpadas sem óleo, sepulcros caiados como os templos egípcios que eram bonitos do lado de fora, mas dentro havia todo tipo de podridão. O apóstolo fala da santidade verdadeira em Efésios 4.24, implicando que há uma santidade que é espúria e fingida. "Tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3.1), são como quadros e estátuas destituídas de um princípio vital: "Nuvens sem água" (Jd 12). Fingem estar cheios do Espírito, mas são nuvens vazias. Isso mostra a santificação como uma auto-alucinação. Quem pega o cobre no lugar do ouro engana a si mesmo. Os santos mais falsos enganam os outros enquanto vivem, mas enganam a si mesmos quando morrem. Fingir a santidade quando não há nenhuma é uma coisa vã. Que vantagens levaram as virgens néscias que tinham lâmpadas fulgurantes quando precisaram de azeite? Qual é a utilidade de uma lâmpada sem o azeite da graça salvadora? Que consolo uma demonstração de santidade trará no final? Será que algo pintado com a cor de ouro pode enriquecer? A pintura de água pode refrescar aquele que está com sede? Ou a santidade imaginária será um sofrimento na hora da morte? Não se deve acomodar com uma pretensa santificação. Muitos navios que tinham o nome de Esperança, Triunfo e Vigilante foram lançados contra as rochas, assim, muitos que tiveram o nome de santos foram lançados no inferno.

d. A quarta imitação da santificação é a graça suprimida

Isso acontece quando os homens se abstêm do vício, embora não o odeiem. O lema de um pecador pode ser assim: "Eu estaria disposto, mas não tenho coragem". O cão só pensa no osso, mas tem medo do bastão, assim os homens têm a mente para a luxúria, mas suas consciências se posicionam como aquele anjo com uma espada flamejante e, assim, ela os amedronta: eles têm a mente para a vingança, mas o medo do inferno é como um freio de cavalo que os adverte. Não há mudança de coração, o pecado é freado, mas não exterminado. Um leão pode estar enjaulado, mas ainda é um leão.

e. A quinta falsificação da santificação é a graça comum

É uma obra tênue e passageira do Espírito, mas que não ajuda na conversão. Há um pouco de luz em um julgamento, mas não o é para a humilhação pessoal. Alguns têm peso na consciência, mas não acordam.

Parece santificação, mas não é. Os homens têm as convicções formadas neles, mas abrem mão dessa convicção, como o animal que, ao ser flechado, livra-se da flecha. Depois da convicção, os homens vão à casa da alegria, pegam a harpa para expulsar o espírito de tristeza e tudo morre e não se chega a nada.

Fonte: [ Josemar Bessa ]
Via: [ Armando Marcos ]

A autoridade Bíblica

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (Atos 17.11)

Já me aconteceu de conversar com pessoas que se dizem cristãs e negam a Bíblia como única regra de fé e prática do crente em Jesus Cristo. Afirmam que uma certa "tradição apostólica" tem tanto valor quanto as Escrituras Sagradas e que em nenhum momento a Bíblia ensina sua própria autoridade sobre ensinamentos humanos. Este texto em Atos é apenas uma das diversas provas de que Deus nos entregou palavras que estão acima de qualquer tradição do homem.

Esta passagem de Atos trata da pregação de Paulo e Silas na sinagoga de Beréia. Repare que Lucas registra o caráter nobre destes cidadãos bereanos. Por que eles se destacam em relação aos tessalonicenses? A resposta está no próprio versículo - receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

Ou seja, vemos aí um ensino apostólico tendo de passar pelo crivo da Bíblia antes de ser aceito. E o que é mais interessante: doutor Lucas apresenta esta atitude como algo positivo. Outro detalhe: quando esta pregação de Paulo aconteceu, é muito provável que poucos livros do Novo Testamento já estivessem escritos - talvez nenhum deles existisse ainda. Então, as Escrituras que os bereanos examinavam eram nada menos que textos do Antigo Testamento.

Daqui podemos tirar uma lição, se realmente cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada e suficiente para levar o homem à salvação e santificação. Lucas mostra claramente que, se o ensino dos apóstolos não batesse com os textos do Antigo Testamento (que eram examinados diariamente), os bereanos não aceitariam a mensagem do Evangelho. E mais – mostra que esta atitude é louvável!

Imagino às vezes se não seria por isso que não sabemos de uma carta de Paulo aos Bereanos, mas temos duas aos Tessalonicenses...

“Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” (Provérbios 30.5-6)

“E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição.” (2 Pedro 3.15,16)

Um dos maiores problemas que existe na igreja atualmente é um efeito colateral do acesso universal às Escrituras que os reformadores nos proporcionaram. Este grave problema é a livre interpretação das Escrituras. Ao contrário do que alguns afirmam, a Reforma Protestante não foi a grande responsável por isso. Lutero, por exemplo, era a favor do livre-exame da Bíblia e não da livre interpretação. Nas palavras do ex-monge, se fosse assim, “cada um inventaria sua própria forma de ir para o inferno”.

Hoje, porém, tantos pastores evangélicos (?) quanto grupos cristãos declaradamente não-evangélicos insistem em afirmar que os cristãos protestantes defendem o direito de cada um interpretar a Bíblia como bem entende. É quase impossível que existam duas pessoas que interpretem todos os textos bíblicos da mesma forma, mesmo tendo a mesma formação teológica. Não porque existam ambigüidades, mas por próprios pressupostos e motivos pessoais, em algum momento alguém pode entender de forma inexata o que algum texto está dizendo. Neste caso, se esta pessoa realmente viver a Palavra de Deus, ela estará atenta à repreensão e humildemente aceitará seu erro.

O perigo, portanto, não são pessoas que conhecem e vivem a Bíblia, mas algo parecido - pessoas que conhecem, mas não vivem a Palavra. Homens que preferem apegar-se à própria tradição ou necessitam comprovar um assunto de qualquer forma e se utilizam de um fragmento do texto sagrado para isto. Pelo menos sabemos que este problema não é recente. Já no primeiro século, Pedro alertava para pessoas que interpretavam mal e levianamente as cartas de Paulo, além das outras Escrituras. (Aproveito para destacar que Pedro acaba de colocar os escritos do Apóstolo Paulo, e não tradições apostólicas, com a mesma autoridade do Antigo Testamento).

Não sabemos ao certo como tais textos estavam sendo torcidos, mas vemos este mesmo problema hoje em dia. Ao mesmo tempo em que algumas igrejas “cristãs” afirmam que a Bíblia não ensina ser a única regra de fé e prática do crente, usam textos soltos para comprovar que ela ensina a guardar certas tradições - que, teoricamente, existem desde a igreja primitiva. Outras igrejas fazem uso disto para acrescentarem novas profecias e novos conceitos, tentando resgatar uma outra 'igreja primitiva', que hoje desapareceu. Por fim, até não-cristãos tentam provar que Jesus não pretendia fundar uma igreja primitiva, e que os seguidores de Cristo, em algum momento, resolveram criar este novo paradigma de religião.

Mesmo que gritem que não era assim que Jesus ou os primeiros cristãos agiam, uma acusação comum aos poucos cristãos que ainda tentam guardar a sã doutrina, a estes só resta agir, ironicamente, como a própria igreja primitiva e apostólica, fundada por Jesus Cristo. Nas palavras do próprio Mestre:

“E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês. Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens.” (cf. Mateus 15.1-9)
“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17)

Provavelmente não existe texto mais claro quanto à autoridade das Escrituras quanto este. Acredito que ao chegar nestas palavras de Paulo, aquele que professa ou não a fé cristã tem apenas duas opções - aceitar toda a Escritura como inspirada por Deus e única suficiente como regra de fé e prática do crente ou rejeitá-la. Quem aceita isto positivamente é um verdadeiro seguidor de Cristo. Aquele que não aceita esta idéia simplesmente não é.

Alguns dizem que existem textos nas Escrituras que são declaradamente não-inspirados. Quase sempre são textos em que Paulo está no meio de uma argumentação, falando “como homem”. Ou seja, em seu próprio raciocínio, Paulo apresenta afirmações que ímpios fariam e as responde. Por exemplo: “Mas, se a nossa injustiça ressalta de maneira ainda mais clara a justiça de Deus, que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? (Estou usando um argumento humano.)” (Romanos 3.5, NVI). Se quisermos ignorar o versículo seguinte, e todo o contexto da carta aos Romanos, realmente teremos uma passagem “não-inspirada” na Bíblia. Porém, qualquer ser humano com o mínimo de inteligência perceberá que Paulo responde sua pergunta na continuação do texto, demonstrando que o argumento humano é falho.

Outra idéia, tolamente acatada pelos ateus, em especial, é um bizarro pensamento de que o texto bíblico foi pneumografado (neologismo usado pelo professor e pastor Marcos Alexandre), um equivalente a dizer que a Bíblia é algo psicografado, como se o Espírito Santo tomasse o corpo da pessoa, quando esta ia escrever e Ele próprio fosse o escritor. Assim, os pobres caçadores de falhas bíblicas tentam achar contradições, diferenças de um texto pra outro, entre outras coisas. Adoram encontrar erros astronômicos e geológicos em suas interpretações superficiais, mas dificilmente algum deles tenha se dado ao trabalho de pesquisar o Evangelho de Marcos no original grego, por exemplo. Se algum dia os acusadores do texto sagrado fossem além do que suas capacidades permitem, talvez dissessem “o Espírito Santo é analfabeto?”. Isto é apenas uma prova de sua argumentação limitada a buscas em sites da internet e leitura de reportagens sensacionalistas.

A seguir, desenvolverei mais o assunto, mas as duas citações abaixo já nos mostram quão antiga e, sinceramente, repetitiva é qualquer acusação contra a Palavra de Deus:

“Deve-se lembrar que Moisés não fala com perspicácia filosófica sobre mistérios ocultos, mas relata as coisas que são observadas em todos os lugares (...) A desonestidade daqueles homens é suficientemente repreensível, por censurarem Moisés por não falar com maior exatidão. Porque, como se tornou um teólogo, ele tinha mais respeito por nós do que pelas estrelas (...) Se o astrônomo indaga a respeito da dimensão real das estrelas, ele vai descobrir que a lua é menor que Saturno. Deixemos os astrônomos com seu conhecimento mais elevado; mas, nesse ínterim, aqueles que percebem pela lua o esplendor da noite são condenados por seu uso de perversa ingratidão, a menos que reconheçam a beneficência de Deus. Aquele que deseja aprender astronomia (...) deixe-o ir aonde quiser.”

“Pois quem, mesmo que de bem parco entendimento, não percebe que Deus assim conosco fala como que balbuciar, como as amas costumam [fazer] com as crianças? Por isso, formas de expressão que tais não exprimem, de maneira clara e precisa tanto o que Deus seja, quanto Lhe acomodam o conhecimento à paucidade da compreensão nossa.” (João Calvino)

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17)

O que significa dizer que a Escritura é inspirada? A idéia é a seguinte - suponha que eu deseje escrever uma carta para uma pessoa, mas minha linguagem usa muitas expressões peculiares, o que tornaria minha mensagem obscura. Por exemplo, suponha que esta pessoa seja um crente que more numa pequena aldeia lusófona em outro continente, aonde não chegou luz. Conto que digitei a carta no Word e depois imprimi na minha multifuncional, e que o Lula não pagou meu pai, por isso não revelei fotos tiradas com um repórter da TV Globo local. Provavelmente meu amigo não saberia o que é Word, multifuncional, TV Globo Local e talvez não teria idéia de quem é Lula ou o repórter citado. Sem contar possíveis gírias que por acaso eu usasse.

O que eu faria para resolver a situação? Como se trata de uma situação hipotética, suponha que eu conheça uma colega da mesma etnia, que faça intercâmbio no Brasil. Eu poderia ditar a carta para ela, e ela trataria de adaptar minhas novidades para que meu amigo pudesse entender. Ele poderia chamar o Lula de Chefe, por exemplo. Também poderia omitir o que fiz no Word e apenas dizer que escrevi a carta numa máquina. E o repórter da Globo se tornaria um mensageiro muito famoso em minha cidade. Suponha também que minha amiga não seja boa em ortografia. Assim, corro o risco de ter alguns erros de português. Mas como ela é uma pessoa de confiança, tenho a certeza absoluta que minha mensagem seria transmitida e analiso atentamente para saber se a idéia que queria passar foi perfeitamente adaptada à realidade do meu irmão estrangeiro.

A idéia é mais ou menos essa. É por isso que Moisés não cita a criação de todos os planetas do Sistema Solar, por isso que Marcos escreve seu Evangelho com alguns erros de grego, por isso que a Terra parece ser plana em certos textos. Eram homens com uma visão limitada do Universo sendo usados pelo próprio Deus Eterno para escrever sobre assuntos inefáveis para pessoas limitadas. E eles cumpriram sua missão. A mensagem foi transmitida, apesar de “erros”.

Os homens escreveram como escreveriam normalmente. Mas o Espírito Santo transmitiu a mensagem como aprouve a Ele. Muito provavelmente, alguns dos autores nem imaginavam que estariam sendo lidos 3000 anos depois. Mas o Espírito Santo sabia. E por isso Ele formou este Livro Santo, Perfeito e Único. Formado de dois testamentos, sessenta e seis livros, mas um único Livro com uma única história - a história da Salvação.

“Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus.” (Isaías 43.11,12)

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17)

É estranho que "cristãos" digam que não existe um texto na Bíblia que prove a autoridade das Escrituras sobre qualquer outro ensinamento. Em primeiro lugar, é irônico que eles queiram que tal heresia seja comprovada por um texto bíblico. Temos uma discussão sem fim, porque se alguém não crê que a Bíblia tenha toda a autoridade sobre a vida do cristão, que diferença um texto bíblico fará? E se você não acha que a Bíblia tenha tal prioridade, por que basear seus argumentos justamente na própria Escritura?

Em compensação, aquele que crê pode perceber facilmente que um trecho como estes versículos da segunda carta de Paulo a Timóteo comprova o que aprendemos sobre a Bíblia. Proponho que examinemos lentamente a idéia que o Apóstolo quer passar sobre as Escrituras (quanto à autoridade de Paulo, veja a parte 2 desta reflexão).

Primeiramente, ele diz que Toda a Escritura é inspirada por Deus. Sendo a revelação escrita de Deus aos homens, um livro que teve a mão do Criador do Universo, é impossível que imaginemos a possibilidade de uma obra mais completa e perfeita aqui na Terra. Uma pessoa que tenta adicionar ou retirar algo da Palavra de Deus está claramente dizendo que o Senhor não foi capaz de transmitir sua mensagem muito bem e precisa de uma forcinha. Ora, um ateu ou não-cristão negar o valor da Bíblia já é algo reprovável, mas um suposto cristão que solapa a soberania e o poder divinos desta forma é, no mínimo, um blasfemo.

Dizer que tradição humana, revelações misteriosas ou apócrifos que contradizem a Palavra têm tanto valor quanto as Escrituras Santas é dizer que aquilo que o Senhor nos deixou está incompleto, é imperfeito, precisa de algo mais. Dizer que Deus poderia fazer uma obra melhor, ou pior, é simplesmente dizer que Deus está abaixo do homem. Afinal, se homens limitados foram capazes de notar que faltava algo no Livro inspirado pelo Espírito de Deus, então somos mais espertos que o Todo-Poderoso, que deixou essa passar...

Não me resta dúvida que tais pessoas em nada diferem da serpente do Éden, o primeiro exemplo de alguém que "aperfeiçoou" as palavras do Senhor.

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Continuando a análise deste texto, nos deparamos com outra afirmação - “Toda Escritura é útil”. O que o texto quer dizer com isto? Parece-me claro que dentre as 66 subdivisões, que chamamos de “livros”, e os quase 1200 capítulos não existe um mínimo trecho que não tenha seu valor. Não importa o quanto você não goste de ler as imensas descrições de rituais de Levítico ou as grandes listas genealógicas - tudo isto é proveitoso e útil para a preparação do homem de Deus. Esta preparação Paulo divide em quatro ramos, que estudaremos a seguir.

Ensino

Mais do que qualquer comentário ou livro cristão, a Palavra de Deus é a bibliografia imprescindível para educarmos uma pessoa nos caminhos do Senhor. É incrível que hoje em dia tão pouca ênfase tem se dado ao ensino da Bíblia. As igrejas históricas muitas vezes oferecem escolas bíblicas descontextualizadas e ultrapassadas, que agradam normalmente apenas aqueles que têm muita vontade de aprender ou os crentes já acostumados com as aulas dominicais desde a infância.

A formação dos professores também deixa a desejar. Presenciei casos de professores ensinarem conceitos errados sobre Lei e Graça para os alunos - assunto que foi tratado em uma de minhas primeiras aulas na Faculdade Teológica! Antes que me acusem de esperar demais de pessoas que se oferecem para ensinar, aviso que se tratava de uma pessoa com formação em teologia. E mais - por que esperamos que nossos professores ou de nossos filhos em escolas “seculares” tenham excelentes formação e currículo, mas não exigimos o mínimo das pessoas que fazem um serviço bem mais importante, que é o ensino de verdades eternas?

Quanto a igrejas menos organizadas e mais modernas (para ser eufemístico), me assusta saber que muitas delas sequer têm uma preocupação com a formação dos santos. Quando se critica isto, utilizam-se do ridículo argumento que “a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Como se não fosse o Espírito Santo o grande Autor da Palavra de Deus! Ou pior - alguns cristãos medíocres acreditam que deve haver uma separação entre razão e fé, como se Deus não fosse o Criador de Suas mentes, como se as cartas de Paulo estivessem lá para sentirmos apenas fortes emoções e não para também estudarmos. Defendem que não deve haver raciocínio sobre textos bíblicos. Eu pergunto - para que servem os livros sapienciais então? Como Paulo formaria sua teologia sem meditar sobre o texto do Antigo Testamento e perceber que a vinda de Cristo tinha realmente lógica quando os textos eram estudados?

Este trecho de 2 Timóteo deixa claro que um homem de Deus só estará plenamente apto para seu serviço, sua boa obra, quando for ensinado pela Escritura. Todo aquele que nega esta verdade, nega a Palavra de Deus. E quem nega a Palavra de Deus, nega ao Senhor.

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Repreensão

A seguir, o apóstolo Paulo nos apresenta uma característica aparentemente negativa da Palavra de Deus - a função de repreender o homem de Deus. Ninguém gosta de ser repreendido, mas é importante notar que uma repreensão verdadeiramente baseada na Santa Escritura não deve nunca ser motivo de desgosto. Pelo contrário, apenas mostra a preocupação que o Senhor teve para conosco, a ponto de nos mostrar como não devemos agir se quisermos viver para Sua glória.

Infelizmente, nem todos pensam assim; um homem que utiliza a Palavra de Deus para diagnosticar e arrancar alguma doença da Igreja ou da vida de seu irmão não é recebido muito bem - com a exceção do caso de ele estar em cima de um púlpito, usando o título de “pastor”. Mesmo assim, existem casos em que sua repreensão não é bem recebida, como por exemplo, um jovem pregador criticando tradições sem sentido, ou um pastor visitante demonstrando que certas atitudes de namorados crentes não estão necessariamente corretas.

A verdade é que ninguém gosta de ser repreendido, seja por um homem, pela Palavra de Deus, ou pelo próprio Deus. A Bíblia nos mostra inúmeros casos de pessoas que não seguiram o conselho do Senhor e não se saíram muito bem seguindo seus próprios caminhos. Apenas para ilustrar, o primeiro pecado foi justamente este caso e o motivo do primeiro assassinato foi o desgosto por uma repreensão do Criador do Universo. Pessoas que não aceitam que sua dura cerviz seja amolecida sofrem uma repreensão ainda pior por conta de seu orgulho.

Não existe uma fórmula mágica para percebermos se uma palavra contra algum ato nosso é válida ou não, mas a Bíblia ainda é o melhor juiz quando se trata do assunto. Se a repreensão não teve um respaldo bíblico, provavelmente você poderá replicá-la com a própria Palavra. Se a repreensão veio da própria Palavra de Deus, aplicada à sua vida, só lhe resta abaixar a cabeça e aceitar tal confrontação.

Nos dois casos, um homem de Deus sábio só tem a ganhar.

“Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” (Salmo 119.9)

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Correção

Perceba que as funções bíblicas seguem uma lógica - primeiramente ensinamos, depois repreendemos. A partir daí podemos entrar no terceiro passo, que é corrigir o erro. Aparentemente, repreensão e correção parecem estar ligadas, mas o homem corrigido pelo Senhor é aquele a quem ele ama. Enquanto todos são repreendidos, a correção que vem da Palavra de Deus é reservada para pessoas especiais. Uma prova disso é que o diabo foi repreendido por Jesus (Mateus 4), e o anjo Miguel disse apenas “o Senhor te repreenda” para ele (Judas 9). É óbvio que uma repreensão ao demônio não inclui uma correção da parte de Deus. Então, quem são aqueles que recebem a correção de Deus?

a) Seu povo: Depois de todas aquelas provações e humilhações no deserto, o Deus de Israel traz estas palavras para os judeus: “Sabes, pois, no teu coração que, como um homem corrige a seu filho, assim te corrige o SENHOR teu Deus” (Deuteronômio 8.5). O motivo para isto é que o povo não deveria se esquecer nunca quem estava no comando e de quem vinha todas as bênçãos. Eles não deveriam cometer os erros que seus pais haviam cometido. “Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia” (Deuteronômio 8.18).

b) Os felizes: “Como é feliz o homem a quem Deus corrige; portanto, não despreze a disciplina do Todo-poderoso” (Jó 5.17). Em algumas versões temos “bem-aventurado”, palavra que tem basicamente o mesmo significado de “como é feliz”. A pessoa que bem-aventurada não tem apenas uma felicidade dada por Deus, ela é feliz de uma forma indescritível, porque o Senhor, Criador do Universo, Todo-Poderoso, reserva um “tempo” para corrigi-la. Que privilégio é ser agraciado com a correção da Sabedoria de Deus. “O zombador não gosta de quem o corrige, nem procura a ajuda do sábio” (Provérbios 19.15)

c) Os humildes: Esta é, na verdade, uma conseqüência do item anterior. Um homem que aceita a correção é alguém que demonstra humildade para perceber que está errado. É alguém que reconhece sua total incapacidade de se guiar sozinho - “Eu sei, Senhor, que não está nas mãos do homem o seu futuro; não compete ao homem dirigir os seus passos. Corrige-me, Senhor, mas somente com justiça, não com ira, para que não me reduzas a nada” (Jeremias 10.23,24). Deus não quer pessoas que lutam para ser boas, mas pessoas que sabem que sem Ele é impossível ser bom. “Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'” (Tiago 4.6).

d) Seus amados: “Filho meu, não desprezes a correção do SENHOR, E não desmaies quando por ele fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hebreus 12.5,6.11). Todos sabem o que é uma correção paterna e, fora casos de pais abusivos, só uma criança ou alguém imaturo não tem plena certeza que apanhou da mãe porque fez algo errada. Não há necessidade de dizer que nossos pais fazem isso por amor e devemos ser gratos por tanto. E tenho certeza que ninguém deixou de amar seus pais por causa de chineladas justas. É estranho que supostos cristãos não aceitem uma correção bíblica em suas preciosas doutrinas.

O mais interessante é notar que todos os pontos resumem numa coisa só - aqueles que são corrigidos pelo Senhor são os filhos escolhidos de Deus. Apenas estes reconhecem sua total incapacidade de seguir sozinhos, amam ao Senhor porque Ele primeiro os amou, são o povo de Deus e são bem-aventurados, pois foram alcançados pela Graça. Agora, pergunto - o que vem primeiro nestes quatro itens?

Poderia levar horas formulando uma boa resposta. Mas preciso resumir tudo em: Deus e Sua inexplicável misericórdia eterna. Que sejamos eternamente gratos pelo trabalho de nosso Pai em nossas vidas.

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são” (1 Coríntios 1.27,28).

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Instrução

A maioria das pessoas me olha de forma admirada quando digo que o melhor presente de aniversário - na verdade, o melhor presente de todos - que já recebi na vida foi uma pequena Bíblia dada por uma amiga. Os crentes não entendem por que esta Bíblia é diferente das outras; além de ela não ter anotações ou comentários, alguém que nasceu em lar cristão não deveria achar este presente tão sensacional assim. No caso dos incrédulos, apenas preciso dizer que eles acham uma coisa sem sentido.

O fato é que esta Bíblia foi a primeira que li completa, devocionalmente - e este é um dos motivos (além do fato de ter recebido o presente de uma pessoa querida) pelo qual o presente é tão importante. Não há professor, teólogo ou pastor que consiga abafar a Palavra de Deus, caso esteja falando dela. Quando a Bíblia fala através de alguém, para outras pessoas, sua infinita sabedoria e poder falam mais alto que o instrumento humano usado para isso.

A instrução (ou educação em algumas versões) é a última das quatro funções que Paulo lista neste texto. Como disse antes, é interessante notar que há uma lógica na seqüência de Paulo. Primeiramente, você é ensinado e, depois de repreendido pela Palavra de Deus, seus erros são corrigidos... até que um dia você completará a sua instrução na justiça. É claro que este é um alvo inatingível em nossa vida terrena, mas com certeza haverá um momento em que você é aquele que estará ensinando, repreendendo, corrigindo e instruindo.

E não é justamente isso que acontece entre Paulo e Timóteo neste trecho que estamos estudando?

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Para concluir, lembremo-nos do motivo pelo qual iniciei este estudo - alguém disse que não existe qualquer texto na Bíblia que prove as Escrituras como única regra de fé e prática do crente. Depois de vários trechos confirmando esta idéia, que só não vê quem não quer, passamos um pouco de tempo neste versículo, que provavelmente é o mais usado para comprovar o que queremos. As conclusões até então:

a) Toda a Escritura é inspirada por Deus - Se quisermos adicionar ou retirar alguma coisa da Bíblia, teremos de admitir que o Senhor não foi capaz, através de seus instrumentos humanos, de produzir uma obra tão perfeita que não necessite de acréscimos para melhorá-la.

b) Toda a Escritura é útil para o ensino, repreensão, correção e instrução - Todo o texto bíblico serve como ferramenta para a completa formação de uma pessoa na justiça de Deus. Dos primeiros passos de discipulado até a maturidade espiritual, a Escritura tem seu valor.

Agora vejamos o que Paulo diz no final do verso 17. O texto explica melhor o que a formação bíblica pode fazer com um homem de Deus. Repare que não é um homem qualquer, mas um homem de Deus. É aquela pessoa lavada e remida no sangue do Cordeiro, que se entregou completamente ao Senhor, não todas as pessoas. É por isso que muitos não conseguem enxergar ensinamentos na Bíblia, a colocam no nível de um livro qualquer de sabedoria ou auto-ajuda ou precisam dar sua colaboração pessoal nos ensinamentos. O homem de Deus não tem essa necessidade, pois sabe que o Senhor proveu aquilo que é necessário para sua formação. Prova disso é a continuação do raciocínio de Paulo.

O Apóstolo diz que este aprendizado do homem de Deus o tornará apto e completamente pronto para qualquer boa obra. Ou seja, as Escrituras não apenas conferem aptidão para alguém fazer o trabalho do Senhor (acredito que "toda boa obra" é necessariamente qualquer ato que glorifique a Deus), como o deixam plenamente preparado (isto é, o máximo que o homem pode conseguir). Eu não vejo como não enxergar claramente que um cristão, um homem de Deus, não precisa de outra regra que não seja a Bíblia Sagrada.

Agora, se alguém acha que existe tal necessidade, precisa ler um pouco mais. Ou, simplesmente, não é um homem de Deus e, portanto, não vê a Palavra que nos foi entregue como a perfeita mensagem que ela é. Nos dois casos a única solução é que esta pessoa seja ensinada, repreendida, corrigida e instruída... pela Bíblia.

autor: Josaías Cardoso Ribeiro Júnior
Fonte: [ http://www.monergismo.com ]
Via: [ Amigos do Puritanismo ]

sábado, 28 de agosto de 2010

Os pais apologéticos orientais (gregos) e ocidentais (latinos)












Por: Djalma Oliveira

No II e início do III século a Igreja cresceu tanto que chama a atenção dos pensadores pagãos que começam a atacá-la. Surgem dentro da própria Igreja elementos treinados em filosofia que conseguem responder a estes ataques e apresentar uma declaração positiva do que a Igreja é e o que ensina. Estes autores mostram um conhecimento de cultura e dialética que faltava aos pais apostólicos. Assim os primeiros apologistas procuravam defender o direito do cristão existir como cristão. Este intelectuais procuram defender o cristianismo contra 4 acusações básicas: Ateísmo, foram acusados de ateísmo por não adorar os deuses pagãos, coisa que os politeístas não podiam compreender. Paixão lasciva e incestuosa: suas reuniões nocturnas e secretas foram interpretadas como para dar oportunidade à carne. Canibalismo: ou malícia ou mal-entendido quanto ao comer o corpo e beber o sangue do Senhor. Ignorância: os mestres cristãos eram incultos.

Ao invés de aceitar que o cristianismo seja uma religião nova, os apologistas baseiam sua antiguidade sobre o próprio AT. O cristianismo é apresentado como sendo o cumprimento das profecias mosaicas. Como Filo, eles procuram mostrar que Socrátes e Platão tomaram suas idéias do Deus de Moisés. Para os apologistas Cristo veio para cumprir as profecias do AT. Eles põem grande ênfases sobre a profecia como a principal evidência da verdade do cristianismo. Ao mesmo tempo a pureza da vida e dos ensinos de Jesus, bem como o poder transformador do cristianismo são constantemente destacados.

As primeiras Apologias (Apologistas gregos)

Aristides

Eloquente filósofo em Atenas, dirigiu sua apologia ao imperador Adriano (antes de 138). Faz uma pequena introdução quanto à natureza de Deus (primeiro motor) e do mundo. Divide a humanidade entre bárbaros, gregos, judeus e cristãos. Mostra que os primeiros três, partiram da religião da reta razão. Só os cristãos acharam a verdade. Distinguem-se como povo que participa da divindade e pelo amor uns pelos outros. O mundo será julgado por Jesus.

Flávio Justino

Foi o mais importante destes do II século. Filósofo por vocação, foi o primeiro dos pais que pode ser chamado de "teólogo". Tentou mostrar que o cristianismo é a verdadeira filosofia. Foi martirizado em Roma em 166. Seu Diálogo com Trifon discute as relações entre o AT e o NT (em seus 142 capítulos). É uma vindicaçào do cristianismo a partir de Moisés e os profetas contra as objeções dos judeus. Nas 2 apologias: a primeira (com 68 capítulos) argumenta que é razoável abandonar as tradições que são más e seguir a verdade. Daí passa a fazer uma exposição da relação dos cristãos ao império e contrastar seus bons costumes com os maus dos pagãos.. A segunda (com 25 caps.) continua o argumento, dando atenção especial as relações entre o cristianismo e a filosofia pagã. Justino forma a transição entre os pais apostólicos e os patrísticos propriamente dito.

Taciano

Vindo do oriente (talvez da Assíria), converteu-se em Roma sob a influência de Justino. Posteriormente fundo uma escola herética na Síria. Escreveu um Discurso aos Gregos e o Diatesseron, este último sendo uma harmonia dos 4 evangelhos. O Discurso... é uma ataque à civilização e a religião helênica em que Taciano expõe o cristianismo.

Atenágoras

Contemporâneo de Taciano, deixou 2 escritos: Súplica a Favor dos Cristãos e Sobre a Ressurreição dos Mortos. A súplica, escrito em 177, procura rebater as acusações principais ao cristianismo: ateísmo, incesto e antropofagismo. A Ressurreição... procura mostrar que a ressurreição é necessária para ter uma ideia adequada de Deus e da natureza humana.

Teofilo

Bispo de Antioquia. Escreveu Três Livros a Autólico (180) para mostra a este seu amigo a verdade do cristianismo. O primeiro trata de Deus, o segundo contrasta os poetas e o AT., e o terceiro mostra a excelência moral do cristianismo.

Clemente (150-220)

Escreveu o Protreptikos, onde exorta o leitor a abandonar seus costumes pagãos e tomar o caminho da salvação. Seus 12 capítulos atacam os erros pagãos sem negar os valores da cultura helenista. O Pedagogo é uma obra que se propõe guiar o crente na conduta cristã. O Stromateis, é uma série de apontamentos onde expõe o mais profundo do pensamento de Clemente. Procura desenvolver a relação entre a filosofia e a teologia. A filosofia foi dada aos gregos com o mesmo intúito da lei aos judeus: ser um aio a Cristo.

Orígenes (185-253)

A obra literária foi imensa, embora a grande parte foi perdida. Há 800 títulos conhecidos das suas obras. Contra Celso, é uma obra apologética, foi escrito para refutar, argumento por argumento, um livro deste filósofo pagão contra os cristãos. Embora Orígenes cria firmemente na inspiração da Bíblia sua interpretação foi "espiritual"e não ao pé-da-letra. Falou que qualquer texto bíblico tem 3 sentidos: um literal ou corporal, um moral ou psíquico e um intelectual ou espiritual. Este último pode ser alegórico ou tipológico.

2.Os Apologéticos Latinos

Irineu

Nasceu entre 130-135. Foi discípulo de Policarpo. Foi muito estudioso. Citou quase todos os clássicos gregos, conhecia bem tanto o AT, e o NT, citou quase todos os escritores cristãos de que temos conhecimento e conhecia bem a literatura herética de seu tempo e dos tempos anteriores. Homem piedoso e zeloso pela fé, foi missionário na região de Leão. Quando Potino, o pastor da igreja de Leão, foi martirizado em 177, Ireneu aceitou este posto perigoso. No período de seu pastorado a perseguição diminuiu sensivelmente. No seu lugar surgiu uma expansão rápida do gnosticismo e outras heresias. Irineu escreveu seus cinco livros Contra Heresias (Adv.Haer.) em torno de 185. Nestes 5 livros Adv. Haer. (Contra as Heresias) temos: no primeiro livro dá um relato histórico das seitas gnósticas e apresenta como contrapeso a declaração de fé da Igreja Católica, talvez a primeira em forma de proposições. No segundo livro, é uma ataque filosófico as doutrinas gnósticas. Rejeita a espiritualização do texto sagrado. O terceiro livro procurou refutar o gnosticismo apartir das Escrituras. O quarto livro, apartir das palavras de Cristo; e o quinto, procurou vindicar a doutrina da ressurreição. No último manteve a vera humanidade e a vera divindade de Cristo, para depois demonstrar que o corpo é passível de salvação. Também escreveu : Exposição da pregação Apostólica. Tem caráter catequético, edificatório e indiretamente polêmico. A primeira parte é teológica (monarquia, trindade, batismo); a segunda cristológica (Jesus, o Senhor, o Filho de Davi, o esplendor da cruz, o reino de Deus). Irineu, concebeu a Igreja como uma unidade orgânica transmitida através duma sucessão de presbíteros. Deus ênfase à liberdade e autonomia de cada igreja como princípio básico da constituição eclesiástica.

Hipólito

Escritor grego em Roma em princípios do III século. Possivelmente discípulo de Ireneu, foi homem ambicioso e rigorista. Escreveu sua Refutação de Todas as Heresias, em 222. Consiste de 10 livros. A primeira parte (I-IV) procura mostrar que os hereges haviam tomado sua doutrina da ciência dos pagãos e não da revelação cristã. A segunda parte (V-IX) contêm uma exposição de 33 sistemas gnósticos.

Tertuliano

Natural de Cartago, foi educado em direito romano e retórica. Alcançou iminência antes de se converter. Estudou grego e escreveu umas obras nesta língua. Foi grandemente influenciado pelo estoicismo posterior. A influência do direito romano e da filosofia estóica são claramente visíveis nos seus escritos. Seus escritos latinos são volumosos e hábeis. Deitaram os alicerces para a teologia latina, inclusive a toda a terminologia teológica. Os seus livros podem ser divididos em: Apologéticos: (Contra Naçòes, Apologeticum, Adv. Judaeos); Dogmáticos e Polêmicos (De Praescriptions Haereticorum, Adv. Marcionem, De Carnis Ressurretione, De Baptismo, De Anima) e Ascético e Prático (17 livros)

Cipriano (200-258)

Foi um brilhante professor de retórica antes de sua conversão. Pouco depois da sua conversão se tornou bispo da igreja de Cartago em 248. Seu episcopado durou 9 anos. O ataque de Décio em meados do III século foi dirigido especialmente aos líderes das igrejas. Sendo assim Cipriano fugiu e se escondeu para não deixar a igreja de Cartago acéfala. Este ato foi muito criticado e, por uns, foi considerado apostasia. Escreveu dois livros para tornar conhecida sua posição quanto à eclesiologia e o tratamento dos "caídos" (lapsi): Dos caídos e o outro Da unidade da Igreja. Na questão dos lapsi, tomou uma posição medianeira: mais rigoroso do que Roma, mas não tanto quanto os novacianos. Realizou um concílio em 255 que tomou uma posição mais rigorosa quanto à validade do batismo herético. Foi Cipriano que mais fez nesse período para o desenvolvimento de pontos de vista e princípios hierárquicos. Estabelece distinção nítida entre bispos e presbíteros, bem como a supremacia da igreja de Roma como cátedra de Pedro e centro de unidade da Igreja Universal. Para Cipriano a Igreja é a arca (como a de Noé) da salvação. Ele cunho a frase: "fora da Igreja não há salvação". Acrescentou outra: "quem não tem a Igreja por mãe, não pode ter Deus por Pai". Para ele a unidade da igreja está no episcopado sobre o qual ela é constituida.

Recomendamos a leitura: Gonzáles, J. A Era dos Mártires. p.79-132; Cairns Earle; O Cristianismo Através dos Séculos, p.85-98

Fonte: [ Presbiterianos Calvinistas ]
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Como pregar o evangelho

Por: Martyn Lloyd Jones

A apresentação do evangelho é assunto sempre importante, pelas consequências eternas que dependem da nossa atitude para com o evangelho. Para mim não há necessidade de argumentar que é especialmente importante nos dias atuais por duas razões: a apostasia geral, o fracasso da parte das igrejas em não apresentarem o evangelho de Jesus do modo como deveria ser apresentado; e a consequente impiedade e o consumado materialismo que crescentemente, caracterizam a vida do povo. Também é um assunto de urgente importância, em face da natureza dos tempos pelos quais estamos passando. A vida é sempre incerta, mas é excepcionalmente incerta hoje. (…)

Que privilégio maravilhoso o Senhor Deus Todo-poderoso confiar a homens como nós esta obra de propagar e pregar o evangelho! Ao mesmo tempo é uma responsabilidade tremenda. (…)

Este assunto é tão amplo e importante que, obviamente, é impossível tratar dele adequadamente numa só preleção. Tudo o que posso fazer é selecionar o que considero como alguns dos mais importantes princípios relacionados com ele; procurarei ser tão prático quanto poder. (…)

Agora se me fosse pedido falar sobre este assunto em certos círculos, meu primeiro trabalho seria tentar definir a natureza do evangelho, e eu iria adiante e perguntaria: o que é o evangelho? Em muitos círculos as pessoas se extraviaram; caíram em heresias; pregam um evangelho que, para nós, não é evangelho nenhum. Pode ser que alguns de vocês perguntem: “Será necessário gastar tanto tempo no estudo da apresentação do evangelho? Não seria uma coisa que podemos considerar ponto pacífico? Se o homem crê no evangelho, ele está incumbido de apresentá-lo do jeito certo. Se um homem é ortodoxo e crê nas coisas certas, a sua aplicação do que ele crê é algo que cuidará de si mesmo”. Isso, para mim é um erro muito grave; e quem quer que seja tentado a falar assim, não somente ignora a sua própria fraqueza, porém, ainda mais, ignora o adversário das nossa almas, que está sempre tentando frustrar a obra de Deus.

(…) Tomo como prova dois exemplos: Há, por exemplo, homens que parecem evangélicos em sua crença e doutrina; são perfeitamente ortodoxos em sua fé e, todavia, a obra que realizam é completamente infrutífera. Jamais conseguem quaisquer resultados; nunca ficam sabendo de algum convertido resultante do seu trabalho e do seu ministério. Eles são tão firmes quanto você, entretanto o ministério deles não leva a nada. Por outro lado – e esta é a minha Segunda prova – há aqueles que parecem conseguir resultados fenomenais do seu trabalho e dos seus esforços. Empreendem uma campanha, ou pregam um sermão e, como resultado, há numerosas decisões por Cristo, ou o que eles chamam de “conversões”. Contudo, muitos desses resultados não duram; não são permanentes; são apenas de natureza temporária ou passageira. Qual a explicação desses dois casos? (…) Há uma lacuna entre o que o homem crê e o que ele apresenta em seu ensino ou pregação. O perigo quanto ao primeiro tipo é o de apenas falar ACERCA do evangelho, exulta nele; porém, em vez de pregar o evangelho, ele o elogia, diz coisas maravilhosas sobre ele. O tempo todo fica simplesmente falando sobre o evangelho, em vez de apresentar o evangelho. O resultado é que, embora o homem seja altamente ortodoxo e firme, o seu ministério não mostra resultado nenhum.

O perigo quanto ao segundo homem é o de interessar-se tanto e preocupar-se tanto pela aplicação do evangelho e pela obtenção de resultados, que deixa abrir-se uma brecha entre o que ele está apresentando (aquilo que ele crê) e a concreta obtenção dos resultados propriamente dito. Como eu disse, não basta você crer na verdade; você deve ter o cuidado de aplicar da maneira certa o que você crê.

Métodos de Estudo

Há dois meios principais pelos quais podemos estudar este assunto da apresentação do evangelho. O primeiro é estudar a Bíblia mesma, com especial referência a Atos dos apóstolos e às Epístolas do Novo Testamento. Isso deve ser posto em primeiro lugar, se queremos saber como se faz este trabalho. Devemos retornar ao nosso livro-texto, a Bíblia. Devemos retornar ao modelo primitivo, à norma, ao padrão. Em Atos, e nas Epístolas é-nos dito, uma vez por todas, o que é a Igreja Cristã e como é, e como se deve realizar a sua obra. Devemos sempre certificar-nos de que os nosso métodos estão em harmonia com o ensino do Novo Testamento.

O segundo método é suplementar; é fazer um estudo da história da Igreja Cristã subsequente aos tempos do Novo Testamento. Podemos concentrar-nos especialmente na história dos avivamentos e dos grandes despertamentos espirituais; e também podemos ler biografias dos homens que no passado foram grandemente honrados por Deus em sua apresentação do evangelho. Mas devemos notar aqui um princípio da maior importância. Quando digo que é bom fazer um retrospecto e ler a história do passado e as biografias de grandes homens que Deus usou no passado, espero que esteja claro em nossas mentes que precisamos retornar para além dos últimos 100 anos. Vejo muitos bons evangélicos que parecem ser de opinião que não houve nenhum real labor evangelístico até por volta de 1870. Há os que parecem pensar que não se conheceu obra evangelística antes do surgimento de Moody. Conquanto demos graças a Deus pela gloriosa obra realizada nos últimos 100 anos, eu os conclamo a fazerem um estudo completo da história pretérita da Igreja. Vão até o século dezoito. Vão até o tempo dos puritanos, e para mais atrás ainda, à Reforma Protestante. Retrocedam mais ainda, e estudem a história daqueles grupos de evangélicos que viveram no continente europeu na época em que o catolicismo romano detinha o poder supremo. Vão direto aos Pais Primitivos que defendiam idéias evangélicas. É uma história que pode ser rastreada ininterruptamente até a própria Igreja Primitiva. Esse estudo é de importância vital, para que não venhamos a supor, em função de uma falsa visão da história, que a obra evangelística só pode ser feita de uma certa maneira e com a aplicação e o uso de certos métodos.

Eu gostaria de recomendar a vocês um bem completo estudo daquele teólogo americano, Jonathan Edwards. Foi uma grande revelação para mim, descobrir que um homem que pregava como ele podia ser honrado por Deus como o foi, e Ter tão grandes resultados para o seu ministério como teve. Ele era um grande erudito e filósofo, que redigia cada palavra dos seus sermões. Tinha vista fraca, e costumava ficar no púlpito com o seu manuscrito numa das mãos e uma vela na outra e, conforme lia o seu sermão, homens não somente foram convertidos, mas alguns deles literalmente caíam no chão sob a convicção de pecado sob o poder do Espírito. Quando pensamos na obra evangelística em termos de evangelização popular dos 100 anos recém-passados, acho que poderíamos ser tentados a dizer que um homem que pregasse daquela maneira não teria a menor possibilidade de obter conversões . todavia, ele foi um homem usado por Deus no Grande Despertamento ocorrido no século 18. Assim, eu os concito a se entregarem completamente ao estudo da história da Igreja e das coisas grandiosas que Deus fez em várias eras e períodos. Aí estão, pois, as duas linhas mestras que seguiremos na abordagem deste assunto – o estudo da Bíblia e um estudo da Igreja Cristã.

Os Princípios Fundamentais

O objetivo supremo desta obra é glorificar a Deus. Esse é o ponto central. Esse ;é o objetivo que deve dominar e sobrepujar todos os demais. O primeiro objetivo da pregação do evangelho não é salvar almas; É GLORIFICAR A DEUS. Não se tolerará que nenhuma outra coisa, por melhor que seja nem por mais nobre, usurpe esse primeiro lugar.

O único poder que realmente pode realizar esta obra é o Espírito Santo. Quaisquer que sejam os dons naturais que um homem possua , o que quer que um homem seja capaz de fazer como resultado das suas propensões naturais, o trabalho de apresentar o evangelho e de levar àquele supremo objetivo de glorificar a Deus na salvação dos homem, é um trabalho que só pode ser feito pelo Espírito Santo. Vocês vêem isso no próprio Novo Testamento. Sem o Espírito, é-nos dito, não podemos fazer nada. (Desde os tempos bíblicos até a história da igreja nos mostra que somente através da obra do Espírito Santo é que o evangelho foi pregado com poder e autoridade).

O único e exclusivo meio pela qual o Espírito Santo opera é a Palavra de Deus
. Isso é algo que se pode provar facilmente. Vejam o sermão que foi pregado por Pedro no dia de Pentecoste. O que ele fez realmente foi expor as Escrituras. Ele não se levantou para relatar as suas experiências pessoais. Ele deu a conhecer as Escrituras; esse foi sempre o seu método. E esse é também o método característico de Paulo, como se vê em Atos 17:2: “disputou com eles sobre as Escrituras”. No trato com o carcereiro de Filipos, vocês vêem que ele pregou-lhe Jesus Cristo e a Palavra do Senhor. Vocês recordarão as suas palavras na Primeira Epístola a Timóteo, onde ele diz que a vontade de Deus ;e que todos os homem sejam salvos e sejam levados ao conhecimento da verdade (1 Tm.2:4). O meio usado pelo Espírito Santo é a verdade.

A verdadeira motivação para a evangelização deve provir da apreensão destes princípios. E, portanto, de um zelo pela honra e glória de Deus e de um amor pelas almas dos homens.

Há um constante perigo de erro e de =heresia, mesmo entre os mais sinceros, e também o perigo de um falso zelo e do emprego de métodos antibíblicos. Não há nada sobre o que somos exortados mais vezes no Novo Testamento do que sobre a necessidade de constante auto-exame e de retorno às Escrituras.

Aí, penso eu, vocês têm cinco princípios fundamentais claramente ensinados na Palavra de Deus e confirmados profusamente na subsequente história da Igreja Cristã.

A Aplicação dos Princípios

Isto me leva à Segunda divisão principal do nosso assunto, que é a aplicação desses princípios à obra concreta da apresentação do evangelho. Este é um assunto que se divide naturalmente em duas partes principais. Há primeiro a obra de evangelização, e depois a obra de edificação e instrução na justiça.

A Evangelização e os Seus Perigos

O primeiro é o de exaltar a decisão como tal, e este é um perigo especialmente quando vocês estão trabalhando com jovens (…). Mostra-se às vezes no uso da música. (…) Fiam-se na música e no cântico de coros para produzirem o efeito desejado e de ocasionarem decisão. (…) Há os que tem o Dom de contar histórias de maneira comovente e eficaz. Outros parecem por a sua confiança no encanto pessoal do orador.(…)

O segundo perigo é que as pessoas podem chegar a uma decisão resultante de um falso motivo. Às vezes as pessoas se decidem por Cristo simplesmente porque estão desejosas de ter a experiência que outros tiveram (…) Ou pode ser o desejo de Ter este maravilhoso tipo de vida do qual lhe falaram. O evangelho de Jesus Cristo dá-nos uma vida da maravilhosa, e louvamos a Deus por isso, mas a verdadeira razão para nos tornarmos cristãos não é que tenhamos uma vida maravilhosa; é, antes, que estejamos em correta relação com Deus. Às vezes Cristo é apresentado como herói. (…) poderá ser que (…) se unam a nossa classe bíblica ou à nossa Igreja simplesmente porque a mensagem atraiu o seu instinto heróico. (…)

E, a seguir, o último perigo que desejo acentuar sob o presente título, é a terrível falácia de apresentar o evangelho em termos de “Cristo precisa de você”, e de dar a impressão de que, se o rapaz não se decide por Cristo, é um mal sujeito. (…)

Devemos apresentar a verdade; esta terá que ser uma exposição positiva do ensino da Palavra de Deus. Primeiro e acima de tudo, devemos mostrar aos homens a condição em que se acham por natureza, à vista de Deus. Devemos levá-los a ver que, independentemente do que façamos e do que tenhamos feito, todos nós nascemos com “filhos da ira”; nascemos num estado de condenação, culpados aos olhos de Deus; fomos concebidos em pecado e fomos formados em iniquidade. Isso vem em primeiro lugar.

Feito isso, devemos prosseguir e demonstrar a enormidade do pecado. Não significa apenas que devemos mostrar a iniquidade de certos pecados. Não há nada que seja tão vital como a distinção entre pecado e pecados. (…) Depois devemos conclamar os nossos ouvintes a confessarem e a reconhecerem os seus pecados diante de Deus e dos homens. E então devemos ir adiante e apresentar a gloriosa e estupenda oferta de salvação gratuita , que se acha unicamente em Jesus Cristo, e Este crucificado. A única decisão, que é do mais diminuto valor, é a que se baseia na compreensão dessa verdade. Podemos fazer os homens se decidirem como resultado dos nossos cânticos, como resultado do encanto da nossa personalidade, mas o nosso dever não conseguir seguidores pessoais. O nosso dever não é simplesmente aumentar o tamanho das nossas classes de estudo da Bíblia ou das organizações e igrejas. O nosso dever é reconciliar almas com Deus. Repito que não há nenhum valor numa decisão que não esteja baseada na aceitação da verdade.

A Edificação

A minha Segunda subdivisão relacionada com a apresentação do evangelho é a obra de edificação. Este é um grande tema, e tudo o que eu posso fazer é simplesmente lançar certos princípios. Em nenhuma oura parte o perigo de um falso método é mais real do que esta particular questão de edificação, como o que me refiro ao ensino concernente à santificação e à santidade. Não se pode ler o Novo Testamento sem perceber logo Que a Igreja Primitiva reagia contra problemas, perigos e heresias incipientes que a assediavam. Havia os que diziam, por exemplo: “Continuemos no pecado para que a graça seja mais abundante”. Havia os que diziam que, contanto que você fosse cristão, não importava o que você tinha feito, que, contanto que você estivesse certo em suas crenças, o seu corpo não importava e você podia pecar o quanto quisesse. Isto é conhecido como antinomianismo. Havia os que se diziam sem pecados. Havia os que partiam em busca de “conhecimento”, que alegavam Ter alguma experiência esotérica especial que os outros , cristãos inferiores, ignoravam. (…)

Se posso fazer um sumário de todos esses perigos, é o perigo de isolar um texto ou uma idéia e construir um sistema em torno dele, em vez de comparar Escritura com Escritura. Isso é procurar atalho no mundo espiritual. As pessoas tentam chegar à santificação com um só movimento, e assim se privam do processo descrito no Novo Testamento. A maneira de evitar esse perigo é estudar o Novo Testamento, especialmente as Epístolas. Devemos ter o cuidado de não tomar um incidente dos Evangelhos e tecer uma teoria em torno dele(…) Devemos compreender que o nosso padrão nesta questão particular(santidade/santificação) acha-se nas Epístolas.(…)

Conclusão

Permitam-me resumir tudo o que eu venho tentando dizer, da maneira seguinte: se vocês quiserem ser competentes ministros do evangelho, se quiserem apresentar a verdade de modo certo e verdadeiro, terão que ser estudantes assíduos da Palavra de Deus, terão de lê-la sem cessar. Terão que ler todos os bons livros que os ajudem a entendê-la e os melhores comentários da Bíblia que puderem encontrar. Terão que ler o que denomino teologia bíblica, a explicação das grandes doutrinas do Novo Testamento, para que venham a entendê-las cada vez mais claramente e, daí, sejam capazes de apresentá-las com clareza cada vez maior aos que venham ouvi-los. A obra do ministério não consiste meramente em oferecer a nossa experiência pessoal, ou em falar das nossa vidas ou das vidas de outros, mas sim, em apresentar a verdade de Deus de maneira tão simples e clara quanto possível. E o jeito de fazer isso é estudar a Palavra e toda e qualquer coisa que nos ajude nessa tarefa suprema.

Talvez vocês me perguntem: quem é suficiente para estas coisas? Temos outras coisas que fazer; somos homens ocupados. Como poderemos fazer o que você nos pede que façamos? Minha resposta é que nenhum de nós é suficiente para estas coisas, todavia Deus pode capacitar-nos para fazê-las, se de fato estamos desejosos de servi-lO. Não me impressionam muito esses grandes argumentos de que vocês são homens ocupados, de que vocês têm que fazer muitas coisas no mundo e, por isso, não têm tempo de ler estes livros sobre a Bíblia e de estudar teologia, e por esta boa razão: alguns dos melhores teólogos que conheci, alguns dos mais santos, alguns dos homens mais culto, tiveram que trabalhar mais duro que qualquer de vocês e, ao mesmo tempo, foram-lhes negadas as vantagens que vocês gozam. “Querer é poder”. Se eu e vocês estivermos preocupados com as almas perdidas, jamais deveremos alegar que não temos tempo para preparar-nos para este grande ministério; temos que fabricar tempo. Temos que aparelhar-nos para a tarefa, consciente da séria e Terrível responsabilidade da obra. Temos que estudar, trabalhar, suar e orar para podermos conhecer a verdade cada vez mais e cada vez mais perfeitamente. Temos que pôr em prática em nossas vidas as palavras que se acham em 1 Tm.4:12-16. Conceda-nos Deus a graça e o poder para fazê-lo, para a honra e a glória do Seu santo nome.

Fonte: [ Liga Calvinista ]

Sobre a idolatria evangelica




















O evangélico é idólatra! Tenho ministrado em alguns grandes congressos e o nível de idolatria assusta. Basta o cantor (ou pregador) ser famoso e pronto, está deflagrado o processo idólatra. Olhinhos brilhando, tietagem, lágrimas, milhares de fotos, celulares brotando do chão, em alguns lugares gritos eufóricos tiram Cristo do foco e assassinam o sagrado.

A mentalidade evangélica do show não é mais novidade - e a idolatria também não - tanto que já não choca, não "escandaliza" ninguém. Já não se respeita o lugar do culto, a ambiência do sagrado, o momento da adoração. O que importa é tirar fotos com o ídolo, abraçar, chorar, entronizar o novo deus do instante.

Os chamados "artistas gospel" adoram isso tudo! Basta ver em seus rostos a expressão de êxtase por estarem na mira dos holofotes. Notei o modus operandi desses deuses de hoje: as mesmas técnicas dos "artistas" seculares em seus shows: "Joga a mão pra cima!" Enquanto o "culto" se desenrola em sua forçada normalidade, o povo tenta esconder sua alarmante ansiedade pelo show, até que chega o momento esperado: "com vocês: o nosso deus!" E o povo... abraça a idolatria em sua mais nefasta expressão - a substituição do Deus verdadeiro pela cópia bizarra do momento.

Eugene Peterson escreveu: "Gostamos dos ídolos porque gostamos secretamente da ilusão de controlá-los. São deuses destituídos de divindade para que nós possamos continuar a ser deuses de nós mesmos. A adoração de ídolos (em todas as dimensões: céu, terra, embaixo da terra) sempre foi o jogo religioso predileto. A adoração de ídolos é o vazio batizado de espiritualidade" Dt. 5. 8-10.

Não preciso lembrar que a idolatria é um pecado que fere profundamente o coração de Deus, preciso? O grande problema na adoração aos ídolos é a inversão teológica que é feita. Passa-se a adorar o objeto criado ao invés do Criador de todas as coisas (Rm. 1.19-23). Alguns estudiosos trabalham com a ideia de que o deus de uma pessoa é aquilo a que ela dedica seu tempo, seus bens e seus talentos; aquilo a que ela se entrega. A ideia teológica dessa linha de pensamento é a de que sempre que alguém, ou algum objeto, ou até mesmo alguma função ocupa o lugar central em nosso coração, mente e intenção, torna-se um ídolo, porque tomou o lugar que pertence a Deus (Mt. 22.37).

Não há problema em gostar do trabalho de alguém, ou mesmo tirar uma foto com ele(a), mas a questão é: dentro do templo? No ambiente do culto? Qual é a intenção em celebrar tão desesperadamente alguém? Em matéria de idolatria, todo cuidado é pouco.

A W Tozer disse: "Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão".

Até mais...

Autor: Alan Brizotti
Fonte: [ Blog do autor ]

As heresias do Cristianismo Judaizante

Por Renato Vargens

Uma das mais novas crenças dos denominados evangélicos é o cristianismo judaizante. Na verdade, este movimento religioso e herético é a nova febre da atualidade. Isto porque, alguns dos evangélicos têm introduzido praticas vetero-testamentárias nos cultos e liturgias de suas igrejas. Na verdade, tais pessoas têm declarado que o resgate dos valores judaicos é uma revelação de Deus a igreja contemporânea, cujo slogan é “Sair de Roma e voltar para Jerusalém”

Estes modernos fariseus têm disseminado praticas como:

  • Tocar de costas para a congregação, por considerar os ministros de musica “levitas de Deus”.
  • Usar o Shofar, para liberar unção ou invocar a presença divina.
  • Guardar o sábado fezendo dele o dia do Senhor.
  • Observar TODAS as festas Judaicas.
  • Usar o Kipá e o Talit, que são as vestimentas que os judeus praticantes usam para ir a sinagoga.
  • Usar excessivamente símbolos judaicos tais como, a bandeira de Israel, o Menorah ou a Estrela de Davi dentre tantos outros mais.
  • Construir protótipos da Arca da Aliança a fim de simbolizar entre os cristãos a presença de Deus.
  • Mudar os nomes e as nomenclauras bíblicas judaizando tudo, a ponto de chamar Paulo de Rabino.
Caro leitor, não existem pressupostos bíblicos para que a igreja de Cristo, queira “recosturar” o véu do templo. Entretanto, alguns dos crentes atuais teimam em transformar em realidade aquilo que deveria ser uma simples sombra. Foi o Apostolo Paulo quem afirmou: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, encontra-se em Cristo", Colossences 2.16-17.

As leis cerimoniais judaicas, os ritos sacrificiais, as festas anuais, foram abolidas definitivamente por Cristo na cruz do calvário(o significado de cada uma delas se cumpriu em nosso Senhor). Por esse motivo, mesmo os judeus que se convertem hoje ao cristianismo estão dispensados das leis cerimoniais judaicas. É por esta razão que crentes em Jesus, não fazem sacrifícios de animais, não guardam o sábado, não celebram as festas judaicas, não se prostram diante a Arca da Aliança e nem tampouco fazem uso do shofar.

Nossa mensagem, vida e testemunho deve ser Cristo, o Evangelho pregado deve ser o evangelho de Cristo, nossa mensagem central deve ser para a gloria e o engrandecimento do nome de Cristo.

Soli Deo gloria!

Fonte: [ Blog do autor ]