Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

domingo, 12 de abril de 2015

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Por Thiago Azevedo


“O melhor de Deus ainda está por vir” é só mais uma frase que adentra no âmbito do evangelho brasileiro por meio de uma canção. Na maioria das vezes a situação se repete. Sabemos que a música possui uma característica diferencial no que diz respeito à fixação de um conteúdo na mente, além de ser um excelente recurso pedagógico. Mas, isso tem seu lado negativo, pois uma frase cantada pode muito bem trazer uma inverdade e esta inverdade ser tão propagada, exposta e divulgada que passa a ser uma verdade na mente das pessoas. Além do mais, tais pessoas passam a defender esta inverdade de forma bélica, e ai de quem questioná-los. 

Talvez algum crítico pós-moderno leia este texto e deduza que há uma pretensão demasiada nas seguintes afirmações: inverdade e verdade. O que deve ser levado em consideração às palavras mencionadas anteriormente é o escopo literário que se encontra na Bíblia sagrada, esta é a regra de fé e prática de todo cristão, ou ao menos deveria ser. Neste escopo há diversas informações de que a verdade existe. Mas não só isso, a verdade se fez carne e esteve entre nós (João 1:14 / 14:6). 

É justamente o fato de esta verdade existir, e de Deus ter nos concedido o conhecimento da mesma, que nos leva a refletir sobre a frase inicial deste texto, a saber: “O melhor de Deus ainda está por vir”. Algumas perguntas precisam ser feitas, são elas: Existe algo na atualidade que Deus possa fazer que seja mais importante do que a morte de Cristo na cruz do calvário? Qual benção que alguém possa receber na atualidade é mais importante do que o sacrifício de Cristo? As respostas, de acordo com o escopo bíblico, são as seguintes: não há nada mais importante que o sacrifício de Cristo na cruz e não há nenhuma benção que possa superar a importância de tal ato. Por maior que seja uma benção que alguém recebeu, por maior que seja o feito divino na vida de alguém, nada disso supera em importância o sacrifício de Cristo na cruz do calvário. Logo, o melhor de Deus não está por vir, mas já veio há muito tempo. 

Algumas pessoas, aquelas que passam a defender uma inverdade como uma verdade, tentam justificar suas errôneas conclusões com as seguintes alegações: “O melhor de Deus será quando todos estivermos no céu”! Perceba que este é um típico caso de alguém que, além de não conhecer a Bíblia, se deixa levar sempre pelo argumento da força e não pela força do argumento. Pergunto: Se cristo não tivesse morrido, se não fosse seu suficiente sacrifício, seria possível habitar no céu um dia? A resposta é não. Logo, a morte de Cristo foi e é o melhor de Deus para seu povo. 

Portanto, com a morte de Cristo é que fomos lavados e comprados com o seu sangue, isso nos dará a credencial de adentrarmos no céu e desfrutarmos de uma eternidade numa perene paz. É pela morte de Cristo que temos condições de lutar contra o pecado, e se não fosse isso não teríamos chance alguma, e muito menos esperanças. 

O melhor de Deus na sua vida e na minha vida não está por vir, mas já veio, chama-se Jesus Cristo!!!

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Divulgação: Bereianos
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Por Thiago Oliveira


Não me recordo do que era a propaganda, só sei que dizia: “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas”. Vi, numa fonte não muito confiável, que essa frase usada numa obra publicitária era do Albert Einstein. É uma boa frase e faz sentido. Todavia, se a isolarmos, podemos concluir erroneamente que as respostas não são importantes. E elas são. Toda interrogação que se levanta anseia por uma exclamação. Logicamente, nem sempre as encontrará, mas está em busca. Afinal, quem estaria disposto a dar uma vida por uma interrogação sabendo que nunca encontraria uma resposta? A humanidade anseia por respostas, e elas têm valor semelhante ao das perguntas.

Esse texto surge para contrapor uma ideia que vem sendo propagada na teologia e, através da internet, ganha adeptos nas fileiras das igrejas. Nomes como os de Caio Fábio e Ricardo Gondim[1] ventilam a ideia de que questionar é bem mais válido do que afirmar. Para esses e outros nomes da “teologia do livre pensamento”, termos ou expressões, tais como: soberania divina, inerrância bíblica, ortodoxia, apologética, dogmática e etc., não fazem mais sentido e poderiam até mesmo ser abolidos, pois – como afirmam – não é possível limitar Deus dentro de um sistema teológico. Há uma frase que gostam muito de usar: “Deus não cabe dentro de uma caixa”. Mas, será esse o xis da questão?

Antes de abordar o assunto da caixa, gostaria de voltar ao assunto Interrogação X Exclamação. Pois, precisamos desmistificar a superioridade das perguntas em detrimento das respostas. Rubem Alves, falecido recentemente, homem que largou o ministério (era pastor presbiteriano) e costumava vilipendiar a fé protestante, é um dos maiores nomes dessa teologia que despreza proposições. Para ele, os teólogos são como um galo que se vangloriava por achar que o sol dependia do seu canto para nascer. Alves gostava de fazer uso de analogia com aves. Costumava dizer que não era preso em gaiolas douradas[2], e por isso, decidiu voar mais alto, por cima dos dogmas e da religião institucionalizada. Muitos de seus admiradores querem voar também, e para isso, livram-se de todo corpo doutrinário que se baseia em sentenças afirmativas.

Mas, o Evangelho embora tenha muito espaço para o questionamento e, seja tolerante para com as dúvidas (Jd 22 diz: tenham compaixão daqueles que duvidam), é uma mensagem que reclama para si o exclusivismo da verdade. E se existe apenas uma verdade, logo todo o restante é mentira. Se o Evangelho é verdadeiro, e só ele o é, logo, todos os demais credos são enganosos, por mais que os seus adeptos sejam sinceros em sua maneira de crer, eles estão crendo numa inverdade. Se isso nos incomoda no cristianismo, deve nos incomodar o fato de Cristo ter feito diversas afirmações dogmáticas acerca do céu e do inferno. Toda vez que Jesus dizia, o “Reino dos Céus é semelhante a...” e toda vez que ele referiu-se a si mesmo como o “Eu sou”, estava sendo dogmático e dando respostas aos questionamentos de seus discípulos e/ou seus adversários.[3] De igual modo, os apóstolos, como podemos ver nas epístolas que compõem o Novo Testamento, falam de maneira proposicional e são bem taxativos. Então, se você considera o dogma uma gaiola e quer voar não sei para onde, saiba que eu prefiro ficar numa gaiola com o ensino de Cristo e dos apóstolos do que experimentar de uma liberdade que me leva para longe de seus princípios. Pois, as suas palavras, são palavras de vida eterna (Jo 6.68).

Daí a gente retoma a questão da caixa. Como dito anteriormente, os teólogos liberais dizem que Deus não pode ser encaixotado. Mas eu gostaria de fazer outra pergunta: E se Deus decidiu se encaixotar? Absurdo! Impossível! Talvez não, e eu explico.

Há dois termos teológicos usados sobre a divindade, são eles: transcendência e imanência. O primeiro discorre sobre o caráter intangível do ser divino, que está muito aquém da nossa total compreensão. Precisamos ser honestos, não sabemos tudo acerca de Deus. Há muitas coisas que não conseguimos entender. Mas, como cristão apenas temos fé. Por exemplo: Trindade. Há diversas explicações sobre ela. Tertuliano sentenciou: “três pessoas, uma substância” de modo que Deus é único, mas Ele é três pessoas. Isso está muito além de nosso intelecto. Apenas cremos e devemos crer. O segundo termo, imanência, refere-se à forma como esse Deus transcendente se relaciona com os homens, um relacionamento revelacional. Deus se revela e intervém na história humana. Imanência é isso. E como Ele se revela?

Existe uma dupla revelação: a Geral (Natureza) e a Especial (o Filho e as Escrituras). Deus se revela através das obras de Suas mãos e através da Palavra. Esta segunda, mais específica, se deu de maneira processual. Tomemos por exemplo, o Tabernáculo e a Arca da Aliança. Neles, habitava a presença e a glória de Deus. Mas sabemos que os objetos não continham Deus. Todavia, quando a Sua glória enchia o lugar Santíssimo, não há dúvidas de que Ele estava presente naquele recinto. Deus é bem maior que o santuário e bem maior que a Arca. Mas, Ele se revelou através deles e também se fez sentir presente entre a congregação de Israel. E nessa revelação processual o ápice é o Cristo na forma humana. Ele era totalmente divino, mesmo quando um bebezinho carregado por Maria de um lado para outro. Podemos limitar a grandeza divina a um corpo de uma criança? Não! Mas, quis Deus se revelar assim ao mundo, esvaziando a si mesmo para habitar entre nós (ver Fl 2.5-11), não deixando de ser Deus. Aonde quero chegar com isso?

Quero chegar até à Bíblia e até as informações que ela nos fornece sobre o Divino. Obviamente o SENHOR é bem maior, no entanto, quis Ele deixar este conhecimento fixo, que não pode sofrer acréscimos, para que os homens tivessem noção de quem Ele é, e de tabela descobrissem também algo sobre si, ou seja, que são pecadores que se encontram sobre a Ira divina, necessitados da graça para obter o perdão de seus pecados, e consequentemente a salvação. Aprouve ao Soberano deixar-nos um livro sagrado que nos conte aquilo que precisamos saber. A Bíblia não nos fornece todas as informações sobre Deus. Mas, ela nos dá as informações que são necessárias. Se quiserem tratar as Escrituras, isto é, o seu conteúdo, como uma caixa, que seja, Deus quis se encaixotar e se encaixotou.

Para concluir, direciono esse texto a você que está deslumbrado com essa teologia das interrogações. Já diz a máxima: “sem um caminho a seguir, qualquer caminho serve”. Esta frase é dita pelo gato, da obra “Alice no País das Maravilhas”. Portanto, cuidado com esse perguntado sem fim que não leva a lugar (resposta) algum. Se você é nascido nos anos de 1980, como eu, deve lembrar-se do desenho animado “Caverna do Dragão”. Nele, as crianças perdidas num mundo paralelo queriam saber o caminho de volta para casa. O Mestre dos Magos, um guia sábio e eloquente, nunca lhes dava uma resposta direta (dogmática), e com isso, os garotos nunca encontravam a passagem de volta ao lar. Pense nisso!

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Notas:
[1] Citando apenas dois nomes nacionais e excluindo nomes norte-americanos do movimento “Igreja Emergente” tais como o Rob Bell.
[2] Esta ideia do Rubem Alves está no livro Religião e Repressão, antes chamado Protestantismo e Repressão, da Editora Loyola.                             
[3] Exemplos: Em João 14.6 é uma declaração exclusivista. Jesus é o único caminho para o Pai. E em João 3.18 a ênfase é na condenação de quem não crê nele.

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Divulgação: Bereianos
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Por George Offor (1787 - 1864)


A morte de John Bunyan ocorreu em 31 de agosto de 1688, pouco mais de 300 anos atrás [data quando o autor escreveu este texto]. Bunyan nasceu em Elstow perto de Bedford em 1628. Ele foi convertido sob a poderosa obra do Espírito de Deus em 1650. Ele foi pastor em Bedford por 16 anos, morreu em Holborn e foi sepultado em Bunhill Fields. O seguinte relato de sua morte é por George Offor, escrito em suas memórias de 1862:

O tempo se aproximava, quando, no meio de sua utilidade, e sem aviso prévio, ele estava prestes ser convocado para seu descanso eterno. Ele havia sido seriamente atacado com uma pestilência perigosa, que em anos anteriores, devastou este país, chamado de doença do suor, uma doença tão misteriosa e fatal como a cólera tem sido nos últimos tempos. A doença contou com grande prostração de força, mas, sob a gestão cuidadosa de sua esposa carinhosa, sua saúde tornou-se suficientemente restabelecida para capacitá-lo a realizar uma obra de misericórdia, a partir do cumprimento de que, como um abençoado perto de seu incessante trabalho terreno, ele estava prestes a subir para junto seu Pai e seu Deus, para ser coroado com a imortalidade. 

Um pai tinha sido gravemente ofendido pelo  filho, e ameaçou deserdá-lo. Para evitar a dupla maldade de um pai morrendo de raiva de seu filho, e a grave consequência ao filho de ser cortado de seu patrimônio, Bunyan se aventurou novamente, em seu estado fraco, pelo seu trabalho habitual, para ganhar as bênçãos do pacificador. Ele fez uma viagem a cavalo para Reading, sendo o único modo de viajar naquela época, e foi recompensado com o sucesso. Voltando para casa por meio de Londres para dar a notícia gratificante, ele foi ultrapassado pelo excesso de chuvas, e, em um estado de esgotamento, ele encontrou refúgio agradável na casa de seu amigo Christian Sr. Strudwick, e foi lá apanhado com uma febre fatal. Sua bem-amada esposa, que tão poderosamente pediu sua liberdade aos juízes, e com quem ele estava unido havia 30 anos, percorreu uma grande distância para ir até ele. De Bedford até Londres foram dois dias de viagem.

Provavelmente, no início, seus amigos tinham esperanças de sua recuperação rápida, mas quando veio o golpe, todos os seus sentimentos e os de seus amigos, parecem ter sido absorvidos pelas bênçãos antecipadas de imortalidade, a tal ponto, que nenhum registro é deixado para saber se sua esposa, ou qualquer um dos seus filhos, viu-o atravessar o rio da morte. Há testemunho abundante de sua fé e paciência, e que a presença de Deus estava eminentemente com ele.

Ele suportou seus sofrimentos com toda a paciência e coragem que se poderia esperar de um homem assim. Sua renúncia foi mais exemplar, suas expressões eram apenas "um desejo de partir, para ser dissolvido, para estar com Cristo". Seus sofrimentos foram curtos, sendo limitados a 10 dias. Ele teve um quadro de Espírito Santo, desejando que seus amigos orassem com ele, e unia-se fervorosamente com eles no exercício. Suas últimas palavras, enquanto lutava com a morte, foram:
"Não chores por mim, mas por si mesmos. Eu vou para o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sem dúvida, através da mediação de seu bendito Filho, me receberá, apesar de eu ser um pecador, onde espero que dentro em breve me  reunirá, para cantar a nova canção, e permanecer eternamente feliz, num mundo sem fim. Amém". 

Sentia-se o sólido chão sob seus pés na passagem do rio preto que não tem ponte, e seguiu a sua peregrinação rumo à cidade celestial, em agosto de 1688, no sexagésimo ano de sua idade. As circunstâncias de sua morte pacífica são bem comparadas pelo Dr. Cheever à experiência do Sr. Standfast, quando ele foi chamado para passar o rio: a grande calma, o pé firme, dirigindo-se aos espectadores, até que seu semblante mudou, o seu forte homem curvou-se debaixo dele, e suas últimas palavras foram: "Leve-me, porque eu vou para ti." Em seguida, a alegria entre os anjos enquanto eles saudaram o herói dessas lutas espirituais, e conduziu sua alma errante para a Nova Jerusalém, que ele tão bem descreveu como "a cidade santa", e, em seguida, sua admiração e espanto ao descobrir quão infinitamente sua curta descrição veio à tornar-se bem-aventurada realidade.

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Fonte: Puritans Sermons - Reproduzido com permissão da Banner of Truth - Revista Edição 299-300, agosto-setembro 1998.
Tradução: César Augustos Vargas Américo
Divulgação: Bereianos

*Leia também o excelente artigo sobre a biografia de John Bunyan: "O sofrimento em John Bunyan", altamente recomendável!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sete coisas que Deus NÃO disse, mas todo mundo acha que Ele disse...





Com base no que li em um site em inglês criei esta lista das coisas que Deus não disse, mas que todo mundo acha que sim.



1. "Deus ajuda a quem se ajuda". 
Falso! Ao contrário, Deus ajuda aqueles que se reconhecem incapazes e, humilhados, clamam por socorro. "A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, ajuda-me!" (Mt 15:25).


2. "Deus quer que você seja feliz". 
Falso! Quem diz isso geralmente pensa a curto prazo, só para esta vida. Mas Deus projeta felicidade eterna para aquele que crê em Jesus e tem seus pecados perdoados. Quanto à nossa breve vida aqui, ele diz: "No mundo tereis aflições" (Jo 16:33).

3. "Somos todos filhos de Deus". 
Falso! Todos são criaturas de Deus, mas filhos somente aqueles que nascem de novo pela fé em Jesus. "A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." (Jo 1:12).

4. "Deus nunca permite um sofrimento além do que você possa suportar". 
Falso! Para quebrar nossa autoconfiança Deus permite sofrimento além da capacidade humana, para encontrarmos nele os recursos de que necessitamos. "Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos... para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda". (2 Co 1:8).

5. "Quando você morrer o céu ganhará mais um anjo". 
Falso! Seres humanos não são anjos e nunca serão. Assim como Jesus, em sua encarnação, somos originalmente menores que os anjos, mas os salvos por Cristo serão exaltados nele a uma posição acima dos anjos. "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?" (1 Co 6:3).

6. "Todos os caminhos levam a Deus". 
Falso! Na verdade esta ideia foi emprestada do ditado "Todos os caminhos levam a Roma", mas é melhor escutar o que Jesus diz: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". (Jo 14:6).

7. "Não importa em que você crê, contanto que tenha fé". 
Falso! Não é a fé que importa, mas em quem você coloca sua fé. Jesus disse aos judeus: "'Se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados'. Disseram-lhe, pois: 'Quem és tu?' Jesus lhes disse: 'Isso mesmo que já desde o princípio vos disse'. (Jo 8:24-25).

Ele tinha deixado claro a eles que era o Messias prometido, e mais que isso: Ao usar a expressão "EU SOU" ele se reportava ao que Jeová havia dito de si mesmo em Êxodo 3:14: "E disse Eloim (Deus) a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós." Juntando isso com o que João escreve em sua segunda carta, entendemos que crer em Jesus Cristo inclui crer que ele é Deus e já existia antes de assumir a forma humana ao vir em carne.

"Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo... Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis." (2 Jo 1:7-10).


Mário Persona é consultor de marketing

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Por Rev. Ericson Martins


E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4)

Está mais que comprovado: um dos maiores desafios que enfrentamos na vida é a educação dos nossos filhos, e educá-los para que andem nos caminhos do Senhor! Pais responsáveis não medem esforços para esse fim, no entanto, muitos ainda sofrem a fria dor ao verem os seus filhos crescendo e escolhendo caminhos errados, aqueles que os distanciam da comunhão com Deus. É nesse contexto que reservamos aqui alguns conselhos aos pais, para que ajam de forma justa, firme e amorosa. 

Primeiramente, é preciso entendermos e agirmos preventivamente (Hb 12:9). A prevenção é sempre melhor que o resultado indesejado. Custa, mas não menos que termos de lidar com os resultados da omissão ou da negligência na educação. Naturalmente, a melhor solução é ensinarmos o que é bom aos olhos de Deus e sermos os maiores exemplos do que ensinamos. Eles aprendem mais observando as nossas condutas, do que meramente pela exigência das nossas palavras.

O comportamento desobediente dos filhos aos seus pais tem uma causa natural: o pecado! O filho que resiste andar nos caminhos do Senhor não significa, unicamente, que os seus pais foram péssimos educadores cristãos, pois a rebeldia não é uma herança genética, e nem sempre é resultado do ambiente familiar. E sim, uma conduta interna, orientada pelo pecado, de se opor a autoridade, seja de quem for. Os pais precisam fazer o que lhes cabem na educação, isso inclui orar por seus filhos, suplicando à favor da conversão genuína deles (1 Cr 29:18-19). A conversão não depende do que os pais fazem, mas do que Deus faz (Ef 2:8-9) para neutralizar o pecado no coração, mediante a justificação em Cristo!

É importante também observar a personalidade dos filhos. Os pais podem lidar melhor com eles compreendendo o perfil emocional de cada um. Essa observação é um importante regulador de relacionamento e de disciplina, e ainda ajuda a medir o nível de determinadas exigências na educação. Nesse sentido, ouvi-los e acompanhá-los discretamente, é crucial.

Amá-los requer preveni-los dos maus caminhos, mas nem sempre é possível impedi-los de sofrerem as consequências das escolhas erradas que fazem (Lc 15:11-24). Há lições que só aprenderão na experiência da perda ou da dor. Justificando-se pelo amor, muitos pais tentam impedir que os seus filhos experimentem o sabor amargo da desobediência e acabam criando outros problemas: incentivo ao erro pela impunidade e falsa sensação de segurança. A punição (disciplina), por vezes, se mostra eficaz para a santificação dos nossos filhos (Hb 12:10-11).

Lembrem-se: peçam ajuda! Educar filhos exige ação conjunta do pai e da mãe, mas nem sempre é suficiente. É justamente aí que precisamos do apoio de professores, familiares, pastores conselheiros, e etc, que estejam interessados pelo bem dos nossos filhos e comprometidos com a Palavra de Deus.

Que Deus nos dê sabedoria para honrá-Lo através da educação dos nossos filhos!
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Fonte: Reflexões e Cotidiano

segunda-feira, 6 de abril de 2015

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Por Josemar Bessa


Antes de falar sobre a oração do inferno, uma pergunta: você ora?

Percebo que há muitos que jamais oram de verdade, comem, bebem, dormem, “defendem” a verdade, escrevem em redes sociais, trabalham, respiram o ar de Deus, andam sobre a terra de Deus, gostam da misericórdia de Deus, seus corpos estão inexoravelmente morrendo... mas orar?

Há muitos outros que oram, mas nada mais é do que mera formalidade, sem pensamentos profundos, sem meditação verdadeira, sem sentido espiritual... apenas frases...

Palavra ditas sem coração são inúteis, palavras ditas sem refletir sobre a Verdade de Deus são inúteis para nossa alma – é como o culto pagão, como os profetas de Baal tocando tambores e retalhando o corpo.

Ninguém pode orar contra o pecado enquanto planeja mergulhar nele. Ninguém pode orar contra o mundanismo se o seu desejo é ser mundano, ser absorvido por ele, ser ocupado por ele... Ninguém pode orar pedindo graça para servir a Deus se não deseja servi-lo em tudo.

Muitos quando estão diante da morte, mesmo tendo falado e ouvido tanto sobre Deus, defendido o ponto de vista de grandes gigantes da fé... porque é perfeitamente possível ser bem versado em apologética de Van Til, no terceiro uso de Calvino da lei... e mesmo assim ser um completo estranho para Deus.

Eu não posso ver seu coração. Eu não sei a sua história particular nas coisas espirituais. Mas pelo que eu vejo na Bíblia e no mundo - Estou certo de que não posso fazer uma pergunta mais necessária do que essa a você - você de fato ora?

Mas você pergunta: Mas e a oração do inferno que você falou? Bem vamos a ela.

E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.” - Lucas 16:27-28

Aqui Cristo nos dá uma visão panorâmica do inferno! É, Jesus não ficava constrangido em falar do inferno, na verdade, ninguém falou mais do inferno do que Jesus. Há um jovem lá (no inferno), ele era rico, ele estava cercado por uma multidão de tudo que o homem acha constituir o valor da vida e pelo qual um homem deve ser medido. Mas agora ele está desprovido de tudo isso, ele não tem mais nada... dinheiro, bens, juventude... nada disso significa mais nada para ele – ele está no inferno. Sua condenação (Apesar dos Rob Bells, Caio Fábios... da vida) é fixa, e fixada para sempre. Ele não pode obter nada para si, estando desprovido da presença misericordiosa de Deus, tendo apenas a presença da sua Justa e Santa ira, ele não pode obter nenhum descanso para si.

Ele acha, na verdade sabe, que agora é inútil tentar pedir favores para si mesmo. Mas ele tem família, tem irmãos. Na verdade tem cinco irmãos. Será que ele pode evitar a vinda deles para o inferno? Ele vai tentar!

Então ele ora. Ele ora para que Deus faça de Lázaro um missionário para sua família, para ser enviado em uma missão de misericórdia para a casa do seu pai. Ouça sua oração: “Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.” – "Envie Lázaro a casa de meu pai!” – Ele achava que se sua família visse o milagre de Lázaro voltando dos mortos, iria crer...

Quem esperaria encontrar uma oração no inferno voltada para os outros e não para si? Quem esperaria encontrar preocupação com os outros no inferno? Tenho que admitir que é muito, muito estranho. Mas aqui está ela! Era tarde demais para ser feita, mas aqui está ela. Intercessão pela salvação de outros no inferno. Será que os Cristãos professos podem ser piores do que uma alma perdida no inferno?

Você tem parentes? Você tem amigos? Você tem...? E qual é o estado espiritual deles? Estão caminhando em direção ao inferno? Eles estão vendo um caminhar completamente diferente em você? Um caminhar onde “o viver é Cristo!?” – Como você age em relação a eles? Este miserável no inferno descrito aqui não pode ir a seus irmãos... mas você pode. A preocupação desse miserável no inferno é maior do que a sua? Você irá testemunhar a eles e treme só de pensar neles naquele lugar de tormento? Quando foi que seus amigos, parentes... ouviram de você a respeito? Quando você escreveu a eles por causa disso? Escreveu com um coração partido como nessa oração feita no inferno? Falou com essa paixão? Quando sua voz foi a eles e ao mesmo tempo Deus ouviu seu grande clamor e viu lágrimas... lágrimas diante do único que é capaz de salvá-los da morte? Quando você lhes enviou uma boa literatura, rogando juntamente a Deus para lhes dar vida por Seu poder Soberano e irresistível?

Almas perdidas no inferno desejariam que alguém fosse enviado a seus parentes ímpios – como esse homem rico – para se possível, evitar sua condenação – mas você negligencia seus parentes, amigos, colegas...? Ao contrário disso eles lhe veem como mais mundano e parecido com eles possível? Eles não estão vendo em sua vida que existe um Deus santo e que esse Deus não pode deixar de punir o pecado? Um Deus que se deleita em santidade como expressão do seu próprio ser?

Você ora e vive assim? O amor de Cristo não tem nenhum poder constrangedor em teu coração? A piedade pelas almas perdidas, das pessoas mais próximas, não tem nenhuma influência em seu coração? O inferno é uma fábula? Seus tormentos são uma ninharia?

Como é possível amar, ser constrangido pelo amor de Cristo, seguir seus passos, se Ele desceu do Céu com o propósito de salvar pecadores – sofreu, sangrou e morreu para isso, se você simplesmente os vê sem piedade, preocupação, intenso clamor, pregação, vida santa...?

Nosso zelo pela glória de Deus é real? Vidas assim (perdidas) vivem para o seu desprazer e afrontam diariamente a Sua glória. Onde está o amor e a glória de Deus aos perdidos? Podemos falar como Paulo que podia dizer que, enquanto esteve em Éfeso, por três anos, ele não cessou de advertir a cada um deles com lágrimas?

Onde estão hoje? Onde estão aqueles que muitas vezes ficam acordados nas horas da noite pelo amor a glória de Deus e a salvação das almas? Que choram diariamente sobre almas descuidadas e que ao mesmo tempo em que oram, os advertem a fugirem da ira que está por vir? Quão poucos por pregação, oração, escrita... insistem para que pecadores se reconciliem com Deus, confiando que assim, no chamado geral, o Espírito chamará eficazmente os que hão de serem salvos!

Que sejamos despertos agora, que Deus nos encha de zelo, para que façamos a oração agora, vivamos assim agora... orações no inferno são inúteis. Que sejamos despertados pelo zelo de ver pecadores convertidos. Que para isso preguemos tão somente a verdade que no poder do Espírito regenera a alma. Sem truques, sem estratégias, sem confiar no braço humano e sua mente. Orando para que ao pregar a Verdade, Cristo envie o Consolador, como quando abriu o coração de Lídia em Atos 16.14: “E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.” – convença o homem do pecado e vejamos homens salvos para a glória da Graça infinita de Deus.

Que a oração do inferno não tenha sido registrada apenas para a nossa vergonha:

E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.” - Lucas 16:27-28

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Fonte: Josemar Bessa
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Por Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima


Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.6-9).

I – INTRODUÇÃO

Estamos no período comumente conhecido como “Semana Santa”, uma data promovida, a princípio, pelo Catolicismo Romano, mas que em virtude da “alma católica dos evangélicos brasileiros”[1], foi assimilada pelo evangelicalismo e até mesmo pelas denominações protestantes reformadas. Em 2010 postei aqui, no Cristão Reformado, o meu posicionamento e o que entendo ser a postura do presbiterianismo histórico em relação à Páscoa (aquiaqui e aqui).

Apesar do meu posicionamento, convivo bem com irmãos amados que não possuem o mesmo entendimento que eu. Não brigo, não crio um clima beligerante com aqueles que desejam celebrar a Páscoa em suas igrejas, culminando com a celebração do chamado “culto da ressurreição” no domingo pela manhã. Não obstante, não consigo admitir que pastores, homens incumbidos de ensinar a Palavra de Deus em sua inteireza à igreja local entregue aos seus cuidados, levem as ovelhas do Senhor de volta às sombras veterotestamentárias, e que, para tentar justificar isso, apelem para decisões conciliares claramente discutíveis. Não consigo ficar calmo quando vejo igrejas desprezando o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário, por celebrarem o que chamam de Páscoa se reunindo no dia do Senhor, no domingo, para juntos comerem um cordeiro assado, pães sem fermento e ervas amargas (alface). E o mais aberrante é que, logo depois celebram a Ceia do Senhor, resultando assim, num sincretismo pernicioso.

II – “FUNDAMENTAÇÃO” DA PRÁTICA

Três justificativas são apresentadas:

1) Trata-se de uma simples lembrança da primeira páscoa, em Êxodo 12, quando os israelitas receberam o mandamento referente à instituição da Sêder, a páscoa veterotestamentária. Argumenta-se que é um simples memorial de um dos grandes eventos da História da Redenção, quando o Senhor, com mão poderosa, libertou o seu povo do jugo egípcio;
2) Os adeptos dessa prática dizem que, além de ser uma simples lembrança da primeira páscoa, o fato de a igreja se reunir para comer um cordeiro assado, pães sem fermento e alface se constitui numa simples encenação, ou seja, uma simples representação teatral da primeira páscoa. Diz-se que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a Páscoa. Na verdade, a igreja está apenas apresentando uma peça; e
3) Há afirmação de que seja apenas um recurso didático, uma forma de ensino. Diz-se que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a páscoa nos moldes veterotestamentários, mas está sendo ensinada, simplesmente acerca de como se deu a primeira páscoa, em Êxodo 12.

Gostaria de fazer alguns comentários pontuais a respeito das três justificativas apresentadas em favor daquilo que, escrituristicamente, é uma abominação:

1) Em Mateus 28.19-20, encontramos Jesus dizendo o seguinte aos seus doze discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Os discípulos deveriam fazer com que a Igreja praticasse tudo aquilo que foi ordenado pelo Senhor Jesus Cristo. Apenas isso! Encontramos alguma ordem de Jesus referente à observância da páscoa? Sim e não. Em Lucas 22.19, Jesus, estando reunido com os Doze, ordena o seguinte: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim”. Jesus não ordenou, em absoluto, que os seus discípulos organizassem um memorial ou uma lembrança da páscoa judaica. A partir daquele instante, os discípulos deveriam lembrar a sua morte através da celebração da Ceia do Senhor, o que é confirmado pelo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 11.23-25: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”. A razão para tal descontinuidade entre a celebração pascoalina veterotestamentária e a Ceia da Nova Aliança é apontada pelo mesmo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 5.7: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado”. Jesus Cristo é o cumprimento da páscoa do Antigo Testamento. O Dr. John Sittema diz o seguinte a este respeito: “Jesus, um rabino do século 1º, celebrou a festa do modo como foi transmitida à sua geração, uma comemoração envolta em séculos de costumes. Honrou todos os requisitos de uma celebração pascal tradicional. Sua ‘Última Ceia’ foi, evidentemente, uma refeição Sêder. Porém, Jesus fez mais do que celebrar a Páscoa. Ele a encarnou”.[2] Interessantemente, apesar de a refeição de Jesus ter sido uma Sêder, ele não ordenou que os discípulos se reunissem para comer um cordeiro assado, porém, apenas pão e vinho. Nada mais que isso.

2) A afirmação de que se trata simplesmente de uma lembrança da primeira páscoa é falaciosa, visto que a primeira páscoa foi caracterizada por ser uma celebração familiar. Cada família deveria providenciar e imolar o seu próprio cordeiro. Cada família deveria se reunir em seu lar para comer o cordeiro, os pães asmos e as ervas amargas. Cada família deveria espalhar o sangue nos umbrais das portas e janelas de sua própria casa. É o que diz Êxodo 12.3-4: “Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro”. Reunir a igreja para comer cordeiro, pão e alface em nada lembra a primeira páscoa – a não ser nos alimentos oferecidos. Tal prática lembra, sim, a páscoa celebrada no tabernáculo e no templo, já na terra de Canaã, a partir de Deuteronômio 16.1-8, particularmente o versículo 2: “Então, sacrificarás como oferta de Páscoa ao SENHOR, teu Deus, do rebanho e do gado, no lugar que o SENHOR escolher para ali fazer habitar o seu nome”. Tal celebração era parte inextricável do que ficou conhecido como “lei cerimonial”. Sobre o caráter da primeira páscoa, as palavras do Dr. John Sittema são pertinentes: “Os participantes pertenciam ao círculo íntimo: tratava-se de uma celebração familiar e cada homem deveria escolher um cordeiro para a sua casa e só compartilhá-lo com o vizinho se sua família fosse pequena demais para consumir o cordeiro inteiro”.[3] Ele diz ainda que, a mudança para o tabernáculo e, posteriormente, para o templo “transformou a Páscoa na primeira das ‘festas peregrinação’ para as quais os israelitas deviam se deslocar até a casa do Senhor”.[4] O Pr. Moisés Bezerril, respeitado teólogo, afirma ainda que: “A Santa Ceia tem aspectos característicos da Nova Aliança. A páscoa era somente para Israel e alguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participarem daquele sacramento. Certamente que a páscoa era o sacramento familiar, daquela família com exclusividade, mas a santa ceia é o sacramento de todas as famílias juntas ao mesmo tempo”.[5] Isto posto, os adeptos da celebração pascoalina judaizante deveriam ser sinceros a respeito de seu apego às sombras do Antigo Testamento e do seu descaso para a com a viva realidade que é Jesus Cristo.

3) Ainda no que tange à afirmação de que reunir a igreja para comer cordeiro assado, pães sem fermento e alface é um simples memorial da primeira páscoa, podemos afirmar que, isso se constitui em um retorno ao cerimonialismo judaico, o qual deveria ser repetido todos os anos. Com a celebração da primeira páscoa, em Êxodo 12, foi estabelecida também a cerimônia anual da Pêsah: “Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (v. 14). Sobre isso, o comentário de L. S. Chafer é interessante: “Tão profunda foi esta redenção que de Israel era exigido que, em reconhecimento dela, fosse estabelecida a Páscoa por todas as gerações – não como uma renovação da redenção, mas como um memorial”.[6] Devemos compreender que, aqueles que estavam debaixo das sombras do Antigo Testamento é quem deveriam celebrar a primeira páscoa. Os israelitas tinham o dever de lembrar a libertação ocorrida naquela noite extraordinária. Então, como deve ser entendida a ação de reunir a igreja, no dia do Senhor, para relembrar a primeira páscoa? Não seria essa uma prática judaizante? E não foi justamente contra esse tipo de prática que o apóstolo Paulo lançou os seus anátemas (Gálatas 1.8-9)?

4) Dizer que reunir a igreja, no domingo, para comer cordeiro assado, pães asmos e alface se trata, apenas de uma simples e inofensiva encenação e que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a páscoa judaica é um argumento extremamente débil e falacioso. Quando alguém argumenta dessa maneira, a intenção é descaracterizar o cerimonialismo inerente ao ritual judaico e, assim, não ser acusado de fazer de tal ritual um ato de culto. Apesar desse esforço, tal tentativa é ineficaz, pois essa “encenação”, quando repetida ano após ano, adquire, sim, um caráter ritualístico e cerimonial. Essa “encenação”, quando repetida ano após ano, acaba por se constituir em uma tradição vista como correta e, daí por diante, como legítima expressão cúltica. À medida que a “Semana Santa” se aproxima, os membros da igreja criam uma grande expectativa a respeito do cordeiro que será comido pela igreja reunida no domingo. Com isso, estabelece-se um perigoso e maléfico misticismo no seio da igreja. Além disso, se é necessário que exista alguma encenação acerca do sofrimento do Redentor, creio que a Ceia do Senhor é a melhor e mais apropriada encenação pascal (1 Coríntios 5.7). Sendo assim, quando um pastor “encena” ano após ano a páscoa judaica, reunindo a igreja sob seus auspícios para comer um cordeiro assado e os demais alimentos, ele está, sim, ensinando a sua igreja a fazer aquilo. Ele está fazendo com que a sua igreja se devote às sombras cerimoniais. Sem saber, ele faz com que sua igreja despreze o sacrifício perfeito de nosso Senhor Jesus Cristo.

5) Sobre o argumento de que se trata apenas de um recurso didático, o mesmo nada mais é do que uma tentativa de eufemizar a prática, pois a execução da mesma mostra que se trata, sim, de um ritual. Quando isso acontece, é comum vermos os presbíteros postados à mesa, os membros da igreja em fila no corredor central da nave, prontos e ávidos por receberem uma porção da carne do cordeiro, do pão sem fermento e da hortaliça. Além disso, o pastor está no púlpito, dando a palavra de ordem para que os membros se dirijam até à mesa. Pra tornar o caso ainda mais sério, logo após celebra-se a Ceia do Senhor, na mesma mesa onde o cordeiro foi servido à congregação, e no mesmo serviço litúrgico. Creio que, se a intenção fosse simplesmente a de ensinar à igreja como se processou a primeira páscoa de Êxodo 12, uma ocasião excelente seria a realização de um almoço logo após à Escola Dominical.

O que pode ser percebido nos argumentos apresentados em favor da prática abominável de celebrar a páscoa nos moldes veterotestamentários, é que os mesmos carecem de fundamentação escriturística. Não é apresentada sequer uma passagem que justifique a inserção do cerimonialismo judaico em um culto segundo os princípios da Nova Aliança. Quando muito, apresenta-se uma resolução conciliar que, numa leitura distorcida, apóia a prática.

III – SOBRE O APEGO AOS TIPOS E O DESPREZO PELO ANTÍTIPO

Etimologicamente, a palavra grega tipos “significa uma estampa que pode servir como um molde ou padrão, e que é típica no Antigo Testamento como um molde ou padrão do que é antitípico no Novo Testamento”.[7] Um tipo pode ser definido como: “um modelo ou exemplo que antecipa ou precede uma realização última”.[8] Nesse sentido, pessoas, lugares, coisas, rituais, fatos e animais podem aparecer nas Sagradas Escrituras como tipos. O Dr. Heber Carlos de Campos define “tipo” da seguinte maneira: “Um tipo diz respeito a uma pessoa, a uma ação, a um evento, a uma cerimônia, etc., mencionado no Antigo Testamento, que prefigura um Antítipo da mesma natureza no Novo Testamento”.[9] O scholar Louis Berkhof afirma que, “a ideia fundamental [do tipo] é a da ‘relação representativa preordenada que certas pessoas, eventos, e instituições do Antigo Testamento têm com pessoas, eventos, e instituições correspondentes do Novo’”.[10] Chafer diz que, “um tipo é uma descrição estruturada que retrata o seu antítipo. Ele é a própria ilustração que Deus dá de sua verdade desenhada por sua própria mão”.[11]

Assim, objetos como a arca que livrou Noé e seus familiares do dilúvio, a serpente de bronze, o tabernáculo e o templo são claramente tipológicos. Eles funcionam nas Sagradas Escrituras como tipos de Jesus Cristo, aquele que livrou o povo de Deus do derramamento de Sua ira, que pendurado no madeiro trouxe salvação àqueles que olham com confiança para Ele e que é a perfeita habitação de Deus entre o seu povo. Homens como Abraão, José, Moisés, Josué também serviram como tipos de Jesus, por retratarem aspectos da obra que seria realizada e consumada futuramente por Jesus Cristo, em sua encarnação e ministério terreno.

Claramente, o cordeiro pascal de Êxodo 12 é um tipo de Jesus Cristo. Na verdade, todos os sacrifícios realizados durante a administração pactual do Antigo Testamento apontavam, prefiguravam o sacrifício perfeito de nosso Senhor Jesus. O Dr. Gerard van Groningen afirma que, “o relato sobre o cordeiro pascal em Êx 12.3-11 é o ponto de partida para todas as outras referências a esse cordeiro”.[12] Esse cordeiro pascal era um tipo do Cordeiro que seria revelado plenamente no Novo Testamento. Ele era um tipo de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). Em Atos dos Apóstolos 8.32, somos informados de que, “a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca”. Filipe disse ao Eunuco etíope que, a passagem de Isaías 53.7-8 estava falando a respeito de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. O fator central relativo ao cordeiro de Êxodo 12 é o sangue marcado nos umbrais das portas dos israelitas:

O sangue foi o meio que Yahweh empregou para poupar os primogênitos de Israel. O cordeiro, para que seu sangue fosse útil, tinha de morrer. Assim, o cordeiro tornou-se um substituto para todos os primogênitos em Israel. Sem que o sangue do cordeiro fosse derramado, recolhido e aplicado, não haveria nenhuma libertação, nenhuma redenção para o povo escolhido de Yahweh. O sangue do cordeiro usado no tempo do êxodo apontava, como um tipo, para o sangue de Cristo derramado, sem o qual não há redenção do cativeiro do pecado (Hb 9.22). O sangue do cordeiro funcionava redentivamente e, portanto, tem um significado messiânico definido.[13]

Algo que não deve ser esquecido a respeito dos tipos, é que, por natureza, eles são imperfeitos, isto é, “o Antítipo é superior e maior em significado do que Tipo”.[14] A imperfeição dos tipos é claramente afirmada em Hebreus 9.9-11: “É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma. Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação”. No Antigo Testamento, os cordeiros oferecidos eram imperfeitos no sentido de não serem, em si mesmos, a razão pela qual Deus perdoava os pecados do povo. O perdão concedido tinha por base o sangue derramado do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Apenas o seu sangue é eficaz para a remissão dos pecados do povo de Deus. A morte do cordeiro pascal de Êxodo 12, em si mesma, era ineficaz.

Dado o caráter imperfeito dos tipos e o caráter perfeito do Antítipo, é pertinente a observação do Dr. Heber Carlos de Campos: “A revelação é progressiva porque ela parte do imperfeito para o perfeito. Por essa razão, quando o Cordeiro veio, não mais precisamos de outros cordeiros. Quando o antítipo chega, os tipos cessam. Quando perfeito chega, o imperfeito desaparece”.[15] Hebreus 10.1-4 afirma de forma inequívoca a imperfeição dos sacrifícios veterotestamentários:

Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados.

Já o versículo 12 assevera a perfeição inerente ao sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário: “Jesus, porém, tendo oferecido,para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”.

Com a vinda de Jesus Cristo, seu sofrimento e morte na cruz, os tipos cessaram. As sombras cerimoniais e sacrificiais do Antigo Testamento foram banidas com a obra expiatória de Jesus. Depois da chegada da realidade, Cristo, as sombras tipológicas cessaram, perderam a sua razão de ser, de maneira que, os cristãos devem se alegrar pela realidade de Cristo Jesus, e não devem, de forma alguma, retornar às sombras veterotestamentárias. Os crentes, hoje, desfrutam de uma bênção maravilhosa que é poder relembrar a morte substitutiva de Jesus na Ceia instituída pelo próprio Cordeiro de Deus. Por conseguinte, inserir no culto o que é chamado de “rememoração da primeira páscoa” é inserir um elemento estranho à realidade da Nova Aliança e uma abominação aos olhos da tradição apostólica legada pelo apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.8-9).

Já disse em outra ocasião: NOSSA PÁSCOA É A CEIA DO SENHOR! Trata-se de uma grande abominação, um culto sincrético, colocar no mesmo culto uma “lembrança” da páscoa cerimonial veterotestamentária e a Ceia do Senhor. É necessário que haja arrependimento, pois maldito é aquele que ensina outro evangelho que não aquele recebido por Paulo do próprio Senhor Jesus Cristo.

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Notas:
[1] Esta frase é o título de um artigo escrito pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes. Ele identifica cinco características dessa alma católica: 1) o gosto por bispos e apóstolos; 2) a ideia que pastores são mediadores entre Deus e os homens; 3) o misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados; 4) a separação entre sagrado e profano; e 5) somente pecados sexuais são realmente graves. Disponível emhttp://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/11/alma-catlica-dos-evanglicos-no-brasil.html. Particularmente, creio que o apego às festividades do calendário litúrgico da Igreja de Roma seja a sexta característica.
[2] John Sittema. Encontrei Jesus numa Festa de Israel: Os Festivais do Antigo Testamento à Luz do Evangelho de Jesus Cristo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 37.
[3] Ibid. p. 33.
[4] Ibid. p. 34.
[5] Moisés C. Bezerril. Sacramentos e Clericalismo. Artigo disponível em: http://www.monergismo.com/textos/sacramentos/sacramentos_moises_bezerril.htm. Acessado em 21 Abr 2011.
[6] Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Volume 1 & 2. São Paulo: Hagnos, 2008. p.
[7] Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Volume 1 & 2. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 27.
[8] Louw-Nida Greek Lexicon (58.63) in BIBLEWORKS 7.0. Minha tradução.
[9] Heber Carlos de Campos. Teologia da Revelação. Apostila do curso de TST 301 – Teologia da Revelação. São Paulo: Andrew Jumper, 2011. p. 90.
[10] Louis Berkhof. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2000. p. 142.
[11] Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Volume 1 & 2. p. 72.
[12] Gerard van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 214.
[13] Ibid. p. 216.
[14] Heber Carlos de Campos. Teologia da Revelação. p. 91.
[15] Ibid. p. 94.

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Fonte: Cristão Reformado