Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A Reforma e suas consequências

Durante a Idade Média se acreditou em tudo o que o clero dizia e esse era um dos personagens utilizados pela Igreja Católica, que o copiou da mitologia grega, para aterrorizar os fiéis e mantê-los sob seu julgo cego, no decurso de toda a Idade Medieval, na chamada “IDADE DA FÉ DEMAIS” e que acabou desembocando na Reforma, quando o povo começou a enxergar os desmandos e abusos do Clero
Charge contemporânea sobre o catolicismo medieval
O Dragão engole o cavaleiro e palita os dentes com a lança – O cristianismo medieval segundo os chargistas contemporâneos.
Nos últimos anos do século XV a Igreja estava a braços com sérios problemas internos. Havia abusos de várias naturezas, falta de disciplina entre os padres, corrupção no alto clero, tudo isso criando um ambiente difícil de ser tolerado por mais tempo. Já antes, alguns líderes se haviam revoltado contra este estado de coisas, como João Huss, na Boêmia e Wiclef, na Inglaterra. Ambos pregavam a necessidade de reformar a Igreja em seus aspectos negativos, mas foram condenados como hereges.
No começo do século XVI, um movimento mais sério contra a corrupção dos costumes eclesiásticos toma vulto. As idéias de Wiclef e Huss, a influência dos humanistas (partidários do livre exame das idéias), o desregramento da corte dos Papas Alexandre VI e Leão X, o desrespeito do celibato clerical, além do baixo nível cultural do clero regular, foram algumas das razões desse movimento.
Clique para ampliarO líder do movimento reformador do catolicismo foi Martinho Lutero, frade agostiniano. Ao ver os dominicanos vendendo indulgências sob ordens do Papa Leão X, Lutero passa a negar o valor das citadas indulgências. Afixa à porta da catedral de Wittenberg uma lista de 95 teses, atacando vários pontos da doutrina católica.
Apesar da repercussão de seu ato, o Papa a princípio não lhe dá importância, julgando tratar-se de uma simples “querela de frades”. Lutero, porém, continua a atacar a Igreja. Convidado a retratar-se, nega-se e é excomungado (1520).
O Imperador Carlos V convoca a Dieta de Worms, que condena Lutero. Este esconde-se no Castelo de Wartburgo, onde traduz a Bíblia para o alemão. Essa tradução é considerada obra prima, sob o aspecto literário.
As doutrinas luteranas cedo se espalharam pela Europa. Foram apoiadas por príncipes, que nelas viam interesse para suas causas, e por camponeses que, em nome da religião, exigiam reformas sociais. Alastra-se pela Europa uma onda de revoltas, com incêndios de propriedades, castelos, conventos e igrejas.
Carlos V, pela Dieta de Spira, concede a princípio alguma liberdade de culto aos reformistas, mas pouco depois, revoga-a. Foi proibida a propaganda luterana nos territórios católicos, enquanto nos reformistas era obrigatória a propaganda católica. Os luteranos protestaram contra Carlos V, o que lhes valeu, desde então, a designação de protestantes.
Outra Dieta reuniu-se em 1530. Desta vez em Augsburgo. Os protestantes apresentam um resumo de suas crenças ( a “Confissão de Augsburgo”), que Carlos V nega-se a aprovar. Em conseqüência é formada a Liga de Smalkalde pelos príncipes protestantes, prontamente combatida por Carlos V. Finalmente os protestantes conquistam igualdade política com os católicos.
Após Lutero, vários movimentos reformistas verificaram-se. Entre eles merecem citação os de Zuínglio e Calvino. Zuínglio chefiou na Suíça um movimento contra a igreja católica e cedo conquistou certo número de seguidores. Entretanto, pretendendo aumentar seus prosélitos, Zuínglio acaba morrendo numa guerra civil. Calvino, francês de nascimento, elabora uma doutrina mais severa que a de Lutero. Na França começa a ser perseguido e resolve refugiar-se na Suíça. Ali, em Genebra, consegue grande número de seguidores e organiza sua igreja e um seminário, onde se formavam os líderes, que iriam propagar suas crenças em outras nações européias (França, Holanda, Inglaterra e Escócia).
Na Inglaterra o rei Henrique VIII foi, a princípio, grande adversário de Lutero, chegando a receber o título de “Defensor da Fé”. Pretendeu, porém, anular seu casamento com Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena. Não obtendo a aprovação do Papa, revolta-se contra a Igreja. Proclama-se chefe da Igreja inglesa, embora não tenha feito nenhuma alteração doutrinária no catolicismo. Mais tarde, sua filha Isabel I estabelece o anglicanismo definitivamente.
Verificando a extensão do movimento protestante, o alto clero católico passou a preocupar-se. Era preciso reformar a Igreja de dentro para fora. O Papa Paulo III convoca o Concílio de Trento com essa finalidade (1545). Após 18 anos de funcionamento, o Concílio realiza profundas alterações na estrutura eclesiástica, estabelecendo normas sobre as Escrituras, sacramentos, tradição e vários outros aspectos da fé. Foi estabelecida severa disciplina entre os clérigos e cuidada a sua preparação para o ministério. Foi estabelecido o catecismo romano, que passou a resumir a doutrina católica.
Segue-se um período de intenso trabalho no seio da Igreja. Vários Papas, ajudados pelas ordens religiosas, dedicam-se à propagação da fé. Purificam-se os costumes, criam-se ordens dedicadas ao ensino, à caridade e a outras formas de apostolado. A Igreja ressurge com uma nova face; essa mais cristã e piedosa.
A mais importante ordem religiosa então criada foi a dos jesuítas. Fundada pelo espanhol Inácio de Loyola, antes militar, os jesuítas foram os principais soldados da Igreja no combate à expansão do protestantismo. Os jesuítas dedicaram-se especialmente à educação e à pregação do Evangelho. Seus colégios multiplicaram-se pela Europa, Ásia (China, Japão, Índia) e América do Sul (especialmente no Brasil).
No movimento de auto-reforma encetado pela Igreja como resposta ao protestantismo, chamou-se de “Contra-Reforma”. Ela foi eficaz e graças a seu esforço, o avanço protestante foi detido no sul da Europa, Bélgica, Polônia e Hungria.
À reforma protestante, abraçada por numerosos nobres em grande parte da Europa, deu lugar a vários conflitos chamados de “guerras de religião”. Na França, onde havia mais de duas mil igrejas ao tempo de Henrique II, logo os protestantes formaram um partido político (Huguenotes). Seus chefes eram o Almirante Coligni, Antonio de Bourbon (rei de Navarra) e o príncipe de Condé.
Apesar do aspecto religioso aparecer em primeiro plano, as guerras que se seguiram tinham suas causas políticas e econômicas. Aos nobres interessava fustigar a realeza que lhes combatia certos privilégios. Assim, 8 guerras tiveram lugar na França, tombando milhares de vítimas, a maioria inocente e à margem dos interesses em conflito. A invasão francesa do Rio de Janeiro, em 1555 por Villegaignon, foi uma das conseqüências dessas lutas religiosas, políticas e econômicas na França.
Outra guerra sangrenta que ceifou milhares de vidas na Europa foi a dos Trinta Anos,. Além da causa religiosa ela também teve motivações políticas e econômicas. Envolveu a Alemanha, Áustria, Dinamarca, França, Suécia, Itália, Espanha e Holanda. Terminou em 1648, com o Tratado de Westphalia, deixando mais de 1.000 cidades alemãs destruídas.

Fonte: http://antonini.med.br/geral/hfar-a_reforma_e_suas_consequencias.html 

APRENDA A ENXERGAR DEUS EM 3 MINUTOS





“Abra os olhos do meu coração, quero te ver Senhor! [...] Quero te tocar, quero te abraçar, quero te ver...”

Se você é cristão, provavelmente já escutou ou entoou a canção “Abra os olhos do meu coração”, de David Quinlan. Nada contra o autor. Quero acreditar que a intenção do seu coração tenha sido pura ao escrever a letra. A crítica que faço através deste artigo não é dirigida ao David, tampouco aos que curtem a canção, que aliás, não é a única detentora de frases de carência espiritual. A “gospelândia” está cheia delas! Minha única intenção, como sempre, é a de trazer esclarecimento com base na Palavra.

Caminhando com Cristo e buscando viver à Luz do Evangelho, aprendi que carregar o título gospel, cristão ou evangélico não é sinônimo de coerência com a Palavra. Antes de cantar, compartilhar ou trazer para minha vida, passei a analisar com seriedade conteúdos e formas. Hoje meu filtro é Jesus.

Aprendi a não cantar porque todos cantam, a não fazer porque todos fazem e a não chamar de santo só porque contém a "etiqueta" gospel. E isso tem trazido equilíbrio espiritual e emocional à minha vida e de minha família. Entrar na onda da gospelândia e seguir o fluxo só porque dizem “ser de Deus” é insensatez, acredite.

Bem, voltando a letra, quero junto com vocês passá-la pela peneira do Evangelho de Jesus Cristo:

“Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.” João 14:8-11

O texto acima está para a letra da música “Abra os olhos do meu coração” como o “zap” está para as cartas do truco. Mata toda e qualquer questão! Quando cantamos “Senhor, quero te ver, te tocar e te abraçar...”, Jesus nos responde em alto e bom som: 

“Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” 

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. [...] Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.” João 14:21-23

Quer ver a Deus? Então viva e guarde os seus mandamentos! Ficar cantando e repetindo frases não fará com que Ele “baixe” em pessoas ou reuniões. Isso tem outro nome!

Jesus continua:

“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.” João 17:18-23

Se estivermos em Deus, caminhando em sua verdade (aquela revelada através da vida de Jesus) diz o texto de João que seremos um com Pai, assim como Ele é um com Cristo Jesus. Caminharemos então rumo a unidade perfeita. Para que? Para que o mundo conheça a Cristo e creia que ele foi enviado por um Deus que ama a humanidade com o mesmo amor que amou o Unigênito.

“Segui a paz com todos, e a santificação, SEM A QUAL NINGUÉM VERÁ O SENHOR;” Hebreus 12:14

Amigos, se nós, como cristãos, não nos santificarmos na verdade, que é Cristo, o mundo não verá a Deus! Gritos, rodopios, sapateados, canções ou repetições de frases não tem o poder de revelá-Lo, acredite. Se está pedindo sinceramente à Deus que abra os olhos do seu coração, ele fará com que enxergue apenas uma coisa: a necessidade do outro. É ali que Ele está: "Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." Mateus 25:40

Deus é revelado no abraço, no partir do pão, nos atos de misericórdia, quando vestimos aos que estão nus e oferecemos comida aos que tem fome. Mostramos Deus ao mundo visitando enfermos, órfãos, viúvas e presos. Esta é a verdadeira religião, conforme Tiago 1:27. Estendendo as mãos aos excluídos da sociedade e dando voz aos oprimidos, revelaremos o amor do Pai. Lembre-se: quando interrogado por um doutor da lei a respeito da essência do amor de Deus, Jesus lhe respondeu com a parábola do Bom Samaritano. Nisto se resume TODA a lei: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo." Lucas 10:27 

Que o Pai, que é rico em misericórdia, abra os olhos dos nossos corações e nos transforme pela renovação do nosso entendimento, para que possamos experimentar a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus, dessa forma, levaremos ao mundo o abraço e o toque de que tanto anseiam... e precisam!

Dani Marques é colaboradora do

domingo, 11 de janeiro de 2015

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Por JH Merle d'Aubigné


Thomas Bilney [1495-1531], cuja conversão havia começado na Reforma na Inglaterra, foi nas mãos de Deus o instrumento de conversão de Hugh Latimer. A história de sua vida de força e fraqueza, levado ao seu martírio em 1531, é eloquentemente registrado em A Reforma da Inglaterra (The Reformation in England), volumes 1 e 2 por JH Merle d'Aubigné. Estes volumes traçam a história da reforma de suas origens mais remotas até o fim do reinado de Henrique VIII. Escrito em um espírito evangélico animado, ambos são instrutivas e comoventes. O relato a seguir vem a partir do volume 2:

Alguns dos amigos de Bilney foram para Norwich para despedir-se dele: entre eles estava Matthew Parker, mais tarde arcebispo de Canterbury. Já era noite, e Bilney estava tomando sua última refeição. Em cima da mesa estavam alguns pratos frugais [cerveja fermentada], e em seu rosto irradiou a alegria que encheu sua alma. Estou surpreso, disse um de seus amigos, “que você possa comer tão alegremente”. - Eu só sigo o exemplo dos lavradores do país, respondeu Bilney, “que tem uma casa nas ruínas para morar, embora custem tanto, desde que eles possam mantê-la e assim faço agora com esta casa em ruínas do meu corpo”. Com estas palavras, ele se levantou da mesa e sentou-se perto de seus amigos, um dos quais lhe disse: “Amanhã o fogo vai fazer você sentir a sua fúria devoradora, mas o conforto do Espírito Santo de Deus irá resfriá-lo para o seu revigorar eterno”.

Bilney, parecendo refletir sobre o que havia sido dito, estendeu a mão para a lâmpada que ardia sobre a mesa e colocou o dedo na chama. “O que você está fazendo? exclamaram - “Nada”, ele respondeu: “Eu só estou testando minha carne; pois amanhã Deus deve queimar meu corpo inteiro no fogo. E ainda mantendo o dedo na chama, como se ele estivesse fazendo um experimento curioso”, ele continuou: “Eu sinto que o fogo pela ordem de Deus é naturalmente quente, mas ainda estou persuadido, pela Santa Palavra de Deus e na experiência dos mártires, que, quando as chamas me consumirem, eu não as sentirei”. Seja como for este restolho do meu corpo deve ser consumido por ela, uma dor por algum tempo que será seguida por alegria indizível. Ele, então, retirou seu dedo, a primeira articulação do que foi queimado. Ele acrescentou: “Quando tu andas pelo fogo, não serás queimado.” [em alusão a Isaías 43.2]. Estas palavras permaneceram impressas nos corações de alguns que ouviram, até o dia de sua morte, diz um cronista.

Além do portão da cidade - conhecido como o portão do Bispo - havia um vale, chamado de Pit 'Lollards (Poço dos Lolardos): ele foi cercado de terra no solo, formando uma espécie de anfiteatro. No sábado, dia 19 de agosto de 1531, um grupo de lanceiros veio buscar Bilney, que se encontrava no portão da prisão. A um de seus amigos aproximando-se e exortando-o a ser firme, Bilney respondeu: “Quando o marinheiro vai a bordo de seu navio e lança-se ao mar tempestuoso, ele é jogado para lá e para cá pelas ondas, mas a esperança de chegar a um refúgio de paz o faz suportar o perigo. Minha viagem está começando, mas seja qual forem às tempestades que irei enfrentar, sinto que meu navio, em breve chegará ao porto”.

Bilney passou pelas ruas de Norwich, no meio de uma densa multidão: seu comportamento era solene, suas feições calmas. Sua cabeça tinha sido raspada, e usava uma vestimenta de leigo. Dr. Warner, um de seus amigos, acompanhou-o, outro distribuía esmolas ao longo de todo o caminho. A procissão desceu ao poço dos Lolardos, enquanto os espectadores cobriam as encostas circundantes.

Ao chegar ao local de punição, Bilney caiu de joelhos e orou: e, em seguida, levantando-se, abraçou calorosamente a estaca e beijou-a. Voltando os olhos para o céu, em seguida repetiu o Credo dos Apóstolos, e quando ele confessou a encarnação e crucificação do Salvador, sua emoção foi tanta que até mesmo os espectadores ficaram comovidos. Recuperando-se, ele tirou sua vestimenta, e subiu ao monte, recitando o salmo cento e quarenta e três. Três vezes ele repetiu o segundo verso: “Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente”. E depois acrescentou: “Eu estendo as minhas mãos a ti, a minha alma tem sede de ti.” Voltando para os policiais, ele disse: “Vocês estão prontos”? - “Sim”, foi à resposta. Bilney colocou-se contra o poste, e segurou a corrente em que ele estava amarrado. Seu amigo Warner, com os olhos cheios de lágrimas, deu uma última despedida. Bilney sorriu gentilmente para ele e disse: “Doutor, pasce gregem tuum”. [Doutor, alimente o seu rebanho], que quando o Senhor vier, Ele poderá achar você o servindo. Vários monges que tinham dado provas contra ele, percebendo a emoção dos espectadores, começaram a tremer, e sussurraram ao mártir: “Essas pessoas vão acreditar que somos a causa de sua morte, e vão reter as suas esmolas”. Ao que Bilney disse-lhes: “Boas pessoas, não fiquem com raiva destes homens, por minha causa, como se eles fossem os autores de minha morte, eles não são”. Ele sabia que a sua morte fazia parte da vontade de Deus. A tocha foi aplicada à pilha: o fogo ardeu por alguns minutos, e então de repente queimando ferozmente, o mártir foi ouvido pronunciando o nome de Jesus várias vezes, e às vezes a palavra 'Credo' ['Eu acredito']. Um vento forte que soprou as chamas de um lado para o outro prolongou sua agonia; três vezes elas pareciam se afastar dele, e três vezes elas voltaram, até que finalmente toda a pilha acendeu, e ele expirou. 


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Fonte: Puritans Sermons
Tradução: César Augusto Vargas Américo
Divulgação: Bereianos


Sobre Thomas Bilney:

Thomas Bilney nasceu perto de Norwich em 1495. Ele era muito estudioso e, em Oxford, obteve o grau de doutor em leis em 1519 e foi ordenado sacerdote. Mas nem o estudo e nem sua ordenação lhe trouxe paz alguma. Ele estava tentando abençoar o descanso de sua alma através das boas obras, ir à missa, comungar, negando seus apetites e religião morta; porém nada funcionava.

Então, um dia ele abriu um exemplar do recém-traduzido Novo Testamento em grego, uma tradução proibida pela Igreja Católica. Se trancou em seu quarto e o primeiro versículo que lhe chamou atenção foi no primeiro capítulo da Primeira Carta do Apóstolo Paulo à Timóteo, onde escreve: "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." (v. 15)

Thomas Bilney percebeu que, se Jesus Cristo pode salvar alguém como Paulo que, antes era um bravo, violento, inimigo, assassino arrogante do evangelho, mesmo assim havia esperança para ele. A respeito desse momento assim escrito: "Esta sentença, através da instrução de Deus e trabalhando no meu interior... Fez animar o meu coração, sendo antes ferido com a culpa de meus pecados, e sendo quase em desespero; que mesmo imediatamente me pareceu até interiormente para sentir um conforto maravilhoso e com tranquilidade; de modo que meus ossos machucados saltaram de alegria!"

Bilney era um homem quieto, mas ele começou a orar para que outros possam vir a Cristo. Deus o usou para levar alguns dos professores de Oxford a Cristo, e muitos outros que seriam os grandes líderes da Reforma Inglesa - uma revolução que trouxe a tão necessária liberdade religiosa; quando ele compartilhou o evangelho que contou sua história pessoal e, muitas vezes apontou-lhes a 1a Timóteo 1.15, o versículo que mudou sua vida.

Ele foi preso por pregar o evangelho da salvação pela fé em Cristo, e seria queimado na fogueira por seu compromisso com Jesus, mas por esta altura já era tarde demais. Muitos tinham sido mudados e inspirados por seu testemunho. "As rodas da Reforma Inglesa estava rolando".

O testemunho de Paulo mudou a vida de Bilney. O testemunho de Bilney mudou a vida de muitos outros. Qual é o seu testemunho? Uma das melhores maneiras de compartilhar o evangelho é através da partilha de seu testemunho pessoal. Ela vai encorajar outros e dirão: "Se Deus pode mudar ele ou ela, sei que Ele pode me mudar também". Assim, humilhar-se. Seja transparente. Peça a Deus para ajudá-lo a ver a sí mesmo como um pecador, salvo e perdoado pela graça e de graça. Em seguida, abra a boca e comece a contar de como sua vida foi mudada e veja o que Deus fará.

Enquanto pregava em Ipswich em 28 de Maio de 1527, foi preso. E o mês de novembro seguinte foi levado perante Bispos do Tribunal de Westminster. Para Bilney foi dada uma escolha: a abjurar o que ele havia pregado ou morrer na fogueira. Curthbert Tunstall, bispo de Londres, que tinha o controle do processo, foi mais relutante para encontrar Bilney culpado, e tentou convencê-lo a se retratar. Durante dois dias, sob intensa pressão de Tunstall e amigos bem-intencionados, Bilney estava resoluto em suas convicções. Então, finalmente, em um estado confuso e cansado de espírito, ele se retratou, acreditando que seus amigos tem o melhor juízo. Ele argumentou que, se ele abjurou e salvou sua vida, ele ainda pode servir a Deus. Em 07 de Dezembro, foi Bilney desfilar na humilhação perante o Conselho de Bispos e levado de volta para a prisão a cumprir sua penitência.

Embora definhando na prisão, a mente de Bilney foi preenchido com remorso sobre a sua ação. Seu coração se afundou na escuridão e no desespero, como o escritor do Salmos 51, ele experimentou uma profunda prisão da alma. Por dois anos, Bilney habitou nas masmorras de St Paul's Cross, mais um prisioneiro de sua própria consciência do que da igreja. Foi só uma noite em 1531, quase um ano após o retorno à prisão de Cambridge que, em palavras de Latimer, ele tornou-se como uma ressurreição dos mortos. Bilney resolveu resgatar os anos perdidos e, como seu Mestre, disse aos seus amigos que ele iria "subir a Jerusalém e deve vê-los mais". Chegando em Norfolk, ele pregou com grande unção proclamando: "Essa doutrina, que uma vez eu falei é a verdade. Que meu exemplo sirva de lição a todos que me escutam". Sem medo, ele pregou o evangelho distribuindo Novos Testamentos e colocando expostos os erros de Roma.

Não demorou muito para Bilney ser preso, julgado em Norwich, e enviado a Londres para execução.


Extraído de: Protestantismo.com.br

Leia também outra biografia, disponível aqui! (em Inglês).
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Por Rick Phillips


A ala progressiva do evangelicalismo parece estar escalando em suas demandas de que igrejas baseadas na Bíblia aceitem a homossexualidade como estilo de vida aceitável. Um exemplo disso é um vídeo recente de Nadia Bolz-Weber intitulado “Eu Sou a Igreja”. O vídeo traz uma série de jovens que resumidamente afirmam o porquê de irem à igreja, se identificam com alguma das nomenclaturas LGBT e insistem que devem ser aceitos como cristãos. A mensagem básica é “Eu sou um cristão homossexual e não sou um problema”. Claro, todo o objetivo do vídeo é fazer sua sexualidade o problema e exigir aceitação de cristãos cujas consciências proíbem tal coisa. O destaque vem ao final, quando Bolz-Weber lê Efésios 2.14-15 para concluir: “Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade” (NVI).

Antes de dar razões pelas quais esse tipo de apresentação não é persuasiva aos cristãos que discordam, deixe-me dizer que sou tocado pessoalmente por qualquer profissão sincera de fé na graça de Jesus Cristo. O primeiro rapaz no vídeo fala de receber graça e perdão no evangelho, e eu não olho para ele apenas com mais um “gay”, como ele coloca, mas como um pecador que, como eu, tem um amplo leque de necessidades espirituais que são satisfeitas apenas em Jesus Cristo. Eu louvo o Senhor por isso. Uma mulher chamada Kathleen se alegra ao dizer que “eu não tenho nada que me faz merecedora ou digna”. Pecadores de todos os tipos se alegram nessa mesma misericórdia ao nos chegarmos a Deus e Cristo. Por mais que saiba que esses homens e mulheres estejam sendo destacados para advogarem por uma única questão, eu sei que são pessoas cujas identidades transcendem em muito sua sexualidade e que Jesus realmente é o Salvador de todos que vão a ele em fé.

Entretanto, há preocupações vitais que não posso deixar de lado, dada a obrigação, como cristão, de ser fiel a Cristo e, como pastor, de afirmar a Palavra de Deus. Deixe-me responder, então, a esse vídeo com três críticas, a saber: 1) nem todas as divisões são a mesma coisa; 2) o evangelho inclui transformação de vida em direção à santidade; e 3) ser parte do Corpo de Cristo envolve obrigações morais.

1. Nem todas as divisões são a mesma coisa. Quando Paulo falou de “barreiras” na passagem de Efésios citada por Bolz-Weber, ele estava se referindo à divisão entre judeus e gentios. Cristo derrubou uma divisão étnica/cultural, deixando claro que povos hostis são feitos um só ao serem trazidos para Deus por meio do sangue de Cristo (Efésios 2.13-16). Embora o homossexualismo claramente envolva uma subcultura, também é definido pela Bíblia em termos morais. A questão, então, não é se cristãos bíblicos podem aceitar pessoas de uma subcultura sociológica diferente – nós podemos, e devemos, fazê-lo – mas se nós podemos aceitar um comportamento moral que é especificamente condenado na Bíblia. É por isso que eu peço que Nadia Bolz-Weber continue lendo Efésios. Em Efésios 5.5 ela vai encontrar Paulo escrevendo: “Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus”. A comparação com outras passagens como 1 Coríntios 6.9 remove qualquer dúvida que Paulo está incluindo o homossexualismo e os desvios sexuais relacionados. Assim, por mais que possamos concordar honestamente que etnias e raças são abraçadas pela unidade do corpo de Cristo, não podemos admitir que comportamento sexual deva ser tratado da mesma forma. Essa é a questão que não vai ser deixada de lado pelos cristãos bíblicos, não importa quanta pressão seja aplicada sobre nós: a Bíblia proíbe que cristãos sejam homossexuais. Assim, não podemos concordar com a categoria do Cristão Homossexual.

2. O evangelho inclui transformação de vida rumo à santidade. Uma asserção feita no vídeo é que ser cristão significa que não precisamos mudar. Isso é simplesmente uma negação do evangelho, que inclui não apenas perdão, mas também santificação. A boa nova é tanto o perdão dos pecados por parte de Cristo quanto sua vitória sobre o pecado na vida do crente. Com isso em mente, vemos que a demanda para aceitar homossexuais como cristãos está aliada às tendências antinomistas crescentes no evangelicalismo atual. Uma mulher no vídeo fala que “sugerir que eu preciso mudar é dizer que eu sei melhor do que Deus o que Deus planejou para a minha vida”. Ela não percebe que a Bíblia diz a ela o que Deus planejou para as nossas vidas, inclusive nossa transformação moral, especialmente. Foi com a pureza sexual especificamente em mente que Paulo escreveu “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição”. Dizer que meu Cristianismo não impõe demandas à minha sexualidade é simplesmente negar o senhorio de Jesus Cristo sobre uma das partes mais integrais da vida. Qualquer que seja a questão, seja sexualidade, uso do dinheiro ou a forma com que tratamos as pessoas no trabalho, Cristo é Senhor e Ele insiste, de fato, que mudemos, mesmo quando nos cobre com sua justiça e nos reveste do poder do Espírito Santo. Aqui, novamente, a questão central é nossa submissão às Escrituras como Palavra de Deus. Nós podemos afirmar que mudar a sexualidade significa dizer que “eu sei melhor que Deus”, mas quando a Bíblia fala claramente sobre determinado assunto, então a fé nos obriga a buscar a mudança, pela graça que Deus dá.

3. Ser parte do Corpo de Cristo envolve obrigações morais. Isso, provavelmente, foi a questão que mais me chamou a atenção ao assistir o vídeo. Um homem chamado Jim declara “eu sou a igreja, independente da minha sexualidade”. Entretanto, de acordo com a Bíblia, é especificamente porque cristãos são o corpo de Cristo que devemos ser santos. Falando especificamente sobre indecência sexual, e escrevendo a crentes imersos em uma cultura sexualmente perversa, Paulo fez o apelo urgente de que ser parte do corpo de Cristo requer que sejamos puros: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?” (1 Coríntios 6.15); “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6.19-20). A questão aqui era sobre adultério com uma prostituta, mas toda a pureza sexual está implícita, incluindo a proibição bíblica da homossexualidade.

Sinto muito que, nesse vídeo, esses homens e mulheres sejam transformados no próprio “problema” que eles afirmam ressentir. De fato, eles não são “um problema” para mim, mas pessoas de valor inestimável cujo relacionamento com Cristo tem implicações eternas. Entretanto, o cuidado para com eles como pessoas e a preocupação com seu senso de bem estar em nossas igrejas não pode se sobrepor ao nosso compromisso com o ensinamento claro de Deus em sua Palavra. Não importa quantos testemunhos sejam apresentados exigindo que abramos mão, devemos sempre abraçar o ensinamento da Bíblia. Com isso em mente, deixe-me concluir com dois comentários dirigidos especificamente a qualquer um dos homens e mulheres do vídeo que possam estar lendo isso, ou outros leitores que compartilham das mesmas orientações sexuais.

Primeiro, crer em Jesus significa crer em toda a sua Palavra, que fala clara e inescapavelmente sobre a pecaminosidade do homossexualismo. Eu sei que há estudiosos que afirmam que ela não o faz, mas igrejas fiéis à Bíblia, em geral, não são persuadidas por eles. Essa é a questão. Ao invés de exigir que desistamos do que estamos convencidos ser uma questão de fé e obediência a Cristo, te pedimos encarecidamente que considere as razões pelas quais aceitamos os ensinamentos da Bíblia sobre esse assunto. Há boas discussões sobre a questão de qual é o ensinamento da Bíblia sobre homossexualidade, e é nisso que o foco deve estar.

Segundo, há uma grande diferença entre o desespero quebrantado por conta do pecado e uma exigência desafiadora para que o pecado seja aceito. Cristãos são todos pecadores indignos do amor de Deus, mas que encontram perdão em sua graça, junto com o poder para mudar. Se você diz “eu realmente estou quebrantado, confuso e sofrendo. Eu recebo tudo que Jesus oferece e demanda, incluindo a mudança moral que eu não posso alcançar por mim mesmo. Eu preciso de seu amor, suas orações e sua ajuda”, você vai encontrar o acolhimento compassivo de seus amigos cristãos. Mas se você diz “eu exijo que vocês aceitem meu comprometimento com o que a Bíblia declara que é pecado”, então nossa negação em concordar não é uma questão de ódio contra você, mas uma demonstração de amor por Cristo e Sua Palavra. E também é, creio, uma forma de demonstrar amor a você, já que Paulo disse que àqueles que continuam lendo Efésios:

Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4.15)

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Fonte: Reformation21
Tradução: Filipe Schulz
Via: Reforma21

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

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Por Denis Monteiro


Minha mente, contudo, é mui tranquila, a qual recebe tudo sem se ofender. 

Esta frase de Cicero, que fora citada por Calvino em seu comentário aos Filipenses, expressa boa parte do que Paulo quis dizer em Filipenses 4.5: Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.

Mas, por que a frase de Cícero não está totalmente correta? Pelo fato de que a moderação não deve ser algo sentido interiormente, como se fosse somente uma paz intrínseca. O texto nos mostra dois motivos pelos quais devemos ser moderados. 


Primeiro, o que é ser moderado?

De acordo com o Dicionário Teológico do Novo Testamento, a palavra se refere a “aquilo que é correto e apropriado [...] Epieíkeia denota um ato legal de “clemência” ou “leniência” [...] Paulo propõe a “humildade” de Cristo como o modelo. Como o rei, Cristo demonstra bondade [...] Os fracos procuram asseverar a sua dignidade. Cristo, tendo à majestade divina, mostra clemência salvífica”.[1]

A definição acima, tendo Cristo como o maior exemplo, expressa bem o que Paulo provavelmente quis dizer às irmãs Evódia e Sintique (v.2). Não sabemos ao certo qual foi à situação que essas duas irmãs se meteram, mas Paulo roga a elas para que pensem concordemente no Senhor [tenham a mesma mente no Senhor] (v.2). Os textos do verso 2-4 mostram que essa mente deve ser humilde e alegre[2], e agora, no verso 5, elas devem ser moderadas, moderadas como Cristo. Pois, Cristo sendo espancado por nossos pecados, cuspido na cara e crucificado não reagiu e disse: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Toda ira que Cristo poderia ter nesta hora - e poderia ter porque Ele é Deus - é revertida em intercessão. Intercessão essa que Cristo ensina aos seus discípulos:
Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” Mt 5.44
Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os injustos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Lc 6.35,36

Segundo, como eu devo fazer isso? 

Como deve ser a minha moderação? Esta moderação, conforme o texto é para ser conhecida diante de todos os homens (v. 2b). 

Os homens (as pessoas em nossa volta) devem ver a nossa conduta como pessoas redimidas pelo Santo Espirito de Deus. Quando pecamos, damos mau testemunho pecando contra Deus e desmoralizamos o nome de Cristo. Porque todas às vezes que a Igreja de Cristo é mencionada, na verdade, Cristo é o principal mencionado. Pois, quando pecamos não é só o nosso nome que está em jogo, juntamente com o nosso nome levamos o nome de Cristo. Por exemplo, quando Paulo perseguia os cristãos, Paulo na verdade perseguia a Cristo (At 9.5).

Nós, cristãos, devemos andar com boa conduta em sabedoria. E essa sabedoria, conforme Tiago 3.13, é mediante condigno proceder. Pedro, em sua primeira carta, disse:

Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem (2.12).

A nossa vida como testemunho pode dizer se cremos ou não em Deus. Paulo disse a Tito: Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (1.16). As nossas ações, por mais que tenhamos adesivos, camisetas, livros e/ou Bíblias, as quais querem mostrar que somos crentes, elas podem mostrar nitidamente que não cremos em Deus porque o negamos com nosso testemunho. 

Mas, por que eu devo ser moderado?

O texto nos diz: Perto está o Senhor!” (v.5). A melhor forma de ser moderados é entender que o Senhor está perto. A frase “perto está o Senhor”, segundo F.F. Bruce, quer dizer que o Senhor está próximo de nós com a ideia de tempo e lugar[3]. O fato do Senhor estar perto isso nos traz pavor, mas também pode nos trazer conforto. 

O pavor é de que Deus vê todas as nossas ações e pensamentos, como diz Provérbios: Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (15.3; cf. Sl 33.13). O Senhor sabe cada passo que dou, não tem como fazer alguma coisa escondida de Deus. Isso deve fazer com que pensemos mais de duas vezes antes de cometer algum pecado.

Mas, a presença de Deus nos traz conforto porque o próprio Cristo disse que estaria conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20). A presença de Cristo é confortante, pois temos um repouso seguro.

E, assim, creio eu de que estes textos podem ser facilmente encaixados no que Paulo exorta:

Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito. – Sl 34.18
Tu estás perto, ó Senhor, e todos os teus mandamentos são a verdade.  Sl 119.151
Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. – Sl 145.18

Conclusão

Como crentes devemos sempre ser moderados, não só a vista dos Homens, mas sabendo que o Senhor está do nosso lado, conforme o que disse o salmista: Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;” Salmo 139.7-12. Ou seja, nenhum lugar e nada poderá nos esconder de Deus e esconder aquilo que fazemos. Por isso peçamos a Deus, o qual nos conhece por completo, que guie nossos passos em veredas direitas. 

Antes nós estávamos separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo (Ef 2.12), mas por intermédio de Cristo, o sangue vertido na cruz, fez com que chegássemos perto de Deus. A nossa moderação sincera expressa a realidade da obra de Cristo e nossas vidas.

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Notas:
[1] KITTEL, Gerhard. Dicionário teológico do Novo Testamento, Gerhard Kittel e Gerhard Friedrich; condensado por Geoffrey W. Bromiley. São Paulo: Cultura Cristã, 2013. p. 268
[2] "Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor. E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os meus outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida. Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos." Filipenses 4:2-4
[3] BRUCE, F. F. Comentário Bíblico Contemporâneo – Filipenses. Editora Vida, p. 151 

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Fonte: Bereianos
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Por Thomas Magnum

Introdução

Em uma tarde numa livraria fui abordado por um senhor que olhava curiosamente a seção de livros religiosos, ele me fez uma pergunta muito interessante; você acredita na ressurreição ou na reencarnação? Então lhe respondi, acredito na ressurreição, pois é isso que a Bíblia diz. Com muita gentileza e educação ele retrucou, não, não meu jovem, em João 3.3 a Bíblia ensina a reencarnação. Nossa conversa estendeu-se por alguns minutos e discutimos se realmente a Bíblia fala e ensina a reencarnação. Bem, é claro que ao tratarmos desse assunto temos inúmeras passagens da Bíblia que foram utilizadas por reencarnacionistas, para supostamente provar que tal ensino está nas Escrituras. Não tenho a pretensão de esgotar o assunto, trataremos neste artigo do que a Bíblia ensina nessa passagem em especial, e veremos que a reencarnação não tem respaldo bíblico.

Interpretação reencarnacionista

O texto Bíblico diz o seguinte: Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” - João 3.3.

A declaração reencarnacionista: “Se o homem não renasce da água e do espírito, ou em água em espírito, significa: Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma”, (O Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 561). Antes de analisarmos o texto Bíblico e a declaração espírita, vejamos a definição dada por Kardec ao pensamento reencarnacionista: “A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia da justiça de  Deus com respeito aos homens de condição moral inferior, a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, é o que os espíritos ensinam”, (O Livro dos Espíritos, p. 84). 

João 3.3

O texto em foco em nosso estudo é uma declaração de Jesus a Nicodemos, que era um homem de autoridade entre os judeus. Ao declarar no versículo 3, que ninguém poderia entrar no reino de Deus se não nascesse de novo, Jesus não estava defendendo a reencarnação, num olhar simples sobre o texto vemos que nem Nicodemos entendeu assim, disse Nicodemos no versículo 4: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” - João 3:4. 

Nicodemos não entendeu o nascer de novo como uma multiplicidade de existências, mas, como voltar a nascer da mesma mãe. Portanto, vemos que a interpretação de Nicodemos em si já contradiz o que ensina a crença espírita, pois aqui no entendimento errôneo de Nicodemos, pensou ele que nasceria no mesmo tempo e teria a mesma descendência, o que vai de encontro também a crença reencarnacionista. Também pontuamos que o termo “nascer de novo” (do grego anotem) significa nascer do alto, nascer de cima, pela obra soberana da graça de Deus, pela regeneração operada pelo Espírito Santo, mediante a Palavra ( João 15.3; Efésios 5.26). A Escritura nos diz que Deus nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo (Tito 3.5). Jesus estava falando de regeneração e não de reencarnação, Ele se referiu as mudanças íntimas das disposições da alma e não do corpo. O apóstolo Paulo nos diz na segunda epístola aos coríntios: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” - 2 Coríntios 5.17-19. 

Podemos perceber claramente nessa passagem que o agir regenerador de Deus no homem é parte de seu ato reconciliador em Jesus Cristo. Através de Jesus é que somos trazidos a Deus. O reformador João Calvino disse certa vez que “Não há outra vida da alma senão aquela que é bafejada em nós por Cristo; de modo que só começamos a viver quando somos enxertados nele e passamos a desfrutar vida comum com Ele”.[1]

Algumas perguntas aos reencarnacionistas 

Se a alma se reencarna para pagar os pecados de uma vida anterior, dever-se-ia perguntar quando se iniciou esta série de reencarnações. Onde estava o homem quando pecou pela primeira vez? Tinha ele então corpo? Ou era puro espírito? Se tinha corpo, então já estava sendo castigado. Onde pecara antes? Só poderia ter pecado quando ainda era puro espírito. Como foi esse pecado? Era então o homem parte da divindade? Como poderia ter havido pecado em Deus? Se não era parte da divindade, o que era então o homem antes de ter corpo? Era anjo? Mas o anjo não é uma alma humana sem corpo, ele é um ser de natureza diversa da humana. O que era o espírito humano quando teria pecado essa primeira vez? [2]

A reencarnação prova a Justiça de Deus?

Como vimos no inicio de nosso breve comentário, Kardec afirma que a crença na reencarnação demostra a justiça de Deus: 

“A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia da justiça de Deus com respeito aos homens de condição moral inferior, a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, é o que os espíritos ensinam”, (O Livro dos Espíritos p. 84). 

O ensino espírita nega o que a Palavra de Deus nos diz a respeito da justiça redentiva de Deus: “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.” -  1 Coríntios 1.30. Cristo é nossa Justiça e não a reencarnação. A Escritura continua a nos ensinar:

 “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.3,4). 
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4,5).
Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mt 16.21-23). 
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.8-10). 

Ainda citando Calvino, vemos que: Fora de Cristo não há justiça alguma, nem salvação, nem mérito.³ Somente em Jesus temos a justificação de nossos pecados, Ele é a porta (Jo 10.9), Ele é a vida (Jo 14.6), Ele é o mediador (1 Tm 2.5). Nas palavras do reformador ainda lemos: “Nenhum outro jamais se apropriará corretamente da justiça divina senão aquele que a abraça como ela é oferecida e apresentada na Palavra” (Comentário dos Salmos, Sl 40.10, p. 233). O que a Bíblia nos ensina claramente, como vimos, são as doutrinas da regeneração e da ressurreição, nunca reencarnação, Jesus disse: Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.” - João 5.28-29. 

E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. - Hebreus 9.27.

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Notas:
[1] Comentário de Efésios 2.4, João Calvino, p. 51.
[2] Perguntas aos reencarnacionistas - http://www.cacp.org.br/perguntas-aos-reencarnacionistas
[3] Comentário de Efésios 2.3, João Calvino, p. 54.

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Divulgação: Bereianos