Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CRENTES CAMALEÕES, UM TRIBUTO À COVARDIA E AO MEDO DE PERDER




Por Ruy Cavalcante

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre as características de nossa geração e resolvi voltar a este tema hoje. Desta vez falarei sobre um crescente grupo de evangélicos, que pessoalmente considero talvez piores até mesmo que os falsos profetas, se isso for possível.

Refiro-me àqueles que, pela necessidade de serem aceitos por todos e/ou pelo desejo de fazerem sucesso, agem como verdadeiros camaleões espirituais, modificando-se constantemente a fim de se adaptarem em qualquer ambiente, mesmo que para isso necessitem mudar, mais do que as roupas, até mesmo suas bases de fé.

Estes sem nenhum constrangimento declaram-se reformados quando estão numa igreja reformada, concordando com tudo, dizem que aquilo é maravilhoso, declaram amor pela escritura e dizem estar tristes pela situação de parte da igreja que abandonou a palavra de Deus para crer em fábulas.

Mas se visitam uma igreja neopentecostal (e estas constantes visitas em diferentes igrejas acontecem muito, especialmente com pregadores, grupos de louvores e grupos de jovens), entram no clima, testemunham que estão sentido algo tremendo, profetizam e determinam, fazem de tudo para se parecer com eles e para mostrar que concordam com tudo que ocorre lá dentro. Temem parecer frios aos olhos daqueles crentes “avivados”, e dessa forma jamais serem convidados novamente.

Fazem a mesma coisa em cada igreja que visitam, independente do que se pratique lá dentro, pois a necessidade e o desejo de "vencer" é maior que tudo. Há tempos estes irmãos foram contaminados com a semente da confissão positiva e da teologia da prosperidade, com suas atraentes promessas de triunfo nesta terra, e com medo de não alcançarem estes frutos desejosos, ou por pura necessidade psicológica de atenção, relativizam a verdade, omitem-se dela ou simplesmente a ignoram.

Na verdade são uma legião de covardes e não se importam com nada além deles mesmos, não se importam nem mesmo com Deus.

Preciso falar algo a estes irmãos: Paulo alertou Timóteo de que todos os que desejam, e vivem, piamente em Cristo, ou seja, de forma verdadeira, justa e fiel a Cristo, sofrerão perseguições (2 Tm 3:12), e isto inclui não serem bem recebidos em muitos lugares e, infelizmente, em muitas igrejas (aqui me refiro a igreja física, organizada).

Isso não é motivo de vergonha, mas sim de intensa felicidade! O próprio Senhor Jesus afirmou isso, quando diante de uma multidão declara:

Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a recompensa de vocês no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas”. (Lc 6:22-23)

Não tenham medo, não sejam covardes, não temam perder! Nossas aparentes derrotas ocasionadas pela firmeza na verdade do Evangelho são um acúmulo de vitórias onde de fato elas fazem sentido, no Reino de Deus!

Não se trata de saírem por aí contendendo com todos por discordâncias teológicas, se trata de agir sempre em conformidade com a verdade, mesmo que a dano próprio. Ninguém normal deseja ser perseguido, não conheço cristãos genuínos que busquem perder amigos ou anseiam por ouvir uma congregação dizer que eles não são bem vindos por lá. Certo é que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos (Rm 12:18). Mas a verdade não depende de nós, não temos escolha diante dela, ou pregamos e vivemos a verdade, ou toda nossa vida é uma farsa, e no último dia daremos conta de toda mentira e falsidade que praticamos. Agir assim, com tanta inconstância, omissão e dissimulação é pecado.

Mantenha-se firme na verdade, seja ela qual for. E que Deus tenha misericórdia de todos nós.

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Ruy Cavalcante, via Intervalo Cristão.

Livros não recomendados: Bem-Vindo, Espírito Santo

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Formato: 10 x 17 cm
Páginas: 
349
Editora: 
Bompastor
Autor: Benny Hinn
À semelhança de seus trabalhos prévios, além de algumas exposições bíblicas, o livro é extensamente autobiográfico. Ele contém detalhados relatos pessoais sobre a sua infância, em Israel (p. 73), sobre a influência recebida de seus familiares (pp. 74-76), sobre a sua conversão e momentos difíceis vividos após ela (pp. e 83), e sobre a sua numericamente bem-sucedida carreira, no campo do evangelicalismo moderno. Esta carreira culmina com a fundação do Centro Cristão de Orlando (Orlando Christian Center), uma igreja interdenominacional com mais de sete mil membros registrados (p. 154). Esta linha autobiográfica torna a obra interessante à leitura, e serve de veículo para a canalização das inúmeras experiências extraordinárias relatadas pelo autor, que já fazem parte ordinária de sua vida: por exemplo, ele registra sua conversão em 1972, quando deveria ter entre 20 a 21 anos de idade (P. 21), mas já aos 11 anos teria tido uma "visão do Senhor Jesus," (p. 19) na qual pode observar "as marcas dos pregos em suas mãos" (p.20); . Possivelmente, encontraríamos também, neste aspecto íntimo e pessoal do livro, aliado à fácil linguagem e desenvoltura na narrativa, a explicação pela popularidade e ampla aceitação das suas obras.
Também a exemplo dos livros anteriores, Benny Hinn relata vários diálogos com Deus, com o Espírito Santo, e revelações diretas recebidas dele (exemplos: p. 122 - onde o nome do seu primeiro filho foi revelado, anos antes dele nascer; ou a revelação sobre a sua segunda filha, que "seria uma grande guerreira de oração", na p. 123). Ficamos intrigados com estes relatos: será apenas uma forma hiperbólica de expressão? Será simplesmente uma maneira retórica de registrar a comunhão normal que os crentes mantêm com o Espírito Santo, como aquele que habita em cada um dos preciosos redimidos de Cristo? Será que um crente comum, não iniciado nesta casta super-espiritual, não expressaria as mesmas situações vividas, dizendo o seguinte: "fiquei pensando no assunto, pedindo a orientação de Deus em oração e saí com a convicção de que este deveria ser o curso de ação seguido; ou de que este ou aquele nome honraria a Deus na minha criança; ou ainda, de que deveria aplicar todos os meus esforços, sob a orientação de Deus, para que a minha filha fosse consagrada e uma bênção em sua vida..." Mas não, a forma como Benny Hinn coloca as coisas, transmite a idéia de que ele vive sua vida em um estágio perene de revelação. O extraordinário e o incomum já fazem parte do seu cotidiano. Por exemplo: falando sobre o evangelista inglês Smith-Wigglesworth, famoso por sua atuação no campo da cura e influente na família de sua esposa, ele registra, sem o mínimo grau de questionamento ou cautela, a declaração que "19 pessoas ressuscitaram dos mortos através do ministério dele" (p.117).
Podemos tirar, entretanto, uma conclusão dos seus relatos destas interações com o Espírito Santo: Estes diálogos revelacionais, supostamente mantidos, não constituemgarantia de certeza quanto aos passos revelados. Como exemplo disso, temos o registro de seus planos para a fundação de uma igreja. Diz ele que já sabia "que Deus queria que eu começasse uma igreja", e que "também sentia que sabia exatamente onde ela deveria ser: Phoenix, Arizona" (p. 149). Esperar-se-ia que uma revelação tão precisa, advinda da parte de Deus, estaria acima de qualquer reversão posterior. Ocorre que existiram várias "revelações" subsequentes, dadas a amigos colaboradores seus, à sua esposa, e até a um homem a quem ele não conhecia, e que lhe disse: "O Espírito Santo está me dizendo que você deve iniciar uma igreja em Orlando..." (p. 150). Estas "revelações" adicionais (se bem que contraditórias à primeira) o levaram a "ouvir" do Espírito Santo: "Benny, você deve iniciar uma igreja em Orlando" (p. 151).
Qual a nossa conclusão? Que a primeira "revelação" era errônea, mas a segunda verdadeira? Qual o crivo a que devemos submeter as revelações de Benny Hinn, para saber se vêm do Espírito? Temos que aceitar tácita e tranqüilamente estas "revelações" que supostamente advêm do Espírito e que nos são apresentadas como normativas em nossas vidas, quando ele próprio registra a contradição (mas não dá sinais de admitir o exagero retórico de suas colocações)? Temos de responder pelo menos com três sonoros nãosNão devemos deixar que sejamos manipulados por qualquer um que venha supostamente trazendo a palavra autoritária do Espírito, transcendendo e sobrepondo-se à verdadeira revelação que nos foi dada nas Escrituras Sagradas. Não devemos deixar que experiências pessoais, intangíveis e inverificáveis, nos sejam impingidas como normativas em nossas vidas. Não devemos deixar de exercitar a cautela dos Bereanos.
Este aspecto contraditório do seu ministério, está presente em outras partes do livro. Ele informa que foi dirigido especificamente pelo Senhor para jogar o paletó em cima das pessoas, para que recebessem a unção do espírito (p. 325), mas hoje já não faz mais isso, porque as pessoas passaram a vir "às cruzadas, esperando ver-me tirando o casaco e usando-o como um meio de trazer a unção" (p. 327); ele defende "o riso santo" e descreve como isto ocorreu pela primeira vez, em uma de suas reuniões, em Portugal (p. 329), mas adverte que "quando as pessoas começam a buscar amanifestação ao invés do Mestre, a presença de Deus se retira" (p. 330). Nestas colocações ele aparece no mínimo indiferente ao fato de que o seu ministério é basicamente mais propagador das manifestações do que do próprio Mestre, e que ele éo responsável por incontáveis imitações de suas manifestações. Indagamos ainda: se o Espírito supostamente lhe direcionou a que passasse a jogar o paletó, porque o seu julgamento, de que tal mesura passara a ser inapropriada, iria se sobrepor ao direcionamento anterior do Espírito? Detectamos, no mínimo incoerência com suas próprias premissas.
Os melhores pontos do livro, são aqueles em que ele se refere à Palavra e se limita à exposição bíblica sobre a pessoa e obra do Espírito Santo. Encontramos uma boa exposição da personalidade do Espírito (pp. 45 a 60); da sua divindade (pp. 64 a 72) e ele ocupa dois capítulos, se bem que intercalados com notas autobiográficas sem muito relacionamento com o contexto, com uma exposição dos seus nomes e títulos(capítulos 4 e 5 - pp. 97 a 116 e 124 a 145). Na teoria, ele defende até a posição histórica da Igreja, fazendo referência ao Credo Niceno (p.32), e enaltecendo a forma de tratamento à trindade ali encontrada. Mas a impressão deixada é que essas âncoras bíblicas de conhecimento sobre a pessoa do Espírito Santo, não chegam a ser tão fundamentais assim no desenvolvimento de sua teologia e prática. Esta é muito mais construída nas suas experiências pessoais e extraordinárias do que na Revelação Bíblica que nos ensina quem o Espírito Santo é e o que faz. O "Como Experimentar a Dinâmica", do subtítulo do livro é, na realidade, extraído dos relatos sobre o que aconteceu com o próprio Benny Hinn e com pessoas que o influenciaram, e não como fruto de uma exposição cuidadosa das prescrições bíblicas.
Por exemplo: Numa reunião, ele experimentou o poder do Espírito Santo, descrito como uma "intimidade muito grande com o Senhor, algo maior do que qualquer coisa que eu conhecia, uma experiência que causa impacto na minha vida até hoje" (p. 24). Esta experiência foi precedida por uma ânsia. Esta mesma ânsia é prescrita ao leitor como sendo o passo inicial para que possa ter uma experiência semelhante: "Esta ânsiaé muito importante. Na verdade, é a primeira chave para se experimentar a atuação do Espírito Santo..." (p. 25). Hinn não se preocupa se este sentimento ou sensação faz parte das prescrições doutrinárias das Escrituras sobre a pessoa do Espírito Santo e o seu relacionamento com os seus -- a experiência volta a falar mais alto que a Palavra.
Em adição, apesar de Benny Hinn registrar o ensinamento bíblico que o Espírito Santo "nunca exalta a si mesmo, mas sempre glorifica e engrandece o Senhor Jesus" (p. 32) o tratamento dado ao assunto parece demonstrar exatamente o oposto. Este grande ponto, que, no nosso entender é a chave para o desenvolvimento de uma pneumatologia bíblica, é intensamente negligenciado e subvertido pelo movimento pentecostal e neo-pentecostal, resultando nas distorções litúrgicas e doutrinárias observadas nesses segmentos.
O resgate da Cristologia verdadeira, passa pelo reconhecimento e incorporação prática, das explicações de Jesus sobre a obra do Espírito Santo (João 14 a 16) -- ou seja, a Pneumatologia verdadeira é aquela que é Cristocêntrica. Ocorre que tal reconhecimento tem de ir além de meros registros e da retórica, como o faz Benny Hinn, pois eles se anulam quando as experiências se sobrepõem à Palavra. Apesar da declaração contrária, a observação que temos destes segmentos denominacionais e do livro, como um todo, é que espera-se sempre que o Espírito fale de si mesmo.
Para Benny Hinn, as razões motivadoras da Reforma e o grande abismo doutrinário que separa o Catolicismo Romano do Protestantismo Histórico, devem ser meras firulas doutrinárias; simples detalhes insignificantes que não devem se intrometer na interpretação estendida que deve dar ao "ecumenismo interdenominacional" que pratica. Com efeito, ele registra que no início do seu ministério, "um grupo de padres católicos de várias igrejas, patrocinou minhas reuniões no norte do Canadá" (P. 290). Nessa ocasião, foi convidado pela madre superiora de um hospital católico para conduzir um culto, "juntamente com outros três pastores pentecostais e sete sacerdotes católicos" (P. 291). O objetivo daquela visita era a cura, praticada e obtida, naquele hospital.
Estas manifestações são classificadas como "avivamento" (P. 295) e nenhuma menção é feita ao ministrar da cura espiritual à alma, providenciada pelo Evangelho Salvador de Cristo, sem intermediários outros que não o próprio Cristo, sem recursos outros que não a própria fé, que é dom de Deus. Na realidade, o ponto alto daquele "avivamento" foi quando um dos padres, sem entender muito bem o que estava fazendo, percorreu os corredores daquele hospital com o braço levantado, aplicando a cura aos enfermos que encontrava, aplicando a "unção" do Espírito.
Em conclusão, não podemos deixar de notar a ironia que é o fato da grande influência na vida e ministério de Benny Hinn, com suas peculiaridades doutrinárias tão marcantes, ter tido origem em uma igreja Presbiteriana, sob a égide de um ministério feminino, cuja ênfase era totalmente nas prolongadas sessões de cura. Nas páginas 21 a 29 lemos como a sua presença em uma dessas seções de cura, dirigida por Kathryn Kuhlman, na Primeira Igreja Presbiteriana de Pittsburgh, em 1973, foi oponto de partida de todo a sua carreira formando as características principais que o identificam até os dias de hoje. Ele próprio fala da semelhança do seu ministério "com o de Kathryn" (p. 335). Obviamente esta reunião ocorreu em um segmento do presbiterianismo que já havia ab-rogado os seus fundamentos confessionais (haviam adotado a herética "Confissão de 1967") e que abertamente negligenciava os parâmetros doutrinários e litúrgicos da Reforma, abrigando a ordenação feminina. Como no Brasil temos a tendência de imitar retardadamente os trejeitos e modismos eclesiásticos do mundo religioso norte-americano, ignorando até quando os resultados no país de origem se mostram espiritualmente deletérios, será que não poderíamos enxergar aqui um aviso para nos mantermos, como igreja, fora deste curso perigoso?
Resenha feita por Solano Portela em seu site pessoal.
A leitura deste livro é sem sombras de dúvidas...


Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

Eu creio nos 5 Solas da Reforma

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Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


Somos uma igreja herdeira da Reforma protestante do século XVI. Os 5 pilares da nossa herança são:

               Sola Scriptura: somente a Escritura Sagrada
               Solus Christus: somente em Cristo
               Sola gratia: somente a graça
               Sola fide: somente a fé
               Soli Deo gloria: somente a Deus toda glória


1. Somente a Escritura Sagrada: é a nossa única fonte e regra de fé e prática.

O calvinismo possui o seu sistema doutrinário centrado na Escritura Sagrada. Desde a Reforma do século XVI foi ensinada a doutrina da sola Scriptura – ou seja, que a Escritura é a única fonte e regra de autoridade. Entretanto, a autoridade da Escritura resultado do fato dela ser a Palavra de Deus. John H. Armstrong corretamente observa que “a autoridade é encontrada no próprio Deus soberano. O Deus que ‘soprou’ as palavras por meio dos escritores humanos está por trás de toda afirmação, toda doutrina, toda promessa e toda ordem contidas na Escritura”.[1] Se rejeitarmos a Escritura Sagrada estamos desprezando a vontade preceptiva de Deus.

A Bíblia tem autoridade porque ela é revelação da vontade de Deus. Por isso, “as inspiradas Escrituras, revelando a vontade transcendente de Deus em forma escrita e objetiva, são a regra de fé e conduta através da qual Jesus exerce sua autoridade divina na vida do crente.”[2] Em outras palavras, esta doutrina significa que a base da nossa doutrina, forma de governo de igreja, culto e todas as esferas da vida, não se fundamentam no tradicionalismo, no subjetivismo, no relativismo, no pragmatismo, ou no pluralismo, mas é extraída somente na Escritura Sagrada. Cremos que suficientemente ela é a verdade absoluta, porque somente a Escritura é a Palavra de Deus (2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:19-20).

2. Somente Cristo: o único mediador da nossa salvação.

O nosso Senhor Jesus se fez um de nós para ser o nosso substituto. Ele é o nosso único representante diante de Deus. O Pai firmou o pacto da redenção que estipulava que o Filho viesse ao mundo para cumprir a sua vontade (Jo 4:34; 6:38-40; 10:10). A Confissão de Fé de Westminster declara que

aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.[3]

Não temos outro mediador pelo qual possamos ser reconciliados com Deus, a não ser Jesus Cristo (At 4:11-12; 1 Tm 2:5). A sua obra lhe confere autoridade para declarar justo todos quantos o Pai lhe deu (Jo 6:37,39,65). Toda a obra expiatória de Jesus é suficiente para a nossa salvação (Rm 8:1). Somente através da perfeita obra de Cristo seremos salvos. A nossa culpa e merecida condenação caiu sobre ele (Hb 2:10). A sua obediência ativa cumpriu todas as exigências da Lei, bem como submetendo passivamente à condenação, fez com que pela sua humilhação, obtivesse plena satisfação da justiça de Deus. O Pai retirou o seu consolo e derramou sobre Cristo a sua ira divina, punindo nele o nosso pecado. As nossas iniquidades estavam sobre o Filho, e a justa ira de Deus veio sobre o nosso pecado na cruz (Hb 2:10). Jesus tornou-se amaldiçoado em nosso lugar sobre o madeiro (2 Co 5:21). O Filho de Deus sofreu os tormentos do inferno intensivamente na cruz, o que sofreríamos extensivamente na eternidade. Cremos que a sua morte expiatória na cruz satisfez a justiça de Deus e, eliminou completamente a nossa condenação futura (Rm 3:24-25), redimindo-nos de todos os nossos pecados (Ef 1:7).


3. Somente a graça: a única causa da nossa aceitação.

Cremos que a salvação do homem não é resultado de algum mérito pessoal (Rm 3:20, 24, 28; Ef 2:1-10). Todo ser humano possui uma disposição moral totalmente corrompida, de modo que, ele é incapaz de satisfazer perfeitamente a Lei de Deus (Tg 2:8-10). O empenho de merecer a salvação pelas boas obras somente resulta em condenação. Sem a graça a nossa predisposição natural é somente para o pecado (Rm 7:13-25).

A Escritura nos revela que todo ser humano em seu estado natural é inimigo de Deus (Rm 3:23; 5:10). O teólogo puritano Stephen Charnock observou que “todo pecado é uma espécie de amaldiçoar a Deus no coração. O homem tenta destruir e banir Deus do coração, não realmente, mas virtualmente; não na intenção consciente de cada iniquidade, mas na natureza de cada pecado.”[4] A dureza de coração lhe é normal, porque ele está rígido como uma pedra (Ez 36:26-27).

O livre arbítrio perdeu-se com a Queda.[5] Esta capacidade de agir contrário à própria natureza foi perdida com a escravidão do pecado. No início, Adão criado em santidade, foi capaz de escolher contrário à sua inclinação natural de perfeita santidade e, decidiu pecar. O primeiro homem livremente passou a agir de acordo com a escravidão dos desejos mais fortes da sua alma corrompida pela iniquidade. Ele é livre, mas a sua liberdade é usada tendenciosamente para pecar conforme os impulsos de sua inclinação para o pecado. Se ele for deixado para si mesmo, ele sempre agirá de acordo com a sua disposição interna, ou seja, naturalmente escolherá pecar (Rm 1: 24-32; 3:9-18; 7:7-25; Gl 5:16-21; Ef 2:1-3).

A nossa salvação é resultado da ação da livre e soberana graça do nosso Deus. AConfissão de Fé de Westminster declara que

todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso, dispostos pela sua graça.[6]

Somente a ação soberana e eficaz do Espírito Santo é capaz de regenerar corações implantando uma nova disposição santa. O resultado é a libertação da escravidão do pecado. Esta obra Deus a realiza pela graça somente.


4. Somente a fé: é o único instrumento de posse da nossa salvação.

A fé é o meio normal pelo qual o Espírito Santo aplica o processo da salvação nos eleitos. Entretanto, devemos lembrar que a fé é dom de Deus e não uma virtude humana (Rm 4:5; 10:17; Ef 2:8-9; Fp 1:9). O Breve Catecismo de Westminster define este dom: “fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho.” OCatecismo de Heidelberg esclarece que

a verdadeira fé é a convicção com que aceito como verdade tudo aquilo que Deus nos revelou em sua Palavra. É também a firme certeza de que Deus garantiu – não só aos outros como também a mim – perdão de pecados, justiça eterna, e salvação por pura graça e somente pelos méritos de Cristo. O Espírito Santo realiza essa fé em meu coração por meio do evangelho.[7]

Por isso, a teologia reformada entende que a verdadeira fé é o resultado de um iluminado conhecimento, da plena concordância verdade e da firme confiança na Palavra de Deus.


A justificação vem pela fé somente na obra de Cristo. Nenhum homem pode ser salvo, a não ser que creia na expiação realizada por Cristo, confiando exclusivamente nele (Rm 1:17; Tt 3:4-7; 1 Jo 5:1). A justiça de Cristo que é imputada sobre nós concede, garante e mantém-nos aceitos na comunhão eterna de Deus.

A verdadeira fé conduz as boas obras que evidenciam a salvação e glorificam a Deus. A salvação é pela fé somente, mas a fé salvadora nunca está sozinha. A fé salvadora produz amor prático ao próximo, santidade pessoal em obediência à Palavra de Deus. A Escritura Sagrada declara que “pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).

5. Somente a Deus toda glória: o único objetivo da nossa salvação.

Cremos no único Deus, que é Senhor da história e do universo, “que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11). É nossa convicção que a finalidade principal da vida não é necessariamente o bem-estar, a saúde física, a prosperidade, a felicidade, ou mesmo a salvação do homem, mas, a glória de Deus e na manifestação de todos os seus atributos. Johannes G. Vos comentando o Catecismo Maior de Westminster observa que “quem pensa em gozar a Deus sem o glorificar corre o risco de supor que Deus existe para o homem, e não o homem para Deus. Enfatizar o gozar a Deus mais do que o glorificar a Deus resultará num tipo de religião falsamente mística ou emocional.”[8] Deus não existe para satisfazer as necessidades do homem, embora ele o faça por amor de si mesmo (Ez 20:14). O homem foi criado para o louvor da glória de Deus (Rm 11:36; Ef 1:6-14).[9]

É verdade que a glória de Deus transcende ao nosso entendimento, mas ela pode ser percebida pela sua manifestação na criação e pela revelada Palavra da Deus. João Calvino no início de suas Institutas escreve que

a soma total da nossa sabedoria, a que merece o nome de sabedoria verdadeira e certa, abrange estas duas partes: o conhecimento que se pode ter de Deus, e o de nós mesmos. Quanto ao primeiro, deve-se mostrar não somente que há um só Deus, a quem é necessário que todos prestem honra e adorem, mas também que Ele é a fonte de toda verdade, sabedoria, bondade, justiça, juízo, misericórdia, poder e santidade, para que dele aprendamos a ouvir e a esperar todas as coisas. Deve-se, pois, reconhecer, com louvor e ação de graças, que tudo dele procede.[10]

Mas, por que a nossa felicidade depende da glória de Deus? Simplesmente porque a nossa dignidade e satisfação dependem de vivermos sem a insensatez, vícios e destruição causados pelo pecado. Somente quando obedecemos à vontade de Deus, segundo as Escrituras, podemos andar aceitáveis em sua presença e desfrutar dos benefícios das suas promessas. Aurélio Agostinho em sua obra Confissões declarou que “Tu o incitas para que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti.”[11] Assim, quanto maior for a nossa satisfação em Deus, ele será mais glorificado em nós!


O soberano Senhor não compartilha a sua glória com ninguém! O nosso orgulho é uma ofensa gravíssima ao nosso Deus. Não é em vão que ele denúncia a sua rejeição aos soberbos (Tg 4:6-10). Somente ele é o Altíssimo, enquanto o pecador consegue em suas fúteis pretensões ser apenas uma ilusória altivez. Não podemos esquecer de que somos chamados para ser servos do seu reino, e de que toda a abrangência de nossa vida está ao seu serviço (Rm 11:36).

O profeta Jeremias disse que assim diz o SENHOR: não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. (Jr 9:23-24). Assim, em compromisso, confessamos que “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Rm 11:36).

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NOTAS:
[1] John H. Armstrong, “A autoridade da Escritura” in: Bruce Bickel, ed., Sola Scriptura numa época sem fundamentos, o resgate do alicerce bíblico (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2000), p. 90.
[2] Carl F.H. Henry, “A autoridade da Escritura” in: Philip W. Comfort, ed., A origem da Bíblia (Rio de Janeiro, CPAD, 1998), p. 28.
[3] Confissão de Fé de Westminster VIII.1.
[4] Stephen Charnock, The Existence and the Attributes of God (Grand Rapids, Baker Books, 2000), vol. 1, p. 93.
[5] A tradição agostiniana/calvinista interpreta a doutrina do livre arbítrio da seguinte forme: “o livre arbítrio é dividido em quatro modos, por causa dos quatro estados do homem. No primeiro estado a vontade do homem era livre para o bem e para o mal. No estado caído o homem é livre somente para o mal. O homem nascido de novo, ou o homem em estado de graça, é livre do mal e para o bem, pela graça de Deus somente, mas imperfeitamente. No estado de glória ele será perfeitamente livre do mal para o bem. No estado de inocência o homem era capaz de não pecar [posse non peccare]. No estado de miséria ele é incapaz de não pecar. No estado de graça, o pecado não pode governar o homem. No estado de glória ele se tornará incapaz de pecar.” Johannes Wollebius, Compendium Theologicae Christianae in: John W. Beardslee III, ed., Reformed Dogmatics (Grand Rapids, Baker Books, 1977), p. 65. Este manual de teologia de Wollebius [1586-1629] influenciou os teólogos que elaboraram os Padrões de Westminster.
[6] Confissão de Fé de Westminster, X.1.
[7] Catecismo de Heidelberg, Domingo 7, perg./resp. 21.
[8] Johannes G. Vos, Catecismo Maior de Westminster Comentado (Editora Os Puritanos), pág. 32.
[9] Breve Catecismo de Westminster, perg./resp. 1.
[10] João Calvino, Institutas, (edição estudo de 1541), vol. I, p. 55.
[11] Santo Agostinho, Confissões (Editora Paulus), vol. 10, p. 19.

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Fonte: Estudantes de Teologia
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Por Rev. Ronaldo Mendes


Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,  que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos.”  (2Tm 1.8-9)

Em suas cartas, muitas vezes, o apóstolo Paulo olhava para trás, para a sua própria vida com sentimento de tristeza, mas também maravilhado. Tristeza pelo que ele havia sido no passado: orgulhoso, autoconfiante, arrogante e rejeitava a Cristo. Porém ele olha também extasiado para aquilo que é agora com Cristo: o líder da comunidade cristã, aquele que recebeu a revelação direta de Deus, um plantador de igrejas e acima de tudo, um homem determinado a conhecer o Senhor Jesus.

Com o passar dos anos os cristãos têm debatido muito sobre o processo de conversão. Como se dá? Depende ou não do homem? A Bíblia não nos deixa dúvida que é pela graça de Deus (Ef 2.8). Sem a graça de Deus desde a eternidade passada, não haveria salvação no presente (cf 2Tm. 1.9).

A posição da igreja reformada no decorrer da história da igreja é que a nossa resposta a Deus depende da graça divina, do começo até o fim. Nós não recebemos a influência do Espírito Santo quando cremos, mas para crermos. A realidade que a Bíblia apresenta sobre o homem é que ele é incapacitado de ir a Deus porque está morto em seus pecados: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”(Ef. 2.1 ler: Rm 8.7; Jo 6.44). Essa verdade não é muito aceita por “teólogos psicólogos ” dos dias de hoje.

Se somos incapazes de fazer alguma coisa, como age essa graça maravilhosa para salvação do homem o qual está morto?

Deus escolheu antes da fundação do mundo

E isso  foi de acordo com o propósito de Deus: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef. 1.4-5). A Escritura Sagrada também afirma que Deus nos conheceu de antemão: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Rm 8.28-30) -  No grego a palavra “antemão” vem de uma raiz que dá origem a palavra “horizonte”(harizo). A constelação de nome Horion tem a mesma raiz e é a constelação que está no limite do olho humano, ou seja, até ali o olho humano enxerga. Com a palavra predestinação, entendemos que desde os tempos eternos Deus nos trouxe para o seu horizonte.

Deus conhece os que são seus – “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.” (2Tm 2.19)  Nós acordamos quando Deus nos chamou. Muitos cristãos perdem um bom tempo discutindo sobre predestinação, quando o que Deus tenciona é que desfrutemos dela. Temos que descansar na salvação de Cristo. Deus te escolheu para um propósito assim como escolheu Jeremias (cf Jr. 1.5).

Deus cuida dos escolhidos

Deus conduz a nossa vida para a conversão – Acredito, um pouco por experiência própria, que o Senhor conduz com segurança aqueles que hão de conhecê-lo. É claro que tem casos onde o Senhor se mostra à pessoa que está num estado terminal de saúde, ou vítima de um acidente. Mesmo assim, o Senhor se faz conhecer a ele. O Senhor conduz, e cuida dos Seus eleitos para que eles tenham conhecimento de Sua Palavra. Deus nos prepara para a salvação. Isso também é Graça de Deus. Apesar de tudo que Paulo viveu o Senhor o preservou para que ele tivesse aquele encontro com Cristo que mudaria a sua vida (cf At. 9). O rei Davi disse ao Senhor: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (Sl 139.16). Não só presciência de Deus é destacada aqui, mas também o seu controle total sobre a vida de seus eleitos.

Deus chama os escolhidos

Esse é o momento em que dizemos: “agora entendo!”  O apóstolo de Cristo destaca: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28). Como acontece esse chamado da Graça? “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou...” (Rm 8.30). O chamado acontece através da Palavra de Deus: “… E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?…”(Rm 10.14). E ainda diz o apóstolo: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”(v.17). John Bunyan, conta em seu livro “graça abundante” que chegando em uma cidade ouviu um grupo de mulheres que estavam conversando e ele achava que elas estavam fofocando. Quando ele chegou perto para ouvir, percebeu que elas estavam falando de Cristo, nunca mais ele esqueceu o que ouviu, e Deus trabalhou em sua vida até leva-lo à salvação.

Aqui precisamos destacar algo muito importante:

A mensagem do Evangelho é para todos, como disse Jesus: “… Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16.15). Todos devem ouvir sobre Cristo, sua obra e poder! Essa é a chamada externa. Desde o AT que esta verdade é anunciada: “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas.” (Sl 96.3).

Só o chamado externo é insuficiente para habilitar um pecador a vir a Jesus Cristo. Quem não for eleito, ainda que seja chamado pela Palavra de Deus, jamais virá a Cristo Jesus! Eles jamais aceitarão ao Senhor Jesus Cristo!

Mas a mensagem da Palavra de Deus se torna eficaz para os eleitos – Conhecida como Chamada Eficaz, que é um ato especial do Espírito Santo, o qual opera o novo nascimento. A regeneração é uma experiência que pertence somente aos eleitos. Essa é a chamada “interna” que transforma coração duro como pedra em um de carne, maleável (cf Ez 36.26). A chamada Eficaz é um chamamento tanto “interior” quanto “exterior”.

Conclusão: Como você tem enxergado essa graça em sua vida? Muitos escoram na graça e vivem em pecados, outros vivem indiferentes na igreja não querendo fazer nada porque são salvos, isso é o que importa. Mas nós sabemos que não é bem assim. A graça nos mostra que não somos melhores do que ninguém na igreja; somos todos salvos pela mesma graça; não há lugar para o orgulho e a prepotência. Quem pensa que a predestinação é pretexto pra viver uma vida mundana, não compreendeu o plano de salvação de Deus. Como destacou Pedro: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Somos o povo santo de Deus e separado para as boas obras (cf Ef 2.10).

“Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim” (D M Lloyd-Jones)             

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Fonte: Solus Christus

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

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Por Rikison Moura, V.D.M


Agostinho de Hipona (354-430), foi um dos maiores e mais influentes teólogos da igreja cristã. Respeitado tanto por católicos como por protestantes, Agostinho cravou o seu nome de uma vez por todas nos anais da história. Esse homem foi tão importante para os ideais da Reforma Protestante e seus escritos influenciaram de maneira tão profunda os reformadores, que há quem diga que a Reforma Protestante, bem que podia ser chamada de “Reforma agostiniana”.

Sua teologia desenvolveu-se em um período de conturbados e acalorados debates. E enquanto travava verdadeiras batalhas contra os maniqueus, donatistas, Pelágio e tantos outros, verdadeiras pérolas brotaram da pena de Agostinho. Dentre seus escritos mais importantes destacam-se: Confissões, A Trindade, que ele levou 16 dezesseis anos para termina-la, O livre-arbítrioCidade de Deus e a Doutrina cristã.

Esse livro, A doutrina cristã, é um manual de hermenêutica e pregação. Aqui, Agostinho estabeleceu princípios importantes de interpretação bíblica. Entre esses princípios destacam-se os seguintes:
1. O intérprete deve possuir fé cristã autêntica.
2. Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura.
3. A Escritura tem mais que um significado e portanto o método alegórico é adequado.
4. Há significado nos números bíblicos.
5. O AT é documento cristão porque Cristo está retratado nele do princípio ao fim.
6. Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer, e não introduzir no texto o significado que ele, expositor, quer lhe dar.
7. O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo.
8. Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos versículos que o cercam.
9. Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir-se matéria de fé ortodoxa.
10. O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a Escritura. O intérprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos.
11. A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara.
12. O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.[1]

Porém, mesmo estabelecendo esses importantes princípios de interpretação bíblica, muitos dos quais ainda são utilizados hoje em dia, Agostinho não seguiu de perto esses princípios. Na prática, Agostinho renunciou à maioria dos seus princípios e dedicou-se excessivamente à interpretação alegórica. Ele justificou suas interpretações alegóricas recorrendo a 2 Coríntios 3.6  “Porque a letra mata, mas o espírito vivifica”, querendo com isso dizer que uma interpretação literal da Bíblia mata, mas a interpretação alegórica ou espiritual, vivifica. 

Portanto, a influência de Agostinho na história da interpretação bíblica foi mista: na teoria ele sistematizou muitos dos princípios de uma exegese sadia, mas na prática deixou de aplicar esses princípios em seus estudos dedicando-se a alegoria.

Durante muito tempo a interpretação alegórica reinou na igreja. Desde aqueles que sucederam os apóstolos até a Reforma Protestante no século XVI. Nomes como Clemente de Alexandria (c.150-c.215), Orígenes (185?-254?) eram exímios intérpretes alegóricos. Orígenes dava grande importância a 1 Coríntios 2.6-7 (“falamos a sabedoria de Deus em mistério”). 

Mas o que é alegoria? E quais são os seus principais problemas?

O termo alegoria procede da combinação de dois termos gregos, allos, isto é, “outro”, e agoreyo, “falar”, ou “proclamar”. Literalmente significa “dizer uma coisa que significa outra”.[2]

Esdras Costa Bentho nos chama a atenção de que como figura literária, a alegoria é uma metáfora estendida e um recurso literário válido e útil; porém, como sistema de interpretação, mutila os textos bíblicos.[3]

O grande problema de usar alegorias como método de interpretação bíblica é que ele não leva em consideração a intenção do autor original. A intenção do autor perde-se de vista e o intérprete introduz no texto as suas próprias palavras. O intérprete alegórico é especulativo, extravagante. Na ânsia de encontrar o sentido espiritual em cada sentença da Escritura, ele perde de vista o contexto histórico e sangra o propósito tencionado pelo autor original, e assim a Bíblia passa a ser interpretada, não pela própria Bíblia, mas pela mente fantasiosa do intérprete.

Hoje em dia, vez por outra, nós vemos alguns pregadores se aventurarem no terreno escorregadio da interpretação alegórica. Um dia desses ouvi um pregador dizer: “Vocês sabem por que razão Davi pegou cinco pedras do ribeiro (1Sm 17.40)? Era porque aquelas cinco pedras apontavam para o nome de Jesus!”. Mas vejam só que problema esse pregador tem em mãos. Ele não levou em consideração que a Bíblia não foi originalmente escrita em português, e o nome Jesus no hebraico é Yeshua e a transliteração grega do hebraicoYeshua é Jesous e em ambos os casos não tem cinco letras como queria o pregador alegórico acima citado.

Com o advento da Reforma Protestante, o eixo hermenêutico e exegético é drasticamente modificado. As fantasiosas interpretações alegóricas são abandonadas e o texto sagrado, que pelos reformadores era levado à sério é explicado de modo fiel. Tanto Lutero como Calvino, mesmo sendo grandes admiradores de Agostinho, não seguiram o método alegórico de interpretação bíblica e adotaram uma hermenêutica clara, direta e literal. Lutero entendia que o método histórico-gramatical era a melhor abordagem para a compreensão correta da Escritura. Ele chamou a interpretação alegórica de “sujeira”, “escória” e “trapos obsoletos”.

O doutor Martinho Lutero advertiu sobre a atração sedutora de espiritualizar o texto bíblico: “Uma alegoria é como uma bela meretriz que acaricia os homens de uma forma impossível de não amá-la”.[4]

Ele sustentava que um bom intérprete deve considerar em sua exegese as condições históricas, a gramática e o contexto. Acreditava que a fé e a iluminação do Espírito eram requisitos indispensáveis ao intérprete da Bíblia.

João Calvino, o maior exegeta da Reforma, considerava a interpretação alegórica como artimanha de Satanás para obscurecer o sentido da Escritura. A sentença predileta de Calvino era: sacra Scriptura sui interpres --- A própria Escritura interpreta a Escritura. Para ele, a tarefa número um do expositor é revelar o pensamento específico do autor sagrado.
“Visto que revelar a mente do autor é a única tarefa do intérprete, ele erra o alvo, ou pelo menos desvia-se de seus limites, à medida que afasta os seus leitores do propósito do autor... É presunção, e quase uma blasfêmia, distorcer o significado das Escrituras, agindo sem o devido cuidado, como se isto fosse algum jogo que estivéssemos jogando. Ainda assim, muitos estudiosos já fizeram isso alguma vez”.[5]

Devemos, mais do que nunca, seguirmos de perto esse princípio hermenêutico reformado. Cientes de que quando a Bíblia fala, Deus fala, e que uma vez sendo o texto bíblico exposto com fidelidade, o povo é instruído e fortificado na fé e Deus é engrandecido e glorificado, pois um compromisso fiel com a Palavra de Deus é um compromisso inabalável com o Deus da Palavra. Que em tempos marcados pelo relativismo, superficialidade e desvios na exposição bíblica, possamos clamar como Lutero: “A minha mente é cativa da Palavra de Deus!”. Que Deus nos ajude a sermos expositores fiéis de Sua Palavra.

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Notas:
[1] Ramm, citado por Henry Virkler, Hermenêutica avançada, (VIDA) p.45
[2] Esdras Costa Bentho, Hermenêutica Fácil e Descomplicada (CPAD) p. 124
[3] Idem
[4] Steven Lawson, A heroica ousadia de Martinho Lutero, (FIEL), p.62
[5] Steven Lawson, A arte expositiva de João Calvino, (FIEL), p.71

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Fonte: Igreja Presbiteriana de Russas

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

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Por Matt Chandler


“A esposa de Cristo não pode ser adúltera; ela é imaculada e pura. Ela conhece apenas um lar; ela protege com casta modéstia a santidade de um único leito. Ela nos guarda para Deus. Ela aponta para o reino os filhos que gerou. Qualquer um que se separe da Igreja e se junte a uma adúltera está separado das promessas da Igreja; tampouco aquele que abandona a Igreja de Cristo pode alcançar as recompensas de Cristo. Ele é um estranho; é um profano; é um inimigo. Ele não pode ter Deus por seu Pai, eis que não tem a Igreja por sua mãe.” - Cipriano, Tratado sobre a Unidade da Igreja, 6.

Eu tinha 28 anos quando me tornei pastor da Highland Village First Baptist Church (agora conhecida como The Village Church). Eu havia tido uma situação difícil no início da minha experiência com a igreja e, naquele período, eu ainda não havia saído completamente da minha fase de “desencantamento com a igreja local”.

Com toda a honestidade, eu não estava certo, naquele período, de que membresia de igreja era algo bíblico. Apesar disso, o Espírito havia tornado claro demais que eu haveria de pastorear essa pequena igreja nos arredores de Dallas. Essa foi uma das muitas ironias da minha vida naqueles dias.

Highland Village First Baptist Church era uma igreja “sensível ao visitante”, nos moldes da Willow Creek Community Church [N.T.: megaigreja norte-americana fundada pelo pastor Bill Hybels, considerado junto com Rick Warren o pai do movimento “sensível ao visitante” (seeker-sensitive)], e sem qualquer processo formal de membresia, embora ela estivesse ativamente elaborando um e desejasse a participação do novo pastor. Eu possuía um entendimento robusto acerca da igreja universal, mas não era muito versado - e, como disse, um tanto cético - no tocante à igreja local. Nós começamos a crescer rapidamente com jovens de 20 e poucos anos e frequentemente insatisfeitos, os quais geralmente não possuíam nenhuma experiência anterior de igreja, ou possuíam experiências ruins. Eles gostavam da The Village porque nós éramos “diferentes”. Isso sempre me chocava porque nós não estávamos fazendo nada exceto pregar e cantar.

Em conversas com esses homens e mulheres, eu comecei a ouvir coisas como: “A igreja é corrompida; é tudo sobre dinheiro e o ego do pastor” ou: “Eu amo Jesus; o meu problema é com a igreja”. A minha favorita era: “Quando você organiza a igreja, ela perde o seu poder”. Embora alguma coisa às vezes ressoasse em mim com tais comentários (eu, juntamente com a maior parte da minha geração, tinha problemas com autoridade e compromisso), eu os considerava confusos uma vez que eles estavam sendo feitos a mim por pessoas que estavam frequentando a igreja da qual eu era o pastor.

Duas questões de Hebreus 13.17

Em meio à efervescência de conflitos sobre outras doutrinas que eu considerava muito mais centrais, eu me questionava se nós deveríamos deixar essa coisa de membresia de igreja de lado e voltar a ela depois. Naquele tempo, eu estava me preparando para pregar ao longo do livro de Hebreus e “aconteceu” de eu estar no capítulo 13 quando o versículo 17 saltou da página: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”.

Duas questões me ocorreram. Primeiro, se não há qualquer exigência bíblica de pertencer a uma igreja local, então a quais líderes deveria um cristão individual obedecer e se submeter? Segundo, e mais pessoalmente, por quem eu, como pastor, haveria de prestar contas?

Essas duas questões despertaram minha busca por um entendimento bíblico da igreja local, e elas começaram em torno das ideias de autoridade e submissão.

No tocante à primeira questão, as Escrituras claramente ordenam que os cristãos se submetam e honrem um corpo de presbíteros (Hb 13.17; 1Tm 5.17). Se não há qualquer entendimento acerca da membresia da igreja local, então a quem devemos nos submeter e obedecer? Será que devemos fazê-lo a qualquer um com o título de “presbítero” de qualquer igreja? Deveria você, como cristão, obedecer àqueles loucos da Westboro Baptist [igreja norte-americana amplamente descrita como um grupo de ódio]? Para obedecer a Escritura, você deve fazer piquetes em funerais de soldados, como o pastor de Westboro parece sugerir?

No tocante à segunda questão, as Escrituras claramente ordenam que um corpo de presbíteros cuide de um povo específico (1Pe 5.1-5; também At 20.29-30). Acaso eu, como pastor, serei considerado responsável por todos os cristãos na região metropolitana de Dallas? Há muitas igrejas em Dallas com as quais possuo fortes discordâncias teológicas e filosóficas. Acaso eu prestarei contas pelo que elas ensinam em seus grupos pequenos, por como elas gastam seu dinheiro, e pelo que elas fazem em relação a missões internacionais?

O que dizer da disciplina eclesiástica?

Após considerar questões de autoridade e submissão, o segundo problema que surgiu no meu estudo da igreja local foi o ensinamento bíblico acerca da disciplina eclesiástica.

Você a vê em diversos lugares, mas em nenhum tão claramente quanto em 1Coríntios 5.1-12. Nesse texto, Paulo confronta a igreja em Corinto por aprovar um homem que andava em imoralidade sexual escancarada e impenitente. Os coríntios estão celebrando isso como a graça de Deus, mas Paulo os alerta que esse tipo de impiedade não deveria deixá-los orgulhosos, e sim fazê-los lamentar. Ele os chama de arrogantes e os diz que removam esse homem para a destruição da sua carne e, esperançosamente, para a salvação da sua alma. No versículos 11-12, ele não usa meias palavras: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?”.

A minha triste experiência mostra que pouquíssimas igrejas ainda praticam a disciplina eclesiástica, mas esse é um outro artigo para um outro dia. A questão que emerge dessa passagem é simples: como você pode colocar alguém “para fora” se não existe um “dentro”? Se não existe qualquer comprometimento local com uma comunidade pactual de fé, então como você remove alguém dessa comunidade de fé? A disciplina de igreja não funciona se a membresia da igreja local não existe.

Muitas Outras Evidências em Favor da Membresia

Há outras evidências nas Escrituras que dão suporte à membresia da igreja local.

Nós vemos em Atos 2.37-47 que havia um registro numérico daqueles que professavam Cristo e eram cheios do Espírito Santo (v. 41), bem como um reconhecimento de que a igreja estava crescendo (v. 47).

Em Atos 6.1-6, nós vemos eleições serem realizadas a fim de lidar com um problema e uma acusação específicos.

Em Romanos 16.1-16, nós vemos o que parece ser uma consciência de quem é membro da igreja.

Em 1Timóteo 5.3-16, nós vemos um claro ensino acerca de como lidar com as viúvas na igreja e, nos versículos 9-13, nós lemos isto:
Não seja inscrita senão viúva que conte ao menos sessenta anos de idade, tenha sido esposa de um só marido, seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra. Mas rejeita viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se, tornando-se condenáveis por anularem o seu primeiro compromisso. Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem.

Nesse texto, nós vemos critérios para quem seria e quem não seria qualificado para o programa de cuidado com as viúvas de Éfeso. A igreja local em Éfeso é organizada, e eles estão executando um plano.

Nós podemos seguir mais e mais aqui, fazendo perguntas sobre como podemos ser obedientes aos mandamentos de Deus em 1Coríntios 12 ou Romanos 12 se não estivermos conectados a uma comunidade local e pactual de fé. Mas expor todos os textos possíveis iria requerer mais tempo do que eu disponho para este artigo.

O plano de Deus é que pertençamos a igrejas locais

Quando você começa a olhar para esses textos, torna-se claro que o plano de Deus para a sua igreja é que nós pertençamos a uma comunidade local e pactual de fé. Isso é para a nossa própria proteção e amadurecimento, e para o bem dos outros.

Se você enxerga a igreja como uma espécie de buffet eclesiológico, então você severamente limita as possibilidades do seu crescimento em maturidade. Crescer em piedade pode machucar. Por exemplo, à medida que eu interajo com outros em meu próprio corpo local, minha indolência no zelo é exposta, assim como minha falta de paciência, minha falta de oração e minha hesitação em associar-me aos mais fracos (Rm 12.11-16). Contudo, essa interação também me dá a oportunidade de ser amorosamente confrontado por irmãos e irmãs que estão nas trincheiras comigo, assim como me fornece um lugar seguro para a confissão e o arrependimento. Mas, quando a igreja é apenas um local que você frequenta sem de fato ligar-se a ela, como um buffet eclesiológico, seria preciso apenas considerar por que você está sempre mudando a cada vez que o seu coração começa a se expor ao Espírito e a verdadeira obra está começando a acontecer.

Qual é o cerne de tudo isso? Membresia de igreja local é uma questão de obediência bíblica, não de preferência pessoal.

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Fonte: Ministério Fiel
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