Isvonaldo sou Protestante

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Mike Murdock no programa do Silas Malafaia: “eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”

silas e mike
Murdock e Malafaia em fevereiro de 2014.
As mesmíssimas roupas que foram usadas no programa
que foi ao ar em janeiro de 2013.
Por Vera Siqueira


Hoje, dia 01 de fevereiro de 2014, vemos mais uma vez o “Dr.” Mike Murdock no programa televisivo do Pr. Silas Malafaia. E o que há de novo nisso?

Nada. Nada mesmo.

Já no início chama a atenção a camisa do “Dr.” Murdock, listrada em tons de verde. Ué, já vi essa camisa em algum lugar… Ah, lembrei! Ele usava uma camisa igualzinha no programa que foi ao ar em 05/01/2013, aquele programa onde dizia que tinha um livro que tinha superpoderes, o tal d’O Desígnio. Aquele programa onde, ao final, pedia uma oferta de R$ 1.000,00 em troca de visitação do Espírito Santo (vendendo literalmente a santa presença de Deus) e dinheiro.

Mas olhando bem… Não apenas o Murdock usa, em 2014, as mesmas roupas que usava em 2013. O Malafaia e o intérprete Gidalti Alencar também usam as mesmíssimas roupas de um ano antes!!!

Foto do programa de 2013.
Ou houve uma gigantesca coincidência, ou os dois programas foram gravados no mesmo dia, em 2012 ou 2013. Como não acredito em coincidências gigantescas, fica claro que o Murdock gravou dois programas no mesmo dia, com mensagens parecidas (apenas com o “livro poderoso” diferente) e o Malafaia guardou um para esse ano.

Isso não seria um grande problema se as tais falas do Murdock não fossem dadas com falso tom profético. O tal “dr.” costuma fazer uma pregação apelativa, usando de métodos de autoajuda misturada com versículos bíblicos fora do contexto para justificar sua Teologia da Prosperidade. E, no final, de forma falsamente inspirada diz que quem oferta certa quantidade vai ter certas bênçãos especiais. Ora, se gravou dois programas no mesmo dia, como teve inspiração para pedidos de oferta com bênçãos relacionadas diferentes para anos diferentes?

Isso, por si só, denota que os pedidos de oferta com bênçãos relacionadas são invenções humanas, não de Deus. Murdock e Malafaia (e Morris Cerullo também) estão intimamente mancomunados na fabricação de apelos para angariar fundos para seus ministérios. E isso nada tem a ver com revelações de Deus.

Bom, as roupas dos (im)pastores eram as mesmas em 2013 e 2014, e claro, o discurso também era o mesmo. Na edição 2014 Murdock começa falando de seu pai, um santo homem que orava de 4 a 10 horas todos os dias, mas mesmo assim não tinha dinheiro. “Eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”, falou Mike Murdock a respeito do Deus que seu pai servia. Porém Murdock (e Malafaia, que apóia toda a papagaiada do seu colega americano) esquece-se que Jesus rejeitou todas as riquezas e poder oferecidos pelo deus deste mundo, quando dos seus quarenta dias no deserto. Jesus também dizia dos pobres e humildes que eram “bem-aventurados”, e isso Ele não disse sobre os ricos e poderosos. Ao jovem rico, Jesus disse que vendesse tudo, doasse aos pobres e só então O seguisse; Zaqueu entendeu a mensagem e não apenas restituiu com altos juros a quem tinha defraudado, como também deu metade do que lhe restou aos pobres. Ainda sobre os ricos, Jesus disse que é muito difícil, quase impossível, um rico entrar no Reino dos Céus, associando à dificuldade de um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Ora, se a riqueza torna tão difícil alguém ser salvo, por quê alguns que se dizem cristãos anseiam tanto por ela?

“Eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”. Malafaia e Murdock querem servir ao deus que faz as pessoas ricas. Ele está na Bíblia, e tem até nome: Mamom. Se Jesus, no deserto, respondeu “não” a essa proposta, esses (im)pastores dizem “sim” com toda a alegria do mundo, afinal é no mundo que colherão sua recompensa financeira.

Na introdução do programa, o Malafaia diz: “a questão não é você ouvir, é você obedecer à instrução”. A princípio, apenas mais do mesmo. Porém, no decorrer do programa percebe-se que esse é o centro da pregação: a obediência às instruções. Ora, o Malafaia então já sabia de antemão sobre o que o Murdock ia falar? Sim, sabia.

Usando o exemplo de seu pai, Murdock diz que nunca ora por finanças, pois é perda de tempo. Seu pai mesmo orava horas e horas e não tinha dinheiro nenhum. Segundo Murdock, “a maioria dos intercessores que conheci não têm dinheiro; muitas pessoas trabalham sem sabedoria”. Em outras palavras: não perca tempo orando, isso não dá dinheiro.

Para Murdock, o que traz dinheiro nem é amar a Deus, mas entender as leis de Deus. Como exemplo citou Donald Trump, que segundo ele não é do tipo que aparenta ser santo, de oração, mas é milionário. Para Murdock e Malafaia mais vale um incrédulo rico que um santo pobre.

E aí o Murdock usa, pela primeira vez, a Bíblia (mal usada, mas usa): invoca o Salmo 112 como aquele com a mais poderosa “aliança financeira” para com Deus. Diz até que, em homenagem a esse salmo, todo domingo dá uma oferta de 112 dólares. É numerologia gospel da brava.

E agora entra a tal “obediência às instruções” que o Malafaia citou lá na introdução da mensagem. O Salmo 112 diz no primeiro versículo sobre quem tem prazer nos mandamentos de Deus, que Murdock nomeia como “instruções”. As instruções seriam as ordens dos líderes eclesiásticos e as ordens dos patrões ou chefes, que devem ser obedecidas imediata e totalmente, e caso isso ocorra Deus tem que fazer a pessoa prosperar.

“Não ame a Deus. Você pode ter um filho que te ama e não ama suas instruções”. O segredo do sucesso nas finanças, segundo Murdock, é obedecer às instruções dadas (por ele, é claro) tão somente. Essa lição é muito importante, afinal no final da mensagem haverá um apelo financeiro que precisa ser obedecido pelo maior número de telespectadores, com o fim de aumentar os recursos dos impérios religioso-midiáticos de Silas Malafaia e Mike Murdock.

No Malafaia custa 12
parcelas de 58,00; na
livraria Saraiva você
encontrar por 29,90
Se em 2013 quem ofertasse ganhava O Desígnio, em 2014 o livro da vez é 31 Razões Porque as Pessoas Não Recebem Sua Colheita Financeira (lembrando que ambos os programas foram gravados no mesmo dia, mas já havia o planejamento para que tal livro fosse lançado em 2014 aqui no Brasil pela editora do Malafaia). O assunto de ambos, é óbvio, é a busca por sucesso financeiro.

“Eu faço negócios com Deus. Deus faz negócios através de mim”. Será?

Há muito mais a se falar, mas vamos pular para as tais 4 dicas para nunca perder o emprego, o mote da propaganda que o Malafaia tem feito a semanas sobre o programa de hoje. Adivinha o teor das dicas?

Se disse obediência às instruções, acertou:

- Você nunca vai precisar repetir uma instrução (pois será obedecida na hora);
- Eu termino toda a instrução que recebo;
- Eu concordo com qualquer pessoa na equipe;
- Serei a pessoa mais fácil para você corrigir.

Agora leve essas “instruções” do mundo corporativo para o mundo eclesiástico, e veja que belo rebanho manipulável por líderes inescrupulosos nós teremos!

A propósito, estamos em ano de eleições. Aceite as “instruções” do seu pastor (se for do Malafaia melhor ainda, pois a unção dele é maior) para eleger quem “deus” indicou para estar no poder, e fique com as promessas de bênçãos financeiras a perder de vista…

Bom, após toda essa tentativa de lavagem cerebral gospel, chega a hora do apelo financeiro. No ano passado foi R$ 1.000,00 parcelados em 10 vezes; em 2014, 12 parcelinhas de R$ 58,00 para quem quer receber milagres de qualquer tipo e um emprego novo, claro! No ano passado os mais fiéi$$$ tinham que ofertar 12 parcelas de R$ 1.000,00; no programa apresentado neste ano o valor é uma oferta única de R$ 8.500,00, e em troca bênçãos em todas as áreas da vida do ofertante pelo resto da sua vida. É pegar ou largar.

O que pensar disso tudo?

Eu penso na figura de Cristo, em Seus ensinos, em Sua vida. E até Ele foi profanado na pregação de hoje do Murdock/Malafaia, pois foi afirmado que Jesus era rico, com base em que havia um tesoureiro entre os doze. Ora, se Jesus era rico Ele mentiu ao dizer, em Lucas 9.58, que as raposas tinham covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do Homem não tinha sequer onde recostar a cabeça. E também não dá para entender como alguém rico precisa apelar para uma moeda na barriga de um peixe para pagar seu imposto e o de um de seus discípulos.

No livro Zelota, a Vida e a Época de Jesus de Nazaré, do especialista em temas religiosos Reza Aslan, vemos:

“Aqui está o que sabemos sobre Nazaré no momento do nascimento de Jesus: havia pouco lá para um carpinteiro fazer. Isto é, afinal, o que a tradição diz ser a ocupação de Jesus: um tekton – um carpinteiro ou construtor -, embora valha a pena mencionar que há apenas um versículo em todo o Novo Testamento em que é feita essa afirmação sobre ele (Marcos 6:3). Se essa afirmação é verdadeira, então, como trabalhador artesanal e diarista, Jesus teria pertencido à classe mais baixa de camponeses na Palestina do século I, um pouco acima do indigente, do mendigo e do escravo.” – pág. 59

Pois é, para adequar Jesus aos propósitos da Teologia da Prosperidade vale até dizer que era rico, mesmo que o Novo Testamento traga muitos relatos que discordam dessa visão.

É com muita tristeza que mais uma vez escrevo sobre esse assunto, ciente de que terei que escrever ainda muitas outras vezes, pois com certeza há outros programas gravados ou a gravar com os (im)pastores Mike Murdock e Morris Cerullo, além de Silas Malafaia, que talvez não diga da própria boca os impropérios que seus colegas americanos não se acanham em dizer, mas os aceita a todos e ainda lucra muito com isso.

Pobres ovelhas as que ainda acreditam em pastores pelo belo terno que vestem (mesmo repetido), ou por sua bela retórica, ou posição social avantajada. O Verdadeiro Pastor tem cheiro de ovelha e não precisa deturpar a Palavra para que ela se encaixe em seus (ou nossos?) interesses pessoais.

Fiquemos com uma passagem de 1 Timóteo que penso que nunca ouvirei sendo pregada por im(pastores) como Malafaia, Murdock ou Cerullo (e outros mais Brasil e mundo afora):

“Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” – 1 Timóteo 6:3-11

Voltemos ao Evangelho puro e simples,

O Show tem que parar!
***

Vera Siqueira é uma afiada caçadora de heresias, subversiva e inconformada com o que temos visto nos programas do "mala". Escreve na sua página "A estrangeira" e há tempos colabora com o Púlpito Cristão.

Ainda, entrevista completa abaixo:
Púlpito Cristão.

 

Por Filipe Luiz C. Machado

Pelo termo heresias, quero enfatizar todo ensinamento contrário à sã doutrina, à reta verdade ensinada na Bíblia Sagrada. Um problema, porém, surge: o que é a Verdade? Como cristãos, precisamos saber o que a Bíblia fala sobre todos os assuntos, de maneira a poder andar como Cristo andou, afinal, "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6).

O primeiro ponto para se refutar heresias é, portanto, conhecer a Verdade - e isto advém de duas maneiras concomitantes: estudo diligente da Palavra e oração. Esqueça qualquer "método" que fuja a esta parceria, pois firmemente somos informados de que a mera intelectualidade, para nada serve se não estiver em Cristo, "porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5). 

Se o querido leitor não conhece a Verdade e não estudou suficientemente bem, com o devido respeito, digo: não tente refutar heresias, quer dizer, acautele-se quanto à debates e discussões teológicas. Estude primeiro (e muito), para depois intentar defender suas bases. Triste coisa é conversarmos com certos crentes que, mesmo tendo lido e estudado muito parcamente, creem que seus "achismos" conseguem convencer a todos acerca de suas posições.

O segundo ponto para se refutar heresias, diz respeito a, em vez de se atacar a forma com que a heresia de afigura como um todo (afirmativa, negativa, imperativo...), compreender qual o ponto fraco e por onde se pode começar a desmanchar a farsa. Explico com um exemplo real.

Algo infelizmente comum nos círculos pentecostais é o dizer de que piercings, a depender de onde são postos, atraem demônios ou quando menos, abrem "brechas" na vida espiritual, isto é, se a joia for posta na língua, a "brecha" será no falar; se for na sobrancelha, a "brecha" será no olhar, se for na orelha, a "brecha" será para o inimigo sussurrar... e por aí segue. Embora este motivo dado para se ser contra o piercing seja ridículo, muitos acabam não colocando tais joias, não por causa dos motivos bíblicos, mas temendo abrirem "brechas" em suas vidas, com medo de que inimigo poderá se apoderar se seus sentidos. Como refutar, então, isto? A resposta é bastante simples, rápida e efetuada em seis passos.

1. Peça a base bíblica para tal proibição com base em "brechas". Aquele que estiver condenando o piercing por estes motivos acima, precisa, necessariamente, indicar na Escritura de onde está tirando a ideia de que objetos em certos lugares dão "brechas", afinal, se "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça" (2Tm 3.16), então a proibição deve ser pautada pela Bíblia.

Mas vamos conjecturar, apenas, que tal pessoa possua alguns versículos bíblicos que deem, em princípio, ensejo a tais "brechas". Se isso acontecer, siga o segundo passo.

2. Pergunte sobre qual é o contexto em que o versículo está inserido, ou seja, questione para quem, quando e como aquela carta foi escrita, de modo que não se tire o texto para pretexto. 

Se tal pessoa souber informar o contexto e parecer que tal versículo de fato dá margem para se interpretar tais "brechas", vá para o terceiro passo.

3. Indague sobre como foi que tal pessoa descobriu que piercings abrem tais brechas, quer dizer, por que é válido somente para piercings e não para um corte de cabelo, por exemplo?

Este escritor, certa vez, ouviu a seguinte resposta para a pergunta acima: "o piercing, em certas regiões, é usado para invocar demônios, de modo que não podemos os limitar". Esta resposta é comum, geralmente circundando a questão com base em alguma religião afastada ou numa localidade remota, onde certas pessoas têm determinadas práticas e se utilizam deste objetos.

Se isto acontecer com você, siga o quarto passo.

4. Uma vez que a base para tal pessoa proibir o uso do piercing é a prática de um povo remoto, a questione da seguinte forma: "não existem povos que usam panelas de barro para cozinhar oferendas a ídolos e outras pessoas que usam tambores para 'invocar demônios'? Isso significa que panelas de barro e tambores seja coisas proibidas para os cristãos?" 

Creio que o desfecho seja óbvio. Entretanto, se tal pessoa ainda conseguir ter uma resposta para estas perguntas, temos o penúltimo passo.

5. Questione tal pessoa assim: "a Escritura nos afirma que podemos comer carnes sacrificadas a ídolos, certo (1Co 10.25-31)? Se posso comer carnes que, sabidamente foram oferecidas a ídolos, afinal, 'sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só' (1Co 8.4), ou seja, mesmo que alguém, em algum lugar, se utilize de carnes para rituais contrários à Bíblia Sagrada, eu posso fazer bom uso, como pode ser que, somente devido ao fato de certo povos usarem piercings para outros fins ilegítimos, isto tornar o objeto mal por si mesmo?"

Se ainda assim tal pessoa tiver uma resposta, coisa que duvido acontecer, resta um "trunfo".

6. Faça a seguinte observação: "tendo em vista que, segundo você diz, não podemos usar nada que, alguém, em algum lugar ou algum povo utilize para práticas não cristãs, quais são os objetos que podemos utilizar? Isto é, existe alguma coisa que podemos usar? Ademais, tal pensamento não nos levaria a crer que maldições se 'grudam' em objetos, sendo que a Bíblia é clara em dizer que isto não acontece?"

Desta forma, querido leitor, se percebe que, para refutar uma heresia, basta a dividir em partes, desconstruindo aos poucos o erro, a fim de melhor debater sobre cada pormenor. Não procure refutar tudo de uma vez só, pois além de causar confusão, certamente você esquecerá de algo.

Cristo seja convosco.

***
A MÁQUINA DO TEMPO, O APOSTOLO PAULO E A SUA VISITA A MIKE MURDOCK

Por Renato Vargens

Depois que ilustres personagens usaram a Máquina do Tempo chegou a vez de nada mais nada menos do que o Apóstolo Paulo viajar no tempo.

Pois bem, Paulo entrou na máquina e foi para os Estados Unidos. Na terra do Tio Sam ele foi recebido por Mike Murdock que lhe disse:

- "Olá companheiro de ministério, chegamos praticamente juntos. Eu da Europa e você de Jerusalém, que a prosperidade esteja sobre a sua vida nobre companheiro."

Paulo, não entendendo muito bem o que Murdock disse: replicou "Graça e paz!"

Murdock ao perceber que Paulo não lhe desejou mais bênçãos, respondeu dizendo: "Ora, caro apóstolo, faltou você ter me desejado prosperidade e riquezas, afinal de contas, eu tudo posso naquele que me fortalece."

Paulo, encafifado com o uso errado da expressão por ele cunhada disse: "Por que você disse isso? Eu quando escrevi essa expressão aos Filipenses não o fiz com esse propósito.

" Murdock, demonstrando impaciência interrompeu Paulo dizendo: "Ooooo Paulo, você está ultrapassado meu velho. Alias, você não serve de modelo para a igreja não. Primeiro morreu pobre, segundo porque passou maus bocados na vida, isso tudo é claro, por não conhecer as doutrinas das sementes. Hoje, nobre apóstolo a coisa é diferente. Deus me deu uma revelação nova, capiche ou quer que eu desenhe?

Bom deixe-me ensiná-lo alguns os segredos da liderança de Jesus.

Em primeiro lugar você precisa entender que a felicidade começa em sua mente. Seus pensamentos têm presença. São como ondas se propagando através do ar. São capazes de atrair as pessoas para você ou de afastá-las de você. Jesus compreendia o apetite insaciável pelo desenvolvimento pessoal e pela excelência. E todos procuravam tocar nele, porque dele saía poder que curava todos. "Jesus tinha doze homens que administravam o Seu negócio. Um era tesoureiro .O dinheiro está na mente de Deus."

O Apóstolo aos gentios ao ouvir tanta baboseira perguntou a Murdock: "Mas pastor..." bastou, ouvir a palavra pastor que Murdock o interrompeu dizendo: "Pastor não, doutor."

Paulo demonstrando humildade desculpou-se com o profeta e lhe disse: "Mas, caro doutor, devemos estar contentes em toda e qualquer situação, não é verdade? Murdock indignado com a audácia de Paulo replicou o apóstolo falando: Sua afirmação é extremamente repulsiva, mesmo porque eu não queria servir um Deus que permite com que as pessoas sejam pobres” E sabe de uma coisa? Preciso ir embora! Conversar consigo é muito desgastante. Estou atrasado para o aeroporto, pois hoje mesmo viajarei para o Brasil onde encontrarei quem me entende.

Quem? Perguntou Paulo.

Malafaia, o Grande.

Com lágrimas nos olhos.

***

Renato Vargens é colaborador do Púlpito Cristão e escreve em seu blog pessoal.
 

Por Rev. Ricardo Moura 


Me impressiona a soberania de Cristo demonstrada no evangelho de João. É um espetáculo o absurdo que se faz com João 3.16, tornando o texto inclusivista, enquanto, de fato, ele é exclusivista. 

Nicodemos estava indo ter com Jesus, de noite, para não ser visto. Chega cheio de elogios e Jesus já manda logo a real, para mostrar que ele não entendia nada: "Tem de nascer de novo!". Nicodemos fica bolado e pede maiores esclarecimentos. Jesus lhe acode: "Quem não nascer da água e do Espírito NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS". Bom a água é uma referência ao batismo; era um puxão de orelha, mencionando o símbolo visível de fé, mas visibilidade era tudo que Nicodemos não queria. Isso é óbvio, pois o Reino é do Espírito e quem é da carne (não regenerado, caído, pecado) não faz parte deste Reino. Por ser isso óbvio é que o Senhor falou ao pobre Nicós: "Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo." Mas, para não deixar brecha, Jesus afirma: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito." - penso que Jesus usou a palavra vento como sinônimo de Espírito, pois no hebraico vento e espírito são a mesma palavra; trata-se de um hebraísmo. Isso significa que o que nasce do Espírito nasce da vontade desse "vento" soprar sobre ele. Não adiantava a Nicodemos ir com as próprias pernas, pois, ao fazer isso, só o pode fazer à noite, pois não tinha nada além de admiração por Cristo. Ele queria que suas obras ficassem escondidas, mas os do Espírito amam a luz e fazem tudo de dia, para que seja vista sua fé (vv.18-21). Por isso, ele não entendia nada do que Jesus falava, mesmo sendo mestre em Israel - ele não era do Espírito. Os do Espírito são como o povo no deserto que olhavam para a serpente e lembravam de seus pecados de rebeldia e que esta trouxe morte pelas cobras venenosas, enviadas por Deus (Nm 21). Quando olhamos para a cruz, lembramos de nossos pecados e que Cristo foi erguido por causa deles. Quem crê nele não apenas curado do veneno de serpentes, mas tem a vida eterna (aqui mostra-se a superioridade do arquétipo sobre o tipo: a serpente de Nm 21 salva só do veneno, a fé na Palavra de Deus é que ajudava no resto). 

Então, Cristo fecha a porta de vez a Nicodemos: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (v.16). Perceba a maneira como Deus ama o mundo: dando seu Filho, de modo que o que crê possa viver, caso contrário, sem a justiça da cruz, não haveria salvação. Então, Cristo prossegue mostrando a Nicodemos que sem fé não adianta ir até ele que não tem salvação, mas condenação. Mas não podemos esquecer que o "vento" sopra onde quer, não onde o nascido do Espírito quer. Portanto, crer não é da vontade do homem, da carne, mas de Deus (1.13).

Desta forma, mundo não tem a ver com especificidade do amor de Deus, mas com a amplitude deste amor. Mundo é o fato de que Deus tem eleitos, crentes, pessoas a quem o "vento" vai de todos os povos, línguas e nações, segundo sua própria vontade. Vento este que não soprou sobre Nicós.

Nicodemos, se o Pai não o deu a Jesus, não adianta ir até ele. Mas não pense que foi só contigo, o jovem rico, cheio de justiça própria, também foi falar com Jesus sem saber bem diante de quem estava.

***
Via: Facebook
 

Por Rev. J. Lewis

Nos idos de 1930 David Saronoff, o presidente da RCA, teve a perspicácia empresarial de investir dinheiro num projeto louco e extravagante chamado televisão. Para dirigir este empenho, a RCA contratou um cientista natural da Rússia chamado Vladimir Kosma Zrvorykin e investiu 50 milhões de dólares de modo que em 1939 a RCA pode televisionar a abertura da feira mundial de Nova York. Mais tarde naquele ano, a RCA adquiriu a licença para patentear a televisão e começou a vendendo aparelhos de televisão aos que eram muito ricos. Antes de 1947 o número de lares com TV poderia ser medido em milhares.

Por volta do final do século XX, 98% dos lares dos Estados Unidos tinham, pelo menos, um aparelho da televisão (Gordman, p. 2). A televisão está aqui para ficar. Qual então deveria ser e reação dos cristãos à televisão? Ela é inerentemente má? É um pecado assistir até mesmo os noticiários da TV? Quanto tempo deve um cristão gastar assistindo televisão? Estas são algumas das perguntas que deveriam levantar-se na mente de qualquer cristão consciencioso e piedoso. Meu ponto de vista não é que a TV está completamente errada, como também o rádio e a internet. Contudo, parece-me que estar no mundo, mas não ser do mundo, perdeu sua distinção em muitos lares cristãos de hoje por relaxar a oposição com o mundo (1 Jo. 2:15). “Não ameis o mundo, nem as coisas que estão no mundo. Se algum homem ama o mundo, a amor do Pai não está nele”. 

Portão – Olho, Portão – Ouvido

No livro–alegórico, Guerra Santa, de Bunyan, somos ensinados que a cidade da alma do Homem (que simboliza o coração do homem) ficou mais vulnerável pelas entradas do Portão-Olho e Portão-Ouvido (sentidos da vista e do som) (p.10). A alma do homem foi eventualmente penetrada pelo diabo e seus comparsas através destes dois portões. Assim é conosco. Para salientar isto não é necessário olhar mais longe do que as indústrias de bilhões de dólares de Hollywood e MTV, onde tudo é de uma certa qualidade visual nos acenando para “vir e comprar”. Mas o que eles estão vendendo? É moralidade e castidade e os frutos do Espírito? Ou são as mercadorias deste mundo?

Isto, então, presenteia o Cristão com um dilema interessante à medida em que ele vive na cultura vigente. Quando a TV é muito? Não acho que exista um número sagrado ou uma resposta precisa que não viole a liberdade do Cristão. Contudo, Jacques Ellul aponta corretamente que “televisão age menos pela criação de noções claras e opiniões precisas e mais por nos envolver em uma neblina” (pg. 336). David F. Wells diz com respeito aos perigos da televisão que “A televisão abre para nós o mundo inteiro, legando-nos uma onisciência virtual” (pg. 230). Através da mídia da televisão nós somos encorajados a ter uma espécie de colonização de experiência onde os pecados e virtudes dos outros são incorporadas dentro de nós. Por meio dos nossos olhos e ouvidos somos incitados a partilhar do pecado dos outros, uma vez removido nosso senso de realidade. O que nós próprios jamais faríamos, prontamente vemos com os nossos olhos e ouvimos com os nossos ouvidos.

A. W. Tozer disse certa vez com relação ao Cristão e à cultura mundial:

Por séculos a Igreja permaneceu solidamente contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o pelo que ele era — um artifício para gastar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isto ela tornou-se redondamente insultada pelos filhos deste mundo. Mas, ultimamente, ela tornou-se cansada do abuso e desistiu do esforço. Ela parece ter decidido que se não pode conquistar o grande deus Diversão, ela pode igualmente juntar forças com ele e fazer dele o uso que puder dos seus poderes (pg. 84).

É bem possível que tenhamos nos tornado acostumados a pecar vicariamente através daquelas coisas que vemos e ouvimos. Porque o homem é corrupto por natureza, nós naturalmente queremos ver quão perto podemos chegar do pecado sem realmente tomar parte nele. Dr. Joel Beeke colocou desta maneira: “Por natureza nossa pergunta é: ‘Até onde eu posso ir sem pecar?’ ao invés de ‘Até onde eu posso fugir do pecado e evitar a própria presença do mal?’. No nosso coração mesmo e no centro do nosso espírito de passatempo, fica a TELEVISÃO. Este é um fato óbvio. Os aparelhos de televisão estão nos lares de 97% dos Americanos hoje e 91% de todo o tempo de televisão é dedicado unicamente ao propósito de entretenimento”.

Enquanto o mundo acena ao Cristão para juntar-se ao mal, e Escritura nos diz para “Abstermo-nos de toda aparência do mal” (1 Ts. 5:22). Dr. Joel Beeke dá algumas estatísticas surpreendentes.

Dr. Beeke diz:

“Um estudo chegou à conclusão que durante o tempo transcorrido até uma criança chegar aos 14 anos, pelo menos 18.000 assaltos e assassinatos violentos acontecem diante dos seus olhos. Um outro estudo confirmou que a criança média entre cinco e treze anos de idade embebedam-se em 1.300 assassinatos cada ano, de modo que violência, assaltos e assassinatos não mais falam a mensagem do pecado ou as suas consequências. Assassinatos, ódios, ações e palavras violentas assumem o papel de comportamento normal. A média dos programas para crianças contem trinta e oito atos de violência por hora (programa para adultos: vinte)”.

Ele continua a dizer:

“Nos lares americanos 35% dos horários da refeição são gastos na frente do aparelho de TV. Cada noite, centenas de pais percebem que os programas que surgem são desmoralizantes e prejudiciais para seus filhos, contudo eles mesmos estão tão famintos para deleitar-se no pecado que estes programas contêm que frequentemente deixam seus filhos assisti-los também, não tendo qualquer poder de controle”.

Desta forma a TV é um mal e deve ser evitado.


Um Bom Uso da TV

Muitos têm feito objeção ao conteúdo dos programas de televisão (muita violência, sexo, etc) mas, e a própria tecnologia? Foi Marshall McLuhan quem disse com referência a TV: “o meio é a mensagem” (p. 7-21). Não é isto em parte verdade? A televisão acentua as imagens que se movem em contraste com a linguagem escrita e falada (o resultado mais tangível da nossa era pós-moderna). Como uma mídia fundamentada na imagem, a TV não deixa a imaginação da pessoa pintar qualquer quadro na tela de sua mente mas, ao invés, é a TV que pinta a imagem para você (Myers, p. 117). 

Na realidade, nos está sendo ditado, de um modo bem atormentador e subversivo, o que pensar sobre qualquer tipo de problema moral. Além disso, criatividade, pensamento independente e ingenuidade são todos descartados, para se criar uma enorme coleção de dados armazenados num sistema de computador, de tal modo que pode ser facilmente localizado pelo usuário (assistiu à TV à noite passada? Aquilo não foi um grande show!?). Os únicos visionários num show de TV são os produtores e diretores que decidem para a audiência o que lhes será ou não processado. Não pense nem por um momento que eles não estão enviando uma mensagem por meio do que produzem. 

Além disso, o pensamento paralelo é raramente usado pelo telespectador porque o período de tempo que alguém deseja para analisar o que está sendo exibido num modo lógico/racional, e o programa logo passa para sua próxima sequência de acontecimentos visuais. Kenneth Myers diz com relação a isto: “Uma cultura que é enraizada mais em imagens do que em palavras achará cada vez mais difícil sustentar qualquer compromisso com alguma verdade, desde que verdade é uma abstração que requer linguagem” (p. 164).

Isto ajuda a facilitar com que homens, mulheres e crianças sentem em frente da TV como um escape da realidade. O tempo de lazer da TV devora rapidamente o tempo de adoração da família, o tempo de leitura piedosa, o tempo de brincar com os seus filhos e um tempo pessoal de quietude. Alguém pode dizer: “Mas eu posso controlar a minha TV e o meu tempo”. A réplica do Dr. Beeke é: “As pessoas que dizem que podem controlar a TV estão usualmente falando idealisticamente, não realisticamente” (Beeke).

Cristo é Contra a Cultura?

Assim então, o nosso Salvador e Senhor é contra a tecnologia e a cultura? Absolutamente não! Leia Dr. Leland Ryken “Worldly Saints”[1] e veja como mesmo os puritanos foram proponentes de libertar a cultura. Mas quando a mídia pela qual a cultura vem, nos torna culpados dos pecados de outras pessoas, quando ela rouba tempo valiosos de outras coisas importantes e desafia os padrões bíblicos do certo e do errado, talvez deveríamos dar um passo atrás e examinar o valor atual da própria mídia. As palavras de Paulo poderiam vir à tona aqui. “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (1 Co. 10:23).

Richard Sibbes o diz assim, “Tudo o que exterioriza as boas coisas que temos, deveríamos usar de uma maneira reverente, sabendo que a liberdade que temos para usufruí-las é comprada com o sangue de Cristo. Como Davi que quando teve sede das águas de Bethlehem e disse que não as beberia, porque significava o sangue dos três valentes, assim também, embora tenhamos o livre uso das coisas criadas, contudo devemos ser cuidadosos para usá-las com moderação e reverência e tudo para a Glória de Deus.

Conclusão

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdade, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é da boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp. 4:8). Dr. Martin Lloyd-Jones comenta este verso e diz:

O problema que é proposto a nós por este particular texto é todo o problema de relacionamento entre o cristianismo e a cultura. Agora eu tenho certeza que muitos, senão a maioria do povo cristão, está interessada nessa questão, porque ela é de real significado e importância... Em vista de tudo isto, eu sugeriria a você, o que Paulo estava dizendo aos filipenses: Todo o seu pensamento e todas as suas ações devem ser controlados pelo evangelho... Todo pensamento deve ser trazido em sujeição a ele. Que toda a nossa vida seja um tributo e um testemunho ao louvor do nosso Redentor (págs. 181-189).

Isto seria nossa motivação em cada área da cultura. O Senhor está nos dizendo que nós somos os guarda-portões das nossas próprias almas. Existe então alguma vantagem em assistir TV? Talvez exista. Programas informativos, documentários e alguns (embora poucos) programas de passatempo podem ser de benefício e uti-lizados para o avanço do reino (muitos como a internet). Mas, o tempo é curto. Como cristãos reformados estamos obedecendo ao Senhor e remindo o tempo (Ef.5:16)?

As palavras de Samuel Rutherford são boas para concluir, quando ele diz: “Quando a corrida terminar e o jogo estiver ganho ou perdido e você estiver na última volta e no limite do tempo, e colocar seu pé dentro da marca da eternidade, todas as boas coisas do seu curto sonho noturno lhe parecerão como cinzas de uma fogueira de espinhos e palha” (L. D. E. Thomas).

Remindo o tempo porque os dias são maus”. Ef. 5:16.

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Nota:
[1] - Santos no Mundo, Editora Fiel, 1992
Bibliografia: 
• Beeke. Joel. “Fair Dinkum.” Free Australians Magazine. issue 52. File retrieved on Friday June 12. 20m from www.thedinkum.comliss.htm.
• Bunyan. John. The Holv War. Choteau: Old Paths Gospel Press. 1999.
• Jacques Ellul. The Technological Bluff Grand Rapids: Eerdmans, 1990.
• Grodman. Tom. Television: Glorious Past, Uncertain Future. Analytical Paper Series. 1996. PDF file retrieved on Friday June 12. 203 from www.statcan.caJcgi-bin/downpub/listpub.cgi?catno=63FD002XIB1995006.
• Marshall McL.uhan, Understanding Media: The Extensions of Man. Cambridge: MIT Press, reprint 1994.
• Myers, Kenneth. AI! God’s Children and Blue Suede Shoes. Christians and Popular Cu1ture. Westchester: Crossway, 1989.
• Thomas. I.D.E. A Puritan Golden Treasury. Banner of Truth. 1989.
• Tozer. AW The Root of the Righteous. Harrisburg. PA: Christian Publications, 1955.
• Sibbes, Richard. Works of Richard Sibbes. Banner of Truth, 1990.
• 10. Wells. David F. The Present Evangelical Crisis. Wheaton: Crossway Books, 1998

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Fonte: Os Puritanos

 

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


A igreja de Deus existe e está presente no mundo. O Senhor Jesus falou dela, quando disse aos discípulos que “edificaria sua igreja” (Mt 16.13-20) e quando determinou que os discípulos faltosos fossem corrigidos pela “igreja” (Mt 18.17). Podemos definir a igreja de Cristo como sendo a comunhão de todos os que foram chamados por Deus, mediante a sua Palavra, e que pela ação do Espírito Santo recebem a Cristo como único Salvador e Senhor, que conhecem e adoram a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, em verdade, e que participam pela fé dos benefícios gratuitos oferecidos por Cristo. 

A igreja é una, ou seja, só existe uma. Cristo sempre teve somente uma noiva: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Ao mesmo tempo, ela é universal, está espalhada pelo mundo todo, e tem pessoas de todas as tribos, povos, e raças (Ap 7.9-10). Isto não quer dizer que a igreja de Cristo é do tamanho do mundo. Existe uma diferença radical entre a igreja e o mundo. A igreja está no mundo, mas não é dele. Jesus orou pela igreja mas não pelo mundo (Jo 17.9).

A igreja de Deus sempre existiu e sempre existirá. Deus sempre teve e terá um povo para Si, para o adorar em espírito e em verdade. A igreja de Deus, porém, atravessou duas fases históricas distintas. No período antes de Cristo ela estava grandemente resumida à nação de Israel, e funcionava com rituais, símbolos e ordenanças determinadas por Deus, como figuras e tipos de Cristo. Com a vinda de Cristo e do Espírito no dia de Pentecostes, estas cerimônias foram abolidas, e agora adoramos a Deus de forma mais simples. Porém, é a mesma igreja, o mesmo povo, no Antigo e no Novo Testamentos. Antes de Cristo, os crentes em Israel se salvaram pela fé no Messias que haveria de vir. Depois de Cristo, somos salvos pela fé no Messias que já veio. O autor de Hebreus inclui na mesma relação dos heróis da fé os crentes do Antigo e do Novo Testamento (veja especialmente Hb 11.39-40).

A igreja de Deus, mesmo sendo una e indivisível, existe agora em duas dimensões: (1) a igreja militante, composta dos crentes vivos neste mundo, que ainda estão lutando contra a carne, o pecado, o mundo e Satanás; e (2) a igreja triunfante, composta daqueles fiéis que, tendo vencido a luta, já partiram deste mundo, e hoje desfrutam do triunfo na presença de Deus (Hb12.22-23). Estas duas partes da igreja de Deus se unirão na Vinda do Senhor Jesus, quando houver a ressurreição dos mortos, e nosso encontro com o Senhor, para com Ele ficarmos para sempre, e com nossos irmãos de todas as épocas e de todas as partes do mundo (1Tess 4.16-18). 

A igreja militante se expressa aqui neste mundo por meio de igrejas locais. Paulo escreveu cartas a várias destas igrejas, como a de Corinto, Tessalônica, etc. (1Co 1.2; 1Ts 1.1). Igrejas locais são a organização dos crentes, ainda que informal, que se reúnem regularmente para cultuar a Deus, serem instruídos em Sua Palavra, se edificarem mutuamente e celebrar os sacramentos. As igrejas têm direção e liderança espiritual, promovem cultos de adoração, celebram os sacramentos, anunciam o Evangelho e praticam boas obras. Estas igrejas locais podem ter um aspecto estrutural e organizacional, mas jamais devem ser consideradas como um clube ou uma empresa, e nem os interesses organizacionais devem sobrepujar os interesses do Reino de Deus. 

Estas igrejas locais podem ser mais ou menos puras, dependendo de quão pura é a pregação do Evangelho que ocorre ali, a celebração correta dos sacramentos e o exercício da disciplina entre seus membros.

É tarefa de cada igreja particular reformar-se continuamente à luz da Palavra de Deus, procurando cada vez mais aproximar-se do ideal bíblico. São os princípios bíblicos que são imutáveis, não as formas organizacionais e externas. As igrejas locais devem zelar pela pureza da pregação, da celebração dos sacramentos e pela vida espiritual e moral daqueles que ali se congregam.

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Fonte: Rev. Augustus Nicodemus, via Facebook

 

Por Mike Oppenheimer 


"Cada pessoa e cultura desenvolveu a sua própria definição do que é certo ou errado". Essa teoria é moralmente inaceitável porque implica que um ato pode ser certo para alguém até mesmo se for cruel, odioso ou prejudicial. Cultura ou uma preferência pessoal não dita o que é certo ou errado. Tampouco religião pode, para cada área pode ter sua própria religião que descendeu de gerações anteriores. Deve haver um padrão maior, um que está mais correto e mais seguro para vivermos. Caso contrário somos levados a inventar nossas próprias opiniões que mudarão com o tempo por causa de nossa cultura. 

A definição da verdade relativa - Verdade é verdade em uma única vez e em um único lugar. É verdade para algumas pessoas e não para outras. É verdade hoje mas pode não ter sido verdade no passado e pode não ser novamente no futuro, sempre está sujeito a mudança. Também está sujeito à perspectiva das pessoas. 

A definição de verdade Absoluta - Tudo quanto é verdade uma vez e em um lugar é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas. Verdade é verdade se nós acreditamos nela ou não. Verdade é descoberta ou é revelada, não é inventado por uma cultura ou por homens religiosos. 

Há absolutos, toda realidade prova isso. O que achamos é que a visão cristã do mundo é a mais consistente com a realidade. Há verdade e há falsidade e as pessoas podem não saber se estão erradas a menos que tenham um padrão. Deus acredita na verdade objetiva porque Ele é esse padrão. A diferença é que como cristãos acreditamos que Deus determina o que é verdade e certo no que Ele instruiu na Bíblia. Esses que se apegam à posição relativa acreditam que o homem é capaz de fazer sua mudança como ele bem desejar. 

Exemplo de verdade absoluta - todos precisam de ar para respirar, para viver todos precisam de comida e água. Isto é verdade em todos os lugares em todas às vezes para todas as pessoas. Gravidade atua de igual maneira em todos os lugares neste planeta. 

Exemplo: a pessoa não pode estar seca e molhada ao mesmo tempo. Algo não pode ser verdade e mentira ao mesmo tempo, um deve ser falso ou verdadeiro, mas ambos não podem ser verdadeiros. A pessoa não pode ir adiante e para trás ao mesmo tempo. A pessoa não pode viver ao mesmo tempo no passado e no futuro. O tempo avança e não pode retroceder. Ninguém pode ficar mais jovem em vez de mais velho. Você não pode estar entre dois montes sem ter um vale. Você não pode estar ao mesmo tempo adormecido e acordado. 

Exemplo: George Washington foi o primeiro presidente dos EUA, mas hoje ele não é. Quando ele foi o primeiro presidente do EUA era verdade durante todo o tempo para todas as pessoas em todos os lugares. Nunca estar em um lugar a qualquer momento não é verdade. Ele nunca pode ser o 20º presidente. Assim é uma verdade absoluta, mas durante o tempo dele. 

Acreditando em algo que não é verdade 
  
O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas - se as pessoas de antigamente acreditassem que a terra era plana seria verdade em todos os tempos e em todos os lugares. Nunca será falso que o homem antigo acreditou que a terra era plana. Pode não ser verdade que a terra é plana, mas é verdade que eles acreditaram nisto. Assim esta é a verdade no tempo deles, mas isso não é uma descrição de verdade absoluta. Se um só acredita é então verdade que eles não estão fazendo uma reivindicação da verdade. Declarações de convicção não são declarações de verdade, a pessoa está declarando a sua convicção simplesmente. Como se alguém dissesse que eu posso voar. Para você essa convicção pode ser verdade, mas não a própria declaração. Verdade é uma convicção justificável. Precisa ser provado pelo menos logicamente e concordar com a realidade. 

Um exemplo religioso: Deus não pode existir e não existir ao mesmo tempo. Uma destas visões somente é a verdade, porque nós estamos lidando com a realidade. Elas são contraditórias e o mundo deveria ser consistente com a realidade. 

Relativismo não pode ser verdade - reivindicações do relativismo dependem de qual ponto de vista o observador está. Se sua posição é à direita ou à esquerda essa se torna a perspectiva do espectador. A pessoa poderia dizer que um evento não aconteceu do ponto de vista dela enquanto outros a experimentaram. 

Se relativismo fosse verdade então o universo poderia conter atualmente condições contraditórias e verdadeiras que são impossíveis. Opostos não podem ser ambos verdadeiros e negam as leis de não contradição. Esta lei é inegável, você pode não empregá-la usando externamente e você pode negar externamente usando-a, assim é literalmente inegável. Contradições não podem ser ao mesmo tempo verdades assim a visão relativa é falsa. Ex. Se relativismo é verdade, para um ateu não existe Deus, mas para um crente Ele existe. Opostos não podem ser ambos a verdade. Se relativismo é verdade então nada poderia ser verdade. Por quê? Para alguém não poder reivindicar que é uma verdade absoluta, que algo é só verdade relativa para ele. Isto é como uma declaração do tipo: eu tenho absolutamente certeza de que tudo é relativo. Então tudo não é relativo se ele tiver absolutamente certeza. Mas se tudo é relativo para cada pessoa, para esse, e aquele, infinitamente, então não há verdade em tudo e todo mundo está acreditando em falsidade. Se relativismo fosse verdade você nunca pode estar equivocado ou errado ou aprenderia qualquer coisa. Porque é verdade para mim naquele momento e pode não ser em outro, por meu próprio padrão até mesmo se eu estou errado é verdadeiro. Você só pode descobrir o erro se algo for verdade. O último padrão de medida tem que ser a verdade. 

O problema mentiroso na raiz do relativismo é dizer que não há nenhuma verdade absoluta. 

Exemplo: 2 + 2 = 4. Mas se alguém lhe falasse que era 5, e 2 + 2 sempre é igual a 4, alguém vem e diz agora 5. Você pode mudar isto, mas não seria consistente com a verdade e a realidade. Para algo ser verdade deve ser verdade antes, tem que ser verdade agora, e tem que ser verdade no futuro. A verdade não muda. Porque é absoluta, especialmente quando vem de Deus. Se você aprendeu 2 + 2 a sua vida inteira, 5 é capaz de virar verdade? Ou foi você que ensinou falsamente. Para alguém aprender de você deve ser verdade, absoluta ou todo o ensino é uma farsa. Você estaria aprendendo e não viria ao conhecimento da verdade (I Tm 3:7) Assim se você levasse 10 anos de aprendizado na faculdade e ao fim voltasse aonde começou não progrediria. Porque o que você soube quando começou era um estado de ignorância nos assuntos a qual você ia ser ensinado, em 10 anos você não progrediu na busca pelo aprender. 

O filósofo grego Protágoras disse que o "homem é a medida de todas as coisas". Isto significa que cada pessoa pode decidir o seu próprio padrão para o certo e o errado. O que é moralmente certo para mim, pode estar errado para outro. Esta é a essência de relativismo. 

Isto significa que crueldade e ódio podem ser certos para alguém praticar. Se a sociedade praticasse isso nós iríamos nos auto destruir. Nossa cultura tem valores de comunidade que são compartilhados para proteger dos danos de outros. 

Se toda a verdade é relativa você se sente seguro em deixar seu filho brincar com um pedófilo desde que isso seja a sua verdade. Você permitiria alguém que faz sacrifícios humanos ajudar sua família? Obviamente a verdade relativa às vezes pode ser prejudicial. 

Como descobrimos se o que nós acreditamos é relativo ou absoluto? 

Há padrões que todos usam diariamente em ciência e matemática. Calculamos lançamentos de foguetes ao espaço usando matemática. Na construção civil medimos o material, assim se ajustará de acordo com a planta que define o que está sendo construído. Tudo isso se transfere para idiomas e culturas diferentes, mas nós compartilhamos isso como algo universal. Estas não são verdades absolutas desde que as podemos mudar e ainda podemos compartilhar as mesmas medidas, mas eles são um padrão que todos operamos. Mas há outras leis que se violadas tem consequências drásticas. Não importa seu país ou que raça você é ou que religião você pratica, se você cai de um edifício você baterá no chão mesmo. Assim, a gravidade é um princípio universal para o homem. O mesmo seria a pressão nas profundezas do mar. Se você se abaixa rápido ou em demasia você se encurva. Estas são leis naturais que respeitamos ou caso contrário podemos ver resultados drásticos. A natureza não pode ser mudada, como a matemática é inalteravelmente aderida as leis porque a natureza foi feita pelo Criador. 

Nós não podemos testar a verdade pelos nossos sentimentos. Você não pode sentir o erro, mas você pode usar sua mente para pensar a verdade. Você não pode distinguir bem e mal por seus sentimentos porque o mal (pecado) se acha bom. 

Verdade não é o oposto de falsidade, é a ausência de falsidade. O mal não é só o oposto do bem, é a ausência do bem. Decidir que algo é mau significa que a pessoa tem que ter um padrão de verdade. Se é a Bíblia ou o seu próprio, eles estão vivendo por algum padrão. 

Nossa sociedade pensa que é capaz de decidir o que é bom. O humanismo está tentando fazer o que é certo sem colocar Deus na equação. O humanista não precisa de religião porque ele confia que o coração do homem é basicamente bom. Embora o humanismo como um "ismo" compartilhe muitos valores práticos comuns com o Cristianismo (a ética?), porém, o conceito humanístico de "bem" está em curso de colisão com a visão de Jesus de "bem." O padrão humanista de bondade deve ser bastante baixo para a pessoa comum poder conhecer essas exigências consistentemente. O padrão de bondade de Deus é a perfeição. Isto é por que um humanista tem que fazer o seu próprio padrão, caso contrário ele não poderá encontrá-lo. É claro que pode fazer mudanças como um capricho. Embora o humanismo possa fazer o mundo melhorar em alguns aspectos, seus padrões ainda são relativos à cultura e ao tempo. Por exemplo: muitas coisas que eram determinadas no passado como curas para doenças seriam rejeitadas hoje como prejudiciais. Mas na ocasião estava com boas intenções. Assim, o humanismo não tem nenhuma cura para o mal nem pode explicá-lo. Cristo que é Deus e o supremo bem é a única resposta. 

"Enganoso é o coração", (incurável) (Jer. 17:9). Deus, o criador, é o único capaz de concertar o que está quebrado no homem. Precisamos de um toque divino do grande médico. O seu remédio é universal para restaurar nossa alienação de Deus e nos limpar de toda a culpa. Deus deu para o gênero humano o sangue de Cristo como a cura para remover o problema inato do pecado. Nenhuma outra religião reivindica resolver o fator do pecado porque eles não acreditam que ele existe, isto inclui o humanismo. O remédio deles é educação e ética. Eu não acredito que esta seja a resposta, algumas das pessoas mais depravadas no mundo são bem educados, com Ph.D.s. Se a pessoa educar um ladrão, você só aumenta a capacidade dele para roubar, educação não é a solução. Nenhum de nós pode fazer um pecador ver qualquer melhora com soluções vindas do homem. Nós não precisamos de um disfarce para nosso estado caído, mas nos descobrir para ver nosso pecado que nos separa de Deus. 

Quando vemos nossa doença nos desesperamos a ponto de buscar a limpeza do pecado. Então estamos abertos à verdade que é achada em um só lugar. 

O que Jesus faz é do exterior para o interior, o que o homem faz é do interior para o exterior do qual nunca pode afetar nossa natureza caída. O humanismo como religião nos dá regras e regulamentos para viver, só Jesus reforma o interior. 

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Traduzido por: Edimilson de Deus Teixeira