Isvonaldo sou Protestante

Isvonaldo sou Protestante

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pecadores nas Mãos de um Deus Irado

por

Jonathan Edwards


Sermão pregado em 08 de Julho de 1741 em Enfield, Connecticut - EUA

... A seu tempo, quando resvalar o seu pé” (Deuteronômio 32.35).

Nesse versículo os ímpios e incrédulos israelitas, que eram o povo visível de Deus, e que viviam debaixo de Sua graça, são ameaçados com a vingança do Senhor. Apesar de todas as obras maravilhosas que Deus operara em favor desse povo, este permanecia sem juízo e destituído de entendimento, como está escrito no versículo 28. e mesmo sob todos os cuidados do céu produziram fruto amargo e venenoso, conforme verificamos nos dois versículos anteriores.

A declaração que escolhi para meu texto, "A seu tempo, quando resvalar o seu pé", parece subentender as seguintes questões, relativas à punição e destruição que aqueles ímpios israelitas estavam sujeitos a sofrer:

1. Que eles estavam sempre expostos à destruição , assim como está sujeito a cair todo aquele que se coloca de pé, ou anda por lugares escorregadios. A maneira como serão destruídos vem aí representada pelo deslize de seus pés. A mesma citação encontramos no Sl 73.18-19, "Tu certamente os pões em lugares escorregadios, e os fazes cair na destruição".

2. Faz supor também que estavam sempre sujeitos a uma súbita e inesperada destruição, à semelhança daquele que anda por lugares escorregadios e a qualquer instante pode cair. O ímpio não consegue prever se, num momento, ficará de pé, ou se, em seguida, cairá. Quando cai, cai subitamente, sem aviso, como está escrito, também, no Sl 73.18-19, "Tu certamente os põe em lugares escorregadios, e os fazes cair na destruição. Como ficam de súbito assolados! Totalmente aniquilados de terror!"

3. Outra coisa implícita no texto é que os ímpios estão sujeitos a cair por si mesmos, sem serem derrubados pelas mãos de outrem, pois aquele que se detém ou anda por terrenos escorregadios não precisa mais do que seu próprio peso para cair por terra.

4. E também a razão pela qual ainda não caíram, e não caem, é por não haver chegado ainda o tempo determinado pelo Senhor. Pois está escrito que quando este tempo determinado, ou escolhido, chegar, seu pé irá resvalar. E então serão entregues à queda, para a qual já estão predispostos por causa do próprio peso. Deus não os susterá mais em lugares escorregadios, mas vai deixá-los sucumbir. Então, nesse exato momento, cairão em destruição, à semelhança daqueles que transitam em terrenos escorregadios, à beira de precipícios, e não conseguem se manter de pé sozinhos,caindo imediatamente e se perdendo ao serem abandonados.

Eu insistira agora num exame maior das seguintes palavras: não há nada, a não ser a boa vontade de Deus, que impeça os ímpios de caírem no inferno a qualquer momento.

Por mera boa vontade de Deus, me refiro à sua vontade soberana, ao seu livre arbítrio, o qual não é restringido por nenhuma obrigação, nem tolhido por qualquer tipo de dificuldade. Em última análise, sob qualquer aspecto, nada, exceto a vontade de Deus, tem poder para preservar os ímpios da destruição por um instante sequer.
A verdade dessa observação transparecerá nas seguintes considerações:

1. Não falta poder a Deus para lançar os ímpios no inferno a qualquer momento. A mão dos homens não é suficientemente forte quando Deus se levanta. O mais forte deles não tem poder para resistir-lhe, e ninguém consegue se livrar de suas mãos.Ele não só pode lançar os ímpios no inferno, como pode fazê-lo com a maior facilidade. Muitas vezes, uma autoridade terrena encontra grande dificuldade em dominar um rebelde, o qual acha meios de se fortalecer e se tornar mais poderoso pelo número de seguidores que alicia. Mas com Deus não é assim. Não há força que resista ao seu poder. Mesmo que as mãos se unam, e que enormes multidões de inimigos do Senhor juntem suas forças e se associem, serão todos facilmente despedaçados. São como montes de palha seca e leve diante de um furacão, ou como grande quantidade de restolho perto de chamas devoradoras. Nós achamos fácil pisar e esmagar uma lagarta que se arrasta pelo chão. Achamos fácil também cortar ou chamuscar um fio de linha fino que segura alguma coisa. Então, é simples para Deus, quando lhe apraz, lançar seus inimigos no inferno profundo. Quem somos nós, que imaginamos poder resistir Àquele ante cuja repreensão a terra treme, e perante quem as pedras tombam?

2. Eles merecem ser lançados no inferno. Assim, a justiça divina não se interpõe no caminho dos ímpios; nem faz objeção pelo fato de Deus usar seu poder para destruí-los a qualquer momento. Muito pelo contrário, a justiça fala assim da árvore que produz frutos maus: "... pode cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?" (Lc 13.7). A espada da justiça divina está o tempo todo erguida sobre suas cabeças, e somente a mão de absoluta misericórdia e a mera vontade de Deus podem detê-la.

3. Os ímpios já estão debaixo da sentença de condenação ao inferno. Eles não só merecem ser lançados ali, mas a sentença da lei de Deus, esse preceito de eterna e imutável retidão que o Senhor estabeleceu entre si mesmo e a humanidade, também se coloca contra eles, e assim os mantém. Portanto, tais homens já estão destinados ao inferno. "...o que não crê já está julgado." (Jo 3.18). Assim, todo impenitente pertence, verdadeiramente, ao inferno. Ali é o seu lugar, ele é de lá, como temos em João 8.23: "vós sois cá debaixo" e para lá é destinado. Este é o lugar que a justiçam, a Palavra de Deus e a sentença de sua lei imutável reservam para ele.

4. Assim sendo, eles são objetos da ira e da indignação de Deus, que se manifesta através dos tormentos do inferno. E a razão de não descerem ao inferno agora mesmo não é pelo fato do Senhor, em cujo poder se encontram, estar menos irado com eles no momento, ou, pelo menos, não tão encolerizado como está com aquelas miseráveis criaturas a quem ele atormenta no inferno, as quais experimentam e sofrem ali a fúria de sua indignação. Sim, Deus se acha muito mais furioso com um grande número de pessoas que está vivendo na terra agora, talvez de modo mais tranqüilo e confortável, do que com muitos daqueles que estão experimentando as chamas do inferno. Portanto, a razão porque Deus ainda não abriu a sua mão e os liquidou, não é por ele não se importar com suas iniqüidades, ou não se ofender. O Senhor não se parece com eles, embora pensem que sim. A fúria de Deus arde contra eles, sua condenação não demora. O abismo está preparado, o fogo está pronto, a fornalha incandescente está ardendo, pronta para recebê-los. As chamas vermelhas queimam. A espada luminosa foi afiada e pesa sobre suas cabeças. O inferno abriu a sua boca debaixo deles.

5. O diabo está pronto a cair sobre os ímpios, para apoderar-se deles como coisa sua, no momento em que Deus o permitir. Eles lhe pertencem, suas almas encontram-se em seu poder e sob seu domínio. As Escrituras os apresentam como propriedade de satanás (Lc 11.21). Os demônios os espreitam, estão sempre ao seu lado, à sua direita, esperando por eles como leões esfaimados e enfurecidos que vêem a presa, aguardando a hora de agarrá-la, mas são restringidos por enquanto. Se Deus retirasse sua mão, a qual os refreia, eles cairiam sobre suas pobres almas num instante. A velha serpente está pronta a dar o bote. O inferno escancara sua boca para recebê-los. E se Deus permitisse, seriam rapidamente engolidos e consumidos.

6. Nas almas dos pecadores reinam aqueles princípios diabólicos que os faria arder agora mesmo no inferno, se não fosse a restrição imposta por Deus. Existe na própria natureza carnal do homem uma potencialidade alicerçando os tormentos do inferno. Há aqueles princípios corruptos que agem de maneira poderosa sobre eles, que só dominam completamente, e que são sementes do fogo do inferno. Esses princípios são ativos e poderosos, de natureza extremamente violenta, e se não fosse a mão restringidora do Senhor sobre eles, seriam logo destruídos. Iriam arder em chamas da mesma forma que a corrupção e a rebeldia fazem arder os corações das pessoas condenadas, gerando nelas os mesmos tormentos. As almas dos ímpios são comparadas nas Escrituras com o mar agitado (Is 57.20). Por enquanto Deus controla as iniqüidades deles pelo seu imenso poder, como faz com as ondas enfurecidas do mar, dizendo: "virão até aqui, mas não prosseguirão." Mas se Deus retirasse deles seu poder refreador, seriam todos tragados por elas. O pecado é a ruína e a miséria da alma. Ele é destrutivo pela própria natureza. E se Deus o deixasse sem controle, não seria preciso mais nada para tornar as almas humanas absolutamente miseráveis. A corrupção no coração do homem é algo cheio de fúria incontrolável e sem freio. Enquanto os pecadores viverem aqui, essa fúria será como fogo reprimido pelas restrições divinas. Ao passo que, se fosse liberada, incendiaria o curso natural da vida. E como o coração é um poço de pecado, este mesmo pecado iria imediatamente transformar a alma num forno incandescente ou numa fornalha de fogo e enxofre, caso não fosse restringido.

7. O fato de não haver sinais visíveis da morte por perto, não quer dizer que haja, por um momento, sequer segurança para os ímpios. O fato do homem natural ter boa saúde, de não prever que poderia deixar este mundo num minuto por um acidente, de não haver perigo visível à sua volta, nada disso lhe ser vê de segurança. Contínuas e inúmeras experiências humanas, em todas as épocas, nos mostram que não existem provas de que o homem não esteja à beira da eternidade, ou de que seu próximo passo não venha a ser no outro mundo. Os caminhos e meios, invisíveis e imprevistos, de chegar lá são incontáveis e inconcebíveis. Os homens não convertidos caminham por cima das profundezas do inferno, sobre uma superfície frágil onde existem varias áreas quebradiças, também invisíveis, as quais não conseguirão agüentar o seu peso. As flechas da morte voam ao meio-dia sem serem vistas. O olhar mais atento não pode distingui-las. Deus tem muitas maneiras diferentes e misteriosas de tirar os homens pecadores do mundo e despachá-los para o inferno. Não há nada que faça crer que o Senhor precise de ajuda de um milagre, ou que necessite se desviar do curso natural de sua providência para destruir qualquer pecador, a qualquer momento. Desde que todos os meios para fazer os ímpios deixarem este mundo estão de tal forma nas mãos de Deus, tão absoluta e universalmente sujeitos ao seu poder e determinação, segue-se que a ida dos pecadores para o inferno, a qualquer momento, depende simplesmente da vontade de Deus – quer usando meios ou não.

8. O cuidado e a prudência dos homens naturais em preservar suas vidas, ou o cuidado de terceiros em preservá-las, não lhes dá segurança por um momento sequer. A providência divina e a experiência humana testificam isso. Existem evidências claras de que a sabedoria dos homens não lhes é segurança contra a morte. Se não fosse assim, haveria uma diferença entre a morte prematura e inesperada de homens sábios e prudentes, e dos demais. Mas, o que realmente acontece? "Como morre o homem sábio? Assim como um tolo." (Ec 2.16).

9. Todo o esforço e artimanha dos ímpios para escaparem do inferno não os livram do mesmo, nem por um momento, pois continuam a rejeitar a Cristo, e portanto permanecem ímpios. Quase todos os homens naturais que ouvem falar do inferno alimentam a ilusão de que vão escapar dele. Quanto a sua própria segurança, confiam em si mesmos. Vangloriam-se do que fizeram, do que estão fazendo e do que pretendem fazer. Cada um traça seu próprio plano, pensa em evitar a condenação, e se vangloria e que irá tramar tão bem todas as coisas que seu esquema, com certeza, não falhará. Na verdade, eles ouvem dizer que poucos se salvam, e que a maior parte dos homens que já morreram foram para o inverno; mas cada um deles se imagina capaz de planejar melhor a própria fuga, do que os outros puderam fazer. Dentro de si mesmos dizem que não pretendem ir para esse lugar de tormento, e que pretendem tomar todo o cuidado necessário, esquematizando as coisas de tal forma na ao terem possibilidade de falhar.

Mas os insensatos filhos dos homens iludem-se miseravelmente quanto a seus próprios planos. A confiança que depositam na própria força e sabedoria é o mesmo que confiar na fragilidade de uma sombra. A maior parte daqueles que antes viveram debaixo da dispensação da graça, e agora estão mortos, sem dúvida alguma foram para o inferno. E não é por terem sido menos espertos do que os que ainda estão vivos, nem por terem planejado as coisas de tal forma que não lhes assegurou o escape. Se pudéssemos falar com eles, um a um, e perguntar-lhes se, quando vivos, esperavam ser vítimas de tamanha miséria, sem dúvida ouviríamos todos dizer: "Não, eu nunca pensei em vir para cá. Eu tinha esquematizado as coisas de maneira bem diferente. Pensei que iria conseguir algo melhor para mim, que meu plano era adequado. Pensei em me precaver melhor, mas tudo aconteceu de maneira tão repentina. Não esperava por isso naquela época, e nem daquela maneira. Mas tudo veio como um ladrão. A morte foi mais esperta que eu. A ira de Deus foi rápida demais para mim. Oh!, maldita insensatez! Eu me gabava, e me deleitava em sonhos vãos quanto ao que faria no futuro. E justamente quando eu mais falava de paz e segurança, me sobreveio uma súbita destruição."

10. Deus não se sujeita a nenhuma obrigação, nem a nenhuma promessa de manter o homem natural fora do inferno por um momento sequer. Ele não fez absolutamente nenhuma promessa de vida eterna, ou de libertação ou proteção da morte eterna, senão àquelas que estão contidas na aliança da graça – as promessas concedidas em Cristo, no qual todas as promessas são o sim e o amém. Mas obviamente os que não são filhos da aliança da graça não têm interesse na mesma, pois não crêem em nenhuma das suas promessas, e nem têm o menor interesse no Mediador dessa aliança.

Portanto, apesar de tudo que os homens possam imaginar ou pretender sobre promessas de salvação, devido suas lutas pessoais e buscas incessantes, deixamos claro e manifesto que qualquer desses esforços ou orações que se façam em relação à religião, será inútil. A não ser que creiam em Cristo, o Senhor, de modo nenhum Deus está obrigado a conservá-los fora da condenação eterna.

Então, os homens impenitentes estão detidos nas mãos de Deus por cima do abismo do inferno. Eles merecem o lago de fogo e para ele estão destinados. Deus se acha terrivelmente irritado. Seu furor para com eles é tão grande quanto para com aqueles que já estão agora sofrendo o suplício da fúria de sua ira no inferno. Esses ímpios não fizeram absolutamente nada para abrandar ou diminuir sua cólera, portanto o Senhor não está de modo algum preso a qualquer promessa de livramento, nem por um momento sequer. O diabo espera por eles, o inferno já escancarou a sua boca para tragá-los. O fogo latente em seus corações agrava-se agora querendo explodir. E como continuam sem o menor interesse no Mediador, não existem meios, ao alcance deles, que lhes possa dar segurança. Em suma, eles não têm refúgio e nada onde se segurar. O que os retém a cada instante é a absoluta boa vontade divina e a clemência sem compromisso, sem obrigação, de um Deus enraivecido.


Aplicação

Essa mensagem pode despertar as pessoas não convertidas para o significado do perigo que estão correndo. Isso que vocês escutaram é o caso de todo aquele que não está em Cristo. Esse mundo de tormento, isto é, o lago de enxofre incandescente, está aberto debaixo de vossos pés. Ali se encontra o terrível abismo de chamas que ardem com a fúria de Deus, e o inferno com sua imensa boca escancarada. E vocês não têm onde se apoiarem, nem coisa alguma onde se segurarem. Não existe nada entre vocês e o inferno, senão o ar, e só o poder e o favor de Deus podem vos suster.

Provavelmente vocês não têm consciência dessas coisas, acham que vão conseguir se livrar do inferno, e não vêem nisso tudo a mão de Deus. E olham as coisas ao seu redor, como o bom estado de vossa saúde física, os cuidados que tomam de vossas vidas, e os meios que usam para vossa própria preservação. Mas essas coisas não representam nada. Se Deus retirasse sua mal, elas de nada valeriam para impedir-vos a queda; elas valem tanto como a brisa tênue que tenta sustentar uma pessoa no ar.

Vossas iniqüidades vos fazem pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus permitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Vossa saúde, vossos cuidados e prudência, vossos melhores planos, toda a vossa retidão, de nada valeriam para sustentar-vos e conservar-vos fora do inferno. Seria como tentar segurar uma avalancha de pedras com uma teia de aranha. Se não fosse a misericórdia de Deus, a terra não suportaria vocês por um só momento, pois são uma carga para ela. A natureza geme por causa de vocês. A criação foi obrigada a se sujeitar à escravidão, involuntariamente, por causa da vossa corrupção. Não é com prazer que o sol brilha sobre vocês, para que sua luz vos alumie para pecarem e servirem a satanás. A terra não produz de bom grado os seus frutos para satisfazer vossa luxuria. Nem está disposta a servir de palco à exibição de vossas iniqüidades. Não é voluntariamente que o ar alimenta vossos corpos, mantendo viva a chama dos vossos corpos, enquanto vocês gastam a vida servindo os inimigos de Deus. As coisas criadas por Deus são boas e foram feitas para o homem, por meio delas, servisse ao Senhor. Não é com prazer que prestam serviço a outros propósitos, e gemem quando são ultrajadas ao servirem objetivos tão contrários à sua finalidade e natureza. E a própria terra vomitaria vocês se não fosse a mão soberana d'Aquele a quem vocês tanto tem ofendido. Eis aí as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre vossas cabeças carregadas por uma tempestade ameaçadora, cheia de trovões. Não fosse a mão restringidora do Senhor, elas arrebentariam imediatamente sobre vocês. A misericórdia soberana de Deus, por enquanto, refreia esse vento impetuoso, do contrário ele sobreviria com fúria, vossa destruição ocorreria repentinamente, e vocês seriam como palha dispersada pelo vento.

A ira de Deus é como grandes águas represadas que crescem mais e mais, aumentam de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a correnteza for reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo ao ser liberada. É verdade que até agora ainda não houve um julgamento por vossas obras más. A enchente da vingança de Deus encontra-se represada. Mas, por outro lado, vossa culpa cresce dava dez mais, e dia a dia vocês acumulam mais e mais ira contra si mesmos. As águas estão subindo continuamente, fazendo sua força aumentar mais e mais. Nada, a não ser a misericórdia de Deus, detém as águas, as quais não querem continuar represadas e forçam uma saída. Se Deus retirasse sua mão das comportas, elas se abririam imediatamente e o mar impetuoso da fúria e da ira de Deus iria se precipitar com furor inconcebível, e cairia sobre vocês com poder onipotente. E mesmo que vossa força fosse dez mil vezes maior do que é, sim, dez mil vezes maior do que a força do mais forte e vigoroso diabo do inferno, não valeria nada para resistir ou deter a ira divina.

O arco da ira de Deus já está preparado, e a flecha ajustada ao seu cordel. A justiça aponta a flecha para vosso coração, e estica o arco. E nada, senão a misericórdia de Deus – um Deus irado! – que não se compromete e a nada se obriga, impede que a flecha se embeba agora mesmo do vosso sangue. Assim estão todos vocês que nunca experimentaram uma transformação real em vossos corações pela ação poderosa do Espírito do Senhor em vossas almas – todos vocês que não nasceram de novo, nem foram feitos novas criaturas, ressurgindo da morte do pecado para um estado de luz, e para uma vida nova nunca experimentada antes. Por mais que vocês tenham modificado a conduta em muitas coisas, e tenham possuído simpatias religiosas, e até mantido uma forma pessoal de religião com vossas famílias e em particular, indo à casa do Senhor, sendo até severos quanto a isso, mesmo assim vocês estão nas mãos de um Deus irado. Somente sua misericórdia vos livra de ser, agora, neste momento, tragados pela destruição eterna. Por menos convencidos que vocês estejam agora quanto às verdades ouvidas, no porvir serão plenamente convencidos. Aqueles eu já se foram, e que estavam na mesma situação que a vossa, percebem que foi exatamente isso que lhes aconteceu, pois a destruição caiu de repente sobre muitos deles, quando menos esperavam, e quando mais afirmavam vier em paz e segurança. Agora eles vêem que aquelas coisas nas quais puseram sua confiança para obter paz e segurança eram nada mais que uma brisa ligeira e sombras vazias.

O Deus que vos mantém acima do abismo do inferno vos abomina; ele está terrivelmente irritado e seu furor contra vocês queima como fogo. Ele vê vocês como apenas dignos de serem lançados no fogo. E seus olhos são tão puros que não podem tolerar tal visão. Vocês são dez mil vezes mais abomináveis a seus olhos do que é a mais odiosa das serpentes venenosas para olhos humanos. Vocês o têm ofendido infinitamente mais do que qualquer rebelde obstinado ofenderia a um governante. No entanto, nada, a não ser a sua mão, pode impedir-vos de cair no fogo a qualquer momento. O fato de vocês não terem ido para o inferno a noite passada e de terem tido permissão para acordar ainda aqui neste mundo, depois de terem fechado os olhos ontem para dormir, atribui-se ao mesmo favor. Não existe outra razão porque vocês não foram lançados no inferno ao se levantarem pela manhã, a não ser o fato da mão de Deus ter-vos sustentado. E não existe outra razão porque vocês não caiam no inferno neste exato momento.

Oh!, pecador, pense no perigo terrível que se encontra! É sobre uma grande fornalha de furor, sobre um abismo imenso e sem fim, cheio do fogo da ira, que você está pendurado, seguro pela mão de Deus, cujo furor acha-se tão inflamado contra você, como contra muitas pessoas já condenadas no inferno. Você está suspenso por uma linha tênue, com as chamas da cólera divina lampejando à tua volta, prontas para atearem fogo e queimar-te por inteiro. E você continua sem interesse no Mediador, sem nada onde se agarrar para poder se salvar, nada que possa afastar as chamas da cólera divina, nada de teu próprio, nada que tenha feito ou possa vir a fazer, para persuadir o Senhor a poupar tua vida por um minuto sequer. Considere, então, mais detidamente, vários aspectos dessa cólera que te ameaça com tão grande perigo.

1. A quem pertence essa ira? É a ira do Deus infinito. Se fosse somente a ira humana, mesmo a do governante mais poderoso, comparativamente seria considerada como coisa pequena. A ira dos reis é bastante temida, principalmente dos monarcas absolutos, que possuem os bens e as vidas de seus súditos inteiramente sob o seu poder, para serem usados quando bem entenderem. "Como o bramido do leão é o terror do rei; o que lhe provoca a ira peca contra a sua própria vida." (Pv 20.2). O súdito que enfurece este tipo de governante arbitrário, sofre os maiores tormentos que se possa conceber, ou que o poder humano possa infligir. Porém, os maiores principados da terra, em toda a sua grandeza, majestade e poder, mesmo revestidos de seus grandes terrores, não são mais do que vermes débeis e desprezíveis que rastejam no pó, quando comparados com o grande e todo-poderoso criador e rei dos céus e da terra. Mesmo quando estão enraivecidos e sua fúria chega ao máximo, é muito pouco o que podem fazer. Os reis da terra são, perante Deus, como gafanhotos. Valem menos que nada. Tanto o seu amor quanto o seu ódio são desprezíveis. A ira do grande Rei dos reis é muito mais terrível do que a deles, tal como é maior a sua majestade. "Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer". (Lc 12.4-5).

2. É à ferocidade de sua ira que vocês estão expostos. Lemos, com freqüência, sobre a ira de Deus, como por exemplo em Is 58.18. "Segundo as obras deles, assim retribuirá; furor aos seus adversários." E também em Is 66.15 "Porque, eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo." E assim é em muitos outros lugares da Bíblia. Lemos também em ap 19.15: "... o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso." Essas palavras são incrivelmente aterradoras. Se estivesse escrito apenas a "ira de Deus", isso já nos faria supor algo bastante temível. Mas está escrito "o furor da ira de Deus", ou seja, a fúria de Deus, o furor de Jeová! Oh!, quão terrível deve ser esse furor! Quem pode exprimir ou conceber o que essas palavras contêm? Mas não é apenas isso que está escrito, e sim "o furor da ira do Deus Todo-Poderoso." Essas palavras dão a entender que uma grande manifestação de seu poder onipotente vai acontecer. Através dela ele infligirá aos homens todo o furor de sua ira. Assim como os homens costumam manifestar sua própria força através do furor de sua ira, a onipotência divina irá, da mesma forma, se enfurecer e se manifestar. Então, qual será a conseqüência de tudo isso? O que será do pobre verme que vier a sofrer todo este mal? Que mão serão tão fortes, e que coração conseguirá suportar tanto furor? A que terrível, inexprimível, inconcebível abismo de miséria irá chegar a pobre criatura humana que será vítima disso tudo!

Pensem bem, vocês que estão aqui agora, e que permanecem em estado pecaminoso. O fato de Deus vir a efetivar o furor da sua ira, torna implícito que ele infligirá esse castigo sem compaixão. Quando Deus olhar a indescritível aflição do vosso estado, e vir como vossos tormentos são absolutamente desproporcionais à vossa força, e como vossas pobres almas estão esmagadas, imersas em trevas eternas, não terá compaixão de vocês, não ira deter a execução de sua ira, ou, de forma alguma, tornar mais leve sua mão. Nessa hora Deus não usará de misericórdia para com vocês, nem conterá seu vento impetuoso. Ele não terá consideração para com o vosso bem estar, e nem irá evitar que vocês sofram. Na verdade, fará com que sofram na medida exata que sua rigorosa justiça vier a requerer. Nada será modificado só pelo fato de ser difícil para vocês suportarem. "Pelo que também eu os tratarei com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei." (Ez 8.18). Deus está pronto, agora, a usar de compaixão com vocês. Hoje é o dia da misericórdia. Vocês podem clamar neste instante, e ter esperanças de alcançar sua graça. Mas quando o dia da misericórdia passar, vosso lamento, o pranto mais doloroso, os gritos, serão em vão. No que diz respeito ao vosso bem estar, vocês estarão completamente perdidos e alienados de Deus. O Senhor não terá outra opção senão a de entregar-vos ao sofrimento e à miséria. E vocês continuarão não tendo outra perspectiva, pois serão vasos de ira, preparados para a destruição. Não haverá outro uso qualquer para tais vasos, senão o de enchê-los da ira de Deus. Quando clamarem ao Senhor, ele estará tão longe de consolar-vos que, inclusive, está escrito a este respeito que Deus irá, simplesmente, 'rir e zombar' de vocês (Pv 1.25-26).

Vejam quão terríveis são estas palavras do grande Senhor: "O lagar eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo." (Is 63.3). É quase impossível se conceber palavras que tragam em si uma manifestação maior destas três coisas: desprezo, ódio e fúria de indignação. Se clamarem a Deus por consolo, ele estará longe de querer vir consolar-vos, ou de querer demonstrar-vos interesse ou favor. Ao contrario, o Senhor simplesmente irá esmagar-vos sob seus pés. E apesar de saber que, ao pisotear-vos, vocês não poderão suportar o peso de sua onipotência, ainda assim ele não vai se importar, e irá esmagar-vos debaixo de seus pés, sem piedade, espremendo o vosso sangue e fazendo com que o mesmo espirre longe, manchando suas vestes, maculando seu traje. Ele não só irá odiar-vos, como devotará a vós o maior desprezo. Lugar algum será considerado próprio para vocês, a não ser debaixo de seus pés, para serem pisados como a lama das ruas.

3. A miséria a que vocês estão sujeitos é aquela que Deus vos infligirá, a fim de demonstrar a força da ira do Senhor, Deus tem em seu coração a intenção de mostrar aos anjos e aos homens, não só a excelência do seu amor, como a severidade de seu furor. Às vezes os governantes da terra resolvem mostrar a força de sua ira através de castigos extremos que mandam infligir sobre aqueles que os enfurecem. Nabucodonosor, o poderoso e arrogante rei do império dos caldeus, demonstrou seu furor quando, ao se irritar com Sadraque, Mesaque e Abdenego, ordenou que se acendesse a fornalha de fogo ardente sete vezes mais do que o normal. Como era de se esperar, a fornalha foi aquecida intensamente, até atingir o mais alto grau que poderia produzir. O grande Deus também quer revelar a sua ira, e exaltar sua tremenda majestade e grandioso poder através dos sofrimentos desmedidos de seus amigos. "Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos da ira, preparados para a perdição." (Romanos 9.22). E visto que esse é o seu desígnio e o que ele determinou, ou seja, mostrar quão terrível e ilimitada é a ira, a fúria e a indignação do Senhor, ele o mostrará realmente. Será realizado algo horrendo, muito terrível. Quando o grande e furioso Deus tiver se levantado e executado sua terrível vingança sobre o mísero pecador, e o desgraçado estiver sofrendo o peso e o poder infinito de sua indignação, então Deus chamará o universo inteiro para contemplar a imensa majestade e o tremendo poder que nele existe. "Os povos serão queimados como se queima a cal, como espinhos cortados arderão no fogo." "Ouvi vós os que estais longe, o que tenho feito; e vós, que estais perto, reconhecei o meu poder. Os pecadores em Sião se assombram, o tremor se apodera dos ímpios; e eles perguntam: quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?" (Isaías 33.12-14).

Assim será com vocês que não são convertidos, se permanecerem neste estado. O poder infinito, a majestade e a grandiosidade do Deus onipotente serão exaltados em vocês através da inexprimível força dos tormentos que vos sobrevirão. Vocês serão atormentados na presença dos santos anjos e na presença do Cordeiro. E quando estiverem nesse estado de sofrimento, os gloriosos habitantes do céu sairão para contemplar esse espetáculo horrendo, e verão como é a fúria do Todo-poderoso. E quando virem todas essas coisas, se prostrarão e adorarão seu grande poder e majestade. "E será que de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. Eles sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne." (Isaías 66.23-24).

4. É uma ira eterna. Já seria algo terrível sobre o furor e a cólera do Deus Todo-poderoso por um momento. Mas vocês terão de sofrê-la por toda a eternidade. Essa intensa e horrenda miséria não terá fim. Ao olhar para o futuro, vocês verão à frente uma interminável eternidade, de duração infinita, que irá devorar vossos pensamentos e assombrar vossas almas. E vocês irão se desesperar, com certeza, por não conseguirem nenhum livramento, termo, alívio ou descanso para tanta dor. Saberão também, que terão de sofrer até à última gota por longos séculos, por milhões e milhões de anos, lutando e pelejando contra essa vingança inclemente e todo-poderosa. Então, depois de passar por tudo isso, quando tantos séculos vos tiverem consumido, saberão que tudo não passa apenas de uma gota d'água quando comparado ao que ainda resta. Portanto, vosso castigo será, com certeza, infinito. Oh!, quem poderia exprimir o estado de uma alma em tais circunstâncias? Tudo o que pudermos dizer sobre o assunto, vai nos dar, apenas, uma débil e frágil visão da realidade. Ela é inexprimível, inconcebível, pois "Quem conhece o poder da ira de Deus?"

Que horrendo é o estado daqueles que diariamente, a cada hora, se encontram em perigo de sofrer tamanha ira e infinita miséria! Mas esse é o caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral, austera, sóbria e religiosa que seja. Queira Deus vocês pensassem em todas essas coisas, sejam jovens ou velhos. Há razões de sobra para acreditar que muitos daqueles que ouviram o evangelho certamente estarão expostos a esse tormento por toda a eternidade. Não sabemos quem são eles, nem o que pensam. Pode ser que estejam tranqüilos agora, escutando esta mensagem sem se perturbarem muito, e que estejam até se gabando de que, no caso deles, conseguirão escapar. Se soubéssemos que dentre os nossos conhecidos existe uma pessoa, uma só, sujeita a sofrer tal tormento como seria doloroso para nós encarar o assunto. Se conhecêssemos essa pessoa, sempre que a víssemos uma tal visão seria terrível para nós. Iríamos todos levantar grande choro, e prantear por sua causa. Mas, infelizmente, em vez de uma pessoa só, é provável que muitos se lembrem destas exortações somente no inferno! E inúmeras pessoas podem estar no inferno em breve tempo, antes mesmo do ano terminar. E aqueles que estão agora com saúde, tranqüilos e seguros, podem chegar lá antes do amanhecer. Todos os que dentre vocês continuarem até o fim em estado natural pecaminoso, e que conseguirem ficar fora do inferno por mais tempo, estarão lá também em breve. Sua condenação não tardará; virá de súbito, e provavelmente para muitos de vocês, de maneira repentina. Vocês têm toda razão em se admirarem de não estar ainda no inferno. É ocaso, por exemplo, de alguns conhecidos seus, que não mereciam o inferno mais do que vocês e que antes aparentavam ter possibilidade de estarem vivos agora tanto quanto vocês. Para o caso deles já não há esperança. Estão clamando lá em extrema penúria e perfeito desespero. Mas aqui estão vocês, na terra dos vivos, cercados pelos meios de graça, tendo a grande oportunidade de obter a salvação. O que não dariam aquelas pobres almas condenadas, desesperadas, pela oportunidade de viver mais um só dia, como que vocês desfrutam neste momento!

E agora vocês têm uma excelente ocasião. Hoje é o dia em que Cristo abre as portas da misericórdia de par em par, e se coloca de pé clamando e chamando em alta voz aos pobres pecadores. Este é o dia em que muitos estão se reunindo a ele, se apressando em chegar ao reino de Deus. Inúmeros estão vindo diariamente do norte, sul, leste e oeste. Muitos que estavam até bem pouco tempo nas mesmas condições miseráveis que vocês estão felizes agora, com os corações cheios de amor por Aquele que os amou primeiro, e os lavou de seus pecados com seu próprio sangue, regozijando-se na esperança de ver a glória de Deus. Como é terrível ser deixado para trás num dia assim! Ver os outros se banqueteando, enquanto vocês estão penando e se definhando! Ver os outros se regozijando e cantando com alegria no coração, enquanto vocês só têm motivos para prantear por causa do sofrimento de seus corações, e de lamentar por causa das aflições e vossas almas! Como podem vocês descansar por um momento sequer em tal estado de alma? Será que vossas almas não são tão preciosas como as almas daqueles que, dia a dia, estão se juntando ao rebanho de Cristo?

Não existem, porventura, muitos que, apesar de estarem há longo tempo neste mundo, até hoje não nasceram de novo, e por isso são estranhos à comunidade de Israel, e nada têm feito durante a vida, a não ser acumular ira sobre ira para o dia do castigo? Oh! senhores, o caso de vocês é, sem dúvida, extremamente perigoso. A dureza de vossos corações e a vossa culpa são imensas. Acaso vocês não vêem como geralmente pessoas de vossa idade são deixadas para trás na dispensação da misericórdia de Deus? Vocês precisam refletir e despertar de vosso sono, pois jamais poderão suportar a fúria e a ira do Deus infinito. E vocês que são rapazes e moças, irão negligenciar este tempo precioso que desfrutam agora, quando tantos outros jovens de vossa idade estão renunciando às futilidades da juventude e acorrendo céleres a Cristo? Vocês têm neste momento uma oportunidade, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que agora está acontecendo com todos aqueles que gastaram em pecado os dias mais preciosos de sua mocidade, chegando a uma terrível situação de cegueira e insensibilidade. E vocês crianças, que não se converteram ainda, não sabem que estão indo para o inferno onde sofrerão a horrenda ira daquele Deus que agora está encolerizado contra vocês dia e noite? Será que vocês ficarão felizes em ser filhos do diabo, quando tantas outras já se converteram e se tornaram filhos santos e alegres do Rei dos reis?

Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor que é um dia de grandes misericórdias para alguns, sem dúvida será um dia de extremo castigo para outros. Quando negligenciam suas almas os corações dos homens se endurece, e a sua culpa aumenta rapidamente. Podem estar certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produz fruto, deve ser cortada e lançada no fogo.

Portanto, todo aquele que está fora de Cristo, desperte e fuja da ira vindoura. A ira do Deus Todo-poderoso paira agora sobre todos os pecadores. Que cada um fuja de Sodoma: " Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças ."

E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens”. “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. (II Coríntios 5.11-20; 6.2). “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” . (Isaías 55.6-7). Amém.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dons que manifestam a sabedoria de Deus – 3

por Caramuru Afonso Francisco

INTRODUÇÃO

- Na continuidade do estudo a respeito da operação do Espírito Santo por intermédio dos dons espirituais, estudaremos os chamados “dons de ciência”.

- Os “dons de ciência” são a manifestação da onisciência divina no meio da Igreja, para a sua edificação, exortação e consolação.

I – A ONISCIÊNCIA DIVINA

- Vimos na lição anterior que os dons espirituais são uma necessidade para a Igreja e uma realidade para os nossos dias. Não é por outro motivo que, no “Cremos” das Assembleias de Deus no Brasil, temos o item 10, que ora reproduzimos:

CREMOS…

“ 10) Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a Sua soberana vontade ( 1 Co 12.1-12).”

OBS: A propósito, o(a) amado(a) irmão(ã) conhece o “Cremos” das Assembleias de Deus no Brasil, ou seja, o conjunto das crenças básicas de nossa denominação? O jornal Mensageiro da Paz o publica em todas as suas edições. Como podemos chegar aos cem anos sem que os irmãos nem sequer saibam no que creem as Assembleias de Deus no Brasil?

- Embora os dons espirituais sejam “adornos espirituais”, que embelezam a Igreja, tornando-a uma “esposa ataviada para o seu marido”, não podemos entender, com esta figura, que os dons espirituais sejam dispensáveis, mas são eles uma necessidade para a vida espiritual de cada salvo, visto que é através dos dons que podemos nos edificar espiritualmente e a edificação é absolutamente necessária para que vençamos o mal, máxime quando nos aproximamos do término de nossa dispensação. À medida que se multiplica a iniquidade (Mt.24:12), precisamos de mais e mais ajuda do Espírito Santo a fim de que não sejamos os “quase todos” que terão seu amor esfriado.

- Os dons espirituais são dádivas concedidas pelo Espírito Santo a alguns salvos para que sejam instrumentos de edificação da Igreja. Por intermédio dos dons espirituais, de forma sobrenatural, o Senhor Se manifesta no meio do Seu povo, atua de modo a que percebamos a Sua companhia para conosco e, desta forma, ao sentirmos a Sua companhia, o Seu consolo, o cumprimento de Sua promessa de que jamais nos deixaria (Mt.28:20), somos fortificados na graça que há em Cristo Jesus (II Tm.2:1) e retomamos o bom ânimo (Jo.16:33), indispensável para vencermos o mal e perseverarmos até o fim (Mt.24:13), alcançando a salvação, o objetivo de nossa fé (I Pe.1:9).

- Sem a busca e a manifestação dos dons espirituais (I Co.14:1), corremos sérios riscos de sermos impedidos de chegar até o final da jornada, porque precisamos, para tanto, obter o fortalecimento tanto no Senhor (que é a Palavra – Jo.1:1), como na força do Seu poder (que são as manifestações do Espírito Santo a partir do dom do Espírito Santo, concedido pelo batismo com o Espírito Santo e complementado pelos dons espirituais —At.1:8) (Ef.6:10).

- Por intermédio dos dons espirituais, o nosso Deus Se revela à Igreja em um de Seus atributos, de modo atual e concreto, deixando de agir de modo íntimo, como costuma ocorrer na nossa comunhão com o Senhor, para Se apresentar no meio do povo, fortalecendo a vida espiritual de cada salvo na igreja local onde congrega. Com a manifestação dos dons espirituais, há a demonstração inequívoca de que a realidade da salvação está presente em cada crente, algo que nem sempre podemos perceber dada a comunhão interior que desfrutamos com o Senhor.

- Por isso, os dons espirituais estão relacionados com os atributos divinos relacionados com a Sua criação. Como sabemos, existem atributos de Deus que são qualidades que o Senhor manifesta em relação à Sua criação. Como os dons espirituais são uma demonstração atual da presença do Senhor entre os salvos, não é difícil compreender que, nestes dons, Deus manifesta estes atributos que tem em relação à Sua criação, quais sejam, a onipresença, a onisciência e a onipotência.

- Na lição anterior, já estudamos os chamados “dons de fala ou de eloquência”, pelos quais Deus Se mostra presente no meio da Igreja, comunicando-se diretamente com o Seu povo, seja através de línguas estranhas (comunicação feita entre Deus e cada salvo em particular), seja através da interpretação das línguas estranhas ou da profecia (quando a comunicação se dá com a Igreja em geral). Tais dons, como já tivemos ocasião de observar, mostram a onipresença divina, ou seja, dão a certeza de que Deus está presente em todos os lugares, inclusive entre os salvos de uma determinada igreja local.

- Já os chamados “dons de ciência”, que são o objeto de nosso estudo nesta oportunidade, mostram um outro atributo divino: a onisciência. Deus conhece e sabe todas as coisas (Sl.139:1-6; I Jo.3:20), nada se Lhe pode ocultar (Sl.38:9; 139:15,23,24; Mt.6:6). Porque Deus sabe todas as coisas, é ele a fonte de toda a ciência, conhecimento e sabedoria, razão pela qual jamais as manifestações do conhecimento humano, quando verdadeiras, se chocarão com a Palavra de Deus, pois Deus é o próprio autor do conhecimento, da ciência e da sabedoria.

- A onisciência de Deus, aliada à Sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa. Por isso, pode nos revelar, como nos revelou, as coisas que ainda iriam acontecer, na dimensão dos homens.

- A onisciência de Deus traz-nos a necessidade de termos um comportamento distinto dos homens que não conhecem a Deus. Como Deus sabe todas as coisas e conhece tanto o passado, quanto o presente e o futuro, algo que não temos sequer condição de saber, pois nem sempre avaliamos bem o passado (e a memória pode trair-nos, fazendo-nos esquecer aspectos importantes e relevantes deste passado), muitas vezes ficamos atônitos com relação ao presente, sem saber o que fazer e o futuro a nós escapa totalmente, precisamos confiar n’Ele e, nas adversidades e momentos difíceis da vida, lembrar que Deus, e só Ele, sabe todas as coisas. Se bem avaliarmos a onisciência divina, certamente que poderemos marchar na dura caminhada pelo deserto desta vida certos de que, onde quer que as circunstâncias nos levem, a direção e orientação parte de quem sabe todas as coisas e que prometeu que somente nos daria o melhor (Rm.8:27-30).

- Por isso, é importante que Deus manifeste a Sua onisciência por intermédio dos “dons espirituais de ciência”, porquanto, através desta forma sobrenatural de nos fazer conhecer algo, o Senhor nos ajuda a compreender que Ele é onisciente e que podemos confiar em Sua Palavra e em Suas direções e orientações, não só aumentando a nossa fé, mas nos conduzindo de forma a que perseveremos até o fim na obediência e na esperança do Senhor.

- Os dons de ciência (também chamados “dons de revelação”) são três e, por meio deles, o Senhor manifesta a Sua onisciência no meio da Igreja, para que jamais venhamos a nos esquecer de que Deus sabe todas as coisas e, assim, pode sempre nos orientar na nossa jornada, devendo ser sempre o nosso referencial. São eles: palavra da sabedoria, palavra da ciência e discernimento dos espíritos (I Co.12:8,10).

II – O DOM DA PALAVRA DA SABEDORIA

- Antes de analisarmos o que é o dom da palavra da sabedoria, é indispensável que entendamos o que é a sabedoria. Como ensina o pastor João da Cruz Parente, articulista do Portal Escola Dominical, sabedoria é a “capacidade de tomar decisões corretas”. Este mesmo pastor transcreveu o que diz a respeito a Bíblia de Aplicação Pessoal, que ora transcrevemos: “Sabedoria significa ‘discernimento prático’. Começa com o respeito a Deus, conduz a um viver correto, e resulta em habilidade aumentada para dizer o que é certo ou errado. Deus está disposto a nos dar esta sabedoria, mas seremos incapazes de recebê-la se os nossos propósitos forem egocêntricos e não estiverem centrados em Deus. Para conhecermos qual é a vontade de Deus, precisamos ler a sua Palavra e pedir que Ele nos mostre como obedecê-la. Então devemos fazer aquilo que Ele nos diz.” (Disponível em: http://www.evangelica.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=164&sg=84&form_search=&pg=2&id=1527Acesso em 23 mar. 2011).

- Russell Norman Champlin diz que a sabedoria é “…a habilidade mais elevada de raciocínio, prudência, inteligência (Dt.4:6; 34:9; Pv.10:1) (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.6, p.7). A palavra hebraica empregada para sabedoria é “chochmah” ou “chokmah” (חכמה) , “a chave do bem supremo”, que, para os hebreus, “…era a prática desinteressada da justiça e do ‘amor-bondade’ para com os seus semelhantes. Por meio do conhecimento, pela aplicação da razão, e pelas conclusões da compreensão, aquele que buscava a verdade podia alcançar um estado de graça interna pelo portal mais esplêndido de todos: a sabedoria de ser bom e de praticar o bem. O Sábio Talmúdico Rava deu uma definição em forma sucinta: ‘O objetivo da sabedoria é o arrependimento e a realização de boas ações’…” (AUSUBEL, Nathan. Chochmah. In: A JUDAICA, v.5, pp.164-5).

- A primeira vez que as Escrituras falam em sabedoria é no livro do Êxodo, quando o Senhor está a entregar a Moisés o modelo do tabernáculo no monte. O Senhor disse a Moisés que ele deveria falar aos “sábios de coração”, a quem o Senhor havia “enchido do espírito de sabedoria” para fazer as vestes para Arão para santificá-lo, a fim de que pudesse administrar o ofício sacerdotal (Ex.28:3).

- De pronto, vemos que, ao surgir no texto sagrado, a sabedoria já é apresentada como um “dom de Deus”, como a vinda do “Espírito de sabedoria” que, como já estudamos, é um dos nomes que se dá ao Espírito Santo na Bíblia Sagrada.

- Esta mesma ideia encontramos na sequência do livro do Êxodo, em que a sabedoria é vinculada à destreza e habilidade com que o Senhor dotou algumas pessoas para elaborarem as peças e vestimentas do tabernáculo, tais como Bezaleel e Aoliabe, mas não só eles, como também outros homens e mulheres (Ex.31:3,6; 35:26, 31, 35; 36:1,2).

- Em todos estes textos, fica bem claro que a sabedoria veio da parte de Deus, daí porque Tiago dizer que a sabedoria vem de Deus (Tg.1:5), vem do alto (Tg.3:15). A genuína e autêntica sabedoria tem como fonte o próprio Deus, de forma que não é algo que se possa adquirir por meios humanos.

- Outro ponto que vemos desenvolvido logo na introdução da ideia de sabedoria no texto sagrado é o fato de que a sabedoria está vinculada ao “coração” e não à “mente”. “Coração”, bem sabemos, é uma forma de as Escrituras se referirem ao “homem interior”, à alma e ao espírito do homem. Vemos, pois, que a sabedoria se distingue da erudição ou, mesmo, da inteligência, que são capacidades que se adquirem pelo esforço mental (erudição) ou que revelam uma predisposição mental (inteligência), mas é algo que está inserido no âmago do homem, na sua estrutura imaterial.

- Nota-se, também, que a concessão de sabedoria da parte de Deus àqueles israelitas tinha o propósito de permitir que se realizasse todo o modelo dado pelo Senhor a Moisés, a fim de que fosse possível a adoração. Destarte, concede-se sabedoria para que se possa, de forma correta, adorar a Deus, servi-l’O na beleza da Sua santidade. A sabedoria, pois, tem como finalidade dar condições plenas para que o homem, ser imperfeito e falho, possa se dirigir corretamente ao seu Criador.

- Tanto assim é que a sabedoria seria manifestada por Israel quando eles guardassem os estatutos e juízos mandados pelo Senhor (Dt.4:5,6). Da observância e da obediência aos mandamentos, Israel extrairia das demais nações a afirmação de que eram gente sábia e inteligente. Daí porque o salmista ter afirmado que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Sl.111:10).

- Nem poderia deixar de ser diferente. Se a sabedoria é, como afirma a Bíblia On-Line da Sociedade Bíblica do Brasil, “…qualidade que inclui bom senso e atitudes e ações corretas (Pv 4.7; Tg 1.5; 3.17)”, como podemos fazer o que é certo senão observando aquilo que Deus nos revelou em Sua Palavra, que é a verdade (Jo.17:17)?

- Por isso, quando Moisés impôs as mãos sobre Josué, quando este foi escolhido para sucedê-lo, o Senhor encheu o novo líder com “o espírito de sabedoria” e, foi por ter demonstrado sabedoria, que o povo passou a acatar as suas ordens e a reconhecê-lo como líder (Dt.34:9). Talvez seja sido este episódio que fez com que Salomão, ao suceder Davi, pedisse a Deus, quando se lhe deu oportunidade, sabedoria para dirigir o povo de Israel, no que foi prontamente atendido pelo Senhor (I Rs.3:9-12; 4:29,30,34; II Cr.1:10-12), pois Deus é um Deus que tem prazer em dar sabedoria ao Seus servos, fazendo-o liberalmente e não o lança em rosto (Tg.1:5), pois Ele é o Deus da sabedoria (I Sm.2:3).

- Sabedoria é temer a Deus, diz o patriarca Jó (Jó 28:28), de sorte que não se tem como ter verdadeira sabedoria se não se submeter à lei do Senhor (Sl.19:7). Por isso, já vemos claramente que só o Espírito Santo pode dar sabedoria ao homem, só Ele pode encher o homem de sabedoria.

- A sabedoria, vinda da parte de Deus, na Pessoa Divina do Espírito Santo, habita em todo salvo, pois, por isso, a boca do justo fala da sabedoria, a sua língua fala o que é reto (Sl.37:30), afinal de contas o Senhor é quem dá a sabedoria, da Sua boca vem o conhecimento e o entendimento, reserva a verdadeira sabedoria para os retos (Pv.2:6,7).

- Esta realidade se apresenta de forma mais clara quando verificamos que a Sabedoria é personificada e essa Pessoa é, precisamente, o Senhor Jesus. O capítulo 8 de Provérbios apresenta a Sabedoria como uma Pessoa e sabemos que esta Pessoa é o Verbo, Aquele que clama aos homens e se dirige aos filhos dos homens (Pv.8:4). Jesus é “a sabedoria de Deus” (I Co.1:24), foi feito para nós por Deus sabedoria (I Co.1:30). N’Ele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria (Cl.2:3).

- Por isso, podemos dizer que todo salvo recebe sabedoria da parte de Deus, visto que o Espírito Santo é “Espírito de sabedoria”, e sem a sabedoria não temos como fazer o que é certo, não temos condição de ser retos de coração, que é a própria manifestação da sabedoria. A sabedoria divina é inalcançável pelo homem, pois se constitui em um mistério oculto pelo próprio Deus (I Co.2:7) e que, portanto, só o Espírito de Deus pode revelar pois se trata de comparação de coisas espirituais com as espirituais, inatingíveis ao espírito humano (I Co.2:13).

- A sabedoria divina permite-nos agir de maneira que sejamos puros, depois, pacíficos, moderados, tratáveis, cheios de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia (Tg.3:17). Ora, se o agir com pureza é a primeira consequência da sabedoria, tem claramente que isto não pode vir do próprio homem, mas é algo dado pelo Senhor, visto que isto é dependente da nossa justificação pela fé em Cristo Jesus, Jesus que, como Sabedoria, o que primeiro faz é abominar a impiedade (Pv.8:6).

- Odom da palavra da sabedoria, porém, é algo diverso desta sabedoria que vem ao salvo por causa da sua conversão, da sua santificação. Se todos os salvos têm de ter sabedoria (e se não a têm devem pedi-la a Deus, como ensina Tiago), pois se trata de uma manifestação sobrenatural em que o Espírito Santo age de modo tópico, casuístico, ante a necessidade da Igreja.

- O dom da palavra da sabedoria é o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que deem, em ocasiões especiais e de forma sobrenatural, palavras orientadoras e que nos fazem sair de situações difíceis, trazendo uma decisão correta que deve ser tomada pela Igreja.

- A sabedoria, aqui, é a habilidade de agir ou falar em conformidade com a razão e a moral, com prudência e experiência de vida, com sensatez e equilíbrio. Trata-se não só de uma pessoa que tenha conhecimento (o que é “erudição”), nem tampouco da pessoa que demonstra criatividade e, diante dos recursos existentes, consegue construir algo que lhe dá o máximo de aproveitamento da oportunidade surgida (o que é “inteligência”), mas, sobretudo, a capacidade de associar os recursos, o ambiente, a situação para dela se obter o máximo proveito, não só para si, mas, principalmente, para a glória do nome do Senhor. A sabedoria, como as Escrituras informam, é algo que está além da razão humana, vem diretamente de Deus e tem no temor ao Senhor o seu princípio (Sl.111:10a). Como, nestes dias de desequilíbrio e de incontinência (II Tm.3:3), tem faltado sabedoria, mesmo no meio do povo do Senhor!

- Diante de uma circunstância específica, o Espírito Santo usa de um salvo para que, por meio da palavra de sabedoria, de modo sobrenatural, faça alguém tomar a decisão correta, a direção que a fará sair da dificuldade, da armadilha, da encruzilhada em que se encontra sem saber como agir. O mesmo Espírito Santo que dá sabedoria aos salvos, nestes instantes de absoluta necessidade de intervenção sobrenatural, vem e traz uma palavra que indica o correto procedimento a se tomar, livrando-nos de todo mal e nos mostrando a onisciência divina.

- Naturalmente, a sabedoria divina nos levará à retidão e não ao amealhar de conhecimentos, nem tampouco a obtenção de uma posição ou de vantagens que levem a dominar os outros. Nisto devemos distinguir entre a sabedoria divina e outras duas espécies de sabedoria: a humana e a diabólica.

- A sabedoria humana foi bem caracterizada pela cultura greco-romana, a chamada Antiguidade Clássica. “…Os gregos (…) atribuíam à sabedoria uma finalidade intelectual.(…) Alimentado [judaísmo rabínico, observação oficial], em parte, pelo espírito da cultura greco-romana contemporânea, foi humanista até o ponto de não ser considerado uma violação do escrúpulo religioso dizer com os mestres rabínicos: ‘Procurem a hora entre o dia e a noite em que possam aprender a sabedoria dos gregos’…” (AUSUBEL, Nathan. op.cit., pp.165-6).

- A sabedoria humana está, portanto, vinculada o “intelecto”, ao conhecimento no sentido grego do termo, ou seja, o domínio mental, intelectual de um determinado fato. Neste sentido, aliás, é que o apóstolo Paulo dizia que os gregos buscavam sabedoria (I Co.1:21), como também disse que não viera aos coríntios com sabedoria humana, mas, sim, com demonstração de Espírito e de poder (I Co.2:1,4,5). “…As bibliotecas em geral contêm sabedoria e ciência mas estas geralmente trazem enfado e tristeza, como disse Salomão: ‘De fazer muitos livros não há fim, e o muito estudar é enfado na carne’, Ec.1:18 e 12:12.(…) Quando o mundo, pela sua sabedoria, não conheceu a Deus na sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os homens usando um meio que aos sábios parece loucura; é por isso que tornou ineficaz a inteligência e o raciocínio humanos. Essas qualidades do homem, assim como muitas outras, foram postas de lado, dando lugar à palavra da cruz, caminho único para conhecermos e agradarmos a Deus: ‘Cristo crucificado, para salvar os que creem.…” ( NYSTRÖM, Samuel. Jesus Cristo, nossa glória, pp.34-5).

- A sabedoria humana não tem condições de compreender os mistérios divinos, sendo certo que todo conhecimento intelectual do homem precisa partir de pressupostos que são inverificáveis (como os axiomas na geometria). A sabedoria humana, portanto, não leva à salvação do homem nem ao perfeito e correto conhecimento de Deus, de sorte que é incapaz de fazer o homem acertar, fazer as coisas certas.

- Como afirmou o próprio apóstolo Paulo, quando estamos no campo da sabedoria humana, somos facilmente envolvidos por palavras persuasivas, somos facilmente convencidos pelos que têm o domínio da retórica, da neurolinguística (como ocorre, atualmente, nos manipuladores da “opinião pública”) e, em matéria de convencimento em termos humanos, de utilização de argumentos que levam todo homem ao erro, não há ninguém mais ágil e astuto do que o inimigo de nossas almas, que bem conhece as coisas relativas aos homens, embora nada entenda das coisas relativas a Deus (Mt.16:23).

- É neste ponto, aliás, que exsurge a “sabedoria diabólica”, que Tiago diz “animal e terrena” (Tg.3:15). O irmão do Senhor faz questão de identificar esta sabedoria como sendo proveniente da amarga inveja e do sentimento faccioso no coração, pois “onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa” (Tg.3:16).

- Qualquer demonstração de erudição, conhecimento, inteligência que tenha como raiz a inveja e o sentimento faccioso (ou seja, o “espírito de divisão”), em que se procure a exaltação egoísta, a destruição do outro, não é senão a demonstração da “sabedoria diabólica”, onde não há, em absoluto, o propósito de adoração a Deus, mas, sim, a maquinação de pensamentos para fazer o mal.

- O dom da palavra da sabedoria, portanto, apresenta-se como uma necessidade na vida da Igreja, a fim de que se tomem as decisões corretas, segundo a vontade do Senhor, impedindo que manifestações de sabedoria humana ou de sabedoria diabólica venham a perturbar os salvos e os impeçam de chegar até o final de sua carreira espiritual.

II – O DOM DA PALAVRA DA CIÊNCIA

- Por diversas vezes, o texto sagrado, ao falar da sabedoria, principalmente nos ditos textos em que há o “paralelismo hebraico”, que é a repetição de uma mesma ideia com outras palavras, prática muito encontrada nos livros poéticos das Escrituras, a “sabedoria” é vinculada à “ciência”.

- A Bíblia On-Line da Sociedade Bíblica do Brasil considera que “ciência”, na Bíblia, significa “ a soma de conhecimentos práticos da vida; sabedoria (Dn 1.4; Jó 21.22; At 7.22; 1Co 8.1; 13.8).…”, praticamente tornando ambas as expressões sinônimas, o que, em se tratando dos textos de “paralelismo hebraico”, não é algo desarrazoado.

- No entanto, principalmente quando estamos a analisar a questão dos dons espirituais, temos uma nítida distinção entre “sabedoria” e “ciência”, até porque o texto em que se verifica tal distinção é um texto escrito em grego e para gregos (a epístola de Paulo aos coríntios), onde não se tem o mencionado “paralelismo”.

- Na maior parte das vezes, a palavra hebraica traduzida por “ciência” é “da’at” (דעת), cujo significado é o de conhecimento intelectual, percepção, conhecimento a respeito de um fato. No misticismo judaico, costuma-se dizer que “… a Sabedoria é considerada como a Mente pura e indiferenciada. É pensamento puro que ainda não foi quebrado em ideias diferenciadas. A Sabedoria é o nível acima de toda divisão, onde tudo é uma unidade simples.(…). A antítese da Sabedoria é o Entendimento (…) o nível imediatamente abaixo da Sabedoria. É no nível do Entendimento que as ideias existem separadamente, podendo ser pesquisas e compreendidas.(…). O Conhecimento (…) [é] o ponto de confluência entre a Sabedoria e o Entendimento.…” (KAPLAN, Arieh. Sêfer Ietsirá: o livro da Criação, teoria e prática. Trad. de Erwin Von-Rommel Vianna Pamplona, pp.41,52). Esta distinção feita entre sabedoria, ciência e entendimento é baseada em Pv.3:19,20 e 24:3,4.

- Vemos, pois, dentro da cultura hebraica, que a sabedoria, algo proveniente exclusivamente de Deus, mantém uma interface com o entendimento, que é a capacidade intelectual do homem, criado um ser inteligente e racional pelo Senhor, por meio do conhecimento, da ciência, que é a obtenção de um saber específico, determinado, relativo a algo em especial, que o Senhor revela ao homem.

- Assim, enquanto a sabedoria vem diretamente do Senhor para que tomemos decisões corretas, sem que, para tanto, se tenha de se especificar um fato ou um determinado acontecimento, tem-se, claramente, que a “ciência” é revelação de um fato específico, de uma ocorrência, de um acontecimento.

- O dom da palavra da ciência é o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que tenham conhecimento sobrenatural de coisas. Sem que haja qualquer comunicação natural a respeito de um fato, o Senhor permite ao servo portador deste dom que tenha acesso a fatos e as ocorrências que estavam ocultas, com o propósito único e exclusivo de edificar, exortar e promover o crescimento espiritual de alguém.

- Vemos, pois, que nada há, neste dom, que o nivele a um mero exercício de adivinhação, como, lamentavelmente, se tem disseminado em muitos lugares. A adivinhação não passa de uma imitação fajuta e irrazoável deste dom, no mais das vezes sendo pura operação maligna (At.16:16), vez que tal prática é abominável aos olhos do Senhor (Lv.20:27; Ez.12:24).

- O dom da palavra da ciência, como dom espiritual, é concedido para edificação da Igreja e, portanto, não se trata de mero exercício de curiosidade, nem tampouco de uma “fofoca santa”, onde se revelam coisas ocultas com o propósito de desnudar a intimidade das pessoas. Seu exercício tem por finalidade única e tão somente a edificação da Igreja, como aconteceu no episódio de Ananias e Safira, quando o apóstolo Pedro foi usado com este dom para trazer temor à Igreja (At.5:1-11).

- Para Deus, nada é oculto, tudo está patente diante de Seus olhos (Hb.4:13). Quando Ele nos revela algo, nos faz ter conhecimento, ciência de algum fato, de modo sobrenatural, Seu intento será sempre o de promover a edificação espiritual da Igreja. Por isso, não se trata de promover a humilhação ou a morte de alguém, mas, sim, de mostrar a onisciência divina e, deste modo, dar condições para que os salvos cresçam espiritualmente.

III – O DOM DE DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS

- A palavra “discernir”, no texto sagrado, traduz, em hebraico, no mais das vezes, o termo “yada’” (ידע), que o Dicionário Vine diz ter como significado “…(1) saber por observação e reflexão e (2) saber por experiência” (VINE, W.E. Diccionario expositivo de palabras del Antiguo y del Nuevo Testamento exhaustivo. Nashville: Caribe. Disponível em: www.semeadoresdapalavra.net, p.83) (tradução nossa de texto em espanhol). Em ambos os significados, notamos que se trata de um saber que exige uma prévia reflexão, um prévio julgamento por parte daquele que vem a saber algo. O “discernimento” é, precisamente, um saber que vem de uma distinção, de uma análise, de um julgamento.

- Os termos gregos correspondentes, a saber, “anakrino” (ανακρίνω) (I Co.12:10) e “diakrino” (διακρίνω) (I Co.11:29), também revelam que o “discernimento” consiste numa distinção, num julgamento, numa reflexão, numa análise, visto que são palavras derivadas de “krino”, de onde vem a palavra “crítica”, que outra coisa não é senão julgamento.

- O “discernimento”, portanto, é a capacidade de distinguir, de discriminar, de separar uma coisa da outra. O Senhor repreendeu duramente os sacerdotes por intermédio do profeta Ezequiel precisamente porque eles não faziam mais diferença, não distinguiam entre o santo e o profano (Ez.22:20) e prometeu que haveria tempo em que isto voltaria a ocorrer (Ez.44:23).

- Bem se vê, pois, que é fundamental para que alguém exerça seu ofício sacerdotal que saiba distinguir entre o santo e o profano e como a Igreja é o sacerdócio real, a nação santa (I Pe.2:9), torna-se indispensável que tenhamos o devido discernimento espiritual, não confundindo as coisas que são de Deus com as que não são.

- O discernimento espiritual é algo indispensável para todos os salvos. O apóstolo Paulo diz que o salvo tem de ser um homem espiritual, que tudo discerne e de ninguém é discernido (I Co.2:12-16). O salvo tem a mente de Cristo e, por isso, pode muito bem saber quando algo provém da parte de Deus e quando não.

- Todo salvo tem de ter o discernimento espiritual, pois é templo do Espírito Santo e é o Espírito Santo quem faz a devida comparação entre as coisas espirituais e as espirituais (I Co.2:10,11). Não é possível que alguém que esteja em comunhão com o Senhor não tenha o discernimento espiritual.

- No entanto, quando estamos a falar do dom de discernimento de espíritos, não estamos a dizer deste discernimento espiritual que possui tantos quantos são salvos, que têm o Espírito Santo em seus corações. Estamos a falar de uma manifestação esporádica, episódica em que o Espírito Santo, ante a necessidade, faz reconhecer a atuação Sua ou de um espírito maligno numa determinada situação.

- O dom do discernimento dos espíritos é o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que identifiquem operações espirituais em acontecimentos e fatos do cotidiano. Por intermédio deste dom, percebemos o aspecto espiritual envolvido nas mais diversas e simples ocorrências do dia-a-dia, não nos deixando cair nos laços do adversário, bem como nos precavendo até aquele grande dia, cuja proximidade também é resultado do nosso discernimento espiritual.

- É importante observar que o dom do discernimento é uma identificação súbita e momentânea, numa determinada situação, da operação espiritual, não se confundindo com o discernimento corriqueiro que todo cristão deve ter, por estar em comunhão com o Senhor e ter em si o Espírito Santo que o orienta a cada dia.

- Vemos a manifestação deste dom de discernir os espíritos no ministério do apóstolo Paulo, quando, depois de muitos dias, pôde observar que aquela jovem que fazia “marketing” de seu ministério em Filipos era um espírito maligno e, ante tal constatação, vinda do fato de que ele o perturbava, de pronto, o apóstolo expulsou aquele demônio, libertando aquela pobre escrava filipense (At.16:16-18).

- Não se deve, também, entender o dom de discernimento de espíritos como uma ‘habilidade para identificação dos demônios”, como muitos incautos afirmam por aí. Seria a capacidade de saber a “identidade” do demônio e, assim, saber em que área está havendo esta ou aquela perturbação. O discernimento aqui é a capacidade sobrenatural dada pelo Espírito Santo para sabermos se uma determinada situação é proveniente de Deus, ou não. Nada mais do que isto, pois é isto que edifica a Igreja e não se o demônio envolvido na situação é deste ou daquele nome, atua nesta ou naquela situação.

- A falta do dom do discernimento de espíritos, na atualidade, tem causado enormes danos para a Igreja, pois, com a intensificação da atividade demoníaca neste tempo de princípio de dores, quando está a terminar a dispensação da graça e “o mistério da injustiça” avança, não são poucas as manifestações sobrenaturais advindas das hostes espirituais da maldade que estão a impressionar e a enganar muitos dos que cristãos se dizem ser.

- Não são poucos os que falam em línguas estranhas na atualidade que estão a fazê-lo não pelo Espírito Santo, mas que o fazem por ação de espíritos malignos; não são poucos os que têm “revelações”, mas que o fazem por ação de demônios; não são poucos os que fazem “maravilhas” que, no entanto, têm como origem o poder das trevas. Devemos ter o devido discernimento espiritual e, nestes dias tão difíceis, o dom de discernir espíritos é um dos dons de que a Igreja mais precisa, pois, ante o avanço do maligno, temos de buscar, com zelo, o poder do Espírito Santo. Acordemos enquanto é tempo, amados irmãos!

OBS: Há alguns anos, em visita a uma igreja, ao término da reunião, quando um amado e querido irmão que conosco estava orava pelos enfermos, uma irmã começou a se movimentar de forma estranha, como se estivesse sob o domínio do Espírito Santo. Por possuir este dom espiritual, o amado irmão, de imediato, expulsou o demônio e a igreja ficou surpreendida, pois achara que, durante os últimos cinco dias, em que a igreja tivera uma festividade, aquela irmã tinha sido “muito usada pelo Espírito Santo”. Peçamos o dom do discernimento de espíritos!

- O inimigo de nossas almas procura imitar tudo quanto provém de Deus, para nos enganar e confundir. Por isso, ante a difícil fase por que passamos na história da Igreja, precisamos ter toda a cautela para não sermos enganados por Satanás e, para tanto, o dom de discernimento de espíritos é um instrumento extremamente útil para não deixar que a Igreja seja enganada e ingresse na multidão dos que apostatarão da fé.

- A falta do dom de discernir espíritos tem levado multidões à apostasia espiritual, pois se deixam envolver por manifestações sobrenaturais que nada têm de Deus e este envolvimento gera muitas vezes enorme prejuízo espiritual. É o que temos visto com as manifestações das nunca explicadas “novas unções” que estão a perturbar a vida espiritual de muitos, como a “risada santa”, as “unções de animais”, o “vômito santo”, o “cai-cai” e tantas outras invencionices que somente têm lugar porque não há o dom do discernimento de espíritos. Tomemos cuidado, amados irmãos!

Caramuru Afonso Francisco

Fonte: PortalEBD

sábado, 7 de maio de 2011

OS ÚLTIMOS DIAS NA ESCRITURA

A Escritura ensina que o último dia - o dia do julgamento - concluirá o final dos tempos. No Velho Testamento, esse momento mencionado como "o Dia do Senhor". Geralmente é descrito como um dia horroroso de ira contra os que não se arrependeram. No entanto, para os fiéis será um dia de salvação e vingança. Jeremias e Isaías, por exemplo, previram que durante o Dia do Senhor, Deus faria guerra contra todas as nações más e estabeleceria o seu governo na cidade eterna de Sião (Isaías 4:2; 11:10; Jeremias 50:3-32; veja também Joel 2:1-3; 3:9-16; Amós 5:18-20; 9:11; Sofonias 1:7-18). Deus absolverá ou punirá as pessoas baseando-se em suas condutas. Aqueles fiéis à aliança prosperarão, porém os desleais perecerão. O profeta Habacuque, identifica o justo como sendo uma pessoa fiel (Habacuque 2:4).

Os escritores do Novo Testamento aceitaram essas idéias, no entanto as interpretaram na luz da obra e palavras de Jesus. Eles acreditavam que Deus apontou Cristo para ser julgador dos vivos e dos mortos (Atos 10:42; 17:31). Por essa razão, tanto os que crêem quanto os que não crêem tem que comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba bênçãos ou condenação, de acordo com o que eles fizeram com suas vidas (2 Coríntios 5:10; veja também Romanos 14:10). Paulo e João dizem que as pessoas serão julgadas de acordo com suas obras, se elas foram agradáveis a Deus ou não (2 Coríntios 5:10; Apocalipse 20:12). Esse ensinamento não contradiz, no entanto, a noção de graça. É verdade que ninguém chegou ao padrão perfeito de Deus. Todos pecaram e merecem ser castigados (Romanos 3:23). A nossa culpa é inegável, mas podemos escapar da ira do último julgamento. Os nossos meios de resgate são a morte e a ressurreição de Cristo, pois o ato de Jesus leva a absolvição e a vida para todas as pessoas (Romanos 5:18). Aqueles que confiam no Senhor não são condenados (João 3:16-18) e podem entrar no Dia do Julgamento confiantes (1 João 4:17), pois seus nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Apocalipse 21:27). Aqueles que rejeitarem a Cristo não tem tal recurso. Eles tem que encarar o Dia do Julgamento sem um advogado e serão condenados (Apocalipse 20:11-12).

Fonte: orkut do irmão: ROMAMOR JOSELITO

Dons que manifestam a sabedoria de Deus – 2

“Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las.” (1 Co 12.8-10, ARA)
Os dons espirituais listados em 1 Co 12.8-10 são geralmente classificados na literatura pentecostal da seguinte forma:

- Dons de revelação ou saber - a palavra de sabedoria (gr. logos sophias), a palavra do conhecimento ou ciência (gr. logos gnoseos), discernimento de espíritos (gr. diakriseis pneumaton);

- Dons de poder - fé, (gr. pistis), dons de curar (gr. charismata iamaton), operações de milagres ou maravilhas (gr. evergemata dunameon);

- Dons de inspiração, mensagem, expressão ou elocução - profecia (gr. propheteia), variedade de línguas (gr. gene glosson), interpretação das línguas (gr. hermeneia glosson).

A presente lição trata do primeiro grupo de dons (Dons de revelação ou saber).

A palavra da sabedoria

A Bíblia de Estudo Pentecostal (1999, p. 1756) define este dom como uma mensagem vocal sábia, enunciada mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo. A revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo é aplicada a uma situação ou problema específico (At 6.10; 15.13-22).

Conde (1985, p. 101), diz que certamente não se refere à sabedoria humana, natural, ao conhecimento adquirido nas escolas, seminários ou por outros meios, mas à sabedoria do Céu, revelada pelo Espírito Santo.

Gee (1985, p. 32-36), entendendo que esse dom se encontra registrado na lista de manifestações do Espírito Santo, é parte peculiar do revestimento de poder do Alto, que desce sobre os crentes somente ao receberem o Espírito Santo. A palavra da sabedoria atua na pregação, no governo da igreja e em casos emergenciais.

Souza (1998, p. 143) e (Gilberto (2006, p.70) afirmam que é um dom extremamente necessário “no governo da igreja, pastoreio, administração, liderança, direção de qualquer encargo na igreja e nas suas instituições”.

Segundo Horton (1999, 294), a capacidade humana e a sabedoria natural não estão aqui envolvidas. É uma manifestação do Espírito concedida para “aquela” necessidade (Lc 21.13-15; At 4.8-14, 19-21).

Souza (Ibid., p. 139), considera este dom como “a sabedoria de Deus, ou, mais especificamente, um fragmento da sabedoria de Deus, que é dada por meios sobrenaturais”. Para Souza, há semelhanças deste dom com o de profecia.

Na abordagem de Silva (1996. p. 82) “por meio da palavra da sabedoria, Deus capacita a mente humana para entender todos os fatos e circunstâncias, leis e princípios, tendências, influências e possibilidades [...]. É, portanto uma operação desvinculada de qualquer técnica ou método humano, que se manifesta conforme a circunstância ou para atender uma necessidade premente (Lc 12.11, 12; 21.15; Tg 1.5)”. Silva compreende ainda, e concordo com ele, que este dom opera desde o Antigo Testamento (desta forma, não precisar ser batizado com o Espírito Santo para recebê-lo), conforme segue:

- José. “Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu.” (Gn 41.38,39, ARA). Chown (2002, p. 41), inclui também José entre os portadores deste dom: “De fato, o Espírito Santo pusera na mente de José uma poderosa palavra de sabedoria [...].

- Moisés e Arão. “Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar. [...] Tu, pois, lhe falarás e lhe porás na boca as palavras; eu serei com a tua boca e com a dele e vos ensinarei o que deveis fazer.” (Êx 4.12, 15, ARA)

- Bezalel e Aoliabe. “Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade (sabedoria), de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, Eis que lhe dei por companheiro Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã; e dei habilidade (sabedoria) a todos os homens hábeis, para que me façam tudo o que tenho ordenado:” (Êx 31.2, 3, 6 ARA, grifo nosso)

- Josué. “Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés impôs sobre ele as mãos; assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o SENHOR ordenara a Moisés.” (Dt 34.9, ARA)

- Salomão. “Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça.” (1 Rs 3.28, ARA). Chown (Ibid., p. 38-39), discorda aqui de Silva, entendendo que a sabedoria que Deus concedeu a Salomão foi “natural”, e a relaciona com a que Tiago menciona (Tg 1.5). Neste particular concordo com Chown e discordo de Silva.

- Daniel e seus companheiros. “Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos.” (Dn 1.17)

Chown (Ibid., p. 39-40), cita ainda Noé como receptor deste dom (Gn 6.13) e afirma: “Esta mensagem, acompanhada das instruções para construir a arca, forneceu à raça humana, na pessoa de Noé, a última esperança de sobreviver e de, um dia, tornar-se herdeira das promessas de Deus em toda a sua plenitude”.

Para Bergstén (1999, p. 131), esse dom proporciona uma compreensão (Ef 3.4) da profundidade da sabedoria de Deus, que orienta a sua aplicação no trabalho e em decisões no serviço do Senhor. O dom da palavra de sabedoria é uma força na evangelização, visto que transmite conhecimento da salvação (Lc 1.77) com palavras ensinadas pelo Espírito Santo (1 Co 2.13). É uma força na defesa do Evangelho (Fp 1.16). Esse dom esteve presente em Jesus (Mt 22.21,22), Estevão (At 6.10) e em vários outros servos de Deus. Bergstén está entre aqueles que defendem a operação deste dom no Antigo Testamento, quando cita 1 Reis 3.16-28; Gn 41.26-37, 38, 39; Dn 2.27-30, 46, 49).

A palavra do conhecimento ou ciência

A Bíblia de Estudo Pentecostal (Ibid.), afirma que “trata-se de uma mensagem vocal, inspirada pelo Espírito Santo, revelando conhecimento a respeito de pessoas, de circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Frequentemente, este dom tem estreito relacionamento com o de profecia ( At 5.1-10; 1 Co 14.24, 25)”. Gilberto (Ibid.) reafirma esta definição: “Ciência equivale, aqui, a conhecimento. É um dom de manifestação de conhecimento sobrenatual pelo Espírito Santo; de fatos, de causas, de ensinamentos, de ensinadores, etc.”

Gee (Ibid. p. 39), adverte que não se deve ser dogmático ao abordar este dom, e justifica tal procedimento em razão da insuficiência de dados sobre o assunto nas Escrituras. Afirma que é provável que as ideias divergentes acerca dess dom contenham partes de todoa a verdade acerca do mesmo.

Horton (Ibid. p. 295), afirma que este dom relaciona-se estreitamente com o dom da palavra da sabedoria (2 Co 2.14; 4.6; Ef 1.17-23). Gee (Ibid. p. 41), concorda afirmando: “A relação entre a sabedoria e a ciência é tão íntima que muitos crentes acham difícil fazer uma distinção clara entre os dons espirituais da palavra da sabedoria e a palavra da ciência”. A palavra do conhecimento, segundo Horton, tem a ver com o conhecimento de Deus, Cristo, do Evangelho e da aplicação do Evangelho ao viver cristão (1 Co 2.12, 13). É um dom que promove a iluminação sobrenatural do Evangelho, especialmente no ministério do ensino e da pregação. Se relaciona com o profundo conhecimento das Escrituras.

Souza (Ibid. p. 145), entende que a palavra do conhecimento “envolve uma implicaçaõ sobrenatural de fatos que, no momento, nenhum indivíduo, por outro modo, poderia aprender por meios naturais. [...] é a revelação de uma série de ações e se baseia no perfeito conhecimento de Deus e tem o sentido de fragmento do conhecimento divino.” Assim como a palavra da sabedoria, este dom tem fundamento na onisciência de Deus. Souza admite também a relação deste dom com o ministério do ensino (Ibid., p. 146).

Silva (Ibid. p. 86), define este dom como “a revelação sobrenatural de algum fato que existe na mente de Deus, mas que o homem, devido às suas limitações, não pode conhecer, a não ser pela poderosa intervenção do Espírito Santo.” Ele também associa a palavra do conhecimento com a palavra da sabedoria (Êx 31.3; 1 Rs 7.14; Pv 1.7; 9.10; Dn 1.4; 1 Co 12.8, etc.), mas especifica a distinção entre os dois dons (Ibid.), ao afirmar que a sabedoria é a ciência sabiamente aplicada, e que a ciência (ou conhecimento) é um requisito para a sabedoria e para o ensino. Não se trata de um conhecimento adquirido através de estudos e pesquisas dirigidas ou sistematizadas. É entendido por ele, também, como “revelação” (At 20.23; Ef 1.16-17). Para Chown (Ibid., p. 25): “A palavra do conhecimento consiste numa revelação que penetra a mente humana como um relâmpago. Seu teor excede as limitações do conhecimento ou da imaginação do homem. [...] Foi pela palavra de conhecimento que Jesus soube que Natanael meditava sob a figueira, e que se tratava de um homem sem dolo e sem malícia (Jo 1.47,48)”.

O pastor Antonio Gilberto, comentando a lição bíblica do 2º Trimestre de 2009, afirma que em Eliseu e Aías operava o dom da palavra da ciência, ambos personagens do Antigo Testamento, o que reforça mais uma vez a ideia de que este dom operou antes do batismo com o Espírito Santo (At 2):

“Ele, porém, entrou e se pôs diante de seu senhor. Perguntou-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? Respondeu ele: Teu servo não foi a parte alguma. Porém ele lhe disse: Porventura, não fui contigo em espírito quando aquele homem voltou do seu carro, a encontrar-te? Era isto ocasião para tomares prata e para tomares vestes, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas?” (2 Rs 5.25, 26, ARA)

“Respondeu um dos seus servos: Ninguém, ó rei, meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara de dormir.” (2 Rs 6.12, ARA)

“A mulher de Jeroboão assim o fez; levantou-se, foi a Siló e entrou na casa de Aías; Aías já não podia ver, porque os seus olhos já se tinham escurecido, por causa da sua velhice. Porém o SENHOR disse a Aías: Eis que a mulher de Jeroboão vem consultar-te sobre seu filho, que está doente. Assim e assim lhe falarás, porque, ao entrar, fingirá ser outra. Ouvindo Aías o ruído de seus pés, quando ela entrava pela porta, disse: Entra, mulher de Jeroboão; por que finges assim? Pois estou encarregado de te dizer duras novas.” (1 Rs 14.4-6)

Chown (Ibid., p. 29-30), também reconhece a operação deste dom no Antigo Testamento. Cita como exemplo de sua operação no Novo Testamento os textos de João 4.17,18,29; Atos 5.3-4; 9.11-12.

Para Conde (Ibid., p.103-104), a substituição da palavra da ciência pela ciência humana é a razão da falta de progresso em muitas igrejas evangélicas. O desprezo e o combate contra o batismo com o Espírito Santo, e a rejeição da manifestação dos dons espirituais estagnam o crescimento da igreja. Embora haja valor nos dons naturais, no conhecimento adquirido através dos estudos, tal conhecimento só terá valor e atingirá o seu alvo, quando colocado no devido lugar. A igreja necessita mais dos dons do Espírito do que dons naturais, diz Conde.

Os Discernimentos de espíritos

“Trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito, para o portador do dom de discernir e julgar corretamente as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não [...]. No fim dos tempos, quando os falsos mestres (ver Mt 24.5 nota) e a distorção do cristianismo bíblico aumentarão muito (ver 1 Tm 4.1 nota), esse dom espiritual será extremamente importante para a igreja.” (Bíblia de Estudo Pentecostal, ibid., p. 1757)

Embora a versão de Almeida Revista e Corrigida traduza por “discernir”, no texto grego o termo está no plural (diakriseis, discernimentos).

Horton (Ibid., p. 300), também o entende como diretametne relacionado ao julgamento de profecias (1 Co 14.9). Discernimento, significa formar um juízo, e envolve uma percepção que é outorgada de modo sobrenatural, para diferenciar entre os espíritos, bons e maus, genuínos ou falsos, a fim de chegarmos a uma conclusão (1 Jo 4.1). Assim como os demais dons, é apropriado para circunstâncias e situações específicas (At 5.3; 8.20-23; 13.10; 16.16-18).

Para Gilberto (Ibid.), é um dom de conhecimento e de revelação sobrenaturais do Espírito Santo: “é um dom de proteção divina para não sermos enganados e prejudicados por Satanás e seus demônios, e também pelos homens. [...] Líderes em geral – inclusive de música -, pastores, evangelistas, mestres, precisam muito deste dom para não serem enganados.”

Conforme Souza (Ibid., p. 151), este dom é uma habilitação sobrenatural que permite identificar a natureza e o caráter dos espíritos, tendo em vista que existe o Espírito Santo, o espírito humano e os espíritos demoníacos. Ele destaca ainda que não se trata de habilidade para descobrir as faltas alheias, fazer leitura de pensamentos, de fenômeno espiritista (ou mediúnicos), nem se relaciona com a psicologia. Para Gee (Ibid. p. 63), não deve ser confundido com a forma natural de criticar, notar defeitos nos outros, nem com a habilidade penetrante de discenir a natureza humana.

Silva (Ibid., p. 88), concorda com Souza ao declarar que não se trata de técnica, perícia ou psicologia humana, mas sim de uma atuação direta do Espírito Santo na mente do homem, habilitando-o com uma espécie de “psicologia divina” que lhe capacita distinguir as manifestações vindas de Deus das procedentes de espíritos demoníacos. Chown (Ibid., p. 46), confirma este pensamento e nos diz que este dom não pode ser confundido com a perícia psicológica, com a capacidade de analisar caráter, nem com a facilidade de descobrir falhas em nosso semelhantes. Silva adverte ainda que há muitos indivíduos dotados de poderes espirituais e psíquicos que não pertencem ao Reino de Deus. Mais uma vez Silva se reporta ao Antigo Testamento para identificar a manifestação deste dom na vida de alguns personagens (Ibid., p. 89-90). Aliando-se ao pensamento de Gilberto, Silva entende que na igreja, este dom deve ser desenvolvido especialmente na esfera ministerial (liderança). Gee (Ibid. p. 65), declara o mesmo: “[...] mas o dom espiritual de discernir é de maior valor ainda para o crente nos domínios espirituais, especialmente para os crentes responsáveis pelo governo das igrejas.”

Conde (Ibid. p. 111), declara que: “O crente que possui esse dom, conhece, por meio de um simples olhar, os espíritos enganadores, os enedemoninhados, os falsos, os fingidos; sabe distinguir entre o falso e o verdadeiro, entre o ouro puro e o simples metal”. Para ele, assim como no caso dos demais dons aqui listados, é preciso o batismo com o Espírito Santo para a sua manifestação, posição não unânime no meio pentecostal clássico.

Chown (Ibid., p. 45), entende que por este dom, o Espírito revela a fonte de qualquer demonstração de poder e de sabedoria sobrenaturais (Mt 24.5, 11; 2 Ts 2.8-10; 1 Tm 4.1; Ap 16.14). Este dom coopera também no discernimento da causa ou origem de doenças físicas ou mentais (Mt 4.24; 12.22; Mc 5. 1-9; 9.25; At 10.38).

Conclusão

A similaridade na abordagem pentecostal teórica e prática sobre os dons de revelação ou saber, faz com que em boa parte dos casos ou situações pairem dúvidas sobre qual deles está se manifestando e operando.

Referências Bibliográficas

BERGSTÉN, Eurico. Introdução à Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueir, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida-EUA: CPAD, 1999.

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida, 4ª ed., 2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

CONDE, Emílio. Pentecoste para todos. 6ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1985.

CHOWN, Gordon. Os dons do Espírito Santo. São Paulo: Vida, 2002.

GEE, Donald. Acerca dos dons espirituais. 5ª ed. Pindamonhangaba, SP: IBAD, 1985.

GILBERTO, Antonio. Verdades pentecostais. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

HORTON, Stanley M. O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo. 5ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

Novo Testamento Interlinear grego-português. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

SILVA, Severino Pedro. A Existência e a pessoa do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

SOUZA, Estevam Ângelo de. Nos domínios do Espírito. 4ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desconexão: A Teologia dos tempos de Jesus

Graça e paz!


Nos tempos de Cristo havia uma teologia vigente. E ela era verdadeira, afinal fora dada pelo grande líder hebreu Moisés. A teologia do povo judeu, entre outras coisas, contava da sua história, de suas derrotas, vitórias e superações. Era uma boa teologia, aliás, ótima! Na teologia dos tempos de Jesus percebemos a atenção especial em relação à família, vemos a identidade de um povo em forma de nação.

Mas a teologia dos tempos de Jesus começou a cair em um precipício chamado desconexão. Começou-se a valorizar a teologia pela teologia. Quando isso acontece, a vida humana perde o valor, afinal deve-se proteger a teologia.

Quando o bem maior de um povo deixa de ser as pessoas e passa a ser a teologia, a desconexão se instala.

Quando a cura de um cego num sábado é condenável, unicamente pelo dia em que foi realizada, há de se repensar a teologia. Quando os maiores exemplos de fé de um povo vêm de fora dele, há de se repensar a teologia, pois a desconexão já se instalou.

E esta é a pior doença que uma teologia pode sofrer: a desconexão. Desconexão com a vida. Desconexão com as pessoas e realidade que a cerca. Quando isso acontece há de se repensar os conceitos teológicos, ou, no mínimo, sua aplicação.

A teologia deve ser ao mesmo tempo um guia e um mordomo. Deve direcionar o homem em um ideal e também servi-lo em suas perguntas, angústias e incertezas. Mas a teologia nos tempos de Jesus, como em nosso sistema solar, tornou-se uma estrela anã, onde todos passaram a orbitá-la.

A teologia dos tempos de Jesus dava respostas a perguntas que ninguém mais fazia. Perguntava coisas que ninguém mais queria responder. A leitura da Lei e Profetas aos sábados, que era uma grande riqueza do povo, tornou-se padrão ritualístico. Quando isso acontece, a desconexão se instala.

Jesus não veio propor uma nova teologia, mas mostrar que a vida humana, para Deus, tem valor inestimável. Jesus não veio propor uma nova teologia, com doutrinas, normas morais ou conceitos avançados. Antes, veio ensinar a ser gente, como gente realmente deve ser.

Gosto muito do que disse o Pr. Ed René Kivitz sobre a teologia “não estar pronta”. Concordo. Quando lidamos com teologia, precisamos entender que nosso escopo não está, e nem nunca estará fechado. Estamos lidando com um assunto infinito.

A desconexão da teologia com as pessoas, e consequentemente de Deus, fica muito clara no episódio da mulher pega em adultério. Os religiosos levaram aquela mulher à presença de Jesus, não para decidir o destino de sua vida, mas para saber a posição teológica de um Rabi tão controverso. O importante era saber se Jesus compartilhava de sua obsessão pela teologia e seu cumprimento a qualquer custo. Mas Jesus escolheu a vida humana. Ele sempre escolhe a vida humana.

Temo que a teologia de hoje esteja sofrendo da mesma doença: a desconexão. Às vezes ouço certas coisas e me pergunto qual a conexão disso com a vida das pessoas?

Em meio a chavões, clichês e repostas prontas, vidas estão perdendo a visão do Mestre de sandálias andando à beira da religiosidade para resgatar a dignidade humana. A teologia de hoje dá respostas para perguntas inexistentes. Faz afirmações que não acham morada nos corações. E, quando a defesa de uma teologia passa a ser o centro de uma reunião de pessoas, Jesus se afasta e a desconexão se instala.

Não defendo aqui, a liberalidade teológica, até porque a história da igreja, com mais de dois milênios não pode ser ignorada. No entanto, urge que a teologia, ou melhor, os teólogos, lidem com questões de nossos tempos, que estão deixadas de lado por religiosos que sentem vergonha por não saber o que dizer. Questões como homossexualismo, abandono de recém-nascidos, violência doméstica, sexo, drogas devem fazer parte da pauta da teologia moderna.

Se isso não acontecer, a desconexão já se instalou.

Que Deus nos livre de desconectarmos nossa teologia da vida das pessoas, pois se não amarmos nossos irmãos os quais vemos, também não poderemos amar a Deus, que não podemos ver.

Deus te abençoe!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

So o que Deus revelou basta


Por Charles. H. Spurgeon

Não precisamos de nada mais do que aquilo que Deus achou por bem revelar. Certos espíritos errantes nunca estão em casa até que estejam viajando pelo exterior: têm fome de algo que nunca encontrarão "no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra" (Êx 20.4) enquanto tiverem o pensamento que têm agora. Nunca descansam, porque não querem ter nada que ver com uma revelação infalível, por isso, eles estão fadados a perambular através do tempo e da eternidade e a não encontrar nenhuma cidade em que possam descansar. Pois, no momento, eles se gloriam como se satisfeitos com seu último brinquedo novo, mas em poucos meses o esporte deles será quebrar em pedaços todas as noções que anteriormente prepararam com cuidado e exibiram com deleite. Sobem um morro apenas para descê-lo de novo. De fato, dizem que a busca da verdade é melhor do que a própria verdade. Gostam de pescar mais do que do peixe; o que pode bem ser verdade, visto que seus peixes são muito pequenos e cheios de ossos.

Esses homens são tão profícuos em destruir suas teorias, como certos indigentes em esfarrapar suas roupas. Mais uma vez começam de novo, vezes sem conta; sua casa está sempre com os alicerces expostos. Devem ser bons em inícios, pois desde que os conhecemos sempre estão começando. São como aquilo que roda no redemoinho, ou "como o mar agitado, incapaz de sossegar e cujas águas expelem lama e lodo" (Is 57.20). Embora sua nuvem não seja aquela que indica a presença divina, contudo está sempre andando à frente deles e suas tendas nem estão bem armadas e já é tempo de levantar de novo as estacas. Esses homens nem mesmo procuram certeza; seu céu é evitar toda verdade fixa e seguir toda quimera de especulação; estão sempre aprendendo, mas nunca chegam ao conhecimento da verdade.

Quanto a nós, lançamos âncora no abrigo da Palavra de Deus. Eis aí nossa paz, nossa força, nossa vida, nosso motivo, nossa esperança, nossa felicidade. A Palavra de Deus é nosso ultimato. Aqui nós o temos. Nosso entendimento clama: "Encontrei"; nossa consciência afirma que aqui está a verdade; e nosso coração encontra aqui um suporte ao qual toda sua afeição pode se agarrar e, por isso, descansamos contentes.

A revelação de Deus é suficiente para nossa fé

O que poderíamos acrescentar se a revelação de Deus não fosse suficiente para nossa fé? Quem pode responder essa pergunta? O que qualquer pessoa proporia acrescentar à Palavra sagrada? Um momento de reflexão nos levaria a escarnecer das mais atraentes palavras de homens, se fosse proposto acrescentá-las à Palavra de Deus. O tecido não estaria em uma peça única. Você adicionaria remendos a uma veste real? Você guardaria a sujeira das ruas no tesouro do rei? Você juntaria as pedrinhas da praia aos diamantes preciosos da antiga Golconda? Qualquer coisa que não seja a Palavra de Deus posta diante de nós para que creiamos e preguemos como se fosse a vida do homem nos parece totalmente absurda, contudo, enfrentamos uma geração de homens que sempre querem descobrir uma nova força motriz e um novo evangelho para suas igrejas. A manta de sua cama parece não ser suficientemente longa, e eles querem pegar emprestado um metro ou dois de tecido misto e incongruente dos unitaristas, agnósticos ou mesmo dos ateístas.

Bem, se existe qualquer força espiritual ou poder dirigido aos céus, além daquele relatado nesse Livro, acho que podemos passar sem ele. Na verdade, deve ser uma falsificação tão grande que estamos melhor sem ela. As Escrituras em sua própria esfera são como Deus no universo--Todo-suficiente. Nelas estão reveladas toda a luz e poder que a mente do homem pode precisar em relação às coisas espirituais. Ouvimos falar de outra força motriz além daquela encontrada nas Escrituras, mas cremos que tal força é um nada muito pretensioso. Um trem está descarrilado, ou incapaz de prosseguir por outro motivo, quando chega a turma do conserto. Trazem locomotivas para tirar o grande impedimento. A princípio parece que nada se mexe: a força da locomotiva não é suficiente. Escutem! Um garotinho tem uma idéia. Ele grita: "Pai, se eles não têm força suficiente, eu empresto meu cavalo de balanço para ajudá-los". Ultimamente, recebemos a oferta de um considerável número de cavalos de balanço. Pelo que vejo, eles não têm conseguido muito, mas prometeram bastante. Temo que o efeito disso tenha sido mais maléfico que benéfico: eles já levaram pessoas a zombar e as retiraram dos lugares de culto que antes gostavam de freqüentar. Os novos brinquedos foram exibidos, e as pessoas, depois de olhá-los um pouco, foram adiante, à procura de outras lojas de brinquedos. Esses belos e novos nadas não lhes fizeram bem nenhum e nunca farão enquanto o mundo existir.

A Palavra de Deus é suficiente para atrair e abençoar a alma do homem ao longo dos tempos; mas as novidades logo fracassam. Alguém pode bradar: "Certamente, precisamos acrescentar nossos pensamentos a isso". Meu irmão, pense o que quiser, mas os pensamentos de Deus são melhores do que os seus. Você pode ter lindos pensamentos, como as árvores no outono soltam suas folhas, mas há alguém que sabe mais sobre seus pensamentos do que você e os julga de pouco valor. Não é verdade que está escrito: "O Senhor conhece os pensa-mentos do homem, e sabe como são fúteis?" (Sl 94.11). Comparar nossos pensamentos aos grandes pensamentos de Deus, seria total absurdo. Você traria sua vela para mostrá-la ao sol? O seu nada para reabastecer o todo eterno? É melhor calar diante do Senhor, do que sonhar em complementar o que ele falou. A Palavra do Senhor está para a concepção dos homens como um pequeno jardim, para o deserto. Mantenha-se no escopo do livro sagrado e estará na terra que mana leite e mel; por que tentar lhe acrescentar as areias do deserto?

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Extraído de: [ Blog dos Eleitos ]